quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Te Contei, não ? - Racismo a gente vê na Globo

Sempre que a vinheta carnavalesca da Globo é exibida na televisão, o Brasil reafirma sua herança racista e misógina. Ainda mais preocupante é que poucos parecem se incomodar com o racismo explícito


Por Jarid Arraes na Revista Fórum


No Brasil, impera a ilusão de uma convivência racial harmoniosa, segundo a qual pessoas de diferentes cores e miscigenações conviveriam na mais perfeita paz, sem que suas características físicas jamais se tornassem alvo de discriminação. No entanto, esse discurso cai por terra facilmente: o racismo brasileiro está vivo e, de fato, é tão bem aceito na sociedade que questioná-lo soa como um ultraje. Um exemplo dessa realidade é a existência do Globeleza, quadro da Rede Globo que exibe mulheres negras – chamadas por eles de “mulatas” – no período do carnaval.
Não é difícil compreender onde mora o racismo do Globeleza: a Rede Globo seleciona somente mulheres negras para que representem a sexualidade do Carnaval, que, como sabemos, está relacionada ao sexo considerado “promíscuo”; ou seja, ano após ano, a mulher negra é associada a um objeto sexual descartável, que representa uma sexualidade compulsiva, sem que possua qualquer valor fora desse papel. Essa é uma mentalidade racista que existe desde os tempos de escravidão, quando mulheres negras escravizadas eram estupradas por homens brancos, que mantinham seus casamentos com mulheres brancas, mas usavam as negras de forma abusiva e violenta.
Sempre que a vinheta carnavalesca da Globo é exibida na televisão, o Brasil reafirma sua herança racista e misógina. Ainda mais preocupante é que poucos parecem se incomodar com o racismo explícito. É possível até ouvir posicionamentos moralistas, de pessoas que repudiam o quadro por seu conteúdo de nudez, mas dificilmente denunciarão a problemática racial e os prejuízos que a Globo vem causando às mulheres negras todos os anos.
As críticas feitas contra o Globeleza não são recentes. Tanto o movimento negro quanto o feminista já elaboraram teorias e protestos de longa data no constante esforço de eliminá-lo. Os estereótipos racistas e machistas, afinal, se repetem bastante. Toda a polêmica envolvendo o seriado Sexo e as Nêgas, de Miguel Falabella, é mais um exemplo do padrão racista da televisão brasileira, tão fortemente utilizado pela Rede Globo.
Eliane Oliveira, mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-Brasileiros (NEIAB), é categórica em sua análise: o Globeleza e a série Sexo e as Nêgas repetem os mesmos papéis destinados às mulheres negras. “Uma permanência da relação com o sexual, com o exótico. É racismo e machismo misturado, me parece que não conseguem perceber nós negras para além da cama, um estigma colonial que não desaparece, que não é superado, os sinhôs e sinhás achando que a preta está ali para servir, a seu bel prazer”.

