domingo, 15 de abril de 2012

Aconteceu - Juliana Paes encarna Gabriela no Sul da Bahia




Cabelos alongados graças ao megahair, musculatura visivelmente mais enrijecida - o que dá a impressão de alguns quilos a menos - e um bronzeado reforçado por banhos de sol diários transformam Juliana Paes em Gabriela, a personagem-título da próxima trama das 23h da Globo, prevista para junho. Escolhida no fim de 2011 para o papel de protagonista da trama escrita por Walcyr Carrasco, agora cabe à atriz levar ao público a brejeirice típica da mulher tão bem incorporada por Sonia Braga nos anos 1970. Desde que foi anunciada a sua escolha para viver a personagem, Juliana jura que fez do romance "Gabriela, cravo e canela", escrito por Jorge Amado, a sua Bíblia. E, de tão imersa na história da moça que sai do sertão para tentar a sorte em Ilhéus, na Bahia, conta que não se preocupa com as comparações.

- Isso não me dá medo. Gabriela está em mim. E a palavra que melhor a define é força. Todos a veem como uma mulher sexy, mas ela é forte - descreve a atriz, que já gravou no interior do Piauí e, desde a última quarta-feira, está em Canavieiras, na Bahia.

Mas a Sexualidade estará presente - e muito - nesta nova versão. Assim garante o diretor-geral Mauro Mendonça Filho. A questão do horário, o mesmo de "O Astro", no ano passado, ajuda. E o texto de Jorge Amado, também.

- A história pede. Quando Gabriela chega, a cidade enlouquece. Mesmo sendo a mais primitiva e a mais ignorante, ela é livre. Se está a fim de transar, vai lá e transa. Temos que parar de ver o sexo como tabu. A Sexualidade faz parte das pessoas - defende Mauro.

Responsável pela atual adaptação, Walcyr enfatiza que não pretende fazer um remake da primeira versão escrita por George Walter Durst em 1975. O autor quer mostrar ao público a sua própria visão do livro lançado em 1958.

- É uma mininovela inspirada no romance. Nela, entram outros papéis que eu criei. Através de Gabriela e Nacib, vou narrar a história de uma cidade, mostrando as mudanças no comportamento e na política. Espero que não só emocione, mas que seja um avanço na consciência do povo.

Cena do telhado garantida

Apesar da livre inspiração, mais de 80% dos personagens foram mantidos. Assim como momentos inesquecíveis, entre eles, a subida de Gabriela no telhado. E o tema de abertura, "Modinha para Gabriela", permanecerá na voz de Gal Costa. Para reproduzir mais uma vez a história de Jorge Amado na TV, a produção se instalou em Canavieiras, situada a 110 quilômetros de Ilhéus, na Bahia. Lá, o diretor conta com uma equipe de 70 pessoas, entre câmeras, figurinistas e camareiras, além de 150 figurantes.

O local foi escolhido como cenário para cenas como a do encontro entre Gabriela e Nacib, agora vivido por Humberto Martins. Entre os atores também estão Bruna Linzmeyer, Emílio Orciollo Neto, Ilya São Paulo e Mateus Solano. Para o diretor, bastará apenas aparecer no vídeo para que Juliana marque definitivamente o público como a nova Gabriela: - A personagem é um ícone, selvagem, feminina. E Juliana é símbolo sexual e boa atriz como Sonia era. Está fazendo lindamente.

Jornal Folha de São Paulo

Você precisa ficar sabendo - Retratos da Leitura no Brasil




A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, em sua terceira versão, divulgada na semana passada pelo Instituto Pró-Livro, é o resultado de uma evolução desse tipo de trabalho em nosso país. Desde a primeira versão, no ano 2000, passando pela de 2007, os objetivos têm se mantido idênticos. Mas existem mudanças significativas entre cada uma delas, o que torna a comparação uma tarefa difícil e que deve ser empreendida com cuidados. Em primeiro lugar destaquemos as diferenças entre a pesquisa de 2007 e a atual. São duas diferenças importantes.

A primeira é a alteração da ordem das perguntas. Na Retratos da Leitura de 2007, depois das perguntas de qualificação de renda, classe, escolaridade etc., o questionário começava pela percepção que o entrevistado tinha sobre a importância da leitura, o "valor" da leitura, a posição da leitura em relação ao uso do tempo livre e coisas do estilo. Só mais adiante é que se faziam perguntas objetivas relacionadas aos hábitos de leitura e consumo de livros, como quantos e de que modo haviam sido lidos. Na versão de 2011 - com 5.012 entrevistas realizadas em 315 municípios brasileiros - se inverteu a ordem.

Isso certamente teve um impacto no resultado das pesquisas. Existe uma percepção social da importância da leitura que é muito forte. Quando o pesquisado já sabia sobre o que tratava a pesquisa, podia tender a aumentar o número de livros lidos, ou mesmo mentir sobre se leu ou não. A valorização da leitura pode ter pesado na pesquisa anterior, inflando o resultado. A inversão da ordem das perguntas certamente melhorou a qualidade das respostas.

Outra modificação significativa foi a da redução do período em que se exigia a lembrança do pesquisado sobre seus hábitos de leitura, de um ano para três meses. Desse modo não se exigia um "puxar da memória" que podia induzir a distorções. Isso certamente aperfeiçoou a pesquisa, mas trouxe um problema: dificultou as comparações. Em 2011 estamos tratando de dados mais precisos, enquanto em 2007 pode ter havido certo "ofuscamento" involuntário nas respostas. As comparações, portanto, devem ser feitas a partir do conjunto de dados, e não simplesmente tabela a tabela, ou gráfico a gráfico.

Acredito que a esses fatores se deve a aparente diminuição dos índices de leitura entre as duas pesquisas. Jamais poderemos ter certeza absoluta de que essa diferença se deve a isso, ou somente a isso, mas essa é uma boa pista.

Retratos da Leitura no Brasil é uma pesquisa de opinião. O que se quantifica são opiniões, e essas podem se modificar por vários fatores. Mas o conjunto apresenta indicações preciosas para a formulação de políticas públicas que contribuam para que esse ideal de valorização da leitura se torne uma realidade. O importante é fazer perguntas à pesquisa, lê-la com atenção em função do que se deseja saber, procurando articular o conjunto das respostas. O que se apresenta aqui é um exercício de resposta a algumas questões apresentadas pelos dados da pesquisa. Cada leitor pode ter um conjunto de perguntas diferentes, e precisa se dedicar à busca de suas respostas.


FELIPE LINDOSO é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura; autor de "O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro" (Summus Editorial, 2004). Blog: http://www.oxisdoproblema.com.br/

Aumentou ou não o número de leitores no país?

