sexta-feira, 29 de março de 2013

Conhecendo a Instituição em que você estuda ...



História do Ativo

Ambiente Transformador InterAtivo

 

Entrevista com Marcelo (atual diretor):

Enrico e Renan: Quais são os fundadores que estão hoje presentes no Ativo?
Marcelo: Os atuais são Marcelo Salvini, Maria do Rosário, Rosangela e José Henrique da Silva.

Enrico e Renan: Qual a data de fundação do Ativo?

Marcelo: 18/12/1999, mas começou a funcionar em 2000.
Enrico e Renan: Quais foram os principais acontecimentos na história do Ativo?

Marcelo: Em 2004 começou o curso de imersão em inglês, desde 200 até hoje o número de alunos subiu de 80 para 543, em 2011 fizemos a segunda quadra e cobriram a outra.
Enrico e Renan: Por que decidiram fundar uma escola?

Marcelo: Após o fechamento da escola onde trabalhávamos (em 1999 por decisão do empresário/proprietário), decidimos fundar uma escola, pois já tínhamos alunos e professores.
Enrico e Renan: Quais os principais eventos comemorados na escola?

Marcelo: O Carnaval, as Olimpíadas, a Festa do Folclore e o Festival de Cultura.
Enrico e Renan: Qual a história de onde atualmente se localiza o Ativo:

Marcelo: Bom, em 1981 era uma escola americana (onde hoje é o Ativo) que funcionou até 1990 aproximadamente. Logo depois começou uma escola brasileira chamada COOPEMAC que acabou em 1998 e em 1999 a casa passou por uma reforma. No ano de 2000 o Ativo começou a funcionar. Já em 2007 começamos a comprar o terreno ao lado (sítio do seu Virgílio) onde construíram as primeiras salas do Ensino Fundamental e no ano de 2011 fizeram o segundo andar.
Entrevista com Margarete (professora de vôlei):

Enrico e Renan: Quando começou a escolinha de vôlei?
Margarete: Em 10/03/2008

Enrico e Renan: Com quantos alunos começou e quantos têm atualmente?
Margarete: Começou com aproximadamente 12 e atualmente tem 70.

Entrevista com Val (bibliotecária):
Enrico e Renan: Como adquiriram os primeiros livros?

Val: Por meio de doações de alunos, professores e funcionários (o maior colaborador foi José Henrique um dos fundadores e atual professor de português).
Enrico e Renan: Quantos livros a biblioteca possui atualmente?

Val: Aproximadamente 500 livros.
Enrico e Renan: E quais foram os principais acontecimentos da biblioteca?

Val: Começamos apenas com livros em português, posteriormente vieram os paradidáticos em inglês. Atualmente está sendo montada a Videoteca com a intenção de auxiliar os professores em sala de aula.
Entrevista com Márcio (o cantineiro):

Enrico e Renan: Em que ano a cantina começou a funcionar?
Márcio: Junto com a escola em 2000.

Entrevista com Maria e (codiretora do bilíngue):
Enrico e Renan: Quando começaram a servir o almoço comercialmente no Ativo?

Maria: Em 2004
Entrevista com Tatiana (atual inspetora) e Vandréia (uma das fundadoras):

Enrico e Renan: Quais foram as primeiras inspetoras no Ativo?
Tatiana: Sinéia e Tivanir.

 

Pelos alnos Enrico Rodrigues Meirelles e Renan de Queda Caçula / Turma  801 / 2013


Você sabe ? - O que é LAICO?

 
 
O que é Laico?

Você já tá sabendo ? - Símbolos da Páscoa

Coelho da páscoa: simboliza a fertilidade e a esperança de vida nova.
coelho da páscoa
Ovos de Páscoa: assim como o coelho, o simbolismo dos ovos está relacionado com uma nova vida e com a fertilidade.
ovos de páscoa
Cordeiro: Moisés sacrificou um cordeiro em homenagem e agradecimento à Deus pela libertação dos hebreus da escravidão no Egito. Também simboliza, do ponto de vista cristão, Jesus Cristo, que foi crucificado para libertar os homens de seus pecados.
Sinos: são eles que anunciam, nas igrejas católicas, a ressureição de Cristo no domingo de Páscoa.
sinos de Páscoa
Círio Pascal: é uma vela acessa com as letras gregas "alfa" e "ômega" (início e fim). A luz da vela representa a ressureição de Cristo.
círio pascal
Colomba pascal: criado na Itália, é um pão doce em formato de pomba. A pomba simboliza a paz de Cristo e também a presença do Espírito Santo.
colomba pascal
Pão e vinho: simbolizam o corpo e o sangue de Cristo. Jesus repartiu o pão e o vinho com seus discípulos na Última Ceia (Santa Ceia).

