sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Dissertação

Cidadania virtual

Assistimos hoje ao fenômeno da expansão das redes sociais no mundo virtual, um crescimento que ganha atenção por sua alta velocidade de propagação, trazendo como consequência, diferentes impactos para o nosso cotidiano. Assim, faz-se necessário um cuidado, uma cautelosa discussão a fim de encarar essa nova realidade com uma postura crítica e cidadã para então desfrutarmos dos benefícios que a globalização dos meios de comunicação pode nos oferecer.
A internet nos abre uma ampla porta de acesso aos mais variados fatos, verbetes, imagens, sons, gráficos etc. Um universo de informações de forma veloz e prática permitindo que cada vez mais pessoas, de diferentes partes do mundo, diversas idades e das mais variadas classes sociais, possam se conectar e fazer parte da grande rede virtual que integra nossa sociedade globalizada. Dentro desse contexto as redes sociais simbolizam de forma eficiente e sintética como é o conviver no século XXI, como se estabelecem as relações sociais dentro da nossa sociedade pós-industrial , fortemente integrada ao mundo virtual.

Toda a comodidade que a rede virtual nos oferece é , no entanto, acompanhada pelo desafio de ponderar aquilo que se publica na internet, ficando evidente a instabilidade que existe na tênue linha entre o público e o privado. Afinal, a internet se constitui também como um ambiente social que à primeira vista pode trazer a falsa ideia de assegurar o anonimato. A fragilidade dessa suposição se dá na medida em que causas originadas no meio virtual podem sim trazer consequências para o mundo real. Crimes virtuais, processos jurídicos, disseminação de ideias, organização de manifestações são apenas alguns exemplos da integração que se faz entre o real e o virtual.

Para um bom uso da internet sem cair nas armadilhas que esse meio pode eventualmente nos apresentar, é necessária a construção da criticidade, o bom senso entre os usuários da rede, uma verdadeira educação capaz de estabelecer um equilíbrio entre os dois mundos, o real e o virtual. É papel de educar tanto das famílias, dos professores como da sociedade como um todo, só assim estaremos exercendo de forma plena nossa cidadania.

Texto extraído do documento A Redação no ENEM 2012 – Guia do Participante disponível em http://www.inep.gov.br/.



O que é um texto dissertativo-argumentativo?

texto dissertativo-argumentativo é um texto opinativo que se organiza na defesa de um ponto de vista sobre determinado assunto.

Nele, a opinião é fundamentada com explicações e argumentos, para formar a opinião do leitor ou ouvinte, tentando convencê-lo de que a ideia defendida está correta. É preciso, portanto, expor e explicar ideias. Daí a sua dupla natureza: é argumentativo porque defende uma tese, uma opinião, e é dissertativo porque se utiliza de explicações para justificá-la. Um texto dissertativo difere de um texto dissertativo-argumentativo por não haver a necessidade de demonstrar a verdade de uma ideia, ou tese, mas apenas de expô-la.

Seu objetivo é, em última análise, convencer ou tentar convencer o leitor mediante a apresentação de razões, em face da evidência de provas e à luz de um raciocínio coerente e consistente. E é exatamente esse tipo textual que a proposta de redação do ENEM cobra.

Um texto dissertativo-argumentativo deve combinar dois princípios de estruturação:

I – apresentar uma tese, desenvolver justificativas para comprovar essa tese e uma conclusão que dê um
fecho à discussão elaborada no texto, compondo o processo argumentativo.

TESE – É a ideia que você vai defender no seu texto. Ela deve estar relacionada ao tema e deve estar apoiada em argumentos ao longo da redação.

ARGUMENTO – É a justificativa utilizada por você para convencer o leitor a concordar com a tese defendida. Cada argumento deve responder à pergunta “por quê?” em relação à tese defendida.

II – utilizar estratégias argumentativas para expor o problema discutido no texto e detalhar os argumentos utilizados.

ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS – São recursos utilizados para desenvolver os argumentos, de modo a convencer o leitor:
• exemplos;
• dados estatísticos;
• pesquisas;
• fatos comprováveis;
• citações ou depoimentos de pessoas especializadas no assunto;
• alusões históricas; e
• comparações entre fatos, situações, épocas ou lugares distintos.

Por exemplo, para desenvolver um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado” (ENEM 2011), você poderia desenvolver:

Tese: O excesso de exposição da vida privada nas redes sociais pode ter consequências graves, como situações de violência cibernética.

Argumentos:
1. explicação sobre o que é violência cibernética;
2. dados de pesquisas que comprovam a tese;
3. exemplos de situações de violência, como o cyber bullying;
4. depoimento de especialista no assunto; e
5. contra-argumento: aspectos positivos das redes sociais.

Proposta de intervenção: Alertar os jovens, por meio de campanhas, tanto na escola, por professores, como em casa, com os familiares, sobre os perigos da superexposição nas redes sociais.

Como desenvolver uma tese?

1. Você pode iniciar o desenvolvimento da tese transformando o tema em uma pergunta. Ainda usando o tema do ENEM 2011, ficaria da seguinte forma: “Viver em rede no século XXI: quais são os limites entre o público e o privado?” ou “Como viver em rede no século XXI? Quais são os limites entre o público e o privado?”.
2. A seguir, responda esta pergunta da maneira mais simples e clara possível, concordando ou discordando ou, ainda, concordando em parte e discordando em parte; esta resposta será seu ponto de vista.
3. Pergunte a si mesmo o porquê da sua resposta buscando uma justificativa para ela em uma causa, um motivo, uma razão etc: essa justificativa será seu principal argumento.
4. Em seguida, reflita sobre os motivos que o levaram ao argumento principal, pois eles o ajudarão a fundamentar a sua posição: eles são seus argumentos auxiliares. Através das estratégias argumentativas mencionadas anteriormente, você desenvolverá seus argumentos.
5. A partir dessa reflexão você poderá iniciar o rascunho do seu texto, planejando-o. A sugestão proposta a partir do passo a passo acima é:

i. Interrogue o tema;
ii. Responda com a opinião;
iii. Justifique com o argumento principal;
iv. Fundamente-o com os argumentos auxiliares;
v. Apresente as estratégias argumentativas;
vi. Apresente a proposta de intervenção social e conclua.



