Mostrando postagens com marcador Educação Sexual. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação Sexual. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de outubro de 2014

Te Contei, não ? - Um comprimido para prevenir a AIDS

O frasco com comprimidos azuis está sempre no caminho do auxiliar de enfermagem Fábio Paulo Santana, de 40 anos. Ele coloca a embalagem em cima de um aparador, na sala de jantar de sua casa, no Rio de Janeiro. É a garantia de que avistará o remédio quando passar por ali antes de sair. Ou quando se sentar para fazer as refeições. Mesmo que seus artifícios falhem, ele conta com outro tipo de ajuda: sua empregada e a avó, de 95 anos, são sua memória substituta. Como também tomam remédios, ajudam a lembrar quando chegou a hora do medicamento de Santana.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Te Contei, não ? - Educação sexual : reprovadas

Levantamento do GLOBO nas redes pública e privada do Rio mostra que poucas Escolas têm projetos específicos de Educação sexual. Especialistas dizem que tabu e falta de diálogo em casa expõem jovens a informações errôneas na internet. Sexo não se aprende na Escola. Ou, pelo menos, o debate sobre sexualidade continua um tabu em sala de aula, fazendo com que jovens busquem respostas na internet. Isso, dizem especialistas, frequentemente leva a informações equivocadas. Enquanto Educadores e sexólogos falam em vácuo na Educação sexual, um levantamento do GLOBO em 20 colégios particulares do Rio, entre eles os 10 melhores do ranking fluminense do Enem 2012, mostrou que só quatro apresentaram projetos específicos para discutir o tema. Na rede pública, as iniciativas são pontuais e tampouco correspondem às diretrizes do Ministério da Educação (MEC).

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Te Contei, não ? - Uma arma do fundo do mar contra a Aids


Cientistas extraem de corais australianos proteínas capazes de impedir que o vírus da Aids se multiplique no organismo

Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br)
Uma nova arma contra o HIV, o vírus causador da Aids, pode vir do fundo do mar. Pesquisadores do National Cancer Institute, dos Estados Unidos, identificaram em corais localizados na costa norte australiana um grupo de proteínas que mostrou uma impressionante potência contra o micro-organismo. Os cientistas já planejam utilizá-las inclusive em géis e lubrificantes íntimos usados por mulheres para ajudar na prevenção da infecção pelo HIV.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Te Contei, não ? - Polêmica da venda de sutiã para meninas vai parar na OEA


Para entidades de direitos humanos consumo de lingerie com bojo estimula erotização precoce

Hilka Telles

Rio - A polêmica sobre sutiãs com enchimento para crianças com idades de 6 a 12 anos extrapolou as fronteiras do Brasil e aportou na Organização dos Estados Americanos (OEA), que deverá decidir em 90 dias se recomendará ou não ao governo brasileiro a proibição da venda do produto no país.
A denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA foi encaminhada na sexta-feira passada pela Organização de Direitos Humanos Projeto Legal e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos, que consideram os sutiãs uma forma de erotização das crianças, além de ser prejudicial à saúde delas (produz suor excessivo).
Modelo adulto para criança: decisão sobre denúncia sai em 90 dias
Foto:  Reprodução
“Então, é o caso de proibir também o funk. Tem coisa mais erotizante para a criança do que o funk, em que meninas pequenas rebolam até o chão e dançam na boquinha da garrafa? Sem contar as letras com forte apelo sexual”, atacou o empresário Márcio Luiz Primo, dono da Lila Lingerie, em São Paulo, que produz cinco mil peças por mês para crianças.
Em 2013, as duas entidades de direitos humanos pediram que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro instaurasse inquérito civil público para investigar o comércio do produto com o objetivo de combater o processo de erotização de crianças e adolescentes.
Em dezembro, a promotora Ana Paula Ribeiro Rocha de Oliveira arquivou a representação, alegando que os sutiãs não detêm qualquer cunho erótico e sexual. “Pelo contrário, vislumbra-se até uma forma de proteção aos seios de forma a evitar a transparência e aparecimento dos mamilos, que muitas vezes ocorre nos sutiãs sem esse enchimento”, disse a promotora em seu despacho.
Carlos Nicodemus, advogado da Organização de Direitos Humanos Projeto Legal, recorreu da decisão ao Conselho do Ministério Público, que no início deste mês referendou a sentença de arquivamento da promotora. “Esgotamos internamente os recursos no Brasil e, por isso, estamos recorrendo à OEA, com base no Estatuto e na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança e do Adolescente”. Se a comissão da OEA acatar a denúncia e recomendar medidas administrativas e econômicas para coibir a comercialização dos sutiãs com enchimento, cabe ao governo brasileiro acatá-las.
“Caso contrário, a Corte Interamericana de Direitos Humanos intercede e a recomendação passa a ter cunho de decisão e obrigatoriedade, já que o Brasil reconheceu os poderes do órgão judicial em 1999”, explicou Nicodemus.
Sexualização infantil pode gerar frigidez
Para a doutora em psicologia clínica e professora da PUC-RJ Teresa Negreiros, o tema da erotização precoce é antigo. “As meninas são impúberes e já assimilam o corpo adulto que não têm. Os tempos mudaram, mas não a ponto de se permitir prejuízos psicossociais na infância”, avalia.
“As crianças vivem uma idade que não têm e uma idealização de imagem para a qual ainda não são amadurecidas. As famílias estão dominadas pelos desejos infantis, prejudiciais aos aspectos educacionais. Essa exacerbação da sexualidade pode levar a um processo de frigidez no futuro.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Te Contei, não ? - A vacina brasileira contra a AIDS

