Mostrando postagens com marcador Mário de Andrade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mário de Andrade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de julho de 2015

Te Contei, não ? - A correspondência secreta de Mário de Andrade

A revelação da carta em que o escritor fala de sua homossexualidade possibilita um debate mais franco sobre sua vida e sua obra

MARCELO BORTOLOTI
26/06/2015 

O poeta Manuel Bandeira morreu em 1968 sem ter definido com quem ficaria seu arquivo pessoal. As cartas que recebeu de outros escritores, os manuscritos e os rascunhos de poemas permaneceram no apartamento de sua companheira, Maria de Lourdes, onde o poeta passou os últimos anos de vida. Uma década depois esses documentos ainda estavam ali, amontoados em cima de um sofá. Foi o bibliófilo Plínio Doyle, então diretor do arquivo literário da Fundação Casa de Rui Barbosa, quem conseguiu convencer a viúva a transferi-los gratuitamente para a instituição. Naquele momento, muita coisa já havia se perdido. Da imensa correspondência que teve com Mário de Andrade, só restavam 15 cartas. Toda a correspondência com Carlos Drummond de Andrade havia desaparecido, e até hoje seu paradeiro é desconhecido. O conjunto levado para a Fundação, no entanto, era ainda extremamente valioso, com 1.400 itens, que estariam disponíveis aos pesquisadores no princípio de 1980. Antes disso, ao catalogar o material, Plínio Doyle e uma comissão de técnicos entenderam que alguns documentos não poderiam ser abertos, porque traziam um conteúdo sensível ou muito íntimo. Entre esses havia uma carta escrita por Mário de Andrade em 1928, falando abertamente de sua homossexualidade. O tema era espinhoso porque, embora houvesse muitas referências indiretas sobre o comportamento sexual do escritor, a família do autor e alguns pesquisadores preferiam esconder o assunto.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Te Contei, não ? - Um autor, um país

RIO - Você já ouviu falar muito dele. Mário de Andrade (1893-1945), afinal, foi por décadas uma figura central da cultura brasileira - e seu nome ecoa até hoje. Teses foram escritas sobre ele. Suas cartas são publicadas há 20 anos. Seus textos são estudados nas escolas. O papa do modernismo, cuja morte completa 70 anos na próxima quarta-feira - fazendo com que sua obra entre em domínio público em 1º de janeiro de 2016 -, será homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty deste ano, que acontece em julho, e em uma série de lançamentos. Assim, parece o criador de um projeto de arte e de um Brasil vitoriosos - mas não é bem assim.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Te Contei, não ? - Mário de Andrade

Mário de Andrade é uma personalidade de múltiplos talentos e de singular influência no meio cultural brasileiro do século XX. Sua atuação nos campos da poesia, romance, crônica, jornalismo, música, folclore e crítica guia-se sempre pela busca de aspectos definidores da identidade nacional e pela valorização das manifestações artísticas e culturais do Brasil.


