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domingo, 28 de junho de 2015

Fábulas - Hierarquia

Hierarquia

Diz que um leão enorme ia andando chateado, não muito rei dos animais, porque tinha acabado de brigar com a mulher e esta lhe dissera poucas e boas.{1} 
Eis que, subitamente, o leão defronta com um pequeno rato, o ratinho mais menor que ele já tinha visto. Pisou - lhe a cauda e, enquanto o rato forçava inutilmente pra escapar, o leão gritava: "Miserável criatura, estúpida, ínfima, vil, torpe: não conheço na criação nada mais insignificante e nojento. Vou te deixar com vida apenas para que você possa sofrer toda a humilhação do que lhe disse, você, desgraçado, inferior, mesquinho, rato!" E soltou - o.
O rato correu o mais que pôde, mas, quando já estava a salvo, gritou pro leão: "Será que V. Excelência poderia escrever isso pra mim ? Vou  me encontrar com uma lesma que eu conheço e quero repetir isso para ela com as mesmas palavras!" {2}

{1} Quer dizer: muitas e más.
{2} Na grande hora psicanalítica, que soa para todos nós, a precisão de linguagem é fundamental. 

MORAL: Afinal ninguém é tão inferior assim.
SUBMORAL: Nem tão superior, por falar nisso.

Millôr Fernandes 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Te Contei, não ? - Napoleão Gonçalves e suas manias


Napoleão Gonçalves e suas manias.

Napoleão Gonçalves era um sapo que vivia achando. Se perguntavam uma opinião, ele pensava um pouco, depois dizia “eu acho isso”, “eu acho aquilo”, não gostava de não achar nada. E com aquela mania de viver achando, umas das coisas que ele achou é que ele achava que para ser feliz a gente precisa trabalhar nas coisas que a gente gosta.

Teve um ano que ofereceram um monte de dinheiro para ele anunciar pasta de dente na televisão. Ele não gostavade anunciar e nem gostava daquela pasta de dente: não topou o trabalho. Mas a mulher de Napoleão Gonçalves
 – que se chamava Mimi-das-perucas, e que vivia no cabeleireiro penteando as perucas e comprando roupa e comprando perfume e querendo comprar o dia inteiro e sempre infeliz e sempre dizendo que a vizinha dela tinha mais coisas que ela e sempre querendo mais dinheiro para comprar mais  – tanto falou, tanto reclamou, tanto brigou com Napoleão Gonçalves, que ele acabou na televisão anunciando pasta de dente e se sentindo infeliz à beça.

Mimi gastou o dinheiro todo no cabeleireiro. 

Outro ano ofereceram um ordenado um bocado alto para Napoleão ser gerente de uma fábrica de camundongos enlatados. Ele disse que não gostava de comida em lata e não foi. Mas mimi-das-perucas chorou, brigou, disse que queria mais perucas, disse que era uma infeliz por que só tinha dez pares de sapatos e a vizinha tinha quinze, criou tanto casa que Napoleão Gonçalves acabou indo. E enquanto ele dava duro o dia inteirinho na fábrica, Mimi comprava, comprava, só parava de comprar para ir ao cabeleireiro. Até que um dia Mimi-das-Perucas ficou tanto tempo embaixo daquele secador que os cabeleireiros usam, que secou a peruca, a cabeça, Mimi toda secou, morreu.

Como não tinha ninguém com quem deixar os sete filhos pequenos, Napoleão Gonçalves começou a trabalhar em casa: como gostava muito de trabalhar com madeira, resolveu ser marceneiro; e como era louco por teatro comprou uns livros para estudar de noite. Ganhava pouco dinheiro, mas vivia feliz que só vendo, e curtindo cada dia até não poder mais. Adorava os garotos; vivia batendo papo com eles e brincando horas a fio de começar a achar: o que é que vocês acham disso? O que é que vocês acham daquilo? E uma das coisas que os garotos logo acharam é que eles achavam que o pai era o máximo.

(Lygia Bojunga Nunes, ANGÉLICA, págs. 74-75, 7°edição, livraria AGIR editora, Rio de Janeiro, 1982.)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Fábula do Rato

Um Rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.

Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Tá na Hora do Poeta - O Rato da cidade e o Rato do campo

 
O Rato da cidade e o Rato do campo

Estava um lindo dia, o rato do campo decidiu convidar
O seu amigo da cidade para almoçar.
No dia combinado, o rato foi para o campo a saltitar.
Esperava um banquete, com comidas para se deliciar.

Chegando lá, se decepcionou, a comida era simples,
Lentilha sem sal foi tudo o que encontrou.
O rato do campo disse que era isso que comia,
A comida era simples, mas se satisfazia.

Inconformado com a situação, o rato da cidade achou uma solução.
Convidou seu amigo para morar consigo!
O ratinho do campo aceitou sem demora
Ele arrumou suas coisas, e saiu na mesma hora.

Chegando na luxuosa casa, foram direto para a cozinha.
O rato do campo ficou boquiaberto ao se deparar com as comidas que ele tinha.
Os ratos decidiram deliciar o maravilhoso banquete.
Mas antes de comerem, alguém entrou na cozinha obrigando os dois a se esconderem.



O buraco que acharam era tão apertado que mal podia - se respirar
Mas tiveram que aguentar até a dona da casa se dispersar.
Tentaram outra vez, foram para a cozinha comer o queijo parmesão,
Mas foram expulsos pela empregada que tinha vassoura na mão.


Tiveram que se esconder em um buraco menor, ficaram lá um longo tempo
O rato do campo estava cansado de viver esse momento.
Ele decidiu voltar para sua casa no campo, onde tinha paz.
Saiu logo da cidade, não conseguia ficar lá nem um minuto a mais.


Amanda Monteiro
Turma 701 / Ativo 2013

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Tá na Hora do Poeta - O Galo e a Raposa - Katelyn Ashley Nunes Nelson

O Galo e a Raposa
 
 
 
E a raposa planejava,
Cansada e brava,
Como iria almoçar o galo.
 
Decidiu mentir,
Disse para garantir:
"Os animais estão em paz.
Deveria descer!"
 
O galo não era bobo,
Desconfiado disse:
"Lá vem um lobo.
Não! Espera! É uma matilha de cães!"
 
A raposa nervosa
Tentou correr,
Mas foi interrompida
No seu decorrer.
 
"Mas você não disse
Que estavam em paz?"
Perguntou o galo.
"É bem capaz
Que eles não saibam.
Tchau! "
Gritou a raposa.
 
E lá se foi com pressa
Procurar outro almoço
Para colocar em sua travessa.
 
 
Katelyn Ashley Nunes Nelson
Turma 702 / Ativo /2013
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Tá na Hora do Poeta - A lebre e a tartaruga




A lebre e a tartaruga




 
A lebre dizia que era veloz
E não parava de se gabar
Até que certo dia
A tartaruga veio lhe desafiar

A lebre estava certa de que ia vencer
Mas isso é o que nós vamos ver
Certa de sua vitória
A lebre resolveu dormir
E a tartruga vagarosamente
Continou a prosseguir.


Enquanto a lebre dormia
O tempo ia passando
E assim a tartaruga
Foi lhe alcançando

Quando a lebre acordou
Não tinha se dado conta do que aconteceu
A tartarga na sua frente estava
E a corrida venceu

Depois de virar motivo de chacota
Uma lição a lebre aprendeu
Quem tem persistência e firmeza no que faz
Atinge seus objetivos
E mostra do que é capaz.





Amanda Salgado
Turma 702 / Ativo / 2013


sábado, 30 de março de 2013

Tá na Hora do Poeta - O leão e o ratinho - Ana Carolina Pereira Ribeiro

 
 
 
O leão e o ratinho
 
 
 
O rei das selvas
Dormia em uma das belas florestas
Sob a sombra de um carvalho
Um leão amarelo e grisalho
 
Aproveitando a ocasião
Um ratinho líder espertalhão
Quis cortar o caminho
Chamando o seu bandinho
 
Quando faltava um
O leão acordou
O ratinho pediu para sair
Mas o leão nao deixou
 
O ratinho insistiu
E logo falou:
Quando você precisar
Eu que irei te salvar
 
Depois de tanto insistir
O leão deixou o ratinho sair
Como o seu estômago já estava cheio
O leão voltou a dormir
 
