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sábado, 19 de dezembro de 2015

Tá na Hora do Poeta - No dia - José Henrique da Silva

No dia

No dia  em que se faz 54 anos
Está riscado
Que sem importar - se mais com perdas e danos
É pra se amanhecer do passado, alforriado.

Pois é  momento de pegar -se o remo da vida
Recarregar tua artilharia
E direcionar tua autobiografia,
Pois não adianta,
A história que de você irradia
E escreve
É sempre de tua autoria.

É dia de se reafirmar o que  acredito
Bendizer o que já foi dito,
E ter sonhos, desejos, anseios irrestritos.

É dia de muito agradecer o que estava sabiamente prescrito
Agradecer a força que recebo e transmito
Prostrar - me diante do que é bendito
Entender que para aqui estar inscrito,
Neste mundo de conflitos,
Mais do que nunca faz se necessário ritos.

José Henrique da Silva
19 de dezembro de 2015


sábado, 28 de novembro de 2015

Tá na Hora do Poeta - Acorda, pessoal - Eduarda Raposo

Acorda, pessoal


Alô, alô, ser humano,
Aqui quem fala é de outro ano 
Pare de copiar o japonês, americano
Porque essa tecnologia ajuda, mas causa um dano

Somos todos peças de quebra - cabeça
Modificados por qualquer tecnologia que apareça
Agora está difícil diferenciar humano de tecnologia besta

Criadores substituem sua família por computadores
Hoje em dia temos mais curtidas do que amores
Não somos mais pessoas, sim telespectadores
Que veem na TV a vida que interpretam como atores

A tecnologia é uma prisão
Que te acorrenta em suas redes e faz da vida ilusão
Destroi nossa terra, natureza e unizão
Mas quando a abandonamos só resta solidão

Ao olhar para o céu só vejo poluição
Ao olhar para os humanos, uma bela atuação
Ao olhar para a Terra, um grande lixão 
Onde somos controlados por sua própria criação

Do que adianta avanço tecnológico
Se os humanos não veem lógica
Nem diante essa situação caótica
Telefones inteligentes e pessoas burras e exigentes

A vida é curta para morrer falhando 
Só ame algo material se alguém você está amando
Não destrua a natureza por conta dessa ganância que está nos matando 

Eduarda Raposo
Turma 801 / 2015 





sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Tá na Hora do Poeta - Quilombos - Isadora Mota



Quilombos

Abrigo,
Para os que fugiam do castigo 
E protegiam seu amigo,
Enquanto fugiam do perigo.

Salvação para fugitivos
Sempre muito positivos
E muito afetivos
Fugiam precavidos

Fuga para refugiados
Onde encontravam muitos escravos
Eram todos muito bravos
Alguns coitados e maltratados

Em busca de sonhos e liberdade
Às vezes com a invderdade  se deparavam
E sempre com a solidariedade
Em Palmares se encontravam .

Lutar,
Brigar,
Batalhar,
Para nossa LIBERDADE conquistar!

Isadora Mota
Turma 701 / 2015 

Atividade produzida a partir da leitura, análise e interpretação da obra Cordel África de Cesar Obeid - Editora Moderna



Tá na Hora do Poeta - Gostos e Sabores da África - João Pedro Golosov



Gosto e Sabores da África 



Cada gosto, cada cheiro
Em muitos assim veio
Na prática sempre impedida
Mas na memória nunca esquecida.

Hauçá, fubá, vatapá
Mungunzá e abará
Estão em almoços pra ficar
Exatamente onde deveriam estar.

Sempre aquele angu
Para levar pro Seu Gugu
Sem esquecer daquele feijão
Para dar pro João.

E o saber fazer, saber bater,
Saber saborear, saber comer
Para sempre reviver
A Cultura Africana ou modo de viver.

E sempre vamos lembrar
Que a Cultura Africana 
Sempre vai estar em todo lugar
Seja na culinária, seja na maneira de saborear !



João Pedro Golosov
Turma 701 / 2015 


Atividade produzida a partir da leitura, análise e interpretação da obra Cordel África de Cesar Obeid - Editora Moderna

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Tá na Hora do Poeta - Debret


Debret




Como era o Brasil antigamente?
Como eram as paisagens do momento?
Com esse pintor, tivemos respostas finalmente,
E sua arte virou espelho daquele tempo.

Ele retratou a alegria e a tristeza,
Os escravos e a nobreza.
Mesmo sem câmeras mostrava com rara beleza
Os detalhes que pintava com clareza.

Por isso foi considerado
Que Jean Baptiste Debret
Foi fotógrafo declarado.

Se não tivesse saído da França,
Creio que o Brasil hoje
Seria um país sem lembranças.