pão e vinho
 
 
 
 
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Te Contei, não ? - Redação nota mil no ENEM terá que passar por banca de doutores

Especialistas dirão se texto é mesmo de excelência; mudança deve valer já para 2013

Fonte: O Globo (RJ)


O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou ontem que as redações do Exame Nacional do Ensino médio (Enem) que receberem inicialmente a nota máxima de 1.000 pontos serão obrigatoriamente analisadas por uma comissão de três especialistas encarregados de verificar se o texto é mesmo de excelência.
A mudança deverá fazer parte do Enem 2013, e foi motivada pela revelação, no GLOBO, de que textos com erros de ortografia, pontuação e concordância receberam a nota máxima na redação, no exame do ano passado.
- Para garantir o rigor e a excelência, todas (as redações nota mil) irão para a banca. Ou seja, não basta os dois primeiros corretores darem nota mil - disse o ministro, lembrando que a comissão é formada por doutores.
Mercadante afirmou também que a inserção de trechos jocosos nas redações será punida com a nota zero. Anteontem, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Claudio Costa, já havia anunciado essa intenção, ressalvando que seria preciso discutir o tema com a comissão de especialistas que assessora o ministério.
Mercadante, porém, deixou claro que a decisão já está tomada:
- Inserções indevidas que representarem uma agressão à seriedade do exame, com deboche, uma brincadeira, a nota vai ser zero. Não vai ter nenhum tipo de tolerância - disse o ministro.
Resta definir como isso será feito para evitar a punição de candidatos que se desviem do tema, mas sem intenção de deboche.
Conforme o GLOBO mostrou, um estudante dedicou um parágrafo a ensinar como se prepara um Miojo, enquanto outro transcreveu trecho do hino do Palmeiras. Os textos receberam respectivamente 560 e 500 pontos.
Nota mil para apenas 2.084 redações
Do total de 4,1 milhões de redações corrigidas no Enem do ano passado, 2.084 receberam a nota máxima, na escala que vai de 0 a 1.000 pontos. Segundo o ministro, apenas 398 delas passaram pela comissão de especialistas criada para dar a palavra final quando há divergências entre os avaliadores. A ideia agora é que todas as redações com nota máxima passem pelo crivo dos especialistas.
- Há um debate sobre isso. Todos os vestibulares e os linguistas mais importantes consideram que um erro isolado não compromete a qualidade do conjunto do texto que foi apresentado - disse Mercadante.
O detalhamento das mudanças está em discussão na comissão técnica que assessora o Inep na formulação do Enem. O edital do Enem 2013 será publicado em maio.
O ministro lembrou que 394 profissionais contratados para corrigir redações do Enem 2012 foram afastados. Ele disse também que os corretores passam por treinamento. Uma das preocupações é que eles entendam e saibam interpretar o que diz o edital:
- É que nem jogo de futebol: você tem o juiz, você tem as regras. No entanto, nem sempre o juiz interpreta a regra como deveria. O que nós queremos é que, tendo três membros da banca, além dos dois primeiros avaliadores, ter muito mais rigor.


O Globo

Te Contei, não ? - Os "fantasmas" cariocas

Funcionários e visitantes contam as histórias mal-assombradas que habitam prédios antigos do Rio, como a Biblioteca Nacional e o Theatro Municipal

 
Rio - Não só de acervo e História vivem os antigos prédios do Rio de Janeiro, como a Biblioteca Nacional ou o Theatro Municipal. Cercados de mistérios e lendas, não são poucos os visitantes e funcionários que garantem, ‘por tudo o que é mais sagrado’, já terem visto fantasmas e assombrações por seus corredores em noites mais escuras.
 