Depois de alguns dias
O leão se prendeu
Por uma rede deixada
Para quem não esperava
 
O leão tentou se soltar
Mas tudo só ia a falhar
 
Os seus urros de raiva
Fizeram a terra tremer
Ao ouvi-los o ratinho
Foi logo lhe socorrer
 
O leão percebeu
que o que o ratinho dizia
Não era mentira
Nem fantasia
 
Uma ação ganha a outra
Tamanho não é problema
Pequenos amigos
Podem ser grandes amigos
 
 
Ana Carolina Pereira Ribeiro
 
Turma 701 / Ativo 2013
 
 
 

sábado, 16 de março de 2013

Te Contei, não ? - Os Saltimbancos

 
Os Saltimbancos
 
Lançado no ano de 1977, o disco infantil “Os saltimbancos” foi um projeto composto por importantes figuras da música popular brasileira. Entre outros nomes, destacamos as figuras de Chico Buarque, Nara Leão, Vinicius de Moraes e Miúcha como os grandes envolvidos nesse projeto. A inspiração desse disco aparece como uma adaptação da obra literária “Os músicos de Bremen”, criada pelos lendários irmãos Jacob e Wilhelm Grimm.
Essa obra trata da união de um grupo de animais contra a exploração realizada por seus patrões. Ao longo das canções vemos que cada um dos animais canta as suas angústias e decidem se reunir para que tivessem a oportunidade de mudar o rumo de suas vidas. Os protagonistas envolvidos são um burro, um cachorro, uma galinha e uma gata. Cada um reclama da exploração que sofria e contam com suas diferenças para se tornarem livres.
De modo geral, essa obra tem uma elaboração interessante e explora de modo muito eficiente no uso de elementos lúdicos. As crianças apreendem a história com grande facilidade e podem aprender sobre valores muito importantes. Questões como união, solidariedade, justiça e diversidade são alguns dos conceitos que a narrativa dos saltimbancos consegue transmitir aos que tem a oportunidade de apreciá-la. Contudo, não podemos entender que “Os saltimbancos” seja uma simples obra pensada para crianças.
A história desses animais tem uma relação muito importante com o contexto histórico vivido no Brasil daquela época. Ao falar sobre união, exploração e justiça, os animais que figuram essa fábula davam voz a uma série de questões políticas que marcavam o regime militar brasileiro. Não tendo liberdade para abertamente se opor ao governo da época, era comum que os artistas utilizassem de elementos e recursos estéticos que de forma indireta expressassem as suas opiniões.
Percebemos que “Os Saltimbancos” é um rico documento histórico capaz de marcar adultos e crianças. Para o universo infantil, percebemos a construção de uma ferramenta didática capaz de introduzir a reflexão de valores muito interessantes para a formação dos pequenos. Aos adultos, uma obra que hoje atesta a falta de liberdade artística que impunha desafios e estratégias para se falar o que se pensava naquela época. Assim, temos um rico universo de questões educacionais e históricas a serem notadas por meio desse memorável disco.
 

