sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Crônica do Dia - Podemos ser mais dignos? Podemos - Lya Luft

 

LYA LUFT
Sebastião Salgado. Foto da Churchgate Station, Western Railroad Line, Bombay, Índia, 1995
Retrata bem nossas estações em São Paulo...

Te Contei,não ? - Exame de consciência em relação à escravidão

 

O mais incômodo de todos os assuntos da história americana é revisitado em filmes como ‘12 Anos de Escravidão’ e livros como ‘A Invenção das Asas’

Isabela Boscov
UMA INFINITUDE DE PERVERSIDADES - Lupita Nyong’o e Chiwetel Ejiofor como os escravos do irascível Michael Fassbender: a escravidão não como abstração, mas nas suas feições medonhas do dia a dia
UMA INFINITUDE DE PERVERSIDADES - Lupita Nyong’o e Chiwetel Ejiofor como os escravos do irascível Michael Fassbender: a escravidão não como abstração, mas nas suas feições medonhas do dia a dia      (Divulgação)

Crônica do Dia - Perguntas black bloc - Roberto Pompeu de Toledo

Caio Silva de Souza é um coitadinho? Fábio Raposo Barbosa merece o apelido The Fox? Que sino toca a Sininho? O advogado Jonas Tadeu Nunes veio para esclarecer ou para confundir? (Fotos: Ale Silva / Futura Press :: Simone Marinho / Ag. O Globo :: Fernando Frazão / ABr :: Marcos Tristão / O Globo)
 
 
 
O advogado Jonas Tadeu Nunes veio para esclarecer ou para confundir? Ele disse que o jovem Caio Silva de Souza, um dos disparadores do rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, recebeu 150 reais para participar da manifestação, no centro do Rio de Janeiro, e que a prática de pagar valentões para engrossar as arruaças black bloc é corriqueira.

Te Contei, não ? - A vacina brasileira contra a AIDS

Cientistas da USP dão um passo importante e, pela primeira vez, o Brasil produz um imunizante com potencial para conter o avanço do HIV

Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br) e Mônica Tarantino (monica@istoe.com.br)

Te Contei, não ? - Conhecimento em Jogo

Como uma Olimpíada de Língua Portuguesa pode estimular a leitura e a escrita, e ajudar a reverter os péssimos indicadores de português do País

Te Contei, não ? - A vitória do retrocesso

A vitória do retrocesso

Comissão do Senado derruba projeto que reduzia maioridade penal para 16 anos e País perde a oportunidade de tomar medida concreta para frear a criminalidade adolescente

Te Contei, não ? - O risco Copa

O suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa, estava desconfiado desde o início. No dia 30 de outubro de 2007, ao anunciar o Brasil como sede da Copa de 2014, ele disse: “O Comitê Executivo decidiu, unanimamente, dar a responsabilidade, não apenas o direito, mas a responsabilidade de organizar a Copa de 2014 ao Brasil”. Responsabilidade. A palavra nunca aparecera em anúncios anteriores. “A Copa do Mundo de 2010 será organizada na África do Sul”, disse Blatter ao abrir o envelope em maio de 2004. “O vencedor é a Alemanha”, afirmou, em julho de 2000. Para 2014, não houve disputa. A Fifa criara um rodízio entre continentes, hoje abandonado, e era a vez da América do Sul. Como único candidato, o Brasil recebeu a Copa com pouco esforço – e Blatter quis dizer, para o mundo ouvir, que os brasileiros tinham obrigação de realizar um bom trabalho. Semanas atrás, ele afirmou: “O Brasil é o país com mais atrasos desde que estou na Fifa”.

