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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Te Contei, não ? - Maria Bethânia exposta


RIO — Talvez sejam os 50 anos de carreira mais fartamente celebrados da história da música popular brasileira. O que Maria Bethânia ainda não sabe é que, depois de estrear a turnê “Abraçar e agradecer”, ser homenageada pelo Prêmio da Música Brasileira e ter seu nome anunciado como enredo da Mangueira no próximo Carnaval, ainda há muito mais. Começa nesta quinta para convidados (e sexta para o público) uma imensa exposição sobre seu imaginário, reunindo trabalhos inéditos de 160 artistas plásticos, músicos, escritores, fotógrafos, amigos e fãs, além de itens de acervo pessoal da família Teles Velloso. O material vai ocupar quase todo o espaço do Paço Imperial, no Centro do Rio, até 13 de setembro, com entrada gratuita, e uma programação paralela que inclui filmes e saraus, sempre aos domingos, às 16h, com apresentações de nomes como Egberto Gismonti, Moreno Veloso, Pedro Sá e Jorge Mautner.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Personalidades - Aurora Miranda


RIO - Em meados de 1934, Aurora Miranda estava preocupada. Ela deveria ou não gravar uma marchinha recém-composta por André Filho? A canção, uma tal de “Cidade maravilhosa”, parecia boa aos ouvidos da moça de 19 anos, que, com a maioridade recém-alcançada, passou a se apresentar pelo Rio de Janeiro, sozinha ou ao lado da irmã famosa, Carmen. O problema era que a música entraria na disputa do concurso de marchinhas do carnaval de 1935, e, segundo a lógica altruísta de Aurora, o mais correto seria que a irmã, cantora profissional desde 1928 e já adorada pelo público, emprestasse voz à canção. Por insistência da própria Carmen, no entanto, Aurora cedeu e, hoje, quem ouvir a gravação original, de 4 de setembro de 1934, encontrará uma voz doce, de menina, costurando a letra à melodia que três décadas depois viraria, por decreto do governo, o hino oficial da cidade.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Te Contei, não ? - Somos todos Manuel


Compositor, arranjador e produtor viu a música que compôs em 88 com a ex-namorada, ‘Manuel’, ganhar as redes sociais nos últimos dias em posts de fãs e detratores do cantor


RICARDO SCHOTT

quinta-feira, 19 de março de 2015

Resenhando - De Donga a Diogo Nogueira - Um século de batuque

RIO — No primeiro dia de ensaio para o musical “Sambra”, nada estava decidido, claro, a não ser as intenções de Diogo Nogueira: “Quero fazer de tudo”, disse ele a Gustavo Gasparani, o autor e diretor da montagem que estreia hoje no Vivo Rio, às 21h30m, e cumpre quatro únicas sessões cariocas até domingo, antes de embarcar para São Paulo, onde terá sessões entre os dias 26 e 29.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Te Contei, não ? - Memórias do Canecão

RIO — Losia Borges do Nascimento; solteira; bailarina; 1,69m; 58kg; 19 anos; fez cinema; manequim 42; sapato 37. Ao lado de Roberto Carlos e Caetano Veloso, de Chico Buarque e Amália Rodrigues, a moça, personagem anônima, é parte da história do Canecão que emerge dos 22 baús do arquivo da casa de shows, recém-entregue aos cuidados do Instituto Cultural Cravo Albin. Fotos de momentos históricos do local, áudios de shows e programas dos espetáculos, roteiros anotados e registros de naturezas diversas - desde cardápios (nos quais se pode acompanhar a inflação pela variação do preço da coxinha) até cartazes anunciando atrações, passando por peças curiosas como a pasta "Ficha das mulatas - Réveillon 1977", onde estão os dados de Losia que abrem esta reportagem.

sábado, 27 de setembro de 2014

Resenhando - Que país é esse ?

RIO -


"Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz...", cantou a Imperatriz Leopoldinense em 1989, levando o caneco daquele carnaval. Para quem não se lembra, o refrão-libelo dos compositores Niltinho Tristeza, Preto Joia, Vicentinho e Jurandir, um clássico de qualquer roda de samba, celebrava a República, então uma vetusta senhora comemorando cem anos.