 
 
Chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional, Ana não pensa duas vezes antes de sair correndo quando ouve barulho estranho | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
Chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional, Ana não pensa duas vezes antes de sair correndo quando ouve barulho estranho | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
 
 
 
Experiente, o professor de História e guia de turismo, Milton Teixeira, levou viajantes durante anos para passeios pela Câmara dos Vereadores, Theatro Municipal, Museu Histórico Nacional e outros lugares tradicionais. Há cerca de 10 anos, uma das turistas que assistia a um espetáculo nas cadeiras acolchoadas do Municipal diz ter visto uma figura magra, de óculos de aro fino, cabelo grisalho e terno claro se esboçar ao seu lado. Com um grito de susto, caiu no colo do cavalheiro da cadeira mais próxima.
"Pela descrição dela, era o fantasma do poeta Olavo Bilac”, garante Milton, que até fotos das assombrações já fez. “Há 13 anos uso máquinas diferentes e já fiz várias fotos. Algumas pessoas acham que é sujeira da lente, mas é impossível que todas estejam sujas”, afirma o guia. Ele conta que, uma vez, no Museu Histórico Nacional, um médium que estava no grupo teria visto uma falange de anjos. “Foi no pátio interno. Ele explicou que estavam lá para recolher espíritos revoltos”.
Cercada de livros, a chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional, Ana Virgínia Pinheiro, não pensa duas vezes antes de sair correndo quando ouve um barulho estranho. “Trabalho aqui há 31 anos e, às vezes, tarde da noite, quando todos já saíram, ouço livros caindo. Quando vou ver, não é nada”, relata Ana.
Em ronda, segurança encontrou ‘senhores’ em togas discutindo
Na Câmara dos Vereadores — prédio de 1923 —, há mais ou menos 30 anos, um segurança noturno, depois de fazer a ronda e apagar as luzes, ouviu o som de vozes debatendo no salão principal. Ao entrar lá, um grupo de senhores vestidos em suas togas discutiam acaloradamente, segundo contou. As luzes ainda estavam acesas e todos, de uma vez, olharam para o segurança intruso, que correu. O colega de turno foi apurar a história e encontrou o salão vazio e escuro.
“Lugares mal assombrados são explicados pelo fato de espíritos desencarnados estarem ligados aquele ambiente e continuarem vivendo lá”, opina Helio Loureiro, do Conselho Espírita do Rio. Já para a presidente do Sindicato dos Psicólogos do RJ, Étila Ramos, algumas pessoas são mais sugestionáveis e podem produzir em sua mente imagens, vultos e vozes: “Alguns lugares também inspiram alucinações, como cemitérios e museus. Ninguém vê espírito na praia”.
 
Jornal O Dia

Te Contei,não ? - Alunos dão lição de superação

Jovens de escolas públicas e áreas carentes conseguem vaga em instituições de ponta

POR Maria Luisa Barros
Rio -  Eles superaram adversidades, deixaram para trás milhares de candidatos e conquistaram vagas em cursos e instituições disputadas. Para chegar lá, jovens de origem simples aliaram o esforço pessoal a iniciativas de universidades particulares e políticas públicas. A missão é garantir, por meio de bolsas de estudo, Vestibular social e cursos profissionalizantes que talentos humildes cheguem às portas do Ensino Superior.
Aos 17 anos, Jonathan Caroba cursa Jornalismo na Uerj | Foto: Divulgação
Aos 17 anos, Jonathan Caroba cursa Jornalismo na Uerj | Foto: Divulgação
As ações já fazem parte da rotina acadêmica de instituições como Fundação Getúlio Vargas (FGV), PUC e IBMEC. Este ano, oito estudantes de escolas estaduais do Rio ganharam bolsa integral para estudar no IBMEC. O curso no valor de R$ 100 mil será bancado através de uma parceria do instituto e a Secretaria de Estado de Educação.
Moradora de Campo Grande, Ana Beatriz da Silva, 18 anos, foi uma das selecionadas no programa. Para primeiros colocados como ela, o segredo do sucesso é o tempo dedicado aos estudos na escola e em casa. Esta foi a lição aprendida por Ana, que abriu mão dos fins de semana. “Vai valer a pena, quando me tornar diplomata”, planeja a aluna de Relações Internacionais.
Garimpados em escolas públicas, os jovens driblaram as dificuldades com determinação, disciplina, reforço em leitura e matemática. Aos 17 anos, Jonathan Caroba cursa Jornalismo na Uerj. Morador da Maré, filho de porteiro e doméstica, será o primeiro da família a ter diploma universitário. “Como eles não tiveram essa formação, sempre me incentivaram a ter boas notas”, conta Jonathan.
Uma pedagoga orienta as famílias a estar presentes na rotina dos filhos; auxiliá-los nas lições de casa, incentivar a leitura e participar dos eventos escolares.
Os pais não devem exigir nota máxima em todas as disciplinas. “Quando pais têm expectativas muito rígidas em relação aos filhos, eles podem se frustrar para conseguir sua aprovação. Reconheçam cada esforço, aceitando limitações”, orienta a pedagoga Francisca Paris.
Caminhos para cursar a universidade
Pré-Vestibular Social: A Secretaria de Ciência e Tecnologia abriu 18 mil vagas em 56 polos de mais de 30 municípios. As aulas vão de março a dezembro e as inscrições são pelo site www.pvs.cederj.edu.br.

