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domingo, 23 de agosto de 2015

Te Contei, não ? - " O dia em que papai não voltou " - Marcelo Rubens Paiva - Revista Época

As memórias do desaparecimento do pai na ditadura militar estão no novo livro de Marcelo Rubens Paiva, 'Ainda estou aqui', da editora Objetiva. Marcelo e duas irmãs relatam a ÉPOCA o feriado mais triste da infância deles

MARCELO, VERA E ELIANA PAIVA EM DEPOIMENTO A ALINE RIBEIRO

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Resenhando - A força dos mitos indígenas nas páginas de cinco livros

Editora Escrita Fina lança edições que contam lendas de tribos brasileiras

CARLOS BRITO
Rio - A legada muitas vezes a um contexto considerado exótico e distante, em poucas situações a cultura indígena conseguiu ser absorvida — tanto por adultos quanto por crianças — em sua totalidade, com tudo o que ela possui de profundidade e sabedoria prática. Por meio do lançamento simultâneo de cinco títulos que tratam do tema, a Editora Escrita Fina tenta mostrar que as lendas e ensinamentos que nasceram nas ocas e matas são tão vastos que não podem ficar limitados ao Dia do Índio, 19 de abril.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Resenhando - O mito da democracia racial e o mito das cotas - Helio Gurovitz

Para quem quiser assistir, o vídeo está lá no YouTube. Representantes do movimento negro interrompem uma aula para discutir o regime de cotas na Universidade de São Paulo (USP). Um dos alunos, autor da filmagem, começa a debater com eles. Provocativamente, diz que ninguém proíbe ninguém de entrar na faculdade, basta estudar e passar no vestibular. Num tom sereno, mas que beira o sarcasmo, pede que a aula comece. Ofendidos, os representantes do movimento negro reagem. Não é nada fácil, diz uma representante num tom de voz elevado, entrar na USP tendo estudado em escola pública, na periferia, num ambiente de pobreza, violência e perseguição policial. A discussão esquenta. Lá pelas tantas, o aluno que filma e quer ter aula desfere seu argumento definitivo:
– Eu me considero igual a você.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Resenhando - O fio da memória de Conceição Evaristo

RIO - “A beleza enche os olhos d água”, disse certa vez a poeta Adélia Prado. Assim viajamos no tempo ou na correnteza cristalina de lágrimas que jorram desse manancial de emoções chamado Conceição Evaristo.
Em seu novo livro de contos, “Olhos d’água” (Pallas/Seppir/FBN), a escritora, marcada pela mineirice e pelo engajamento no movimento de mulheres negras, reconta histórias da sua “escrevivência”, motor de todo o universo narrativo que, ao longo dos últimos anos, a transformaram em uma autora bastante engajada e, sobretudo, estudada, nas academias dentro e fora do Brasil — em março, foi um dos nomes mais festejados da delegação brasileira no Salão do Livro de Paris.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Te Contei, não ? - Ressurreição - Outros olhares

"Ressurreição" é o primeiro romance do mestre Machado de Assis. Publicado no ano de 1972, está incluído entre a obra romântica do autor.


Resenhando - O dia em que tentaram matar Tancredo


Biografia recém-lançada joga luz sobre a trajetória política e pessoal de um dos maiores estadistas da história do País, com episódios desconhecidos de sua vida como a tentativa de assassinato durante a campanha presidencial de 1984



Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

sexta-feira, 20 de março de 2015

Resenhando - Cuidado com os idos de março !

Um país politicamente tenso. Parlamentares divididos entre o apoio incondicional e a revolta latente contra um governo que muitos consideram populista, corrupto, espúrio e incapaz de manter as conquistas recentes da nação. Um governante que perde popularidade entre os mais pobres, enquanto é sustentado pelos mais ricos que dele dependem. Uma população volúvel, cuja opinião flutua ao sabor do discurso do orador mais sedutor. Uma liderança despótica, desgastada e isolada no quinto ano de governo, contra quem mesmo antigos apoiadores incondicionais já conspiram nos bastidores. Uma personalidade que ouve apenas bajuladores, não tolera má notícia nem contestação, mas ainda resiste, em nome da República, a ceder à última tentação autoritária. Evidente de que país se trata, certo? Evidente. Trata-se de Roma, março de 44 a.C., últimos dias do governo de Júlio César, retratados numa das maiores obras jamais escritas sobre política em todos os tempos: Júlio César, de William Shakespeare.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Resenhando - De Donga a Diogo Nogueira - Um século de batuque