Engana-se profundamente quem pensa que a posição de Globeleza só traz frutos positivos para a mulher escolhida. O caso de Nayara Justino, escolhida como Globeleza por voto popular pela programação da Globo, escancara a perversidade por trás desse quadro: Nayara foi eleita pelos telespectadores e foi coroada como musa do carnaval, mas logo passou a receber ataques e ofensas racistas, principalmente pela internet. O discurso repetido discriminava Nayara por ter a pele muito escura e não possuir traços faciais considerados delicados.
Por causa do racismo do público, a Rede Globo empurrou Nayara para a geladeira e fez de tudo para escondê-la, o que a levou a cair em depressão. Para 2015, a Globo elegeu uma nova “mulata”: a paulista Erika Moura, que tem a pele mais clara e a aparência física mais próxima do padrão negro que a emissora permite ser mostrado em sua telinha. “A Erika é linda e pelo que sei, a seleção foi feita dentro das escolas de samba. A Nayara também é linda e foi escolhida pelo voto popular. A meu ver, o problema está na padronização ou estereotipia da mulher negra aceitável para a tela da TV. Ou seja, tem negra que pode e negra que não pode. Alguém com os traços marcadamente negros, tom de pele mais escuro, lábios grossos e nariz redondo não passa pelo crivo racista do público brasileiro”, explica Oliveira.
Segundo Oliveira, tanto Erika quanto Nayara são mulheres negras e lindas, sem que uma seja mais ou menos bela que a outra – o problema é a tentativa da emissora de embranquecer a beleza negra para aproximá-la do padrão europeu. “Basta ver como anunciam a nova escolhida: ‘uma morena linda’”, exemplifica. Ela ainda explica que o padrão racial da Globo é o padrão racial dos brasileiros, que parecem não entender que 50% da população do país é negra. “A impressão que tenho é de que nós não existimos como telespectadores nem como consumidores, não precisamos nos ver representados, pois apenas o desejo, o gosto, o dinheiro do branco é que conta. Vivemos essa falácia de branqueamento há séculos e não conseguimos nos livrar desse ranço, o colorismo é a herança que parece não ter fim”, lamenta.
A situação é complexa e difícil, sobretudo quando colocamos na berlinda a saúde psicológica de mulheres como Nayara Justino. Em poucos meses, a mulher que foi aclamada e aplaudida pelo público pode se tornar o alvo de chacota do país, mas ao final ainda terá de agradecer pela oportunidade concedida. Essa é uma lógica cruel, mas naturalizada. No entanto, é fundamental não se deixar ludibriar, porque não existe lado positivo no racismo e na objetificação sexual. O espaço concedido, quando construído sobre preconceito racial, pode desmoronar muito rapidamente. Mas como resolver o problema? Como lutar contra a gigante midiática e a relação de dependência que a emissora impõe aos artistas negros?
“Penso que a relação ‘Mulher negra e Carnaval’ precisa ser problematizada, pois para além de ser uma festa cultural do Brasil, o Carnaval é também uma festa comercial e a ‘mulata tipo exportação’ é mais um item a ser comercializado”, afirma Oliveira. A mulata, nesse contexto, seria a personificação da exotificação e objetificação da mulher negra. “Amo as passistas, o samba no pé, o cuidado com o corpo e a dedicação à comunidade, mas questiono por que essas mulheres não têm o mesmo destaque midiático que têm as globais que ocupam os postos de destaque nos desfiles, por exemplo”, contesta.
E as brancas?
Algumas pessoas pontuam que, apesar das duras críticas ao Globeleza, concursos com mulheres brancas, como o Miss Universo, não sofrem os mesmos protestos. Mas isso não passa de um engano, baseado na mais pura ignorância. O movimento feminista aponta, sim, o sexismo existente em concursos de beleza voltados para mulheres brancas. De fato, o Globeleza parece ser a única disputa entre negras que recebe algum destaque, já que em todas as outras competições femininas as mulheres brancas são absoluta maioria. Até mesmo na Bahia, o estado brasileiro com a maior população negra, já houve polêmicas devido à ausência de candidatas negras na seleção para o Miss Brasil.
É importante lembrar que diversas feministas negras, tais como Eliane Oliveira, não enxergam a inclusão das mulheres negras como uma solução definitiva para o problema. “Não encaro concursos de Misses de forma positiva em nenhum contexto”, salienta. “Acho esse tipo de coisa uma aberração. Qual a explicação racional para mulheres disputarem entre si quem é mais bonita? Meu feminismo não me deixa enxergar lógica numa situação em que mulheres batalhem entre si por um posto que é totalmente ilusório; beleza é subjetiva, o gosto é socialmente construído.”
Mas a exclusão das mulheres negras de concursos como o Miss Brasil tem ramificações e consequências; são resultados que explicam o Globeleza, já que essa é uma das únicas oportunidades para que as mulheres negras possam ser avaliadas como belas, ainda que de forma machista e distorcida. “O Globeleza, na minha opinião, é algo que já deveria ter desaparecido da televisão há muito tempo. Mas, ao invés disso, por termos no Brasil uma mídia seletiva e uma sociedade racista, esse é um dos poucos espaços de destaque que a mulher negra ainda consegue disputar na TV. Entendo que muitas moças almejem tal posto; afinal, quais as outras possibilidades que elas possuem na TV, ser atriz e fazer papeis subalternos?”, analisa. O fato é que falta representatividade para as mulheres negras na televisão e, mesmo quando aparecem, são colocadas em posições inferiorizadas, sem paridade ou protagonismo.
O caminho rumo à paridade é longo, mas algumas estratégias simples, porém incisivas, são sugeridas pela intelectual, que acredita que o Globeleza deve acabar. “Por qual motivo a Globo tem que ter uma musa do carnaval? Penso que quem deve ter musa são as agremiações que trabalham o ano todo para isso, e que, provavelmente, devem ter critérios de escolha que não apenas a beleza física”, considera. “O papel da emissora se resumiria a dar destaque às moças, mas por que será que não é assim? Podem me dizer que a escolhida para tal posto também acaba se beneficiando, mas acho que se não houver outros espaços para onde ela possa crescer, do estrelato para o anonimato é uma queda vertiginosa. Basta ver o que aconteceu com a belíssima Valéria Valenssa: depois de mais de dez anos como Globeleza, desapareceu da mídia e, pelo que li, entrou em depressão por ter perdido o posto de forma abrupta. Não era atriz, vivia do título, quando perdeu o posto teve que lidar com a distância dos holofotes. Sinceramente, não vejo nada de benéfico nessa situação.”
O carnaval está chegando; a Globeleza samba na televisão brasileira e mais uma vez aquelas que lutam contra o racismo recebem a hostilidade dos que se recusam a questionar os padrões. No Brasil, infelizmente o racismo machista ainda é considerado entretenimento. Na tela da TV, no meio desse povo, racismo a gente vê na Globo.