Cientistas da USP dão um passo importante e, pela primeira vez, o Brasil produz um imunizante com potencial para conter o avanço do HIV

Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br) e Mônica Tarantino (monica@istoe.com.br)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Te Contei, não ? - Bill Gates e a camisinha de 1 milhão de dólares

 

O multibilionário e generoso criador da Microsoft adota uma nova meta para sua fundação: revolucionar a maneira como se fabricam e se usam preservativos

Raquel Beer
1 milhão de dólares: É quanto Gates e Melinda darão aos projetos que se mostrarem eficientes
1 milhão de dólares: É quanto Gates e Melinda darão aos projetos que se mostrarem eficientes (Oli Scarff/Getty Images) 
 
    

sábado, 4 de janeiro de 2014

Artigo de Opinião - Camisinha contra sífilis, aids e HPV

Os casos de sífilis congênita, transmitida de mãe para filho na gestação, aumentaram 33% na última década no Rio de Janeiro, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado. Em alguns hospitais públicos fluminenses, a taxa de crianças que nascem infectadas chega a 10%. Um estudo de 2012, feito no centro da cidade de São Paulo, mostrou que quase um em cada cinco homens que fazem sexo com homens já se infectara com sífilis.

A sífilis aumenta as chances de transmissão do vírus HIV, causador da aids. Não é incomum detectar a infecção pelo HIV ao mesmo tempo que se diagnostica a sífilis. O risco de transmissão do HIV pelo sexo oral, considerado relativamente baixo, pode aumentar dez a 20 vezes quando algum dos envolvidos na prática tem sífilis.

O aumento nos casos de sífilis também revela o que já se desconfiava: o uso de preservativo tem caído, principalmente entre os mais jovens. Não é só a sífilis que eleva o risco de transmissão pelo HIV. A maior parte das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) pode desencadear uma inflamação na região genital e abrir uma porta para o HIV.

A boa notícia na esfera da sexualidade, para as mulheres, vem de um artigo publicado na revista americana Cancer Prevention Research, em novembro. Ele mostra que uma dose da vacina contra o HPV (causador do câncer de colo do útero) pode conferir a mesma proteção contra o vírus que as três doses preconizadas atualmente. Isso traz uma importante redução no custo da prevenção da doença. É bom lembrar que, recentemente, o Ministério da Saúde garantiu para 2014 a vacinação contra o HPV para todas as jovens de 11 a 13 anos, com planos de expansão da faixa etária de cobertura já para 2015.

Além de proteger contra o câncer de colo do útero, a vacina pode, em teoria, proteger contra outros tipos de câncer relacionados ao HPV e, também, promover uma redução nas verrugas genitais, provocadas por outros subtipos do mesmo vírus. Novas pesquisas são necessárias para comprovar a eficácia da vacina única.

Em termos de tecnologias que podem ajudar na redução das DSTs, ainda é fundamental a vacina contra hepatite B, infecção viral hoje transmitida basicamente por via sexual. Ela está no calendário de vacinação oficial, mas nem todos os adolescentes brasileiros estão imunizados.

Mesmo com todas as novas tecnologias em saúde e prevenção, a melhor forma de garantir proteção mais ampla contra as novas e as velhas doenças sexualmente transmissíveis continua a ser o uso consistente da camisinha. O desafio é colocar essa ideia na cabeça de todos.
  
 
Jairo Bouer / Revista Época

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Te Contei, não ? - A primeira revolução sexual

 

Um novo livro mostra que a liberdade sexual não começou com os cabeludos nos anos 1960. Surgiu no século XVIII, por uma aliança de prostitutas, intelectuais e libertinos

IVAN MARTINS
           
OS DISSOLUTOS The rake’s progress  (O progresso do libertino), ilustração de 1735 de William Hogarth (Foto: Ann Ronan Pictures/Heritage Images/Glow Images)
 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Artigo de Opinião - Sexo: quem educa o seu filho ?

Rio -  Embora o assunto não seja muito discutido, sabe-se que o número de crianças e adolescentes, principalmente do sexo masculino, que acessa pornografia via web vem crescendo a cada dia. A prática — fruto da facilidade de se conectar à internet e, muitas vezes, da falta de supervisão dos pais e ou responsáveis — é muito mais comum do que se pensa.
 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Te Contei, não ? - Estudo australiano aponta para cura potencial da Aids

AIDS.jpgUm cientista australiano anunciou esta quarta-feira ter descoberto como fazer o vírus da Aids se voltar contra si próprio para evitar o progresso da Aids e descreveu seu feito como um grande avanço na descoberta da cura para a doença.

