domingo, 20 de dezembro de 2015

Artigo de Opinião - Daqui a um ano - Frei Betto

Como evitar que tantos jovens muçulmanos cresçam sem ressentimento e ódio no coração?

O DIA


Rio - Todo fim de ano, a mídia faz o balanço das principais notícias dos 12 meses anteriores. A tragédia de Mariana e os massacres terroristas em Paris (‘Charlie Hebdo’ e Bataclan) sem dúvida merecerão destaque. Em novembro de 2016, daqui a um ano, os dois fatos voltarão a ser destaques. Não é preciso ter bola de cristal para adivinhar que seremos informados de que, em Mariana, as vítimas que sobreviveram ao mar de lama continuam desamparadas, à espera do cumprimento de promessas do governo e da Samarco.

De Paris, veremos de novo as fotos da mortandade causada pelo terrorismo. E, mais uma vez, as imagens dos aviões em choque com as Torres Gêmeas, em Nova York, em 2001, para enfatizar que ali se perpetrou o maior atentado terrorista da história.

Mentira. Os dois maiores atentados terroristas foram as bombas atômicas lançadas pelos EUA, em 1945, sobre a população civil de Hiroshima e de Nagasaki. Morreram 129 mil pessoas, segundo os EUA, ou 246 mil, de acordo com os japoneses.

Terão os aliados ocidentais derrotado o Estado Islâmico até novembro de 2016? Se analisarmos os precedentes, paira a dúvida. O Ocidente, frente ao inimigo, reage por uma única via: a lei do talião, olho por olho, dente por dente. Assim, derrotada a Al-Qaeda e morto Bin Laden, surgiu o Estado Islâmico com muito mais força, por dominar um território entre o Iraque e a Síria, e muito mais ousadia cruel.

Há 16 milhões de muçulmanos na Europa Ocidental, que não podem nem devem ser identificados como aliados do terrorismo. Porém, são discriminados e tratados como cidadãos de segunda classe. Como evitar que tantos jovens cresçam sem ressentimento e ódio no coração?

O Ocidente ainda não fez mea-culpa das atrocidades perpetradas no Oriente, movido pela cobiça do petróleo. Por que os EUA e seus aliados europeus apoiaram, por tantos anos, a família al-Assad, na Síria; Saddam Hussein, no Iraque; Kadafi, na Líbia; para depois atirar essa gente na lata de lixo da história?

O profeta Isaías proclamou, sete séculos antes de Cristo, que a paz só virá como fruto da justiça. Jamais do mero equilíbrio de forças. Enquanto a busca da paz for movida por ódio e discriminação, a espiral da violência crescerá. A tão apregoada democracia política, da qual o Ocidente tanto se gaba, só deixará de ser mera falácia capitalista quando houver de fato, para 7,3 bilhões de pessoas que habitam a Terra, a sonhada democracia econômica.

Frei Betto é autor de ‘Oito vias para ser feliz’ (Planeta)

Crônicas do Dia - Nunca Mais - Artur Xexéo

Nunca mais vi ninguém pegando jacaré. Nem caçando tatuí. Nunca mais vou ver o Rio Doce

Te Contei, não ? - Um Estado marginal e sem educação

Um Estado marginal e sem educação

Ao longo de 2015, vimos um Estado que é liberal e democrático no discurso, mas de exceção nas formas de conduzir as relações com a comunidade


por Pedro Estevam Serrano

O ano de 2015, marcado pelo avanço de frentes que jogam pelo retrocesso de direitos e contra a democracia, vai encerrando-se com cenas deploráveis de violência praticada pelo aparato policial do Estado contra estudantes que reagiram à proposta do governador paulista de fechar escolas, sob pretexto de reorganizar a gestão.

Em abril, professores paranaenses em greve foram tratados com a mesma truculência, sendo duramente reprimidos pela polícia militar, durante manifestações contrárias a um projeto do governo estadual decidido, a exemplo do que ocorreu em São Paulo, de cima para baixo, sem qualquer diálogo com a categoria. 

Mais do que episódios lamentáveis e emblemáticos do descaso para com a educação pública em nosso país, são situações que revelam uma vocação cada vez maior do Estado de se marginalizar em suas relações com a cidadania.

Na prática, vimos funcionar ao longo deste ano, em diversas ocasiões, um Estado que é liberal e democrático no discurso, mas de exceção nas formas de conduzir as relações com a comunidade.