Por CAMILA DALLA POZZA PEREIRA

Redação de Mary Clea Ziu Lem Gun, Barueri (SP).

Fonte: http://www.infoenem.com.br

Artigo de Opinião - Avanços na luta contra o tabagismo

Impostos provenientes da venda de cigarros não pagam sequer a metade da demanda do Sistema Único de Saúde para tratamentos de doenças provocadas pelo fumo

Te Contei, não ? - Mostra 'Ocupação Zuzu' chega ao Rio


Hildegard Angel, filha da estilista, fala da sua força criativa

MARCIA DISITZER
Rio - A entrevista com a jornalista Hildegard Angel sobre a mostra ‘Ocupação Zuzu’, aberta ontem, para o público, no Paço Imperial, é entremeada de palavras e lágrimas. Não é para menos. Nas salas centenárias do Paço, a trajetória de sua mãe coragem, Zuzu Angel, é exemplarmente contada. A exposição, idealizada e produzida pelo Itaú Cultural, tem como curadores o próprio instituto, Hilde, filha caçula da estilista, e Valdy Lopes. Impossível não se emocionar.
A jornalista Hildegard Angel, filha de Zuzu, posa entre as roupas da mãe: 'A exposição é uma ação bem feita, como Zuzu merece'
Foto:  Fernando Souza/ Agência O Dia
Hilde fez da preservação a sua meta. Coube a ela a missão de manter vivas as memórias do irmão, Stuart Angel, militante do MR8, preso e assassinado em 1971 pela ditadura militar, e de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, morta num acidente de carro, em 1976. Mais tarde, ficou comprovado que Zuzu também foi assassinada pelo regime militar. “Guardei roupas e manuscritos dela todos esses anos. Guardei para manter a chama de Stuart e da mamãe acesas. Essas chamas são a memória do Brasil”, diz a jornalista.
A mostra ‘Ocupação Zuzu’ revela em 400 itens — divididos em roupas, cartas, fotos, croquis, material gráfico, documentos e detalhes de estampas — a vida e a obra de Zuzu. Mineira de Curvelo, ela nasceu em 1921 e entrou para a história da moda brasileira de duas maneiras singulares. Na década de 60, Zuzu injetou brasilidade em suas roupas, numa época em que isso não era nada comum. Ela adicionou sem medo fitas, rendas nacionais e chitas às suas criações e passeou por temas regionais, como Lampião, Maria Bonita e festas de São João. “O Brasil não foi instrumento de uma estação. Mamãe se inspirava no Brasil assiduamente. Ela era o Brasil. Desafiou os paradigmas vigentes nas décadas de 60 e 70, 
em que todos obedeciam o que vinha de fora. Zuzu ousou transgredir. E só começou a ser aceita no Brasil a partir do aplauso externo”, avalia Hildegard.

A estilista também transformou a moda em militância nos anos de chumbo. Na sua incansável busca pelo filho, Stuart, fez de suas coleções um grito, que ecoou no Brasil e no exterior. “Um dos vestidos do desfile-protesto em Nova York (em 1971, Zuzu apresentou coleção em que denunciava a truculência da ditadura militar, na casa do cônsul brasileiro) tem soldados bordados, ironizando a ditadura. Mas, ao mesmo tempo, é também um olhar terno para esses mesmos soldados”, analisa Hilde, que destaca a força criativa da mãe depois do desaparecimento de Stuart. “Ela era divertida mesmo no drama”.
Performace aos sábados e aos domingos
A Mostra ‘Ocupação Zuzu’ é dividida em quatro salas: a primeira é dedicada à família de Zuzu e às suas fontes de inspiração; a segunda mostra a força do Brasil nas criações da estilista; e a terceira e a quarta salas são focadas no famoso desfile-protesto em Nova York e no luto da estilista, que passou a se vestir de preto. “A história dela como empreendedora e criadora é também parte da história do Brasil”, ressalta Claudiney Ferreira, um dos curadores pelo Itaú Cultural.
No período da exposição, todo fim de semana, atrizes dirigidas pela estilista e consultora Karlla Girotto farão performances entre o público, lendo trechos de cartas de Zuzu. A mostra também conta com imagens em vídeo do desfile-protesto e entrevistas com a designer. O Paço Imperial fica na Praça 15, no Centro. A mostra está aberta de terça-feira a domingo, de meio-dia às 18h, até o dia 2 de novembro. De graça.

Te Contei, não ? - Caso Brown incentiva movimento de apoio a comunidades negras

FERGUSON — Os protestos pacíficos retornaram à cidadezinha de Ferguson na noite de quarta-feira e o governador Jay Nixon determinou nesta quinta-feira a retirada da Guarda Nacional, após dez dias de revolta pela morte do jovem negro Michael Brown pela polícia. Agora, moradores deste subúrbio de St. Louis, no Missouri, denominações religiosas e grupos de militância de direitos civis tentam fazer da tragédia um elemento aglutinador que produza um movimento nacional de apoio às comunidades negras que se sentem marginalizadas.