Se considerarmos os dados brutos das duas pesquisas, o número de leitores e os índices de leitura diminuíram entre 2007 e 2011. Alguns outros indicadores permitem matizar essa observação: o número de compradores de livros aumentou e, principalmente, o número de leitores e compradores com idade de quem já saiu do sistema escolar. As mudanças na aplicação do questionário, como já se disse, podem colocar em dúvida essa diminuição dos índices. No entanto, o conjunto dos dados, por sua vez, permite que se afirme que as políticas de promoção da leitura e de facilitação do acesso ao livro ainda não estão amadurecidas e produzindo efeitos.

Os autores preferidos: como vêm e vão

A lista dos autores mais admirados revela claramente três grupos de influência: escola, religião e imprensa (escrita e televisão). O autor mais citado, Monteiro Lobato, já aparecia em outras pesquisas quando os livros de sua autoria estavam praticamente fora do mercado. Evidentemente por causa da exibição de "O Sítio do Picapau Amarelo" na TV e de subprodutos com a marca Monteiro Lobato e seus personagens. Os best-sellers mais recentes, principalmente os com foco no público juvenil, constituem a categoria de autores com maior mobilidade, mudando de acordo com os modismos. O bloco dos autores ligados à religião também tem mobilidade, com alguns entrando ("A cabana", de William P. Young e "Ágape", do padre Marcelo Rossi, estão entre os mais lidos), outros saindo e outros mais permanecendo. O bloco de autores "canônicos" revela a presença das exigências escolares. Mesmo depois de sair da escola, muitos vão se lembrar de Machado de Assis e José de Alencar porque "eram importantes", mesmo que sua leitura não fosse encarada com prazer quando estudavam. O mesmo vale para os poetas: os que aparecem (como Drummond) são basicamente os adotados, e apenas esses. O brasileiro "lê poesia" na escola por obrigação ou pelo romantismo adolescente. As listas de best-sellers divulgadas pela imprensa são as mais voláteis, enquanto escola e influências religiosas têm uma "cauda longa" na memória dos leitores.

Como as pessoas têm acesso aos livros que leem?

Esse quadro apresenta vários elementos de reflexão. Em primeiro lugar, o fato de a maioria dos livros lidos ser comprada, o que significa um forte componente do fator "renda" no acesso ao livro. Mas é notável que o empréstimo entre as pessoas seja o segundo modo de acesso. Isso indica duas coisas: a) um nível muito significativo de intercâmbios interpessoais entre os leitores - uma parte do "boca a boca" dos livros se resolve com empréstimos entre amigos; b) o empréstimo está suprindo parte das deficiências das bibliotecas, demonstrando iniciativa dos leitores e uma "demanda silenciosa" por melhores bibliotecas. Essas relações interpessoais se revelam também no fato de muitas pessoas ganharem livros de presente: 88% das pessoas afirmam que ganhar livros de presente foi importante. Em contraposição aos empréstimos, 5% dos livros lidos foram "xerocados": é outro evidente sintoma das deficiências das bibliotecas. O componente "renda" deixa claro: os livros estão caros e se fossem mais baratos, haveria mais compradores. Campanhas para presentear também deveriam estar na pauta de editores e livreiros.

O livro no imaginário e a realidade da leitura

Quando se pergunta sobre a importância da leitura, há uma quase unanimidade acerca de sua importância. Em nossa sociedade, o valor da leitura é apreendido como fundamental, e 88% dos entrevistados dizem isso. Mas entre essa afirmação genérica e a prática há uma grande distância. Quando perguntados se conhecem alguém que "venceu na vida" por ler, 47% dos entrevistados dizem que não, e mais 8% não sabem. Há uma percepção social da importância da leitura e uma prática não leitora, que se deve a muitos fatores: escolaridade (tempo na escola e qualidade do ensino), renda, acesso, deficiências físicas (visuais) etc. A "ponte" entre formação profissional, sucesso, "vencer na vida" e leitura se perde na prática. Tudo indica que, neste caso, os entrevistados igualam leitura apenas com "leitura literária" e não consideram as leituras técnicas e científicas, por exemplo.

O papel da renda e da escolaridade nos índices de leitura

Renda e escolaridade são os dois fatores que têm maior influência nos índices de leitura. Essa tabela evidencia esse fenômeno de forma claríssima: quanto maior o nível de renda e de escolaridade, maior o índice de leitura. A escolaridade é o fator mais importante dos dois. A quantidade de pessoas com renda de mais de dez salários mínimos é menor que a quantidade de pessoas com educação superior. A chamada classe A corresponde a apenas 2% da população total do país, enquanto os de nível superior de educação correspondem a 11% da população (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios). Os leitores classe A são apenas 1% do total, e os com ensino superior são 16%. Entretanto, em números absolutos, são as classes B e C e os que completaram o Ensino Médio que constituem o segmento com mais leitores: 56% entre os que têm Ensino Médio e 81% nos que estão nas classes B e C.

Existem diferenças regionais significativas nos resultados?

Não se constatam diferenças nos índices de leitura e na compra de livros que possam ser atribuídas exclusivamente a fatores regionais. As diferenças que existem e aparecem entre as regiões se devem a fatores específicos de renda e escolaridade. Por exemplo, o aumento dos índices de escolaridade no Nordeste, nos últimos anos, reflete-se na pesquisa. Não por ser Nordeste, mas por conta do investimento mais intenso no sistema educacional da região, que recupera atrasos. O fato de as regiões Sudeste e Sul lerem e comprarem mais livros se deve a um fator de concentração de renda mais do que qualquer outro. Ou seja, a homogeneidade cultural do Brasil se revela também nesse aspecto, ao contrário de outros países onde fatores como línguas diferentes e tensões autonomistas eventualmente têm um papel relevante.

O número de compradores de livros cresceu?

Aumentou o número de compradores de livros. Eram 45% dos que liam em 2007 e passaram a ser 48% em 2011. O mais notável foi o aumento do número de compradores com idade acima dos 18 anos. Todas as faixas etárias aumentaram significativamente. O que isso quer dizer? As políticas de leitura nas escolas, vagarosamente, mas de forma consistente, aumentam o interesse (e a compra) de livros fora da idade escolar, apesar de o maior número de leitores ainda ser de estudantes. A renda, entretanto, ainda é um fator limitador para a compra de livros. Mas os números são impressionantes: são 1,978 milhões de compradores na classe A; 15,616 milhões na B; 20,79 milhões na C e 4,089 nas classes D e E. São 42,3 milhões de compradores no total, contra 36,35 milhões em 2007. Ou seja, a massa de leitores diminuiu, mas entre esses leitores o número de compradores de livros aumentou. De qualquer maneira, 85% dos entrevistados não compraram nenhum livro nos últimos três meses.

