sábado, 31 de março de 2012

As mulheres irão dizer: - Prefiro não comentar !!!!



Um casal estava no shopping, quando de repente o maridão some.
Irada, e com a voz bastante alterada a mulher liga para o celular dele e começa a falar em voz alta:
- Onde diabos você se meteu ? Onde você está???
- Querida, lembra-se da joalheria onde você viu um colar de diamantes e se apaixonou por ele ?
Um pouco envergonhada, mas com um sorriso de orelha a orelha, olhos brilhantes, ela respondeu:
- Sim, meu amor, meu amor. Claro que me lembro, como me lembro.
* -Pois é, querida, tô tomando um cervejinha no bar ao lado! *

Crônica do Dia - Elefante de circo !




Você já observou elefante no circo?
Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais. Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo.
A estaca é só um pequeno pedaço de madeira. E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir.
Que mistério!
Por que o elefante não foge?
Há alguns anos descobri que, por sorte minha, alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: o elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno. Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido preso: naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo esforço, não pôde sair.
A estaca era muito pesada para ele. E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo.
Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode. Para que ele consiga quebrar os grilhões é necessário que ocorra algo fora do comum, como um incêndio por exemplo.
O medo do fogo faria com que o elefante em desespero quebrasse a corrente e fugisse.
Isso muitas vezes acontece conosco! Vivemos acreditando em um montão de coisas que não podemos ter, que não podemos ser, que não vamos conseguir..., simplesmente porque, quando éramos crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouvimos tantos nãos que a corrente da estaca ficou gravada na nossa memória com tanta força que perdemos a criatividade e aceitamos o "sempre foi assim..."
Poderia dizer que o fogo para nós seria: a perda de um emprego, ou algum Outro problema ou algo que nos fizesse sair da zona de conforto.
A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!
Não espere que o seu "circo" pegue fogo para começar a se movimentar. Vá em frente! Termine cada dia e esteja contente com ele. Você fez o que pôde. Alguns enganos e tolices se infiltraram indubitavelmente; esqueça-os tão logo você consiga. Amanhã é um novo dia; comece-o bem e serenamente com um espírito elevado demais para ser incomodado pelas tolices do passado.

“A única coisa que separa um homem do que ele quer da vida normalmente é simplesmente a vontade de tentar aquilo e a fé para acreditar que aquilo é possível. Façamos da interrupção um caminho novo. Da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro!”

 Fernando Sabino

Prefiro não comentar !!!!!!!!



Acredite se quiser

O valor da graxa para sapatos na Câmara Federal

Veja para onde vão os impostos que são extorquidos dos bolsos da população brasileira.
Não é possível uma esculhambação dessas. Por favor, repassem.
Graxa na Câmara: Os sapatos dos nossos parlamentares devem brilhar mais que as barrigas inchadas e verminadas das nossas crianças famintas...
Acredite se quiser...
O presidente da Câmara Federal, o triste deputado Marco Maia (PT-RS), quer todos os parlametares, assessores e funcionários da casa de sapatos reluzentes.
Acaba de abrir uma licitação para contratar serviços de engraxataria no prédio, num total de R$ 3.135.000,00 milhões por 12 meses, o que dá R$ 261.000,00 mil por mês ou, ainda, R$ 8.700,00 mil por dia.
O valor diário equivale à alimentação de 174 famílias num mês, pelas normas do falido FOME ZERO !
A custos da iniciativa privada, são mais de 3.000 pares de sapatos engraxados diariamente.
PODE????
E os palhaços, quem são?
Somos nós que pagamos o projeto FOME ZERO com os sapatos sujos pelo mar de lama e corrupção em que os dirigentes desta pobre nação mergulharam o Brasil. 

Dra. Maria da Glória Bessa Haberbeck OAB 3515

Crônica do Dia - Viva !!!!



V I V A

 Artigo do jornal O Estado de São Paulo...

Vale a pena ler e praticar!!!! O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio.... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.
É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo “automático” e “apagando” as experiências duplicadas. Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.
Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).
Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década. Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M& M (Mude e Marque). Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos. Aprenda uma nova língua, ou um novo instrumento.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos ou animais de estimação (eles destroem a rotina) Sempre faça festas de aniversário e para você (marcando o evento e diferenciando o dia). Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente. Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja Diferente! Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos.... em outras palavras... V I V A !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo. E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes e que gostam de comidas diferentes. Enfim, acho que você já entendeu o recado,não é? Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.
ESCREVA em TAmaNhos diFeRenTeeS e em CorES difErEntEs! CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE... V I V A !!!


sexta-feira, 30 de março de 2012

Leia, analise, opine !!!!!!!!!!!!!!!




Triste história de um Professor

 Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011 

 Caro Juremir (CORREIO DO POVO/POA/RS) 

 Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre , onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, "pela entrada do inverno", resolveu também ir á aula uma daquelas "alunas-turista" que aparecem vez por outra para "fazer uma social". 
Para rever os conhecidos. 
Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos. 
Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender' e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a "estudante" quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela. 
Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola.. 
Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!.... Isso mesmo!... tive que comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (???) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores'. A que ponto chegamos? Isso é um desabafo!... Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil. Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, ''te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país''. 
Fica cristalina a visão de que, neste país: 

NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES 
NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO 
AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM 

 Alguns exemplos atuais: 

 · Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela ?Academia Brasileira de Letras"... 
 · Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da "Comissão de Educação e Cultura do Congresso".... 

TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. 
PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO. 

Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um "ACT" ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? 

Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00? 

Moral da história: Os professores ganham pouco, porque ? Só servem para nos ensinar coisas inúteis? Como: ler, escrever, pensar,formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc.... 

SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias: 

Educação Física: Futebol; 
Música: Sertaneja, Pagode, Axé; 
História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento das "Celebridades" 
História da Arte: De Carla Perez a Faustão; 
Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha; 
Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas; Português e Literatura: ?... Para quê ?... 
Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade. Está bom assim? ... eu quero mais!... 
ESSE É O NOSSO BRASIL ...  

Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (que não é diferente do resto do Brasil) 

BOPE - R$ 2.260,00....................... para ........ Arriscar a vida; 
Bombeiro - R$ 960,00.....................para ........ Salvar vidas; 
Professor - R$ 728,00......................para ........ Preparar para a vida; 
Médico - R$ 1.260,00......................para ........ Manter a vida; 
E o Deputado Federal?.....R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus "bajuladores" apaniguados naquela manobrinha conhecida do "por fora vazenildo"!). 


 IMPORTANTE: Faça parte dessa "corrente patriótica" um instrumento de conscientização e de sensibilização dos nossos representantes eleitos para as Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional e, principalmente, para despertar desse "sono egoísta" as autoridades que governam este nosso maravilhoso país, pois eles estão inertes, confortavelmente sentados em suas "fofas" poltronas, de seus luxuosos gabinetes climatizados, nem aí para esse povo brasileiro. Acorda Brasil !... 

 P.S.: Divulgue logo esta carta para todos os seus contatos. Infelizmente é o mínimo que, no momento, podemos fazer, mas já é o bastante para o Brasil conhecer essa "pouca vergonha". As próximas eleições estão chegando!

Fonte: Recebida por e - mail de um amigo que desistiu ontem de ser professor!!!!

Crônica do Dia - As qualidades e os defeitos de cada um


Sou daquelas que acredita que quanto maior nosso senso de realidade, menos sofrimento teremos. Olhar as coisas como elas são nos dá condições de agir com mais segurança e eficiência em todas as áreas de nossa vida. 

Vivendo em uma sociedade que valoriza mais as aparências, em nossas atividades do dia a dia não nos aprofundamos na análise das pessoas com as quais nos relacionamos e na maioria das vezes nos deixamos levar pelo que parece. 

Quando simpatizamos com uma pessoa, projetamos sobre ela só qualidades, fazemos vista grossa aos pontos fracos. 

Colocamos muitas expectativas nesse relacionamento e quando esse alguém revela seu lado fraco, nos magoamos, ficamos frustrados, culpando-o pela nossa infelicidade. Todos nós temos qualidades e defeitos. Olhar apenas um lado é mergulhar na ilusão e candidatar-se à frustração. Em contrapartida, quando implicamos com uma pessoa só enxergamos os defeitos. E, quando a vida nos une na família ou no trabalho, entramos na crítica, na maldade, nos tornamos preconceituosos. Fazemos do relacionamento um inferno. 

Se isso está acontecendo com você, é hora de reavaliar e descobrir a verdade. Você terá que jogar fora suas idéias preconcebidas e tentar enxergar além do que parece. Esqueça tudo que pensava e faça de conta que está vendo a pessoa pela primeira vez. Ligue-se com a pessoa, ignore os pensamentos que surgirão, e sinta no coração o desejo de vê-la como ela é, com suas qualidades e defeitos. Insista nisso. Estou certa de que se surpreenderá. Perceberá lados que nunca tinha visto. 

O pensamento pode refletir os condicionamentos automatizados por falsas crenças aprendidas ao longo da vida, mas o sentir promove a ligação entre seu espírito e o dela e fará uma troca energética verdadeira. 

Você pode continuar gostando de uma pessoa, apreciar suas qualidades e, conhecendo seus pontos fracos, saberá precaver-se, evitar futuros problemas, manter um bom e longo relacionamento, uma amizade confiável para ambos. 

Já com quem você não se dá bem, conhecendo como ela é, saberá evitar seu lado pior e trazer à tona o que ela tem de melhor e resolverá o problema. Ou ela se afinará com você ou sairá de sua vida indo ser feliz em outro lugar. 

Você tem o direito divino de viver uma vida produtiva e mais feliz. Mas só conseguirá quando aprender a lidar com as pessoas de maneira adequada, olhando as coisas como elas são. 

 Zibia Gasparetto é escritora espiritualista

Crônica do Dia - Piso do magistério, como pagar ?



Rio - O piso do magistério, que esta semana voltou ao centro das atenções, é questão que merece ser discutida. Em primeiro lugar, sua definição não pode obedecer apenas aos critérios intempestivos traçados pelo governo federal. Muita gente ficou boquiaberta com o reajuste de 22% para este ano, ainda mais se comparado aos índices da inflação e do aumento do salário mínimo, bem menores. A majoração dos vencimentos mínimos dos professores, porém, não está indexada a índice algum senão ao que o próprio gestor concede ao valor per capita por alunos das redes estadual e municipal. Influi ainda o percentual do PIB a ser aplicado na educação. 

O gargalo é fácil de ser entendido. Quando os administradores no âmbito estadual ou municipal afirmam que não têm verbas para pagar o piso, eles não informam se solicitaram ou não ao governo federal a complementação necessária para fazer frente às despesas. Por que não informam? Muito simples: para se conseguir a complementação federal, é necessário que o município ou o estado tenham plano de carreira do magistério, devidamente aprovado no Legislativo, o que já deveria ter sido feito há muito tempo. Mas muitos administradores detestam estes planos de carreira, partindo para a solução mais simples: afirmar não ter verba. Outros ainda resistem aos concursos porque desejam governar com seus apadrinhados políticos, então é mais fácil continuar reclamando. 

 Há algumas semanas o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que os planos e projetos são feitos pelo governo federal, mas que dependem dos gestores municipais para funcionar na prática. Assim, enquanto temos municípios que já pagam acima do piso, temos os que relutam usando subterfúgios de todas as espécies para não pagá-lo. Mas, na verdade, não se trata de falta de verba, falta mesmo é vontade política, que significa aceitação dos valores que uma boa educação traz para um espaço geográfico. 

Hamilton Werneck
 Pedagogo e escritor

Te Contei, não ? - Ataques violentos matam um travesti por dia na Baixada



POR BRUNO MENEZES 

 Rio - Um travesti é assassinado por dia em ataques homofóbicos na Baixada Fluminense, de acordo com levantamento informal feito pelo Centro de Referência LGBT, órgão da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos. O crescente número de homossexuais, travestis e trangêneros agredidos por motivação homofóbica fez com que as autoridades estaduais planejassem a abertura de mais quatro centros de referência, além dos três já existentes. Dois deles, de acordo com Cláudio Nascimento, coordenador do Programa Rio Sem Homofobia, neste semestre. 