Vale a pena assistir - Museu Afro Brasil: religiões afrobrasileiras


Te Contei, não ? - A África de todos nós

Os diversos povos que habitavam o continente africano, muito antes da colonização feita pelos europeus, eram bambambãs em várias áreas: eles dominavam técnicas de agricultura, mineração, ourivesaria e metalurgia; usavam sistemas matemáticos elaboradíssimos para não bagunçar a contabilidade do comércio de mercadorias; e tinham conhecimentos de astronomia e de medicina que serviram de base para a ciência moderna. A biblioteca de Tumbuctu, em Mali, reunia mais de 20 mil livros, que ainda hoje deixariam encabulados muitos pesquisadores de beca que se dedicam aos estudos da cultura negra.

Artigo de Opinião - Pesada herança do racismo nos EUA

Tem sido longo e doloroso o caminho para conter o racismo nos EUA e se construir uma sociedade não segregacionista. Apesar dos muitos avanços, a morte do jovem negro, desarmado, Michael Brown, de 18 anos, que levou seis tiros de um policial branco em Ferguson, Missouri, no último dia 9, trouxe mais uma vez o passado à tona e mostrou que ainda há muito a fazer neste campo. As tensões raciais continuam latentes.

Desta vez foi no Missouri, estado conservador do Centro-Oeste americano, cujo governador é democrata, mas onde os eleitores preferiram adversários republicanos de Barack Obama nas duas últimas eleições presidenciais. O resultado da morte do jovem, em circunstâncias ainda nebulosas, teve efeito parecido com o de outros incidentes envolvendo negros e policiais: já foram nove dias de confrontos entre manifestantes enfurecidos com a ação do policial e a militarizada força local, que tenta conter os distúrbios. Ontem, o governador Jay Nixon convocou a Guarda Nacional para tentar controlar a situação.

Te Contei, não ? - Pesquisa põe Brasil em topo de ranking de violência contra professores



Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil

Te Contei, não ? - Após ato de racismo, enteado do goleiro Aranha diz ter orgulho de pai negro

O goleiro Aranha, do Santos, foi vítima de insultos racistas de torcedores do Grêmio, na vitória dos santistas por 2 a 0, durante a partida de ida pelas oitavas de final da Copa do Brasil, nesta quinta-feira. O enteado do jogador, Bernardo, de 13 anos, a quem sempre tratou como filho, usou as redes sociais para se manifestar e dizer que tinha “orgulho de ter um pai negro”

Te Contei, não ? - Ilha Grande - Memórias do cárcere


Velho barco que transportava presos políticos e criminosos lendários vai virar peça de museu. Cessão só depende do estado

ROSAYNE MACEDO

Te Contei, não ? - O nascimento de um mito

Suicida-se um homem, nasce um mito. Descrita pelo próprio Getúlio Vargas, em sua carta-testamento, como a saída da vida e a entrada na História, a morte trágica do presidente — que deu um tiro no peito, há 60 anos completos neste domingo — consolidou o ideário coletivo sobre o gaúcho de São Borja. Em meio a uma crise de instabilidade política agravada pelo atentado da rua Tonelero, Vargas disparou também contra ataques que vinha sofrendo da oposição. E catapultou um fascínio que atraiu milhares de pessoas para o seu velório e faz de Vargas alvo de interesse seis décadas depois.

Te Contei, não ? - Professor baleado por aluno que não concordou com nota

“Professora, preste atenção, que comigo não são cinco tiros, são seis”.


por Camilla Costa na BBC

A frase foi dita por um aluno à professora Mariana*, em uma escola estadual em Sergipe, e faz referência ao trágico caso de um professor baleado em Aracaju no dia 12 de agosto.

Carlos Christian Gomes estava na escola em que leciona Biologia quando foi atingido por cinco tiros. Ele continua internado em estado grave, respirando com ajuda de aparelhos.

“A gente quer pensar que é brincadeira, mas nunca se sabe”, conta Mariana. Por medo das consequências, a professora achou melhor não dar o nome do aluno à diretora da escola.

O suspeito de atirar contra Carlos Christian é um aluno de 17 anos, que teria ficado revoltado com uma nota baixa. O caso foi destacado por leitores da BBC Brasil em nossas páginas de Facebook, Google+ e Twitter como um símbolo da violência contra professores no País.

O tema da violência em sala de aula foi apontado por internautas, via redes sociais, como um dos assuntos que eles acreditam que deveria ter mais destaque na campanha eleitoral brasileira. E o assunto gerou inúmeras discussões em nossas páginas de Clique Facebook, Clique Twitter e Clique Google+. Clique Participe da discussão você também.

A professora Mariana, conta que, depois de ser repreendido por ela, o aluno que ameaçou “dar seis tiros” não repetiu o comentário. “Eu disse (ao aluno) que esse assunto não é algo com o que se brinque e que eu poderia levar a sério, ir à delegacia e fazer um boletim de ocorrência. E que, se qualquer coisa acontecesse comigo, o primeiro suspeito seria ele”.

“Alguns alunos se aproveitam da situação para amedrontar mesmo o professor. Se aconteceu com Carlos Christian, pode acontecer com qualquer um. O professor fica vulnerável quando está dando aula.”

Intimidação

Dias após a tentativa de homicídio, professores fizeram uma manifestação na frente do Palácio de Despachos do governo de Sergipe contra a violência nas escolas. Pais, parentes e professores que atuam na região de São Cristóvão também fizeram uma passeata pela paz nas proximidades da escola Olga Barreto, onde ocorreu o crime.

O aluno suspeito de atirar contra o professor cursava a 8ª série da Educação de Jovens e Adultos (EJA), se apresentou recentemente à polícia e disse ter planejado o crime.

“Ele disse que as questões na prova não correspondiam à revisão que o professor passou em sala de aula. Afirmou que comprou a arma e pediu ao professor uma segunda chance. Quando o professor disse que não era possível, ele atirou”, disse à BBC Brasil a delegada Thereza Simony, responsável pelo caso.

