terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Crônica do Dia - Bagunça Tóxica

 Cláudio de Moura Castro

Veja - 06/01/2014
 


Ao serem divulgados os resultados das primeiras provas do Enem, um grande grupo educacional encomendou uma pesquisa com os alunos das dez melhores escolas do Brasil. Pois não é que eram todas bem parecidas? Chamava atenção o fato de serem muito rígidas na disciplina. Ou seja, nada de bagunça. E entre as instituições públicas, com sua disciplina severa, os colégios militares têm ótimo desempenho.
Viajando por outras terras, consideremos a França, a Alemanha e a Inglaterra. De lá vieram as mais abundantes colheitas de artistas, filósofos, cientistas, empresários e estadistas. Historicamente, suas escolas sempre foram extraordinariamente rígidas, chegando até a umas varadinhas aqui e umas reguadas acolá.
Em maio de 1968, os universitários parisienses se rebelaram contra o atraso da universidade, promovendo um evento de espantosa visibilidade mundial. Barricadas na rua, paralelepípedos voando pelos ares, choques retumbantes com a polícia! Ecoava o slogan mais poderoso: "É proibido proibir".
As consequências do Maio de 68 varreram o mundo e remoldaram a alma da escola. Muitos manifestantes viraram professores, sentindo-se pouco confortáveis com sua autoridade. A epidemia do "proibido proibir" contaminou a América Latina.
Em um dos seus primeiros discursos, depois de presidente, Sarkozy chama atenção para a lastimável erosão da autoridade do professor, com suas raízes em 68. 0 filósofo Luc Ferry, em entrevistas, também rememora a queda na disciplina escolar, resultante de professores inapetentes por manter a ordem na sala de aula. Antes de tudo, porque erodiram as regras de disciplina, claras e compartilhadas. Mas, segundo ele, o pêndulo volta, com Cláudio de moura as escolas francesas recobrando sua capacidade castro é economista de controlar a baderna.
Não é preciso muito esforço para verificar a onipresença de problemas de indisciplina nas nossas escolas. Nem falamos de alunos agredindo professores. Há uma incapacidade generalizada dos professores em impedir a bagunça nas aulas, sobretudo nas escolas públicas.
No caso brasileiro, a alma penada de Maio de 68 parece muito presente, embora possa haver outros fatores contribuindo para as dificuldades de manter a disciplina. Aula chata? Quem sabe, a disseminação de uma caricatura da psicanálise, com seus pavores de que uma disciplina rígida vá frustrar ou traumatizar os alunos? Ou uma esquerda que confunde autoridade com autoritarismo? Ou um DNA tropical e insubmisso?
Mas que consequências teria essa incapacidade da escola para manter a ordem? O professor James Ito-Adler fez para o Positivo uma pesquisa etnográfica — entrevistando uma amostra de alunos. Nela surge uma descoberta surpreendente. Quando perguntou aos alunos o que mais atrapalhava o seu aprendizado, a resposta foi enfática: a bagunça dos outros! São os próprios estudantes que clamam por uma disciplina careta. Não é lamento de professor saudosista. Ou seja, os próprios alunos admitem que conversas e turbulência na sala de aula atrapalham os estudos. Resultados espúrios? Não parece, pois pesquisas nos Estados Unidos e na França sugerem o mesmo. A bagunça é tóxica.
A ideia de que a escola não pode tolher a liberdade dos alunos é falsa. Embora possamos conduzir a discussão de forma mais sofisticada, vale a pena repetir o princípio de que a minha liberdade acaba onde começa a lesai- a liberdade de outrem. No caso, a liberdade dos colegas para estudar e aprender.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Personalidades - Otto Weidt