Renda Melhor Jovem: Estudantes cujas famílias tenham renda de até R$ 100 por pessoa recebem uma quantia em dinheiro creditado na poupança: R$ 700 na 1ª série do Ensino Médio, R$ 900 na 2ª série, R$ 1 mil, na 3ª série e R$ 1.200, no ensino técnico em quatro anos. O jovem pode sacar o valor após a formatura.

PUC-Rio: A instituição oferece bolsas de estudo para estudantes em dificuldade financeira e com bom desempenho acadêmico.

Jornal O Dia

Te Contei, não ? - Fé imposta na sala de aula

Na maioria das Escolas públicas brasileiras, para passar de ano, os Alunos têm que rezar. Literalmente. Levantamento feito pelo portal Qedu.org.br a partir de dados do questionário da Prova Brasil 2011, do Ministério da Educação, mostra que em 51% dos colégios há o costume de se fazer orações ou cantar músicas religiosas. Apesar de contrariar a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), segundo a qual o Ensino religioso é facultativo, 49% dos diretores entrevistados admitiram que a presença nas aulas dessa disciplina é obrigatória. Para completar, em 79% das Escolas não há atividades alternativas para estudantes que não queiram assistir às aulas de religião.
A., de 13 anos, estuda numa Escola municipal em São João de Meriti em que o Ensino religioso é confessional, e a presença nas aulas, obrigatória. Praticante de candomblé, ela diz sofrer discriminação por parte de três Professoras evangélicas, que tentam convertê-la. Com medo de retaliações, a menina pede que nem seu nome nem o de seu colégio sejam identificados. Ela relata que é obrigada não só a frequentar as aulas, como também a fazer orações.
- A Professora manda eu rezar "Ó pai bondoso, livra-nos de todo espírito do mal, para quem é da macumba entrar para a igreja", porque eu sou do candomblé. Se eu não repetir a oração, ela me manda para a sala da direção. E a diretora diz que a Professora tem que ensinar o que ela acha que está certo. Não posso faltar, senão, ela disse que vou ser reprovada - conta a aluna do 5º ano do Ensino fundamental.
A. recorda o constrangimento por que passou uma amiga sua candomblecista em 2012. Como parte de um ritual de iniciação na religião, a menina havia raspado o cabelo e tinha que usar vestes brancas durante um período:
- Quando a Professora viu, rezou "tira todo o capeta do corpo dessa menina, que ela tem que ir para a igreja". Depois disso, minha amiga trocou de colégio. Quando eu fizer o santo (ritual de iniciação), nem vou poder ir à Escola.
Pós-graduada em Orientação Educacional e Supervisão Escolar, a Professora Djenane Lessa incluiu o caso de A. como objeto de estudo em sua pesquisa de campo para a pós-graduação em Ensino da História e da Cultura Africana e Afrodescendente no Instituto Federal de Educação do Rio de Janeiro (IFRJ). Ela analisa a situação e lembra que a LDB veda qualquer tipo de proselitismo.
- A Escola é um espaço laico. Em uma aula de religião confessional com um grupo misto, de várias orientações religiosas, uma oração direcionada pode ser entendida como proselitismo, já que obriga a quem não tem interesse a ouvir ou mesmo a repetir a mesma - diz Djenane.
