sábado, 28 de novembro de 2015

Tá na Hora do Poeta - Acorda, pessoal - Eduarda Raposo

Acorda, pessoal


Alô, alô, ser humano,
Aqui quem fala é de outro ano 
Pare de copiar o japonês, americano
Porque essa tecnologia ajuda, mas causa um dano

Somos todos peças de quebra - cabeça
Modificados por qualquer tecnologia que apareça
Agora está difícil diferenciar humano de tecnologia besta

Criadores substituem sua família por computadores
Hoje em dia temos mais curtidas do que amores
Não somos mais pessoas, sim telespectadores
Que veem na TV a vida que interpretam como atores

A tecnologia é uma prisão
Que te acorrenta em suas redes e faz da vida ilusão
Destroi nossa terra, natureza e unizão
Mas quando a abandonamos só resta solidão

Ao olhar para o céu só vejo poluição
Ao olhar para os humanos, uma bela atuação
Ao olhar para a Terra, um grande lixão 
Onde somos controlados por sua própria criação

Do que adianta avanço tecnológico
Se os humanos não veem lógica
Nem diante essa situação caótica
Telefones inteligentes e pessoas burras e exigentes

A vida é curta para morrer falhando 
Só ame algo material se alguém você está amando
Não destrua a natureza por conta dessa ganância que está nos matando 

Eduarda Raposo
Turma 801 / 2015 





Te Contei, não ? - Lama e descaso


Negligência e irregularidades da mineradora Samarco, controlada pela Vale, causam a maior tragédia ambiental do País. O rastro da destruição permanecerá por anos e outros casos deverão ocorrer se o ritmo da exploração aumentar sem a fiscalização

Fabíola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)

Te Contei, não ? - Como nasce o terror



Os extremistas do Estado Islâmico ascenderam depois da desastrada operação dos EUA no Iraque. Agora, propagam o fim dos tempos e defendem a morte para todos que não os seguirem

Amauri Segalla (asegalla@istoe.com.br)

Te Contei, não ? - Crise hídrica desafia o Rio a buscar novas soluções

Rio - Para que o Rio de Janeiro não enfrente problemas ainda mais sérios de abastecimento de água, o relatório final da CPI da Crise Hídrica da Assembleia Legislativa (Alerj), que vai a plenário nos próximos dias, sugere uma série de medidas, como estudos referentes à dessalinização da água do mar para tornar essa tecnologia viável do ponto de vista técnico, econômico e financeiro.

Te Contei, não ? - Greve fome do rapper Luaty Beirão, preso com 14 ativistas em Luanda por causa de um livro, mobiliza artistas e desperta protestos no mundo

RIO — Nos últimos dias, a expressão desafiadora do rapper angolano Luaty Beirão tem sido reproduzida em cartazes, faixas e muros ao redor do mundo. Em greve de fome há 32 dias e preso com outros 14 jovens ativistas há quatro meses, em Luanda, ele se tornou a face mais visível de um movimento de contestação ao governo do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.


O clamor pela liberdade dos prisioneiros, acusados de tramar um golpe de Estado, mobilizou artistas e chama atenção para a repressão política em Angola no momento em que o país se prepara para celebrar seus 40 anos de independência, em novembro.

Antes restritos a Angola, os protestos já ecoam no mundo lusófono. Desde a semana passada, vigílias organizadas pela Anistia Internacional Portugal têm reunido centenas de pessoas — hoje haverá mais uma, em frente à embaixada de Angola em Lisboa. No Festival Literário Internacional de Óbidos (Fólio), que acontece até domingo na vila histórica portuguesa e tem como um dos curadores o escritor angolano José Eduardo Agualusa, debates e concertos se tornaram palco para manifestações sobre o país africano.

Além disso, uma petição pública pela intervenção do governo português no caso já conta com mais de 7 mil assinaturas, incluindo artistas e intelectuais como os cineastas Pedro Costa e Gus Van Sant, a atriz Maria de Medeiros e o filósofo Jacques Rancière. A presidente da Fundação José Saramago e viúva do autor português, Pilar del Río, enviou uma carta de protesto a José Eduardo dos Santos, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido que governa o país desde a independência, em 1975.

