A atriz chocava os moralistas de plantão com frases do tipo 'Você pode muito bem gostar de uma pessoa e ir para a cama com outra'
O DIA
Rio - O verso de Drummond está na lápide de Leila Diniz no São João Batista. Levei um baita susto quando li no jornal que no próximo dia 25 ela faria 70 anos. Eu a conheci em 1960, quando tinha 15 anos, e eu, 28; já dizia palavrões de um jeito tão bonitinho que os privilegiados marmanjos e garçons do Mau Cheiro (também chamado de Morte Lenta) achavam isso muito natural, como na letra de ‘Desafinado’. Ela e suas amigas, Ira Etz, Ana Maria Saraiva, Ionita e Aninha Magalhães, trocavam, escondidas dos pais, o maiô pelo biquíni no banheiro do bar. Depois disso, o até então provinciano bairro de Ipanema nunca mais foi o mesmo. Liam, ou fingiam ler, ‘A Náusea’, de Sartre. A música de fundo era de Juliette Greco. O barquinho de Menescal e Bôscoli deslizava no macio azul do mar enquanto algumas tinham crises existenciais se dourando ao sol do Arpoador. Leila com certeza não, ela era uma mulher solar, não me lembro quem disse.
A capixaba Luciana (foto acima) é uma morena bonita, de sorriso largo e corpo escultural. Fala de forma calma e pausada, com um leve sotaque de sua terra natal. Aos 42 anos, ela já foi casada duas vezes e morou em quatro países além do Brasil: Estados Unidos, Espanha, México e China.
A euforia e a indignação provocadas nas redes sociais pelo novo aplicativo Lulu - que permite às mulheres (sem se identificar) dar nota aos homens (sem o consentimento deles)
Em mais de 15 meses de cárcere, fui humilhada e violentada. Apanhei, passei fome e fui estuprada. Diversas vezes. Acreditar que reencontraria a paz me ajudou a superar uma dor insuportável
Chico Buarque escreveu várias canções com o eu lírico feminino. Costumavam dizer que ele entendia as mulheres, sabia o que passava dentro de cada uma delas, seus desejos, costumes e etc.
A música "Folhetim", foi composta entre 1977/78 para a peça "Ópera do Malandro". Embora seja uma música composta para a peça, Chico explica que o personagem "não era tão claro quanto quem iria cantar. Mas, às vezes, a atriz que iria cantar cantaria só no teatro, porque não era uma cantora profissional.
Essa bela canção, foi mostrada pela primeira vez ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, através de uma ligação que Chico e o cartunista Henfil, irmão de Betinho, fizeram para o Canadá, onde o sociólogo estava exilado.
Esta interpretação de "Folhetim", em que Gal Costa canta e até dança com o parceiro Chico Buarque é uma das mais perfeitas. De voz aveludada e timbre irretocável, Gal é a perfeita criação vocal brasileira. Não deve nada a ninguém em talento vocal e interpretativo.
Nesta música o autor descreve com enorme sensibilidade como uma garota de "programa" descreve o que pode fazer com seu "homem da vez". Todas as mentiras e sonhos que o homem da vez quer ouvir são descritas pela garota.
Chico é considerado o mais sensível conhecedor da alma feminina. Gravada por Gal Costa no LP Água Viva de 1978 e também no mesmo ano por Isaura Garcia, no LP "Eu, Isaura Garcia". Recebeu inúmeras outras gravações inclusive de Chico Buarque.
Contribuição da aluna Gabriela Boechat / Turma 901 / 2013
De início a música não foi bem recebida pelo público feminino que não compreendera a ironia presente em cada verso.
A música diz para as mulheres seguirem o exemplo de mulheres submissas,oprimidas e traídas ,conceitos que na época já começavam a mudar.
Foi preciso usar a ironia, pois em plena ditadura (1976) não era permitido qualquer manifestação contra o atual sistema, muito menos mandar as mulheres irem a luta por seus direitos e liberdade.
“Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas” com isso Chico Buarque quer dizer justamente o contrário das mulheres deveriam ser diferentes das mulheres de Atenas.
“Quando fustigadas não choram Se ajoelham, pedem imploram Mais duras penas; cadenas” Retrata a submissão da mulher que mesmo depois de ser agredida ainda se ajoelha e pede perdão, quadro q podemos ver ainda hoje com as mulheres que mesmo sendo agredidas em casa não procuram por ajuda e continuam a sofrer.
“Mil quarentenas” a grande espera pelos maridos, elas ficavam sozinhas, abandonadas
“Querem arrancar, violentos Carícias plenas, obscenas” o sexo era feito de maneira brutal, sem afeto. As mulheres eram apenas objetos para satisfazer as vontades dos maridos.
“Quando eles se entopem de vinho Costumam buscar um carinho De outras falenas Mas no fim da noite, aos pedaços Quase sempre voltam pros braços De suas pequenas, Helenas” Os homens saiam, bebiam, ficavam com outras mulheres e no final sua amada esposa o recebia de braços abertos
“Elas não têm gosto ou vontade, Nem defeito, nem qualidade; Têm medo apenas. Não tem sonhos, só tem presságios. O seu homem, mares, naufrágios... Lindas sirenas, morenas.”
“Secam por seus maridos”
Muitas mulheres ainda vivem sem perspectiva de vida, submissas literalmente aos mandos e desmandos do marido, sendo humilhadas e até mesmo agredidas, deixando de viver ativamente e passando a viver superficialmente, sendo isso retratado na 8ª estrofe da música, onde as mulheres não tem mais vontades própria por estarem sempre em posição inferior ao homem.
Contribuição da aluna Isabele Aguiar Brito / Turma 901 / 2013