RIO — No primeiro dia de ensaio para o musical “Sambra”, nada estava decidido, claro, a não ser as intenções de Diogo Nogueira: “Quero fazer de tudo”, disse ele a Gustavo Gasparani, o autor e diretor da montagem que estreia hoje no Vivo Rio, às 21h30m, e cumpre quatro únicas sessões cariocas até domingo, antes de embarcar para São Paulo, onde terá sessões entre os dias 26 e 29.

domingo, 8 de março de 2015

Resenhando - Punhal de dois gumes

A ideia não é nova. O humor pode matar o humorista. Ou, como tão bem sabia Henrique de Souza Filho, o Henfil, o humor pode matar o humor. Por decorrência das artes da criação, o personagem concebido pelo artista ganha o entendimento que for de seu público. Mais do que isso, obrigado a refazer constantemente a natureza de seu personagem, o humorista dará ao ser fictício a vida que este exigir. E o que o artista terá imaginado engraçado no início corre o risco de jamais o ser.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Te Contei, não ? - Um autor, um país

RIO - Você já ouviu falar muito dele. Mário de Andrade (1893-1945), afinal, foi por décadas uma figura central da cultura brasileira - e seu nome ecoa até hoje. Teses foram escritas sobre ele. Suas cartas são publicadas há 20 anos. Seus textos são estudados nas escolas. O papa do modernismo, cuja morte completa 70 anos na próxima quarta-feira - fazendo com que sua obra entre em domínio público em 1º de janeiro de 2016 -, será homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty deste ano, que acontece em julho, e em uma série de lançamentos. Assim, parece o criador de um projeto de arte e de um Brasil vitoriosos - mas não é bem assim.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Resenhando - A influência africana na moda brasileira é contada em livro

KAMILLE VIOLA

Rio - Foi meio por acaso que criou sua grife de moda étnica: quando defendeu sua monografia no curso de Desenho Industrial da UFRJ, Julia Vidal fez uma roupa que usou na apresentação. Começaram a chover pedidos e ela criou a loja Balaco, hoje Ateliê Julia Vidal.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Resenhando - Bilac vê estrelas

Estreia de 'Bilac vê estrelas' chama atenção para escassez de trilhas sonoras inéditas em musicais

Baseado em livro de Ruy Castro, espetáculo que tem canções originais de Nei Lopes é caso raro na cena carioca atual


POR DEBORA GHIVELDER

sábado, 27 de setembro de 2014

Resenhando - Que país é esse ?

RIO -


"Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz...", cantou a Imperatriz Leopoldinense em 1989, levando o caneco daquele carnaval. Para quem não se lembra, o refrão-libelo dos compositores Niltinho Tristeza, Preto Joia, Vicentinho e Jurandir, um clássico de qualquer roda de samba, celebrava a República, então uma vetusta senhora comemorando cem anos.

sábado, 16 de agosto de 2014

Resenhando - A História do Brasil em grandes sambas - enredo - Maria Lucia Rangel

Ângela Faria



Ele foi escrito para crianças, mas os adultos vão adorar a novidade. Aula de samba, assinado por Maria Lucia Rangel e Tino Freitas, com ilustrações de Ziraldo, rememora fatos e personagens de nossa história por meio de versos que empolgaram desfiles de carnaval cariocas. É o tipo de livro que papais, mamães e titios terão prazer em “filar” dos baixinhos.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Te Contei, não ? - Resenhas

1. Definições

Resenha-resumo:
     É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou julgamento de valor. Trata-se de um texto informativo, pois o objetivo principal é informar o leitor.

Resenha-crítica:
     É um texto que, além de resumir o objeto, faz uma avaliação sobre ele, uma crítica, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião, também denominado de recensão crítica.


2. Quem é o resenhista

     A resenha, por ser em geral um resumo crítico, exige que o resenhista seja alguém com conhecimentos na área, uma vez que avalia a obra, julgando-a criticamente.


3. Objetivo da resenha

     O objetivo da resenha é divulgar objetos de consumo cultural - livros,filmes peças de teatro, etc. Por isso a resenha é um texto de caráter efêmero, pois "envelhece" rapidamente, muito mais que outros textos de natureza opinativa.