Suas idéias e posições expressas em livros e artigos e também nas inúmeras cartas que escreve para amigos e colaboradores contribuem decisivamente para o desencadeamento de novos movimentos e tendências artísticos e literários. A qualidade de sua poesia e a perspicácia e veemência dos questionamentos que "sacudiram" o meio cultural brasileiro de seu tempo fazem dele um dos principais escritores e intelectuais do país.
Na série Mestres do Passado, publicada em 1921 no Jornal do Commercio, pode-se perceber uma releitura crítica do parnasianismo e a defesa de uma nova orientação para a literatura, característica do modernismo. O livro Paulicéia Desvairada, de 1922, revela o contato com as vanguardas européias, como o futurismo, o expressionismo e o dadaísmo. No Prefácio Interessantíssimo, ele expressa a complexa tarefa de conjugar a orientação moderna com a realidade local, a "língua brasileira". Anunciando o "desvarismo" - a incongruência, a extravagância, a excentricidade -, firma sua resistência em relação às doutrinas artísticas: "Em arte: escola = imbecilidade de muitos para a vaidade de um só".1
Mário de Andrade publica, em 1925, o famoso ensaio A Escrava que não É Isaura, no qual aprofunda as idéias esboçadas no Prefácio Interessantíssimo, e propõe o "primitivismo" na poesia - a ênfase na expressividade e na inspiração, a busca da síntese e da espontaneidade, obtidas tecnicamente pelo verso livre.
Sua relação com pintores modernistas é estreita, por vezes íntima. Pode-se dizer que ele é o maior responsável pela divulgação da produção artística do modernismo e pela formulação de uma pauta a ser seguida pelos artistas, orientando temáticas e linguagens. Sua avaliação do movimento modernista, nas décadas de 1920 e 1930, é entusiasmada e, até exagerada, explicada, em parte, pelo objetivo de promover um movimento renovador das artes, de reforçar sua campanha em prol de uma arte nacional e moderna e, em parte, pela amizade, intimidade e admiração que nutria pelos artistas.
Para Mário, é preciso que a arte e a literatura brasileira realizem um mergulho na realidade do país. É esse o caminho anunciado por ele e Oswald de Andrade e seguido por muitos. Esse "abrasileiramento", contudo, não deve recair no regionalismo.
De todos os artistas brasileiros a respeito dos quais escreve, Candido Portinari (1903 - 1962) é sem dúvida o mais decisivo para o pensamento e sua atuação como crítico de arte. Sua obra representa para Mário um exemplo para a defesa de suas posições no campo da crítica. Nela ele enxerga as principais qualidades que aprecia na produção artística: o apreço aos valores plásticos, ao caráter artesanal da pintura, o interesse pelo assunto nacional, a capacidade de traduzir a realidade humana do Brasil, o compromisso com o social. Admirador e amigo de Portinari, Mário procura elevá-lo ao posto de maior artista nacional de seu tempo, o que por vezes lhe custa uma visão demasiado condescendente em relação a sua produção, quando ele apresenta trabalhos marcadamente realistas ou regionalistas.
Em 1931 publica uma análise sobre a exposição de Portinari no Salão Modernista, e, em 1938 e 1940, escreve artigos sobre o artista para a Revista Acadêmica. Como afirma o historiador Tadeu Chiarelli, Mário de Andrade enxerga na pintura de Portinari o mesmo projeto a que ele próprio se dedica no campo da literatura e da crítica: produzir uma arte nacional e moderna, fundar uma plástica brasileira, tal como ele procura, desde os anos 1920, fundar uma linguagem brasileira.2
No vigésimo aniversário da Semana de Arte Moderna, por solicitação do escritor Edgard Cavalheiro (1911 - 1958), escreve um texto sobre sua participação no movimento. Esse texto dá origem a uma célebre conferência, O Movimento Modernista, proferida no Itamaraty em abril de 1942. No evento, Mário recapitula a história do modernismo sob perspectiva bastante pessoal, retoma momentos de sua trajetória literária, em tom autobiográfico, revendo personagens e situações, mas também realiza uma avaliação do modernismo, dividindo-o em fases e caracterizando cada uma delas.
Em diversos trechos da conferência, pode-se apreender seu entendimento a respeito do que consiste o movimento modernista, como neste que se segue:
"Embora se integrassem nele figuras e grupos preocupados de construir, o espírito modernista que avassalou o Brasil, que deu o sentido histórico da Inteligência nacional desse período, foi destruidor. Mas essa destruição não apenas continha todos os germes da atualidade, como era uma convulsão profundíssima da realidade brasileira. O que caracteriza esta realidade que o movimento modernista impôs é, a meu ver a fusão de três princípios fundamentais: o direito permanente à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira; e a estabilização de uma consciência criadora nacional. Nada disso representa exatamente uma inovação e de tudo encontramos exemplos na história artística do país. A novidade fundamental, imposta pelo movimento, foi a conjugação dessas três normas num todo orgânico da consciência coletiva".3 
Movimento destruidor, prenunciador, preparador, criador de um estado de espírito novo, impulsionador da remodelação da inteligência nacional - assim Mário qualifica o modernismo. E os modernistas protagonistas desse processo, como Anita Malfatti (1889 - 1964)Victor Brecheret (1894 - 1955) e ele próprio, servem como "altifalantes de uma força universal e nacional" que os extrapola.