“Temos um grande número de vítimas de ataques homofóbicos na Baixada Fluminense. E isso nos fez pensar em abrir um novo centro na região. Além de Caxias, a partir de junho também vamos oferecer serviços em Nova Iguaçu, abrangendo mais 10 municípios”, disse Nascimento. Segundo ele, outra cidade que também receberá um centro no mesmo mês será Niterói, onde também há grande número de homossexuais desassistidos. Os outros dois serão abertos em Cabo Frio e em Macaé até o mês de novembro. 

 Além de acompanhamento psicológico e social, os centros também oferecem apoio jurídico a vítimas de agressão motivadas por homofobia. “Buscamos informações sobre as investigações junto às delegacias e cobramos que os registros sejam feitos indicando a motivação homofóbica. É importante para que tenhamos estatísticas reais do que acontece no Rio”, explica o coordenador do Centro de Referência LGBT do Centro do Rio, Almir França. 

 De acordo com o órgão, de fevereiro de 2009 a março de 2011, 970 ocorrências foram registradas em 87 delegacias do Rio de Janeiro. 

Dormência no rosto e braço quebrado 

Com o lado esquerdo do rosto dormente, problemas na visão e na arcada dentária, além do braço esquerdo quebrado, o auxiliar administrativo Ricardo Sebastião Silva, de 34 anos, tenta esquecer da sessão de espancamento a que foi submetido na madrugada do dia 11. 

“Estava na Praia do Recreio e cinco pessoas, entre elas uma mulher, já me acordaram com agressão. Cheguei a desmaiar. Estou chocado com o que aconteceu, mas tenho que seguir em frente. Sou gay, sim, e as pessoas precisam me respeitar”, desabafa. 

Investigação com rapidez 

Para a polícia, as políticas públicas para a comunidade LGBT, como o Disque Cidadania (0800-0234567), oferecem segurança para que as vítimas procurem as delegacias e registrem as agressões. “No caso do Ricardo, por exemplo, acredito que nossa atuação foi exemplar pela rapidez com a qual a polícia foi alertada da agressão. Prendemos três envolvidos, um deles estudante de Direito, por tentativa de homicídio”, conta a titular da 42ª DP (Recreio), delegada Adriana Belém. Os três estão presos no Presídio Ary Franco, em Água Santa.

Jornal O Dia

segunda-feira, 26 de março de 2012

Te Contei, não ? - O Mambo !!!!!


O estilo musical e coreográfico conhecido como mambo nasceu em Cuba, fruto de uma fusão de várias sonoridades musicais. Ele recebeu forte influência das cadências afro-cubanas procedentes das cerimônias religiosas típicas do Congo. O termo com que ele foi batizado provém de uma gíria comum entre os músicos negros – “estás mambo?”, ou seja, “tudo bem com você?”. Estes artistas executavam um ritmo conhecido como El Son nos grupos musicais cubanos.
Já o mambo moderno é criado em 1939, com Orestes López e Cachao López, que produziram uma danzón – gêneroderivado da dança criolla, que tem como fonte a contradanza espanhola e a contredanse francesa, das quais várias danças de salão latino-americanas se originam – à qual deram o nome de Mambo, valendo-se de sonoridades procedentes da cultura africana. Sua versão foi executada pelo célebre conjunto Arcaño y sus Maravilhas.
Os migrantes negros do Haiti trouxeram consigo o cinquillo, elemento também presente em outro ritmo proveniente da contradanza, o Tango, nascido na Argentina. Em meados dos anos 40, músicos mais conhecidos, como Arsênio Rodriguez, Bebo Valdez, Orestes Lopez e seu irmão Israel Cachao Lopez; o pianista e arranjador do conjunto Casino de la Playa, Damaso Perez Prado, entre outros, enveredaram pelo estilo que posteriormente seria denominado nuevo ritmo ou apenas Mambo.
O maestro Damaso Perez Prado foi, porém, o responsável pela disseminação deste estilo musical. Em 1947, ele segue para o México, onde cria um conjunto de grande porte, ao qual acrescenta um fantástico segmento de sopros, inspirado no grupo de Stan Kenton. Munido destes recursos, ele parte para vencer a acirrada competição musical do mercado norte-americano.
Perez se valia dos ritmos afro-cubanos como esteios sonoros, fundindo-os a arranjos de orquestra absorvidos do jazz, especialmente do conjunto de Kenton, a quem ele admirava profundamente, honrando mais tarde esse sentimento ao gravar um de seus mambos. Pouco antes de deixar Cuba, ele deixou pronto na Ilha um disco 78 RPM, com a gravação de seus hits Mambo Caén e So caballo, bem aceitos pelo público local.
Na década de 50 o Mambo revoluciona a paisagem musical, não se rendendo nem mesmo diante do monopólio das big bands norte-americanas, graças ao talento de Perez, somado ao de outros cantores célebres desta época, tais como Xavier Cugat, Tito Puente e Beny Moré. Da autoria de Perez, Que Rico El Mambo (Mambo Jambo) foi o primeiro de uma lista inumerável de sucessos. O mambo Cerezo Rosa atinge em 1955 o topo da parada musical da revista Billboard, apenas destituído de seu posto pelo rock Around the Clock, de Bill Halley.
Este estilo musical, porém, não teve longa duração; seu sucesso foi efêmero. Mas esta sonoridade, que misturava ritmos cubanos e elementos jazzísticos, marcou a história da música cubana até princípios da década de 60. A partir daí ele foi superado pelo fenômeno do rock.






Fontes
http://www.conexaodanca.art.br/
http://www.musicacubana.com.br/ritmos.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mambo

Crônica do Dia - Vamos queimar os livros



Quando a gente pensa que já viu tudo, não viu. Faz algum tempo, dentro do horroroso politicamente correto que me parece tão incorreto, resolveram castrar, limpar, arrumar livros de Monteiro Lobato, acusando-o de preconceito racial, pois criou entre outras a deliciosa personagem da cozinheira Tia Nastácia, que, junto com Emília e outros do Sítio do Picapau Amarelo, encheu de alegria minha infância. Se formos atrás disso, boa parte da literatura mundial deve ser deletada ou "arrumada". Primeiro, vamos deletar a palavra "negro" quando se refere a raça e pessoas, embora tenhamos uma banda Raça Negra, grupos de teatro Negro e incontáveis oficinas, açougues, borracharias "do Negrão", como "do Alemão" "do Portuga" ou "do Turco". Vamos deletar as palavras. Quem sabe, vamos ficar mudos, porque ao mal-humorado essencial, e de alma pequena, qualquer uma pode ser motivo de escândalo. Depende da disposição com que acordou, ou do lado de onde sopram os ventos do seu próprio preconceito. 