Teatro, poesia e música: "Os Saltimbancos", de Chico Buarque


Texto, música, teatro. Uma rápida e superficial observação e você, caro leitor dessa página, será levado a pensar que se tratam de unidades estanques, cujo único diálogo se dá na soma dos dois primeiros para a configuração do último.
“Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres. Senhor, senhora, ou senhorio. Felino, não reconhecerás”. Quem é que nunca ouviu esse trecho da música “História de uma gata”, de Chico Buarque?
Pois bem, visto que nossa disciplina tem por conteúdo a abordagem de tópicos de literatura infantojuvenil, e que ficamos incumbidos de tecer algumas considerações acerca de teatro infanto-juvenil e música, não poderia faltar em nossas postagens uma referência a peça Os Saltimbancos.
Os Saltimbancos constituiu-se em um musical elaborado no ano de 1977, tendo por base uma adaptação de texto homônimo do italiano Sergio Bardotti, texto esse que bebe na consagrada fonte das fábulas dos Irmãos Grimm, explorando o conto Os músicos de Bremem. Interessante se faz, antes de podermos adentrar as especificidades do texto, verificar seu contexto de produção.
No período em que foi produzida, o Brasil estava mergulhado em um terrível momento de censura decorrente da imposição das forças militares no comando da ditadura. Anos negros que cobriram os céus de nossa pátria até o ano de 1985, pois foram marcados por intensa repressão a toda e qualquer forma de expressão que se voltasse contra o regime. Em meio a tantas barreiras, aguçaram-se as habilidades fundamentais de nossos grandes autores, que souberam explorar as riquezas da linguagem, a infinidade de palavras e a multiplicidade dos sentidos, colocando por detrás das máscaras de simplicidade densas críticas e reflexões. Tal tessitura pode ser verificada nos escritos de Chico Buarque, estando inclusa a peça em questão.
O enredo da peça apresenta grande fidelidade quando comparado ao conto original dos Grimm, tendo, no entanto, modificações pontuais de Chico Buarque, as quais possibilitam um novo olhar acerca da fábula. A peça relata o encontro de quatro animais, sendo eles um jumento, uma galinha, um cachorro e uma gata, que possuíam em comum o fato de terem sido maltratados pelos seus respectivos donos. Encontrando-se, tem a ideia de juntos formarem uma banda, rumando para a cidade com o objetivo de se apresentarem e lá viverem. No meio de sua jornada, deparam-se com os antigos donos, instalados em uma casa. Então, juntos decidem encará-los, com o intuito de não mais sofrerem com os abusos e violências de seus antigos mandatários. Saem vitoriosos desse embate de forças, e percebem que a partir daquele instante, poderiam, como uma equipe, superar toda e qualquer adversidade.
Citamos como primeira modificação no texto dos Grimm o motivo pelo qual os animais acabam fugindo de seus antigos lares. No conto Os músicos de Bremem temos a partida dos quatro animais em decorrência da eminência de morte que lhes competia pela ausência de serventia perante seus donos. O jumento, pela idade avançada, já se mostrava fatigado e não conseguia desempenhar seu trabalho; o cão não servia mais para a caça; o gato preferia ficar deitado e ronronar do que caçar ratos; e o galo serviria de alimento aos convidados de seu senhor - realidade mais próxima de um lado“natural” postulado nos demais contos e fábulas dos Grimm. Já na adaptação de Bardotti e Chico Buarque, podemos pensar uma “suavização” dos motivos, visto que, os animais fogem devido aos maus tratos sofridos. Pensando no contexto em que foi adaptada por Chico Buarque, podemos pensar também que, ao invés de uma suavização, têm-se a materialização da violência e da repressão vividas no período do regime militar.
Um segundo ponto que vale a pena ser mencionado como diferença significativa entre os textos se faz na inserção, no texto de Chico Buarque, de personagens femininas. No conto dos Grimm todos os personagens são masculinos (jumento, cão, gato e galo). Já na adaptação de Chico, temos uma gata ao invés de um gato, e uma galinha ao invés de um galo. Tal troca poderia ser justificada por mera causalidade. Mas lembre-se, caro leitor, de duas coisas: em primeiro lugar, estamos lidando com um autor de inteligência perspicaz, como é o caso de Chico Buarque, em que nada aparece de modo solto; segundo, que pensando no contexto em que o texto é escrito, efervesciam discussões e ganhava corpo a revolução feminista. Desse modo, colocando duas personagens femininas e duas masculinas, Chico consegue abordar as questões de igualdade dos sexos.

Uma segunda explicação, segundo alguns críticos, reside em uma leitura alegórica do texto: cada animal serviria como importante alegoria para pensarmos sobre o que estava acontecendo no contesto ditatorial. Desse modo, o burro corresponderia à inteligência; a galinha representaria a classe trabalhadora (operários); o cachorro, os soldados na hierarquia militar e a gata estaria representando a classe artística. Por sua vez, o barão, que aparece textualmente como antagonista, seria uma representação da elite, da classe detentora de poder e, pensando em um âmbito mais fabril, dos meios de produção.