(Foto de capa: Reprodução/TV Globo)
9/2/2015Geledés Instituto da Mulher Negra


Leia a matéria completa em: Racismo a gente vê na Globo - Geledés
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domingo, 8 de fevereiro de 2015

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Crônica do Dia - De quem é o Rio Carioca ?

Abusca pela paternidade do Rio Carioca seria cômica, se não fosse trágica. Autoridades municipais e estaduais não se entendem. O secretário estadual do Ambiente, então, assumiu a liderança pela articulação de uma solução.

Artigo de Opinião - É preciso evitar a intolerância religiosa no Brasil - Jornal O Globo


O radicalismo religioso está na raiz de boa parte das más notícias que, infelizmente, abriram 2015. O mundo se chocou no primeiro mês do ano com o atentado ao “Charlie Hebdo”, em Paris; a execução de reféns do Estado Islâmico; e a destruição da cidade de Baga, na Nigéria — mais uma ação do Boko Haram, na qual teriam morrido duas mil pessoas. São casos de extrema violência que brasileiros repudiam da mesma forma que americanos e europeus.


Personalidade - Salgado Maranhão

Analfabeto até os 15 anos, poeta vem recebendo atenção crescente no exterior e lançará em breve um livro traduzido para o japonês. Nordestino, ama o Rio, onde vive desde 1973. Linguagem mistura o urbano com a vivência do interior

POR 

Crônica do Dia - Família Degrada - Flávia Oliveira

Juiz dá aula de ética em sentença sobre morte de filho de Cissa Guimarães. Lição serve a todos que encobrem ilícitos da cria

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Crônica do Dia - O que não estão contando pra você ...

Em sua eterna luta para jogar mais sombras onde já não existe luz, a imprensa brasileira está ignorando o fato mais importante do ano na economia mundial: a dramática queda do preço do petróleo.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Te contei, não ? - Uma volta pelos sebos ....


Crônica do Dia - Ela , a incorruptível - Martha Medeiros

Terminamos 2014 sentindo vergonha do país e, ao mesmo tempo, com esperança. 

Te Contei, não ? - Ai meus Deuses !!!











Revista Mundo Estranho 
Edição 105
Novembro de 2010 

Artigo de Opinião - Intolerância à brasileira - Flávia Oliveira



Enquanto se comove com assassinatos na França, país minimiza cotidiano de preconceito religioso, presente até na escola pública

Artigo de Opinião - Triste quadro da Educação - Frei Betto



Fissurados nas redes sociais, muitos reduzem a linguagem aos seus signos elementares e preferem ver o turbilhão de imagens a ler a cadência narrativa

O DIA

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Te contei, não ? - Canal Campos - Macaé

No dia 19 de Fevereiro do ano de 1872 (há 140 anos) começa a navegação no Canal Campos / Macaé. O Canal Campos–Macaé, também denominado Canal Macaé-Campos, é um canal artificial que interligava as cidades Macaé e Campos dos Goytacazes na região norte do estado do Rio de Janeiro, no Brasil. O canal corta os atuais municípios de Campos dos Goytacazes, Quissamã, Carapebus e Macaé, além do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba.