Embora meus ·antepassados tivessem vindo ao Brasil em 1825, portanto sendo eu de muitas gerações de brasileiros tão brasileiros quanto os de todas as demais origens, na escola havia também a turminha que nos achacava com refrãos como "Alemão batata come queijo com barata". Nem por isso nos odiamos, nos desprezamos. Eram coisas infantis, sem consistência. O que vemos hoje quer mudar a cara do país, ou da cultura do país, e não tem nada de inocente. 

Um dos negros que mais estimei (no passado, porque morreu), ligado a mim por laços de família, era culto, bom, interessante, nossos encontros eram uma alegria. Com ele muito aprendi, sua cultura era vasta. A cor de sua pele nunca me incomodou, como, imagino, não o aborreciam meus olhos azuis. Havia coisas bem mais positivas e importantes entre nós e nossas famílias. Não vou desfilar casos com amigos negros, japoneses, árabes, judeus, seja o que for. Mas vou insistir no meu escândalo e repúdio a qualquer movimento que seja discriminatório, que incite o ódio de classes ou o ódio racial, não importa em que terreno for. 

Agora, de novo para meu incorrigível assombro, em um lugar deste vasto, belo, contraditório país que a gente tanto ama, desejam sustar a circulação do Dicionário Houaiss, porque no verbete "cigano" consta também o uso pejorativo - que, diga-se de passagem, não foi inventado por Houaiss, mas era ou é uso de alguns falantes brasileiros, que o autor meramente, como de sua obrigação, registrou. Ora, para tentar um empreendimento desse vulto, como suspender um dicionário de tal peso e envergadura, seria preciso um profundo e preciso conhecimento de linguística, de lexicografia, uma formação sólida sobre o que são dicionários e como são feitos. 

O dicionarista não inventa, não acusa nem elogia, deve ser imparcial - porque é apenas alguém que registra os fatos da língua, normalmente da língua-padrão, embora haja dicionários de dialetos, de gírias, de termos técnicos etc. Então, se no verbete "cigano" Houaiss colocou também os modos pejorativos como a palavra é ou foi empregada, criticá-lo por isso é uma tolice sem tamanho, que, se não cuidarmos, atingirá outros termos em outros dicionários, com esse olhar rancoroso. Vamos nos informar, antes de falar. Vamos estudar, antes de criticar. Vamos ver em que terreno estamos pisando, antes de atacar obras literárias ou científicas com o azedume de nossos preconceitos e da nossa pequenez ou implicâncias infundadas. Há coisas muito mais importantes a fazer neste país, como estimular o cuidado com a educação, melhorar o atendimento à saúde, promover e preservar a dignidade de todos nós. 

Ou, numa mistura maligna de arrogância e ignorância - talvez simplesmente porque não temos nada melhor a fazer -, vamos deletar as palavras que nos incomodam, os costumes que nos irritam, as pessoas que nos atrapalham e, quem sabe, iniciar uma campanha de queima de livros. De autores, seria um segundo passo. E assim caminhará para trás, velozmente, o que temos de humanidade.

Lya Luft 
Revista Veja 

Tá na Hora do Poeta - Fernando Pessoa



Põe quanto és no mínimo que fazes
Para ser grande, sê inteiro: 
nada teu exagera ou exclui. 

 Sê todo em cada coisa. 
Põe quanto és 
No mínimo que fazes. 

Assim em cada lago a lua toda Brilha, 
porque alta vive 



 Ricardo Reis, in "Odes" Heterónimo de Fernando Pessoa

Crônica do Dia - Como combater a corrupção




Em 2011, vários movimentos de combate à corrupção ganharam as ruas do Brasil. A maioria deles protagonizada por jovens universitários da nova geração que – praticamente para tudo – se comunica por meio de mensagens de texto de celulares e pelas redes sociais. Esses jovens cresceram num país com inflação controlada e com a percepção crescente de que uma política social eficaz vem combatendo com sucesso a pobreza e a desigualdade. Portanto, apareceram com mais força problemas antigos que, por isso mesmo, se tornaram problemas novos. 

A corrupção é antiga no Brasil. A grande novidade é que ela ficou mais visível. Ficar mais visível é condição necessária para que seja combatida. É impossível atacar um inimigo invisível. 

Ela ficou mais visível, em primeiro lugar, porque se tornou arma de ataque na briga entre os políticos. Nada mais importante para combater a corrupção que a competição política. Como há dois ou mais partidos em permanente luta pelo poder, eles farão de tudo para enfraquecer seus adversários. As denúncias de corrupção têm esse importante papel. 

Deixemos de lado o argumento moralista, aquele que critica o denunciante porque ele faz o que faz movido pelo interesse próprio. É assim mesmo que funciona. No episódio do mensalão, se o então deputado Roberto Jefferson não tivesse sido contrariado em seu interesse próprio, jamais iria à mídia denunciar o esquema de compra de votos de deputados. Devemos louvar o interesse próprio quando ele vier combinado com conflito e competição. Sem isso, jamais saberíamos de muitas das falcatruas que ocorrem na administração pública brasileira. 

O segundo motivo que levou a corrupção a ficar mais visível – na verdade, o mais importante de todos – é a mudança na cabeça dos brasileiros. Estamos passando por um contínuo e ininterrupto processo de melhoria da escolaridade de nossa população. Há uma relação simples e direta amplamente comprovada por dados de pesquisas: quanto mais elevada for a escolaridade de uma pessoa, mais ela se importará e tenderá a ser contra a corrupção. Portanto, a cada ano que passar, os brasileiros ficarão mais indignados com os escândalos e as denúncias de corrupção. Na luta pelo poder, os políticos denunciam seus adversários – e graças a isso sabemos das falcatruas

É somente por causa disso que os políticos podem usar tais denúncias como arma de guerra. Em consequência, com o permanente aumento da escolaridade da população, veremos em paralelo um permanente aumento do uso de escândalos e denúncias como arma para derrubar e prejudicar os adversários. 

