quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Resenhando - A mais genial das ausências

A MAIS GENIAL DAS AUSÊNCIAS


Um historiador francês reconstitui a trajet6ria de uma intrigante obra perdida: a peça em que Shakespeare teria feito sua versão de uma narrativa de Cervantes

A primeira pane de Dom Quixote foi publicada em 1605. Dois anos depois, em uma festa popular no Peru colonial, já aparecia um cavaleiro caracterizado como o herói miserável e delirante criado pelo espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616). O livro e seu protagonista muito cedo alcançaram uma popularidade prodigiosa, que não se limitou aos falantes do castelhano. Em 1628, uma peça francesa colocava em cena Cardenío, protagonista de uma das várias historias que Cervantes teceu em seu livro, paralelamente às peripécias do Cavaleiro da Triste Figura. Na Inglaterra, o mesmo Cardenio já aparecera como título de uma peça teatral encenada pela Companhia King’s Men em duas ocasiões festivas na corte do rei Jaime I, entre 1612 e 1613. O texto dessa provável comédia perdeu-se, o que por si só não seria circunstância excepcional: um dos levantamentos mais otimistas sugere que apenas um terço das peças apresentadas nos palcos ingleses de 1565 a 1642 (quando os teatros foram fechados)  teve edição impressa. Cardenio, que estaria entre os dois terços que nunca ganharam as páginas de um livro, só tem relevância porque foi atribuída ao eminente autor titular dos King’s Men: William ShaIcespeare (1564-1616). A história do provável cruzamento dos dois gênios maiores das línguas espanhola e inglesa – que é também a história de uma ausência, de uma gigantesca lacuna literária – é reconstituída pelo estudioso francês Roger Chartier,professor do College de France, em Canlenio entre Cervallles  e Slulkespeare (tradução de Edmir Missio; Civilização Brasileira; 294 páginas; 39,90 reais).

O historiador francês faz um levantamento exaustivo
e minudente de todas as circunstâncias que cercam o texto perdido.Nas relações de peças apresentadas na corte em que aparece’Cardenio, não se informa o nome do autor. É só quarenta anos depois, em 1653, numa lista de livros registrados por um editor, que a peça é atribuída a Shakespeare e John Fletcher,dupla que também colaborou em Os Dois Nobres Parentes e Henrique VIIL O título permite concluir com segurança que o entrecho vem de Dom Quixole, cuja primeira tradução em inglês fora publicada em 1612. Cardenio é. um cavaleiro ensandecido por um amor frustrado que certo dia cruza com Dom Quixote, o fidalgo que enlouqueceu de tanto ler romances de cavalaria.A descabelada história de Cardenio e de sua amada Lucinda comporta elementos que Shakespeare privilegiou nas comédias: traição, casais trocados, donzelas travestidas  de homem. A história, aliás, foi
adaptada para o palco também na Espanha e na França com a diferença de que os textos dessas versões dramáticas sobreviveram  até nossos dias.   mistério de Cardenio complica-se com a entrada em cena, no século XVIII, do dramaturgo Lewis Theobald. Em 1727, ele apresenta um texto intitulado Double Falsehood (Dupla Falsidade). O enredo é basicamente o mesmo criado por Cervantes, embora o nome dos personagens tenha sido trocado – Cardenio toma-se Julio. Theobald dizia que a peça fora adaptada por ele a partir de manuscritos utilizados nos teatros de Londres lá pelos anos 1660 – e que o texto desses manuscritos seria originalmente de Shakespeare. Na edição que ele mesmo fez das obras completas do bardo, Theobald não incluiu nem Double Falsehood nem Cardenio. E ele nunca apresentou os tais manuscritos  reencontrados aos céticos que duvidavam da autoria shakespeariana. Fraude? Talvez. Roger Chartier tende a acreditar, no entanto, que Theobald se baseou de fato em um manuscrito reencontrado.  Mesmo que o texto anterior tenha existido, porém, não há como saber quanto desse original terá sido preservado na adaptação de Theobald. E nem há como afirmar que Shakespeare tenha sido um de seus autores.
No entanto, o nome “Shakespeare” sempre aparece no cartaz das várias montagens, releituras e readaptações que a peça de Theobald vem tendo no palco contemporâneo. De forma ainda mais controversa, em 2010, Double Falsehood foi incorporado à prestigiosa coleção de,obras de Shakespeare publicada pela editora Arden. Embora o prefácio do livro busque se mostrar cauteloso quanto à atribuição de autoria, na capa não constam os nomes de Theobald ou Fletcher – apenas o de William Shakespeare. Chartier mostra-se reticente com essa temeridade editorial, que mereceria ser denunciada em termos mais francos como um lance do mais baixo sensacionalismo comercial.
A atribuição tardia de Cardenio a Shakespeare pode ter sido um equívoco. O autor de Hamlet talvez nem sequer tenha tomado contato com Dom Quixote. Mas a peça perdida sempre alimentará especulações de acadêmicos e especialistas. Reconhecimento tácito de um gigante literário a seu par em um país rival, Cardenio é a obra dos sonhos de todo leitor.