Te Contei, não ? - Como e por que sou romancista - José de Alencar

COMO E POR QUE SOU ROMANCISTA

Não havendo visitas de cerimônias, sentava - se minha boa mãe e sua irmã Dona Florinda com os amigos que apareciam, ao redor de uma mesa redonda de jacarandá, no centro da qual havia um candeeiro. 
Minha mãe e minha tia se ocupavam com trabalhos de costuras, e as amigas para não ficaram ociosas as ajudavam. Dados os primeiros momentos à conversação, passava - se à leitura e era eu chamado ao lugar de honra. 
Muitas vezes, confesso, essa honra me arrancava bem a contragosto de um sono começado ou de um folguedo querido; já naquela idade a reputação é um fardo e bem pesado. 
Lia -se até a hora do chá, e tópicos havia tão interessantes que eu era obrigado à repetição. Compensavam esse excesso as pausas para dar lugar às expansões do auditório, o qual desfazia - se em recriminações contra algum mau personagem ou acompanhava de seus votos e simpatias o herói perseguido.
Uma noite, daquelas em que eu estava mais possuído do livro, lia com expressão uma das páginas mais comoventes da nossa biblioteca. As senhoras, de cabeça baixa, levavam o lenço ao rosto, e poucos momentos depois não puderam conter os soluços que rompiam - lhes o seio.
Com a voz afogada pela comoção e a vista empanada pelas lágrimas, eu também, cerrando ao peito o livro aberto, disparei em pranto, e respondia com palavras de consolo às lamentações de minha mãe e suas amigas. 
Nessa instante assomava à porta um parente nosso, o Reverendo P. Carlos Peixoto de Alencar, já assustado com o choro que ouvira ao entrar. Vendo - nos a todos naquele estado de aflição, ainda mais perturbou - se:
- Que aconteceu? Alguma desgraça? - perguntou arrebatadamente.
As senhoras, escondendo o rosto no lenço para ocultar do P. Carlos o pranto, e evitar os seus remoques, não proferiram palavra. Tomei eu a mim responder:
- Foi o pai de Amanda que morreu! - disse, mostrando - lhe o livro aberto.
Compreendeu o P. Carlos e soltou uma gargalhada, como ele as sabia dar, verdadeira gargalhada homérica, que mais parecia uma salva de sinos a repicarem do que riso humano. [...]

Alencar, José de. Como e por que sou romancista. Ficção completa e outros escritos. 
Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. v.1, p. 106-107. ( Fragmento ) 

Te Contei, não ? - Cartas sobre a Confederação dos Tamoios, por Ig

Vamos ler o trecho inicial da primeira das famosas Cartas sobre a Confederação dos Tamoios, escritas por José de Alencar sob o pseudônimo de Ig. Nelas, o romancista critica o poema épico de Gonçalves de Magalhães, expondo ideias interessantes sobre a questão do nacionalismo literário.

Crônica do Dia - O dia em que São Sebastião nos visitou - Pedro Doria


Foi em 13 de julho de 1566 que São Sebastião visitou o Rio. Nem todos o viram, só os índios. Ao menos, assim conta a lenda. Segundo o mestre historiador Sérgio Buarque, esses relatos de aparições de santos eram muito comuns na América espanhola. A visita de São Sebastião a sua cidade, porém, é única entre nós.

Artigo de Opinião - Esopo e os políticos - Siro Darlan


Enfim, mais uma vez, o autoritarismo e a força venceram a razão e os argumentos disponíveis dos mais frágeis

O DIA

Te Contei, não ? - Carioca, um rio órfão



RIO — Na entrada do Largo do Boticário, no Cosme Velho, uma placa informa: “No Rio Carioca, banhavam-se os índios Tamoyo, que cultuavam a sua magia, pois suas águas, segundo as crenças, davam beleza às mulheres e virilidade aos homens”. Mas, centenas de anos depois, o que se vê ali perto é um líquido com forte cheiro de esgoto correndo. Com 7,1 quilômetros de extensão — sendo mais de quatro quilômetros escondidos embaixo do asfalto de três bairros da Zona Sul —, o rio que traz o nome do povo da cidade e se confunde com a sua própria história também é um retrato de seus contrastes: nasce límpido, no Parque Nacional da Tijuca, e vai ganhando ares de valão à medida que se aproxima das construções. E o que mais impressiona: o poder público não parece interessado nele. Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e Cedae, do estado, e Secretaria municipal de Meio Ambiente e Fundação Rio Águas, da prefeitura, jogam um para o outro a responsabilidade sobre o monitoramento da qualidade do Carioca.