O terceiro fator-chave para o aumento da visibilidade da corrupção é a liberdade de imprensa. Uma imprensa dependente do governo para sua sobrevivência financeira jamais publicaria fatos que viessem a prejudicar os governantes. Igualmente, uma imprensa controlada por uma mesma elite política que tivesse relações pessoais e de parentesco muito próximas também dificilmente daria publicidade a fatos que denegrissem os ocupantes do governo. 

Uma elite mais ampla, em que as pessoas não tenham sido criadas juntas, estudado nas mesmas escolas e faculdades ou frequentado os mesmos círculos sociais, é fundamental para que haja liberdade de imprensa. Primeiro é preciso pluralismo, depois vem o exercício da liberdade. 

Políticos atacam políticos e a imprensa divulga. No dia seguinte, milhares de jovens vão às ruas mostrar indignação. Sua grande frustração é que não têm o poder real de combater a corrupção. Basta procurar um pouco para encontrarmos dezenas ou centenas de depoimentos desses jovens afirmando que, ao final dos protestos, fica a sensação de impotência, fica o sentimento de que nada mudará porque os protestos em si não interferem no dia a dia das práticas ilícitas. Protestar e mobilizar a sociedade é fundamental para tornar o problema visível, mas não pune os políticos corruptos.

Os dois tipos possíveis de punição são o eleitoral e o judiciário. A punição eleitoral, mostramos isso num artigo anterior neste mesmo espaço, vem ocorrendo gradativamente. É graças a ela que figuras como Maluf e Quércia foram precocemente sepultadas como políticos de grande poder e influência. Eles são dois dentre inúmeros exemplos que existem em todos os cantos do Brasil. 

A maior arma contra a corrupção é a existência de instituições que efetivamente a combatam. Mídia e opinião pública são instituições, porém não é a elas que me refiro, mas sim a Ministério Público, Justiça, Tribunais de Contas, Tribunais Regionais Eleitorais, a Agências Reguladoras, leis, departamentos de ensino e pesquisa em nossas universidades que estudem fraudes, ao Conselho Nacional de Justiça, a procuradorias, corregedorias etc. 

A importância da ação dessas instituições está comprovada cientificamente pelo artigo de Lee Alston, Marcus Melo, Bernardo Mueller e Carlos Pereira intitulado The predatory or virtuous choices governors make: the roles of checks and balances and political competition. Usando dados de cada um dos Estados do Brasil, os autores mostram que, quanto mais ativas são essas instituições, menos os políticos do respectivo Estado enriquecem; menor é o gasto com pessoal como proporção da receita do Estado; e menor é o deficit primário daquela unidade da Federação. Eles provam que a interação entre Poder Judiciário ativo, Tribunais de Contas atuantes, procuradores públicos militantes, com o auxílio da mídia local e da opinião pública, são imbatíveis quando se trata de limitar a margem de manobra dos políticos no uso do dinheiro público. A lição é clara: quem quer combater a corrupção precisa apoiar o fortalecimento das instituições que controlam o poder dos políticos. 

Os cinco Estados que têm as instituições de controle mais fortes são Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e São Paulo. O lanterninha é o Maranhão de Sarney, antecedido por Roraima, Rio Grande do Norte, Piauí e Alagoas. Isso mostra que as famílias Sarney e Collor não são fenômenos isolados, que pairam sobre o mundo sem ligação alguma com suas instituições. Pelo contrário, os Sarneys só existem porque, em seu Estado, não foram desenvolvidas as instituições que os combateriam.


Revista Época 

Te Contei, não ? - O Homem que criou o Natal



Há duas semanas, em algumas cidades do norte de Portugal, cartazes apregoavam pelos postes: “Chamo Andréia Ferreirinha, tenho 26 anos e sou formada em educação infantil. Estou desempregada e aceito emprego de qualquer coisa. Meu e-mail é...”. Enquanto isso, em Atenas, o funcionário de uma creche encontrava este bilhete: “Não virei mais buscar a Anna porque já não tenho possibilidades de cuidar dela. Por favor, tomem conta da minha filha. Desculpem. A mãe dela”. 

São apenas dois exemplos da crise que assola a Europa e que a tornam explicitamente dickensiana – termo derivado do escritor inglês Charles Dickens. Se kafkiano descreve um contexto existencialmente absurdo, dickensiano evoca circunstâncias socialmente dramáticas. Dickens nasceu em 7 de fevereiro de 1812 e, duros ou não, os britânicos comemorarão seu bicentenário como se a coisa não estivesse preta. Em plena recessão e com o euro grogue, o autor de Oliver Twist saúda e pede passagem. 

Dickens entendia de crise. O pai dele trabalhava na administração da Marinha – ironicamente, no departamento que fazia a folha de pagamentos –, mas torrava mais do que ganhava, para manter uma fachada de respeitabilidade vitoriana. Resultado: quando Charles tinha 12 anos, seu pai foi preso por dívidas na penitenciária de Marshalsea, com toda a família, menos o futuro escritor. Ainda criança, Dickens teve de dar duro numa fábrica de graxa para sapatos. Com o dinheiro, sustentava os parentes atrás das grades. Mais tarde, a situação melhorou, pois o pai recebeu uma herança inesperada. Mas o menino continuou a bater o ponto na fábrica por mais alguns meses – nunca perdoou sua mãe por isso. O episódio marcou-o para o resto da vida. Contou-o apenas a sua mulher e a seu amigo e biógrafo autorizado, John Foster, que o revelou depois da morte do autor. 
Para celebrar, neste ano, o bicentenário de Dickens, o Museu de Londres hospeda, até junho, a maior exposição já montada sobre um escritor. Para os britânicos, a estatura de Dickens só tem paralelo em Shakespeare, como avatar literário da alma nacional. Como o Bardo, o autor de Um conto em duas cidades povoou um verdadeiro parque temático, uma Dickenslândia de personagens memoráveis: Ms. Havisham, a solteirona de mal com o cosmos de Grandes esperanças; Uriah Heep, a reptiliana nêmesis de David Copperfield; o próprio David Copperfield, a decência espontânea e jovial; Oliver Twist, a inocência infantil inquebrantável e incorruptível. Essas e outras figuras indeléveis se entranharam no imaginário britânico e se transfiguraram em arquétipos – por meio do desenho animado, da TV, do teatro e do cinema, conquistaram pacificamente o mundo. 