Em 1965, é lançado, pela Editora Martins, Aspectos das Artes Plásticas no Brasil, obra composta de quatro estudos de Mário de Andrade: O Aleijadinho, publicado originalmente em 1935, Lasar Segall, produzido para o catálogo da exposição do artista realizada no Rio de Janeiro em 1943, Do Desenho e a Capela de Santo Antonio, divulgados pela primeira vez, na Revista do Sphan em 1937.
Mário de Andrade é, sabidamente, leitor de diversas revistas de arte e cultura européias. Entre 1920 e 1925, é assinante de L'Esprit Nouveau, que divulga conceitos e posições doRetorno à Ordem. Alguns de seus artigos, integrantes da coletânea de 1965, revelam a influência dessas idéias, provavelmente absorvidas pela leitura de alguns dos autores que colaboram na revista, como o pintor francês Amédée Ozenfant (1886 - 1966).
Seu ensaio crítico sobre Aleijadinho (1730 - 1814) contribui para consagrar o escultor como grande gênio das artes nacionais. O mestre arquiteto e escultor é visto por Mário como artista genuinamente nacional e exemplo da complexa relação brasileira com a tradição artística européia:
"O Brasil deu nele o seu maior engenho artístico, eu creio (...). Era, de todos, o único que se poderá dizer nacional, pela originalidade das suas soluções. Era já um produto da terra, e do homem vivendo nela, e era um inconsciente de outras existências melhores de além-mar: um aclimatado, na extensão psicológica do termo. Mas, engenho já nacional, era o maior boato-falso da nacionalidade, ao mesmo tempo que caracterizava toda a falsificação da nossa entidade civilizada, feita não de desenvolvimento interno, natural, que vai do centro pra periferia e se torna excêntrica por expansão, mas de importações acomodatícias e irregulares, artificial, vinda do exterior. De fato, Antonio Francisco Lisboa profetizava para a nacionalidade um gênio plástico que os Almeida Juniores posteriores, tão raros! são insuficientes para confirmar".4
Outro célebre texto de Mário sobre o universo artístico é O Artista e o Artesão, aula inaugural proferida em 1938 nos cursos de filosofia e história da arte na Universidade do Distrito Federal, publicado em Baile das Quatro Artes, de 1943. No textom ele tece considerações sobre as relações entre a criação artística e a técnica, as influências da esfera social e política na produção individual do artista, o embate entre o virtuosismo artístico e a arte social. Ele aproxima a arte e o artesanato, valorizando o apuro da técnica como maneira de reforçar a dimensão coletiva e artesanal da arte.
Mais uma paixão de Mário de Andrade é a música, a que dedica anos de estudo prático e de reflexão teórica. Ao longo da carreira, publica obras sobre música brasileira, e em todas elas se faz presente a valorização da música popular, expressão de identidade e originalidade nacionais. Estudioso do folclore e da cultura popular, em 1938, reúne uma equipe com o objetivo de registrar e estudar músicas do Norte e Nordeste do Brasil. A Missão de Pesquisas Folclóricas, como é chamada a equipe, realiza registros sonoros, fotográficos e audiovisuais de diversas melodias, cantos e danças de homens e mulheres no trabalho, festas religiosas, momentos de reza e lazer.
Embora a maior parte de sua produção sobre arte brasileira seja formada por artigos e ensaios, ele escreve um importante estudo monográfico sobre a vida e a obra de frei Jesuíno do Monte Carmelo (1764 - 1819), pintor, entalhador, arquiteto e músico setecentista. Feito entre 1941 e 1945 por encomenda do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Sphan, que o publica postumamente, o estudo, resultado de cuidadosa pesquisa histórica e biográfica, traz a análise do crítico sobre as pinturas e decorações das igrejas de Itu e da cidade São Paulo. Revela ainda aspectos de seu pensamento sobre a arte colonial brasileira, que, a seu ver, deveria ser considerada independentemente da arte européia e da arte erudita brasileira e observada em suas características plásticas originais.
Mário de Andrade é um grande colecionador, de pinturas, esculturas, gravuras, mas também de obras de arte popular, objetos de culto católico ou de rituais afro-brasileiros, artefatos indígenas. De sua coleção de artes visuais - hoje no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo - IEB/USP, fazem parte, entre diversas outras obras, vários retratos presenteados por nomes importantes do modernismo, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Segall e Portinari. No IEB/USP está sua biblioteca, formada por livros, revistas e partituras que abordam temas como modernismo brasileiro, vanguardas européias, música, folclore e etnografia. Destacam-se na coleção as principais revistas modernistas editadas no início do século XX e muitos livros de arte.
Um capítulo à parte de sua produção literária é constituído pela volumosa correspondência mantida com Manuel Bandeira (1886 - 1968), Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), Oswald de Andrade (1890 - 1954), Tarsila do Amaral, Fernando Sabino (1923 - 2004), Augusto Meyer (1902 - 1970) e outros.
Notas
1 ANDRADE, Mário. Prefácio interessantíssimo. Paulicéia desvairada. In: ______. Poesias completas. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1966.

