domingo, 28 de junho de 2015

Fábulas - Hierarquia

Hierarquia

Diz que um leão enorme ia andando chateado, não muito rei dos animais, porque tinha acabado de brigar com a mulher e esta lhe dissera poucas e boas.{1} 
Eis que, subitamente, o leão defronta com um pequeno rato, o ratinho mais menor que ele já tinha visto. Pisou - lhe a cauda e, enquanto o rato forçava inutilmente pra escapar, o leão gritava: "Miserável criatura, estúpida, ínfima, vil, torpe: não conheço na criação nada mais insignificante e nojento. Vou te deixar com vida apenas para que você possa sofrer toda a humilhação do que lhe disse, você, desgraçado, inferior, mesquinho, rato!" E soltou - o.
O rato correu o mais que pôde, mas, quando já estava a salvo, gritou pro leão: "Será que V. Excelência poderia escrever isso pra mim ? Vou  me encontrar com uma lesma que eu conheço e quero repetir isso para ela com as mesmas palavras!" {2}

{1} Quer dizer: muitas e más.
{2} Na grande hora psicanalítica, que soa para todos nós, a precisão de linguagem é fundamental. 

MORAL: Afinal ninguém é tão inferior assim.
SUBMORAL: Nem tão superior, por falar nisso.

Millôr Fernandes 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Tá na Hora do Poeta - Debret


Debret




Como era o Brasil antigamente?
Como eram as paisagens do momento?
Com esse pintor, tivemos respostas finalmente,
E sua arte virou espelho daquele tempo.

Ele retratou a alegria e a tristeza,
Os escravos e a nobreza.
Mesmo sem câmeras mostrava com rara beleza
Os detalhes que pintava com clareza.

Por isso foi considerado
Que Jean Baptiste Debret
Foi fotógrafo declarado.

Se não tivesse saído da França,
Creio que o Brasil hoje
Seria um país sem lembranças.







Davi do Amaral Pereira - 802








quinta-feira, 25 de junho de 2015

Charges -


Charges -


Te Contei, não ? - Homem estaciona em vaga de deficiente e grupo enche o carro de adesivos azuis


Pessoas que presenciaram o desrespeito vaiaram a atitude do motorista, que ainda foi notificado por um agente de trânsito



O DIA

Crônicas do Dia - Intolerância não cabe - Jandira Feghali

A onda de ódio cresce no país, disseminada como um veneno letal por grupos políticos que se assemelham em visões distorcidas

O DIA

Te Contei, não ? - Sindicalistas protestam contra José Serra

Protesto foi contra um projeto de lei do senador sobre a Petrobras.


Serra quer desobrigar a estatal de ser a operadora única do pré-sal.

Um grupo de cerca 40 sindicalistas da CUT, ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT), causou tumulto na abertura da Brasil Offshore, maior conferência de petróleo e gás do país, em Macaé (RJ). Eles protestavam contra um projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que desobriga a Petrobras de atuar como operadora única do pré-sal.

Os manifestantes invadiram o palco onde foi montada a mesa de autoridades para a abertura da feira e exibiram faixas e cartazes de protesto. Usando nariz de palhaço, o grupo apitava durante os pronunciamentos. Não houve feridos e ninguém foi detido, segundo a Polícia Militar.
Policiais precisaram intervir para que o senador José Serra não fosse agredido e, na saída, o escoltaram até a porta dos fundos do Centro de Exposição de Macaé, onde ocorre o evento.
Em Declaração enviada ao G1, o senador afirma que não houve confusão. "Fiz minha apresentação completa, sem qualquer interrupção ou tumulto. Falei uns cinquenta minutos. Analisei a situação da Petrobras, com números e fatos e mostrei que meu projeto de lei é bom para fortalecer a empresa e o setor de petróleo no Brasil. No começo e no final, um pequeno grupo de dez ou quinze manifestantes se manifestou de forma legítima, como é legítima toda manifestação popular em um país democrático. O fato é que todos eles me ouviram em silêncio e creio que aprenderam mais sobre o assunto em debate", finalizou.
A Brasil Offshore começou na manhã desta terça-feira (23). A abertura foi comandada pelo prefeito de Macaé, Aloízio Junior, por José Serra e pelo gerente geral da Unidade Operacional da Bacia de Campos (UO-BC) Marcelo Batalha.

Projeto de José Serra
Segundo a assessoria do senador, o projeto que foi alvo de protesto passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) e agora está na fila para votação no plenário do Senado.
O texto propõe que seja retirada da Petrobras a exigência de ela ser operadora exclusiva dos campos de petróleo no pré-sal. Essa seria uma forma de fortalecer a empresa no cenário atual de crise. De acordo com o senador, a Petrobras não tem condições de, atualmente, atender à exigência de participação mínima de 30% nos grupos de exploração e produção do pré-sal.
De acordo com os manifestantes, esse modelo faria com que o percentual para os estados produtores seja maior, diminuindo assim a soberania da Petrobras, já que a participação dela cairia. O modelo atual está vigente desde 2010.

