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sábado, 22 de agosto de 2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Te Contei, não ? - A era da grosseria

Parece um duelo do Velho Oeste. No lugar da arma, é o dedo no mouse ou na tela do celular. Navegamos pelas redes sociais como se estivéssemos num filme de bangue-bangue. Aguardamos o adversário chegar armado para nos surpreender. Ao sinal de ameaça, “pá!”, ou melhor, “clique!”. Assim, compartilhamos textos esdrúxulos sem ler porque o título é provocativo. Distribuímos fotomontagens malfeitas achando que são imagens reais. Assinamos petições on-line sem saber do que se trata. “É golpe militar? Achei que fosse impeachment.” Quem veste camisa da Seleção Brasileira e vai para a rua é “coxinha”. Quem bate panela em discurso de político é “reaça”. E quem não bate? “Petralha”. Queremos protestar contra os religiosos intolerantes. O que fazemos? Enchemos uma rede social voltada ao público evangélico de filmes pornôs. Destruímos relacionamentos que levaram anos para ser construídos só por causa de um “curtir” ou de um “compartilhar”. E talvez não estejamos nos dando conta disso.
Lá se vai uma década em que as redes sociais passaram a fazer parte de nossas vidas. Em muitos aspectos, elas trouxeram coisas positivas. Sites como Facebook e Twitter aproximaram pessoas que jamais se encontrariam nos tempos off-line. Também serviram de base para novos negócios. Tornaram nosso trabalho mais produtivo (o.k., nem todos os trabalhos). Mas o efeito colateral é evidente a qualquer um que frequente um desses botecos virtuais: estamos diante da “era da grosseria”. Em algum momento dos últimos anos, grupos na internet voltaram a se comportar como uma horda de visigodos com ímpeto para exterminar adversários em potencial. É a era da polarização, do pensamento binário: ou pensas como eu ou te tornas um inimigo. Se é a favor do PSDB, você automaticamente é contra as ciclovias, a favor da redução da maioridade penal e quer o impeachment da presidente. Se simpatiza com o PT, defende a corrupção e o aparelhamento do Estado. Nesse mundo em preto e branco, não há espaço para os tons de cinza.
Esses chatos não são a maioria dos que usam as redes sociais, mas acabam sendo a parcela que mais chama a atenção. São os “idiotas da aldeia”, como descreveu o escritor e filósofo italiano Umberto Ecoao receber o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, no último mês de junho. “As redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”, disse. “Antes, eles falavam apenas em um bar, depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade. Agora, têm o mesmo direito à palavra de um prêmio Nobel.”
Muitos criticaram a opinião de Eco. Lembraram que talvez a grande contribuição da internet foi ter dado oportunidade a pessoas comuns de ter o mesmo espaço que um prêmio Nobel. Eco justificou-se, depois das críticas, dizendo que se referia a um pequeno e barulhento grupo de chatos que se sobrepunham à maioria. É importante ressaltar que apenas publicar opiniões não faz das redes um espaço democrático. Democracia também pressupõe o debate de ideias, que não costuma ocorrer no Facebook.
Diariamente, nossos contatos postam, em média, 1.500 conteúdos. Mas só recebemos cerca de 300
Além disso, a impressão de Eco faz sentido na medida em que as redes sociais não são, há muito tempo, uma plataforma em que as informações transitam de forma isonômica. Algumas coisas chamam mais a atenção que outras. Os sites tendem a priorizar essas informações para poder ter mais audiência e, assim, gerar mais receita com publicidade. Pessoas com comportamento mais agressivo, independentemente de seu viés político e religioso, repercutem mais. Pode existir a impressão de que elas são a maioria. “As redes sociais privilegiam aquilo que é considerado socialmente relevante, que vai gerar comentários e interação”, diz Raquel Recuero, professora da Universidade Católica de Pelotas, Rio Grande do Sul. “Temas polêmicos tendem a gerar debate e brigas dentro da mesma rede, e isso pode produzir comentários agressivos”, diz.