Música

A música exerce função fundamental dentro dos processos de compreensão da peça. Muito mais do que suscita a superficialidade das músicas infantis, apresentando canções que se ligam mais ou menos a cada um dos animais e dos momentos, aborda em suas letras verdadeiros planos de conscientização, de reflexão e de poesia. As músicas intercalam alguns momentos da peça, sendo interpretadas por um ou alguns personagens.
Nessa postagem abordaremos a música História de uma gata, que tem como preâmbulo um diálogo entre os animais. Com um refrão aparentemente simples, Chico discute a questão da liberdade, dialogando com a condição financeira das classes: “nós, gatos, já nascemos pobres/ porém, já nascemos livres”.

Os “pobres” são livres, e por livres podemos entender a liberdade de convenções sociais, de aparências e, principalmente, livres por não terem essa mesma ilusão de liberdade que hoje nos rodeia, quando não percebemos sermos escravos de nossas próprias criações e necessidades. A canção critica ainda a naturalização de elementos que se dão por meio dessas mesmas convenções sociais, o automatismo a que nos atamos. Utiliza verbos fortes, que se não forem entendidos em seu sentido mais amplo, aparecem apenas como meras figuras de estilo e de retórica, como na parte que segue: Me alimentaram/ Me acariciaram/ Me aliciaram/ Me acostumaram. Podemos imaginar toda essa parte como uma gradação, em que “alimentar” se refere aos sonhos e esperanças que nos injetam e nos penetram dia e noite ao longo de nossas vidas. Acariciar poderia estar simbolizando uma tentativa de remediar as dores causadas pelo mundo, ou uma forma de atrair uma falsa impressão amistosa, rodeada pelos mais mundanos interesses, o que levaria ao passo seguinte, aliciar, com sentido de seduzir, convocar. Por fim, "me acostumaram" pode referir-se a uma das maiores violências que ainda vemos presente em nossa sociedade: aquela imperceptível, decorrente das imposições e naturalizações a que somos acostumados.
Seguem abaixo os links com a letra da música e com um vídeo que ilustra a montagem da peça. Nas próximas publicações abordaremos as outras canções da peça!

Quem quiser ficar com aquele gostinho de quero mais, vale a pena conferir um vídeo curtinho que mostra uma das montagens da peça no Teatro Folha.
História de uma gata
Jumento: Querem saber? Me sinto melhor agora que somos três.
Gata: Quatro!
Cachorro: Que? Quem está aí?
Gata: Sou eu, estou aqui na árvore, miau, eu sou uma gatinha.
Cachorro: Au au
Gata: ui ai
Jumento: Para, cachorro. 1ª lição do dia, o melhor amigo do bicho é o bicho. E você gata desce da arvore.
Gata: Depende do programa.
Galinha: Nós vamos à cidade, vamos fazer um cocococonjunto você também sabe cantar a sim, infelizmente...
Todos (menos a gata): Infelizmente? ? ?
Gata: Porque fazer um som não foi nada jóia pra mim.
Jumento: Perdão como disse?
Gata: Porque cantar um musica me custou muitíssimo, miau.
Todos (menos gata): Conta.

Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram
O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé...de gato
Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás
De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás.
 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Fábulas - A lição do ratinho .....




A lição do ratinho… 

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !! 
A galinha disse: 
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda. 
O rato foi até o porco e disse: 
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira ! 
- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações. 
O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse: 
- O que? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não! 
Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. 
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… 
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco. 
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.  

Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Fábula do Porco-espinho




Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com outro ser muito próximo podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
E assim sobreviveram. O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.

sábado, 28 de maio de 2011

Fábula da Inveja

Uma serpente estava perseguindo um vaga-lume.
Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse:
" Posso fazer uma pergunta?"
A serpente respondeu:
"Na verdade nunca respondo a perguntas das minha vítimas, mas, por ser VOCÊ, vou permitir."
Então o vaga-lume perguntou:
"Fiz alguma coisa a você?"
"Não", respondeu a serpente.
"Pertenço a tua cadeia alimentar?, perguntou o vaga-lume.
"Não", respondeu a serpente de novo.
"Então, por que você quer me comer?", perguntou o inseto.
"PORQUE NÃO SUPORTO VÊ-LO BRILHAR", respondeu a invejosa serpente comendo o vaga-lume de uma só vez.



Gente Tóxica - Como lidar com pessoas difíceis e não ser dominado por elas - Bernardo Stamateas - Ed. Thomas Nelson Inc. 2009.