Segundo Claudia Oliveira, que ensina Língua Portuguesa na Escola Olga Barreto há sete anos, o professor Carlos Christian não havia se queixado de problemas de relacionamento com alunos. “Ele é muito responsável em suas atividades, não falta, participa de projetos na escola. Não tinha motivo nenhum para o aluno agir dessa forma.”

“O rapaz não tinha comportamento agressivo com nenhum dos professores, mas era um aluno que faltava às aulas, não fazia as atividades. Ele ainda teria outra oportunidade para recuperar a nota, porque aquela era a primeira avaliação que fez”, afirmou.

O Sintese diz que, apesar da situação de Christian ser incomum, a relação entre professores, alunos, funcionários e diretores frequentemente se torna violenta.

“Na maioria das vezes, a violência é verbal, mas às vezes descamba para a violência física”, explica Joel Almeida, diretor de comunicação do sindicato.

“Geralmente, com os alunos, (os conflitos) são (por) questões ligadas à nota. Com os professores mais severos, mais disciplinadores, é comum que existam ameaças ou mesmo depredação de bens. Alguns reclamam de terem carros riscados, pneus furados.”

“Eu fui vítima de algo semelhante no semestre passado. Alunos que não conseguiam ser aprovados ficavam horas na porta da minha sala me questionando e ameaçando. Mas conseguimos dialogar e resolver a situação”, disse à BBC Brasil a professora Claudia Oliveira, diretora do Sindicato dos Professores de Sergipe (Sintese).

Solução?
Para Almeida, o problema pode ser minimizado com investimento na infraestrutura das escolas e com mais engajamento dos professores. “A comunidade escolar em Sergipe não se reúne para discutir a escola, seus problemas, como vai atuar sobre eles. A escola é um lugar em que o aluno e o professor chegam e saem, às vezes, sem muita relação com outras pessoas na escola.”

O medo de possíveis atitudes extremas dos alunos também é um fator que impede que os docentes comuniquem seus problemas a outros, segundo Mariana. “Acontecem muitas coisas nas escolas que ficam só no comentário entre os professores, cada um tem algo a contar. Muitas vezes, não levamos à direção por medo. Temos receio de que, mesmo que seja uma brincadeira, o aluno seja repreendido e acabe levando isso a sério.”

A Secretaria de Educação criou, após a tentativa de assassinato de Carlos Christian, uma comissão permanente de acompanhamento da violência nas escolas, formada pela secretaria de Educação, professores, pais, funcionários não docentes e estudantes. O grupo terá um cronograma de visitas às escolas da rede estadual.

‘Perdão’

A família de Carlos Christian não quis dar entrevistas. Segundo o Sintese, vários membros da família são professores – que nunca tinham sofrido atos de violência física.

Uma semana após a tentativa de assassinato do docente, sua tia Margarida, professora há 25 anos, divulgou uma carta em que pediu “perdão” ao sobrinho.

“O magistério sempre significou para mim a porta de entrada para um país melhor, mais consciente. Somos uma família de professores. Sua mãe, seu pai, sua irmã, suas primas e eu. Muitas vezes quando você era pequeno, sua mãe, mesmo você febril, deixava-o sobre os cuidados de outros, pois os alunos dela estavam esperando-a”, escreveu Margarida.

“Perdoe-me por não tê-lo ensinado a lidar com a violência. Eu falo para você me reportando a todos os alunos que fizeram parte da minha vida durante estes 25 anos de magistério”.

“Sempre que meus alunos pensavam em desistir eu argumentava e mostrava outro caminho para eles continuarem. E de repente eu vejo você lutando a favor da vida por ter feito uma avaliação nesse processo de ensino e aprendizagem tentando mostrar ao aluno que ele precisava estudar e se dedicar mais. Ele não entendeu e se revoltou e resolveu descontar em você todos os seus demônios sociais.”

A tia do professor afirma ainda que é preciso “diminuir a distância entre os jovens e os adultos” e “aprender e ensinar a estabelecer vínculos”. “Mas… eu não lhe ensinei como lidar com um revólver”, conclui.

*A pedido da professora, seu nome real foi mantido em sigilo.

Como lidar?

Segundo Joel Almeida, do Sintese, professores devem ficar atentos a questões como dificuldade de aprendizagem ou comportamento agressivo de alunos.

Caso haja a suspeita de que problemas de comportamento estejam ligados a questões psicológicas ou ao uso de drogas, Almeida diz que os docentes devem procurar coordenadores pedagógicos, que acionem assistentes sociais e psicólogos.

“Mas se o professor perceber que o problema é relacionado à entrada de drogas e armas na escola, a polícia deve ser acionada, porque isso é um problema de segurança pública. Na maioria das vezes, os alunos são usuários, mas há casos em que o sujeito se matricula na escola, mas é um traficante”, afirma.

A delegada Theresa Simony diz que, se o professor se sentir ameaçado, pode registrar um boletim de ocorrência na delegacia – ou Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), caso o autor da ameaça seja um menor – e encaminhar o assunto à Justiça.

“Mas antes de tomar uma medida mais drástica, é importante que a escola envolva os alunos e a família deles, para construir um ambiente favorável a que o aluno respeite o professor”, ressalta.