O grande motor dessa forma mais recente de como a informação trafega no mundo é o Facebook. O site tem quase 1,5 bilhão de usuários cadastrados. Um bilhão o acessa diariamente. No Brasil, oito em cada dez internautas têm uma conta no “Feice”. São cerca de 90 milhões de brasileiros que acessam as redes especialmente pelo telefone celular, segundo dados da consultoria eMarketer. A forma de organizar todo o conteúdo publicado por essa massa de usuários foi a criação de um algoritmo, uma fórmula para distribuir as postagens entre os usuários. Ele aprende com a rotina on-line do usuário que tipo de conteúdo ele mais acessa. Esse algoritmo recebeu o nome de News Feed. A justificativa do Facebook é que seria impossível para uma pessoa acompanhar tudo o que seus amigos publicam. Diariamente, nossos contatos postam em média 1.500 conteúdos. Mas o Facebook os filtra para nós. Só recebemos cerca de 300 deles. O resto nunca veremos.
O aprendizado do algoritmo é baseado em fatores óbvios, como o grau de proximidade que você tem com a pessoa que publicou o conteúdo e o tipo de conteúdo que você mais gosta. Se você clica mais em fotos que em vídeos, o Facebook vai mostrar mais amigos que publicaram fotos. Há também fatores menos óbvios, como a infraestrutura de acesso. Se a rede de seu celular está ruim, seu perfil passa a priorizar textos e fotos no lugar de vídeos mais pesados, que consomem mais conexão. Se alguém comenta “Parabéns” numa publicação, é provável que ela se trate de alguma celebração. Como isso gera muitas “curtidas”, o Facebook tende a promover o post. As páginas que você curte também são levadas em consideração pelo algoritmo.  Posts de perfis que pagam ao Facebook também têm mais chance de chegar a você. E aqui vem o ponto central para a “era da grosseria”: se a comunidade tem uma determinada visão política ou ideológica, é provável que você tenha contato com mais publicações relacionadas ao tema.
Uma pesquisa mostrou que 62% dos americanos não sabiam da existência do algoritmo do Facebook
O problema, segundo especialistas, é que essa obsessão por oferecer ao usuário apenas o que ele quer clicar tende a criar ilhas de opiniões. As pessoas têm a falsa sensação de que o mundo inteiro pensa como elas, já que o algoritmo não as confronta com outras ideias. Como efeito colateral subsequente, passam a publicar conteúdos que seriam aceitos num determinado grupo, e não pelo público em geral. É o que a pesquisadora americana Danah Boyd, fundadora do Data & Society Research Institute, chama de audiências invisíveis. No mundo off-line, você costuma ajustar o tom de seu discurso de acordo com a audiência. No mundo on-line, você acha que sabe com que audiência está falando. Mas alguém que não faça parte desse grupo pode ter acesso àquele conteúdo, interpretá-lo de uma forma diferente e expor a uma situação de conflito. É um caso comum em discussões sobre política. O comentário de uma pessoa com uma visão mais à esquerda pode receber diversas curtidas em seu hábitat no algoritmo. Mas, se um amigo mais à direita compartilha a mesma opinião em sua página, chovem críticas e ironias. De um lado, os histéricos de esquerda, que fantasiam, de forma delirante, um novo golpe militar no Brasil. De outro, os histéricos de direita, com seu indefectível bordão: “Vá para Cuba!”.
Não é só o Facebook que usa um algoritmo desse tipo. Google, Twitter, AmazonUber e outras empresas de tecnologiadesenvolveram sistemas com o objetivo de facilitar a vida do usuário numa ponta e gerar mais receita na outra. Mas ela se torna um problema quando as pessoas não sabem que estão tendo acesso a um conteúdo enviesado. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pela pesquisadora Karrie Karahalios, da Universidade de Illinois, mostrou que 62% dos americanos que usavam o Facebook não sabiam da existência de filtros pelo algoritmo. “Recebi uma série de respostas viscerais quando expliquei para as pessoas como o algoritmo do Facebook funcionava”, disse Karrie, numa entrevista para a revistaTime. “Algumas passaram cinco minutos em choque, pensando sobre aquilo.”