Crônica do Dia - A Lapa e a Elza - Luiz Pimental

Rio - Ganhei um disco muito bacana, que estou ouvindo com prazer especial. Chama­se ‘Estação Lapa’, uma antologia em torno de canções sobre o bairro, de compositores que cantaram o bairro ou de artistas que fizeram ali suas carreiras ou parte delas.

sábado, 20 de setembro de 2014

Crônica do Dia - Lupi e Maria - Joaquim Ferreira dos Santos

Os dois andam sempre juntos. Lupicínio Rodrigues faz centenário neste 16 de setembro. Antonio Maria se foi desta para melhor há 50 anos, num dia 15 de outubro, às três e cinco da madrugada. Por coincidência, a hora que tinha servido de título a uma canção onde ele narrava mais uma cena de ciúme, mais uma briga e mais um arrependimento. O de sempre em suas músicas. “A verdade da vida é ruim”, disse numa delas, como quase todas as outras, de profunda infelicidade. Ele não se iludia com alegrias vãs. O universo conspirava contra.

Lupi e Maria, os reis da dor de cotovelo, sofreram o diabo nas mãos desse tal de amor. Machos sensíveis, não escondiam a decepção. Contavam para todo mundo. O amor não presta. Tinham sofrido, tinham sido outra vez enganados por uma mulher qualquer que se mandou com outro ou simplesmente com ninguém, sozinha, entediada com o que ela também não sabia explicar. Ninguém sabe. O amor trata a todos com a mesma ignorância e falta de consideração. Simplesmente vira as costas. Cai fora. Vai tratar da vida.

Maria, existencialista pernambucano, chorava baixinho, de fracasso em fracasso, o samba canção que na vida lhe era destino. “Ninguém me ama, ninguém me quer” — e ficava por isso mesmo. Maldizia-se solitário num balcão de bar em Copacabana, estimulando a cardiopatia que naquela madrugada, às mesmas três e cinco da canção, o levaria para longe desse inferno.

Estava cansado de saber que o amor era uma maldição a se enfrentar com cuidado, mas vira e mexe lá estava ele atrás de um bem que nunca vinha, como dizia outra de suas letras elegantemente perdedoras. Todo mundo se engana muito, Maria também. Tentou ser feliz. Vedetes do Carlos Machado, moças da sociedade, dançarinas de cabaré, balconistas da Praça do Lido. Todas lhe deram o implacável pé na bunda. No dia seguinte, Maria, romântico incorrigível, fazia uma canção perguntando gentilmente: “As suas mãos, onde estão? Onde está o seu carinho?”.

Já Lupicínio Rodrigues, mulato gaúcho, tinha menos cuidado com as trapaceiras. Era um chifre atrás do outro. A cada traição, ao contrário do gentleman Maria, queria que a infeliz amargasse todo o sofrimento previsto nas escrituras do amor. Corno, sim, manso, jamais. Quase toda a sua obra é devotada a ir à forra dessas rameiras, vagabundas, piranhas e demais ordinárias. Um dia, elas lhe fingiam bom sentimento, logo depois, cachorras num cio eterno, se mandavam com um novo otário.

Lupi queria vingança. Queria mais é que essas canalhas da desventura amorosa rolassem na beira da estrada, sem ter nunca um cantinho para poder descansar. Tinham nascido com o destino da lua, pra todos que vivem na rua. O homem reagia à altura. Guardava rancor. Passava recibo.

As últimas palavras escritas por Antonio Maria, numa crônica sobre um almoço solitário no restaurante Westfalia, na Rua México, foram “só, só, só”, e evidentemente falavam de si próprio. Era amante de bons modos, reprimia o instinto assassino a quem lhe fazia mal. Não à toa, enfartou. Lupicínio preferia palavras como “covardia”, “judiaria” e “ingratidão” para descrever o que sofria nas mãos das vadias. Numa de suas músicas mais típicas, descreveu ter no peito uma caixa de ódio, um coração que não quer perdoar. Era pão-pão, queijo-queijo. “Eu estou lhe mostrando a porta da rua, pra que você saia sem eu lhe bater” — disse em outra canção. Zero de romance, zero de beneplácito com quem lhe bagunçava o coreto. Ao pé na bunda reagia com a porta na cara. Danem-se todas.

Esses dois gênios da canção amorosa estão sendo lembrados agora, centenário de nascimento de um, cinquentinha da morte do outro, num momento em que quase não há mais canção amorosa brasileira — e, quando há, ninguém mais perde no jogo da paixão. Somos todos funkeiros comedores das cachorras mais suculentas, príncipes vitoriosos que sustentam suas coroas sem a galhofa pública dos chifres. Ninguém abandona ninguém. Troca-se de status no perfil do Facebook, compartilha-se a existência, e vida que segue — todos imbuídos da certeza de que o amor deixa muito a desejar. Acho que Lupi gostaria.