David Harrich, do Instituto de Pesquisa Médica de Queensland, disse ter conseguido modificar uma proteína no HIV que o vírus precisava replicar e, ao contrário, fez inibir "potencialmente" seu crescimento.

"Eu nunca vi nada igual. A proteína modificada funciona sempre", comemorou Harrich. "Se este estudo se mantiver firme em seu caminho, tendo em mente de que há muitos obstáculos a superar, estamos olhando para a cura da Aids", emendou.

Harrich explicou que a proteína modificada, que ele batizou de Nullbasic, demonstrou ter uma habilidade "notável" para conter o crescimento do HIV em laboratório e pode ter implicações animadoras tanto em conter a Aids quanto em tratar os infectados com HIV.
O estudioso descreveu a técnica como "combater fogo com fogo".

"O vírus poderia infectar uma célula, mas não se disseminaria", disse Harrich a respeito deste estudo, publicado na última edição do periódico Human Gene Therapy. "O indivíduo ainda estaria infectado com HIV - não se trata de uma cura para o vírus -, mas o vírus permaneceria latente, não despertaria, portanto o paciente não desenvolveria a Aids", acrescentou. "Com um tratamento como este, seria possível manter saudável o sistema imunológico."

Uma pessoa com HIV desenvolve a Aids quando sua contagem de células imunológicas CD4 cai abaixo de 200 por microlitro de sangue ou desenvolve algumas das chamadas doenças definidoras da Aids, quaisquer uma das 22 infecções oportunistas ou cânceres vinculados ao HIV.

Sem tratamento, a maioria das pessoas infectadas pode não desenvolver a Aids por 10 a 15 anos ou até mais, segundo a ONU. Mas o uso de medicamentos antirretrovirais pode prolongar sua vida ainda mais. Se for comprovada, a terapia genética Nullbasic pode causar uma interrupção indefinida da escalada do HIV para Aids, pondo um fim à letalidade da doença.

Além disso, segundo Harrich, o potencial de uma única proteína ser tão eficaz para combater a doença representaria o fim de onerosas terapias com múltiplos medicamentos, o que significaria uma qualidade de vida melhor e custos menores para as pessoas e os governos.

Testes da proteína em animais estão previstos para começar este ano, mas ainda deve levar alguns anos para que se desenvolva um tratamento a partir dela.

Segundo os números mais recentes das Nações Unidas, o número de pessoas infectadas com HIV em todo o mundo subiu de 33,5 milhões em 2010 para 34 milhões em 2011. A maioria dos infectados, 23,5 milhões de pessoas, vive na África subsaariana e outros 4,2 milhões no sul e no sudeste asiáticos.

Revista Isto É

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Te Contei, não ? - Cresce uso de estimulante sexual por homens jovens

O uso das pílulas, alertam especialistas, pode causar dependência | Foto: DivulgaçãoO uso inadequado de estimulantes sexuais por jovens brasileiros alcançou índices que assustaram especialistas. De acordo com uma pesquisa feita pelo Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo, um em cada cinco homens de 20 a 35 anos ingerem medicamentos para disfunção erétil de maneira irregular. O levantamento não abrangeu o Rio de Janeiro, mas especialistas acreditam que o panorama na Região Metropolitana da capital é parecido.

O chefe do Departamento de Sexualidade Humana da Sociedade Brasileira de Urologia, Geraldo de Faria, calcula que os dados paulistas se repitam nas regiões mais ricas do país. “Os principais centros urbanos, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais devem ter a mesma incidência que São Paulo. Não acredito que Norte e Nordeste estejam na mesma situação”, afirma.

Segundo a pesquisa, o desejo de todos os pacientes é o mesmo: melhorar e prolongar o desempenho sexual. Para justificar o uso, os jovens argumentam ter curiosidade de ver o efeito da droga, aprimorar a performance e medo de falhar na “hora H”.

Mas especialistas alertam que homens saudáveis não conseguirão mudanças no desempenho. “É a mesma coisa que receitar óculos para quem não tem problemas de vista. Não há motivo para essa recomendação”, diz Faria.

Os usuários que não têm necessidade de usar os estimulantes podem sofrer com outros problemas de saúde. Dores de cabeça e musculares, diarreia, alergias, visão dupla e, em casos mais graves, até cegueira, são as principais consequências.

Os cardiopatas não podem tomar estimulantes sexuais. “As drogas dilatam a artéria coronariana e podem levar o paciente a entrar em choque”, alerta Faria.

Para o especialista, outro problema grave que o uso não recomendado dos estimulantes pode causar é a dependência emocional. Segundo Geraldo de Faria, isso acontece porque o homem acha que houve melhora no seu desempenho e acaba criando. “O paciente perde totalmente a confiança se não tomar o remédio antes de ter uma relação sexual”, explica.