Brasil Offshore
A organização do evento se posicionou sobre o ocorrido, dizendo que "um grupo de manifestantes ligados a uma central sindical se manifestou contrário à fala do senador José Serra. Foi concedido a eles um microfone, para que pudessem se posicionar, mas eles não quiseram, se recusaram".
A 8ª edição da Brasil Offshore – Feira e Conferência Internacional da Indústria de Petróleo e Gás é a 3ª maior do mundo e a 1ª do Brasil. Segundo a organização, a expectativa é de que o evento gere cerca de R$ 1 bilhão em negócios. Esse valor representa um aumento de 13% em relação a 2013.
Para que o tráfego de Macaé não sofra consequências do aumento de carros devido ao número de visitantes, foi criado um esquema especial de trânsito no entorno do Centro de Convenções de Macaé. O esquema garante acessibilidade aos visitantes. Além disso, há apoio operacional de 30 agentes de trânsito espelhados pela cidade, mais 30 estarão mobilizados exclusivamente para a Brasil Offshore.
Para apoio, as equipes contam com quatro viaturas, duas motos e um caminhão reboque. Outros dispositivos, como painéis luminosos, também estão sendo utilizados, inclusive no Centro de Convenções.

G1

Crônicas do Dia - Cadeia ou Escola? - Frei Betto

Por que, em vez de reduzir a maioridade penal, não se aumenta a oferta de Educação de qualidade?

O DIA

Te Contei, não ? - Escola de Solidariedade

Berta Lopez Toste, leciona Desenho há 20 anos, mas se afastou das salas de aulas ano passado ao descobrir um câncer agressivo na região pélvica

REGIANE JESUS


Te Contei, não ? - Mulheres e negros são maioria no ENEM

Inscrições esse ano caíram 2,9%, com menos 224.260 participantes. Em 1988, eram 200 mil candidatos


MARIA LUISA BARROS

Te Contei, não ? - Rolezinhos contra a redução

Rio - Levar informações à população para mostrar que a redução da maioridade penal, ao contrário do que promete o projeto de lei aprovado pela Comissão Especial da Câmara, não terá efeitos sobre a violência. Liderando manifestações por todo o país, mas com a base principal no Rio, os jovens do coletivo ‘Amanhecer contra a Redução’ preparam uma nova estratégia para divulgar suas ideias a partir desta semana: fazer rolezinhos em espaços públicos e shoppings.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Tá na Hora do Poeta - A escritora negra



A escritora negra


Sou Carolina de Jesus
E você provavelmente não me conhece
Mas sem mim
Nossa cultura empobrece

Para antes me conhecer
Vou aqui me apresentar
Mas sem tudo dizer,
Pois os detalhes terá que pesquisar

Moro na favela
E não reclamo,
Pois de uma certa forma
É por conta dela que faço o que amo

Trabalho duro 
Noite e dia 
Para dar aos meus filhos
Um pouco de alegria

Para saber quantos filhos
Terá que pesquisar
Porque isso
Não irei te informar

Escrevi um livrinho
Chamado Quarto do Despejo
Com o papel do lixo
Conto o que vejo

Acho que fiz sucesso,
Pois veio até jornalista
Ganhei muito dinheiro
Somente sendo realista

Comprei uma casa 
Com melhor condição
Não lidei bem com o dinheiro
E voltei para o favelão

Escrevi mais alguns livros 
No meio dessa doideira
Foram tantos compradores
Que virou até língua estrangeira

Agora me despeço
Toda sorrateira
Se gostou desse poema
Pesquise minha história inteira

Luisa Heinle Kuhner 
 Turma 802
2015 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Te Contei, não ? - Festas Juninas

Existem duas explicações para o termo festa junina. A primeira explica que surgiu em função das festividades ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.

Te Contei, não ? - Novo vídeo do Estado Islâmico mostra prisioneiros afogados e explodidos



Imagens de homens afundados em piscina dentro de uma jaula e outros recebendo colares de explosivos são chocantes


O DIA

Crônicas do Dia - Uma nação partida - Dorrit Harazim

A indagação foi postada nas redes sociais feito garrafa lançada ao mar, sem destinatário certo: “Onde podemos nos sentir seguros? Onde podemos ser livres? Onde podemos ser negros?”. Era o resumo da desesperança da América negra após a chacina racial na Igreja Metodista Emanuel de Charleston, estado da Carolina do Sul. Uma interrogação que não se imaginava mais necessária nem urgente.

Crônicas do Dia - Os donos da verdade - Luiz Antonio Simas

Em tempos intolerantes, escutem a lição de Exu e ensaiem outras miradas antes de matar ou morrer por crenças

O DIA

Crônicas do Dia - Não ensinem errado !

Hitler tentou em 1923 uma Marcha sobre Berlim, acabou preso e na prisão escreveu ‘Minha Luta’

O DIA

Te Contei, não ? - Vício Online

Distúrbios têm tratamento especial na UFRJ


ATHOS MOURA

Rio - O uso compulsivo de redes sociais pode estar encobrindo distúrbios como ansiedade e pânico. Já há até uma doença catalogada, a Depressão do Facebook. “A tecnologia não é um problema, ela otimiza o tempo. Mas, quando é ela mal usada, pode causar transtornos. Geralmente as pessoas percebem que estão com problemas quando o uso da rede social começa a gerar conflitos na vida real”, explica Eduardo Guedes, diretor do Instituto Delete, da UFRJ, que oferece tratamento para esse problema.