Já no colégio estadual em que Y. cursa o 1º ano do Ensino médio, em Engenho de Dentro, as aulas de Ensino religioso são facultativas, mas não há atividades alternativas para quem não quiser frequentá-las. A estudante de 15 anos é umbandista e diz que o Professor, católico, fala sobre várias religiões, mas reza orações como Pai Nosso e Ave Maria, além de cantar músicas gospel.
- Fico quieta durante as orações, mas todo mundo reza. Tem vezes que o Professor me chama de macumbeira, e tenho que corrigi-lo. Outros Alunos ficam rindo de mim, dizendo que a "má cumba" é para fazer o mal. Mas não ligo. Adoro minha religião e vou continuar nela - afirma ela, sem querer revelar sua identidade.
Especialistas criticam aulas da rede pública
Sobre a ausência de atividades alternativas ao Ensino religioso, Luiz Antônio Cunha, Professor titular da Faculdade de Educação da UFRJ e coordenador do Observatório da Laicidade do Estado, evoca a lei.
- A Escola não pergunta aos pais se querem Ensino religioso ou outra alternativa: ficar na rua, zanzando pela Escola, no recreio jogando bola etc. Só seria facultativo se houvesse alternativas pedagógicas. Como não há, torna-se obrigatório o que a Constituição diz que é facultativo - argumenta Cunha.
X. e Z., de 7 e 9 anos, optam por não revelar que são umbandistas por medo de serem discriminados pela maioria dos estudantes católicos da Escola municipal onde estudam, em Água Santa, na Zona Norte.
- Todo mundo lá é da igreja. Tenho vergonha porque acho que vão me chamar de macumbeiro - diz X.
- Tenho medo de contar porque a maioria é católica. A Professora sempre faz aquela reza que todos os católicos fazem - completa Z.
Também umbandista, a Professora de Artes da rede municipal do Rio Christiane Ribeiro diz que alguns de seus Alunos de 7 a 13 anos começaram a revelar que tinham a mesma religião que ela após virem sua tatuagem com a inscrição "Eparrei, Oyá" (Salve Iansã!, em yourubá).
- Tanto o calar quanto o fingir que não se sente incomodado com o deboche são formas de engolir o preconceito. Eles têm medo de ficar à margem - relata Christiane.
Pesquisadora do tema há mais de 20 anos, a Professora da faculdade de Educação da Uerj Stela Guedes Caputo acompanhou a infância e adolescência de candomblecistas que foram vítima de discriminação religiosa na Escola. O estudo, do mestrado ao pós-doutorado, virou o livro "Educação nos terreiros: e como a Escola se relaciona com o candomblé". Stela faz um balanço das consequências do impacto da discriminação a longo prazo.
- Um Aluno ouve uma Professora dizer que ele é filho do Diabo. Ele tem o corpo, a alma cindida. Ele tem orgulho da religião dele, mas na Escola ele sofre, e a maioria esconde a religião que ama. Isso é sofrimento, e sofrimento marca para sempre, diminui a autoestima, compromete o aprendizado, a subjetividade, a vida - resume Stela.
Para o economista Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann e responsável pela tabulação dos dados, a divulgação é importante para a discussão do tema:
- Auxiliamos para que essas informações cheguem às pessoas que discutem e estudam o tema, ajudando para que o debate seja mais qualificado.