Leia a matéria completa em: Professor baleado em estado grave expõe face trágica de violência em escolas - Portal Geledés 
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Tá na Hora do Poeta - Pagu

Pagu

Penso, imagino
Melhores condições,
Tento, luto
Por um mundo mais justo

Mulher forte
Feita de aço
Assim posso
Viver sem remorso

Quero justiça
Mas não só, também
Aquilo que me convém

Com homens prepotentes convivendo
E com mulheres 
Que não entendo 

Jynn Eaton 
Turma 901 / 2014 

Artigo de Opinião - O mito da democracia racial no Brasil


Enquanto os efeitos colaterais do racismos institucional aumentam, práticas que transgridem leis e violam direitos humanos parecem não causar indignação


Crônica do Dia - Pensei que era uma preta qualquer - Elisa Lucinda

O tema Racismo esta na ordem do dia. Essas fatos que acontecem e que ganham a grande mídia, como o que sucedeu com o goleiro Aranha do Santos, na última quinta, quando foi xingado por um grupo de torcedores do Grêmio, são importantes porque acendem a discussão e quem sabe amadurecem a conscientização desses gestos de intolerância racial, pra dizer o mínimo que desde pequeninho é incutido nas pessoas. Aqui vai uma crônica minha sobre o assunto:


“Pensei que era uma preta qualquer.”



Tá na Hora do Poeta - Um exemplo de mulher - Rafael Negreiros

Um exemplo de mulher

Pagu foi um exemplo de mulher
Lutou pelo que acreditava
Era corajosa, bonita, fogosa
E o governo não aceitava.

Cresceu na cidade São Paulo,
em meio a Revolução Industrial
Se juntou aos modernistas 
E impressionou todos os paulistas.

Foi presa inúmeras vezes
Por se manifestar
E anos na cadeia teve que passar.

Morreu de câncer em Santos,
Mas cumpriu seu dever,
Mostrou como toda mulher deve ser.


Rafael Negreiros
Turma 901 / 2014 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Te Contei, não ? - A Carta de Pero Vaz de Caminha - outros olhares

A Carta conhecida como “Carta de Pero Vaz de Caminha”
é também conhecida como “Carta a el- Rei Dom Manoel sobre o achamento do Brasil”, é um documento no qual Pero Vaz de Caminha, escrivão de Pedro Alvares Cabral (descobridor do Brasil) registrou suas primeiras impressões sobre a terra descoberta.
É considerado o primeiro documento escrito da História do Brasil. Assim, é considero o “marco zero” ou o pontapé inicial para a construção da história Brasileira após o descobrimento. O termo “descobrimento” é muito questionado hoje em dia, pois quando usado nos faz esquecer que estas terras já eram habitadas por índios.

Te Contei, não ? - Carta de Pero Vaz de Caminha

Carta de Pero Vaz de Caminha

Te Contei, não ? - Preconceito na busca por mão de obra

São Paulo se tornou palco de uma romaria de empresários e analistas de recursos humanos, especialmente das regiões Sul e Sudeste do país. Desde o começo do ano, mais de 1.300 empresas enviaram representantes à Igreja Nossa Senhora da Paz, na Baixada do Glicério, Zona Central da capital paulista e ponto de concentração de migrantes haitianos e africanos na cidade. Ali, eles estão em busca de mão de obra. De preferência, boa e barata. Apenas no primeiro semestre, 472 delas já contrataram ao menos 1,4 mil trabalhadores de fora do país.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Lucíola - Outros olhares

Amor físico versus amor espiritual



A obra de José de Alencar pode ser dividida em quatro grupos. O primeiro deles, os romances indianistas, produziu grande parte das maiores obras, não só de sua carreira, como da literatura brasileira. Dentre elas, podemos citar Iracema, O Guarani e Ubirajara.

Lucíola - Outros olhares

Lucíola
é o quinto romance de Alencar e o primeiro da trilogia que ele denominou de "perfis de mulheres" (Lucíola, Diva e Senhora). Situa-se entre seus romances urbanos que representam um levantamento da nossa vida burguesa do século passado. A obra, publicada em 1862, é um romance de amor bem ao sabor do Romantismo, muito embora uma ou outra manifestação do estilo Realista aí se faça presente. Trata-se de um romance de "primeira pessoa", ou seja, o narrador da história é um personagem importante da mesma, Paulo Silva. E ele a narra em cartas dirigidas a uma senhora, G. M. (pseudônimo de Alencar), que as publica em livro com o título de Lucíola. Fixam o  Rio de Janeiro da época, com a sua fisionomia burguesa e tradicional, com uma sociedade endinheirada que freqüentava o Teatro Lírico, passeava à tarde na Rua do Ouvidor e à noite no Passeio Público, morava no Flamengo, em Botafogo ou Santa Teresa e era protagonista de dramas de amor que iam do simples namoro à paixão desvairada.

Artigo de Opinião - O cidadão - inimigo

Barack Obama, como se sabe, é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Ao assumir a Casa Branca em 2009 tratou de indicar Eric H. Holder, também negro, para ocupar o quarto cargo mais importante da hierarquia governamental: o de procurador-geral. Holder é o primeiro afrodescendente entre os 81 que o precederam no cargo. Nos Estados Unidos, o procurador-geral — também no Brasil — comanda o Ministério da Justiça e atua como advogado-geral da União.

Mas nem Obama nem Holder conseguem impedir a contínua polarização da América branca e negra. Excetuando-se a progressiva inserção de profissionais urbanos negros na malha socioeconômica do país, o restante do mapa racial americano está deformado.

Um recente levantamento que tomou por base o Censo de 2010 e focou em 20 áreas metropolitanas do país mostrou que a metade das populações negras das regiões analisadas vive em áreas “sem qualquer presença de brancos”. São comunidades que vão tocando a vida à margem do noticiário e nas franjas da sociedade. Até ocorrer algum fato capaz de arrancá-las do anonimato.