2 CHIARELLI, Tadeu. De Almeida Jr. a Almeida Jr.: a crítica de arte de Mário de Andrade. 1996. 512p. Tese (Doutorado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 1996. p.132 a 154.
3 ANDRADE, Mário: O Movimento Modernista. In: BERRIEL, Carlos E. O (org). Mário de Andrade hoje. São Paulo: Editora Ensaio, 1990. p. 26.
4 ANDRADE, Mário de. Aspectos das artes plásticas no Brasil. 3.ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. (Obras completas de Mário de Andrade, 12).

Te Contei, não ? - Missão de pesquisas folclóricas




Em 1935, durante uma era de instabilidade do governo Vargas, organizou, juntamente com o escritor e arqueólogo Paulo Duarte, um Departamento de Cultura para a unificação da cidade de São Paulo (Departamento de Cultura e Recreação da Prefeitura Municipal de São Paulo), onde Andrade se tornou diretor. Em 1938 Mário de Andrade reuniu uma equipe com o objetivo de catalogar músicas do Norte e Nordeste brasileiros.

Te Contei, não ? - Mário de Andrade


Mário Raul de Morais Andrade (São Paulo, 9 de outubro de 1893 - São Paulo, 25 de fevereiro de 1945) foi um poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo, professor universitário e ensaísta, considerado unanimidade nacional e reconhecido por críticos como o mais importante intelectual brasileiro do século XX. Notável polímata, Mário de Andrade liderou o movimento modernista Maylsonanico no Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do país, participando ativamente da Semana de Arte Moderna de 22, além de se envolver (de 1934 a 37) com a cultura nacional trabalhando como diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo.

Te Contei, não ? - Vanguardas Europeias: Surrealismo


O Surrealismo foi um movimento artístico e literário que surgiu na França, com poeta André Breton, na década de 1920.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tá na Hora do Poeta - Poema XIV - Mário de Andrade

Poema XIV


Mario de Andrade


Vou-me embora, vou-me embora

Vou-me embora pra Belém

Vou colher cravos e rosas

Volto a semana que vem


Vou-me embora paz na terra

Paz na terra repartida

Uns têm terra, muita terra

Outros nem pra uma dormida


Não tenho onde cair morto

Fiz gorar a inteligência

Vou reentrar no meu povo

Reprincipiar minha ciência


Vou-me embora, vou-me embora

Volto a semana que vem

Quando eu voltar, minha terra

Será dela ou de ninguém

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Te Contei, não ? - Cartas para Mário de Andrade


Livro reúne entrevistas inéditas da filósofa Gilda de Mello e Souza e sua correspondência com o escritor

Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)
Os primos Gilda de Mello e Souza e Mário de Andrade viveram uma história de parceria intelectual e afetiva que fala sobre uma fase vibrante dos estudos humanistas no Brasil. “A Palavra Afiada” (Ouro Sobre Azul), organizado por Walnice Nogueira Galvão, reúne uma série de entrevistas esparsas da filósofa Gilda de Mello e Souza, uma das fundadoras da revista “Clima” e primeira ocupante da cadeira de estética da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Algumas inéditas, como a concedida ao jornalista Augusto Massi, em 1993, e outras já conhecidas, em conjunto elas apresentam a múltipla e respeitada trajetória intelectual da filósofa.

TROCA
Volume organizado por Walnice Nogueira Galvão mostra a influência
do escritor Mário de Andrade (acima) na carreira da filósofa Gilda de Mello e Souza


É quase uma preparação arquitetada pela organizadora – para a cereja do bolo, o compêndio final com dez cartas escritas por Gilda ao primo entre 1938 e 1942. Prestes a se formar, num momento em que pedia autorização à família para trabalhar, tinha em Mário de Andrade um farol que muito a ajudou nas escolhas que definiram os seus rumos. “As cartas são cruciais para entabular um debate sobre as tomadas de decisão quanto à vocação, debate candente nessa fase da vida de Gilda”, escreve a organizadora no prefácio. Vinda do Fundo Mário de Andrade, arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP), a correspondência – na verdade só as cartas escritas por Gilda – compõe um quadro raro da proximidade e da admiração mútua dos primos e também deixa clara a influência decisiva dos estudos brasileiros de Mário de Andrade no percurso que a filósofa seguiria na década seguinte, à frente da cadeira de estética, e anos depois, como chefe de departamento. Mas também há passagens afetivas entre os familiares, que chegaram a viver na mesma casa e se mantiveram próximos por toda a vida – daí a escassez de cartas, uma vez que sempre se viam.
"A primeira maneira que eu tenho de ver o Mário – é curioso – é pelos
sapatos. Acho que foi a primeira coisa que vi – não só porque ele
era muito grande e o pé era enorme e eu muito pequenininha,
tinha 3 ou 4 anos nessa ocasião"

domingo, 9 de março de 2014

Te Contei, não ? - Três afro-descendentes porretas !!!!!!