Ele não tinha nada contra quem conseguisse ser feliz. Mas, coitado, viveu o amor antigo, a armadilha de um lotação dirigido por pessoas com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração. Foi atropelado várias vezes pela frieza de suas motoristas. Numa outra letra, uma mulher o trocou pelo médico contratado para lhe tirar os bichos-de-pé.

Definitivamente, amor e bicho-de-pé são doenças de um país rural. Passaram. Ficaram as músicas, das quais, graças a Deus, jamais nos curamos. Ficou também a lição do cadáver de Antonio Maria exposto na calçada suja de Copacabana, quatro meses depois de o compositor ser abandonado pela grande mulher da sua vida. O amor é um samba-canção que deixa muito a soluçar.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/lupi-maria-13934161#ixzz3DthrWJP7

terça-feira, 22 de julho de 2014

Te Contei, não ? - Um tributo à criatividade

RIO — Se a pessoa não estiver com muita pressa ou com os olhos grudados no celular, é quase impossível andar pelo Centro e não esbarrar num chafariz ou na estátua de alguém marcante na história do país. Essa característica reflete, em parte, o papel do Rio como palco de inúmeros acontecimentos culturais e políticos do Brasil. Mas essa marca nacional não explica tudo. A capital poderia pleitear também o status de cidade com o maior número de monumentos dedicados à memória das artes — muitos deles, ao alcance das mãos.

domingo, 22 de junho de 2014

Te Contei, não ? - Dorival Caymmi


 Dorival Caymmi Dorival Caymmi

Dorival Caymmi no seu aniversário


Em 30 de abril de 2014 deveria haver festa, o azul mais bonito no céu, uma fraternidade de civilização, um almoço coletivo em todo o Brasil. Imaginem por quê, Dorival Caymmi faz 100 anos.  

Por Urariano Mota



Nascido em 30 de abril de 1914… – vocês já vêem a dificuldade em saudar um artista de gênio sem cair no ridículo, porque começamos com a prosa mais insossa, “nascido em 30 de abril…”. Por isso peço licença, até dos ouvidos, para falar de um Caymmi nosso, privado, falsamente privado, porque sempre julgamos que a melhor música é assunto íntimo, quando ela é assunto íntimo de toda a gente.

 
Acredito, mas não sei a razão, que as músicas, as composições de que mais gostamos, trazem e traçam um destino prévio para o nosso ser, para a nossa conformação de espírito. Digo mais, se não me internam em um hospício, se prometem que com isto eu não receberei um atestado de louco, digo mais, como um doido varrido de pedra: acredito que as músicas, as composições de que mais gostamos, traçam até mesmo um destino, elas fazem o nosso destino. Nós gostamos delas sem saber que esse afeto vai nos marcar indelével por toda a vida. Nós amamos essas humanas sem saber que elas são proféticas. Digo isto, escrevo isto, e cá dentro há um ser agitado, convulso entre a dor e o riso, como naquelas máscaras antigas do teatro. Pois com abalos no fígado, no ventre e no peito, quero apenas dizer:
 
Ai, que saudade eu tenho da Bahia 
Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia
‘Bem, não vá deixar a sua mãe aflita
A gente faz o que o coração dita
Mas esse mundo é feito de maldade e ilusão’
 
Ai, se eu escutasse hoje não sofria
Ai, esta saudade dentro do meu peito
Ai, se ter saudade é ter algum defeito
Eu pelo menos mereço o direito
De ter alguém com quem eu possa me confessar
 
Ponha-se no meu lugar
E vejam como sofre um homem infeliz
Que teve que desabafar
Dizendo a todo mundo o que ninguém diz
Vejam que situação
E vejam como sofre um pobre coração
Pobre de quem acredita
Na glória e no dinheiro para ser feliz
 
Sem comentário, deveríamos passar para uma linha adiante. Mas não, voltamos, porque como burro teimoso não arredamos do canto. Por que essa composição nos toca tanto? Há nela, é certo, uma lembrança antiga, de infância, em que a cantávamos sem nunca ter ido à Bahia, sem compreender mesmo o sentido de saudade. Cantávamos pela música, pela melodia, deveríamos dizer. Ou porque, talvez, as crianças compreendam sem saber a razão. (Às vezes, mal conseguimos falar, e já cantamos coisas tristes, bem tristes, de um mal e desengano do qual ainda não possuímos a experiência. Cantamos como papagaios? Não, até onde lembramos, cantamos com sentimento, e sentimos um desejo imenso de solidão, quando ainda mal possuímos o sentido disso.)
 