REvista Veja

Entrevista - Maria Rita - " Cantar Elis é como cuidar da mãe com quem não convivi"

INSPIRAÇÃO A cantora Maria Rita, grávida de oito meses no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. “Tive de inventar um jeito de ser mãe” (Foto: Daryan Dornelles/ÉPOCA)

Maria Rita chega andando devagar ao Jardim Botânico, onde nosso encontro estava marcado. Segura a barriga redonda, de oito meses, visível mesmo sob o vestido largo, em tons de lilás. Fala do calor, de quase 40 graus, da tarde carioca. E pede para fazer as fotos logo. “Antes que a maquiagem derreta”, diz. Ri com os olhos apertados, como os da mãe, Elis Regina. Também é parecida a gargalhada gostosa, galhofeira. Ela fala do trabalho e de Elis com serenidade. Maria Rita, aos 35 anos, está lançando CD e DVD de Redescobrir, o show em homenagem à mãe, que morreu quando ela tinha 4 anos. O espetáculo foi visto por 300 mil pessoas no Brasil inteiro. “Identifiquei-me totalmente com ela”, diz Maria Rita. “Foi como se ela me pegasse pela mão.”
ÉPOCA – Qual o saldo profissional de passar quase um ano cantando Elis Regina em shows pelo Brasil?
Maria Rita – Como a turnê acabou de terminar, ainda não tive distanciamento suficiente para saber. Mas sei que não é um saldo devedor (risos). Não há nada no vermelho. No começo, estava insegura. Lembro uma primeira conversa com meu irmão (o músico João Marcello Bôscoli), o idealizador dessa homenagem aos 30 anos da morte de nossa mãe, quando disse: “E se depois eu nunca mais conseguir cantar outro repertório? E se eu virar para sempre a cantora que canta Elis?”. Hoje pode parecer meio exagerado, mas, então, eu via como um desafio capaz de acabar com minha carreira. Não por mim, mas pela expectativa, pela força da obra de minha mãe.
ÉPOCA – E como você venceu esse medo?
Maria Rita – Conversei muito com meu irmão e com muitos amigos. Alguns tratavam como uma missão que eu tinha de cumprir. Só relaxei para tocar em frente o projeto quando me convenci de que cantar Elis era uma forma de apresentar sua obra às novas gerações. E também de proporcionar uma redescoberta aos que já a conheciam. Eu me convenci de que fazer aquilo era importante para a cultura brasileira. Durante essa temporada, pensei também que as pessoas sempre cuidam de seus pais, vivos, quando eles chegam à terceira idade. Como ela morreu, e eu era muito pequena, cuidar da memória dela é uma forma de cuidar dessa mãe com quem não convivi. Embora acredite que ela, aos 67 anos, ainda teria hoje enorme vitalidade!
ÉPOCA – Por que o distanciamento tão radical do repertório de Elis, numa década de carreira?
Maria Rita – Quando decidi ser cantora, há dez anos – e até antes disso –, me impus esse distanciamento. Era um momento diferente. Recusar era necessário para estabelecer minha trajetória. Nesse meio-tempo, vivi sob dois tipos de pressão. Havia pessoas que me abordavam nas ruas, por e-mail ou pelas redes sociais, dizendo que era um absurdo eu não cantar Elis, nossa artista maior. Um estranho chegou a citar a Bíblia, afirmando que não devemos renegar nossos pais. E havia o oposto. Gente que nos comparava o tempo todo, me questionando se eu achava que poderia ser tão boa quanto ela. “Como ousa?” Não foi nada fácil.
ÉPOCA – Nos shows, os arranjos e sua forma de cantar eram praticamente idênticos aos de Elis. Era uma intenção declarada?
Maria Rita – Sim! Quem sou eu para dizer a Picasso para mudar uma linha de uma pintura? Há clássicos de Elis cujo registro está no inconsciente coletivo, como “O bêbado e a equilibrista” ou “Como nossos pais”. É um registro emocional. Não dá para cantar diferente, nem eu poderia tomar certas liberdades com essas canções, por respeito ao público. E, sendo um tributo, era aquilo que as pessoas esperavam. Que eu revivesse aquilo tudo da forma mais fiel possível.