É estarrecedor que mais de 30 anos após o início da redemocratização, o Estado se mostre tão inapto na hora de lidar com manifestações contrárias àquilo que ele propõe. Ora, é natural, desejável e faz parte do jogo democrático que as pessoas protestem e reivindiquem direitos.

Ao ofender a garantia de manifestação desses cidadãos, reprimindo-os com violência, o Estado – que é quem primeiro deveria cumprir a ordem jurídica – a contraria, marginalizando-se, ou seja, agindo à margem da lei. 

Esse despreparo, sobretudo do aparato policial, que não é meramente acidental, se traduz em cenas impensáveis, como as que assistimos nas últimas semanas. É preciso que fique claro para a sociedade que policiais que apontam armas para estudantes ou aprisionam quem quer com eles dialogar não estão simplesmente “cumprindo seu dever”.

É preciso despi-los da qualidade de agentes do Estado e enxergar o que verdadeiramente são – marginais armados, usando da violência para coagir cidadãos que estão exercendo seus direitos.  Não devemos enxergar na farda a legitimidade para esse tipo de abordagem, pois ela não autoriza ninguém a cometer crime.

Se alguém cumpria deveres – e exercia cidadania – nas cenas descritas, eram os estudantes em luta por aquilo que, em qualquer sociedade minimamente civilizada, todos entendem como direito fundamental:  o acesso pleno à educação.

Aliás, a tática de ocupação usada por esses jovens para forçar o governo a dialogar e recuar foi alentadora, pois demonstra da parte deles não só uma disposição para lutar por esse direito, mas também coerência, já que o fechamento de escolas em um país tão carente de educação como o nosso é absolutamente injustificável. O que se espera é que as escolas melhorem, que a educação seja efetiva, e não mais sucateada. 

As repressões criminosas a trabalhadores da educação e a estudantes pelo aparato policial estatal figuram, sem nenhuma dúvida, como os episódios mais sombrios deste ano, pois escancaram a transmutação do Estado de Direito num Estado de exceção, criminoso, que exerce a soberania de forma bruta e que não enxerga o cidadão como detentor de direitos, mas apenas de deveres e obrigações. 

Por outro lado, a reação desses jovens, pertencentes a uma geração muitas vezes desacreditada, restabelece um equilíbrio muito bem-vindo, pois se de um lado estamos muito distantes de vivenciar a democracia de forma plena, de outro, essa juventude renova, com sua criatividade e espírito de luta, a esperança de que a truculência e o despotismo estatal não serão tolerados.

Como dizem esses mesmos jovens em suas interações nas redes sociais, #NãoPassarão. E que não passe mesmo, em 2016, nenhuma forma de discriminação, de intolerância, de desrespeito às garantias constitucionais e de perseguição.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Entrevista - José Roberto Marinho - "Ele será sempre um museu do amanhã"


Idealizador do Museu do Amanhã, o presidente da Fundação Roberto Marinho diz que uma equipe de curadoria atualizará o conteúdo da exposição a cada dia

Crônicas do Dia - O bloco do sanatório geral - Ruth de Aquino

Esta é uma carta pessoal. Não entendo como o desabafo veio parar aqui no site de ÉPOCA, na última página da revista e nas redes sociais. Tudo vaza, as barragens se rompem, os responsáveis não são punidos nem presos e nós ficamos ao desabrigo, sem dinheiro para entrar em recesso. Quem vazou? Dididilma quis ver a lama chegar ao mar antes do Réveillon? Mimimichel decidiu rasgar a fantasia antes do Carnaval? A nossa pátria mãe, subtraída em tenebrosas transações, viu passar, neste fim de ano de 2015, o bloco do sanatório geral.

Tá na Hora do Poeta - No dia - José Henrique da Silva

No dia

No dia  em que se faz 54 anos
Está riscado
Que sem importar - se mais com perdas e danos
É pra se amanhecer do passado, alforriado.

Pois é  momento de pegar -se o remo da vida
Recarregar tua artilharia
E direcionar tua autobiografia,
Pois não adianta,
A história que de você irradia
E escreve
É sempre de tua autoria.

É dia de se reafirmar o que  acredito
Bendizer o que já foi dito,
E ter sonhos, desejos, anseios irrestritos.

É dia de muito agradecer o que estava sabiamente prescrito
Agradecer a força que recebo e transmito
Prostrar - me diante do que é bendito
Entender que para aqui estar inscrito,
Neste mundo de conflitos,
Mais do que nunca faz se necessário ritos.