4. Veiculação da resenha

     A resenha é, em geral, veiculada por jornais e revistas.


5. Extensão da resenha

     A extensão do texto-resenha depende do espaço que o veículo reserva para esse tipo de texto. Observe-se que, em geral, não se trata de um texto longo, "um resumão" como normalmente feito nos cursos superiores ... Para melhor compreender este item, basta ler resenhas veiculadas por boas revistas.


6. O que deve constar numa resenha

Devem constar:

  • O título
  • A referência bibliográfica da obra
  • Alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada
  • O resumo, ou síntese do conteúdo
  • A avaliação crítica

7. O título da resenha

     O texto-resenha, como todo texto, tem título, e pode ter subtítulo, conforme os exemplos, a seguir:

    Título da resenha: Astro e vilão
    Subtítulo: Perfil com toda a loucura de Michael Jackson
    Livro: Michael Jackson: uma Bibliografia não Autorizada (Christopher Andersen) - Veja, 4 de outubro, 1995

    Título da resenha: Com os olhos abertos
    Livro: Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago) - Veja, 25 de outubro, 1995

    Título da resenha: Estadista de mitra
    Livro: João Paulo II - Bibliografia (Tad Szulc) - Veja, 13 de março, 1996

8. A referência bibliográfica do objeto resenhado

     Constam da referência bibliográfica:

  • Nome do autor
  • Título da obra
  • Nome da editora
  • Data da publicação
  • Lugar da publicação
  • Número de páginas
  • Preço
Obs.: Às vezes não consta o lugar da publicação, o número de páginas e/ou o preço.

Os dados da referência bibliográfica podem constar destacados do texto, num "box" ou caixa.

Exemplo: Ensaio sobre a cegueira, o novo livro do escritor português José Saramago (Companhia das Letras; 310 páginas; 20 reais), é um romance metafórico (...) (Veja, 25 de outubro, 1995).


9. O resumo do objeto resenhado

     O resumo que consta numa resenha apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.

     Pode-se resumir agrupando num ou vários blocos os fatos ou idéias do objeto resenhado.

     Veja exemplo do resumo feito de "Língua e liberdade: uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (Celso Luft), na resenha intitulada "Um gramático contra a gramática", escrita por Gilberto Scarton.

 

     "Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, a inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

     O velho pesquisador apaixonado pelos problemas de língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística;o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante".
 


     Pode-se também resumir de acordo com a ordem dos fatos, das partes e dos capítulos.

     Veja o exemplo da resenha "Receitas para manter o coração em forma" (Zero Hora, 26 de agosto, 1996), sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", produzido pela LDA Editora, com o apoio da Beal.

 
Receitas para manter o coração em forma


     "Na apresentação, textos curtos definem os diferentes tipos de gordura e suas formas de atuação no organismo. Na introdução os médicos explicam numa linguagem perfeitamente compreensível o que é preciso fazer (e evitar) para manter o coração saudável.

     As receitas de Cozinha do Coração Saudável vêm distribuídas em desjejum e lanches, entradas, saladas e sopas; pratos principais; acompanhamentos; molhos e sobremesas. Bolinhos de aveia e passas, empadinhas de queijo, torta de ricota, suflê de queijo, salpicão de frango, sopa fria de cenoura e laranja, risoto com açafrão, bolo de batata, alcatra ao molho frio, purê de mandioquinha, torta fria de frango, crepe de laranja e pêras ao vinho tinto são algumas das iguarias".
 



10. Como se inicia uma resenha

     Pode-se começar uma resenha citando-se imediatamente a obra a ser resenhada. Veja os exemplos:

 

     "Língua e liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995, 112 páginas), do gramático Celso Pedro Luft, traz um conjunto de idéias que subvertem a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veementemente, o ensino da gramática em sala de aula.
 


     Mais um exemplo:

 

     "Michael Jackson: uma Bibliografia Não Autorizada (Record: tradução de Alves Calado; 540 páginas, 29,90 reais), que chega às livrarias nesta semana, é o melhor perfil de astro mais popular do mundo". (Veja, 4 de outubro, 1995).
 


     Outra maneira bastante freqüente de iniciar uma resenha é escrever um ou dois parágrafos relacionados com o conteúdo da obra.