ÉPOCA – Apesar de sua segurança de fazer o projeto, foi doloroso? Você chorou no palco várias vezes.
Maria Rita – Chorei, sim, contei histórias, elogiei, desabafei. Abri a porteira. Acho que as pessoas queriam isso, esse encontro, esse desabafo coletivo. Foi bom dissipar essa mentira que alguém comprou, de que eu rejeitava a história de minha mãe. Fui esperta em algumas coisas. Não botei no repertório, por exemplo, “Aos nossos filhos” (Perdoem a cara amarrada/Perdoem a falta de abraço/Perdoem a falta de espaço), uma música que não me controlo nem de ouvir, quanto mais de cantar.
ÉPOCA – Como escolher as canções do show numa obra tão vasta e de tanta qualidade?
Maria Rita – Alguns clássicos não poderiam não estar. De resto, foi mais ou menos como escolho meu repertório normal: ouvindo, vendo o que mais me emociona. Na primeira peneirada, foram 65. Terminamos com 29 músicas, um show enorme. Cantar o que ela cantou trouxe um ganho inimaginável para minha vida profissional, em termos de melodia, inteligência musical.
ÉPOCA – Alguma canção, em especial, chamou sua atenção?
Maria Rita – “Essa mulher”, da Joyce. Por falar tanto de nós, mulheres, de todas as nossas facetas. Ouvindo essa música, entendi minha mãe e me entendi. De certa forma, eu também redescobri Elis nesses shows. Sempre senti uma saudade estranha, porque ela morreu quando eu tinha apenas 4 anos, então, as memórias que tenho são de imagens de família e de registros públicos, entre elas grandes discos e entrevistas. Sempre me senti privilegiada por ter isso tudo de minha mãe por aí, mais que muita gente tem das mães que já se foram. Agora, percebo que me reaproximei dela como filha, mais que como intérprete. De tanto ouvir músicas que ela quis cantar, entendi um pouco mais do pensamento dela, das coisas que valorizava. O mais bonito foi que me identifiquei com ela. Foi como se ela me tomasse pela mão.

ÉPOCA – Você tem um filho de 8 anos e espera mais um para o próximo mês. A maioria das mulheres tem a própria mãe como referência. De onde você tirou as suas?
Maria Rita – Do meu instinto. Tive uma avó, mãe do meu pai, com quem convivi até os 12 anos, que eu amava. A perda dela doeu demais. Mas não foi uma referência materna. Quando eu tinha 5 anos, meu pai (o maestro Cesar Camargo Mariano) se casou de novo, e tive uma madrasta. Ela sempre foi dedicada, mas não era mãe. Era madrasta mesmo. Isso percebi quando minha irmã, filha deles, nasceu. Eu tinha 9 anos. Mas levava na boa, achei que era para ser assim mesmo – mãe de uma, madrasta da outra. Nunca me rebelei, achava bonito. Então, inventei um jeito de ser mãe, por total falta de referências. A perda da minha mãe aos 4 anos foi um drama em minha vida. Por isso, durante minha adolescência, pensava que jamais ia querer ter filhos. Hoje, adoro ser mãe.
ÉPOCA – Que tipo de mãe você é?
Maria Rita – Sou uma mãe amiga, mas rígida. Eu cobro. Quero criar filhos com valores, integridade. Que tenham sonhos e corram atrás deles. O que mais me dá prazer é vê-lo crescendo, interagindo com as pessoas, tendo amigos. Perceber as descobertas dele. Crio filho para o mundo.
ÉPOCA – Seu marido, Davi Moraes, toca em sua banda. É bom trabalhar junto?
Maria Rita – É um companheiro maravilhoso e músico excelente. Sem falar que é bem confortável ter o marido viajando junto, quando se está grávida.
ÉPOCA – Com a turnê terminada, quais são seus planos?
Maria Rita – Parir e descansar. Mas não consigo ficar parada muito tempo. Gosto de produzir, dirigir. E voltarei a cantar. Estou segura de ter tomado a decisão de cantar Elis num momento em que tinha atingido maturidade vocal, boa repercussão do público e da crítica, em que já tinha minhas próprias histórias para contar. Para mim, fez sentido. Espero que para o público também. De qualquer forma, não aceito e nunca aceitarei ser uma continuação de Elis Regina.
  

Revista Época

Resenhando - A periferia como ela é

VIDA DURA, GENTE BELA Conceição (Érika Januza), que trabalhou em carvoaria na infância, e seu par romântico, Cleiton (Fabrício Boliveira), que se envolve com o crime (Foto: AF Rodrigues/Rede Globo)


O diretor Luiz Fernando Carvalho diz que conviveu 25 anos com sua “mãe preta”. Ela se chamava Betânia e foi empregada da família durante esse tempo. Analfabeta, viera de Minas Gerais para o Rio de Janeiro ainda criança atrás de uma vida melhor − como tantos outros migrantes. Carvalho conta que, às vezes, a encontrava rindo e cantando uma ciranda na cozinha. Perguntava o que era e ouvia histórias da infância de Betânia. Outras vezes a encontrava chorando. Ela, que trabalhou desde muito cedo, tinha muitas histórias tristes. Carvalho anotou-as. Quando a TV Globo pediu um projeto para ir ao ar neste ano, ele viu que tinha um extenso material para trabalhar. Betânia morreu há três anos por complicações de uma cirurgia de varizes. Suas histórias ficaram como inspiração para Carvalho, seu “filho branco”, criar a série Suburbia, que estreou semana passada.
Escrita em parceria com Paulo Lins (autor do livro Cidade de Deus), Suburbia é a saga de Conceição (Érika Januza). Aos 12 anos, ela foge num trem de carga da carvoaria onde trabalhava, no interior de Minas, para o Rio de Janeiro. Não quer o destino dos pais, analfabetos e embrutecidos pelo trabalho, nem do irmão, morto numa explosão nos fornos de carvão. No bolso, leva uma foto do Pão de Açúcar e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, sua santa de devoção. Já longe de casa, Conceição verá que o Rio não é a “cidade de açúcar” que imaginava. Presa num abrigo para menores de rua, a menina precisa fugir. Depois, mais velha, sofre abuso sexual do namorado da patroa. Graças a uma amiga, a protagonista conhece Madureira, bairro da Zona Norte do Rio, onde se passa boa parte da história, ambientada nos anos 1990. Em Madureira, ela se apaixona por Cleiton (Fabrício Boliveira) e conhece Jéssica (Ana Pérola), uma dançarina de funk famosa, mulher de traficante e sua antagonista.