O melhor exemplo da dimensão de Dickens é Um conto de Natal, escrito em menos de seis semanas. De certo modo, essa narrativa criou o Natal moderno – se não exumando o significado de um cristianismo puro, humilde e comunitário, ao menos resgatando uma espiritualidade e convivialidade festivas, de concórdia entre os homens. Sem entronizar o consumismo: quando o ex-pão-duro Scrooge sai de casa regenerado, rumo à casa de seu sobrinho, leva de presente não uma Daslu inteira, porém um singelo peru assado. Quando Dickens morreu, aos 58 anos, conta-se que uma menina, ao ouvir sobre a morte dele, teria perguntado se o Papai Noel também ia morrer. 

Estima-se que foram rodados 180 filmes baseados nos livros de Dickens – cada uma das obras foi filmada no mínimo duas vezes. Os intérpretes de suas personagens vão de sir Alec Guiness e Michael Caine ao Tio Patinhas de Walt Disney (diretamente decalcado do sovina Ebenezer Scrooge, de Um conto de Natal), passando pela Miss Piggy dos Muppets. O filme mais antigo ainda sobrevivente remonta a 1901 – outra adaptação de Um conto de Natal. Diretores como David Lean, Carol Reed e Roman Polanski rodaram fitas a partir de obras de Dickens. Mike Newell acaba de filmar mais uma versão de Grandes esperanças, com Ralph Fiennes no papel do imortal protagonista Pip (baseado em Dickens), sempre arrastando a asa pela esquiva e marmórea Stella. Como afirma o curador da exposição, Michael Eaton, “a sofreguidão por Dickens atesta que ele não está morto, que não se reduz a um fóssil entalado em prateleiras empoeiradas que ninguém procura. Pelo contrário, suas obras continuam ressoando através de nossa cultura”. Dickens repudiou a mulher e a difamou publicamente para juntar-se a uma garota de 18 anos " 

Dickens destoa da definição de clássico dada por Italo Calvino: “Um autor que ninguém gosta de ler, mas que todo mundo gostaria de ter lido”. Já é chover no molhado, mas a enésima prova da perenidade de Dickens são duas mastodônticas biografias lançadas agorinha mesmo na Inglaterra: Charles Dickens, a life, de Claire Tomalin, e Becoming Dickens, the invention of a novelist (Tornando-se Dickens, a invenção de um romancista), de Robert Douglas-Fairhurst. 
Dickens pontificava sobre a idílica santidade do casamento e dos valores familiares, que, de acordo com a norma vitoriana, domesticavam as pulsões inconvenientes do homem. No entanto, na intimidade era um vulcão sexual, recordando a frase de Freud sobre a boa consciência na psique humana, que “em sua própria casa reina mas não governa”. Dickens casou-se jovem e teve dez filhos com a mulher, Catherine. Esta nem sequer era a rainha do lar. O marido determinava onde, como e com quem a família vivia. Catherine reduzia-se ao papel de poedeira eficaz, eternamente grávida. Como a maioria dos homens de sua época, Dickens nunca ligou para nenhum tipo de controle da natalidade. 
Em 1858, já um divo planetário, ele separou-se da mulher – o divórcio era então um anátema, uma lepra social. Dickens continuou a sustentar Catherine enquanto esta viveu. Mas lançou contra ela uma sórdida campanha de difamação, a fim de melhorar sua saída de fininho. Publicou uma declaração alegando que Catherine sofria de “desordem mental” e “era alcoólatra” – tudo mentira. Foi mais longe, proclamando que “ela estava satisfeita por se ver livre dos filhos, e estes por se livrarem dela”. Ainda hoje, o verbete da Wikipédia sobre Dickens papagueia tal ignomínia. Anos depois, Katey, a mais inteligente da prole de Dickens, disse: “Era como se meu pai tivesse surtado”. 
Consta que, pouco antes da separação, Dickens teve um caso com sua cunhada Georgina – esta, por sinal, não se fez de rogada e foi morar com ele, oficialmente para “cuidar da casa”. A essa altura, o escritor fez tratamento contra uma doença venérea. Aos 46 anos, Dickens tinha-se apaixonado por uma atriz de 18 anos, Ellen Ternan, que se tornou sua companheira até o fim da vida e deu à luz um filho dele, morto prematuramente. Daí a necessidade de demonizar Catherine, como se a pobre matrona vitoriana, insípida e rechonchuda, fosse uma espécie de Lady Macbeth. Ele pouco escreveu depois daquele episódio, preferindo se aventurar num torvelinho extenuante de leituras públicas de sua obra. Nem precisava: já era uma estrela pop desde a edição em folhetim de As aventuras de Mr. Pickwick, ainda assinado sob o pseudônimo de Boz. 

O romance só deslanchou depois da aparição do inesquecível Sam Weller, o impagável (e mal pago) criado do protagonista, uma versão dickensiana de Sancho Pança. Aí, desembestou: em uma semana, pulou de 4 mil para 40 mil exemplares vendidos. 

Claro, a obra de Dickens não passou incólume pela crítica. Virginia Woolf e Henry James torceram o nariz para o que condenavam como “excesso de coincidências” e “sentimentalismo”. Dickens apenas dava de ombros. Inverossímil? Mas o pai dele, que fazia folhas de pagamentos para o governo, não tinha sido preso por dívidas e depois solto graças a uma herança mirabolante? Como Shakespeare, Dickens nunca foi um intelectual, alguém para quem as ideias são mais importantes que as pessoas. Foi assim que engendrou peripécias e seres picarescos e justiceiros, cômicos e trágicos, grotescos e sublimes. Como diz a biógrafa Claire Tomalin, “ele viu o mundo com mais acuidade do que nós e reagiu ao que viu com gargalhadas, indignação, horror – e, por vezes, soluços”. 