Por que as pessoas dizem que conhecem as bibliotecas e não as frequentam?

O Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, de 2009, nos dá indicações. Apesar de existirem em 99% dos municípios, as bibliotecas são reconhecidamente mal equipadas. Apenas 25% delas têm mais de dez mil títulos no acervo; em 88% delas o acervo só aumenta por doações; apenas 12% abrem aos sábados, e só 1% abre aos domingos. As pessoas sabem que existe a biblioteca, mas não encontram nela o que buscam. O conjunto dos dados mostra que 70% dos que usam bibliotecas são estudantes. Resultado: 67% dos entrevistados sabem que existe biblioteca, mas apenas 7% as usam frequentemente, e 17%, ocasionalmente. Apenas 26% dos entrevistados têm acesso a livros por meio das bibliotecas. A faixa dos 5 aos 24 anos é a que mais usa as bibliotecas. O esforço para o equipamento das bibliotecas públicas e a instalação de bibliotecas escolares deve ser intensificado. A população não usa mais as bibliotecas porque essas estão muito abaixo do mínimo de qualidade e quantidade de acervo e serviços desejáveis, e isso se reflete nos índices de leitura.

Os livros digitais

As informações sobre leitura de livros em formato digital são importantes para futuras comparações. Os leitores de e-books não são mencionados, registrando-se apenas a leitura em computadores. Já há uma base de tablets e e-readers no Brasil, mas ainda é pequena. O Programa Nacional do Livro Didático 2014 incluirá materiais digitais, com possível distribuição de tablets pelo MEC. Isso e a redução do preço dos e-readers podem aumentar a presença do livro digital.

O papel de escola, imprensa e religião nas escolhas de leitura

Ao se falar de gêneros "lidos" é necessário tomar algumas precauções. A Bíblia não apenas é o livro mais vendido na maior parte do mundo (exceção do Oriente), mas também o mais citado como "leitura". Sabemos, entretanto, que a leitura da Bíblia se reveste de circunstâncias e formalismos: são versículos lidos aleatoriamente ou em função de cerimônias religiosas, às vezes seguindo um calendário próprio. O mesmo acontece com os livros didáticos, lidos em função de uma situação particular da vida das pessoas. A presença de livros religiosos em terceiro lugar, autoajuda em nono e esoterismo em 19º revela uma forte necessidade de buscas espirituais/filosóficas por parte dos leitores. A influência da escola se revela em vários gêneros: didáticos, literatura infantil, literatura juvenil, poesia e dicionários e enciclopédias, assim como livros técnicos, todos fortemente vinculados às atividades escolares e às leituras determinadas por professores. Culinária/artesanato/assuntos práticos e viagens revelam um interesse utilitário dos leitores. Finalmente, romances e as categorias restantes é que denotam o interesse pela leitura desvinculada de interesses extraliterários. A julgar pelos gêneros, a leitura da maioria das pessoas está muito vinculada a aspectos práticos de variados tipos, apesar da declaração de que a leitura "por prazer" seja feita por 75% dos entrevistados, contra 25% dos que leem "por obrigação". Mais uma incongruência entre o discurso e a prática.

Caderno Prosa & Verso
Jornal O Globo

sábado, 14 de abril de 2012

Responda que eu quero ver ..............


Crônica do Dia - Chega de privilégios - Marcos Espínola




Por diversas vezes abordamos temas que certamente passam ao leitor a sensação de já ter visto algo parecido ou idêntico. Infelizmente, novamente estamos diante dessa situação com um escândalo envolvendo a classe política, através de um senador, o que parece ter virado rotina no Brasil. Dessa forma, o que era para ser uma constante aproximação, se transforma num distanciamento cada vez maior do povo com as autoridades. 

As frequentes denúncias sobre corrupção, desvio do dinheiro público e tantas outras trambicagens fazem com que cada um de nós se torne ainda mais incrédulo com a arcaica política praticada no Brasil. Um jogo de interesses, barganhas e roubalheiras escancaradas, onde a principal vítima é a população. 

Enquanto a troca de favores corre solta em todas as esferas de governo, boa parcela do povo ainda amarga condições precárias de vida, como falta de saneamento básico e acesso a uma saúde pública de qualidade. Uma cultura de corrupção que parece um poço sem fim. 

A situação é ainda pior quando se veem esses parlamentares protegidos pelo foro privilegiado, uma brecha na Justiça que beneficia justamente quem mais prejudica a sociedade de um modo geral. Já passou do tempo de acabar com essa distinção, pois quem rouba e desvia dinheiro público é tão marginal quanto qualquer outro que vive à margem da sociedade, pois essa é a definição correta para a palavra e tais condutas se encaixam nesse contexto. 

O pior é que até para acabar com isso enfrentaríamos dificuldades, pois dependeríamos dos próprios parlamentares e é uma utopia achar que eles se sensibilizariam com a causa. Por outro lado, o que se espera é direito igual para todos. Chega de privilégios! 

Marcos Espínola é Advogado criminalista
Folha de São Paulo 

AINDA VALE A PENA REFLETIR - E o coelho sai de cena - Marcus Tavares




A Páscoa é amanhã. Então ainda dá tempo de comprar os ovos. Opções não faltam. Dinheiro também não é problema. Em algumas lojas, é possível parcelar em 10 vezes sem juros. Prestações muitas vezes necessárias, afinal os ovos do dia de hoje estão mais para de ouro do que de chocolate. Que o digam os pais, não é? Parece que a data é feita, principalmente, para as crianças. 

 Para conquistá-las, o coelhinho não serve mais. Foi despedido. Há anos, ele saiu de cena e deu passagem para personagens do cinema e da TV, tipo Homem-Aranha, Piratas do Caribe, Smurfs, Shrek e Ben 10. Barbie, Rapunzel e Hello Kitty também estampam as embalagens, convidando as meninas a entrar na comilança. 

Fiz uma pesquisa nos sites dos principais fabricantes de ovos aqui do Brasil. Há cerca de 40 marcas criadas especialmente para o público infantil. O chocolate é o mesmo da minha infância. A diferença está no personagem que vende o ovo e no brinde que ele traz. Há brinquedos, relógios, minigames e bonecos. 

Quem estuda o comportamento do consumo infantil avisa que o personagem, sem dúvida, estimula e aumenta a venda, o que ocasiona, inclusive, um consumo exagerado de chocolates nesta época. Só para lembrar: a obesidade infantil aumentou cinco vezes nas últimas duas décadas somente no Brasil. 