O jornalista Nelson Vasconcelos informou em sua coluna no DIA, ‘Digital & Tal’, a existência da clínica que reabilita os viciados online. Desde 2012, quando começaram os atendimentos, a quantidade de pacientes triplicou. Em três anos, mais de 400 pessoas já procuraram o instituto para tentar curar a dependência.

A procura só aumenta. No início do projeto, cerca de dez pessoas por semana iam até o instituto em busca de terapia. Atualmente, entre a primeira visita e a revisão, os atendimentos semanais já chegam a 40.

Com o tratamento variando entre quatro e oito semanas, o uso imoderado de celular, principalmente, pode ser controlado. O grupo formado por profissionais das áreas de Saúde, Tecnologia, Psiquiatria e Comunicação elaborou um questionário online para o internauta avaliar se deve procurar ajuda. Segundo Guedes, usar redes sociais não é um problema. O vício começa quando o tempo é gasto sem que a pessoa consiga se controlar. Ele cita o exemplo dos que pegam o celular para determinada atividade, mas que esquecem o que iriam fazer por ficar vendo mensagens ou postagens.

O despachante Marcelo Corrêa, de 42 anos, sofreu por anos com ansiedade sem que soubesse o diagnóstico. Um dia, por recomendação de um amigo, procurou o Delete e se submeteu a um tratamento de dois meses. Ele já sabe equilibrar o uso da internet. “Consigo controlar os sintomas e me livrei dos remédios”, diz.

A especialista em marketing Maura Xerfan acredita que usa as redes sociais por mais de dez horas por dia. E admite que talvez precise de ajuda para não passar a vida dentro da tela de um computador ou celular. Maura sofre de insônia porque quando acorda à noite sempre checa o celular: “Quando é algo interessante, me perco na leitura. Quando vejo já se passaram horas. Nessa semana, li por mais de uma hora e meia durante a madrugada”.

Os interessados no tratamento podem ir à Avenida Venceslau Bras 71, Praia Vermelha, às sextas-feiras, de 8h às 12h.


domingo, 21 de junho de 2015

Tá na Hora do Poeta - Carolina, mulher de luz - Alessandra C. Guimarães


Carolina, mulher de luz

Na vida
Tudo pode acontecer
Pode ser feliz ou sofrida
Ela pode ser lembrada
Se a história puder ser lida

Carolina Maria de Jesus
Mineira, pobre, negra
Injustiçada e surrada
Saiu de casa
A pé andava
De cidade em cidade parava

São Paulo então chegou
Um emprego arrumou
Na biblioteca da casa
Lia histórias e poesia
Ela lia e escrevia,
Mas os estudos não completou

Mãe solteira, três filhos
Sem emprego, sem casa
Para o Canindé ela foi
E à própria sorte
Construiu sua casa
Com materiais que achou

Catava papéis para sobreviver,
Mas ficava com alguns
Para poder escrever
O que acontecia
No dia a dia

Sua maior arma era seu livro
E então, a semianalfabeta
Negra e favelada
Virou sucesso
O quarto de despejo
Mostrou a realidade
E se transformou em novidade

A fama veio,
E o dinheiro também,
Mas não soube lidar com ele
Faleceu esquecida
Fora de sua casa “residível”

Sua forma de ver o mundo
Mudou o mundo dos outros
Escreveu a sua vida,
Mas não foi reconhecida
E merece ser lembrada
Por escrever com alegria e luz
Carolina Maria de Jesus



Alessandra C. Guimarães - 801

Crônicas do dia - Da pedra ao diálogo - William Helal Filho


Perseguições, prisões e até mortes de adeptos das religiões de matriz africana eram frequentes no Brasil do século XIX. Um absurdo escorado na letra do artigo 157 do primeiro Código Penal republicano, de 1890, que proibia “praticar o espiritismo, a magia e seus sortilégios, usar de talismãs e cartomancias para despertar sentimentos de ódio e amor, inculcar cura de moléstias curáveis ou incuráveis, enfim para fascinar e subjugar a credulidade pública". Mais de 120 anos se foram desde então. O país evoluiu. Hoje, a Lei 7.716, de 1989, protege fiéis de todas as crenças, prevendo anos de cadeia para quem comete crimes de intolerância religiosa. Mas indivíduos de certos ramos da sociedade continuam lá atrás.

Crônicas do Dia - Os autores e a internet - Gustavo Tepedino

Com a revolução tecnológica, o principal veículo de execução pública de músicas tornou-se a internet. Disponibiliza-se, por esse meio, formidável número de obras musicais. As tecnologias, contudo, não devem estimular a ilicitude e sacrificar os direitos autorais. Trata-se de direitos fundamentais dos autores, cujo respeito se associa à preservação da identidade cultural da sociedade.

Crônicas do Dia - Em vez de ler, colorir - Zuenir Ventura


O escritor José Saramago, com seu divertido pessimismo, previu que de degrau em degrau o homem ia acabar “chegando ao grunhido”

20/06/2015 - 15h08

Crônicas do Dia - O pecado da Intolerância

Rosiska Darcy de Oliveira, O Globo

A resposta raivosa da bancada evangélica no Congresso Nacional à Parada Gay é mais um capítulo da ofensiva fundamentalista que se abate sobre o nosso país.