Você sabia que Machado de Assis era negro? Pois tem muita gente que não faz nem idéia disso. Não é à toa. Durante décadas, a história oficial de um dos maiores escritores brasileiros ou omitia ou mentia a respeito disso. O mesmo vale para Cruz e Souza e Mario de Andrade, os outros dois grandes nomes retratados nas próximas páginas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Tá na Hora do Poeta - Mário de Andrade - Filemon Rosseto


Mário de Andrade


Mário de Andrade
Garoto prodígio
Abençoado pelos deuses
Do Folclore

Desde criança
Tinha talento
Para música, literatura, arte ...

Quando cresceu
Ao Modernismo aderiu
E dos conceitos
Da Arte Clássica
Fugiu

Começou a escrever
Sobre o Nacional
Valorizando a industrialização,
O Folclore e a Natureza.

Foi um homem muito valente,
Pelo Modernismo lutou
E na "Semana", mesmo com vaias e xingamentos,
Não recuou.

Criticava outros artistas,
A Europa e seus conceitos.
Idolatrava a Arte Modenista.

Viajou pelo mundo
Para mais culturas conhecer.
Com isso escreveu diversos textos
Que até hoje nos faz pensar
Para os entender.

Nasceu na cidade da garoa,
Lugar onde sempre amou.
Já nevou em diversos lugares,
Mas sempre que pensava em São Paulo
Lhe dava aquele aperto no coração,
Aquela saudade,
Pois ele sabia que o seu lugar
Era aquela cidade.

Nasceu e morreu para contarnos
Sobre a Cultura Brasileira
Sempre criticando o não - modernista.
Esse foi o Poeta Nacionalista,
Mário de Andrade.



Filemon Rosseto - Turma 901 / Ativo 2012

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Personalidades - Mário de Andrade




Mário de Andrade

Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquisila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar de uma vez:
E só tirar a cortina
Que entra luz nesta escuridez.

(A Costela de Grão Cão)

1893: Nasce Mário Raul de Moraes Andrade, no dia 9 de outubro, filho de Carlos Augusto de Moraes Andrade e Maria Luísa Leite Moraes Andrade; na Rua Aurora, 320, em São Paulo - SP.