Orações obrigatórias afetam ateus e minorias religiosas
Os 161 Alunos do 1º ao 5º ano do Ensino fundamental da Escola Municipal Aurino Nunes, no povoado rural Bela Vista, a 32 quilômetros do centro de Teresina, começam as aulas no pátio rezando o Pai Nosso e cantando um cântico religioso que fala na presença de Deus e do Espírito Santo. Ao fim do "amém", os Alunos fazem o sinal da cruz antes de entrar na sala de aula.
A vice-diretora da Escola, Irene Maria da Silva, conta que implantou a oração e o cântico religioso antes das aulas quando entrou no colégio, em 1986. Católica, ela diz que as práticas religiosas são importantes porque, além de deixar os Alunos mais comportados, as orações tornam as crianças menos violentas. Após a oração e os cantos, os Professores discutem sobre drogas, problema que está avançando na zona rural.
- Aqui os Alunos têm uma fezinha em Deus. Após o Pai Nosso, fazemos uma palestra sobre o que se passa na comunidade. Eles obedecem demais e já sabem o Pai Nosso decorado. Sou religiosa, e todas as Escolas deveriam começar as aulas com uma oração - defende Irene, que também dá aulas de ciências e matemática.
Os Alunos evangélicos dizem que os pais não gostam que rezem na Escola com Professoras católicas. Mãe de dois Alunos, a dona de casa Suely Feitosa, de 30 anos, se opõe a que os estudantes rezem antes de começar a estudar nas salas de aula. Segundo ela, as crianças ficam confusas por aprenderem a rezar a Ave Maria, já que as religiões não católicas não têm culto à mãe de Jesus.
- A Escola tem várias crianças que são de outra religião, o que fica desagradável para a formação psicológica dos Alunos - diz Suely.
As orações incomodam também os que não acreditam em Deus. Em Miraí, a 300km de Belo Horizonte, o caso de preconceito contra o estudante ateu Ciel Vieira ficou famoso em 2012. Ele postou um vídeo no YouTube contando que, após se recusar a rezar o Pai Nosso, foi repreendido por uma Professora de geografia da Escola Estadual Santo Antônio, ouvindo dela que "jovem que não tem Deus no coração nunca vai ser nada na vida".
Após o episódio, durante uma oração no início de uma aula em que chegara atrasado, parte dos Alunos católicos trocou a última frase do Pai Nosso de "mas livrai-nos do mal" por "mas livrai-nos do Ciel".
O estudante denunciou o caso à Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), que interveio junto à secretaria estadual de Educação. Depois de muita polêmica, a Secretaria informou que havia orientado a Professora a parar de rezar.
Atualmente morando em Juiz de Fora, Ciel faz um balanço um ano após ter se formado no Santo Antônio - um dos nomes mais populares entre as 160 mil Escolas brasileiras, ao lado de Nossa Senhora, Jesus Cristo e São Francisco:
- Desconhecer que o estado é laico é falta de estrutura da Escola. As pessoas se reprimem normalmente e não têm a coragem que tive. Meu objetivo principal foi mostrar que, apesar de sermos minoria temos uma força grande.
O presidente da Atea, Daniel Sottomaior, cuida atualmente de dois casos semelhantes: um Aluno que é obrigado a assistir a aulas de religião numa Escola estadual de Esteio (RS), e outro a fazer orações num colégio militar de Goiânia.
- O primeiro passo é oficiar a instituição informando a ilegalidade pela Constituição e a LDB. Damos cinco dias para não cobrar a oração, liberar das aulas e passar uma circular a todos Alunos dizendo que são facultativas. Se não cumprem, acionamos as secretarias de Educação, o MP e o Conselho Tutelar - explica Sottomaior.
Há quem defenda transformar a oração em lei. No início de 2012, a Câmara Municipal de Ilhéus (BA) tentou implantar na cidade uma lei que obrigava os Alunos da rede pública a rezarem o Pai Nosso antes do início das aulas. A "Lei do Pai Nosso", de autoria do vereador Alzimário Belmonte (PP-BA), foi aprovada na Câmara e sancionada pelo então prefeito Newton Lima (PT).
TJ proibiu lei do pai nosso
Logo depois, o Ministério Público Estadual entendeu que a lei violava "de modo explícito" as Constituições Federal e Estadual "por afrontar diretamente a liberdade de religião e culto", e entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia para suspender os efeitos da lei. O desembargador Clésio Rômulo Carrilho Rosa atendeu o pedido do MPE e suspendeu a lei em abril de 2012.
Em Apucarana, no norte do Paraná, um projeto de lei similar foi derrubado na segunda votação, em julho de 2012, por pressão do Ministério Público, que ameaçou entrar com uma Adin caso fosse aprovado.
Em março do ano passado, a família de um estudante de 15 anos que sofreu bullying por se recusar a fazer orações na Escola Antônio Caputo, em São Bernardo do Campo, decidiu processar o estado de São Paulo por discriminação religiosa.
Tocantins é o estado com maior percentual de Escolas públicas em que há orações ou cantos: 74%. Em seguida, vêm Goiás (67%), Espírito Santo (66%), Amazonas (65%) e Minas Gerais (64,8%).