Há pouco mais de um ano, o Facebook divulgou um estudo realizado em 2012 com 700 mil usuários que tinha como objetivo entender como funcionavam as reações emocionais das pessoas na internet. Para isso, a companhia manipulou as páginas de metade deles com notícias e comentários positivos dos contatos. Os outros 350 mil receberam notícias e comentários mais tristes. A ideia de entender como as emoções contagiavam os usuários virou um escândalo. O cientista americano Jaron Lanier, em artigo publicado no jornal The New York Times, se lembrou dos riscos envolvidos. “A manipulação das emoções não é algo pequeno. Cerca de 60% dos suicídios são precedidos de algum tipo de distúrbio de humor”, escreveu. Com a repercussão negativa, Sheryl Sandberg, braço direito de Mark Zuckerberg, pediu desculpas. Desde então, o Facebook criou políticas mais transparentes para seu algoritmo. Além da ferramenta “Deixar de seguir”, que já existia e dava mais controle ao que o usuário acessa em sua página, a empresa implementou o “Veja primeiro”, em que o usuário pode selecionar um grupo de amigos para acompanhar com prioridade.
Não há um consenso sobre a relação de causa-efeito entre a tecnologia usada pelas redes sociais e uma eventual mudança de comportamento de seus usuários. Nas últimas semanas, ÉPOCA conversou com uma dezena de especialistas em comportamento, sociólogos e estudiosos da internet, e a maioria acredita que os algoritmos são apenas uma ferramenta na mão de uma sociedade que há tempos carece de ponderação na discussão de ideias. Leonardo Lazarte, professor de internet e sociedade na Universidade de Brasília (UnB), lembra que o ambiente em algumas dessas comunidades nas redes sociais é muito semelhante ao visto em gangues. A pessoa entra no grupo e precisa passar por provas para ganhar a confiança dos outros. “A diferença é que isso é amplificado no mundo virtual”, diz.
De acordo com dados da SaferNet, ONG dedicada à defesa de direitos na internet, o Facebook domina hoje quase 50% das denúncias de páginas e perfis dedicados ao ódio e à intolerância. Entre 2013 e 2014, o número de denúncias de páginas e perfis no Facebook saltou de 16.600 para 26.800. Os destaques negativos ficaram para asdenúncias relacionadas a racismo (de 6.800 para 12 mil denúncias) e xenofobia (de 336 para 4.500). Segundo Rodrigo Nejm, diretor da SaferNet, o número reflete também a existência de novos canais para registrar os crimes. “O discurso de ódio sempre existiu, mas é um novo ambiente social. Isso reflete a postura das pessoas usando essas ferramentas”, diz. “É fundamental que as pessoas tenham noções de cidadania desde os primeiros cliques. Também é preciso incorporar políticas públicas para tratar de direitos humanos e liberdade de expressão.” O Facebook diz que criou mecanismos para receber denúncias de ódio, racismo e intolerância. “Queremos promover uma plataforma livre, aberta e segura para as pessoas”, diz Bruno Magrani, diretor de políticas públicas do Facebook Brasil. Falta pensar em algo que promova o debate de ideias que caracteriza um espaço genuinamente democrático.
O Brasil sofre de um problema crônico de educação virtual. Somos imaturos. A sensação de segurança mistura-se a uma falsa ideia sobre a liberdade de expressão. Sérgio Ferreira do Amaral, professor do Departamento de Ciências Sociais na Educação da Unicamp, explica que a ideia de estar livre para disseminar comentários maldosos acontece porque a pessoa acredita que não será encontrada, já que a internet é uma plataforma recente.
Além disso, a sociedade precisa aprender a se reorganizar em rede. Para o cientista social Marco Aurélio Nogueira, da Universidade de São Paulo, a internet se popularizou em meio ao enfraquecimento de instituições que tradicionalmente ajudavam a organizar comunidades. A escola, a igreja, a família, os sindicatos e os partidos estão perdendo a influência. As pessoas estão buscando as respostas na internet. “A cultura brasileira, tradicionalmente, nunca incorporou o conflito e a divergência, algo inerente ao ambiente de internet”, diz Nogueira. “A cultura de rede ainda não se fixou em termos éticos na vida brasileira. Não temos uma cultura de boas maneiras. A gente nem sequer sabe o que queremos da vida em rede.”  Precisamos repensar o papel social das redes sociais. Caso contrário, a internet, que cresceu e se desenvolveu como uma poderosa ferramenta democrática, corre o risco de alimentar o ódio, a intolerância e o autoritarismo.