“Suburbia é uma desconstrução do trabalho que fiz até agora”, diz Carvalho. Aos 52 anos, ele é conhecido por séries como Hoje é dia de Maria (2005), A pedra do reino (2007) e Capitu (2008), exibidas pela Globo. Todas com cenários lúdicos e influenciadas pela linguagem do teatro. Desta vez, Carvalho quer uma representação mais naturalista da periferia carioca − ou do subúrbio como ele é. Sai o teatro e entra em cena a influência do documentário. Em Suburbia, a câmera na mão é operada pelo próprio diretor. Não foram usados cenários, apenas locações externas, em Minas e no Rio. A explicação para essa escolha: Carvalho se diz insatisfeito com a representação da periferia na indústria cultural. Para ele, o retrato é quase sempre superficial e irrealista. A Zona Norte que ele retrata, afirma, tem violência. Mas também tem lirismo, sensualidade e elegância.
Suburbia promoverá algo inédito na TV brasileira. A série usará não atores e atores desconhecidos − a grande maioria negros. A intenção de Carvalho era ter autenticidade nas cenas, buscando na experiência de vida dos não atores a coragem para superar a vergonha diante da câmera e do público. Para ele, esse trabalho não constrói personagens, mas deixa que eles surjam com naturalidade. Érika Januza, de 27 anos, que vive a protagonista Conceição, era auxiliar administrativa numa escola de Minas Gerais. Uma jovem romântica e delicada que tentava ser modelo sem conseguir nada. Como sua personagem na série, a moça de Minas Gerais tinha sido eleita a melhor dançarina num baile funk carioca, desbancando popozudas experientes. As coincidências entre Érika e Conceição pesaram na escolha. Ao entrar no Projac pela primeira vez, ela chorou, lembrando o dia em que, impedida por um segurança, não conseguiu tirar fotos na portaria. “Há cinco anos, quando vim ao Rio, tinha ido de ônibus ao Projac só para isso”, diz. “Nem queria tirar foto com atores, só da entrada!”

Outra descoberta foi Ana Pérola, carioca de 26 anos, que vive a rival de Conceição. Ana era gari e varria uma rua do centro do Rio quando foi abordada pela produção. De uniforme laranja, nem levou a sério quando o produtor pediu para tirar uma foto. Achou que não era sério e tratou de dispensar o homem. Na dúvida, disse que, se ele quisesse mesmo fotografá-la, fosse ao viaduto de Madureira, no Baile Charme, onde a veria como ela é “de verdade”. Queria ser fotografada como uma “charmeira”, de calça larga e blusa tomara que caia. Ao avistar o fotógrafo da produção da Globo no baile, Ana se assustou. Pensou se tratar mesmo de um maluco. Só relaxou quando percebeu que ele fotografava outras moças, sem interesse pessoal. Quando chegou o convite da Globo para os testes, ela diz ter sentido uma mistura de inibição, insegurança e ansiedade. Precisou fazer várias cenas de nudez e sexo, um desafio até mesmo para atores experientes. Passado o período de provas, hoje se diz decidida a viver como atriz. Não trabalha mais como gari. “Aprendi que, ao atuar, você sai um pouco de você e empresta seu corpo ao personagem, que é verdadeiro, existe”, afirma Ana. “É emocionante quando você supera a timidez e consegue fazer isso.” Se era essa é a autenticidade que o diretor de Suburbia buscava, encontrou.


Revista Época

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Tá na Hora do Poeta - A descoberta - Barbara Abade Mendes Duren

A Descoberta




Cabral lançou-se ao mar
Atravessando noites sem luar
Sem saber
Que o Brasil iria encontrar.

Quando eles chegaram
Os índios encontraram
Metais preciosos buscaram
E o pau - brasil exploraram.

Nas caravelas, os degredados
Fugindo da vida dura da nobreza
Outros em busca de riqueza

Em 21 de abril de 1500
Terra conquistada
Uma nova jornada.



