quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Te Contei, não ? - Palavras de origem árabe

Cacareco
 
É mais usado no plural, cacarecos, e significa coisa velha, de pouco valor.
A palavra cacareco foi formada de duas outras, ambas com o sentido de objeto sem valor: cacaréu e tareco.
Cacaréu veio de caco + aréu, terminação que significa aumento, coleção ( como em fogaréu, mundaréu, sinônimo de mundão, grande quantidade de alguma coisa ). Tareco veio do árabe tarayk  ( coisa de pouco valor ) e popularmente virou treco.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Vale a pena assistir - Passeio Literário por Recife


Vale a pena assistir - Manuel Bandeira



Vale a pena assistir - Tomás Antonio Gonzaga






Personalidades - Gregório de Matos

Quem foi 
Gregório de Matos e Guerra foi um importante poeta colonial brasileiro do século XVII. Nasceu em 7 de abril de 1633, na cidade de Salvador (Bahia). 
Vida e obras 
Era de uma família rica, formada por empreiteiros e altos funcionários administrativos. Estudou num colégio Jesuíta da Bahia e depois continuou seus estudos na cidade de Lisboa e depois na Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito. Neste país fez carreira de jurista.

Ao retornar ao Brasil, passa a viver de trabalhos na área jurídica, mas também começa sua dedicação à literatura. Passa a escrever sátiras sobre a sociedade da época. Em função de suas críticas duras aos integrantes da sociedade (políticos, religiosos, empresários) ganhou o apelido de “boca do inferno”. Também escreveu poemas de caráter erótico e amoroso.

As autoridades locais começaram a ficar descontentes com as críticas e passaram a perseguir Gregório de Matos. Preso em 1694, foi deportado para Angola (África).

Depois de um tempo, ganha a autorização para retornar ao Brasil. Porém, vai viver na cidade de Recife. Nesta cidade, faleceu em 26 de novembro de 1696 de febre que havia contraído em Angola.


Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.

Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.

Os círios lá vem aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia?... Simonia.
E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha

Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é
Simonia, inveja e unha.

E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.

O açúcar já acabou?... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,
Baixou, subiu, morreu.

A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.

Crônica do Dia - Manifestante ou criminoso ? - Marcos Espíndola

 

Quando deparamos com a volta do povo às ruas, todos nós, brasileiros, de alguma forma nos enchemos de esperança

O Dia

Te Contei,não ? - A imprensa capitalista pede a cabeça dos Black Blocs

 
A polícia está extraindo confissões. A imprensa burguesa cartelizada, a direita e até a mesmo o governo do PT condenam em uníssono os Black Blocs como "assassinos". O que está por trás da unanimidade?
 
 
 

Te Contei, não ? - A lei é o crime

Via Sergio Domingues

A Lei é o Crime

Lincoln Secco

“O criminoso não produz apenas crimes, mas ainda o Direito Penal (...). O criminoso produz ainda a organização da polícia e da Justiça penal, os agentes, juízes, carrascos, jurados (...). Somente a tortura possibilitou as mais engenhosas invenções mecânicas e ocupa uma multidão de honestos trabalhadores na produção desses instrumentos”. (Karl Marx, Teorias da Mais Valia).

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Crônica do Dia - Falta de educação

Paulo Sardinha
Publicado:



Entre os desafios atuais da gestão com pessoas está o de contribuir para o aumento da produtividade das organizações. Como produzir melhor é uma questão urgente, ainda mais quando pesquisas como a do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) apontam que somente com uma alta média de 3% ao ano na produtividade do trabalho será possível a economia brasileira crescer na casa de 4% ao ano. Para piorar esse cenário, há estudos que colocam o país entre os últimos na América Latina neste quesito.

Te Contei, não ? - O inferno na terra : os presídios da Ilha Grande

 
Em reportagem publicada na edição de 1/2/2014 de "O Globo", Renato Grandelle aborda a crise atual do sistema carcerário à luz da experiência da Ilha Grande, RJ. A entrevistada é a professora Myrian Sepúlveda dos Santos, autora do livro "Os porões da república" que faz um minucioso levantamento do problema e conta a história dos presídios que existiram na região desde o século XIX.

Crônica do Dia - Absurdo do absurdo - Arnaldo Bloch

Arnaldo Bloch
O colunista escreve aos sábados

 

O ilógico encontro entre a caçamba e a passarela poderia estar no teatro de Ionesco, a simbolizar que, no fazer humano, o pior tende, sempre, a acontecer

 

Tá na Hora do Poeta - Boca de forno - Manuel Bandeira

BOCA DE FORNO

Cara de cobra,
Cobra!
Olhos de louco,
Louca!