Foi o que ocorreu na semana passada com Ferguson, inexpressivo subúrbio de St. Louis, uma das principais cidades do Meio-Oeste americano. Cravada no Estado do Missouri, St. Louis é notória por ser uma das cidades mais segregadas do país. Suas gentes preferem manter distância dos 21 mil moradores de Ferguson, 22% dos quais vivem abaixo da linha de pobreza — e, além de pobres, são majoritariamente negros.

Nem sempre foi assim. Até a geração passada a população de Ferguson era 85% branca e 14% negra. Foi a partir de 2010 que o pêndulo se inverteu e hoje é a comunidade negra ( 69% da população) que sobrevive no desolado subúrbio. Só que o prefeito e o chefe de polícia local continuam sendo brancos, assim como cinco dos seis conselheiros municipais. O Conselho de Educação municipal, por sua vez, é composto por seis brancos e um hispano. E entre os 800 filiados à principal congregação religiosa local o bloco de fiéis não brancos se resume a quatro.

Outro dado tóxico da combustão racial que há uma semana consome Ferguson está na força policial da cidade. São 53 os agentes da lei e ordem que compõem a corporação, dos quais apenas três são negros. Em compensação, essa mesma polícia dispõe de blindados retornados do Iraque e Afeganistão, equipamentos para detectar minas terrestres, silenciadores, fuzis M-16, rifles 5,56 de cano curto capazes de atingir um alvo a 500 metros. Tudo cedido pelas Forças Armadas.

A previsível encrenca eclodiu na tarde ensolarada do sábado passado. Ao caminhar com um amigo por uma rua de Ferguson, em vez de andar pela calçada como manda a lei, um jovem negro de 18 anos, Michael Brown, foi abordado e morto a tiros por um policial branco. “Alvejado mais do que algumas vezes”, admitiu o chefe de polícia, Thomas Jackson.

As versões do ocorrido continuam conflitantes e caberá ao FBI destrinchar a investigação. Mas sabe-se que o último gesto do adolescente já baleado na cabeça foi o de levantar os braços e pronunciar suas derradeiras palavras: “Não atire em mim.”

Foi nas ruas desse subúrbio depauperado de St. Louis que se viu a primeira demonstração prática do “Programa 1033”, nome dado à distribuição de equipamento ocioso das Forças Armadas para delegacias de polícia do país. Desde que os Estados Unidos começaram a enxugar o grosso de sua presença militar no Iraque e no Afeganistão, o arsenal não utilizado foi sendo paulatinamente repassado aos departamentos de polícia locais. Vinte e dois estados, por exemplo, já receberam equipamento para detectar minas terrestres. Trinta e oito ganharam silenciadores — inclusive Walsh County, na Dakota do Norte, que agora ostenta 40 exemplares para manter em ordem uma população de 11 mil almas. Veículos blindados de grande porte, tanques anfíbios, drones , baionetas, rifles M-16 — o repasse é contínuo. E perigoso.

Em Ferguson, a aparição de policiais usando máscaras, portando uniforme de combate e circulando em blindados do Exército estarreceu os moradores. O uso de bombas de gás lacrimogênio, porretes e balas de borracha contra manifestantes e jornalistas aborreceu Obama. Mas a militarização ostensiva da polícia já é um fato. Em alguns casos, não fosse pelo emblema da polícia, seria difícil saber se o sujeito de jaqueta verde e calça de camuflagem que desce de um blindado cor do deserto pertence às Forças Armadas ou à polícia.

Para se entender a extensão desse processo de militarização recomenda-se a leitura de “The rise of the warrior Cop” (“A ascensão do policial guerreiro”), do repórter investigativo Radley Balko. O livro traça a gênese dessa mudança e alerta para o esgarçar da crucial fronteira que sempre separou o policial de um soldado americano. O fato de o uso desse armamento e a prática de táticas paramilitares se voltarem sobretudo contra jovens negros, como atestam as estatísticas, apenas agrava o quadro. Se foi assim na Guerra contra as Drogas, desencadeada décadas atrás e conduzida por equipes especializadas da polícia, não será diferente na atual Guerra contra o Terrorismo.

“Você não conquista a confiança de ninguém se apontar um rifle contra o peito dele”, garante Balko, baseado na sua larga experiência de Afeganistão.

Em última instância, todo cumprimento da lei depende da confiança da população nas forças da ordem a seu serviço. Quando o policial começa a ver no cidadão um inimigo é porque a coisa descarrilhou.

Kara Dasky, coautora de um estudo da American Civil Liberties Union sobre a militarização da polícia americana, tem uma frase que resume tudo: “Se você tem um martelo, tudo se parece com um prego. Quando a polícia tem armas de guerra, a chance de ela usá-las é grande.” Contra quem? Segundo o estudo de Dasky, 54% das pessoas visadas por essas armas serão negros ou latinos.

Dorrit Harazim é jornalista



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/o-cidadao-inimigo-13625362#ixzz3BdQrRPmE

Editorial - O perigo da intolerância religiosa

A tolerância religiosa no Brasil nunca foi pura e simplesmente uma medida imposta por decreto. É, antes disso, um aspecto cultural. Por um lado, foi preciso incluir na Constituição artigo resguardando a liberdade de culto e proteção contra a discriminação, porque tais garantias não seriam naturais; por outro, a convivência entre credos distintos foi facilitada pela formação do povo. A miscigenação e a intimidade entre a casa-grande e a senzala resultaram em mecanismos de acomodação, como o sincretismo que uniu religiões aparentemente tão diferentes quanto o catolicismo e o candomblé. Na Bahia, por exemplo, eles se misturaram.