No Rio, pesquisa identificou 60%

Em junho, a Sociedade Brasileira de Urologia fez uma pesquisa sobre a vida sexual de brasileiros. O levantamento entrevistou homens com mais de 40 anos. No Rio, foram 500 participantes. Deles, 60% afirmaram usar medicamentos para disfunção erétil regularmente.

Especialistas explicam que a prática de atividades físicas regulares é uma maneira saudável e eficaz de melhorar a atuação na hora do sexo.

Os exercícios contribuem com o condicionamento físico, melhoram a circulação sanguínea e aumentam a resistência quando as regiões do peito, ombros, braços e pernas são trabalhadas. Além da contribuição física, a autoestima do paciente também é elevada

Folha de São Paulo

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Te Contei, não ? - A Turma do Funil

 
 
 
À meia-noite do dia 28 de setembro, uma sexta-feira, quem passou pela Rua Mem de Sá, na Lapa, viu uma cena exótica: uma fila de jovens vestidos como vikings e valquírias na porta do Teatro Odisseia. Era uma espécie de gincana. Quem fosse fantasiado daquela maneira à Taverna Viking, festa de temática medieval que ocorre uma vez por mês na casa, ganhava doses liberadas de hidromel, a bebida típica dos vikings. Naquela noite, seriam esvaziadas 24 garrafas diretamente na boca dos frequentadores — a 25ª seguiria como prêmio ao casal que ganhasse o Concurso de Beijo realizado no auge do evento, lá pelas 3h. Não muito longe dali, no Espaço Acústica, na Praça Tiradentes, a festa Tropical Bacanal tinha uma brincadeira diferente: por volta das 2h, três produtores invadiram a pista de dança com bambolês e uma garrafa de uísque. Quem conseguisse rodar o artefato na cintura por dez segundos ganhava uma talagada.
No sábado seguinte, véspera de eleição municipal, a Wonka Party se inspirou no filme “A fantástica fábrica de chocolate” para atrair público: cupons dourados escondidos no salão podiam ser trocados por chocolates ou doses de bebida no bar. Na sexta-feira posterior, dia 12 de outubro, nem a chuva torrencial que lavou a Lapa tirou da porta do Odisseia a fila para entrar na Pop Up!, festa com farta distribuição de cachaça e sorteio de barril de cerveja, além do Megabeerbomb, um grande funil com mangueiras acopladas na saída para se beber mais, e mais rapidamente, com a ajuda da gravidade. Usado por até quatro pessoas ao mesmo tempo, o instrumento torna possível tomar uma lata de cerveja em três segundos. Naquela noite, o Megabeerbong foi disputado a tapa pela turma que guardava lugar à beira do palco, onde os DJs o posicionam. Em cada aparição do brinquedo, 12 latas eram derramadas funil abaixo.
Conhecidas como drinking games, as brincadeiras que estimulam o consumo excessivo de álcool hoje são os principais atrativos das festas com público entre 18 e 24 anos que ocupam locais como Fosfobox, em Copacabana; Espaço Franklin, no Centro; e Espaço Rampa, em Botafogo; além do Odisseia e do Espaço Acústica. A despeito da música ou do público, o chamariz são os jogos que envolvem bebida, seja como mote ou premiação. Outros exemplos que chamam a atenção são a festa Tekiller, que tem uma Batalha de Tequila, na qual ganha uma garrafa da bebida quem vira quatro doses primeiro. Em algumas edições, “o primeiro a cair bêbado ganha uma tatuagem”, como escrito na filipeta de divulgação. Ou a American Party, cuja atração principal é o Jager Beer Pong, uma competição em que dois times em lados opostos de uma mesa tentam acertar bolinhas de pingue-pongue no copo dos adversários, obrigando-os a virar uma mistura de cerveja com Jagermeister. Sem falar nas festas com os sugestivos nomes de Higher! ou Allcool Party.
— Antigamente, o mais importante era a música. Hoje em dia, para uma festa ser boa, ela tem que ter muitas atrações. Cada dia aparecem mais festas disputando o mesmo público, se não criarmos um diferencial, não atraímos as pessoas — justifica a produtora Luísa de Castro, de 21 anos, que se formou em Gastronomia e, há quatro meses, trocou o estágio numa fábrica de tortas pelo emprego na produtora de festas Blue Fish, responsável pela Tekiller, Taverna Viking e Bubble Pop, que distribui champanhe. — Festa hoje em dia é igual a cruzeiro. Antes, as pessoas queriam viajar. Hoje em dia, todo mundo quer “fazer um cruzeiro”. O que vale são as atrações, os brindes, as fantasias, os games.
Ideia é importada dos EUA e da Alemanha
Depois do reinado das festas de rock, das festas dos anos 80 e das festas com DJ-celebridade, só para citar as últimas tendências da noite jovem carioca, o público assiste (boquiaberto) o advento das festas com drinking games. Não é difícil perceber esta mudança de perfil: nos flyers, o estilo de música muitas vezes nem é citado. Em letras garrafais, o destaque fica por conta das brincadeiras importadas de festas americanas (como o Beer Pong) e alemãs (como o Beerbong, usado nas Oktoberfest).
Enquanto tomavam um ar do lado de fora da Bubble Pop, que estreou no Odisseia em 5 de outubro, Luísa e Fernando Castro, de 25 anos, da Blue Fish, explicaram como regulam a distribuição gratuita de álcool:
— Calculamos pelo número de pessoas. Como hoje vieram entre 200 e 300, limitamos a distribuição de champanhe a seis garrafas. Na Taverna, que é bem cheia, liberamos mais. Não acho que brincadeiras estimulem as pessoas a beberem mais do que fariam. Não vou dizer que nunca tivemos problemas, já aconteceu, uma vez ou outra, de alguém sair mal da batalha de tequila, mas não é culpa nossa, a festa é para maiores de idade — alega Fernando.
Assim que completou 18 anos, no ano passado, o estudante de Sistemas de Informação da PUC-Rio Gabriel Sotero começou a sair à noite com os amigos. Insatisfeito com as festas que frequentava, decidiu a criar a sua, “mais animada”, segundo ele. Juntou-se a um amigo DJ da mesma idade e fundou a Wonka Party. Tal qual o personagem Willy Wonka, do filme, eles distribuem chocolates e escondem cupons dourados na pista. Para animar ainda mais o grande pique esconde em que se transforma a festa, Gabriel fez um curso de DJ este ano e, quando está no comando das picapes (ou laptops), vai de Lady Gaga a Xuxa. Apesar da pouca experiência na noite, o estudante atrai cerca de mil pessoas por evento, com entrada a R$ 30.
— Sem dúvida a Wonka fica lotada por causa da quantidade de brincadeiras. Em toda edição a gente tenta inovar, fazer algo diferente — diz Gabriel, que relativiza o estímulo ao consumo de álcool em seus eventos: — As pessoas saem de casa para beber, faz parte da noite, as brincadeiras são apenas mais uma atração.
Criador da 7 Day Weekend, primeira a usar um Beerbong, o produtor musical e DJ Bruno Salgado de Oliveira, conhecido como Sal, de 27 anos, acha que essa mudança de estilo da noite do Rio é natural.
— Na 7 Day, o principal atrativo são as músicas diferentes que o frequentador só vai ouvir aqui. Fazemos muita pesquisa musical. Mas também queremos ver as pessoas se divertirem, e acho que é esta a função do Beerbong. Não acho que isso estimule o consumo de álcool. Há muitas festas cujo principal interesse é lotar a casa, custe o que custar, dando garrafas de bebida, e isso sou contra. Mas a noite do Rio é muito plural, tem espaço para todo tipo de evento — comenta Sal, que levou o brinquedo pela primeira vez à festa por acaso: tinha usado o instrumento dias antes no clipe de sua banda.
Empresas entram na onda
De olho no mercado que esse tipo de evento fez surgir, o administrador de empresas carioca André Bonilha, de 26 anos, abriu em fevereiro a loja virtual Vira Vira, que, faz questão de frisar, é a “primeira empresa brasileira de drinking games registrada na Receita Federal”. No site, são vendidos itens como o Beerbong simples (R$ 29,90) e o quádruplo (R$ 79,90), além de outros apetrechos. Os principais compradores, no entanto, são os paulistas — o que leva a crer que a moda também chegou a outras cidades do país.
— Quem mais compra com a gente é o pessoal de Campinas, principalmente para eventos de universidade, chopadas e festas de rodeio — comenta André, que contabiliza em R$ 200 mil seu rendimento este ano.
A ideia da loja surgiu depois de uma temporada de estudos em Nova York, em 2009.
— Lá, todas as festas de faculdade tinham drinking games e campeonatos de Beer Pong. Quando voltei, percebi que isso não era comum no Brasil. Achei que tinha tudo a ver com nosso espírito de festa e chamei três amigos para entrar no negócio — explica André, que faz demonstrações em festas para divulgar os produtos. — As pessoas adoram brincar. O bong nada mais é do que um acessório a mais para a descontração.
É o que pensam muitos dos frequentadores das nove festas em que a Revista O GLOBO esteve nas últimas três semanas. Para os jovens ouvidos, a distribuição de bebida é fator decisivo na hora de escolher em qual evento ir. Se for com alguma brincadeira, melhor ainda. Fantasiada de valquíria na fila da Taverna Viking, a estudante Mellyna Barone, que até a meia-noite do dia em questão tinha 17 anos, veio de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, onde vive, especialmente para comemorar o aniversário de 18 anos na festa medieval, cujo sucesso ela acompanhava pelo Facebook. Com uma amiga, ela queria conhecer (e garantir) o famoso hidromel, bebida fermentada à base de mel, de origem medieval, citado no livro “O Senhor dos Anéis”, que seria liberado em doses a noite toda.
— Meu sonho era vir aqui. Convenci meus pais a deixarem, e pelo que eu via na internet, é a mais animada — disse Mellyna, que esperou dar meia-noite para entrar, já que nesses eventos a entrada de menores é proibida.
Nem todas as pessoas que vivem a noite, no entanto, veem os drinking games como uma simples descontração. O DJ Tito Figueiredo, de 37 anos, 11 deles à frente da festa de rock Paradiso, é crítico ferrenho da nova moda:
— As festas hoje são um freak show, com rinha de tequila, touro mecânico, distribuição de pirulito. Para compensar a falta de conteúdo artístico, de qualidade musical, eles encontraram essa forma banal de diversão, que acaba estimulando o alcoolismo. O álcool é uma droga que mata, não é uma brincadeira — lamenta Tito. — Eu sempre fiz promoções na Paradiso, mas relacionadas ao conteúdo musical da festa. Para ganhar descontos, as pessoas tinham que participar dos debates sobre as músicas que tocavam nos sets na comunidade do Orkut.