Davi do Amaral Pereira - 802








quarta-feira, 24 de junho de 2015

Tá na Hora do Poeta - A escritora negra



A escritora negra


Sou Carolina de Jesus
E você provavelmente não me conhece
Mas sem mim
Nossa cultura empobrece

Para antes me conhecer
Vou aqui me apresentar
Mas sem tudo dizer,
Pois os detalhes terá que pesquisar

Moro na favela
E não reclamo,
Pois de uma certa forma
É por conta dela que faço o que amo

Trabalho duro 
Noite e dia 
Para dar aos meus filhos
Um pouco de alegria

Para saber quantos filhos
Terá que pesquisar
Porque isso
Não irei te informar

Escrevi um livrinho
Chamado Quarto do Despejo
Com o papel do lixo
Conto o que vejo

Acho que fiz sucesso,
Pois veio até jornalista
Ganhei muito dinheiro
Somente sendo realista

Comprei uma casa 
Com melhor condição
Não lidei bem com o dinheiro
E voltei para o favelão

Escrevi mais alguns livros 
No meio dessa doideira
Foram tantos compradores
Que virou até língua estrangeira

Agora me despeço
Toda sorrateira
Se gostou desse poema
Pesquise minha história inteira

Luisa Heinle Kuhner 
 Turma 802
2015 

domingo, 21 de junho de 2015

Tá na Hora do Poeta - Carolina, mulher de luz - Alessandra C. Guimarães


Carolina, mulher de luz

Na vida
Tudo pode acontecer
Pode ser feliz ou sofrida
Ela pode ser lembrada
Se a história puder ser lida

Carolina Maria de Jesus
Mineira, pobre, negra
Injustiçada e surrada
Saiu de casa
A pé andava
De cidade em cidade parava

São Paulo então chegou
Um emprego arrumou
Na biblioteca da casa
Lia histórias e poesia
Ela lia e escrevia,
Mas os estudos não completou

Mãe solteira, três filhos
Sem emprego, sem casa
Para o Canindé ela foi
E à própria sorte
Construiu sua casa
Com materiais que achou

Catava papéis para sobreviver,
Mas ficava com alguns
Para poder escrever
O que acontecia
No dia a dia

Sua maior arma era seu livro
E então, a semianalfabeta
Negra e favelada
Virou sucesso
O quarto de despejo
Mostrou a realidade
E se transformou em novidade

A fama veio,
E o dinheiro também,
Mas não soube lidar com ele
Faleceu esquecida
Fora de sua casa “residível”

Sua forma de ver o mundo
Mudou o mundo dos outros
Escreveu a sua vida,
Mas não foi reconhecida
E merece ser lembrada
Por escrever com alegria e luz
Carolina Maria de Jesus



Alessandra C. Guimarães - 801

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Tá na Hora do Poeta - Canção da Corrupção - Thales Borges Ferreira



Canção da Corrupção


Minha terra tem problemas
Em que temos que nos acostumar
As pessoas que aqui habitam
Não conseguem se orgulhar

Nosso céu tem mais estrelas
Que pela sujeira não podemos ver
Nossas várzeas tem mais flores
Que estão todas a apodrecer

Ao ficar sozinho à noite
Com muito medo costumo ficar
Minha terra tem ladrões
Aos quais temos que nos entregar

Minha terra tem crianças
Onde vivem a mendigar
As pessoas que aqui passam
Não aguentam nem olhar

Não permita Deus que eu morra
Sem que algo possa mudar
Para que todos possam ver
A nossa terra brilhar .


Thales Borges Ferreira 
Turma 802 / 2015 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Personalidade - Salgado Maranhão

Analfabeto até os 15 anos, poeta vem recebendo atenção crescente no exterior e lançará em breve um livro traduzido para o japonês. Nordestino, ama o Rio, onde vive desde 1973. Linguagem mistura o urbano com a vivência do interior

POR 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Tá na Hora do Poeta - O que mais dói

O QUE MAIS DÓI


O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.
Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.
O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.
É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau.


Patativa do Assaré 

Tá na Hora do Poeta - Quem é importante ? - Samuil Marchak

Certo dia, num caderno,
Numa página interna,
Deu-se a grande reunião
Dos sinais de pontuação,
Para decidir, no instante,
Qual o que é mais importante.

E logo, todo sinuoso,
A rebolar-se, entrou, pimpão,
O enxerido e mui curioso
Dom Ponto de interrogação:
- Quem é?
- Por quê?
- Aonde?
- Quando? – ele só vive perguntando ...


Chegou correndo, afobadão,
O Ponto de Exclamação,
Bufando, muito excitado,
Entusiasmado ou assustado.
– Socorro!
– Viva!
–Saravá!
– Dá o fora! – sempre a berrar!

E vêm as Vírgulas dengosas,
Muitos falantes, muito prosas,
E anunciam: – Nós meninas
Somos as pausas pequeninas,
Que, pelas frases espalhadas,
São sempre tão solicitadas!