1904: Escreve o primeiro poema, cantado com palavras inventadas. "O estalo veio num desastre da Central durante um piquenique de subúrbio. Me deu de repente vontade de fazer um poema herói-cômico sobre o sucedido, e fiz. Gostei, gostaram. Então continuei. Mas isso foi o estralo apenas. Apenas já fizera algumas estrofes soltas, assim de dois em três anos; e aos dez, mais ou menos, uma poesia cantada, de espírito digamos super realista, que desgostou muito minha mãe. "— Que bobagem é essa, meu filho?" — ela vinha. Mas eu não conseguia me conter. Cantava muito aquilo. Até hoje sei essa poesia de cor, e a música também. Mas na verdade ninguém se faz escritor. Tenho a certeza de que fui escritor desde que concebido. Ou antes... Meu avô materno foi escritor de ficção. Meu pai também. Tenho uma desconfiança vaga de que refinei a raça..." Este o depoimento do escritor a Homero Senna, publicado no livro "República das Letras", Editora Civilização Brasileira - Rio de Janeiro, 1996, 3a. edição, sobre como havia começado a escrever.
1905: Ingressa no Ginásio N. Sra. do Carmo dos Irmãos Maristas.
1909: Forma-se bacharel em Ciências e Letras. Terminado o curso multiplica leituras e freqüenta concertos e conferências.
1910: Cursa o primeiro ano da faculdade de Filosofia e Letras de São Paulo.
1911: Inicia estudos no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.
1913: Morre seu irmão Renato, aos 14 anos, devido a complicações decorrentes de uma cabeçada em jogo de futebol. Abalado pelo fato e trabalhando em excesso, Mário tem uma profunda crise emocional. Passa um tempo em Araraquara, na fazenda da família. Quando retorna desiste da carreira de concertista devido a suas mãos terem se tornado trêmulas. Dedica-se, então a carreira de professor de música.
1915: Conclui curso de canto no Conservatório.
1916: Conclui, como voluntário, o Serviço Militar.
1917: Diploma-se em piano pelo Conservatório. Morre seu pai. Publica Há uma gota de sangue em cada poema, poesia, sob o pseudônimo de Mário Sobral.. Primeiro contato com a modernidade na Exposição de Anita Malfatti. Primeira viagem a Minas: encontra o barroco mineiro, visita Alphonsus de Guimarães. Já iniciou sua Marginália.
1918: Recebe Diploma de Membro da Congregação Mariana de N. Sra. da Conceição da Igreja de Santa Ifigênia. Noviciado na Ordem Terceira do Carmo. Nomeado professor no Conservatório. Escreve contos e poemas. Colabora ocasionalmente em jornais e revistas como crítico de arte e cronista; em A Gazeta e O Echo (São Paulo).
1919: Profissão na Ordem Terceira do Carmo à 19 de março. É colaborador de A Cigarra, O Echo e A Gazeta. Viagem à Minas Gerais, visitando as cidades históricas.
1920: Lê obras Index . Faz parte do grupo modernista de São Paulo. Colabora em Papel e Tinta (São Paulo), na Revista do Brasil (Rio de Janeiro - até 1926) e na Illustração Brasileira (Rio de Janeiro - até - 1921).
1921: É professor de História da Arte no Conservatório. Pertence à Sociedade de Cultura Artística. Está presente no lançamento do Modernismo no banquete do Trianon. É apresentado ao público por Oswald de Andrade através do artigo "Meu poeta futurista" (Jornal do Commércio São Paulo). Escreve "Mestres do passado" para o citado jornal.
1922: Professor catedrático de História da Música e Estética no Conservatório. Participa da Semana de Arte Moderna em São Paulo, de 13 à 18 de fevereiro, no Teatro Municipal de São Paulo. Faz parte do grupo da revista Klaxon, publicando poemas e críticas de literatura, artes plásticas, música e cinema. Escreve Losango Cáqui, poesia experimental. Inicia a correspondência com Manuel Bandeira, que dura até o final de sua vida. Publica Paulicéia desvairada, poesia.
1923: Estuda alemão com Kaethe Meichen-Bosen, de quem se enamora. Faz parte da revista Ariel, de São Paulo. Escreve A escrava que não é Isaura, poética modernista. Continua a colaborar na Revista do Brasil (Rio de Janeiro).
1924: Realiza a histórica "Viagem da Descoberta do Brasil", Semana Santa dos modernistas e seus amigos, visitando as cidades históricas em Minas. Colabora em América Brasileira (contos de Belazarte), Estética e Revista do Brasil (Rio de Janeiro).
1925: Colabora n'A Revista Nova de Belo Horizonte. Publica A Escrava que não é Isaura: discurso sobre algumas tendências da poesia modernista. Adquire a tela de André Lhote, Futebol, através de Tarsila.
1926: Férias em Araraquara, escrevendo Macunaíma. Publica Primeiro andar, contos, e Losango Cáqui (ou Afetos Militares de Mistura com os Porquês de eu Saber Alemão), poesia. Escreve poemas de Clã do Jaboti. Colabora na Revista de Antropofagia, na Revista do Brasil e em Terra Roxa e Outras Terras.