Crônica do Dia - Isso pode ? - Ruth de Aquino

Nossos representantes começam a descobrir que não adianta tentar controlar ou censurar a imprensa ou a televisão – e criar uma máquina de informações governamentais, como sonha o PT de Lula e Dilma. Políticos, juízes e atletas hoje sabem que um passo mal dado, uma declaração desrespeitosa, uma “escala técnica” para comer bacalhau, um riso fora de lugar ou um gasto mal explicado vão todos para o ventilador virtual, com ajuda de uma apuração jornalística 24 horas por dia e fiscalização da população antenada. Reuni dez destaques recentes que me fizeram pensar: “Isso pode?”.
1. Dilma mentiu bobamente. Flagrada com sua equipe em 45 suítes milionárias em Lisboa, mandou dizer que era uma escala inesperada na volta de Davos, devido à meteorologia. Mas não. A agenda estava definida desde a semana anterior, e o restaurante foi visitado por gente da Dilma na véspera. “Paguei a minha conta”, afirmou a presidente. Os brasileiros não conseguem ter acesso à caixa-preta dos cartões corporativos. Tem problema o passeio? Não. Mas mentir não pode. O incidente apressou a saída da ministra Helena Chagas, da Comunicação Social. Dilma quer “melhorar relação com a mídia”. O culpado foi o mensageiro. Isso pode?
2. Eduardo Campos, pré-candidato à Presidência pelo PSB, usou a estrutura do governo de Pernambuco para divulgar, com touquinha e roupa de médico, o nascimento de seu quinto filho, em e-mail e redes sociais oficiais. Campos também anunciou que o bebê, Miguel, tem síndrome de Down. As fotos foram logo retiradas do site institucional do governo. Campos chamou de “equívoco”. Ninguém constatou a impropriedade antes do tempo?
3. O Ministério do Trabalho aumentou em 149% – mais do que duplicou – os registros de sindicatos no ano passado em relação a 2012. Foi um “mutirão”, segundo o ministro Manoel Dias (PDT). Um país que cria uma casta de sindicatos, com favores e benefícios, não vai no bom caminho. A empresária de transportes Ana Maria Aquino afirma ter entregado R$ 200 mil ao ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi. Ou essa empresária é louca varrida ou é preciso levar a investigação até o fim. Ela deu detalhes e disse ter levado o dinheiro pessoalmente ao gabinete de Lupi para acelerar o registro de um  sindicato em Pernambuco. Lupi negou e chamou a acusação de “surreal”.
4. O Brasil continua sendo um dos dez países com maior número absoluto de analfabetos no mundo. Em 2012, tínhamos 13,1 milhões de jovens e adultos analfabetos, 8,7% da população nessa faixa etária. Isso não pode mesmo.
5. O Brasil fiscaliza agrotóxico em apenas 13 alimentos. Estados Unidos e Europa analisam 300 tipos de alimentos por ano, incluindo os industrializados. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. A fiscalização é falha. Dos 50 defensivos mais usados em nossas lavouras, 22 são proibidos na União Europeia. Isso pode?
6. Todo dia, em média, oito ônibus são incendiados ou depredados nas grandes cidades do Brasil. É no ônibus que se despeja a ira contra qualquer coisa – de aumentos de passagens a balas perdidas, falta de passarelas, mortes de jovens, condições de presídios, descaso com saneamento. Vandalizar os ônibus não é protesto legítimo. Isso não pode.
7. Um caminhão com a caçamba levantada derrubou passarela na Linha Amarela, no Rio de Janeiro, matou e feriu. O motorista falava ao celular, trafegava em horário proibido e acima da velocidade permitida – como tantos, sem controle até uma tragédia acontecer. Passarelas deveriam ser mais resistentes, diante da burrice e da irresponsabilidade humanas. Nada disso pode.
8. Mais da metade dos projetos da Olimpíada ainda não tem orçamento definido: só 24 dos 52 empreendimentos chegaram à fase da licitação, a dois anos dos Jogos. Isso pode?
9. Neymar recebeu 10 milhões de euros (R$ 32,7 milhões) do Barcelona mais de um mês antes da final do Mundial de clubes entre Santos e o time catalão, em 2011. Quem recebeu a grana foi a empresa do pai de Neymar. O Santos perdeu a final de 4 a 0. Neymar poderia ter entrado em campo? Por um ano e meio, Neymar jogou pelo Santos já comprometido com o Barcelona. A falta de transparência e as aparentes irregularidades no contrato derrubaram o presidente do Barça, Sandro Rosell. E, no Brasil – isso pode?
10. O deputado federal Romário foi anunciado como garoto-propaganda de uma marca de cerveja, Devassa, no Carnaval. Não se sabe se a escolha foi resultado de sua foto de mãos dadas com uma transexual operada. A morena não importa. Deputado federal pode fazer propaganda de cerveja? No Brasil, pode...