Editorial - Água pede gestão mais responsável


O governo, embora simpático a iniciativas para poupar o precioso líquido, não vê motivo para pânico iminente

O DIA


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Personalidades - Lygia Marina de Moraes - Os olhos que metiam medo em Tom Jobim

RIO - A boca é carnuda e aparece no retrato em preto e branco meio entreaberta, num leve sorriso, mostrando os dentes grandes. O cabelo é solto e despenteado e, na mão, ela segura um cigarro. Mas a arma da femme fatale está nos olhos: grandes, de ressaca, que tragam tudo, como Capitu. Tom Jobim trocou o verde pelo castanho, mas teria traduzido o olhar após cruzar com ele pela primeira vez numa tarde chuvosa no bar Veloso: “Mas teus olhos castanhos/Me metem mais medo que um dia de sol/É... Lígia Lígia”.

A foto ficou escondida por 19 anos, período em que a Lígia da música (na verdade, Lygia Marina de Moraes) esteve casada com o escritor Fernando Sabino, que morria de ciúmes dela. A fotografia, de 1971, foi feita por seu primeiro marido, o cineasta Fernando Amaral, e é um retrato da Lygia que fulminou corações e foi eternizada como uma das musas de Tom, que idealizou em “Lígia” um amor que nunca aconteceu. “Eu nunca sonhei com você/Nunca fui ao cinema/Não gosto de samba, não vou a Ipanema/Não gosto de chuva nem gosto de sol”.

Crônicas do Dia - Sagrado silêncio - Flávia Oliveira

Diante de explicações raivosas, julgamentos sumários, justificativas esdrúxulas, é melhor o calar respeitoso

O silêncio desapareceu na esquina da irracionalidade com a intolerância, no cruzamento do cinismo com a cara de pau. Deu lugar à hiperinflação das opiniões raivosas, dos julgamentos sumários, das explicações esdrúxulas. Aquela, acredite, é pior que a escalada frenética dos preços, velha conhecida dos brasileiros, sepultada há duas décadas. A cobiçada visibilidade nas redes sociais ou a mera incapacidade de emudecer detonaram o movimento. E a barulheira se espalhou. O habitual já não é a contrição, mas o falatório. Ao fim da semana de tristezas enfileiradas, #ficaadica: é preciso o silêncio. Diante do inexplicável, que venham o olhar solidário, o calar respeitoso.

Crônicas do Dia - Reflexões do ENEM

O aviso foi dado através dos resultados. Quem tiver “olhos para ver” que vejam e “ouvidos para escutar”, que escutem

O DIA

Crônicas do Dia - A poética da corrupção - Arnaldo Jabor

A corrupção é um rabo de lagarto que sempre se recompõe

Com a corrupção a carne apodrece, a fruta definha e o alimento se espedaça em nossas mãos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Crônica do Dia - Discriminação

(Luís Fernando Veríssimo)


Acho uma odiosa discriminação nós motoristas sermos obrigados a preencher requisitos cada vez mais complicados para ganhar uma licença de dirigir enquanto que nada sequer parecido é exigido do pedestre. E é um fato comprovado que, por exemplo, em cerca de oitenta por cento dos atropelamentos há um pedestre envolvido. (Cachorros vêm em segundo lugar.) Por que esse privilégio? O pedestre é parte atuante do trânsito de uma cidade, existe em muito maior quantidade do que carros, e no entanto não há uma única lei regulando a sua movimentação e as suas obrigações. Qualquer pessoa, literalmente, pode ser pedestre! Basta sair na rua. Até quando as autoridades fecharão os olhos a esse inexplicável favoritismo?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Resenhando - Bilac vê estrelas

Estreia de 'Bilac vê estrelas' chama atenção para escassez de trilhas sonoras inéditas em musicais

Baseado em livro de Ruy Castro, espetáculo que tem canções originais de Nei Lopes é caso raro na cena carioca atual


POR DEBORA GHIVELDER

domingo, 11 de janeiro de 2015

Crônica do Dia por Carlos Eduardo Rebuá

Por Carlos Eduardo Rebuá.