quinta-feira, 13 de agosto de 2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Te Contei, não ? - Huni Kuin - Cultura e Tradição em jogo

RIO — Elemento central da mitologia dos Huni Kuin — que constituem a maior população indígena do Acre, com sete mil habitantes —, a jiboia branca, que habita um grande lago, simboliza os encantos e os mistérios da floresta, capaz também de gerar a vida e abrir as portas para a “miração”, em rituais de conhecimento e elevação espiritual. Mais de um século depois dos primeiros contatos do grupo com o “homem branco”, que trouxe violência e devastação quase sufocantes, ela se enrosca com a tecnologia para manter viva a cultura do “povo verdadeiro”, ou Kaxinawá, através de um inusitado formato: o videogame.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Te Contei, não ? - Redes sociais para estudar


Estudantes trocam informações, discutem trabalhos e artigos científicos e buscam vagas de estágio usando aplicativos no celular

Helena Borges (helenaborges@istoe.com.br)

terça-feira, 23 de junho de 2015

Te Contei, não ? - Vício Online

Distúrbios têm tratamento especial na UFRJ


ATHOS MOURA

Rio - O uso compulsivo de redes sociais pode estar encobrindo distúrbios como ansiedade e pânico. Já há até uma doença catalogada, a Depressão do Facebook. “A tecnologia não é um problema, ela otimiza o tempo. Mas, quando é ela mal usada, pode causar transtornos. Geralmente as pessoas percebem que estão com problemas quando o uso da rede social começa a gerar conflitos na vida real”, explica Eduardo Guedes, diretor do Instituto Delete, da UFRJ, que oferece tratamento para esse problema.

O jornalista Nelson Vasconcelos informou em sua coluna no DIA, ‘Digital & Tal’, a existência da clínica que reabilita os viciados online. Desde 2012, quando começaram os atendimentos, a quantidade de pacientes triplicou. Em três anos, mais de 400 pessoas já procuraram o instituto para tentar curar a dependência.

A procura só aumenta. No início do projeto, cerca de dez pessoas por semana iam até o instituto em busca de terapia. Atualmente, entre a primeira visita e a revisão, os atendimentos semanais já chegam a 40.

Com o tratamento variando entre quatro e oito semanas, o uso imoderado de celular, principalmente, pode ser controlado. O grupo formado por profissionais das áreas de Saúde, Tecnologia, Psiquiatria e Comunicação elaborou um questionário online para o internauta avaliar se deve procurar ajuda. Segundo Guedes, usar redes sociais não é um problema. O vício começa quando o tempo é gasto sem que a pessoa consiga se controlar. Ele cita o exemplo dos que pegam o celular para determinada atividade, mas que esquecem o que iriam fazer por ficar vendo mensagens ou postagens.

O despachante Marcelo Corrêa, de 42 anos, sofreu por anos com ansiedade sem que soubesse o diagnóstico. Um dia, por recomendação de um amigo, procurou o Delete e se submeteu a um tratamento de dois meses. Ele já sabe equilibrar o uso da internet. “Consigo controlar os sintomas e me livrei dos remédios”, diz.

A especialista em marketing Maura Xerfan acredita que usa as redes sociais por mais de dez horas por dia. E admite que talvez precise de ajuda para não passar a vida dentro da tela de um computador ou celular. Maura sofre de insônia porque quando acorda à noite sempre checa o celular: “Quando é algo interessante, me perco na leitura. Quando vejo já se passaram horas. Nessa semana, li por mais de uma hora e meia durante a madrugada”.

Os interessados no tratamento podem ir à Avenida Venceslau Bras 71, Praia Vermelha, às sextas-feiras, de 8h às 12h.


domingo, 21 de junho de 2015

Crônicas do Dia - Os autores e a internet - Gustavo Tepedino

Com a revolução tecnológica, o principal veículo de execução pública de músicas tornou-se a internet. Disponibiliza-se, por esse meio, formidável número de obras musicais. As tecnologias, contudo, não devem estimular a ilicitude e sacrificar os direitos autorais. Trata-se de direitos fundamentais dos autores, cujo respeito se associa à preservação da identidade cultural da sociedade.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Te Contei, não ? - Na internet, o diário de viagem de D. Pedro II

Rio - Ao longo de 58 anos como imperador do Brasil, D. Pedro II colecionou diversos carimbos em seu passaporte. Como um intelectual amante de artes e tecnologia, ele fazia questão de anotar com riqueza de detalhes tudo o que via nos países que visitava. Durante todos esses anos, o imperador escreveu 43 cadernetas com suas impressões da Europa, do Oriente Médio e do Brasil.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Te Contei, não ? - Desintoxicação digital