Sim, poderia ser dito, cantávamos pela melodia, nada a ver com a letra. (Há uma cor nessa melodia, sentimos, que vem como réstia de raio do sol amarela.) Depois, aí sim, com as perdas que começamos a somar, melhor, a integrar nos músculos que ganhamos, compreendemos a letra, pensamos. Ai se eu escutasse o que mamãe dizia! Deve então ser isto, pensamos. É a falta dela que nos faz dizer, ai, se eu escutasse aquela que não tenho ao meu lado. Mas não podemos, por mais memória que tenhamos, não podemos viver sempre assim. Viver sob o signo da perda é o próprio sentido da maldição. Mas Caymmi resiste, enquanto avançamos. Então chega ao ponto de ser a canção profética, que cantamos com voz dura, como homem de fato, durão, grosso, estúpido e burro, quando temos o peito mole, feito em pedaços: “que teve que desabafar, dizendo a todo o mundo o que ninguém diz”.
 
Vejam que situação. Que vergonha. Foder-se calado parece mais varonil e másculo. Então que se fodam os varonis, que vá à merda o homem que nega o sentimento. Porque “pobre de quem acredita na glória e no dinheiro para ser feliz”. Sim, tomamos isso para nós, quando nem temos a glória nem o dinheiro, mas acreditamos nisso, como se o tivéssemos. E sentimos assim porque sabemos, agora, de viva experiência, que o fundamental mesmo é o indispensável: sempre estranho à gorda conta bancária, ao bom restaurante, ao carro do ano. Pobre de quem acredita nesse ouro. Pobre de quem só tem esse ouro. Vejam que situação.
 
Então chegamos ao específico, ao profético da canção, que cantávamos quando de nada sabíamos, há muito tempo, e pelo que nos ocorreu depois, dizemo-nos.
 
Ponha-se no meu lugar
E vejam como sofre um homem infeliz
Que teve que desabafar
Dizendo a todo mundo o que ninguém diz
Vejam que situação
E vejam como sofre um pobre coração
 
Isso foi, era e é o meu destino, dizemo-nos. É por isso que eu cantava, desde a infância. Sim, foi isso, sim… Mas, acordamos, será mesmo uma profecia pessoal, uma antecipação do destino só meu e de mais ninguém? Ou será, mais propriamente, uma antecipação de toda a gente, um fiel a marcar a esperança e desesperança de toda uma humanidade? Nisto não estará mesmo a vitória da arte, o de falar a uma só pessoa, quando fala a todas as pessoas? Isto me ocorre, porque agora vejo que todo homem tem um menino dentro, que deve ter sido feliz algum dia. Até mesmo em meio ao maior desassossego, alguma breve felicidade o menino teve. Todo homem. Daí que a gente, com esse exclusivismo besta, fica a pensar que Caymmi é o mestre, o menestrel somente da gente, e de mais ninguém. Marina.
 
Marina, morena
Marina, você se pintou
Marina, você faça tudo
Mas faça um favor
Não pinte esse rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina, você já é bonita
Com o que Deus lhe deu
Me aborreci, me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango, Marina
Não sei perdoar
Eu já desculpei muita coisa
Você não arranjava outra igual
Desculpe, Marina, morena
Mas eu tô de mal
 
De mal com você
De mal com você.
 
A música de Caymmi lembra para nós o que é fundamental, cheiro, cheiro como beijo, cheiro também de aroma, primário e sofisticado que ele é a um só tempo. Agora mesmo, chove na rua, em pleno verão, e esta chuva lembra Caymmi, porque há um cheiro de água a molhar a terra quente, que remete a cuscuz no fogo, de manhã. E vem com ela um cheiro de mar, de vento no mar, que ele cantou como ninguém. Coisas fundamentais, que ouro nenhum compra, pobre de quem acredita.
 
Há, certo, um outro Caymmi, que todo o mundo estrangeiro conheceu no estilo Carmen Miranda, cheia de bananas na cabeça, turbante, olhinhos virados e saracoteios. Mas esse é melhor deixar para as citações exóticas em filmes de Woody Allen. De “O que é que a baiana tem?” guardamos tão só os versos que cantamos baixinho, quando a moça bonita passa na praia, bem baixinho, cá íntimo:
 
“Quando você se requebrar, caia por cima de mim, caia por cima de mim…”.
 