Hotel Ruanda (2004) é um filme dirigido por Terry George que relata a guerra civil ocorrida em 1994 naquele país da África centro-oriental, entre suas duas principais etnias (tutsi e hutus). À época houve quase nenhuma atenção do “Ocidente” (com a ONU se recusando em intervir no conflito, num pequenino país sem grandes “atributos” energéticos e minerais) aos eventos bárbaros que vitimaram um milhão de pessoas de um povo marcado – como toda a África – pelas perversas heranças do colonialismo e de sua versão “neo” do século XIX.

Crônicas do Dia - Eu não sou Charlie, je ne suis pas Charlie

Eu não sou Charlie, je ne suis pas Charlie
10/01/2015
Há muita confusão acerca do atentado terrorista em Paris, matando vários cartunistas. Quase só se ouve um lado e não se buscam as raízes mais profundas deste fato condenável mas que exige uma interpretação que englobe seus vários aspectos ocultados pela midia internacional e pela comoção legítima face a um ato criminoso. Mas ele é uma resposta a algo que ofendia milhares de fiéis muçulmanos. Evidentemente não se responde com o assassianto. Mas também não se devem criar as condições psicológicas e políticas que levem a alguns radicais a lançarem mão de meios reprováveis sobre todos os aspectos. Publico aqui um texto de um padre que é teóloogo e historiador e conhece bem a situação da França atual. Ele nos fornece dados que muitos talvez não os conheçam. Suas reflexões nos ajudam a ver a complexidade deste anti-fenômeno com suas aplicações também à situação no Brasil: Lboff

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Eu condeno os atentados em Paris, condeno todos os atentados e toda a violência, apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou da paz e me esforço para ter auto controle sobre minhas emoções…

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Tá na Hora do Poeta - O que mais dói

O QUE MAIS DÓI


O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.
Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.
O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.
É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau.


Patativa do Assaré 

Tá na Hora do Poeta - Quem é importante ? - Samuil Marchak

Certo dia, num caderno,
Numa página interna,
Deu-se a grande reunião
Dos sinais de pontuação,
Para decidir, no instante,
Qual o que é mais importante.

E logo, todo sinuoso,
A rebolar-se, entrou, pimpão,
O enxerido e mui curioso
Dom Ponto de interrogação:
- Quem é?
- Por quê?
- Aonde?
- Quando? – ele só vive perguntando ...


Chegou correndo, afobadão,
O Ponto de Exclamação,
Bufando, muito excitado,
Entusiasmado ou assustado.
– Socorro!
– Viva!
–Saravá!
– Dá o fora! – sempre a berrar!

E vêm as Vírgulas dengosas,
Muitos falantes, muito prosas,
E anunciam: – Nós meninas
Somos as pausas pequeninas,
Que, pelas frases espalhadas,
São sempre tão solicitadas!

Mas já chegam os Dois-Pontos,
Ponto-e-Vírgula, e pronto!
Tem início a discussão,
Que já dá em confusão:
–Sem por cima ter um ponto,
Vírgula é um sinal bem tonto! –
Ponto-e-Vírgula declara,
Arrogante, e fecha a cara.
–Essa não!  Tenha paciência! –
Intervêm as Reticências.
–Somos nós as importantes,
Tanto agora como dantes:
Quando falta competência,
Botam logo...  Reticências!

Til e Acento Circunflexo,
Numa discussão sem nexo,
Cara a cara, bravos, quase
Se engalfinham.  Mas a Crase
Corta a briga, ao declarar:
–Poucos sabem me empregar!
Me respeitem pois bastante,
Já que eu sou tão importante!

Mas Dois-Pontos protestou:
–Importante eu é que sou!
Eu preparo toda a ação
E a e-nu-me-ra-ção!...

–É aqui que nós entramos!
Nós, as Aspas, e avisamos:
Sem nossa contribuição
Não existe citação!