     Observe o exemplo da resenha sobre o livro "História dos Jovens" (Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt), escrita por Hilário Franco Júnior (Folha de São Paulo, 12 de julho, 1996).

 
O que é ser jovem

Hilário Franco Júnior

     Há poucas semanas, gerou polêmica a decisão do Supremo Tribunal Federal que inocentava um acusado de manter relações sexuais com uma menor de 12 anos. A argumentação do magistrado, apoiada por parte da opinião pública, foi que "hoje em dia não há menina de 12 anos, mas mulher de 12 anos".

     Outra parcela da sociedade, por sua vez, considerou tal veredito como a aceitação de "novidades imorais de nossa época". Alguns dias depois, as opiniões foram novamente divididas diante da estatística publicada pela Organização Mundial do Trabalho, segundo a qual 73 milhões de menores entre 10 e 14 anos de idade trabalham em todo o mundo. Para alguns isso é uma violência, para outros um fato normal em certos quadros sócio-econômico-culturais.

     Essas e outras discussões muito atuais sobre a população jovem só podem pretender orientar comportamentos e transformar a legislação se contextualizadas, relativizadas. Enfim, se historicizadas. E para isso a "História dos Jovens" - organizada por dois importantes historiadores, o modernista italiano Giovanno Levi, da Universidade de Veneza, e o medievalista francês Jean-Claude Schmitt, da École des Hautes Études em Sciences Sociales - traz elementos interessantes.
 


     Observe igualmente o exemplo a seguir - resenha sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", LDA Editores, 144 páginas (Zero Hora, 23 de agosto, 1996).

 
Receitas para manter o coração em forma

Entre os que se preocupam com o controle de peso e buscam uma alimentação saudável são poucos os que ainda associam estes ideais a uma vida de privações e a uma dieta insossa. Os adeptos da alimentação de baixos teores já sabem que substituições de ingredientes tradicionais por similares light garantem o corte de calorias, açúcar e gordura com a preservação (em muitos casos total) do sabor. Comprar tudo pronto no supermercado ou em lojas especializadas é barbada. A coisa complica na hora de ir para a cozinha e acertar o ponto de uma massa de panqueca,crepe ou bolo sem usar ovo. Ou fazer uma polentinha crocante, bolinhos de arroz e croquetes sem apelar para a frigideira cheia de óleo. O livro Cozinha do Coração Saudável apresenta 110 saborosas soluções para esses problemas. Produzido pela LDA Editora com apoio da Becel, Cozinha do Coração saudável traz receitas compiladas por Solange Patrício e Marco Rossi, sob orientação e supervisão dos cardiologistas Tânia Martinez, pesquisadora e professora da Escola Paulista de Medicina, e José Ernesto dos Santos, presidente do departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Os pratos foram testados por nutricionistas da Cozinha Experimental Van Den Bergh Alimentos.
 


     Há, evidentemente, numerosas outras maneiras de se iniciar um texto-resenha. A leitura (inteligente) desse tipo de texto poderá aumentar o leque de opções para iniciar uma recensão crítica de maneira criativa e cativante, que leva o leitor a interessar-se pela leitura.



11. A crítica

     A resenha crítica não deve ser vista ou elaborada mediante um resumo a que se acrescenta, ao final, uma avaliação ou crítica. A postura crítica deve estr presente desde a primeira linha, resultando num texto em que o resumo e a voz crítica do resenhista se interpenetram.

     O tom da crítica poderá ser moderado, respeitoso, agressivo, etc.

     Deve ser lembrado que os resenhistas - como os críticos em geral - também se tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema, escritores, etc.), que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de "ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé".


12. Exemplos de resenhas

     Publicam-se a seguir três resenhas que podem ilustrar melhor as considerações feitas ao longo desta apresentação.

 
Atwood se perde em panfleto feminista

Marilene Felinto
Da Equipe de Articulistas

     Margaret Atwood, 56, é uma escritora canadense famosa por sua literatura de tom feminista. No Brasil, é mais conhecida pelo romance "A mulher Comestível" (Ed. Globo). Já publicou 25 livros entre poesia, prosa e não-ficção. "A Noiva Ladra" é seu oitavo romance.