No Brasil, fora uma petição da Anistia Internacional e reações individuais de artistas e políticos, ainda não houve protestos, nem posição oficial do governo. O assunto estará presente em dois festivais literários com autores angolanos, em novembro. Entre os dias 4 e 8, o Fórum das Letras de Ouro Preto, que tem como tema a liberdade de expressão, receberá o poeta Lopito Feijoó. Nos dias 13 e 14, o Flinksampa, em São Paulo, terá Feijoó e mais quatro autores angolanos, entre eles Pepetela, um dos principais romancistas do país.

LIVRO SOBRE RESISTÊNCIA PACÍFICA PROVOCOU PRISÃO

Os ativistas foram presos em Luanda, em 20 de junho, quando discutiam o livro “Da ditadura à democracia” , do cientista político americano Gene Sharp, influente em movimentos de resistência não violenta em vários países, da Ucrânia ao Irã. Nesta semana, a editora portuguesa Tinta da China anunciou que lançará a primeira tradução do livro em Portugal — Sharp doou os direitos autorais à causa.

Para Agualusa, a acusação de que o grupo planejava um golpe de Estado é “absurda”. Colunista do GLOBO, ele dedicou seu texto desta semana à urgência da greve de fome de Luaty e falou sobre ele no Festival de Óbidos, no domingo, em debate com o moçambicano Mia Couto, que também já manifestou apoio aos prisioneiros.

— Conheço bem o Luaty e tenho enorme admiração por ele. Parece-me um homem bom, idealista, que desde há anos vem lutando pela democracia, pela justiça social, pela paz. Tem sofrido muito. Foi preso inúmeras vezes. Foi espancado. Nunca desistiu — diz Agualusa, para quem este é “o maior desafio já enfrentado pelo regime angolano desde o fim da guerra civil”, em 2002. — A prisão gerou uma ampla corrente de solidariedade, sobretudo entre os jovens criadores angolanos, e esta corrente não tem feito senão aumentar a cada dia.

A pressão, que aumentou em Angola com a falta de informações oficiais sobre o processo contra os ativistas, ganhou o mundo com a greve de fome de Luaty, internado em um hospital-prisão de Luanda. Depois de meses de silêncio das autoridades, nesta semana o julgamento foi marcado para 16 de novembro. Também perseguido e levado a julgamento (posteriormente suspenso) por denunciar a corrupção do governo no livro “Diamantes de sangue” (Tinta da China), o jornalista angolano Rafael Marques, que participará do Festival de Óbidos, diz que a prisão teve efeito contrário ao esperado pelo presidente: “chamou atenção em todo o mundo para a repressão política em Angola”.

— O governo quis atacar o elo mais fraco, mas acabou por atacar o mais forte, que é a juventude. Nunca a imagem do presidente Santos esteve tão fragilizada. Não teria havido essa mobilização se não fosse pelo empenho singular de Luaty, que continua a colocar sua vida em risco por uma causa que é de todos os angolanos — diz Marques, que defende a intervenção de Portugal e do Brasil no caso. — Seria importante que Dilma fizesse um pronunciamento em solidariedade ao povo angolano, não aos líderes que reprimem o povo.

POUCO INTERCÂMBIO ENTRE ANGOLA E BRASIL

A pouca repercussão da crise angolana no Brasil reflete a falta de intercâmbio cultural entre os dois países, apesar dos laços históricos entre eles. Ganhador do Prêmio Camões, Pepetela diz que “só o esforço das universidades tem contribuído para que alguma literatura africana faça seu estreito caminho” no país.
— A África só é conhecida no Brasil pelas desgraças. Teria de haver uma mudança nos meios de comunicação e mais esforço nas escolas para que as pessoas aprendam de uma vez que a África é um grande continente e não um país com capital na Nigéria — diz Pepetela, que esteve ao lado do MPLA na luta pela independência e classifica de “lamentável” a prisão dos ativistas e “preocupante” a greve de fome.

O julgamento dos ativistas será poucos dias após o aniversário de 40 anos da independência angolana, em 11 de novembro. Passado tanto tempo e tantos conflitos, porém, o país ainda enfrenta o desafio de se reconstruir, diz Lopito Feijoó:

— Para a sociedade, é difícil compreender como 15 jovens desarmados poderiam dar um golpe de Estado. É mais difícil construir do que destruir. Os campos minados ao longo de 40 anos não vão se desminar em dez. E o mais difícil é a “desminagem” da mente humana. Temos que sarar as feridas do passado.