Bárbara Abade Mendes Düren
Turma 701 / Ativo / 2012

Carta ao autor Pedro Bandeira

Macaé, 27 de setembro de 2012

Prezado Pedro Bandeira,


Após ler o livro "Robin Hood, a lenda da liberdade" pude compreender melhor a respeito do Humanismo inglês, principalmente pelo fato da grande diferença social. Observei também que Robin Hood, mesmo sendo uma lenda passa para nós uma mensagem importante, que não é muito utilizada hoje em dia, onde acontece a individualidade e a preocupação com os interesses particulares. O Humanismo retratado na sua obra me fez pensar na possibilidade de uma nova realidade, onde de fato possamos exercitar e realizar com mais frequência a atenção e a solidariedade ao outro.
Outro fato que queria citar se relaciona a ganância por dinheiro, através da exagerada cobrança de impostos que existe até hoje em dia, sua obra retrata a preocupação em acumular riquezas custe o que custar.
Ao pensar o Humanismo inglês, é possível perceber a necessidade de construir novos hábitos e valores visando a melhoria da relação entre os individuos. Para isso, entendo que o exercício permanente de aproximação com as necessidades humanas  devam ser melhor compreendidas. O movimento humanista descrito em sua obra representa um tipo de protesto em relação aos exageros praticados contra as populações mais pobres. Apesar do livro ser uma lenda, ele revela e aponta a importância de transformar o homem como medida de todas as coisas. Sendo atribuído a este homem valores quanto a sua evolução.
Outro ponto, que devo apontar seria a submissão da maioria da população ( pobres ) sobre os domínios monarcas. Os únicos que tinham realmente autoridade eram os monarcas e bispos, papas.
Assim a característica do movimento humanista é resistir contra o Estado absoluto inglês que não colocava o homem como seu principal objetivo de transformação e atenção. Mesmo que em nosso governo tenha mudado muito na parte de política e sistema de governo, o Humanismo continua sendo uma meta a ser alcançada. Principalmente em nosso país onde existem tantas diferenças e desigualdades fazendo da população mais pobre um grande lugar de dominação e submissão. Esperamos, ainda, que seja em nosso tempo alguém ou alguma coisa para nos libertar, quem sabe um novo Robin Hood?
Finalmente chego a conclusão que a humanidade espera sempre alguém ou alguma coisa que possa diminuir o seu sofrimento, esquecendo que bastaria se organizar para defender seus interesses e suas necessiades de forma coletiva. Acreditando na força da classe e na união de todos. O livro é uma das possibilidades de se pensar e se questionar essa realidade.

Abraços do leitor Gabriel Martins


Gabriel Martins Pires Figueiredo
Turma 702 / Ativo / 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Você sabia ? - Por que João Pessoa se chama João Pessoa ?

              

   
                                                                                                                                João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque foi um político paraibano, nasceu em 24 de janeiro de 1878 na cidade de Umbuzeiro (nome dado a partir de uma planta típica daquele território o umbuzeiro) na Paraíba, cidade também onde ele teve seus primeiros estudos.
  Filho de Maria de Lucena Pessoa que era irmã de um ex-presidente da república, Epitácio Pessoa e também filho de Cândido Clementino Cavalcanti de Albuquerque. Em 1889 foi morar com sua tia paterna chamada Feliciana Cavalcanti de Albuquerque Paes Barreto e seu tio que era capitão do exército na cidade de Guarabira (localizada a 98 km de João Pessoa, a capital do estado da Paraíba). E em 1894 com a transferência de seu tio para o Rio de Janeiro se mudou para a capital federal, depois de alguns meses se mudou novamente para a Bahia. Em 1894, volta para Paraíba e ingressa no vigésimo sétimo Batalhão da Infantaria. Em seguida muda-se para Recife onde se graduou como bacharel (é aquele que é formado na graduação) em direito na faculdade de Direito do recife.
  Casa-se com Maria Luiza de Souza Leão Gonçalves, que era filha de um ex-governador Sigismundo Antônio Gonçalves. Em 1905 foi eleito Ministro Civil do Superior Tribunal Militar que depois se aposentou para ser candidato a Presidente da Paraíba. Não quis dar seu apoio a Júlio Prestes, e mais tarde João Pessoa se juntou a Getúlio Vargas para as eleições de 1 de março de 1930.
  Nesse mesmo ano João Pessoa quando ainda era ministro da Paraíba é assassinado por João Duarte Dantas (era seu adversário a presidência do estado da Paraíba) no centro do Recife precisamente na Confeitaria Glória.
  No seu governo que durou de 1928 até 1930 fez uma reforma na estrutura político administrativo do estado, criou uma tributação do comércio realizado no estado entre o interior da Paraíba e o porto do Recife, essa medida dele favoreceu no saneamento financeiro do estado que até então o estado estava com dificuldades financeiras.
  O corpo dele foi transportado de linha férrea para a capital paraibana (João Pessoa) seu esquife foi exposto para as pessoas na Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves. Em 1997 as cinzas de João Pessoa e sua esposa foram colocadas em um mausoléu entre o palácio do Governo e a Faculdade de Direito da Universidade federal da Paraíba.
Nisso a capital do estado da Paraíba, João Pessoa foi denominado assim em memória a João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.