As duas avantajadas biografias simultâneas de Charles Dickens não são uma aberração editorial. Quando se trata do criador dos fantasmas dos Natais passado, presente e futuro – que assombram o personagem Scrooge –, nunca há escassez de mercado. De catedráticos a leitores comuns, passando pelos telespectadores mais alheados, somos todos macacas de auditório.


Revista Época 

Crônica do Dia - Aos mestres, sem carinho



"Por experiência própria, alguns dos países mais bem colocados no ranking de qualidade da educação — China, Coreia do Sul e Finlândia, principalmente — sabem que a isso se deve muito do seu desenvolvimento socioeconômico, sem falar no cultural. O Brasil, ou parte dele, parece não saber. Bastou o Ministério da Educação divulgar o novo piso salarial dos professores da rede pública, a fortuna de R$ 1.451,00, para que governadores e prefeitos protestassem e alegassem falta de recursos para adotar uma lei que já fora confirmada pelo STF. Onze deles se deslocaram até Brasília para pressionar pela mudança do parâmetro usado nos reajustes. Choraram miséria, falaram em nome da austeridade, mas acharam natural gastar na viagem, com passagens e diárias, o que dava para pagar um mês do novo salário de dezenas de profissionais de ensino. 

 O caso mais gritante é o do Rio Grande Sul, que ostenta o piso mais baixo, 791,00 (o de Roraima é R$ 2.142,00), e onde foi preciso que a Justiça obrigasse o governo a cumprir suas obrigações legais. Como observou o colunista Carlos Brickman, o governador petista Tarso Genro, “cuja função certamente não é tão útil quanto a de um professor, recebe quase R$ 30 mil mensais, fora casa, comida e muitas mordomias”. E parece não concordar com a opinião de seu colega de partido, o ministro Aluizio Mercadante, de que “a valorização do professor começa pelo piso”. 

 Por essas e outras é que quase ninguém mais quer ser docente aqui, enquanto em outros lugares acontece o contrário. Numa recente entrevista a Leonardo Cazes, o finlandês especialista em educação Pasi Sahlberg informou que “o magistério é a carreira mais popular entre os jovens do seu país”. Não por acaso, a Finlândia ocupa o terceiro lugar no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) e o Brasil o 53 entre 65 países. Talvez não seja coincidência também que o Distrito Federal, com o piso mais elevado (R$ 2.315,00), apresente o melhor resultado, segundo os critérios do Pisa. 

 É bom saber que o Brasil acaba de ser declarado a sexta economia mundial. Mas é triste constatar que em qualidade de educação estamos lá embaixo, atrás de Trinidad e Tobago, Bulgária e México. E que uma das razões é que dedicamos aos nossos mestres pouco carinho e remuneração insuficiente. "

Zuenir Ventura 
Jornal O Globo 

Te Contei, não ? As dúvidas de Oswaldo Cruz



Na virada do século XIX para o XX, o Rio de Janeiro era visto como um verdadeiro inferno pelos estrangeiros. Quente, úmida, suja e assolada por epidemias, a então capital da República assustava os poucos visitantes, que levavam de volta para a Europa uma imagem tão negativa da cidade e do país que atrapalhava a política de atração de imigrantes europeus para substituir a mão de obra escrava no campo e nas cidades. Uma ciência nascente, porém, prometia encontrar a solução para algumas das doenças que tomavam o Rio, como a peste bubônica, a febre amarela e a varíola. Era a microbiologia, que tinha no médico Oswaldo Cruz um de seus principais defensores e divulgadores. 

Oswaldo Cruz assumiu a Diretoria Geral da Saúde Pública (DGSP) em 1903 tendo como principal objetivo livrar o Rio destes males. Mas, apesar de mostrar confiança absoluta na nova ciência publicamente, sua correspondência com outros cientistas da época demonstra muitas dúvidas sobre sua eficácia e segurança, como atesta Jorge Augusto Carreta, professor de História da Universidade de Campinas e autor de tese de doutorado que analisou as cartas trocadas por Oswaldo Cruz com pesquisadores como Miguel Pereira, Vital Brazil e Francisco Fajardo. 

— Havia muita incerteza e desconfiança em torno dos produtos gerados pelas pesquisas — conta Carreta. — A correspondência de Oswaldo Cruz revela que enquanto seu discurso público era de que os incidentes relacionados às vacinas eram isolados e desimportantes, entre os cientistas eles eram encarados com grande preocupação. 

 Fajardo morreu após tomar vacina 

 Um desses incidentes envolveu o próprio Farjado. Médico e cientista de prestígio, em 6 de novembro de 1906 ele atendia a mulher do jornalista Joaquim de Lacerda quando pediu licença para se auto-vacinar, pois iria atender um doente suspeito de estar com peste bubônica. O procedimento foi acompanhado por Lacerda. Logo após voltar à consulta, Fajardo começou a passar mal, vindo a falecer horas depois. O mal súbito de Fajardo disparou o sinal de alerta na comunidade científica, entre políticos e autoridades e na própria população, que dois anos antes havia se rebelado contra as primeiras medidas de Oswaldo Cruz à frente da DGSP (a vacinação compulsória contra a varíola), episódio que ficou conhecido como a “Revolta da vacina”. — 

A morte de Fajardo alimentou ainda mais a debate em torno da nova ciência — diz Carreta. — Em Manguinhos, foi grande o mal-estar entre os pesquisadores, com briga de vaidades entre eles e acusações de má preparação do soro antipestoso usado por Fajardo. 

 A morte do colaborador e amigo deu munição aos desafetos de Oswaldo Cruz. Um dos ataques mais duros veio de Benjamin da Rocha Faria, seu ex-professor e titular da cadeira de Higiene da Faculdade de Medicina, como registra o próprio sanitarista em carta a Henrique da Rocha Lima, que estava na Alemanha: “O Rocha Faria, que prestara socorros ao Fajardo, doutrinando, como é seu hábito, exclamou: 'Veja mais esta beleza de seu Oswaldo, que anda querendo iludir a todos nós!'. A maledicência vem logo arquitetando perversidades sobre a morte de Fajardo. Ainda hoje, fervilham as mais desencontradas versões e esqueceram-se completamente de nós. De que morreu o Fajardo? Não sei. De nefrite? De choque peritoneal? Falava-se em anafilaxia. Quero apurar isto, mas ainda não ousei abordar o (Miguel) Couto, que deu como causa mortis: toxemia, sideração (aniquilação) dos centros bulbares.” 