José Henrique da Silva
19 de dezembro de 2015


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Te Contei, não ? - Intolerância - Muçulmanos que vivem no Rio sofrem ataques virtuais após atentados na França e criam cartilha de comportamento

O temor é tamanho que os comentários na página oficial da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ) foram desabilitados


NICOLÁS SATRIANO | 21/11/2015 


Te Contei, não ? - Raridades de Drummond

Rio - Um recente achado histórico deixou o mundo da literatura agitado e pode despertar novos estudos sobre outro estilo de Carlos Drummond de Andrade, que morreu em 1987, no Rio, e é tido por muitos como o mais influente poeta brasileiro do século 20. Três poemas desconhecidos dele, não publicados em livros, foram achados, por acaso, por Mayra de Souza Fontebasso, de 25 anos, aluna do penúltimo ano do curso de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior paulista.

Crônicas do Dia - Darwin desmentido - Luiz Fernando Veríssimo

Richard Nixon, aquele incompreendido, certa vez defendeu a nomeação de um correligionário notoriamente medíocre para um cargo federal com o argumento de que a mediocridade também precisava ser representada no governo. Certo o Nixon.

Crônicas do Dia - Impunidade ambiental



No Brasil, não existe cultura de prevenção. Em países onde há ciclones e terremotos, há simulações e exercícios frequentes, até para crianças. Aqui, até há pouco, sirenes e Mapeamentos de Risco (MRs) inexistiam. A impunidade ambiental (e não só) é regra: empresas não pagam multas e protelam obrigações de reconstituir ecossistemas — artigo 225 da Constituição federal, que, independentemente de comprovação de culpa, é responsabilidade objetiva.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Te Contei,não ? - Viagem ao coração quilombola



Fonte: Revista O Globo em 15 de novembro de 2015 
Por Chico Otavio

10/12/2015



Suor descendo pelo rosto, roupas cobertas de poeira e garganta seca. Assim o grupo de mulheres da Caititu do Meio rompia em Berilo, cidade do Médio Jequitinhonha a 550 quilômetros de Belo Horizonte, após duas horas de caminhada sob o sol abrasivo, muita gente torcia o nariz: “Ih, lá vêm as pretas feiticeiras do Caititu.” Uma delas, a jovem Maria Geralda Gomes Oliveira, corria para pedir um copo d’água à primeira janela. Quando o morador dava-lhe as costas sem responder, Geralda não sabia o que fazer: se esperava pela água ou saía de fininho , cabeça baixa, sem olhar para trás.

Três décadas depois, Geralda ergue a cabeça para evoluir ao ritmo do batuque. Não é mais “preta feiticeira”. É quilombola, condição já reconhecida oficialmente. E o Feitiço de caititu, razão do preconceito que as deixava de garganta seca, é agora o legado cultural que poderá livrá-las do ciclo de miséria que assola uma das regiões mais pobres do país. Para vencer o abandono histórico, a carência, a fome, os latifúndios, a grilagem de terras e, para agravar, uma seca recente nunca vista por ali, as comunidades quilombolas do Jequitinhonha, o “vale da miséria” mineiro, querem virar atração turística. Para isso, estão tirando do fundo do baú da memória uma tradição ironicamente preservada pelo isolamento imposto pelo descaso.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Aconteceu, por aqui apareceu ....


06 de dezembro de 2015


Como tudo tem um ciclo que inicia - se, desenvolve - se e finda - se....

Começamos hoje - 06 de dezembro de 2015 -  uma outra formatação neste Blog, porém sempre com os meus ideais de trazer luz, conhecimentos, prazer no ato de ler, reflexão a quem por aqui visitar .... 

sábado, 28 de novembro de 2015

Tá na Hora do Poeta - Acorda, pessoal - Eduarda Raposo

Acorda, pessoal


Alô, alô, ser humano,
Aqui quem fala é de outro ano 
Pare de copiar o japonês, americano
Porque essa tecnologia ajuda, mas causa um dano

Somos todos peças de quebra - cabeça
Modificados por qualquer tecnologia que apareça
Agora está difícil diferenciar humano de tecnologia besta

Criadores substituem sua família por computadores
Hoje em dia temos mais curtidas do que amores
Não somos mais pessoas, sim telespectadores
Que veem na TV a vida que interpretam como atores

A tecnologia é uma prisão
Que te acorrenta em suas redes e faz da vida ilusão
Destroi nossa terra, natureza e unizão
Mas quando a abandonamos só resta solidão

Ao olhar para o céu só vejo poluição
Ao olhar para os humanos, uma bela atuação
Ao olhar para a Terra, um grande lixão 
Onde somos controlados por sua própria criação