     O livro começa com uma página inteira de agradecimentos, procedimento normal em teses acadêmicas, mas não em romances. Lembra também aqueles discursos que autores de cinema fazem depois de receber o Oscar. A escritora agradece desde aos livros sobre guerra, que consultou para construir o "pano de fundo" de seu texto, até a uma parente, Lenore Atwood, de quem tomou emprestada a (original? significativa?) expressão "meleca cerebral".

     Feitos os agradecimentos e dadas as instruções, começam as quase 500 páginas que poderiam, sem qualquer problema, ser reduzidas a 150. Pouparia precioso tempo ao leitor bocejante.

     É a história de três amigas, Tony, Roz e Charis, cinqüentonas que vivem infernizadas pela presença (em "flashback") de outra amiga, Zenia, a noiva ladra, inescrupulosa "femme fatale" que vive roubando os homens das outras.

     Vilã meio inverossímel - ao contrário das demais personagens, construídas com certa solidez -, a antogonista Zenia não se sustenta, sua maldade não convence, sua história não emociona. A narrativa desmorona, portanto, a partir desse defeito central. Zenia funcionaria como superego das outras, imagem do que elas gostariam de ser, mas não conseguiram, reflexo de seus questionamentos internos - eis a leitura mais profunda que se pode fazer desse romance nada surpreendente e muito óbvio no seu propósito.

     Segundo a própria Atwood, o propósito era construir, com Zenia, uma personagem mulher "fora-da-lei", porque "há poucas personagens mulheres fora-da-lei". As intervenções do discurso feminista são claras, panfletárias, disfarçadas de ironia e humor capengas. A personagem Tony, por exemplo, tem nome de homem (é apelido para Antônia) e é professora de história, especialista em guerras e obcecada por elas, assunto de homens: "Historiadores homens acham que ela está invadindo o território deles, e deveria deixar as lanças, flechas, catapultas, fuzis, aviões e bombas em paz".

     Outras alusões feministas parecem colocadas ali para provocar riso, mas soam apenas ingênuas: "Há só uma coisa que eu gostaria que você lembrasse. Sabe essa química que afeta as mulheres quando estão com TPM? Bem, os homens têm essa química o tempo todo". Ou então, a mensagem rabiscada na parede do banheiro: "Herstory Not History", trocadilho que indicaria o machismo explícito na palavra "História", porque em inglês a palavra pode ser desmembrada em duas outras, "his" (dele) e story (estória). A sugestão contida no trocadilho é a de que se altere o "his" para "her" (dela).

     As histórias individuais de cada personagem são o costumeiro amontoado de fatos cotidianos, almoços, jantares, trabalho, casamento e muita "reflexão feminina" sobre a infância, o amor, etc. Tudo isso narrado da forma mais achatada possível, sem maiores sobressaltos, a não ser talvez na descrição do interesse da personagem Tony pelas guerras.

     Mesmo aí, prevalecem as artificiais inserções de fundo histórico, sem pé nem cabeça, no meio do texto ficcional, efeito da pesquisa que a escritora - em tom cerimonioso na página de agradecimentos - se orgulha de ter realizado.
 


 
Estadista de mitra


Na melhor bibliografia de João Paulo II até agora, o jornalista Tad Szulc dá ênfase à atuação política do papa

Ivan Ângelo

     Como será visto na História esse contraditório papa João Paulo II, o único não-italiano nos últimos 456 anos? Um conservador ou um progressista? Bom ou mau pastor do imenso rebanho católico? Sobre um ponto não há dúvida: é um hábil articulador da política internacional. Não resolveu as questões pastorais mais angustiantes da Igreja Católica em nosso tempo - a perda de fiéis, a progressiva falta de sacerdotes, a forma de pôr em prática a opção da igreja pelos pobres -; tornou mais dramáticos os conflitos teológicos com os padres e os fiéis por suas posições inflexíveis sobre o sacerdócio da mulher, o planejamento familiar, o aborto, o sexo seguro, a doutrina social, especialmente a Teologia da Libertação, mas por outro lado, foi uma das figuras-chave na desarticulação do socialismo no Leste Europeu, nos anos 80, a partir da sua atuação na crise da Polônia. É uma voz poderosa contra o racismo, a intolerância, o consumismo e todas as formas autodestrutivas da cultura moderna. Isso fará dele um grande papa?