Crônicas do Dia - Deseducação religiosa - Hamilton Werneck

Bons eram os tempos em que pessoas ligadas a várias confissões ministravam ensinamentos nas igrejas, templos e escolas numa ação gratuita

O DIA

Crônicas do Dia - Para a posteridade - Adriana Calcanhotto

Biografias podem servir para alargar o conhecimento ou para fazer caixa nas editoras. Decide o leitor

Personalidades - Tônia Carrero

RIO — Rodeada de intelectuais, Tônia Carrero opinava em todos os assuntos que dominavam a mesa naquela noite no Degrau, tradicional reduto boêmio do Leblon. Encantado com tanta beleza e surpreso com a eloquência, Rubem Braga resumiu o fascínio provocado pela atriz.
— Ela fala pelos cotovelos. Mas que cotovelos... — disse para Paulo Mendes Campos, segundo registro do livro “Crônicas da vida boêmia”, de Aluízio Falcão.

Te Contei, não ? - Origem misteriosa


RIO — No ano em que a cidade comemora seus quatro séculos e meio, o Centro Histórico ainda guarda segredos. Conhecido por seu autoritarismo, o político italiano Benito Mussolini, que liderou o Partido Nacional Fascista, pode não ter pisado em terras fluminenses, mas o Rio teria possíveis símbolos do fascismo em postes, calçadas e adornos. Entre a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e o Paço Imperial, 17 postes de bronze têm, segundo estudiosos, o que seria a principal marca do regime: um feixe de madeira (que significava união e força do povo) envolvendo uma machadinha, com uma águia no topo (que representava o poder).
Referências ao fascismo podem estar ainda em instalações do Legislativo fluminense. No Palácio Tiradentes, sede da Alerj, onde objetos são testemunhas de momentos que marcaram a história política do Rio e do país, é possível ver, logo no hall, ao lado da escadaria principal, duas urnas com as mesmas marcas. Junto a elas, a inscrição “lex” (“lei” em latim). Nas galerias do plenário, o feixe de madeira envolvendo a machadinha aparece em oito desenhos. A ilustração também se repete em frente ao prédio histórico, no piso de pedras portuguesas.

Crônica do Dia - Dever de casa - Júlio Furtado

Parece que o dever de casa é da família toda, e não só do aluno

O DIA
Rio - Enquanto aguardava na fila de um caixa eletrônico dia desses, ouvi a conversa de duas mulheres que estavam logo atrás: “Vim correndo pegar o dinheiro pra pagar à faxineira. Fico presa a tarde inteira sem poder sair, pois minha filha tem dever de casa todo dia”. Parece que o dever de casa é da família toda, e não só do aluno.

Crônicas do Dia - Carta ao rei Roberto - Arnaldo Bloch

O rei está nu e não está morto. Vida longa ao rei!, com um milhão de biografias

Te Contei, não ? - Poder debaixo dos lençóis

“Henrique VIII deixou a Igreja Católica para que a Inglaterra tivesse sua própria religião. Napoleão Bonaparte pôs a Europa de joelhos perante a França. Pedro I foi desafiado a transformar uma colônia no Império brasileiro. Homens de importância incontestável na trajetória de seus países, eles foram motivados a cumprir seus feitos não apenas por razões de Estado, mas também por quem dividiam a cama — e não em seus relacionamentos formais. Durante séculos, amantes e cortesãs eram figuras fáceis ao lado de monarcas de diversos países, relegando as rainhas à sombra e assumindo tarefas como a recepção de embaixadores e o patrocínio de artistas. Ganhavam castelos, joias e garantiam títulos de nobreza aos filhos bastardos.

Crônica do Dia - Estado de choque - Márcia Vieira

A imagem da orelha decepada, faltando um pedaço, é tão chocante quanto a ideia de um jovem, formado em economia pelo Ibmec, ser capaz de tamanha brutalidade. José Phillippe Ribeiro de Castro, de 28 anos, é acusado de arrancar um pedaço de um rapaz e de ferir, com um objeto cortante, outros dois convidados de uma festa do irmão, no jardim de sua casa, na Gávea, num ataque de selvageria que destoa da calma que reina naquele cantinho nobre da Zona Sul. Há menos de um mês, o Rio assistiu chocado a outra cena de brutalidade, desta vez mais trágica, que levou à morte do médico Jaime Gold, na Lagoa. Gold morreu esfaqueado, sem esboçar reação diante de dois jovens que queriam levar a sua bicicleta num assalto.

Entrevista - Paulo Coelho - "Roberto Carlos manipulou Chico, Caetano e Gil"

De Genebra, na Suíça, onde vive, o escritor Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos autores brasileiros (“o mais bem-sucedido”, corrige ele), acompanhou atento o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu pelo fim da exigência de autorização prévia para biografias. O escritor foi uma das primeiras vozes a se manifestar contra a causa defendida por Roberto Carlos e pela associação Procure Saber, grupo que reúne, entre outros, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Roberto Carlos proíbe, desde 2007, a venda de um livro a seu respeito. Em entrevista por telefone a ÉPOCA, Paulo Coelho conta que tentou demover seus “ídolos” da ideia de apoiar a censura às biografias. Ele afirma que o grupo aceitou acompanhar Roberto Carlos em sua batalha extemporânea em troca do apoio do cantor a mudanças no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad, entidade que recolhe e repassa direitos autorais a artistas). “Eles devem estar arrependidos agora”, diz. Paulo Coelho foi tema de uma biografia não autorizada, escrita por Fernando Morais. Não gostou do livro. Nem por isso passou por sua cabeça se juntar a seus ídolos para impedir a publicação de futuras biografias suas. “Gostar ou não gostar faz parte da vida”, afirma.