Do que adianta avanço tecnológico
Se os humanos não veem lógica
Nem diante essa situação caótica
Telefones inteligentes e pessoas burras e exigentes

A vida é curta para morrer falhando 
Só ame algo material se alguém você está amando
Não destrua a natureza por conta dessa ganância que está nos matando 

Eduarda Raposo
Turma 801 / 2015 





Te Contei, não ? - Lama e descaso


Negligência e irregularidades da mineradora Samarco, controlada pela Vale, causam a maior tragédia ambiental do País. O rastro da destruição permanecerá por anos e outros casos deverão ocorrer se o ritmo da exploração aumentar sem a fiscalização

Fabíola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)

Te Contei, não ? - Como nasce o terror



Os extremistas do Estado Islâmico ascenderam depois da desastrada operação dos EUA no Iraque. Agora, propagam o fim dos tempos e defendem a morte para todos que não os seguirem

Amauri Segalla (asegalla@istoe.com.br)

Te Contei, não ? - Crise hídrica desafia o Rio a buscar novas soluções

Rio - Para que o Rio de Janeiro não enfrente problemas ainda mais sérios de abastecimento de água, o relatório final da CPI da Crise Hídrica da Assembleia Legislativa (Alerj), que vai a plenário nos próximos dias, sugere uma série de medidas, como estudos referentes à dessalinização da água do mar para tornar essa tecnologia viável do ponto de vista técnico, econômico e financeiro.

Te Contei, não ? - Greve fome do rapper Luaty Beirão, preso com 14 ativistas em Luanda por causa de um livro, mobiliza artistas e desperta protestos no mundo

RIO — Nos últimos dias, a expressão desafiadora do rapper angolano Luaty Beirão tem sido reproduzida em cartazes, faixas e muros ao redor do mundo. Em greve de fome há 32 dias e preso com outros 14 jovens ativistas há quatro meses, em Luanda, ele se tornou a face mais visível de um movimento de contestação ao governo do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.


O clamor pela liberdade dos prisioneiros, acusados de tramar um golpe de Estado, mobilizou artistas e chama atenção para a repressão política em Angola no momento em que o país se prepara para celebrar seus 40 anos de independência, em novembro.

Antes restritos a Angola, os protestos já ecoam no mundo lusófono. Desde a semana passada, vigílias organizadas pela Anistia Internacional Portugal têm reunido centenas de pessoas — hoje haverá mais uma, em frente à embaixada de Angola em Lisboa. No Festival Literário Internacional de Óbidos (Fólio), que acontece até domingo na vila histórica portuguesa e tem como um dos curadores o escritor angolano José Eduardo Agualusa, debates e concertos se tornaram palco para manifestações sobre o país africano.

Além disso, uma petição pública pela intervenção do governo português no caso já conta com mais de 7 mil assinaturas, incluindo artistas e intelectuais como os cineastas Pedro Costa e Gus Van Sant, a atriz Maria de Medeiros e o filósofo Jacques Rancière. A presidente da Fundação José Saramago e viúva do autor português, Pilar del Río, enviou uma carta de protesto a José Eduardo dos Santos, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido que governa o país desde a independência, em 1975.

No Brasil, fora uma petição da Anistia Internacional e reações individuais de artistas e políticos, ainda não houve protestos, nem posição oficial do governo. O assunto estará presente em dois festivais literários com autores angolanos, em novembro. Entre os dias 4 e 8, o Fórum das Letras de Ouro Preto, que tem como tema a liberdade de expressão, receberá o poeta Lopito Feijoó. Nos dias 13 e 14, o Flinksampa, em São Paulo, terá Feijoó e mais quatro autores angolanos, entre eles Pepetela, um dos principais romancistas do país.

LIVRO SOBRE RESISTÊNCIA PACÍFICA PROVOCOU PRISÃO

Os ativistas foram presos em Luanda, em 20 de junho, quando discutiam o livro “Da ditadura à democracia” , do cientista político americano Gene Sharp, influente em movimentos de resistência não violenta em vários países, da Ucrânia ao Irã. Nesta semana, a editora portuguesa Tinta da China anunciou que lançará a primeira tradução do livro em Portugal — Sharp doou os direitos autorais à causa.

Para Agualusa, a acusação de que o grupo planejava um golpe de Estado é “absurda”. Colunista do GLOBO, ele dedicou seu texto desta semana à urgência da greve de fome de Luaty e falou sobre ele no Festival de Óbidos, no domingo, em debate com o moçambicano Mia Couto, que também já manifestou apoio aos prisioneiros.