O Globo 

domingo, 22 de novembro de 2015

Te Contei, não ? - Cultura na mesa: 10 grandes pratos da gastronomia africana


CULTURA NA MESA: 10 GRANDES PRATOS DA GASTRONOMIA AFRICANA por Kauê Vieira

A gastronomia não se limita somente ao objetivo primário de matar a fome, com todas as suas variações ela se apresenta como instrumento de propagação da cultura e representa como ninguém os mais diversos povos e tradições. Se tratando de um continente tão complexo como a África fica ainda mais difícil resumir a preferência gastronômica de sua gente. O modo de fazer, os ingredientes selecionados, a criação de animais e os pratos refletem o ambiente em que cada pessoa vive e toda a tradição e história que envolvem o lugar.

Te Contei, não ? - Exposições marcam as comemorações do Dia da Consciência Negra


19/11/2015 17:32:00 - Jornalista: Assessoria da Fundação Macaé de Cultura 






O trabalho mostra uma diversidade de cenários relativos à cultura africana e afro-brasileira


Como parte das comemorações do Dia da Consciência Negra, a Fundação Macaé de Cultura (FMC) inaugurou nesta semana a exposição "Negro em Tela" do artista plástico, Luciano Pauferro. O trabalho mostra uma diversidade de cenários relativos à cultura africana e afro-brasileira. As obras são do acervo do autor e algumas já vendidas para admiradores da arte.

Te Contei, não ? - Luta contra a Escravidão - Defesa com conhecimento de causa

RIO — Quem observa a força com que os movimentos sociais têm ganhado as ruas do Brasil, em nome de diferentes causas, pode não imaginar o quão distantes e organizadas são as raízes desse tipo de ação no país. É o caso do movimento abolicionista, considerado por muitos historiadores uma das primeiras grandes mobilizações populares em terras brasileiras. Por trás desse movimento, que reverberou por vias, teatros e publicações impressas no final do século XIX, estão atores nem sempre lembrados com o devido destaque: literatos negros que se empenharam em dar visibilidade ao tema. Debruçados sobre essa fase decisiva da história do Brasil, uma leva de historiadores tem revelado detalhes sobre a atuação desses personagens e mostrado que a conexão entre eles era muito maior do que se imagina.

sábado, 21 de novembro de 2015

Crônicas do Dia - O Ocidente escolheu o pior caminho: a guerra - Leronardo Boff

O Ocidente escolheu o pior caminho: a guerra

        Seguramente são abomináveis e de todo rejeitáveis os atententados terroristas perpetrados no último dia 13 de novembro em Paris por grupos terroristas de extração islâmica. Tais fatos nefastos não caem do céu. Possuem uma pré-história de raiva, humilhação e desejo de vingança.

Crônicas do Dia - Estranhou o quê? - Moacyr Luz


Hoje é dia da Coinsciência Negra, dia de festa e reflexão

Crônica do Dia - O multiculturalismo está chegando ao fim - Hamilton Werneck

Hamilton Werneck: O multiculturalismo está chegando ao fim
O acirramento dos ânimos devido às várias interferências de potências em relação a regiões que oferecem commodities a várias partes do mundo provoca reações de todos os tipos

Crônica do Dia - Educação é tudo - Leda Nagle


Educação é diferente de instrução. Ter educação não é privilégio dos ricos

Te Contei, não ? - Intolerância Religiosa em Macaé

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." Nelson Mandela.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Vale a pena assistir ............

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Tá na Hora do Poeta - Quilombos - Isadora Mota



Quilombos

Abrigo,
Para os que fugiam do castigo 
E protegiam seu amigo,
Enquanto fugiam do perigo.

Salvação para fugitivos
Sempre muito positivos
E muito afetivos
Fugiam precavidos

Fuga para refugiados
Onde encontravam muitos escravos
Eram todos muito bravos
Alguns coitados e maltratados

Em busca de sonhos e liberdade
Às vezes com a invderdade  se deparavam
E sempre com a solidariedade
Em Palmares se encontravam .

Lutar,
Brigar,
Batalhar,
Para nossa LIBERDADE conquistar!

Isadora Mota
Turma 701 / 2015 

Atividade produzida a partir da leitura, análise e interpretação da obra Cordel África de Cesar Obeid - Editora Moderna



Tá na Hora do Poeta - Gostos e Sabores da África - João Pedro Golosov



Gosto e Sabores da África 



Cada gosto, cada cheiro
Em muitos assim veio
Na prática sempre impedida
Mas na memória nunca esquecida.

Hauçá, fubá, vatapá
Mungunzá e abará
Estão em almoços pra ficar
Exatamente onde deveriam estar.