Segundo Carreta, a imagem pública de confiança que Oswaldo Cruz procurava passar era tanto uma estratégia de autopreservação quanto fruto de sua própria personalidade. 

— Na época, a ciência não era um conhecimento neutro que se impunha só pela eficácia. Havia a interferência de diversos fatores não científicos, como projetos políticos e ambições pessoais — lembra Carreta. — Neste ponto, Oswaldo Cruz precisava se mostrar seguro do que estava fazendo e tinha uma grande vantagem: além de ser um cientista extremamente competente, ele operava nos aspectos não científicos da questão e tinha o dom da ubiquidade humanizada, atuando em diferentes espaços com diferentes interlocutores. 

 Carreta destaca ainda que Oswaldo Cruz estava preocupado em consolidar uma nova forma de fazer ciência e promover a saúde pública no país, defendendo um projeto de ensino e pesquisa que se opunha à tradição da Faculdade de Medicina, que se preocupava apenas em formar médicos. 

— Ele não podia revelar que o conhecimento em que se baseava ainda era precário e qualquer tipo de vacilo ou indecisão atrairia a ira de seus inimigos — comenta. — Oswaldo Cruz queria formar discípulos na medicina experimental, baseada em resultados empíricos, somando esse conhecimento à atuação essencialmente clínica de então, baseada na observação do doente ao pé do leito, seus sintomas e diagnóstico, um estilo que considerava infrutífero e ultrapassado. Não é que ele rejeitasse a medicina clínica, mas havia todo um projeto de prevenção e profilaxia que se chocava com a atuação do médico só após uma doença se estabelecer. Aos poucos suas ideias começaram a ser aceitas. 

 Embora o episódio da Revolta da vacina não seja citado explicitamente na correspondência entre os cientistas, ela assombrou Oswaldo Cruz e seus colegas durante muito tempo, conta Carreta. 

— A ideia da vacinação enfrentava resistência mesmo dentro da Faculdade de Medicina — diz. — No caso da revolta, porém, o momento estava relacionado não só à desconfiança quanto à microbiologia como também à maneira como se comportou a DGSP nos anos anteriores. As equipes de Oswaldo Cruzeram temidas, havia a invasão de lares e a obrigatoriedade da vacinação era vista como um atentado contra a liberdade individual. 

 Para Carreta, no entanto, é difícil que algo do tipo se repita atualmente, mesmo com o Rio enfrentando outra grande epidemia, desta vez de dengue. 

— Em um século, a consciência sobre nossos direitos mudou muito — avalia. — Hoje, se o agente de saúde tem sua entrada recusada em uma casa, ele tem que ir embora e só pode voltar com autorização judicial. Não há como forçar a entrada. A diminuição no número de incidentes e a melhoria da qualidade dos soros fez com que a nova ciência paulatinamente começasse a ser aceita. 

De simples desenho à palco da ciência 

Imagens inéditas mostram atuação de pesquisadores brasileiros no início do século XX 

 Cláudio Motta claudio.motta@oglobo.com.br 

 Onde hoje passa a Avenida Brasil, havia a Baía de Guanabara. E, antes de ser um imponente castelo — palco de produção fundamental da pesquisa brasileira —, a Fiocruz não passava de um desenho de Oswaldo Cruz, que mais lembrava os rabiscos de uma criança. As imagens que documentam a história da ciência brasileira, além da memória da cidade, estão gravadas em oito mil negativos de vidro, produzidos nas duas primeiras décadas do século XX. Este acervo, sob os cuidados da Casa de Oswaldo Cruz (COC), deverá estar disponível na internet até junho de 2013. 

 O próprio Oswaldo Cruz instalou um laboratório fotográfico, conta Paulo Elian, vice-diretor de Pesquisa, Educação e Divulgação da COC. A técnica que grava a imagem em negativos de vidro, era popular na segunda metade do século XIX, mas continuou sendo empregada mesmo depois da invenção dos negativos de base plástica. 

— O Instituto Oswaldo Cruz foi criado em 1900 e teve amplo registro fotográfico. Joaquim Pinto da Silva, o J. Pinto, foi quem produziu parte considerável deste acervo, que permaneceu em Manguinhos — lembra Elian. — Certamente houve alguma perda, mas, quando a COC, que é de 1986, começou o trabalho de identificação do material, localizou o conjunto de negativos de vidros, guardados com zelo pelos funcionários. 

Parte destes negativos de vidro já foi transformada em positivo. Mas há registros que sequer foram identificados. O conteúdo, inédito, mostra importantes cientistas em trabalho de campo e em laboratório, produzindo vacinas e soros. As fotos também detalham o crescimento da cidade. 

— Tem o registro da visita do Einstein, fotos de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Adolpho Lutz e outros tantos pesquisadores importantes. Há imagens das expedições científicas feitas ao interior do país. Talvez seja, no Brasil, o conteúdo mais expressivo relacionado à atividade biomédica e da saúde — exalta Elian. 

 O acesso a este material pode gerar novas pesquisas, sobretudo no campo histórico — seja do país, da fotografia ou da própria divulgação científica. É possível obter informações sobre como os sanitaristas atuavam, por exemplo, no combate à peste e à malária. 

 Mais do que imagens soltas, há informações complementares, que enriquecem a importância histórica das fotografias, ressalta Maria da Conceição Castro, chefe do departamento de arquivo e documentação da COC: 

 O desenho original do castelo, com dois pavimentos e duas torres, foi feito de próprio punho por Oswaldo Cruz e, posteriormente, adaptado por um arquiteto. O desenho é uma das preciosidades do arquivo. 

 De um conjunto de 80 mil imagens, 13 mil negativos serão digitalizados e estarão disponíveis no site www.coc.fiocruz.br.

Jornal O Globo