O produtor musical e DJ Nado Leal faz coro. Trabalhando há 22 anos em festas e grandes eventos da cidade — Rock in Rio, réveillon de Copacabana, Fashion Rio... —, ele está assustado com a nova cena. Além de beberem mais, diz ele, os jovens gastam muito mais.
— A noite mudou radicalmente. Hoje vejo garotos de 20 anos gastando R$ 200 de uma vez. Antes eles não bebiam uísque, como hoje. Eu percebo que esse novo comportamento começou com a entrada dos energéticos na noite. Essas bebidas camuflam o gosto do álcool, eles bebem em maior quantidade. O estímulo que essas festas dão à bebedeira é muito louco. Mesmo os que saem de casa com o dinheiro contado agora bebem o equivalente a muito mais, pela distribuição gratuita de doses — atesta Nado, que não aceita tocar em festas com bebida de graça. — As características de uma boa festa estão sumindo, a boa música, o ambiente naturalmente descontraído, a espontaneidade. O problema é isso se tornar um padrão, o que eu temo que vá acontecer, pois são esses eventos que estão injetando dinheiro na noite da cidade.
Com 25 anos de carreira, o DJ Wilson Power, de 43, parou de beber há quatro. E apesar de tocar em festas que têm os drinking games como atrativo, ele vê com preocupação esse consumo excessivo de álcool:
— De uns cinco anos para cá, a noite mudou bastante. Eu sempre toquei porque eu queria atrair as pessoas pela música. Hoje, é a última coisa que importa. E esse vazio está sendo preenchido com álcool. Sou contra essa banalização da bebida como trunfo para encher as festas. Eu sou testemunha desse processo: se eu não parasse de beber, ia morrer. Já vi muita gente ficar pelo caminho, e é nisso que eu penso quando vejo a garotada em coma alcoólico em festas que deveriam estar se divertindo, dançando, azarando.
Diversão perigosa
Responsáveis pela locação para as festas, os proprietários dos espaços têm um posicionamento comprometido: se por um lado têm o faturamento do bar prejudicado pela distribuição gratuita de bebidas (os produtores das festas normalmente ficam com o dinheiro da entrada, mas o lucro do bar é do estabelecimento), por outro, sabem que são estes os eventos que mais atraem público atualmente.
— Uma show de MPB no Odisseia não atrai nem 200 pagantes, enquanto qualquer festa dessas leva 700 pessoas à casa — observa um dos sócios, Áureo César Lima, de 37 anos, que considera os drinking games “mais do mesmo”. — Essas brincadeiras de hoje são as promoções de bebida de antes. A gente faz um controle, exige que a bebida distribuída seja comprada no nosso bar, conversa com os responsáveis antes, para evitar excessos, até porque exagero não traz lucro para a casa, só traz problemas.
No Espaço Acústica, o gerente Marcos Corrêa, de 31 anos, reconhece que muitas festas da casa “viraram uma chopada” (lá, na festa Tropical Bacanal, por volta das 4h40m, duas jovens saíram carregadas; e na Wonka Party, um rapaz alcoolizado foi abandonado por dois amigos dentro de um táxi).
— O ideal é que não tivesse nada disso, mas nós também temos que acompanhar o movimento natural da noite, procurar entender essa geração, que, apesar de ser mais histérica, é também mais pacífica — diz Marcos, que cancelou um evento este ano quando percebeu que o organizador tinha levado 60 litros de vodca comprada fora para distribuir na festa, contrariando as regras da casa. — Eu não escolho uma festa porque me dão tequila na boca, mas essa é só a minha opinião, não a realidade dessa nova cena.
O estudo mais recente sobre o consumo de álcool por este público específico foi divulgado em 2010 pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad). Segundo o “I Levantamento nacional sobre o uso do álcool, tabaco e outras drogas entre universitários das 27 capitais brasileiras”, 86,2% dos universitários já usaram álcool em algum momento da vida, sendo que 79,2% experimentaram antes dos 18 anos, e 54% antes dos 16 anos. A pesquisa concluiu que a faixa etária de 18 a 24 anos é a que mais consome álcool no país. São eles, também, os que mais praticam o que os especialistas chamam de binge drinking: o consumo pesado episódico, classificado como cinco doses numa noite para homens e quatro para mulheres. Entre os homens, 29,2% já são bebedores de médio e alto risco; entre mulheres, 16,2%.
— Quanto mais precoce o abuso do álcool, maiores as chances de desenvolver dependência — diz a psicoterapeuta Ivone Ponczek, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas da Uerj.
Para ela, os drinking games banalizam os riscos do alcoolismo:
— O álcool demora a se instalar como dependência, por isso os indícios não são identificados imediatamente. O organismo jovem é mais sensível, metaboliza o álcool de maneira mais lenta. É importante tirar o cunho moralista do debate, todos tomam um porre um dia. Mas essa forma de lidar com a bebida pode ser destrutiva, pois o limite entre o lúdico e o perigoso fica diluído. Sem falar nos problemas relacionados, como acidentes de trânsito, atos de violência, abuso sexual etc.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/drinking-games-viram-atrativo-da-noite-jovem-do-rio-6469715#ixzz2AgkdmD8X