Sempre aquele angu
Para levar pro Seu Gugu
Sem esquecer daquele feijão
Para dar pro João.

E o saber fazer, saber bater,
Saber saborear, saber comer
Para sempre reviver
A Cultura Africana ou modo de viver.

E sempre vamos lembrar
Que a Cultura Africana 
Sempre vai estar em todo lugar
Seja na culinária, seja na maneira de saborear !



João Pedro Golosov
Turma 701 / 2015 


Atividade produzida a partir da leitura, análise e interpretação da obra Cordel África de Cesar Obeid - Editora Moderna

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Te Contei, não ? - O Apartheid

Nelson Mandela deixou a prisão no dia 11 de fevereiro de 1990. A liberdade do líder foi o mais forte sinal do fim do regime de segregação racial na África do Sul, o apartheid.

Personalidades - Bispo Desmond Tutu

Desmond Tutu nasceu numa época em que os negros tinham que carregar uma identificação especial e apresentá-la aos policiais brancos quando fossem requisitados. Em 1948, houve eleições na África do Sul, mas como somente os brancos puderam votar, o partido eleito era abertamente racista.

domingo, 8 de novembro de 2015

Artigo de Opinião - A hora é essa - Luiz Antônio Simas

É justo ressaltar a importância das questões propostas pelo Enem na seleção para 2016, mas ainda é pouco

O DIA
Rio - No livro “Pele negra, máscaras brancas”, Frantz Fanon chama atenção para um fato: o racismo herdado do colonialismo se manifesta explicitamente a partir de características físicas, mas não apenas aí. A discriminação também se estabelece a partir da inferiorização de bens simbólicos daqueles a quem o colonialismo tenta submeter: crenças, danças, visões de mundo, formas de celebrar a vida, enterrar os mortos, educar as crianças, etc.

O discurso do colonizador europeu em relação aos indígenas e aos povos da África, por exemplo, consagrou a ideia de que estes seriam naturalmente atrasados, despossuídos de história. Apenas elementos externos a eles – a ciência, o cristianismo, a democracia representativa, a economia de mercado, a escola ocidental, etc. – poderiam inseri-los naquilo que imaginamos ser uma maiúscula História da humanidade.

É dentro desta tensão normatizadora que mora a maior das perversidades: o discurso canônico tem a tendência de convencer aos inferiorizados da suposta supremacia natural de alguns saberes. Com requintes de devastação, inclusive emocional, ele faz com que a vítima potencial introjete a visão que a inferioriza como se fosse uma verdade absoluta.

A mesmíssima coisa vale para as mulheres, em uma sociedade patriarcal como a nossa, que padroniza a submissão como comportamento natural feminino, vulgariza o assédio como prática normal inscrita na conduta do macho (prendam as suas cabras que o meu bode está solto, repetem os pais orgulhosos) e historicamente tirou da mulher (e de diversas minorias) o protagonismo da fala e das narrativas sobre o próprio corpo.

Dentro dessa linha de raciocínio, é justo ressaltar a importância das questões propostas pelo ENEM no exame de seleção para 2016. É digno de celebrações, mas ainda é pouco. O ENEM afinal de contas, continua sendo uma prova de classificação, encarada por muitos (incluo aí colégios, famílias, candidatas) como um exame de corte com a finalidade de garantir o acesso ao ensino superior, e não como meio para que se pense a pluralidade no sistema educacional.

Mas a hora é essa. Pensemos numa prática pedagógica cotidiana, inserindo a discussão de gênero nos currículos escolares, criticando o racismo epistemológico (muito mais sutil que o racismo escancarado e riscado na pele), combatendo a obra da escravidão, refletindo sobre o machismo nosso de cada dia e abrindo ouvidos e olhares para vozes dissonantes e miradas mais ousadas. A insurgência epistêmica nunca foi tão urgente e necessária.