O Globo

Te Contei, não ? - Feliciano, estes beijos são para você

Homenageada durante o 7ª prêmio da Associação de Produtores de Teatro do Rio (APTR), a artista se manifestou ao dar um beijo na boca da atriz Camila Amado, de 77 anos


Publicação: 27/03/2013 

A atriz Fernanda Montenegro aproveitou os holofotes que recebeu durante a 7ª prêmio da Associação de Produtores de Teatro do Rio (APTR) para protestar contra a permanência do pastor Marco Feliciano (Cristina Granato/Divulgação)


A atriz Fernanda Montenegro aproveitou os holofotes que recebeu durante a 7ª prêmio da Associação de Produtores de Teatro do Rio (APTR) para protestar contra a permanência do pastor Marco Feliciano

A atriz Fernanda Montenegro, de 83 anos, aproveitou os holofotes que recebeu durante a 7ª prêmio da Associação de Produtores de Teatro do Rio (APTR) para protestar contra a permanência do pastor Marco Feliciano (PSC / SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Homenageada na celebração - que aconteceu na última segunda-feira (25/3) - a artista se manifestou ao dar um beijo na boca da atriz Camila Amado, de 77 anos.

Também na segunda-feira, artistas, políticos e ativistas se reuniram em frente a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, em ato de repúdio à permanência de Feliciano no cargo.



O Partido Socialista Cristão (PSC /SP) decidiu, em reunião na última terça-feira, manter o deputado federal na presidência da Comissão de Direitos Humanos. A liderança do partido recebeu, nesta quarta-feira, 455 mil assinaturas de ativistas, que receberam uma petição online exigindo a saída do pastor do cargo. Irredutível, Feliciano já avisou que não renunciará, e que "só deixa o cargo se morrer"
 
Folha de São Paulo

Te Cntei, não ? - Saçaricando na história da Colombo

Livro conta como os acontecimentos da confeitaria centenária que marcou a Belle Époque no Rio se misturam com a crônica da cidade

Carla Rocha

Todos os dias, ele chegava com seu terno impecável, pequenos óculos que lhe davam ar de dândi e um bigode meticulosamente aparado com as pontas viradas para cima. Os garçons acertavam seus relógios. O poeta Olavo Bilac pisava nos azulejos hidráulicos da casa pontualmente às 17h. As rodas de intelectuais da Confeitaria Colombo, no alvorecer do século XX, começavam no chá das cinco e destilavam poesia, sátiras e veneno político até alta noite, embaladas por vermute. A “sucursal” da douta Academia Brasileira de Letras estava para o sofisticado Centro do Rio da Belle Époque como o Les Deux Magots estava para Paris.

O Rio, como Paris, era uma festa. A Colombo estava no centro do burburinho e o replicava, como se seus oito espelhos trazidos da Antuérpia, emoldurados por jacarandá, tivessem esse poder. Se disputava em charme e fazia na cidade o papel do café de Saint-Germain-des-Prés, onde batiam ponto Picasso e Hemingway, em matéria de beleza, com o perdão dos esnobes, sempre ofuscou a concorrência de qualquer sotaque com seus lustres tchecos e a grande claraboia de vitral que filtra a luz natural. Os tempos áureos da cidade, as mudanças por que passou, as épocas difíceis, as alegrias, as tragédias, tudo era dito e vivido nos salões centenários, como conta o livro, recém-saído do prelo, “Confeitaria Colombo - Sabores de uma cidade”, da Casa da Palavra. Do bota-abaixo de Pereira Passos à Revolução de 30. Do início da República à democratização.

— O menu era todo em francês. Até o vatapá era “à la bahienne” em 1901 — diz o chef Renato Freire, engenheiro químico que se deixou levar pela paixão e, depois de um rolé pela Europa, assumiu a cozinha da Colombo. — A influência da Colombo foi além da culinária. Aqui nasceu a boemia, o hábito carioca de sentar num bar para jogar conversa fora com os amigos. Eu digo que o Lebrão foi mais importante para o Brasil do que o Cabral — brinca Freire, degustando um café, depois de cumprimentar os convivas, em uma Colombo lotada em plena quarta-feira, por volta das 16h.