No entanto, a tendência à convivência pacífica tem sido cada vez mais posta em xeque, e de uma forma que as autoridades não podem fazer vista grossa. A série de reportagens publicada pelo GLOBO semana passada mostra que os fiéis da umbanda e do candomblé — 600 mil pelo Censo 2010 — foram vítimas de 22 das 53 denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, de janeiro a 11 de julho deste ano. Além disso, um estudo da PUC-Rio registrou que, num grupo de 840 terreiros, 430 foram alvo de discriminação, sendo 57% dos casos em locais públicos.

Os ataques vão de manifestações de preconceito na escola e no trabalho a ofensas pessoais, ameaças, danificação de imagens e até a destruição de terreiros. A mãe de santo Conceição de Lissá, em Duque de Caxias, viu seu terreiro ser atacado oito vezes nos últimos oito anos. Em pelo menos um episódio, fanáticos usaram gasolina para atear fogo no quarto dos artigos usados nas cerimônias. Ou seja, além da humilhação e do dano moral, a integridade física dos fiéis está em risco.

A intolerância, por si só, já é inaceitável. Seja contra orientação sexual, etnia ou crença. Trata-se de um comportamento criminoso que deve ser punido como manda a lei.

Felizmente, não chegamos aqui ao ponto de outros países em que grupos se organizam para manifestar publicamente o ódio a homossexuais, negros ou estrangeiros. Mas é melhor não pagar para ver. Adeptos dos cultos afro-brasileiros não só denunciam como organizam sua legítima reação em passeatas contra a intolerância religiosa. Contam com o apoio na sociedade e de representantes de outros credos, com quem têm em comum a convicção de que o respeito à fé alheia é sagrado.

Se a sociedade se mobiliza, mais obrigações ainda tem o poder publico, que deve ficar atento e ser ágil nas investigações. Caso a intolerância não seja punida exemplarmente, fiéis movidos pela absurda presunção de superioridade poderão se sentir encorajados a prosseguir, porque, afinal, estariam agindo “em nome de Deus". E é justamente assim que pensam radicais responsáveis por guerras milenares e terrorismo pelo mundo afora.



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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Te Contei, não ? - Cerco ao EBOLA

A Organização Mundial de Saúde declara a epidemia uma emergência mundial. O Brasil e o mundo se preparam para se proteger do vírus, que já matou quase mil pessoas até agora na África

Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br) e Helena Borges (helenaborges@istoe.com.br)

Te Contei, não ? - 70 : A década que não termina

Na guerra pela audiência, a Rede Globo olha para trás e busca no sucesso do passado a fórmula para alavancar o difícil horário das 18h




Rodrigo Cardoso (rcardoso@istoe.com.br)

Crônicas do Dia - A dose a mais de HIV

As campanhas de prevenção no Brasil precisam dizer claramente que a bebida alcoólica é uma porta escancarada para a entrada do vírus da Aids

Entrevista - Romário

"Não era hora de o Dunga voltar"

O ex-craque afirma que o novo técnico da Seleção representa uma mentalidade antiga no futebol e, candidato ao Senado pelo PSB, diz ter aceito a coligação com o PT no Rio por ordem do seu partido

por Helena Borges

Crônica do Dia - Gentios

08 agosto 2014/ Fernanda Torres 


O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro escolheu um trecho dos Sermões do padre Vieira para ler na mesa da Flip sobre os livros que os autores convidados levariam para uma ilha deserta. A passagem era de uma beleza extrema e falava muito sobre nós, eternos índios, habitantes da Terra Brasilis.

Nela, Vieira faz uma comparação entre as estátuas de mármore e as feitas de murta. As primeiras demandariam tempo e esforço do escultor e exigiriam um trabalho árduo para transformar a matéria. Uma vez definidas, no entanto, permaneceriam imutáveis ao longo dos séculos. Já as de hera deveriam ser eternamente podadas, para evitar que dedos, olhos e pernas tortas surgissem em lugares indesejados.

O caráter maleável e orgânico das cercas vivas requereria a vigilância constante do escultor.

Vieira usa a metáfora para dizer que a palavra de Deus, nas sociedades ditas civilizadas, demandaria uma pregação rígida, que, uma vez transmitida, estaria para sempre presente na alma dos catequizados. Já entre os silvícolas, a mensagem deveria ser repetida à exaustão, dia após dia, pois ela jamais seria deveras fixada.

Os gentios, diz Vieira, aceitam Cristo com facilidade, para, em seguida, esquecê-lo, voltando de bom grado ao seu estado original. É uma imagem que fala da dificuldade que percebo no Brasil de alcançarmos um nível de civilidade sólido e estável. Vivemos num país que parece caminhar para a frente, para trás, para o lado; um lugar indomável, regido por forças naturais que se negam a ser aprisionadas por dogmas.

No encerramento da mesa, Davi Kopenawa, o líder ianomâmi, fez um apelo aos presentes para que se empenhassem na proteção de seu povo, ameaçado por garimpeiros, por forças políticas e econômicas que almejam o lucro e destroem a floresta.

Desde minha passagem pelo Xingu, em 1989, nas filmagens de Kuarup, compreendi que os índios não estão tão distantes de nós. Os brancos, pretos e amarelos que vieram dar aqui transformaram a terra, mas foram também influenciados pelas nações que ocupavam o território antes dos portugueses. Apesar do genocídio que continua a ocorrer, carregamos essa contradição, esse interesse e, ao mesmo tempo, desprezo pela racionalidade europeia.

A colonização não se dá apenas num sentido, ela também acontece na contramão da história. No México, a herança asteca e maia é tão forte quanto a espanhola, assim como os
incas são tão parte do Peru quanto os descendentes de Pizarro.

O trecho do sermão de Vieira, lido por Viveiros, é revelador quanto à nossa natureza doce e, ao mesmo tempo, arredia, quanto ao nosso encantamento e desconsideração pelo progresso. Lamentamos nossa cultura primitiva e, por outro lado, gozamos da liberdade de sermos selvagens.