     O livro do jornalista polonês Tad Szulc João Paulo II - Bibliografia (tradução de Antonio Nogueira Machado, Jamari França e Silvia de Souza Costa; Francisco Alves; 472 páginas; 34 reais) toca em todos esses aspectos com profissionalismo e competência. O autor, um ex-correspondente internacional e redator do The New York Times, viajou com o papa, comeu com ele no Vaticano, entrevistou mais de uma centena de pessoas, levou dois anos para escrever esse catatau em uma máquina manual portátil, datilografando com dois dedos. O livro, bastante atual, acompanha a carreira (não propriamente a vida) do personagem até o fim de janeiro de 1995, ano em que foi publicado. É um livro de correspondente internacional, com o viés da política internacional. Szulc não é literariamente refinado como seus colegas Gay Talese ou Tom Wolfe, usa com freqüência aqueles ganchos e frases de efeito que adornam o estilo jornalístico, porém persegue seu objetivo como um míssil e atinge o alvo.

     Em meio à política, pode-se vislumbrar o homem Karol Wojtyla, teimoso, autoritário, absolutista de discurso democrático, alguém que acha que tem uma missão e não quer dividi-la, que é contra o "moderno" na moral, que prefere perder a transigir, mas é gentil, caloroso, fraterno, alegre, franco ... Szulc, entretanto, só faz o esboço, não pinta o retrato. Temos, então, de aceitar a sua opinião: "É difícil não gostar dele".

     Opus Dei - O livro começa descrevendo a personalidade de João Paulo II, faz um bom resumo da História da Polônia e sua opção pelo Ocidente e pela Igreja Católica Romana (em vez da Ortodoxa Grega, que dominava os vizinhos do Leste), fala da relação mística de Wojtyla com o sofrimento, descreve sus brilhante carreira intelectual e religiosa, volta à sua infância, aos seus tempos de goleiro no time do ginásio ""um mau goleiro", dirá mais tarde um amigo), localiza aí sua simpatia pelos judeus, conta que ele decidiu ser padre em meio ao sofrimento pela morte do pai, destaca a complacência de Pio XII com o nazismo, a ajuda à Opus Dei (a quem depois João Paulo II daria todo o apoio), demora-se demais nos meandros da política do bispo e cardeal Wojtyla, cresce jornalisticamente no capítulo sobre a eleição desse primeiro papa polonês, mostra como ele reorganizou a Igreja, discute suas posições conservadoras sobre a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base, CEBs, na América latina, descreve sua decisiva atuação na política do Leste Europeu, a derrocada do comunismo, e termina com sus luta atual contra o demônio pós-comunista. Agora o demônio, o perigo mortal para a humanidade, é o capitalismo selvagem e o "imperialismo contraceptivo" dos EUA e da ONU.

     Szulc, o escritor-míssil, não se desvia do seu alvo nem quando vê um assunto saboroso como a Cúria do Vaticano, que diz estar cheia de puxa-sacos e fofoqueiros com computadores, nos quais contabilizam trocas de favores, agrados, faltas e rumores. O sutil jornalista Gay Talese não perderia um prato desses.

     Entretanto, Szulc está sempre atento às ações políticas do papa. Nota que João Paulo II elevou a Opus Dei à prelatura pessoal enquanto expurgou a Companhia de Jesus por seu apoio à Teologia da Libertação; ajudou a Opus Dei a se estabelecer na Polônia, beatificou rapidamente seu criador, monsenhor Escrivã. Como um militar brasileiro dos anos 60, cassou o direito de ensinar dos padres Küng, Pohier e Curran, silenciou os teólogos Schillebeeckx (belga), Boff (brasileiro), Häring (alemão) e Gutiérrez (peruano), reduziu o espaço pastoral de dom Arns (brasileiro). Em contrapartida, apoiou decididamente o sindicato clandestino polonês, a Solidariedade. Fez dobradinha com o general dirigente polonês Jaruzelski contra Brejnev, abrindo o primeiro país socialista, que abriu o resto. O próprio Gorbachev reconhece: "Tudo o que aconteceu no Leste Europeu nesses últimos anos teria sido impossível sem a presença deste papa".