— Conheço bem o Luaty e tenho enorme admiração por ele. Parece-me um homem bom, idealista, que desde há anos vem lutando pela democracia, pela justiça social, pela paz. Tem sofrido muito. Foi preso inúmeras vezes. Foi espancado. Nunca desistiu — diz Agualusa, para quem este é “o maior desafio já enfrentado pelo regime angolano desde o fim da guerra civil”, em 2002. — A prisão gerou uma ampla corrente de solidariedade, sobretudo entre os jovens criadores angolanos, e esta corrente não tem feito senão aumentar a cada dia.

A pressão, que aumentou em Angola com a falta de informações oficiais sobre o processo contra os ativistas, ganhou o mundo com a greve de fome de Luaty, internado em um hospital-prisão de Luanda. Depois de meses de silêncio das autoridades, nesta semana o julgamento foi marcado para 16 de novembro. Também perseguido e levado a julgamento (posteriormente suspenso) por denunciar a corrupção do governo no livro “Diamantes de sangue” (Tinta da China), o jornalista angolano Rafael Marques, que participará do Festival de Óbidos, diz que a prisão teve efeito contrário ao esperado pelo presidente: “chamou atenção em todo o mundo para a repressão política em Angola”.

— O governo quis atacar o elo mais fraco, mas acabou por atacar o mais forte, que é a juventude. Nunca a imagem do presidente Santos esteve tão fragilizada. Não teria havido essa mobilização se não fosse pelo empenho singular de Luaty, que continua a colocar sua vida em risco por uma causa que é de todos os angolanos — diz Marques, que defende a intervenção de Portugal e do Brasil no caso. — Seria importante que Dilma fizesse um pronunciamento em solidariedade ao povo angolano, não aos líderes que reprimem o povo.

POUCO INTERCÂMBIO ENTRE ANGOLA E BRASIL

A pouca repercussão da crise angolana no Brasil reflete a falta de intercâmbio cultural entre os dois países, apesar dos laços históricos entre eles. Ganhador do Prêmio Camões, Pepetela diz que “só o esforço das universidades tem contribuído para que alguma literatura africana faça seu estreito caminho” no país.
— A África só é conhecida no Brasil pelas desgraças. Teria de haver uma mudança nos meios de comunicação e mais esforço nas escolas para que as pessoas aprendam de uma vez que a África é um grande continente e não um país com capital na Nigéria — diz Pepetela, que esteve ao lado do MPLA na luta pela independência e classifica de “lamentável” a prisão dos ativistas e “preocupante” a greve de fome.

O julgamento dos ativistas será poucos dias após o aniversário de 40 anos da independência angolana, em 11 de novembro. Passado tanto tempo e tantos conflitos, porém, o país ainda enfrenta o desafio de se reconstruir, diz Lopito Feijoó:

— Para a sociedade, é difícil compreender como 15 jovens desarmados poderiam dar um golpe de Estado. É mais difícil construir do que destruir. Os campos minados ao longo de 40 anos não vão se desminar em dez. E o mais difícil é a “desminagem” da mente humana. Temos que sarar as feridas do passado.

O Globo 

domingo, 22 de novembro de 2015

Te Contei, não ? - Cultura na mesa: 10 grandes pratos da gastronomia africana


CULTURA NA MESA: 10 GRANDES PRATOS DA GASTRONOMIA AFRICANA por Kauê Vieira

A gastronomia não se limita somente ao objetivo primário de matar a fome, com todas as suas variações ela se apresenta como instrumento de propagação da cultura e representa como ninguém os mais diversos povos e tradições. Se tratando de um continente tão complexo como a África fica ainda mais difícil resumir a preferência gastronômica de sua gente. O modo de fazer, os ingredientes selecionados, a criação de animais e os pratos refletem o ambiente em que cada pessoa vive e toda a tradição e história que envolvem o lugar.

Te Contei, não ? - Exposições marcam as comemorações do Dia da Consciência Negra


19/11/2015 17:32:00 - Jornalista: Assessoria da Fundação Macaé de Cultura 






O trabalho mostra uma diversidade de cenários relativos à cultura africana e afro-brasileira


Como parte das comemorações do Dia da Consciência Negra, a Fundação Macaé de Cultura (FMC) inaugurou nesta semana a exposição "Negro em Tela" do artista plástico, Luciano Pauferro. O trabalho mostra uma diversidade de cenários relativos à cultura africana e afro-brasileira. As obras são do acervo do autor e algumas já vendidas para admiradores da arte.