domingo, 14 de outubro de 2012

Te contei, não ? Alvos do HIV


Mas tem tratamento!” Não é incomum ouvir a frase  ao falar a adolescentes sobre Aids no trabalho de prevenção. Graças aos avanços, às pesquisas e à descoberta dos medicamentos em 1992, convivemos com o HIV há três décadas. Mudanças de conceito e na transmissão de informação são pontos marcantes nesses 30 anos. Mas cabe ao educador questionar: o que não é dito a esses jovens?
Se a primeira década foi marcada por terrorismo e medo, já que se desconhecia o agente causador da doença, hoje presenciamos o aumento da qualidade da informação, constatada pelas pesquisas de conhecimento, atitudes e práticas realizadas pelo Programa Nacional de DST/Aids no Brasil. Graças aos avanços desde 1992, com a descoberta dos medicamentos antirretrovirais (que impedem a multiplicação do vírus no organismo), o acesso universal ao coquetel reposicionou a Aids como uma doença crônica com tratamento possível, rigoroso e delicado. Não se trata mais de uma sentença de morte. Ou seja, esta geração de adolescentes veio ao mundo quando o enfrentamento da epidemia tinha novas perspectivas e teve amplo acesso à informação, por meio de campanhas de mídia, articulações em saúde e educação.
Por outro lado, o Ministério da Saúde dá conta de que, em cinco anos, a prevalência do vírus HIV em meninos  entre 17 e 20 anos subiu de 0,09% para 0,12% – o porcentual sobe quanto menor for a escolaridade. De 1980 até junho de 2010, 11,3% dos casos no País foram de jovens na faixa dos 13 aos 24 anos. Não só: a maior proporção de ocorrências está relacionada à expoxição sexual. Diante desse quadro, como os jovens lidam com o sexo seguro e com a Aids?
O que os jovens sabemEm levantamento recente realizado pelo Centro de Estudos da Sexualidade Humana do Instituto Kaplan, 97% dos 1.149 adolescentes demonstraram ter informações sobre a Aids, o que não impediu que, na hora de tomar decisões diante de situações hipotéticas, 37% dessem respostas que indicassem uma conduta de vulnerabilidade (explica-se o conceito a seguir).  Ademais, a Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira (PCAP 2008) constatou que 97% dos brasileiros entre os 15 e os 24 anos sabem que o preservativo é o método mais efetivo no combate à transmissão do vírus, mas seu uso tende a cair quanto mais estável for o relacionamento sexual.
É notável que apenas a informação não é suficiente para que os jovens utilizem o preservativo. Também é preciso motivá-los a lançar mão desses conhecimentos e enfrentar situações de risco. É nesse aspecto que a influência do educador pode fazer  a diferença. Na mesma sondagem do Instituto Kaplan, a escola foi destacada por 84% dos entrevistados como o principal espaço para a busca de conhecimento sobre DST/Aids, o que mostra que o professor tem papel essencial na educação sexual.
O que fazer diante de uma oportunidade dessas? Os programas de educação pregam aliar informação a valores, atitudes e condutas que fortaleçam a prevenção e diminuam a vulnerabilidade. Para ficar em um exemplo baseado em pesquisas: percebe-se que, diante da afirmação “Mas Aids- tem tratamento!”, nem sempre o professor- esclarece o que vem com o pacote “tratamento”, polemiza,  discute como seria o momento posterior a ele ou ressalta o mais grave: que a ainda não há cura. Esse é um típico momento para retirar do próprio adolescente o fragmento de conhecimento que ele apresentar e construir em conjunto uma informação que dê subsídios, de maneira clara e direta, para o entendimento dos reais impactos de uma doença como a Aids ou da convivência com o HIV.
Vulnerabilidade juvenilO conceito de vulnerabilidade identifica os fatores que influenciam a não prevenção nas relações sexuais. Questões como a dificuldade de negociar o uso do preservativo, a vergonha, o medo de falhar, o desconhecimento, a diminuição da autoestima, a ausência de cuidado consigo e o envolvimento emocional fazem parte do -repertório de fatores que podem agir na contramão do uso do preservativo.
Muito se discute a respeito da vulnerabilidade dos alunos de Ensino Médio em relação à gravidez na adolescência e à infecção pelo HIV.  No Brasil, 20,42% dos partos são de adolescentes, de acordo com o Ministério da Saúde. Em relação ao contágio pelo vírus, segundo dados de 2009, a porcentagem de jovens do sexo masculino infectada salta de 2,4%, na faixa dos 14 a 19 anos, para 18,1%, entre os que têm de 20 a 24 anos. Entre as garotas, os números vão de 3,1% para 13,4%, na comparação entre as faixas etárias de 13 a 19 e de 20 a 24 anos.