Crônicas do Dia - Desculpe, Neide

Há dez meses, Neide, 44 anos, ótima pessoa e profissional competente, cheia de energia, mãe de quatro filhos, percebeu um caroço no seio. Há dez meses ela luta pela cura. Primeiro, Neide fez um ultrassom. Depois uma mamografia, depois raios X de tórax. Neide ficou então “na fila para ser operada”. Prometeram que seria rápido. O caroço doía, aumentava, e, junto, a ansiedade.

Crônicas do Dia - Busca da felicidade - Frei Betto

Não costumamos ser educados para alcançar a felicidade, e, sim, para ser consumistas

O DIA

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Crônicas do Dia - A idade do gênio - Frei Betto

Uma das miopias que carregamos é considerar a criança um ser ignorante

O DIA
Rio - Nosso olhar está impregnado de preconceitos. Uma das miopias que carregamos é considerar a criança um ser ignorante. O educador e cientista Glenn Doman se colocou a pergunta: em que fase da vida aprendemos as coisas mais importantes que sabemos? Falar, andar, movimentar-se, distinguir olfatos, cores, fatores que representam perigo, diferentes sabores, etc? Ora, 90% de tudo que é importante para fazer de nós seres humanos aprendemos até os 6 anos, período que Doman considera “a idade do gênio”. 

Te Contei, não ? - Gerações de graduados formados a partir da política de cotas já fazem diferença



Para sociólogo, política de cotas é uma solução temporária, enquanto ainda existe disparidade no Ensino Fundamental

Te Contei, não ? - Branco, nobre e escravo do governador

Branco, nobre e escravo do governador

Por muitos anos, Anthony Knivet lembraria o dia em que chegou ao Rio. Apavorado, dentro do navio onde vinha preso, o jovem inglês viu ao longe a praia da atual Praça Quinze e, dela, partirem canoas para a recepção. Uns portugueses remavam, os outros batiam tambores, faziam barulho, festa. Knivet foi jogado ao mar e quase se afogou. Trazido à terra, teve de esperar. O governador Salvador Correia de Sá, que decidiria seu destino, assistia à missa na Igreja de Nossa Senhora do Ó, atual Carmo.

Te Contei, não ? - Império: segredos de um triângulo amoroso

RIO - Em 1827, a nobre Maria Benedita de Canto e Melo passava em sua carruagem na Ladeira da Glória quando foi atacada a tiros. A baronesa de Sorocaba escapou ilesa, mas por toda a corte espalhou-se a história de que a mandante do atentado seria a irmã da vítima, Domitila de Canto e Melo, a marquesa de Santos, amante oficial de dom Pedro I. O motivo? Ciúme. A baronesa também frequentava a cama do Imperador, e, inclusive, teria engravidado do monarca ao mesmo tempo de Domitila. Segundo historiadores, ao contrário do escandaloso romance da marquesa, este caso extraconjugal era tratado com um pouco mais de discrição por dom Pedro, que costumava dar algumas “escapadelas” para encontrar Maria Benedita.

Crônicas do Dia - Pátria Educadora - Cora Rónai

Conheço alguns professores do PVS. Jovens recém-formados, cheios de entusiasmo... Olho para eles e o meu peito dói

Crônica do Dia - O ensino privado

Prestigiar o ensino privado seria grande investimento na Educação e no social

O DIA
Rio - O Chile está em meio ao debate da proposta da sua presidenta de acabar com o ensino privado no país, que vinha sendo apontado como o mais moderno em gestão da América Latina. Mas a socialista, neste segundo mandato, quer implantar seu programa, apesar do desgaste depois que foi eleita “sogra do ano” ao autorizar empréstimo de banco oficial para a nora especular no mercado imobiliário e ganhar dez milhões de dólares com informação privilegiada.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Crônica do Dia - Há sangue em cada notícia - Zuenir Ventura

Há sangue em cada notícia

Como manter livre, sem sequer uma internação, alguém que, aos 16 anos de idade, já tem 15 passagens pela polícia, várias por roubo à mão armada com faca?

Crônica do Dia - Intolerância Religiosa - uma herança das senzalas - Camille Rodrigues

Por Camille Rodrigues e Alan Miranda, em Observatório da Favela

“O meu direito termina quando o seu começa”: assim, através de um ditado popular, perpetua-se a falácia de que o direito de uns precisa ser interrompido para que o de outros se exerça, em vez de conviverem mútua e pacificamente. No Brasil, um país de culturas diferentes, a busca pelo respeito à diversidade e a tolerância tornam-se pautas cruciais à manutenção da democracia, do convívio entre as diferenças. A espiritualidade é um valor fundamental para as civilizações desde os primórdios da humanidade, desse modo, a intolerância religiosa se mostra uma pedra no caminho do desenvolvimento humano.  