Te Contei, não ? - Luta contra a Escravidão - Defesa com conhecimento de causa

RIO — Quem observa a força com que os movimentos sociais têm ganhado as ruas do Brasil, em nome de diferentes causas, pode não imaginar o quão distantes e organizadas são as raízes desse tipo de ação no país. É o caso do movimento abolicionista, considerado por muitos historiadores uma das primeiras grandes mobilizações populares em terras brasileiras. Por trás desse movimento, que reverberou por vias, teatros e publicações impressas no final do século XIX, estão atores nem sempre lembrados com o devido destaque: literatos negros que se empenharam em dar visibilidade ao tema. Debruçados sobre essa fase decisiva da história do Brasil, uma leva de historiadores tem revelado detalhes sobre a atuação desses personagens e mostrado que a conexão entre eles era muito maior do que se imagina.

sábado, 21 de novembro de 2015

Crônicas do Dia - O Ocidente escolheu o pior caminho: a guerra - Leronardo Boff

O Ocidente escolheu o pior caminho: a guerra

        Seguramente são abomináveis e de todo rejeitáveis os atententados terroristas perpetrados no último dia 13 de novembro em Paris por grupos terroristas de extração islâmica. Tais fatos nefastos não caem do céu. Possuem uma pré-história de raiva, humilhação e desejo de vingança.

Crônicas do Dia - Estranhou o quê? - Moacyr Luz


Hoje é dia da Coinsciência Negra, dia de festa e reflexão

Crônica do Dia - O multiculturalismo está chegando ao fim - Hamilton Werneck

Hamilton Werneck: O multiculturalismo está chegando ao fim
O acirramento dos ânimos devido às várias interferências de potências em relação a regiões que oferecem commodities a várias partes do mundo provoca reações de todos os tipos

Crônica do Dia - Educação é tudo - Leda Nagle


Educação é diferente de instrução. Ter educação não é privilégio dos ricos

Te Contei, não ? - Intolerância Religiosa em Macaé

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." Nelson Mandela.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Vale a pena assistir ............

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Tá na Hora do Poeta - Quilombos - Isadora Mota



Quilombos

Abrigo,
Para os que fugiam do castigo 
E protegiam seu amigo,
Enquanto fugiam do perigo.

Salvação para fugitivos
Sempre muito positivos
E muito afetivos
Fugiam precavidos

Fuga para refugiados
Onde encontravam muitos escravos
Eram todos muito bravos
Alguns coitados e maltratados

Em busca de sonhos e liberdade
Às vezes com a invderdade  se deparavam
E sempre com a solidariedade
Em Palmares se encontravam .

Lutar,
Brigar,
Batalhar,
Para nossa LIBERDADE conquistar!

Isadora Mota
Turma 701 / 2015 

Atividade produzida a partir da leitura, análise e interpretação da obra Cordel África de Cesar Obeid - Editora Moderna



Tá na Hora do Poeta - Gostos e Sabores da África - João Pedro Golosov



Gosto e Sabores da África 



Cada gosto, cada cheiro
Em muitos assim veio
Na prática sempre impedida
Mas na memória nunca esquecida.

Hauçá, fubá, vatapá
Mungunzá e abará
Estão em almoços pra ficar
Exatamente onde deveriam estar.

Sempre aquele angu
Para levar pro Seu Gugu
Sem esquecer daquele feijão
Para dar pro João.

E o saber fazer, saber bater,
Saber saborear, saber comer
Para sempre reviver
A Cultura Africana ou modo de viver.

E sempre vamos lembrar
Que a Cultura Africana 
Sempre vai estar em todo lugar
Seja na culinária, seja na maneira de saborear !



João Pedro Golosov
Turma 701 / 2015 


Atividade produzida a partir da leitura, análise e interpretação da obra Cordel África de Cesar Obeid - Editora Moderna

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Te Contei, não ? - O Apartheid

Nelson Mandela deixou a prisão no dia 11 de fevereiro de 1990. A liberdade do líder foi o mais forte sinal do fim do regime de segregação racial na África do Sul, o apartheid.

Personalidades - Bispo Desmond Tutu

Desmond Tutu nasceu numa época em que os negros tinham que carregar uma identificação especial e apresentá-la aos policiais brancos quando fossem requisitados. Em 1948, houve eleições na África do Sul, mas como somente os brancos puderam votar, o partido eleito era abertamente racista.