     Talvez seja assim também com relação ao que acontece com as religiões cristãs no nosso continente. Tad Szulc, com cautela, alerta para a penetração, na América Latina, dos evangélicos e pentecostais, que o próprio Vaticano chama de "seitas arrebatadoras". A participação comunitária e o autogoverno religioso que existia nas CEBs motivavam mais a população. Talvez seja. Acrescentando-se a isso o lado litúrgico dos evangélicos que satisfaz o desejo dos fiéis de serem atores no drama místico, não tanto espectadores, tem-se uma tese.

     O perfil desenhado por Szulc é o de um político profundamente religioso. Um homem que reza sete horas por dia, com os olhos firmemente fechados, devoto de Nossa Senhora de Fátima e do mártir polonês São Estanislau e que acredita no martírio e na dor pessoais para alcançar a graça.
 


 
Um gramático contra a gramática

Gilberto Scarton

     Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de idéias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.

     Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

     O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.

     Essa fundamentação lingüística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.

     Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.

Te Contei, não ? - A Resenha Crítica

Resenha  é uma produção textual, por meio da qual o autor faz uma breve apreciação, e uma descrição a respeito de acontecimentos culturais (como uma feira de livros, por exemplo) ou de obras (cinematográficas, musicais, teatrais ou literárias), com o objetivo de apresentar o objeto (acontecimento ou obras), de forma sintetizada, apontando, guiando e convidando o leitor (ou espectador) a conhecer tal objeto na integra, ou não (resenha crítica).
Uma resenha deve conter uma análise e um julgamento (de verdade ou de valor).

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Te Contei, não ? - O dia em que Graciliano Ramos entrevistou Lampião


"Cangaços" traz textos do escritor sobre o banditismo que aterrorizou o Nordeste no início do século passado e inclui uma conversa imaginária com Virgulino Ferreira, editada pela primeira vez em livro

Ivan Claudio (ivanclaudio@istoe.com.br)
"Aqui no sertão, quando um camarada tem raiva de outro, toca fogo nele. É a justiça mais usada e não falha. Temos também a dos autos, demorada, mas que não é má, porque os promotores se enrascam sempre e os jurados são bons rapazes.” Essa declaração poderia ter sido dita hoje, quando a justiça com as próprias mãos é praticada como decorrência de uma percepção errada das leis e da ação do Estado. Mas veio à luz há 83 anos, numa entrevista imaginária entre o escritor Graciliano Ramos e o cangaceiro Lampião, publicada no dia 16 de maio de 1931. Uma conversa fictícia? Exatamente – e aí está toda a diferença. Além de iluminar o processo criativo do autor de “Vidas Secas” e “São Bernardo”, o curioso texto encomendado pela revista alagoana “Novidade” surpreende pelo artifício utilizado. Entrevistas forjadas são muito comuns atualmente, mas na juventude de Graciliano eram uma ousadia. O bate-papo é um dos escritos inéditos do livro “Cangaços” (Record), que reúne ensaios e crônicas veiculados na imprensa, nos quais o escritor tratou do banditismo sertanejo.

Resenhas - No tempo de José de Alencar

No tempo de José de Alencar

Longa pesquisa histórica revela ambiente e influências do pai do romance nacional, em nova obra de Ana Miranda

Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)
José de Alencar inventou o romance brasileiro. Machado de Assis o chamava, por isso, de “o chefe da literatura nacional”. Cearense que levou para as letras a cultura indígena, foi também crítico, dramaturgo, deputado e ministro da Justiça, tendo vivido apenas 48 anos. Mas nasceu Cazuzinha, filho com saúde instável de um padre com uma mulher da mesma família. E se aproximou do poder tendo sido neto da primeira presa política do Brasil, a republicana Bárbara do Crato.


Esse é o recorte da pesquisa de Ana Miranda para seu novo romance. “Semíramis” (Companhia das Letras) refaz o caminho de Alencar a partir de seus antepassados de um interior cearense descrito algumas vezes com imagens e cenas extraídas dos próprios textos do autor, que a escritora planejava retratar há muito tempo.
O romance nasceu de uma conversa com a também escritora (e também cearense) Rachel de Queiroz (1910-2003), outra descendente de dona Bárbara, a heroína republicana. “Comecei a escrever em 2009. Desde então tentei diversas entradas, uma delas era a Rachel de Queiroz me falando sobre Bárbara do Crato, versão que acabei deixando, mas pude assim recolher muita vivência sertaneja desde quando os Alencar se estabeleceram no Cariri pernambucano”, conta Ana Miranda, em entrevista à ISTOÉ.Quem narra as bifurcações da árvore genealógica dos Alencar é a voz de Iriana, personagem inventada por Ana, que também aqui homenageia os estudos psicológicos femininos de Alencar, como “Lucíola”, “Diva” ou “Senhora”. Órfã deslocada dos papéis femininos do período, e irmã de Semíramis, uma verdadeira diva do romantismo europeu, “dona da brancura de um camafeu num país em que as moças bebiam vinagre para ficarem pálidas”. E tudo começa quando a pequena sertaneja desajustada parte em viagem na companhia do avô a fim de visitar a família amiga, os Alencar, traçando um percurso do Crato ao Alagadiço Novo, locais reais do Cariri cearense, que remetem aos romances da terra de José de Alencar.