Crônica do Dia - Impasse e perspectivas - Frei Betto

Cabe ao povo brasileiro se manifestar. Governo é como feijão, só funciona na panela de pressão

O DIA
Rio - A crise brasileira traduz o esgotamento de um modelo. O capitalismo neoliberal favorece o consumo, e não a produção, o que explica, nos últimos 12 anos, a facilidade de crédito, as desonerações tributárias, o aumento anual do salário mínimo corrigido pela inflação, o maior acesso dos brasileiros ao mercado. No entanto, não se criaram as bases de sustentabilidade para assegurar o acesso, a longo prazo, aos bens de consumo. 
O paternalismo populista teve início quando se trocou o Fome Zero, um programa emancipatório, pelo Bolsa Família, meramente compensatório. Passou-se a dar o peixe sem ensinar a pescar. 

Crônica do Dia - Intolerância Religiosa - Dráuzio Varella

Sou ateu e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.

A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.

Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.

Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais.

Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos à interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido. Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.

Te Contei, não ? - Intolerância Religiosa

A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a diferentes crenças e religiões. Em casos extremos esse tipo de intolerância torna-se uma perseguição. Sendo definida como um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana, a perseguição religiosa é de extrema gravidade e costuma ser caracterizada pela ofensa, discriminação e até mesmo atos que atentam à vida de um determinado grupo que tem em comum certas crenças.

Te Contei, não ? - Na internet, o diário de viagem de D. Pedro II

Rio - Ao longo de 58 anos como imperador do Brasil, D. Pedro II colecionou diversos carimbos em seu passaporte. Como um intelectual amante de artes e tecnologia, ele fazia questão de anotar com riqueza de detalhes tudo o que via nos países que visitava. Durante todos esses anos, o imperador escreveu 43 cadernetas com suas impressões da Europa, do Oriente Médio e do Brasil.

Te Contei, não ? - Vítima de intolerância atingida por pedra está com medo de usar branco, diz avó


Kailane, candomblecista de 11 anos, foi atingida por pedra na cabeça quando voltava do centro que frequenta na Zona Norte

Crônica do Dia - Leila para sempre Diniz - Jaguar

A atriz chocava os moralistas de plantão com frases do tipo 'Você pode muito bem gostar de uma pessoa e ir para a cama com outra'

O DIA
Rio - O verso de Drummond está na lápide de Leila Diniz no São João Batista. Levei um baita susto quando li no jornal que no próximo dia 25 ela faria 70 anos. Eu a conheci em 1960, quando tinha 15 anos, e eu, 28; já dizia palavrões de um jeito tão bonitinho que os privilegiados marmanjos e garçons do Mau Cheiro (também chamado de Morte Lenta) achavam isso muito natural, como na letra de ‘Desafinado’. Ela e suas amigas, Ira Etz, Ana Maria Saraiva, Ionita e Aninha Magalhães, trocavam, escondidas dos pais, o maiô pelo biquíni no banheiro do bar. Depois disso, o até então provinciano bairro de Ipanema nunca mais foi o mesmo. Liam, ou fingiam ler, ‘A Náusea’, de Sartre. A música de fundo era de Juliette Greco. O barquinho de Menescal e Bôscoli deslizava no macio azul do mar enquanto algumas tinham crises existenciais se dourando ao sol do Arpoador. Leila com certeza não, ela era uma mulher solar, não me lembro quem disse.

Crônica do Dia - O teste de amizade - Arnaldo Bloch

Um estudo capaz de determinar se uma pessoa é amiga de outra

Da familiaridade nasce o abuso, conclui Esopo numa de suas fábulas envolvendo leões e raposas neuróticos. Baseado nesta moral e no fato de que “de perto ninguém é normal”, constatado por Caetano Veloso, em possível parceria com Pablo Picasso, foi criado, especialmente para esta edição, um estudo informal capaz de determinar se uma pessoa é amiga de outra, ou muito pelo contrário. Abaixo, em primeira mão, essa verdadeira pseudorrevolução a priori que promete mudar, para sempre, as relações interpessoais ou redes sociais.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Te Contei, não ? - Napoleão Gonçalves e suas manias


Napoleão Gonçalves e suas manias.

Napoleão Gonçalves era um sapo que vivia achando. Se perguntavam uma opinião, ele pensava um pouco, depois dizia “eu acho isso”, “eu acho aquilo”, não gostava de não achar nada. E com aquela mania de viver achando, umas das coisas que ele achou é que ele achava que para ser feliz a gente precisa trabalhar nas coisas que a gente gosta.

Teve um ano que ofereceram um monte de dinheiro para ele anunciar pasta de dente na televisão. Ele não gostavade anunciar e nem gostava daquela pasta de dente: não topou o trabalho. Mas a mulher de Napoleão Gonçalves
 – que se chamava Mimi-das-perucas, e que vivia no cabeleireiro penteando as perucas e comprando roupa e comprando perfume e querendo comprar o dia inteiro e sempre infeliz e sempre dizendo que a vizinha dela tinha mais coisas que ela e sempre querendo mais dinheiro para comprar mais  – tanto falou, tanto reclamou, tanto brigou com Napoleão Gonçalves, que ele acabou na televisão anunciando pasta de dente e se sentindo infeliz à beça.

Mimi gastou o dinheiro todo no cabeleireiro. 