E-mail: luizantoniosimas67@gmail.com

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Crônicas do dia - O ofício de ser professor por quem mais sabe - Marcus Tavares

Ser professor é um somatório do conhecimento e aprimoramento profissional do indivíduo e do entendimento e bagagem de vida que este carrega

O DIA
Rio - Não dá para deixar passar em branco o Dia do Professor, comemorado no último dia 15. Desculpem os profissionais indiretamente envolvidos com a Educação que analisam o tema sem estar em sala de aula, mas somente o professor conhece o tamanho da responsabilidade e do ofício que exerce todos os dias. E sobretudo no Brasil, em 2015.
Não é uma profissão como outra qualquer. É muito mais complexa do que parece. É um somatório do conhecimento e aprimoramento profissional do indivíduo e do entendimento e bagagem de vida que este carrega.
Nos dias de hoje, ser professor vai muito além do conhecimento técnico especializado de uma determinada área, que deve ser exigido e aprimorado continuamente. Ser professor envolve competências e habilidades para lidar com crianças, jovens e até mesmo adultos em diferentes contextos políticos, sociais, culturais e econômicos. Realidades, por vezes, muito duras, tristes e chocantes.
Com a ausência cada vez maior da presença da família — seja ela qual for — no dia a dia dos estudantes, é o professor que acaba vivenciando muito mais de perto momentos de intensa transformação emocional e corporal dos alunos, participando, inclusive, dos ritos de passagem. E, nestas horas, o que conta e o que se pede não é conteúdo nem conhecimento. É presença. E mais: valores humanos.
Em que aula, por exemplo, mesmo que nas entrelinhas, não se discutem ética, moral, solidariedade, respeito? Direitos e deveres? Professor — de sala de aula — sabe disso. E não foge do embate, da polêmica, da crítica, da cara feia. Sabe ouvir, ponderar e, principalmente, se posicionar.
Como também sabe que não é — nem pode ser — o pai ou a mãe. Que não é psicólogo nem médico, muito menos babá. É um mediador que, ao contrário do que pensam, sofre pressões internas e externas para melhorar não só o ensino, mas o cidadão de hoje e do amanhã. Ou seja: o seu filho, o meu, o dele: os nossos.
Que outra profissão tem este desafio? Nenhuma. E posso garantir que muitos dos professores lutam para que este desafio não escorra pelas mãos. Como seria bom que a sociedade de fato e de direito se unisse a este coro. Como seria bom que as políticas públicas se somassem a este propósito. Como seria bom vivenciar isto tudo dentro da sala de aula.

Marcus Tavares é jornalista e professor

Crônica do Dia - O que te move, professor ? - Júlio Furtado

Podemos comemorar nosso incurável idealismo de ajudar a construir um mundo melhor, mais justo e mais fraterno

O DIA
Rio - A cada ano, fico especialmente apreensivo quando chega a época de escrever um texto dedicado ao 15 de outubro, Dia do Professor. Já escrevi inspirado pelos mais variados sentimentos, da revolta à esperança. Neste 2015, tão obscurecido pela palavra crise, a fisionomia das pessoas me transmite desânimo, e as palavras, revolta.
Diante desse quadro desolador, fico a pensar sobre o que os professores estão respondendo para as nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos quando perguntam se o Brasil vai falir ou se teremos que pedir esmolas. A resposta do professor, certamente, pesará bastante no quanto de esperança esse aluno ainda terá. Com certeza, as respostas estão sendo proporcionais ao quanto de esperança estamos conseguindo ter.
Tenho me alimentado, insistentemente, de exemplos de bons educadores de carne e osso. Digo de carne e osso porque os exemplos de educadores destemidos que desbravam as matas e dão suas vidas pelo que fazem, ao invés de me inspirarem, me deprimem.
Talvez porque eu não tenha vocação para ser herói ou mártir. Quero apenas conseguir que meus alunos aprendam e se tornem autônomos para aprender cada vez mais. Quero manter-me uma pessoa comum que prefere tomar um chopinho com os amigos num domingo à tarde do que ficar fazendo plano de aula.
Quero acreditar que esse é o perfil da maioria dos professores brasileiros. Gostam do que fazem, acreditam que podem fazer melhor e lutam, diariamente, para não perder essa crença. Acredito que podemos comemorar nossa humanidade. Sim, porque a humanidade do professor precisa ser especial. Precisamos acreditar no ser humano acima de qualquer coisa e investir para que ele se supere a cada dia, mesmo quando tudo diz o contrário.
Podemos comemorar nosso incurável idealismo de ajudar a construir um mundo melhor, mais justo e mais fraterno. Sugiro que aproveitemos o Dia do Professor para nos perguntar insistentemente o que nos move. Para avaliar o nosso fazer cotidiano, nossa postura enquanto educadores e nos perguntar, com honestidade, se merecemos os parabéns. Aproveitemos para nos apropriar do nosso projeto de vida e  do nosso projeto de mundo e fazer deles um projeto pedagógico ao qual possamos ser fiéis com todas as nossas forças.


Júlio Furtado é professor e escritor