1927: Colabora no Diário Nacional de São Paulo: crítico de arte e cronista (até 1932, quando o jornal é fechado). Estréia como romancista, publicando Amar, verbo intransitivo, que choca a burguesia paulistana com a história de Carlos, um adolescente de família tradicional iniciado nos prazeres do sexo pela sua Fraülein, contratada por seu pai exatamente para essa tarefa. Lança, também, o livro Clã do Jaboti, de poesias. Realiza a primeira "viagem etnográfica": percorrendo o Amazonas e o Peru, da qual resulta o diário O Turista Aprendiz.
1928: Membro do Partido Democrático. Realiza sua segunda "viagem etnográfica": ao Nordeste do Brasil (dez. 1928 - mar. 1929). Colabora na Revista de Antropofagia e em Verde. Publica Ensaio sobre a Música Brasileira e Macunaíma - o Herói sem nenhum caráter, onde inova com audácia e rebela-se contra a mesmice das normas vigentes. Com enorme sucesso a obre repercutiu em todo o país por seus enfoques inéditos. Sob um fundo romanesco e satírico, aí se mesclavam numa narrativa exemplar a epopéia e o lirismo, a mitologia e o folclore, a história e o linguajar popular. O personagem-título, um "herói sem nenhum caráter", viria a ser uma síntese, o resumo das virtudes e defeitos do brasileiro comum.
1929: Inicia coluna de crônicas "Táxi", no Diário Nacional. "Viagem etnográfica" ao Nordeste, colhendo documentos: música popular e danças dramáticas. Rompimento da amizade com Oswald de Andrade. Publica Compêndio de História da Música.
1930: Apóia a Revolução de 30. Defende o Nacionalismo Musical. Publica Modinhas Imperiais, crítica e antologia, e Remate de Males, poesia.
1933: Completa 40 anos. Faz crítica para o Diário de São Paulo (até 1935).
1934: Diplomado Professor honorário do Instituto de Música da Bahia. Cria e passa a dirigir a Coleção Cultural Musical (Edições Cultura Brasileira - São Paulo). Colabora em Festa (Rio de Janeiro), Boletim de Ariel. Publica Belazarte, contos, e Música, Doce Música, crítica.
1935: É nomeado chefe da Divisão de Expansão Cultural e Diretor do Departamento de Cultura. Publica O Aleijadinho e Álvares de Azevedo.
1936: Deixa de lecionar no Conservatório. Nomeado Chefe do Departamento de Cultura da Prefeitura.
1937: É contra o Estado Novo.
1938: Transfere-se para o Rio de Janeiro (27 jun.), demitindo-se do Departamento de Cultura (12 mai.). É nomeado professor-catedrático de Filosofia e História da Arte na Universidade do Distrito Federal e colabora no Diário de Notícias daquela cidade. Publica Namoros com a Medicina, estudos de folclore.
1939: Cria a Sociedade de Etnologia e Folclore de São Paulo, sendo seu primeiro presidente. Organiza o 1o. Congresso da Língua Nacional Cantada (jul.). Projeta a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, SPHAN. É nomeado encarregado do Setor de São Paulo e Mato Grosso. Escreve poemas de A Costela do Grão Cão. Publica Samba Rural Paulista, estudo de folclore. É crítico do Diário de Notícias (até 1944) e colabora na Revista Acadêmica (Rio de Janeiro) e em O Estado de S. Paulo. Publica A Expressão Musical nos Estados Unidos.
1941: Volta a viver em São Paulo, à Rua Lopes Chaves 546. Está comissionado no SPHAN. Colabora em Clima (SP).
1942: Sócio-fundador da Sociedade dos Escritores Brasileiros. Colabora no Diário de S. Paulo e na Folha de S. Paulo. Publica Pequena História da Música.
1943: Publica Aspectos da Literatura Brasileira, O Baile das Quatro Artes, crítica, e Os Filhos de Candinha, crônicas.
1944: Escreve Lira Paulistana, poesia.
1945: Coberto de reconhecimento pelo papel de vanguarda que desempenhou em três décadas, Mário de Andrade morreu em São Paulo - SP em 25 de fevereiro de 1945, vitimado por um enfarte do miocárdio, em sua casa. Foi enterrado no Cemitério da Consolação. Publicação de Lira Paulistana e Poesias completas.
Um capítulo à parte em sua  produção literária sem fronteiras é constituído pela correspondência do autor, volumosa e cheia de interesse, ininterruptamente mantida com colegas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Fernando Sabino, Augusto Meyer e outros. Suas cartas conservaram, de regra, a mesma prosa saborosa de suas criações com palavras — um lirismo que, como ele disse, "nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada". Coberto de reconhecimento pelo papel de vanguarda que desempenhou em três décadas, Mário de Andrade morreu em São Paulo SP em 25 de fevereiro de 1945.