A Cedilha e o Travessão
Já se enfrentam, mas então,
Bem na hora, firme e pronto
Se apresenta o senhor Ponto:
–Importante é o meu sinal.
Basta. Fim. PONTO FINAL.

Tatiana Belinky, Di – Versos russos. São Paulo, Scipione.

Te Contei, não ? - Sintomas que revelam o que está faltando em nós!!!



Veja que interessante... A partir de certa idade, temos quase todos esses sintomas, provocados pela falta dos alimentos aqui mencionados:

Fábula do Rato

Um Rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.

Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

Charges


Charges


Crônica do Dia - O Rio e o ataque de Paris

O DIA
Rio - Parece distante, mas o ataque terrorista de Paris tem a ver com a realidade do Rio de Janeiro, suas crianças e adolescentes. Ele acende o sinal vermelho sobre tema pouquíssimo comentado, mas muito atual: a reformulação do currículo do ensino de História e Geografia nas escolas, contextualizando os atos históricos e promovendo debates sobre tolerância religiosa, mostrando aos estudantes as consequências — tanto na trajetória do mundo quanto nos dias de hoje — da não aceitação do próximo. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Te Contei, não ? - O Homem


Te Contei, não ? - Gilberto Freyre, pensador do Brasil



Crônica do Dia - Feliz Ano Novo - Frei Betto

Feliz Ano Novo
aos que tiveram perdas no ano velho e ainda assim recolhem pedras em suas aljavas. Aos colecionadores de afetos que jamais permitem que suas lagartas se transmutem em borboletas. Aos cínicos repletos de palavras sem raízes no coração.

Te Contei, não ? - Precisa - se - Isaac Libermann



De pessoas que tenham os pés na terra e a cabeça nas estrelas.

Capazes de sonhar, sem medo dos sonhos.

Tão idealistas que transformem seus sonhos em metas.

Charges - Evolução



Crônica do Dia - Decadência e esplendor da espécie

Decadência e Esplendor da Espécie


Não sei o que terá acontecido com a espécie humana.

Esta ausência de pêlos...Para os outros mamíferos a nossanudez pode parecer repugnante como,par nós,a nudez dos vermes.

E,depois,a nossa verticalidade é antinatural.Estas mãos pendendo,inúteis,são ridículas como as dos cangurus sentados.

Se fôssemos veludos e quadrúpedes,ganharíamos muito em beleza e,sem a atual tendência à adiposidade,poderíamos ser quase tão belos como cavalos.

Felizmente,inventou-se a tempo o vestuário,que,pela variedade e beleza(a par de sua utilidade em vista do fatal desabrigo em que ficamos)redime um pouco esta degenerescência.

E acontece que inventamos também o mobiliário,os utensílios:no caso vigente,esta cadeira em que escrevo sentado a esta mesa,à luz artificial desta lâmpada.

E ainda este ato de escrever,isto é,de expressar-me por meio de sinais gráficos,é mais uma prova da nossa artificialidade.

Mas quem foi que disse que eu estou amesquinhando a espécie?Quero apenas significar que,em face das suas miseráveis contigências,o homem criou,além do mundo natural,um mundo artificial,um mundo todo seu,uma segunda natureza,enfim.

O homem,esse mascarado...

Mário Quintana

Crônica do Dia - Aquele amor

AQUELE AMOR 

Ela pertence à espécie de mulheres que possuem um só amor em toda a sua vida. Ou amam de verdade apenas uma vez. Seria espécie de mulheres ou a maioria assim o é, mesmo sem o saber?


Também há homens de eterno amor, embora o machismo e as deformações de sua cultura e comportamento nem sempre os convença de tal. Ou não convença a maioria. Ou será que o fato de serem colocadores de semente por determinismo biológico os leva a não prestar a devida atenção à sua destinação para o amor?
No meio da conversa ela diz, de repente, que só gostou de verdade de um homem e eis que vai buscar lá entre papéis amassados, daqueles que esturricam o couro das carteiras, não um mas três retratos dele, que espalha, qual cartas de baralho, sobre a mesa do restaurante. E fala dele com a mistura de ternura e tristeza que assaltam as mulheres que não lograram viver com o seu amor, casar-se com ele, ter seus filhos, viver em função dele e dela, unidos, pois esta é a verdadeira vontade e destinação da mulher: viver ao lado do verdadeiro amor.