Contribuição dada pelo aluno  Lucas Rocha Neiva.
                 Turma  702 / Ativo 2012

sábado, 17 de novembro de 2012

Tá na Hora do Poeta - Tempo de soltar ....



Tempo de soltar...


Às vezes, me surpreendo
Com o crescer dos anos,
Com o crescer de tantos cabelos brancos.
Às vezes, me canso com a força do Tempo
Que tal qual rio manso
Segue seu curso
E, por vezes, modifica,
Tonifica meu discurso...

Constato,
De imediato,
Que já não mais há
Como se lembrar
Do doce cheio de infância,
Alegrias em abundância...
Nem do conturbado odor da adolescência,
Da juventude, do idealismo, da ardência.

É chegado o Tempo da maturidade,
Aceitabilidade das despedidas.
Tempo de breve – creio eu  - separação.

Mas por mais que haja Fé,
Razão,
Separar incide em cortar
E cortar dói.
Separar, sentimentos mói
Ligações longínquas, momentaneamente,  destrói.

Mas aprendi
Que o mesmo Tempo que vem e vai
Leva e traz
Como ninguém sabe
Conformar,
Confortar,
Ensinar...

José Henrique Silva

17 de novembro de 2012.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Artigo de Opinião - O preconceito racial - Heleieth I.B. Saffioti

O preconceito racial

Diz-se, à boca miúda, que no Brasil há democracia racial. Nada seria mais inverídico do que esta afirmação. Basta examinar as estatísticas para se verificar que os negros estão nas ocupações menos prestigiadas e mais mal remuneradas, que apresentam graus baixos de escolaridade, que não participam do poder político. Existem clubes que não aceitam servir negros, barrando-os na porta ou fazendo-os esperar indefinitivamente à mesa.
Alguns ditos populares expressam eloquentemente o preconceito de que é alvo o negro brasileiro: “Negro, quando não suja na entrada, suja na saída”;” A situação está negra”; “Ele é um negro de alma branca”
(...)
Para justificar as discriminações praticadas contra negros e pardos, evocam-se, frequentemente, fatos do gênero “ negro é sujo”, “negro é pouco inteligente”, negro é supersticioso”. Rigorosamente, deve-se inverter o raciocínio, pois tais características, ao invés de terem sua origem na raça, são conseqüências da desigualdade social entre os brancos, que dominam os negros, que sofrem a dominação.
Obviamente, se um grupo social tem menor número de oportunidades na vida, em função dos preconceitos que pesam sobre ele, encontram-se em seu interior maior número de miseráveis, grandes contingentes de analfabetos e de pessoas pouco escolarizadas, massas imensas de pessoas vivendo em condições de promiscuidade. Assim, se os negros forem, efetivamente, proporcionalmente mais sujos que os brancos, esse fenômeno deriva das condições sociais em que vivem. Tomar banho diariamente é fácil para aqueles que dispõem de água corrente em casa. Não encontram a mesma facilidade aqueles que residem em favelas, sem água encanada, sem energia elétrica. Assim, a higiene pessoal não é reflexo da raça, mas sim das condições sociais de existência.
Quando ao negro se oferecem boas condições de desenvolvimento, ele poderá revelar-se tão bom ou melhor que o branco.
Na sociedade brasileira não são apenas os negros e mulatos que sofrem discriminações. Estas existem contra índios, contra negros e mulatos, já que, somados, eles perfazem cerca de 45% da população nacional.


(Heleieth, I.B. Saffioti. O poder do macho. São Paulo. Moderna. 1987, p. 51-2)

Tá na Hora do Poeta - Meus oito e poucos anos

Meus oito e poucos anos


Oh! Que saudades eu tenho
Da época sem preocupãção
Em que não me estressava na escola
E passava o dia todo jogando bola.

Tudo era providenciado, quarto organizado,
sapato lavado
E eu inocente
Correndo em círculos e pulando igual a um "demente".

Que época boa! Era feliz e não sabia
Mesmo nos dias em que me ralava
Tinha minha mãe que me cuidava.

Sempre tinha o que fazer
Quebra cabeça, carrinho, tudo para me proporcionar lazer.
Não tinha que me preocupar com dever
E feliz queria viver.

Ai que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Daquele tempo bom
Que não vai voltar mais.

Hoje estou cheio de responsabilidades
E minha mãe não me entende,
Só faz gritar "Vai estudar, menino!"
Qual a graça de crescer, de não ser mais criança
Se ainda tenho que obedecer ?

Oh! Que saudades que tenho
Da época ensolarada da minha vida
Da minha infância amiga
Que os anos levaram rápido demais!

Pedro Chaves Folkerts
Turma 802 / Ativo / 2012

Tá na Hora do Poeta - Declaração de bens

Declaração de bens

meu deus
minha pátria
minha família

minha casa
meu clube
meu carro

minha mulher
minha escova de dentes
meus calos

minha vida
meu câncer
meus verme

José Paulo Paes

Prefiro não comentar !!!!