Outro ano ofereceram um ordenado um bocado alto para Napoleão ser gerente de uma fábrica de camundongos enlatados. Ele disse que não gostava de comida em lata e não foi. Mas mimi-das-perucas chorou, brigou, disse que queria mais perucas, disse que era uma infeliz por que só tinha dez pares de sapatos e a vizinha tinha quinze, criou tanto casa que Napoleão Gonçalves acabou indo. E enquanto ele dava duro o dia inteirinho na fábrica, Mimi comprava, comprava, só parava de comprar para ir ao cabeleireiro. Até que um dia Mimi-das-Perucas ficou tanto tempo embaixo daquele secador que os cabeleireiros usam, que secou a peruca, a cabeça, Mimi toda secou, morreu.

Como não tinha ninguém com quem deixar os sete filhos pequenos, Napoleão Gonçalves começou a trabalhar em casa: como gostava muito de trabalhar com madeira, resolveu ser marceneiro; e como era louco por teatro comprou uns livros para estudar de noite. Ganhava pouco dinheiro, mas vivia feliz que só vendo, e curtindo cada dia até não poder mais. Adorava os garotos; vivia batendo papo com eles e brincando horas a fio de começar a achar: o que é que vocês acham disso? O que é que vocês acham daquilo? E uma das coisas que os garotos logo acharam é que eles achavam que o pai era o máximo.

(Lygia Bojunga Nunes, ANGÉLICA, págs. 74-75, 7°edição, livraria AGIR editora, Rio de Janeiro, 1982.)

Te Contei, não ? - A lenda do Santo Graal

Ao longo da história do cristianismo, a veneração por relíquias sagradas foi uma das mais corriqueiras demonstrações de fé vinculadas ao catolicismo. Esse tipo de experiência de fé visava reforçar materialmente a crença na história de vida dos santos e de Jesus Cristo. Por isso, principalmente a partir da Idade Média, as relíquias se transformaram em alvo da adoração e da constituição de várias lendas que descreviam os grandes poderes destes artefatos sagrados.

Em meio a tantas relíquias, o Santo Graal tem um significado especial, pois se trata de um suposto objeto utilizado por Cristo durante a Última Ceia. Ao longo do tempo, as interpretações e simbologias em cima desse objeto sagrado ganharam novas versões que, inclusive, inspiraram a narrativa do best-seller “O Código da Vinci”. Contudo, os estudos sobre o cristianismo primitivo em pouco contribuem para que essa crença se transformasse em realidade.

No primeiro século, os valores cristãos eram populares entre pessoas de origem humilde e que não tinham condições de ostentar nenhum tipo de luxo material maior. Por isso, caso o Santo Graal realmente existisse, não poderíamos imaginá-lo como um utensílio sofisticado e valioso. Além disso, os próprios relatos sobre a Última Ceia contidos nos evangelhos bíblicos não fazem nenhuma menção especial a qualquer objeto utilizado na última celebração entre Cristo e seus apóstolos.

No entanto, com o passar dos séculos, outros textos considerados sagrados foram responsáveis por articular a lenda que se criou em torno do Santo Graal. Em um desses textos, também conhecidos como evangelhos apócrifos, encontramos a menção de um cristão que, durante o julgamento e a crucificação de Cristo, teve o cuidado de zelar por utensílios supostamente utilizados pelo líder messiânico. Dessa maneira, estariam nesses relatos a origem do mito sobre o copo da Última Ceia, o Santo Graal.

Um dos responsáveis por dar continuidade ao mito do Graal foi um poeta medieval francês chamado Chrétien de Troyes. Em um de seus poemas épicos, Troyes contava a história de Percival, um camponês que se juntou aos cavaleiros do Rei Arthur e se lançou ao mundo em busca de aventuras. A certa altura da história, o cavaleiro Percival se depara resignadamente com uma procissão onde alguns cristãos carregavam valiosas relíquias, sendo uma delas “um graal”.

A história, que não teve prosseguimento pela morte de seu autor, diz em suas partes finais que o Graal avistado pelo cavaleiro tinha o poder de evitar várias intempéries. Apesar de mal explicada, a história do poeta francês foi importante para que o caráter divino do Graal fosse posteriormente explorado por outros escritores. Segundo alguns estudiosos, o termo “graal”, primeiramente utilizado por Troyes, faz referência a um tipo de prato raso, e não ao cálice que costuma simbolizar a famosa relíquia.

Algumas décadas após a morte de Troyes, a história por ele iniciada foi retomada por vários autores que reinventaram os destinos de Percival e o valor daquele graal. Em meio às reinvenções, os cavaleiros do rei Arthur perseguiriam o Santo Graal com o objetivo de curar e instruir o lendário rei Arthur. Entre os cavaleiros estava o puro Galahad, que ao encontrar a relíquia descobre importantes revelações sobre o mundo.

Na Idade Moderna, as famosas histórias do Santo Graal e das demais relíquias do mundo medieval se depararam com as críticas do movimento protestante. A crença e a compra das relíquias eram atacadas como um tipo de atividade contrária a outras mais importantes práticas cristãs. Contudo, a lenda conseguiu sobreviver ao longo do tempo e, no século XIX, foi relacionada com a Ordem dos Cavaleiros Templários, ordem religiosa criada no século XII com a missão de proteger a cidade de Jerusalém.