Filme exibido por TV alemã conta história de homem que salvou judeus do nazismo

  • ‘Herói cego’ se tornou espécie de um outro Schindler
Tony Paterson

“The blind hero”. Otto Weidt, atualmente comparado a Oskar Schindler
Foto: Museum Blindenwerkstatt Otto Weidt / Divulgação
“The blind hero”. Otto Weidt, atualmente comparado a Oskar Schindler Museum Blindenwerkstatt Otto Weidt / Divulgação

Charge


Personalidades - Maria Callas em dose dupla

 

  • Enquanto Marília Pêra dirige ‘Callas’, que estreia hoje com Silvia Pfeifer, a sua irmã Sandra Pêra assina ‘Orgulhosa demais, frágil demais’, ambas com texto de Fernando Duarte
Luiz Felipe Reis

Em 1977. Silvia Pfeifer em “Callas”, de Fernando Duarte, que se passa no dia anterior à morte da cantora lírica que revolucionou a ópera: temporada até 30 de março, no Teatro do Leblon
Foto: Terceiro / Divulgação
Em 1977. Silvia Pfeifer em “Callas”, de Fernando Duarte, que se passa no dia anterior à morte da cantora lírica que revolucionou a ópera: temporada até 30 de março, no Teatro do Leblon Terceiro / Divulgação

Artigo de Opinião - Inicio do futuro - Cristovam Buarque

 

Historiadores vão poder observar se o ano de 2014 foi de início de mudança ou de continuidade.

 

Crônica do Dia - O melhor dos mundos

Zuenir Ventura, O Globo
 
 
 
Engana-se quem acha que o Maranhão vai mal. Pelo jeito, o fato de ser o estado mais pobre da Federação, de estar sob o domínio de facções criminosas, de ostentar ações terroristas que queimam crianças e de ter um sistema carcerário em que detentos assassinam detentos (no ano passado foram 60 e este já foram três), não quer dizer nada.

Te Contei, não ? - Ilha da fantasia chamada Brasil

 

  • Mapa que estabeleceu as fronteiras da Colônia no século XVIII mostra regiões que seriam ricas em diamantes e áreas habitadas por guerreiras e criaturas bizarras
  •  
Renato Grandelle
 

Fronteiras da Colônia (em rosa) são determinadas pelo Lago
Foto: Divulgação
Fronteiras da Colônia (em rosa) são determinadas pelo Lago Divulgação

Artigo de Opinião - Ano novo e velhas mazelas - João Batista Damasceno

 

Política agroexportadora pressiona os povos indígenas, subtraindo-lhes a cultura e a terra

O Dia

sábado, 11 de janeiro de 2014

Tá na Hora do Poeta - Maturitate


 
 
Maturitate

 

Depois de 52 anos

É feito entrar num estado de calmaria

Revestido de um queria

E não queria.

É acordar agoniado,

Pois passa muito rápido,

Gestando poesia.

É ser clarividente

Ao constatar

Que de nada adianta planejar

O que a inexorável força do debochado destino

Vem e replaneja, recria,

Toda hora, toda noite, todo dia.

É sentir das entranhas

Jorrar a imponência da fé

Na qual antes nem tanto se cria.

 

 

 

Depois de 52 anos

É intuir que essa mesma crença

Hoje é suporte, alento, o norte,

Alivia.

É inutilmente

Tentar enlaçar,

Conter,

Dominar,

Prender

O sentimento.

É ver a lucidez da maturidade

Dada, no livro da vida, pelo número de páginas de idade.

É boiar desesperadamente

Pelo mar tenebroso da alma adentro

Segurando firme pessoas, sensações, momentos.

É de repente se pegar chorando

Feito menino inocente,

Sem estratagema,

Banho tomado,

Cheirando a alfazema,

Pois tudo se foi com a impassível força do vento

Que tudo destrói.

Mas é também sabiamente compreender

Que tudo, tudo com o mestre Tempo se corrói.

 

Depois dos 52 anos é ironicamente entender

Que de nada valeu

Viver,

Experimentar,

Sentir,

Agoniar

E maturar

Na hora da cria, dada pelos deuses, criar.