RIO - Eles estão nos bolsos e mãos de 1,75 bilhão de pessoas em todo o mundo, o dia inteiro. Mas talvez seja importante guardar os celulares na gaveta com mais frequênica. Segundo o estudo AdReaction 2014, da consultoria Millward Brown, o brasileiro gasta em média 149 minutos no smartphone, e outros 66 minutos no tablet. Pode parecer pouco, mas representa quase 15% das 24 horas de um dia, sem contar o tempo em frente ao computador. Há benefícios da tecnologia, no trabalho e para o entretenimento, mas o abuso pode causar prejuízos. Diante disso, aos poucos, surgem defensores da desconexão.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Crônica do Dia - Biotecnologia sob ameaça

No dia 5 de março, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) invadiu e destruiu uma unidade da FuturaGene, empresa brasileira que desenvolve uma variedade transgênica de eucalipto há mais de 14 anos. De maneira coordenada, manifestantes da Via Campesina também interromperam a reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) na qual a aprovação comercial deste e de outros produtos seria discutida. Os protestos reivindicavam segurança alimentar e criticavam os cultivos transgênicos. Essas ações chamam atenção para a desinformação sobre os organismos geneticamente modificados (OGM). Estudo publicado em janeiro pela revista “Science” também revela que há nítida diferença entre a opinião da comunidade acadêmica e da população em geral a respeito dos alimentos transgênicos. Enquanto 88% dos cientistas entendem que eles são seguros, entre leigos esse índice é de 37%.

Artigo de Opinião - A internet das coisas - Paul Sullivan


Teremos o aumento da qualidade do serviço, maior eficiência e conveniência e menores custos de operação

O DIA

domingo, 8 de março de 2015

Te Contei, não ? - Literatura em Games

Um dos mercados de entretenimento que mais crescem no planeta, os videogames cada vez mais se apoiam na velha e boa literatura



Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Uma das mídias de entretenimento mais lucrativas do mundo, os jogos de videogame ganham espaço no mercado apelando para uma das mais antigas diversões: a literatura. O jogo Device 6, vencedor do último Apple Design Awards, é um dos exemplos mais bem sucedidos dessa nova vertente, que encontra no Brasil o terceiro maior público no planeta: 45 milhões de usuários. Como num romance, a trama de Device 6 se desenvolve em torno da protagonista Anna, que acorda desmemoriada em um castelo e tenta descobrir como foi parar ali. Ao longo de seis capítulos, o game mistura referências de Franz Kafka e Lewis Carroll, usando o texto de maneira criativa, com frases se movendo na tela em diferentes sentidos.

Muito criticado, o popular Dante’s Inferno baseia-se na descrição de Dante Alighieri do tártaro em sua “Divina Comédia”. “Em termos de mecânica, não é um bom jogo, e lembra muito God of War, que já usava diversas fontes literárias”, explica Flávia Gasi, autora de “Videogames e Miltologia” (editora Marsupial). Flávia, cujo livro nasceu de uma tese de doutorado para a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), defende a ideia de que os jogos não precisam se ater a suas fontes de inspiração. Ela afirma que é comum os jogadores acabarem lendo e pesquisando as influências dos títulos originais. “Muita gente entrou em contato com a mitologia grega, por exemplo”, diz.

Mais respeitado por jogadores e especialistas é American McGee’s Alice, de 2000. A história se passa depois do fim de “Alice Através do Espelho”, último da série de Lewis Carroll, quando um incêndio destrói a casa da personagem e mata seus pais. Com apenas sete anos de idade, Alice acaba sendo internada em um hospício até reencontrar o coelho branco – ainda sob tratamento – dez anos depois, que a leva de volta para o País das Maravilhas. Outros exemplos criativos do gênero incluem BioShock, de 2009, que usa conceitos da escritora russo-americana Ayn Rand sobre liberdade individual ao retratar uma sociedade aquática, e The Binding of Isaac, de 2011, baseado na Bíblia, que causou polêmica no lançamento ao mostrar uma mãe religiosa atormentada por vozes que ordenam ela a matar o filho.