Ficar de olho na tabela nutricional que acompanha os alimentos é boa forma de medir a quantidade de nutrientes. O fato é que os alimentos voltados para as crianças — inclusive os ovos de chocolate — apresentam valores que tomam como base uma dieta para o adulto, que necessita, por dia, duas mil calorias. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Santiária, crianças com até 3 anos de idade têm uma necessidade diária de 1.050 kcal; de 4 a 6 anos, de 1.450 kcal; e de 7 a 10 anos, de 1.750 kcal. Um ovo de Páscoa de 250 gramas possui, em média, 1.300 calorias. 

 O sentido da festa religiosa se perde no tempo e na história, em meio a chocolates, propaganda e comércio. 

Marcus Tavares é  Professor e jornalista especializado em Educação e Mídia

Jornal O Dia em 07/04/12

Tá na Hora do Poeta - Biografia - José Henrique Silva




BIOGRAFIA

Desperto hoje
Desfolhando o livro
Que, com meu pulsar, há cinqüenta anos ando a rascunhar...

Onde vou me descobrindo,
Onde vou me refazendo,
Vou ainda me conhecendo,
Vou me explorando,
Me revelando,
Vou corajosamente me despindo.

Me percebendo
Que como todos nessa viagem
Sou ímpar,
Misto de terra, mar, fogo e ar.

E sigo aos seres encantados
A reverenciar,
Tendo muito a agradecer,
Afinal, após algumas páginas mal escritas
Encontrei meu complemento, meu verdadeiro  par.

E tomo susto ao me ler pai
De um guri de trinta anos,
Com a difícil missão de a ele ter que ensinar
Que todos, invariavelmente, nessa trajetória
Ao edificar sua história
Somos como a força determinada de um samurai,
Mas, em certos capítulos, claro, o direito temos
De escorregar,
E cair,
E se machucar,
Mas, também crer que tal qual o referido samurai
Nesta vida, a gente balança, balança, mas não cai...

Ainda desfolhando o atual capítulo,
Apesar dos outros já escritos,
Capto em mim a força que move o pião,
Às vezes doce,
Às vezes ácido feito um limão.


Cada vez mais entendendo a lição
Que o que mais vale nesta travessia
É apenas saber  se doar,
Sabendo do outro, da companhia cuidar,..

Afinal, não sou bobo,
E já entendi,
Que quando a escrita deste livro  acabar,

- E atenção, inimigos sociais, isso ainda muito vai demorar! -

É apenas o que se vai levar ....

José Henrique da Silva
14/04/2012


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Te Contei, não ? @ - Conivência dos pais ajuda a agravar o problema



O estado de São Paulo endureceu o combate ao álcool na infância e na juventude. Em novembro de 2011, entrou em vigor uma lei que prevê punições administrativas, além das sanções penais aos comerciantes que venderem, oferecerem ou permitirem o consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade no interior de seus estabelecimentos. A lei será aplicada mesmo se o adolescente estiver na companhia de seus pais ou de um responsável maior de idade.

Para burlar a lei, adolescentes passaram a cometer uma infração ainda mais grave: falsificar a carteira de identidade. Não se trata mais, como no passado, de colocar com caneta preta um outro número no documento. A falsificação é para valer. É feita no programa Paint, disponível para qualquer computador. Há até mesmo um tutorial no YouTube, com mais de 50 mil acessos, em que parte da falsificação é mostrada.

O que mais surpreende é que muitos adolescentes falsificam a carteira de identidade com a anuência dos pais. Profissional bem-sucedida, A. ajudou seu filho M., de 17 anos, a falsificar seu RG. Ela aceitou mostrar ao GLOBO como se faz. Em cinco minutos, foi falsificada a data de nascimento de uma carteira de identidade. O documento, a seguir, foi destruído, já que falsificar documento é crime, com pena prevista de dois a seis anos de prisão.

- Faltavam apenas dois meses para ele fazer 18 anos. Ele queria muito ir naquela balada - justifica A., acrescentando que o filho já fez 18 anos e rasgou o documento falso.

M. afirma que aprendeu com colegas como falsificar:

- Isso não é novidade. Muita gente faz.

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 5.226 alunos de 37 escolas privadas de São Paulo, divulgada em 2010, mostrou que 40% dos estudantes haviam bebido no mês anterior à pesquisa. Os estudantes disseram ter começado a consumir bebida alcoólica com 12,5 anos, e 46% afirmaram que beberam pela primeira vez em casa. A bebida foi oferecida por familiares (46%) ou amigos (28%). Apenas 21% disseram ter tomado a iniciativa de buscar a bebida.

Jornal O Globo

Te Contei, não ? - Perigo adolescente



Consumo de álcool por jovens cresce e leva médicos a criarem serviço especial.

O sinal de alerta soou no Pronto Socorro de pediatria do Hospital Albert Einstein, um dos mais conceituados de São Paulo. Há cerca de um ano, os pediatras de plantão passaram a ser chamados para atender adolescentes que chegam na emergência, principalmente às sextas e sábados. O problema: consumo excessivo de álcool. Muitos meninos e meninas chegam inconscientes. Alguns, em coma, correm o risco de morrer. Embora ainda não existam estatísticas precisas, especialistas dizem que o aumento do consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes não se restringe a São Paulo, é visível no Rio assim como em muitas outras cidades do Brasil.

No Albert Einstein, todos os pacientes com 16 anos ou menos que dão entrada pelo pronto-socorro são encaminhados à pediatria, que, a partir deste mês, tem um protocolo especial de atendimento. Os cuidados não são apenas clínicos. Os pais são orientados sobre os riscos do consumo de álcool na adolescência. Nos casos mais graves, em que o jovem fica internado ou precisa de recursos de UTI, ele obrigatoriamente é avaliado por psiquiatras e psicólogos do Núcleo de Álcool e Drogas do hospital.

— Os pediatras perceberam que se tornou comum o atendimento a pacientes alcoolizados em idade muito precoce, com 13 ou 14 anos. Há casos de crianças de 12 anos. Eles chegam com intoxicação grave causada pela ingestão de álcool. Isso nos preocupa muito. É preciso detectar o que está acontecendo — afirma a psiquiatra Alessandra Maria Julião, do Núcleo de Álcool de Drogas do hospital.

O problema é reflexo do que acontece nas ruas. Baladas atraem jovens da classe A e B, com festas em que a bebida alcoólica é o chamariz. Sempre em grupo, eles são influenciados pelos amigos a deixar o refrigerante de lado e consumir o álcool já incluído no preço da festa.