Manuel Lebrão, do Alto Minho, em Portugal, chegou ao Brasil aos 13 anos e fundou a Colombro em 1894, na Rua Gonçalves Dias, 32, onde está até hoje. Era uma personalidade tão rica quanto o lugar que criou, capaz de acolher o que havia de melhor da poesia, dos romances, da política, da intelectualidade e tudo o mais que fosse ligado à crônica cotidiana. Devemos a ele a máxima de que “o cliente tem sempre razão”. O Pai Lebrão, como era conhecido, socorria até os boêmios falidos, o que é uma redundância. O primeiro que seduziu foi Bilac, que não saía da Pascoal até ter problemas com a pendura. Ele debandou, arrastando jornalistas como José do Patrocínio e Luís Murat, ou escritores como Lima Barreto.

Outro jornalista, Emílio de Menezes, que dia sim, outro também, conferia o brilho dos cristais Baccarat da Colombo, dedicou a Lebrão o “Hino à dentada”. Os versos do imortal a promoveram a “sucursal” da ABL. Todo um rococó parnasiano para, na cara mais dura que os jacarandás da Colombo jamais viram, deixar à posteridade o primeiro pedido de empréstimo a rimar pastéis com réis. “Nisto mostras que és homem de talento, que não cuidas somente de pastéis. Nem de lucros tirar cem por cento. Atende pois a um dos amigos fiéis. que está passando por um mau momento. Anda doido a cavar trinta mil réis!”

A Colombo foi a primeira loja da cidade a ter luz elétrica, a vender a quilo — sim, antes vendia-se feijão a litro! —, a ter um elevador, uma Coca-Cola estupidamente gelada e a oferecer artigos diet. Sua rica gastronomia é feita de iguarias como biscoitos artesanais Leque, em latinhas azuis, o milfolhas, a coxinha de galinha. Lebrão queria oferecer tudo do bom e do melhor — “igual não há, melhor não pode haver” —, plantava o marmelo da marmelada e refinava o açúcar que chegava ao Rio de navio, a granel, muito sujo, quase cor de terra. A marmelada dissolvida em água virou um arremedo do nosso primeiro refrigerante. E quem, com mais de 40, que não comeu ou ao menos nunca bebeu água num copo de geleia de mocotó Colombo? O livro em que a história da Colombo se confunde com a do Rio é assinado pelo chef Renato Freire e o historiador Antônio Edmilson Martins Rodrigues. Com fotos antigas e recentes, traz curiosidades saborosas. Com trocadilho, por favor. Dona Noêmia, mãe do gênio Villa-Lobos, quando perdeu o marido ganhou o pão para os sete filhos passando a ferro os guardanapos da Colombo.

Villa-Lobos tocou violoncelo na orquestra que animava a clientela. Há ainda um inacreditável assassinato dentro da Colombo que mais parece coisa de livro: uma mulher traída matou o marido que pulou a cerca com sua irmã. Um bafão.

— Toda a história do Rio está entrelaçada com a da Colombo, até porque a cidade foi o centro do Império e a capital da República — diz Rodrigues, que pesquisou durante um ano para escrever o livro.

Há seis décadas circulando entre as mesas de mármore e cadeiras de palhinha, o garçom Orlando, de 75 anos, acredita que já serviu mais de dois milhões de clientes.

— O Juscelino pedia carré de porco, o Getúlio, peru à brasileira e o Tancredo era light, ficava no linguado — diz, desfiando com orgulho as intimidades gastronômicas dos presidentes da República que serviu à mesa.

Desde que os velhinhos ficavam saçaricando na porta da Colombo, ou quase, a família do desembargador federal aposentado Sérgio de Andrea Ferreira é habitué. Botafoguense roxo, o pai aguentava as provocações da mesa do Flamengo, mas não abria mão do saçarico.

— Ele era funcionário da Caixa e eu, garoto, quando ele me levava para almoçar lá. Eu levei os meus filhos e agora levo netos e bisnetos. Engordei pelo menos cinco quilos com o casamento e os casadinhos de marmelada. Uma vez, o Max Nunes fez uma piada depois de pedir o doce que estava em falta. Disse que tinha tanta marmelada entre os casadinhos da Colombo que eles se separaram.

A Colombo continua lá, os mil-folhas, os pingos de tocha — receita resgatada do passado, de fios de ovos cobertos por fondant, despejados à alta temperatura — e os leques, de volta graças ao garimpo de antigas máquinas de fabricação no galpão desativado da confeitaria, na Gamboa. A essas delícias, juntou-se, agora, o sugestivo quindim de camisola, que se aboletou nas vitrines para fazer história.



O Globo