Dois jogos independentes recentes mergulharam mais fundo na fonte literária. O primeiro é uma versão de “Ulysses”, de James Joyce, criada para que o jogador consiga entender melhor a intricada trama. O outro é Elegy For a Dead World, criado especificamente para escritores, no qual o objetivo é trocar histórias sobre civilizações antigas. Parece que a indústria de games entendeu que boas histórias rendem, ainda mais quando o consumidor pode participar de seu rumo.

Crônicas do Dia - Má educação e celular - Walcyr Carrasco



Uma conhecida convidou os quatro netos pré-adolescentes para lanchar. Queria passar um tempo com eles, como fazem as avós. Sentaram-se numa lanchonete. Pediram sanduíches e refrigerantes. Daí, os quatro sacaram os celulares. Ficaram todo o tempo trocando mensagens com amigos, rindo e se divertindo. Com cara de mamão murcho, a avó esperou alguma oportunidade de bater papo. Não houve. Agora, ela já prometeu:

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Te Contei, não? - Pais espiões

Rio - O universo paralelo para onde os adolescentes se transportam quando estão conectados já não é mais livre da presença dos pais. Mensagens, postagens em redes sociais e até localização podem ser acompanhadas pelos responsáveis, graças a uma série de aplicativos que rastreiam o aparelho dos filhos. Invasão de privacidade, neurose ou gesto necessário para quem tem o papel de educar? Não há consenso entre os especialistas. 
Há opções para todas as necessidades. Um deles, o ‘TeenSafe’ (‘Adolescente Seguro’), relata aos pais conteúdos das redes sociais, mensagens enviadas e até deletadas, em aplicativos como WhatsApp. Já o ‘MamaBear’ (‘Mamão Urso’) conecta toda família de uma só vez e, além de dados das redes sociais, dá a localização de todos. Os pais podem ainda selecionar palavras consideradas ‘impróprias’ para uso nas postagens dos filhos. E, claro, cada vez que elas forem usadas, os responsáveis ficam sabendo. 


Em ambos os casos é preciso saber login e senha dos filhos para ter acesso aos ‘relatórios’. Há aplicativos gratuitos e é possível baixá-los no Brasil, mas alguns só funcionam em Iphone. Para o psiquiatra Fábio Barbirato, chefe da Psiquiatria Infantil da Santa Casa de Misericórdia, não se trata de invasão de privacidade. Pelo contrário, ele considera dever dos responsáveis acompanhar atividades e amizades dos pequenos, inclusive no meio virtual. “Os pais têm o dever de controlar tudo o que está acontecendo. A criança não tem maturidade para saber o que está fazendo e pode acabar expondo toda família a uma situação mais grave”, avalia.

SEM AMEAÇAS 

Crônicas do Dia - Perseguição inconveniente - Flávia Oliveira

A publicidade persistente na internet, em vez de estimular, pode pôr fim a desejos de consumo e produzir aversão às mercadorias

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Te Contei, não ? - Inteligência Artificial - É preciso temê - la ?

RIO - O tema já foi bastante explorado pelo cinema, mas, desde o fim do ano passado, algumas das mentes mais brilhantes do nosso tempo iniciaram um debate público sobre os riscos de a humanidade ser exterminada pela inteligência artificial. Elon Musk, fundador do PayPal, SpaceX e Tesla Motors; Bill Gates, fundador da Microsoft; e o físico Stephen Hawking manifestaram seus temores sobre o avanço descontrolado da tecnologia, mas nem todos partilham dessa preocupação. Em entrevista ao GLOBO, Eric Horvitz, diretor do laboratório da Microsoft Research em Redmond e ex-presidente da Associação para o Avanço da Inteligência Artificial (AAAI, na sigla em inglês), afirma que o cenário existe, mas é pouco provável que se torne realidade.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Crônica do Dia - Bloqueado - Joaquim Ferreira dos Santos

Uma rosa é uma rosa, é uma rosa, e nunca vai passar disso, mas uma mulher nua nunca é apenas uma mulher nua


Artigo de Opinião - Presente do futuro

Rio - Produzir seus próprios produtos, como copos, lápis, tênis e pratos sem sair de casa. E, talvez, com a sua cara. Cena do desenho animado da família ‘Os Jetsons’? Da série de animação futurista, da década de 1960? Não, não. Trata-se da realidade que está por trás do conceito da FabLab, espécie de pequena oficina que possibilita a fabricação de objetos em 3D.