Casos de depressão e ansiedade 

 Há 15 dias, X., de 16 anos, foi a uma boate com amigos. Depois de ir ao banheiro, retornou à pista e, ao ver um rapaz de costas, avançou sobre ele, desferindo-lhe socos na cabeça. Os amigos do rapaz agredido passaram a bater em X., e os amigos de X. entraram na briga. Na semana passada, X. foi levado pelos pais ao consultório do psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, especialista em dependência química, professor da USP e presidente do Centro de Informação Sobre Saúde e Álcool (Cisa). O médico perguntou o que tinha acontecido.

— Ele disse que nunca tinha visto o outro antes, que foi uma bobagem: “Veio a vontade e fiz” — conta Andrade.

O especialista não identificou qualquer distúrbio grave no adolescente. O que lhe chamou a atenção foi que, naquela noite, X. havia ingerido muitas latinhas de cerveja. Para ele, o rapaz se encaixa no "padrão binge”, caracterizado pelo consumo excessivo em curto espaço de tempo: cinco doses — ou cinco latinhas, considerando idade e peso — num período de duas horas. Para as mulheres, o “binge” ocorre antes, a partir de quatro doses.

Todos são unânimes em afirmar que, nas baladas, há bebida alcoólica de sobra, a despeito das proibições previstas em lei.

— É um novo modelo de juventude, com muita liberdade para o álcool e o sexo. A balada é o novo local da paquera e os jovens estão expostos — diz Andrade.

O psiquiatra afirma que nenhum adolescente procura ajuda médica por causa do álcool. Em geral, vão ao consultório levados pelos pais, para tratar de outro problema associado, como depressão, ansiedade ou síndrome do pânico.

— Tenho ainda um número razoável de pacientes com distúrbio de comportamento — diz.

Na adolescência, os neurônios se multiplicam. Segundo Andrade, exposto ao álcool, o cérebro vai amadurecer de forma menos eficiente. O raciocínio na fase adulta não será tão rápido:

— O rendimento acadêmico, sexual e social se tornará pior.

A psicóloga Ilana Pinsky, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), salienta que no Brasil as bebida alcoólicas são baratas e facilmente encontráveis. Os pais, por sua vez, não se sentem à vontade para proibir os filhos de consumi-las:

— Não dá para culpar os pais. Não somos como a sociedade chinesa, na qual os pais têm um alto nível de autoridade sobre os filhos. É preciso políticas públicas para enfrentar o problema.

No debate sobre o consumo de álcool na adolescência, tem chamado a atenção de Ilana o comportamento das meninas. Enquanto na fase adulta as mulheres bebem menos do que os homens, na adolescência, atualmente, elas estão consumindo o mesmo número de doses.

— É impressionante como elas bebem loucamente! Vão ao consultório por outros problemas, como ansiedade, mas, quando a gente conversa, percebe a questão do álcool — conta Ilana.

A psicóloga diz que as meninas costumam não saber ao certo o quanto bebem, porque misturam vodca com suco ou refrigerante para o ficar doce.

De acordo com a psicóloga, o consumo é mais alto entre os adolescentes de maior poder aquisitivo e a frequência varia de duas a três vezes por semana. Antes da balada, eles costumam ainda fazer o “esquenta”:

— Os meninos pagam caro para entrar na balada. As meninas entram com convites gratuitos. E, lá há muitas garrafas de bebida a serem consumidas em conjunto.

Para os rapazes, o consumo de álcool representa risco de envolvimento em episódios violentos, como brigas e acidentes de trânsito. As meninas, segundo Ilana, ficam “menos seletivas” para escolher com quem “ficar” e fazer sexo.

— Elas dizem que ficam com quem não ficariam se não estivessem bêbadas — conta.

Ela reconhece que o problema do álcool na adolescência é difícil, até porque os pais costumam não admitir que ele existe. A maioria, porém, entra em pânico quando o adolescente aparece com um baseado.



Tá sabendo ? - Ameaça ao berçário


Quando se fala em ecossistemas ameaçados pela ação humana no Brasil, logo vêm à mente a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica, que sofrem desmatamento acelerado, e o Pantanal, ocupado de forma desordenada. Menos lembrados são os manguezais, embora eles tenham importância crucial para a manutenção da vida na costa brasileira. Os manguezais estão presentes em dezesseis estados que têm litoral — a única exceção é o Rio Grande do Sul. O Brasil abriga a terceira maior área de manguezais do planeta, mas estima-se que um quarto da região de mangue original já tenha sido destruído, em parte para a instalação de salinas e de fazendas marinhas para a criação de camarões.
 
 Se o novo Código Florestal, que deve ser votado na Câmara dos Deputados nos próximos dias, for aprovado com o texto que já passou pelo Senado, a situação dos manguezais poderá se deteriorar ainda mais. Pelo código atual, os mangues são áreas de preservação ambiental, ou seja, não podem ser ocupados nem desmatados. O texto do novo código prevê o uso de 10% a 35% dos manguezais — dependendo do estado — justamente para a instalação de salinas e para a criação de camarões.

Os manguezais são basicamente o ecossistema de transição entre o mar e o continente. Encontram-se apenas nas regiões mais quentes do globo, principalmente na faixa entre os dois trópicos.

Para se desenvolverem plenamente, necessitam de muita irradiação solar, chuvas fartas e grande amplitude de marés. Na costa dos estados do Amapá, Pará e Maranhão, os manguezais chegam a ter 40 quilômetros de largura e suas árvores alcançam mais de 40 metros de altura. O terreno lodoso característico desse bioma é formado por sedimentos de origem marinha e continental, restos de folhas, galhos e animais em decomposição. Isso torna o ambiente rico em material orgânica, o que atrai espécies de micro-organismos e animais que usam aquela região como fonte de alimento e refúgio contra predadores. 



Ao longo de toda a costa brasileira, as pessoas que moram próximo ao manguezal dependem de sua riqueza para a subsistência. É comum a coleta de crustáceos e moluscos que vivem enterrados na lama para o comércio. "Cerca de 70% das espécies de peixes, moluscos e crustáceos que são pescadas comercialmente no litoral brasileiro têm relação com os manguezais em alguma fase de sua vida", diz a bióloga Yara Schaeffer Novelli, orientadora do programa de pós-graduação em oceanografia da Universidade de São Paulo. Os manguezais também servem de refúgio para aves migratórias. Os mangues do Maranhão e Pernambuco, e também os da região de Cubatão, no litoral paulista, recebem batuíras e maçaricos, aves típicas do norte do Canadá e Estados Unidos, que se recuperam ali após a longa viagem.
 A caminhada do caranguejo A espécie-símbolo dos manguezais passa pelas três faixas do ecossistema ao longo da vida - veja o infográfico

A flora dos manguezais não apresenta grande variedade. Existem basicamente seis espécies de planta nesse ecossistema no litoral brasileiro. Suas raízes expostas servem como fi ltro dos sedimentos que correm misturados à água e também como fator atenuante de tempestades em áreas costeiras. Em Cubatão, as folhas e os troncos das árvores de mangue às vezes se cobrem de uma película oleosa, composta de resíduos da queima e refi no de petróleo na região. Sem esse filtro natural, a poluição na área poderia ser ainda mais intensa, afetando diretamente as praias da Baixada Santista.