Depois de horas flertando com a garota em um bar, o camarada finalmente parte para o ataque:
- Eu estive observando-a ... você sabia que sua boca foi feita especialmente para mim?
- Não diga! Mas como você é romântico!
- Não! Eu sou dentista.

Donaldo Buchwitz

Te Contei, não ? - De volta a depois do ano 2000


No disco que marca sua volta ao Brasil após o exílio em Londres, em 1972, o artista visitou, com olhar pop, a sonoridade tradicional nordestina
Foto: Arquivo


Era 1972, a volta do exílio de Gilberto Gil em Londres. O artista marcava o retorno com “Expresso 2222”, um disco que era, de alguma forma, uma tematização do movimento da volta — “Back in Bahia”, canções que integravam a tradição nordestina, a Banda de Pífanos de Caruaru. Como em todo retorno, porém, o antigo era visto com olho novo. Processando tudo com a cabeça tropicalista encharcada da experiência europeia, Gil partia para depois do ano 2000. Agora, em 2012, o álbum tem seus 40 anos celebrados com uma reedição pela gravadora Universal, remasterizada em Abbey Road e com o projeto gráfico original do LP adaptado para o CD — um lançamento feito em homenagem também aos 70 anos do compositor.
Uma oportunidade de revisitar o álbum, fundamental para a música brasileira — como se pode perceber no “faixa a faixa” ao lado, com depoimentos de artistas que representam os muitos que tocam para frente esse legado hoje.
Sua importância passa pela originalidade das releituras de um cancioneiro com caráter regional (quatro das nove faixas não eram de Gil, mas de compositores como João do Vale e Gordurinha), pelo desenvolvimento das ideias tropicalistas, pela presença de clássicos como a canção-título e “Oriente”... Moreno Veloso chama a atenção, de forma categórica, para um aspecto específico:
— O disco mudou o modo como o Brasil passou a olhar para o violão. Depois de Caymmi e João Gilberto e antes de João Bosco e Roberto Mendes. Espontaneidade e virtuosismo, muito suingue e limpeza natural de quem não tem medo de acertar e ser feliz com seu dom de instrumentista e compositor. Samba de mais maneiras.
Capa dobrável saiu caro
Ali, o violão de Gil está a serviço de inéditas como “O sonho acabou”, além de brilhar em interpretações como a de “Chiclete com banana”. A seu lado, no estúdio, o músico teve Lanny Gordin (guitarra e baixo), Bruce Henry (baixo), Antônio Perna (piano) e Tutty Moreno (bateria e percussão). Gal Costa (na buliçosa “Sai do sereno”, de Onildo Almeida) e Banda de Pífanos de Caruaru (em “Pipoca moderna”, de Caetano Veloso e Sebastiano Biano) são os convidados. Juntos, sob o comando de Gil, a banda criou a sonoridade. Roberto Menescal, que assina a coordenação de produção do disco, conta que o baiano sabia exatamente o que queria.
— Não tive interferência em nada, apenas viabilizava o que Gil precisava — lembra Menescal, que teve que cortar um dobrado para tornar viável a capa do disco. — O artista responsável (Ednizio Ribeiro Primo) me mostrou o projeto, redondo, bacana. “Tá, agora só vamos ter que reduzir para caber no quadrado da capa padrão.” Ele: “Não, meu projeto é assim mesmo.” “Mas temos as caixas-padrão para armazenar os discos.” “Vocês podem fazer caixas maiores.” “Mas tem as nossas prateleiras, o espaço das lojas.” E ele respondendo que tudo podia ser mudado para caber o disco. Demorei a convencê-lo a fazer como saiu, dobrando para ficar quadrado. Mesmo assim, saiu caro. A cada disco vendido, perdíamos o equivalente a R$ 1. Mas era investimento.
“Expresso 2222” é relançado simultaneamente com “Cérebro eletrônico”, álbum de Gil de 1969, também remasterizado. Com direção musical de Rogério Duprat, o disco de “Aquele abraço” ganhará as lojas também em vinil.
Novos olhares sobre um clássico
‘Pipoca moderna’, por Siba
“Essa música gravamos no primeiro disco do Mestre Ambrósio. Era uma referência de uma forma de se apropriar de maneira muito respeitosa, mais que isso, de exaltação, desse outro mundo da música que a gente convencionou chamar de tradicional. A melodia genial dialoga com a Banda de Pífanos de Caruaru, que está entre o que há de mais virtuoso na música tradicional brasileira. Para nós, naquele momento, era um exemplo do que queríamos fazer.”
‘Back in Bahia’, por Mariana Aydar