No Rio de Janeiro, em especial, um certo escárnio cívico, uma raiva por termos perdido o poder da capital, nos torna ainda mais lenientes e avessos à capacidade da democracia cristã de nos livrar das nossas mazelas. Somos adoradores dos morros, dos matos e das águas, exatamente como os tamoios e tupinambás. Sobrevivemos apesar dos nossos governantes e das crenças que eles carregam.

A eleição que se aproxima promete ser uma escolha entre a cruz e a caldeirinha. Sinto que iremos às urnas como o índio ia à missa. Aceitaremos, mais uma vez, a tragédia que nos espera, com a mesma indiferença com que os silvícolas rezavam o Credo.

domingo, 17 de agosto de 2014

Vale a pena assistir - Memórias de um Sargento de Milicias


Te Contei, não ? - Til de José de Alencar

Til: Ambientado no interior de SP, romance integra fase regionalista de José de Alencar


Oscar d'Ambrosio* 



Romancista, jornalista, político, advogado, orador, crítico, cronista, polemista e dramaturgo, José de Alencar (Messejana, CE, 1829 – Rio de Janeiro, 1877) formou-se em Direito e iniciou a atividade literária no “Correio Mercantil” e “Diário do Rio de Janeiro”.

Til, escrito em 1872, pertence à fase regionalista da obra do autor, que inclui ainda livros como O gaúcho, O sertanejo e Tronco do ipê. Essas obras têm alguns elementos comuns, como retratar os costumes, a linguagem e a vida rural do século XIX. Também apresentam características românticas, como a idealização da natureza, a subjetividade e os enredos românticos.

Os protagonistas são Berta, Miguel, Linda e Afonso. Numa fazenda do interior paulista, segredos, desencontros amorosos e renúncias integram o enredo, bem dentro dos paradigmas do romantismo. Basta verificar a forma como alguns personagens são construídos.

A história gira em torno de paixões. Linda e Afonso são irmãos gêmeos, filhos de Luís Galvão e Dona Ermelinda. Linda ama Miguel, e Berta e Miguel se amam, mas, para que a amiga Linda não sofra, Berta consegue que Miguel se apaixone por Linda. Trata-se de uma estrutura narrativa em que os sentimentos comandam as ações.

Outro exemplo está na história de vida de Berta. De bom coração, ela visitava constantemente Zana, uma mulher com problemas mentais. O menino Brás, porém, também com alguma deficiência, sente ciúmes da protagonista e tenta matá-la. Repreendido pela heroína, arrepende-se.

O leitor fica sabendo que Brás era filho de uma irmã de Luís Galvão, que morrera viúva, e, por isso, ele vivia na casa de seu tio. Ele dera ainda a Berta o apelido de Til, pois, quando ela lhe ensinou o alfabeto, ele achou o til um sinal “gracioso”, associando-o a ela.

As rocambolescas ações do livro têm outros pontos altos. Um deles é quando Luís Galvão revela ser o pai de Berta com Besita, a moça mais bonita da cidade a quem ele seduziu e por quem Jão Fera, matador profissional, estava apaixonado em vão. Ele, porém, a pedido de Berta, se compromete a não cometer mais atos violentos e passa a trabalhar no campo.

Nhá Tudinha, mãe de Miguel, por sua vez, adota Berta como sua filha. Luís, no entanto, pede a Berta que vá morar com ele e sua família em São Paulo, mas ela se nega e pede que leve Miguel, apaixonado por Linda. Miguel tenta convencê-la a ir junto, mas ela recusa, ficando no interior. Bem ao estilo romântico, declara: “Não, Miguel. Lá todos são felizes! Meu lugar é aqui, onde todos sofrem.”

A narrativa é conduzida com leveza ao gosto dos sentimentos dos quatro adolescentes. Eles mudam pouco ao longo da história, o único que altera seu comportamento, graças à boa influência da protagonista, é Jão Fera. Os episódios vão se acumulando sem grandes tragédias, embora sempre pareça que elas vão acontecer. O ponto mais forte é a valorização do interior do país e da vida bucólica como respostas a um país onde as cidades já começavam a ganhar maior importância.

http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/til-ambientado-no-interior-de-sp-romance-integra-fase-regionalista-de-jose-de-alencar.htm

Te Contei, não ? - Outros olhares sobre Capitães da areia

Na obra
Capitães da Areia, Jorge Amado revela a cultura e os problemas do povo brasileiro, mesclando crença religiosa, ideologia, ceticismo e ativismo político. Sua literatura age contra toda e qualquer opressão e preconceitos que possam estar evidentes dentro do nosso povo, tirando do esquecimento traços significativos da nossa colonização, como, por exemplo, o candomblé e o falar popular. Jorge Amado trata de questões importantes em situações dialogais do cotidiano do povo brasileiro.

Te Contei, não ? - Outros olhares sobre Capitães da Areia



Publicado em 1937, Capitães da Areia é o sexto romance de Jorge Amado, um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros do século 20. No prefácio ao livro, escreve o romancista que, com essa obra, encerra o ciclo de "os romances da Bahia".


A narrativa, de cunho realista, gira em torno das peripécias de um grupo de "meninos de rua" que sobrevive de furtos e pequenas trapaças. Por viverem em um trapiche velho e abandonado (uma espécie de armazém à beira do cais), os garotos do bando, liderados por Pedro Bala, são conhecidos pela má fama de "capitães da areia". É lá, no trapiche abandonado, que Pedro Bala, órfão, (o pai foi morto à bala por liderar uma greve, daí a alcunha do garoto, enquanto a mãe tem o paradeiro desconhecido) se refugia com seu grupo.