Mas já chegam os Dois-Pontos,
Ponto-e-Vírgula, e pronto!
Tem início a discussão,
Que já dá em confusão:
–Sem por cima ter um ponto,
Vírgula é um sinal bem tonto! –
Ponto-e-Vírgula declara,
Arrogante, e fecha a cara.
–Essa não!  Tenha paciência! –
Intervêm as Reticências.
–Somos nós as importantes,
Tanto agora como dantes:
Quando falta competência,
Botam logo...  Reticências!

Til e Acento Circunflexo,
Numa discussão sem nexo,
Cara a cara, bravos, quase
Se engalfinham.  Mas a Crase
Corta a briga, ao declarar:
–Poucos sabem me empregar!
Me respeitem pois bastante,
Já que eu sou tão importante!

Mas Dois-Pontos protestou:
–Importante eu é que sou!
Eu preparo toda a ação
E a e-nu-me-ra-ção!...

–É aqui que nós entramos!
Nós, as Aspas, e avisamos:
Sem nossa contribuição
Não existe citação!

A Cedilha e o Travessão
Já se enfrentam, mas então,
Bem na hora, firme e pronto
Se apresenta o senhor Ponto:
–Importante é o meu sinal.
Basta. Fim. PONTO FINAL.

Tatiana Belinky, Di – Versos russos. São Paulo, Scipione.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Tá na Hora do Poeta - Revide II ou Queimando a falta de Respeito de um ciclo que se finda



Revide II
ou 
Queimando a falta de Respeito de um ciclo que se finda



Há muitas e muitas luas
Que, silenciosamente, 
Isto em mim está a se desenrodilhar.
Se processa,
Me amua.
E como não sou e nem jamais serei de me calar
E para que  também o novo ciclo isso não polua 
Cá vim hoje só pra vadiar,
Só pra a você alertar,
Pois como sou do bem, 
Me sinto no dever fraternal de te acautelar
O que comigo se processa
Desde que gerado fui 
Para neste planeta caminhar ... 

E longe, longe de mim  te acossar querer,
Pois não sou , de forma alguma, acurado,
Porém, indubitavelmente,  sou feito de outra matéria
Bem mais  diferente de você.

Você que, dissimulado,  com tua Verdade
Tentou me abater,
Subjugar, 
Reduzir,
Vencer,
Derruir,
Esboroar.

Te advirto que sim, 
Creio em todos os Mitos, 
E por isso venho a te precatar
Que sou concebido de matéria rara
Que a nada se compara,
Pois trago de outras viagens
A força de um jequitibá,
O ritmo suave de um Ijexá,
A solidez de um baobá,
Estou a caminho de usar laguidibá,
Tenho a certeza da flecha que a caça chama,
Tenho a acolhimento da luz que vem de Oxalá, 
E a matéria com que brinca a senhora da lama,
O axé de uma lua cheia,
O carinho  de uma linda sereia.

Trago cravado, em minha alma, dos ancestrais
As mil adversidades sofridas no escuro tumbeiro,
Todas as dores que se sofreu numa senzala,
A força do trovão que a tudo abala,
O brilho do raio que avassala.

Não, não adianta ideias de morte 
Das minhas convicções processar 
E ordenar para eu me calar,
Pois trago comigo do homem das palhas o amuleto de sorte.
Não, não, você não arranca o meu norte.
Não adianta,
Tua empáfia não me aparvalha,
Pois tenho impregnado em minha alma,
Em minha palma
O gingado do jongo, 
Do Maracatu, 
Do Caxambu
A calma que abranda meu coração
Gritando para se derrubar qualquer intolerância, qualquer tabu.

Por mais que ao seu jeito você pense em fazer rituais
Não, você não derruba meus ideais,
Pois trago  inerente  a energia de Moçambique, 
Congo, 
Benim , 
Nigéria,
De todos os guetos
De Angola e Keto. 

Não, nem adianta fazer fuzuê
E hoje do meu silêncio explico o porquê
Flores limpam qualquer má energia 
Que de você se processa,
Me dão força, encantamento, magia,
Luz contra todo esse mal que te rodopia.
Digo, reafirmo, repito
Creio em todos os Mitos
E das chamas da Senhora do Fogo
Crepito, 
Portanto, não temo atrito. 

E a despeito 
De intolerâncias,
Preconceitos,
De qualquer pleito
Só te aviso que não te quero mal,
Seria ser pequeno feito você.
Quero o que é de direito,
Respeito. 

E você outro que nem me conhece direito
E que supõe - se  superior, perfeito
Desta lírica aproveito
Para te alvorotar  que das tuas reais intenções suspeito
E que com tuas idiossincráticas atitudes apenas em mim 
Você atiça, nobre sujeito, 
Uma insubmissa sede de justiça,
Uma louca ânsia de Respeito.

E agora que o tempo deste capítulo 
Que nem sou eu que encerro,
Ao fim chega flamejante,
Aproveito a força do homem do ferro
Que o novo parágrafo  vai escrever vibrante,
E tudo isso, num passado
Que de mim quero bem distante,
Enterro !


José Henrique da Silva
Tarde de 31 de dezembro de 2014