É de se ter muito jogo de cintura

A fim de se conviver

Com a hipocrisia das relações

Que a impaciência quase não atura.

É ainda não saber dissimular,

É não ter mais freio,

De uma genuína franqueza usar e abusar,

Até magoar

E não mais suster a intolerância

Na hora de jogar as cartas na mesa.

 

Depois  de 52 anos

É sim ainda perseguir a competência

E de vez em quando

Arder na cama com um pouquinho de indecência

Sem ser vândalo,

Sem chegar ao escândalo.

É já não mais entender a profissão

Como uma missão,

Mas ter a coragem de vê – la

Como uma sublime mensagem.

 

Depois de 52 anos,

Meu amigo,

Urgente é continuar escrevendo o livro da vida

Sem, nas atitudes, pequenez,

Sem, no sorriso pra vida,  mesquinhez,

Mas de desejos, sempre,  cheio de embriaguês

Para melhor chegar à página dos 53.

 

José Henrique da Silva

11 de janeiro de 2014.

Te Contei, não ? - Você não quer ser professor por quê?

O Brasil tem à frente o enorme desafio de melhorar seu Ensino público, mas, para isso, precisa resolver uma questão primordial: a valorização de seus mestres. Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), divulgados no final de 2013, mostraram que os países com melhor desempenho na Educação são aqueles que fazem a carreira Docente atrativa aos mais talentosos jovens que saem do Ensino médio. Não é o nosso caso. No Brasil, apesar de alguns avanços, os salários ainda são baixos em comparação com as demais ocupações universitárias, poucos jovens cogitam seguir a carreira Docente e, nos últimos anos, menos se formam em cursos de licenciatura.

Artigo de Opinião - Tudo certo com seu santo ?

 

  • Conseguir o amparo e a assistência de um bom santo não costuma ser difícil, mesmo se tratando dos mais solicitados e ocupados 
JOÃO UBALDO RIBEIRO

Crônica do Dia - Carisma

por Luis Fernando Veríssimo

Eu estava vendo o ditador norte-coreano Kim Jong-un na TV e pensei no Jango Goulart. Não que houvesse qualquer semelhança física ou política entre os dois, mas tanto Kim como Jango nos fazem especular sobre essa coisa misteriosa chamada carisma — que Jango não tinha e o pequeno e rechonchudo Kim tem muito menos.

Personalidades - Carlos e José Gramático

Apesar do sobrenome, irmãos cariocas são ouro em matemática

  • Carlos e José Gramático causaram reviravolta na árvore da família vencendo competições de cálculo
 
Ludmilla de Lima
 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Te Contei, não ? - Selo britânico lança Cds alterados ou fora do mercado brasileiro

Selo britânico lança CDs alterados ou fora do mercado brasileiro

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O original. Gravado por Baden Powell e Vinicius de Moraes em 1966, “Os afrosambas” traz foto feita pelo filho do poeta
Foto: Divulgação

Artigo de Opinião - Ética na escola e na vida

Autor: Gustavo Ioschpe                               

Crônica do Dia - Perdão, Jéssica

 

Você foi ao forró para festejar o novo emprego. Aí tudo parou. O carro te pegou pelas costas e o motorista está solto

RUTH DE AQUINO
           

Personalidades - Paulo José

 

O que mudou na minha vida depois do diagnóstico – e como luto todo dia para driblar as dificuldades e seguir trabalhando

PAULO JOSÉ, EM DEPOIMENTO A FLÁVIA YURI OSHIMA
           
MAESTRO DOS MOVIMENTOS Paulo José na varanda de sua casa, no Alto da Gávea. Ele se casou de novo depois do Parkinson e nunca parou de trabalhar (Foto: André Arruda/ÉPOCA)

Crônica do Dia - Como processar quem nao nos representa?

 

Deveríamos dispor de instrumentos legais para punir quem abusa do poder contra os eleitores

RUTH DE AQUINO