Testa insensata
Nariz Capeto
Cós do Capeta
Donzela rouca
Porta-estandarte
Jóia boneca
De maracatu!

Pelo teu retrato
Pela tua cinta
Pela tua carta
Ah tôtõ meu santo
Eh Abaluaê
Inhansã boneca
De maracatu!

No fundo do mar
Há tanto tesouro!
No fundo do céu
Há tanto suspiro!
No meu coração
Tanto desespero!

Ah tôtô meu pai
Quero me rasgar
Quero me perder!

Cara de cobra
Cobra!
Olhos de louco,
Louca!
Cussaruim boneca
de maracatu!
 
Manuel Bandeira

Te Contei, não ? - Palavras de origem árabe

 
 
 
 
 
Algodão -   Veio do árabe al-qutun, que também originou algodón, em espanhol. A palavra árabe se separou do artigo al, e qutun deu no italiano cotone, que foi parar no francês coton, no inglês cotton e no português cotão, aquela bolinha de poeira parecida com um algodãozinho nojento. A Língua Portuguesa tem palavras, referentes ao algodão, formadas ora com algo(d), ora com coton(i). Uma fábrica de tecidos de algodão pode ser chamada de algodoaria ou cotonifício.

Crônica do Dia - Irreversível ? - Toni Garrido

Os erros do passado foram deles, não nossos

O Dia

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Te Contei, não ? - Bill Gates e a camisinha de 1 milhão de dólares

 

O multibilionário e generoso criador da Microsoft adota uma nova meta para sua fundação: revolucionar a maneira como se fabricam e se usam preservativos

Raquel Beer
1 milhão de dólares: É quanto Gates e Melinda darão aos projetos que se mostrarem eficientes
1 milhão de dólares: É quanto Gates e Melinda darão aos projetos que se mostrarem eficientes (Oli Scarff/Getty Images) 
 
    

Crônica do Dia - A violência não é uma fantasia - Lya Luft

 

“Se não tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados. A segurança, como tantas coisas, parece ter fugido ao controle de instituições e autoridades” (Ilustração: Atômica Stúdio)
“Se não tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados. A segurança, como tantas coisas, parece ter fugido ao controle de instituições e autoridades” (Ilustração: Atômica Stúdio)

Entrevista - Manoel Carlos

“NOVELA É O PÃO DE CADA DIA”
 
O autor da próxima atração das 9 da Rede Globo nega a intenção de se aposentar – e conta que o mergulho no trabalho tem sido sua forma de atenuar a dor da perda de um filho

Crônica do Dia - Imagina nas Olimpíadas - Ruth de Aquino

"Eles tratam a gente igual a gado.” Vanessa Rocha, cozinheira, foi uma das 600 mil vítimas do inferno do transporte no Rio de Janeiro. Um trem descarrilou, bateu num poste de energia e interrompeu todo o sistema sobre trilhos. Durante 11 horas! Sem plano alternativo, sem orientação, a multidão que sai de casa com o dinheiro contado para a passagem de ida e volta se sentiu desrespeitada. O caos se instalou sob uma sensação térmica e emocional de 50 graus.

Crônica do Dia - O rolezão do verão - Ruth de Aquino

Que me perdoem a ministra sem-noção, os policiais truculentos, os sem-teto oportunistas, os lojistas apavorados, os esquerdistas e os fascistas, que tal baixar a bola e parar com a histeria? Antes que realmente se dê motivo para vandalismo?

Um rolezão estava programado para este domingo no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, mas foi proibido por uma juíza. Oito mil jovens tinham confirmado pelas redes sociais que iriam a esse centro comercial de luxo, num dos metros quadrados mais caros do Brasil.
Eles curtem grifes, zoação, funk e beijaços. E detestam política (não há como culpá-los, não é, Roseana e Renan, a dupla caipira RR?). Pardos e mestiços, como a maioria dos brasileiros, e não brancos ou negros, eles parecem clones do Neymar sem brincos de brilhante.

Detesto shopping e multidão. Abomino a ânsia do consumo. Prefiro as ruas, mesmo com pedrinhas portuguesas. Entendo quem goste de shopping, e são consumidores de todas as classes sociais – especialmente em tempos de liquidação. Não dou rolezinho em shopping. Não como em shopping. Quando vou a um cinema ou teatro em shopping, subo de elevador para não rolar pelos corredores de vitrines, escadas rolantes e praças de alimentação. Minha praça é outra, tem árvore, vento, flores e banquinhos, seja no Rio, Londres ou Paris. Mais na Europa, admito, porque as praças brasileiras são maltratadas pelos prefeitos e pela população.