Hoje, no Brasil, a faixa de manguezal mais ameaçada é a área conhecida como apicum, palavra de origem tupi que signifca "brejo de água salgada". Os apicuns ocorrem geralmente nas regiões onde as marés têm difi culdade em avançar na costa por encontrar terras elevadas. A água que chega a essas terras se evapora rapidamente e o chão acumula tanto sal que nele sobrevive apenas a vegetação rasteira. A aparência desolada dos apicuns é enganosa. Seu solo abriga boa parte da reserva de nutrients do manguezal. Ele também serve de abrigo para os caranguejos na fase final de seu desenvolvimento. É nos apicuns que se instalam as criações de camarão, principalmente no Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí. Escavam-se enormes tanques que acabam por mudar permanentemente as características da região. Diz a bióloga Flávia Mochel, do Departamento de Oceanografi a e Limnologia da Universidade Federal do Maranhão: "Para aumentarem a produtividade, os carcinicultores enchem os criadouros de pesticidas e antibióticos. Na época da coleta dos camarões, esse material é escoado sem fi ltragem para o manguezal. Os tanques têm vida útil de, no máximo, dez anos. Depois desse período, os criadores os abandonam e escavam novos tanques, destruindo outra área de manguezal".



A deterioração dos manguezais brasileiros nas últimas décadas é também resultado da ausência de projetos, em escala nacional, que visem à sua preservação e ao uso sustentável. Durante muito tempo,os únicos trabalhos produzidos sobre o tema eram de cunho científi co, com circulação limitada às universidades e com foco em regiões restritas. O primeiro mapeamento nacional dos manguezais foifeito apenas em 2008, pelo Ibama. Um projeto lançado há três anos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), batizado de Manguezais do Brasil, recebeu fi nanciamentodo Pnud, órgão das Nações Unidas que lida com questões ambientais. Foram escolhidas cinco regiões na costa brasileira, nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Paraíba, São Paulo e Paraná, onde serãofeitas experiências de gestão e preservação dos recursos. O mapeamento do ecossistema também será atualizado, em parceria com o Ibama e o Inpe. Espera-se que a iniciativa ajude a preservar os berçários da vida do litoral brasileiro.

Revista Veja  

terça-feira, 10 de abril de 2012

Se liga na canção - Meu bem querer - Djavan




Meu bem querer 
É segredo, é sagrado 
Está sacramentado 
Em meu coração 
Meu bem querer 
Tem um quê de pecado 
Acariciado pela emoção 
Meu bem querer 
Meu encanto, estou sofrendo tanto 
Amor, e o que é o sofrer 
Para mim que estou 
Jurado pra morrer de amor 

Djavan 



sábado, 7 de abril de 2012

Você já está sabendo - A polêmica da carne vermelha



Alimento de reconhecido valor nutritivo, a carne vermelha é fonte de proteína, ferro e vitaminas. Mas o aumento significativo do consumo, associado ao crescimento da renda, desperta a preocupação de especialistas e torna a carne vermelha a vilã da vez. Um estudo recente da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos EUA, mostrou que a ingestão diária do alimento aumenta estatísticamente o risco de morte prematura por câncer e doenças cardiovasculares. Esta não é a primeira vez que a carne vermelha entra na berlinda: pesquisas anteriores já relacionaram seu consumo excessivo à maior incidência de diabetes tipo 2, certos cânceres de mama e artrite reumatoide. 

 A pesquisa de Harvard, que acompanhou 120 mil americanos por mais de 20 anos, revelou que o consumo de uma porção diária de carne processada - salsicha ou bacon, por exemplo - eleva em 20% o risco de morte, enquanto a carne não processada, como um bife, aumenta as chances em 13%. Na direção oposta, o mesmo estudo sugere que a substituição por proteínas mais saudáveis, como grãos integrais, peixes e frangos, pode aumentar consideravelmente a qualidade de vida. 

 - O problema atual, na população em geral, é que estamos comendo carne demais. Um consumo moderado, num padrão de alimentação equilibrado, à base de vegetais, é bom - destaca uma das autoras da pesquisa, An Pan, em entrevista ao GLOBO. 

 Alto teor de colesterol e gordura saturada, os vilões 

 O Guia Alimentar da População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda a ingestão de uma porção de carne branca ou vermelha ao dia, o equivalente a cerca de 100g diários. A nutricionista Bia Rique estima que, para um adulto comum, o consumo de carne vermelha uma ou duas vezes por semana seja suficiente. No estudo de Harvard, a substituição de carne de vaca, porco, ovelha ou cabrito, por exemplo, por uma porção de outra fonte de proteína (peixe, frango ou vegetais) foi associada a um menor risco de morte. 

 O maior risco de desenvolver doenças crônicas devido ao consumo de carne vermelha estaria associado ao alto teor de colesterol e à gordura saturada de alguns tipos de corte - o que poderia aumentar a ocorrência de males cardiovasculares e diabetes -, às substâncias usadas para conservá-la e ao processo de preparação culinária. Ao serem grelhadas, fritas ou assadas, as carnes podem gerar substâncias potencialmente cancerígenas, as aminas heterocíclicas. 

 Se para o coração o maior risco é a gordura, no caso do câncer o perigo estaria nas substâncias químicas empregadas em carnes processadas, como linguiças, salsichas, salames e presuntos. 

A forma de preparo merece atenção, independentemente do tipo de proteína animal escolhida. O contato da carne com a grelha é o que forma as aminas heterocíclicas, resíduos escuros que se fixam no fundo da frigideira. 

 Uma forma de evitar isso é marinar o alimento, deixando-o de molho no limão, ou cozinhá-lo, indica a nutricionista Aline Carvalho, especialista em carnes da Faculdade de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo (USP). 

Obesidade está associada a diabetes do tipo 2 

Para comer um bife sem peso na consciência, uma ideia é optar por um corte de carne mais seco, sem gordura aparente. Quando a decisão for substituir a carne vermelha por frango, é importante lembrar que o peito tem menos gordura que a parte da coxa, e que nenhuma porção deve conter peles. Se a escolha for peixe, é bom evitar as postas fritas. 