Especialmente a vulnerabilidade das garotas à Aids preocupa e faz parte das ações de enfrentamento da epidemia no Brasil. No mais recente Boletim Nacional de DST/Aids, elas foram destacadas como o público que teve crescimento no número de casos em relação às demais populações, que tem apresentado decréscimo. Segundo o relatório, a inversão se deu a partir de 1998 e é esta a única faixa etária em que há mais ocorrências entre mulheres do que em homens: oito casos em meninos para cada dez em meninas.  Em ambos os sexos, dos 13 aos 24 anos, a contaminação está atribuída à categoria de exposição sexual, sendo 74% no sexo masculino e 94% no sexo feminino. Órgãos como Unaids- e Unesco reconhecem que o adolescente se encontra em posição vulnerável e que é necessário a implantação nas escolas de programas de educação sexual que favoreçam o acesso integral a informações.
Educação sexualCerca de 30,5% dos alunos de 9o ano já tiveram relações sexuais segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do escolar (2009) e estima-se que, ao fim do Ensino Médio, de 70% a 80% exercite sua vida sexual. O repertório sexual dos adolescentes é amplo atualmente. Eles se permitem investigar e -descobrir formas de contato íntimo para lidar com interdições como a virgindade, e, assim, se relacionam de outras muitas maneiras que podem torná-los vulneráveis.
Um exemplo é o sexo oral e a crença de que não expõe a DST. O número de dúvidas sobre a prática cresceu nos últimos anos, assim como os casos de HPV e herpes, mas as aulas de orientação sexual a respeito das DST não acompanharam essa evolução, e continuam mostrando imagens horrorosas de estágios avançados de doenças. Na nova perspectiva de formação de competências para a vida não podemos segregar a educação sobre HIV/Aids, um aprendizado que envolve a participação juvenil, o pensamento crítico e a experiência.
Isso posto, é preciso buscar metodologias para inserir a educação sexual, de maneira lúdica e dirigida, atendendo às perspectivas do aluno e fornecendo ferramentas para que ele associe o uso do preservativo ao exercício do prazer. A escola deve estar preparada para uma abordagem integral da sexualidade. Apesar de citada inclusive em guias e diretrizes como os PCN, ainda é difícil expandir na prática a intervenção para além das exposições chatíssimas sobre órgãos reprodutores. Percebe-se, em oficinas que envolvem práticas sexuais, que o prazer e o reconhecimento da vulnerabilidade no cotidiano atraem maior interesse e têm mais impacto nos grupos do Ensino Médio.
Deve-se, então, trabalhar três pilares: conhecimento, atitudes e competências, auxiliando a tomada de decisão diante das condutas de prevenção. É uma tarefa que soa complicada, ainda mais se lembrarmos que, na história da sexualidade, já tivemos tantas associações com a reprodução e que as práticas sexuais sempre foram deixadas de lado, como se não se pudesse abordar a intimidade e as dificuldades que envolvem a vida sexual. Há alguns anos, com o reconhecimento dos 11 direitos sexuais e reprodutivos como direitos humanos – destacando o direito ao prazer – começamos a entender que a estratégia funciona bem como motivadora.
Os adolescentes estão expostos a muitas informações parciais, por vezes tendenciosas ou contestáveis, e o acesso a uma educação sexual clara e baseada nos direitos humanos é fundamental na luta contra o preconceito e para assegurar ao jovem seu papel de sujeito de escolha – esse é o lugar do educador. Trabalhar o cotidiano das práticas sexuais facilita o reconhecimento das situações de vulnerabilidade e promove troca de conhecimento, podendo ampliar o número de respostas de enfrentamento e novas condutas – como o uso do preservativo em todas as relações.
Muitos educadores têm dúvidas sobre dizer ou não ao jovem que o HIV/Aids encontra-se hoje na classe de doenças crônicas porque temem autorizar, assim, a disseminação do vírus e a ausência do cuidado. A omissão relega ao adolescente o antigo papel de “irresponsável”, no qual ele não teria recursos para decidir sozinho. Quanto mais saudável e responsável for o exercício da sexualidade, mais estaremos evoluindo em qualidade de vida da população e em cidadania. O fortalecimento do adolescente como sujeito de direito à saúde e à educação integral, entendendo que sexo e prazer são constitutivos positivos desse processo, auxilia a motivação para a prevenção.


Camila Guastaferro é psicóloga e educadora sexual, coordenadora de desenvolvimento institucional do Centro de Estudos da Sexualidade Humana – Instituto Kaplan.