 Evitar shoppings não me livra do rolezão do verão. As grandes cidades, especialmente as litorâneas, se tornam palco de um imenso rolezão – festivo ou agressivo – quando as temperaturas alcançam 40 graus e o Carnaval se aproxima. Quem viu as fotos do mar e da areia em Ipanema nos últimos fins de semana, quem testemunhou os arrastões... Quem caminha ou vai à praia no Rio na estação selvagem é personagem do rolezão. Está no calendário. Acontece antes de os blocos carnavalescos assaltarem (no bom sentido) as ruas e avenidas cariocas. Estamos todos misturados. Favelados, periféricos, suburbanos, playboys, peruas, gostosos, gostosas, atletas, atores, artistas, idosos, bebês.

Corre-corre dá medo? Dá, muito. Quando passo por um grupo grande e barulhento de pivetes, guardo meu iPhone. Preconceito ou realismo? Neste verão sem policiamento ostensivo (os policiais estão todos nas UPPs), o que tem de garoto roubando o celular direto do seu ouvido, no meio da conversa, seja você gringo ou local... Recordo um filme colombiano de 2000, La virgen de los sicarios (A virgem dos assassinos), baseado no romance homônimo de Fernando Vallejo. O filme, com roteiro do escritor, retrata sua cidade natal, Medellín, tomada por furtos e assaltos de adolescentes.

 Nos rolezinhos dos shoppings, está cheio de gente mal-educada? Está. Acontece em todo lugar e com todas as classes sociais. Dos riquinhos e fortinhos aos pobrinhos e magrinhos, dos héteros aos gays, dos ambulantes aos quiosqueiros, dos flanelinhas aos motoristas de ônibus e de possantes. Como o brasileiro, em geral, é mal-educado! Socorro. Confunde extroversão com barulho. Espaço público de convívio social significa “espaço onde só se conversa aos gritos” e onde gente fura fila sempre que pode.

Não me venham classificar rolezinho como fenômeno político ou social... Ou, pior, como alguma “novidade”, positiva ou negativa. Enxergo como mais um factoide de verão abaixo do Equador, igual a tantos outros. Como o toplessaço que não colou por preconceito. Quanta hipocrisia numa sociedade hipersexualizada de bunda de fora.

A bagunça mudou de cenário porque está quente do lado de fora e, nos shoppings, o ar-condicionado funciona. Eles vão lá se divertir, “catar mulher”, provocar, conseguir seus 15 minutos de fama, fugir de policial, beijar como nos blocos. Não deram a sorte de entrar na casa do BBB. Recusam-se a ser eliminados. Torcem para o circo pegar fogo e, assim, aparecer na televisão, na primeira página dos jornais e na capa das revistas.

Anônimos e invisíveis, ganham aura de black bloc, experimentam o poder de arregimentar multidões nas redes sociais. Causam furor, torcidas pró e contra. Nunca sonharam tão alto. Só mesmo num país em que a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, incita ao racismo, dizendo que os problemas com os rolezinhos são “derivados da reação de pessoas brancas”. Santa ignorância. A escola é do Lula. Ele disse em 2009 que a crise era causada por “gente branca de olhos azuis”.

Os jovens dos rolezões são ajudados pela burrice dos policiais, prefeitos e governadores, que os transformam em mitos e inflam seus egos. Bombas de gás? Multa de R$ 10 mil? Se os policiais fardados são incapazes de evitar furtos de um bando de moleques sem apelar para a brutalidade ou a ignorância, estão eliminados do BBB – deu para entender, brothers?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Crônica do Dia - As muitas caçambas levantadas - Fernando Molica

 

A lista de infrações só não é maior do que a tolerância com as repetidas violações às regras básicas do trânsito

O Dia
Rio - Longe de ser uma exceção, Luiz Fernando Costa, o condutor do caminhão que derrubou a passarela da Linha Amarela, é quase um exemplo do motorista carioca. Não o motorista que deveria servir de exemplo, mas o que representa nosso jeitão de circular pela cidade. Atire o primeiro celular quem nunca falou ao telefone enquanto estava ao volante ou que jamais fechou cruzamento ou avançou sinal ou parou na calçada.