“Fui ao Crato diversas vezes, olhei a serra azul, a noite azul, as paisagens ali e em volta, mas lá hoje é outra cidade, então precisei viajar ao Crato antigo lendo livros de um viajante, um morador... Foram as viagens que fiz lendo os textos da época que me permitiram transformar na Iriana, a narradora, com integridade”, conta Ana. “Houve o recolhimento de expressões, palavras, comportamentos, tudo o que me sensibilizava eu ia guardando, usando quando possível.”
Chegando ao destino, a menina presencia os últimos dias de gravidez de Ana Josefina. Num parto silencioso e feliz, a “amasiada” de padre Martiniano – nora de dona Bárbara – dá à luz Cazuzinha, cujo crescimento se torna o maior objeto de atenção de Iriana e assim a história de Alencar começa a ser contada. “A ordem dos fatos, as datas, os acontecimentos correspondem à biografia de Alencar”, diz Ana Miranda. “Mas o núcleo ficcional é o universo de Iriana e Semíramis e tudo o que elas apresentam é fictício. Assim, toda a vida do escritor se torna ficção, apresentada por uma narradora inventada.”

Resenhas - Inconfidência sem fantasia

Por Bolívar Torres

Ao longo dos séculos, a Inconfidência Mineira passou por percepções históricas conflitantes. Foi abafada pela coroa portuguesa logo após seu fracasso, em 1789; romantizada pelos republicanos, que encontraram na figura de Tiradentes o grande herói da pátria; e, finalmente, desconstruída pelos historiadores modernos, que divergem sobre a real importância do movimento.

Quando decidiu se debruçar sobre a revolta que quase mudou o país, o jornalista Pedro Doria, editor-executivo do GLOBO, tinha consciência de que precisaria lidar com lacunas, contradições e distorções. Mas ele não fazia ideia de que os fatos documentados podiam ser ainda mais cativantes do que a mitologia que envolve o movimento. Em seu livro “1789”, já disponível em formato digital pela Nova Fronteira e com lançamento físico previsto para os próximos dias, ele reconstrói a trajetória dos conspiradores que sonharam com uma revolução liberal no Brasil, mas sem abrir mão do rigor histórico. Nos documentos oficiais, como os inquéritos dos “Autos da devassa”, encontrou material suficiente para uma trama repleta de peripécias.

— O historiador busca descobertas e novas interpretações. Já o meu trabalho aqui é diferente: quero contar uma história da forma mais agradável possível — explica o jornalista, também autor de “1565 – Enquanto o Brasil nascia” (Nova Fronteira). — Acho que o país hoje já tem a maturidade para entender as coisas como elas são. Vivemos numa sociedade que não precisa mais transformar seus heróis em mito. Um país que não precisa de heróis perfeitos.

Uma Inconfidência sem floreios romanescos está à mostra em “1789”. A história por si só já traz doses de ação, aventura, sexo, romance e espionagem, com uma miríade de personagens fortes. Tiradentes é figura central, mas não a principal. O alferes dos Dragões de Minas se desenha como um Tiradentes possível: não é o mais culto dos rebeldes, mas está longe do inocente útil pintado por alguns revisionistas. Tinha mais dinheiro do que muitos de seus parceiros de Inconfidência, mas também não era rico. O congelamento social em que se encontrava, porém, pode ter sido uma das motivações para sua intensa participação no movimento. O livro traz ainda o primeiro retrato presumido do alferes, feito a partir das descrições de quem o conheceu: com um bigode militar substituindo a barba bíblica imaginada pelos republicanos.

Revolução liberal