 Numerosos estudos mostram que o tipo de câncer mais associado ao exagero no consumo de carne vermelha é o colorretal, que afeta o intestino e também está relacionado a uma dieta pobre em fibras. Os pesquisadores ainda não sabem a que se deve o aumento da incidência de diabetes do tipo 2 entre os que exageram no consumo do alimento, mas a doença está relacionada à obesidade, e estudos mostram a relação entre o sobrepeso e a ingestão excessiva de carne. 

 Um extenso trabalho publicado também por Harvard, em agosto de 2011, indicou que comer carne vermelha processada todos os dias aumenta em até 51% o risco de sofrer da doença. Carnes não processadas elevam o risco em 19%. 

 - Esse resultado também pode estar ligado aos hábitos de vida da pessoa - avalia o endocrinologista Ricardo Meirelles. 

 - Quem tem uma dieta saudável costuma se exercitar mais. Já a falta de atividade física causa o aumento de gordura corporal, inclusive a abdominal, associada à resistência à insulina, primeiro passo para o surgimento do diabetes. 

Em 2004, um grupo de pesquisadores britânicos apontou um risco maior de desenvolver artrite reumatoide entre pessoas que tinham uma dieta pobre em frutas e rica em carnes vermelhas. Já em 2006, mulheres americanas na pré-menopausa se revelaram mais propensas a sofrer de alguns tipos de câncer de mama. Os componentes de algumas carnes vermelhas aumentam os níveis de hormônios nestas pacientes, avaliaram os pesquisadores, o que pode favorecer o surgimento de certos tumores. 

Apesar dos resultados, os especialistas são unânimes em afirmar que o problema é o exagero. Uma dieta balanceada, que contenha vegetais, leguminosas, frutas, carnes brancas e - por que não? - vermelhas, é apontada como fonte de longevidade. 

 - Uma alimentação bem equilibrada e a prática de atividade física regular previnem a obesidade, um dos maiores perigos para a saúde mundial - frisa Aline.

Jornal O Globo

Crônica do Dia - O jumentinho de Nosso Senhor - Dia 01/04/12 -



Hoje é Domingo de Ramos e me lembrei de estampas dos livros de minha infância, mostrando Jesus entrando em Jerusalém, cercado por folhas de palmeiras agitadas pelo povo e montado num jeguinho. Nos presépios era também frequente a figura de um jeguinho ao canto, assim como nas cenas que mostravam a fuga da Sagrada Família para o Egito. Animal tido pelos mais velhos, no Nordeste, como abençoado, não só ajudou e transportou o Senhor e a Sagrada Família, como recebeu a graça de portar na cernelha uma cruz de pelagem mais escura, que testemunha o afeto que lhe tinha o Cristo. Não há jeguinho sem essa cruz nas costas - e essa cruz também simboliza o trabalho duro que lhe cabe em seus mais ou menos 50 anos de existência, trabalho que faz sem se rebelar, sem ficar doente, sem exigir trato, nem mesmo alimento, pois come qualquer capim ou mato e até mesmo caixas de papelão, se não achar mais nada. 

 Na cidade grande, creio que pouca gente sabe o que é um jegue. Sabe-se que é parecido com um cavalo e pode ser denominado indiferentemente de jumento, asno, burro, jerico e outros nomes, todos para nós insultuosos, seguindo a prática humana, que talvez revele muito de nossa natureza, de considerar xingamento ser chamado pelos nomes de animais amigos ou úteis, como cachorro, vaca ou galinha, e achar elogio receber apelidos de feras ou predadores, como tigre, águia ou raposa. Na verdade, a designação "burro" devia ser reservada ao híbrido macho resultante do acasalamento entre um jumento e uma égua, que não são da mesma espécie. Quando nasce uma fêmea, o nome que lhe é dado é "mula". Mas parece que isso vem caindo em desuso, de maneira que, para muita gente, jegue e burro são a mesma coisa. 

 E o jegue continua a levar fama de pouco inteligente e de temperamento abrutalhado. Maior injustiça não pode haver, é exatamente o contrário. Os jeguinhos desde cedo aprendem seu trabalho, seja levando carga para cima e para baixo, seja até mesmo servindo de "motor" para moagem de dendê, andando em círculos, atado a uma roda de moinho, o dia inteiro. No tempo em que água encanada era difícil em Itaparica, a distribuição da água potável era feita em barricas transportadas em lombo de jegue. Os jeguinhos, que sabiam o caminho de casa e os da freguesia, sustentaram incontáveis famílias de aguadeiros sem dar um tostão de despesa, e tem gente que hoje é doutor de anel no dedo graças ao trabalho deles. 

 Quanto ao temperamento, costuma ser dócil e amistoso. Conhece o dono e a família do dono e não repele os estranhos em quem não sente ameaça. Pelo contrário, gosta de carinho e é muito agradável, para o tato e os sentimentos, afagar a pelagem aveludada do pescoço de um jumentinho, enquanto se nota que ele recebe o agrado com prazer e apenas não sabe falar. Assim como corta o coração ver, como eu já vi muito na infância, um jeguinho de cabeça baixa, às vezes meio derreado embaixo de uma árvore, a boca entreaberta, volta e meia deixando escorrer uma babazinha. É dor de dente. Deram rapadura a ele, que ele adora como todo mundo, e aí apareceram cáries. Não tinha jeito, não havia como ajudar, mas o jegue, coitadinho, de fato só faltava mostrar à gente o dente que doía. 

 Não existe perfeição e ele pode ter seus defeitos. De vez em quando, a troco de nada, um jegue perfeitamente ordeiro e cumpridor de seus deveres resolve empacar e a única maneira de fazê-lo ir adiante é levantá-lo com uma retroescavadeira. Ou a maldade de fazer fogo debaixo dele. Não gosta, no que, aliás, não lhe tiro a razão, de passar por pontes, principalmente dessas mais precárias ou altas. Embora raramente, não está acima de dar um coice ou mordida, mas costuma ser em legítima defesa, ou durante uma disputa amorosa. 

 Apesar de sua inestimável folha de serviços, o jegue não tem o respeito e a estima das novas gerações, pois que, além de tudo, é tecnologia antiga. Ninguém quer mais saber de jegues e agora, naturalmente, todo mundo anda de moto. Os barulhinhos do campo e do mato não virão mais dos passarinhos, do vento nas copas da árvores, dos estalidos dos galhos secos, do farfalho das folhas levantadas pela corrida de um bicho espaventado. Serão barulhos do progresso, escapamento de motos, aceleradas destemidas, curvas audazes. E o cheiro não será o de um curral leiteiro ou da terra molhada pela chuva, será de gasolina, assim como o nevoeiro não se formará entre as nuvens e o horizonte, mas se evolará de canos de descarga fumacentos.  