Bibliografia:
- Há uma gota de sangue em cada poema, 1917

- Paulicéia desvairada, 1922

- A escrava que não é Isaura, 1925

- Losango cáqui, 1926

- Primeiro andar, 1926

- A clã do jabuti, 1927

- Amar, verbo intransitivo, 1927

- Ensaios sobra a música brasileira, 1928

- Macunaíma, 1928

- Compêndio da história da música, 1929 (reescrito como Pequena história da música brasileira, 1942)

- Modinhas imperiais, 1930

- Remate de males, 1930

- Música, doce música, 1933

- Belasarte, 1934

- O Aleijadinho de Álvares de Azevedo, 1935

- Lasar  Segall, 1935

- Música do Brasil, 1941

- Poesias, 1941

- O movimento modernista, 1942

- O baile das quatro artes, 1943

- Os filhos da Candinha, 1943

- Aspectos da literatura brasileira 1943 (alguns dos seus mais férteis estudos literários estão aqui reunidos)

- O empalhador de passarinhos, 1944

- Lira paulistana, 1945

- O carro da miséria, 1947

- Contos novos, 1947

- O banquete, 1978

- Será o Benedito!, 1992
Antologias:
- Obras completas, publicação iniciada em 1944, pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, compreendendo 20 volumes.

- Poesias completas, 1955

- Poesias completas, editora Martins - São Paulo, 1972
- Homenagens:

- Foi escolhido como Patrono da Cadeira n. 40 da Academia Brasileira de Música.
Dados obtidos em livros de e sobre o autor e sites da internet.

sábado, 16 de junho de 2012

Te Contei, não ? - A Revolução de 1932 - Roberto Pomeu de Toledo



No dia 24 de fevereiro de 1932, o poeta Mário de Andrade aderiu ao plãoque-plãoque. A expressão é dele. Escreveu, ao seu modo modernista: “Toda a gente da rua se dirigia pro comício e não se via uma cara só. O que se via era aquele ruminante ondular de ombros, e os passos batebatendo plãoque-plãoque no revestimento caro da rua plãoque-plãoque, plãoque-plãoque”.
A cidade de São Paulo estava tomada de uma febre. Sucediam-se os comícios contra o regime de Getúlio Vargas.
No dia 9 de julho, as manifestações desembocaram numa guerra. São Paulo pegou em armas e, nos quase três meses seguintes, lutou contra o resto do Brasil.
A chamada Revolução de 1932 completa oitenta anos no mês que vem. Se a ideia era não mais do que a reconstitucionalização do país, como apregoavam as lideranças paulistas, ou a reação de uma oligarquia que se imaginava ameaçada, é assunto para outros e mais doutos espaços. Neste, mais modesto, vai interessar o lado em que estavam certos personagens, e o comportamento que tiveram.
Mário de Andrade, de um lado, e Drummond, de outro
Entre os poetas, se a causa de São Paulo tinha Mário de Andrade, a do resto do Brasil tinha Carlos Drummond de Andrade. Como principal assessor do então secretário da Justiça de Minas Gerais, Gustavo Capanema, Drummond esteve, em agosto, em visita ao túnel ferroviário da Mantiqueira — local de uma longa batalha, na divisa entre Minas e São Paulo.
Drummond redigiu um texto a respeito, e leu-o no rádio: “Eu estive diante do Túnel e vi o soldado lutando. E o soldado não me viu porque estava lutando. (…) Mineiros estão lutando lá longe, nas alturas, aonde não chegam boatos nem se insinuam as vacilações. (…) Vamos ser, como esse soldado, diretos e positivos”.
Concentração de ancestrais de futuros presidentes
Em posições de destaque, no conflito, temos uma curiosa concentração de ancestrais de futuros presidentes da República. Um dos principais chefes militares do lado rebelde era o coronel Euclides Figueiredo, pai do futuro presidente João Figueiredo.
Euclides, como o filho, era carioca, mas alinhou-se do lado paulista. Do mesmo lado estava Lindolfo Collor, avô do futuro presidente Fernando Collor de Melo. Lindolfo era gaúcho e, com um grupo de outros dissidentes do Rio Grande do Sul, lutou em vão para alinhá-lo com São Paulo.

Do lado oposto, o general Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso, tio-avô do futuro presidente Fernando Henrique Cardoso, era o ministro da Guerra de Getúlio. Fernando Henrique nasceu no Rio de Janeiro, mas cresceu e fez carreira em São Paulo. Já o tio-avô combatia São Paulo. A diversidade de origens e posições no conflito reflete a barafunda própria das guerras civis.
O homem que matou Euclides da Cunha e um futuro prefeito de São Paulo
Entre figuras em papéis de menor destaque no episódio vamos encontrar, lutando entre as forças governistas, o capitão Dilermando de Assis. No Exército ele foi apenas mais um, mas na história do Brasil já assegurara seu lugar, como o homem que matou Euclides da Cunha.
Em seu excelente livro 1932—A Guerra Civil Brasileira, o brasilianista Stanley Hilton registra uma declaração de Dilermando a propósito da crueldade das “requisições”’ de bens de particulares em apoio ao esforço de guerra: “As requisições transformaram-se em verdadeiro saque oficializado, documentado, porque o governo em geral não nas (sic) paga”. Era a reincidência no crime. Não contente em matar o autor de Os Sertões, investia agora contra a língua portuguesa, um dos grandes amores do escritor.
Outro personagem menor no conflito foi um oficial de 23 anos. José Vicente de Faria Lima. Esse oficial, destinado a uma carreira na Força Aérea em que chegaria a brigadeiro, não é outro senão o operoso prefeito de São Paulo que, entre outras obras, rasgou a majestosa avenida que leva seu nome. Em 1932, o carioca Faria Lima estava engajado em missões de bombardeio da aviação governista contra posições paulistas.
Dias depois do 9 de julho, Santos Dumont se suicida
Em terra, por falar em aviões, encontrava-se Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação. Com a saúde física e mental abalada, fora alojado pela família numa casa alugada no então sossegado balneário do Guarujá.
No dia 14 de julho, ele redigiu um apelo pela concórdia entre os litigantes. O trecho em que disse que “somente pela lei magna” os problemas nacionais poderiam ser resolvidos foi interpretado como apoio à causa paulista.
Pode ser. No dia 23 de julho, burlando a vigilância do sobrinho que o acompanhava, refugiou-se no banheiro e enforcou-se com uma gravata. Dizem que não aguentou o ronco dos aviões que rondavam o Porto de Santos, ali perto. Pode ser.