Isso bem baixinho, sem ninguém ver. Em voz alta podemos cantar, acompanhando aquela voz retumbante de Nana Caymmi. Salve, gênio do Brasil. Salve, salve, Caymmi. Desde que nos entendemos de gente, nós gostamos muito de você. Desde quando tínhamos saudade da Bahia, sem conhecer a Bahia, porque pensávamos que a Bahia fosse a nossa mãe. Só louco. 

domingo, 15 de junho de 2014

Crônica do Dia - Dia de Dorival

texto publicado na minha coluna do Segundo Caderno do Globo em 06/06/2014


Ainda é tempo de celebrar o centenário de Dorival Caymmi. Gilberto Gil,na canção “Buda nagô”, afirma que Dorival é, entre muitas outras coisas, índio. Então faço um remix Gil & Jorge. Pego “todo dia era dia de índio” e decreto: “todo dia é dia de Dorival”. Deveríamos acordar sempre, todo dia, não só em 2014, cantando Dorival.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Te Contei não ? Modernismo e Tropicália

Há 90 anos, o Brasil era sacudido pela Semana de Arte Moderna





Movimento está na base da Tropicália, que completa 45 anos do lançamento de seu disco-manifesto.


Criatividade, inquietude, inovação, experimentação e, sobretudo, liberdade. Substantivos que podem definir dois movimentos culturais que revolucionaram o país e estão intrinsecamente ligados: a Semana de Arte Moderna de 1922, que completa 90 anos neste mês, e o Tropicalismo, que celebra o seu 45º aniversário em 2012. A frase “O Tropicalismo é um neoantropofagismo”, dita por Caetano Veloso, um dos principais expoentes tropicalistas, é um resumo de como as duas coisas estavam conectadas.


Te Contei, não ?- Tropicália

Tropicalismo

História do Tropicalismo, origem, influências, movimento e características, principais artistas tropicalistas, tropicália


tropicalismo
Capa do disco de Caetano Veloso de 1969: um dos marcos do Tropicalismo

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Tá na Hora do Poeta - O Bicho - Manuel Bandeira




Gilberto Gil
Extra II, O Rock do Segurança

O segurança me pediu o crachá
Eu disse: nada de crachá, meu chapa
Sou um escrachado, um extra achado
Num galpão abandonado, nada de crachá
Ié, uô, uô, ié

Sei que o senhor é pago pra suspeitar
Mas eu estou acima de qualquer suspeita
Em meu planeta todo o povo me respeita
Sou tratado assim como um paxá
Ié, uô, uô, ié

Essa aparência de um mero vagabundo
É mera coincidência
Deve-se ao fato de eu ter vindo
Ao seu mundo com a incumbência
De andar a terra, saber por que o amor
Saber por que a guerra
Olhar a cara da pessoa comum e da pessoa rara

Um dia rico, um dia pobre, um dia no poder
Um dia chanceler, um dia sem comer
Coincidiu de hoje ser meu dia de mendigo
Meu amigo, se eu quisesse, eu entraria sem você me ver
Sem você me ver, sem você me ver











sábado, 4 de janeiro de 2014

Personalidades - Vinicius de Moraes



No trigésimo aniversário de sua morte, aumenta o reconhecimento do poeta e letrista Vinicius de Moraes, um dos criadores da Bossa Nova

Por Sergio Amaral Silva
        

Foto: Shutterstock

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A Canção - Índios - Legião Urbana

Índios - Legião Urbana
 
 
 
Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do inicio ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

Link: http://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/indios.html#ixzz2pFg6luSV

domingo, 29 de dezembro de 2013

Te Contei, não ? - Uma relação tao delicada

Uma relação tão delicada

Embora de origens musicais distintas, Roberto Carlos e Caetano Veloso construíram uma amizade de décadas, com homenagens mútuas. O racha no grupo Procure Saber provocou o rompimento dos dois

Michel Alecrim
Chamada.jpg
 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Te Contei, não ? - Polêmica das biografias relembra rusgas e reconciliações da história da MPB

 

  • Além de Caetano e Roberto Carlos, muitos outros artistas acumulam tapas e beijos
André Miranda, Leonardo Lichote e Silvio Essinger
 
 
Os desentendimentos são quase tão antigos quanto a música brasileira Foto: Divulgação
Os desentendimentos são quase tão antigos quanto a música brasileira Divulgação