Não há o que fazer, é o progresso. Tudo conspira contra o jumento, nada a seu favor. Até o fato de trabalhar de graça e praticamente não ter custos o prejudica, essas coisas de graça não são boas para a economia. As motos dão escoamento à produção um importante complexo industrial, geram consumo em muitas outras áreas, criam empregos e assim por diante. Nenhum maluco vai comparar um jegue a uma moto, embora eu espere que ninguém venha a pretender modernizar a Bíblia para jovens leitores, fazendo Jesus entrar de moto em Jerusalém, neste caso acho que deve predominar a tradição. 

 Mas o jegue continua a ajudar. O Brasil está fechando contrato para exportar para a China, num programa chamado Projegue, 300 mil jegues por ano, para serem abatidos, comidos e usados por indústrias de cosméticos. O jeguinho mais uma vez presta serviço, desta feita com a vida. E não mais para sustentar gente, mas para enricá-la. Para mim, comer jumento é uma espécie de canibalismo. Sei que isso pode soar como exagero piegas e talvez seja mesmo. Mas é que é Domingos de Ramos e lembrei os jeguinhos de minha infância, principalmente o jumentinho de Nosso Senhor.

João Ubaldo Ribeiro
Folha de São Paulo

Te Contei, não ? - Por que comemos ovos na Páscoa ?



No mundo todo, é difícil encontrar quem não se renda ao sabor de uma barra de chocolate. E quando a Páscoa vem chegando, pronto! É época de passear por supermercados com tetos abarrotados de embrulhos coloridos, de encomendar doces caseiros ou uma versão mais bacana, com cara de presente de aniversário. Mas por que será que comemos ovos de chocolate na Páscoa? 

 "O costume de presentear com ovos vem desde a antiguidade”, afirma Karen Bressan, professora do Centro Universitário SENAC, Campus Águas de São Pedro. Segundo ela, fazia parte dos festejos europeus de fim do inverno, estação que dificultava a produção de alimentos. “Na cultura chinesa, o costume de dar ovos de galinha cozidos e decorados, nas festas de primavera, também simboliza a valorização da vida, o renascimento e a ressurreição”, diz. Isso porque, de acordo com a especialista, esse ingrediente representa a renovação periódica da natureza. 

Acontece que, na Quaresma, o consumo de carne é proibido, e ovo, durante um período, também foi. “Uma teoria que podemos adotar pela escolha do chocolate para substituir os ovos de galinha é o fato de o produto ser considerado um alimento dos deuses, com grande valor entre os povos desde a sua descoberta”, afirma Karen. 

 A festa de Páscoa foi oficializada no ano 325 d.C. e tem vários símbolos. “Todos em homenagem à ressurreição de Cristo, à vida”, explica Karen. O coelho reina na cesta de Páscoa brasileira e na imaginação da garotada. Entre os significados, está a reprodução e a fertilidade associada a ele. Mas outros animais também fazem parte das tradições de outros países. Sempre feitos de chocolate.

Folha de São Paulo 

Editorial - O riso é o melhor remédio



Hospitais são lugares de tristeza e apreensão. Por maiores que sejam a dedicação e a amabilidade de seus profissionais, os momentos ali passados serão doídos, ásperos, carregados de tensão — independentemente do que será feito. Alguém que marcou uma cirurgia simples, que dispensa anestesia geral, poderá ficar tão desconfortável quanto um paciente submetido a um longo e doloroso tratamento. Não se pode esperar dos parentes e amigos o alívio tão desejado, pois eles provavelmente também estarão atados a esse correntão de preocupações.

OS DOUTORES DA ALEGRIA rompem esse elo de dor. Há 22 anos, o ator Wellington Nogueira sentia na pele o poder da gargalhada. É dele a 41ª medalha Orgulho do Rio, de O DIA, que destaca iniciativas em benefício da cidade e dos cariocas. Ele acabara de conhecer nos EUA grupo de palhaços que ajudava nos hospitais. Fez o mesmo com o pai, que agonizava, e estendeu a brincadeira a outros pacientes. O pai acordou do coma e, hoje, Wellington conseguiu comprovar que a terapia do riso obteve melhora de até 60% nos pacientes.

O GRUPO CRIADO por Wellington cresceu, ganhou o País e se profissionalizou. O início improvisado deu lugar a uma rede que tem apoio de psicólogos e remunera os palhaços. Exatamente pelo afinco, os doutores não estão muito longe de atender o milionésimo paciente. A grande maioria é de crianças, gente que não se conforma em deixar de brincar, ainda que o revés seja grande e a espera no hospital, entediante. O riso, como sabem muito bem, tem o dom de curar, e o sentimento que ele traz é mais ou menos o mesmo que o orgulho desperta: bem-estar e satisfação.

Editorial do Jornal O Dia de 01/04/12

Falou e Disse - Direito de todos




Ensino de má qualidade, falta de professores, classes lotadas e taxa de evasão altíssima. Infelizmente, esse ainda é o cenário da Educação brasileira. Segundo os últimos dados divulgados pelo movimento Todos pela Educação, com base no Censo de 2010, 3,8 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola. Soma-se a isso a onda de violência, que há tempos deixou de ser exclusividade dos grandes centros e tomou outras regiões, pintando um quadro alarmante de crimes e agressões, muitos deles até mesmo dentro das escolas.

Cabe ao estado e à sociedade civil repensar juntos o país que queremos legar às próximas gerações. A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma explicitamente que a educação deve “visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais, devendo favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos”.

Por isso tudo, é deplorável constatar que, em um país que precisa investir maciçamente em qualificação, tantas crianças ainda sejam obrigadas a trocar a escola por subempregos ou pelas ruas porque o direito de aprender foi negado. Vivemos uma época em que, de um lado, se define a ‘sociedade do conhecimento’, exigindo, cada vez mais, um domínio acelerado das formas de sistematizar e utilizar a informação. De outro, o monopólio desse conhecimento, da ciência, da técnica e sua incorporação ao processo produtivo intensificam a exclusão.

Nosso desafio é vencer essa dicotomia, convertendo-nos em um país com condições de assegurar aos nossos cidadãos os conhecimentos, as competências e as qualificações que necessitam para o mercado de trabalho. Unindo esforços e focando em objetivos comuns, é possível mudar esses números e dar cores mais alegres e vivas para uma questão que não pode mais esperar.

Jonas Lopes de Carvalho Neto é advogado e Conselheiro da OAB-RJ