Essa interpretação histórica foi fundada a partir da leitura de um poema alemão intitulado como “Parzival”. Nessa obra, o graal é descrito como uma pedra protegida por um grupo de guerreiros chamados de “templeisen”. Anos depois, saberiam que esses indícios que ligavam o graal aos templários era fruto de uma interpretação errônea dos termos encontrados no poema alemão. Contudo, essa vinculação foi tomada como verdade durante um bom tempo.

No final do século XIX, em meio ao “boom” das descobertas arqueológicas, um grupo de pesquisadores resolveu imitar o fictício Percival, e assim saíram em busca do Santo Graal. Com o início da empreitada, vários “graais” foram encontrados e posteriormente desmascarados. No entanto, a lenda do graal ganhou um novo fôlego com o surgimento de grupos esotéricos que compreendiam o Santo Graal como um conjunto de textos sagrados de profunda importância religiosa.

A última e mais famosa versão sobre esse mito tenta levantar indícios pelos quais o Santo Graal, na verdade, faria uma truncada menção à expressão “sangue real”. Com base em tal premissa, acreditariam que o sangue real supõe a existência de uma linhagem de descendentes de Jesus Cristo que, segundo outras supostas fontes documentais, teria deixado herdeiros a partir de sua união com Maria Madalena. E assim, a lenda do graal cresce com novas, acalentadoras e instigantes promessas.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escol

sábado, 13 de junho de 2015

Crônica do Dia - O corredômetro da doença - Ruth de Aquino

Poderia ser só no Ceará. Poderia ser só por causa da “chuva e aumento de viroses”, segundo a visão embaçada do governo cearense. Poderia ser só no Nordeste e no Norte, regiões mais carentes. Mas não é. A fileira de doentes no chão do corredor do hospital Instituto Dr. José Frota em Fortaleza, alguns com soro e remédios na veia, é uma síntese do descalabro da Saúde no Brasil.

Te Contei, não ? - Cantigas Medievais

Nessa época em que há o predomínio da oralidade, a poesia é marcada pelas cantigas trovadorescas, que possuem uma estreita relação com a música, o canto e a dança. Em virtude disso, fazia-se necessário o acompanhamento de instrumentos musicais, tais como a harpa, a flauta, a guitarra, o alaúde, a viola etc. É natural que esses poemas, por serem obras transmitidas oralmente, acabassem desaparecendo.
Para evitar que isso acontecesse, inicialmente, foram criados pequenos cadernos de apontamento, nos quais essas obras eram transcritas. Esses cadernos não foram suficientes para armazenar todas as obras conhecidas, então, alguns mecenas, em especial o rei, resolveram agrupar essas obras em coletâneas de canções. Dessa forma, as cantigas que antes eram apenas apresentadas oralmente e estavam guardadas apenas na memória do trovador foram compiladas e viraram os Cancioneiros.

Te Contei, não ? - Idade Média

Idade Média: uma era muito mal compreendida

Obscura, brutal, injusta, suja... A época medieval não tem boa reputação, mas os especialistas começaram a rever os estereótipos mais populares.

Crônica do Dia - A miopia da juventude - sem metáforas - Jairo Bourer

Há hoje um verdadeiro exército de jovens instruídos que, cada vez mais, enfrenta dificuldades de enxergar com clareza imagens que estão distantes. Uma nova pesquisa mostra que a incidência de miopia aumentou de forma importante nas últimas décadas. Hoje, ela é duas vezes mais comum entre pessoas de 25 a 29 anos do que entre as de 55 a 59 anos. Ela afeta, também, duas vezes mais os universitários do que aqueles que abandonaram a escola.

Crônica do Dia - Homofóbicos, saiam do armário ! - Ruth de Aquino

Toda forma de pensar vale a pena. Eu curto. O que seria de nós – namorados ou solitários, héteros ou gays – se não existissem pastores evangélicos como Silas Malafaia, que em vídeo exorta o Brasil a apoiar “a família milenar” e a só acreditar nos casais de “macho e fêmea”? É isso aí, Malafaia, bota esse ódio todo para fora! Espume pela boca seu preconceito, rebole seu medo. Eu apoio.

Te Contei,não ? - A natureza é o remédio

Não é incomum que, naquelas manhãs de ressaca, recorra-se ao prosaico chá de carqueja como remédio. Receita de avó. Infalível. A carqueja, planta nativa do Sul e do Sudeste do Brasil, é tão amarga quanto popular no tratamento de dores de estômago e indigestão. Usa-se o chazinho milagroso até para emagrecer. Pesquisadoras da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) hoje se debruçam sobre o enigma da carqueja. Elas pesquisam se a planta tem mesmo em sua composição substâncias capazes de combater o parasita que causa a esquistossomose – doença que, segundo a Organização Mundial da Saúde, afeta cerca de 240 milhões de pessoas no mundo. “Estamos na fase de estudos para verificar se a carqueja é segura”, diz Ana Lúcia Ruiz, coordenadora do Departamento de Farmacologia e Toxicologia de um centro multidisciplinar da Unicamp. Se a eficácia da carqueja se comprovar e algum gigante da indústria farmacêutica se interessar em produzir o medicamento e colocá-lo no mercado, completa-se o ciclo ideal da pesquisa com biodiversidade: o conhecimento popular inspira a ciência; a ciência abastece a indústria; e a indústria fornece o medicamento para a população.