“A canção traduz um sentimento do disco. A volta para casa, pra raiz, pro mar, pro sal da Bahia, pro Riachão, pro Nordeste, João do Vale, banda de pífanos. Gil é um dos artistas que mais valorizaram a sua terra. Voltou a cantar Luiz Gonzaga quando ninguém queria ouvir forró, e ainda não quer, e continua cantando, mas do seu jeito, suingado e antropofágico. Foi preciso ir para voltar, ver as coisas de lá e de cá, engolir, digerir e expelir o Brasil de Gil, nosso.”
‘O canto da ema’, por Lula Queiroga
“Tem um ponteado de violão sofisticado demais. Gil consegue trazer o universo sertanejo para esse lado. Ele sempre foi de fazer essa brincadeira, a velha história de antenas e raízes, que depois retornou com a parabólica na lama do mangue bit. Essa coisa de chamar de volta a música popular de raiz, cantando a fauna, uma música que diz que a ema, quando canta, vai dar merda. A crendice popular, tudo ali. Tem uma enorme riqueza, uma verdade. E isso tudo corre bem fluido num disco que se propunha a ser, desde o título, um expresso para o que vem adiante. Porque tem o frescor de um universo inequívoco, da crendice nordestina.”
‘Chiclete com banana’, por China
“A versão dele para o sucesso de Jackson do Pandeiro é incrível. É um retorno de Gil à história que está no início da Tropicália, de ver a banda de pífanos em Pernambuco e ficar louco com aquilo. Gil conta que dizia para Caetano: ‘Beatles, essas coisas, a gente já conhece, temos que olhar pro Brasil.’ Pegar essa música, com Jackson do Pandeiro tocando em temas cosmopolitas, é uma sacada genial, que tem muito a ver com o Brasil, com a Tropicália.”
‘Ele e eu’, por Moreno Veloso
“Fala de Gil, de meu pai e da praia do Porto da Barra, de suas diferentes visões do mundo e da existência que se reencontram perante a natureza bela, amigável e pacífica da pequena enseada soteropolitana. Chegando talvez a uma inversão total.”
‘Sai do sereno’, por Bem Gil
“A gravação que mais me impactou no disco, principalmente pelo arranjo: as guitarras do Lanny, o piano do Perna, o baixo do Bruce Henry, a bateria do Tutty Moreno. Ali eles conseguiram sintetizar o que queriam passar em termos musicais. É uma especie de ‘esquema novo’ do Gil, aquilo que Jorge Ben, uma referência central, havia feito. Há espontaneidade em todos. E a participação da Gal é uma chave de ouro. Gil fecha ali uma ideia que propõe com relação à musica dele desde o início. Se ‘Chiclete com banana’ finaliza o assunto na letra, resolve algumas brechas deixadas pela Tropicália, a gravação de ‘Sai do sereno’ soluciona as questões musicais.”
‘Expresso 2222’, por Edu Krieger
“O que marca é usar a estrutura do baião numa temática apontada para o futuro. Isso é pré-Alceu Valença, quando não era nada comum ligar o baião a essa poética, seus temas eram mais regionais. E tem a mão direita no violão. A introdução que remete à levada do triângulo, ao mesmo tempo traz muito da África. E executada com uma precisão enorme. Ali, Gil une cantor, compositor e instrumentista de forma impecável. Fundiu música negra, Nordeste, veio carregado de informações de Londres. Regionalismo e cosmopolitismo universal.”
‘O sonho acabou’, por Lucas Santtana
“‘O sonho acabou’ é um tapa na cara, um freio de arrumação, uma chamada na chincha. O recado para uma geração de que toda aquela utopia sessentista havia chegado ao fim. Mas ao mesmo tempo deixando claro que pesado mesmo foi o sono para quem não vivenciou essa experiência.”
‘Oriente’, por Marcia Castro
“‘Oriente’ surge dentro da perspectiva da volta do exílio, depois que Gil observou uma estrela cadente em Ibiza, dando origem aos versos iniciais: ‘Se oriente, rapaz/ Pela constelação do Cruzeiro do Sul.’ A letra revela reflexões muito pessoais de Gil, que, como um mestre, leva para a esfera macro, do coletivo, tudo o que surge no micro. É uma canção que surge da relação solitária dele com ele mesmo e nos faz pensar na nossa relação com nós mesmos e com a vida: ‘Vê se compreende/ Pela simples razão de que tudo depende/ De determinação’.”

Tá na Hora do Poeta - Toda briga exige uma desculpa

Toda briga exige uma desculpa

Oxum calma
como sempre,
mas Odé nervoso
pelo rio,
que fica entre sua floresta.

Odé odiava suas enchentes
e de raiva
não parava de roer os dentes,
queria que ela fosse embora
parasse com sua missão,
mas depois da briga que ele fez,
não se perdoa, não.


Oxum não queria se separar,
não queria deixar
os seus animais amigos
mas o sacrifício tinha
de ser feito.
Odé tinha que pensar
nos seus erros antigos
Mas depois dos animais
morrerem de sede
Odé parou para pensar
e depois de pedir
bastante
Oxum pode perdoar...

Justin Elias Rosa Mccarthy
Turma 801 / Ativo / 2012