Aqui pode tudo!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Editorial - Fábula de um Estado injusto e desigual

 

Há que admitir que os educandários para menores infratores são prisões, não escolas de ressocialização

O Dia

Entrevista - JAGUAR

  • Abstêmio por causa de um tumor no fígado, cartunista mais escrachado do país diz que profissionais da área desaprenderam a fazer rir
  • Com 60 anos de ofício, ele confessa que ainda tem medo de perder o emprego
Arnaldo Bloch
 

Entrevista - Maria Clara Drummond

 

  • Em seu romance de estreia, a escritora usa a voz masculina para narrar o deslumbre e as angústias da geração Instagram
Alice Sant’Anna - Transcultura

Em “A festa é minha e eu choro se eu quiser”, Maria Clara retrata, com acidez, um mundo onde todos querem ter glamour
Foto: Michel Filho
Em “A festa é minha e eu choro se eu quiser”, Maria Clara retrata, com acidez, um mundo onde todos querem ter glamour Michel Filho

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Te Contei, não ? - No Brasil não existe rascimo !!!!!

AJUDEM A CORRIGIR MAIS ESTA INJUSTIÇA, POR FAVOR !!!

Esse é o Vinicius Romão, 26 anos, psicólogo, ator e que atualmente trabalha nas lojas Toulon, no Norteshopping. 2ª feira, dia 17 de fevereiro, como fazia diariamente ao sair do trabalho às 22 horas, vinha pela rua Amaro Cavalcante, quando foi abordado por uma viatura do 3º Batalhão da PMERJ; os "militares" arrogantemente mandaram ele parar,e se deitar de bruços , apontaram a pistola para sua cabeça, e o prenderam sem nenhu...ma prova, apenas a acusação de uma mulher em prantos, que estava perto do local, a acusar um negro de cabelo "black", de bermudas e sem camisa, de tê-la agredido e roubado seus pertences. Os policiais encaminharam o rapaz para a 25ª DP, onde foi feito um novo "reconhecimento" pela suposta vítima, que trabalha de copeira no Hospital Pasteur. Esse confronto entre "supostos" acusado e vítima, foi feito sem nenhum critério técnico policial, realizado apenas na base do "cara a cara", para não dizer imposto. Vinicius foi imediatamente encarcerado, e posteriormente levado para a casa de detenção Patrícia Acioli, em São Gonçalo, na Região Metropolitana de São Gonçalo. Ele está sem poder receber visitas, e sem nenhuma possibilidade de defesa, pois pode ser transferido a qualquer momento para outros presídios do Estado. Câmeras dos prédios nas proximidades do pseudo assalto, mostram que o ladrão era outro, de bermudas e sem camisa, enquanto Romão vestia uma calça e camisa pretas. Na verdade esse crime contra o direito de ir e vir e da defesa dos direitos que é imputado ao jovem psicólogo; nada mais é do que um caso público de racismo, pois ele estava àquela hora, só, e por ser negro foi acusado e preso por esse detalhe étnico. — com Elias Alfredo e MC WF.
 
Fukumaro Roberto
 
 
Após a mulher que acusava Vinícius Romão de Souza, de 26 anos, prestar depoimento e admitir ter se enganado no reconhecimento, a empresa Toulon, onde o ator trabalhava afirma que o emprego do ator sempre esteve garantido. Ele é funcionário da marca na loja do Norte Shopping, zona norte do Rio de Janeiro. "A empresa enviou seu advogado Dr Francisco Jose para uma visita em nome da Toulon ao DESIPE, uma vez que apenas advogados podem ver Vinicius nesse momento. Ao contatar a família , na pessoa do pai do rapaz  Sr Jair , o Dr Francisco ficou sabendo que já constituíram advogado ,Dr Rubens , para cuidar da soltura de Vinicius. A empresa então se colocou a disposição para fornecer documentos, testemunhas e o que mais for necessário para ajudar a elucidar o episódio. A Toulon afirma que Vinicius é sim empregado, vendedor e trabalha na loja da marca no Norte Shopping", afirmou a assessoria da marca.

Entenda o caso

 De acordo com o jornal “O Globo”, Vinícius Romão de Souza, de 27 anos, está preso desde o último dia 10, depois de deixar a loja em que trabalha e ser abordado por dois policiais. O ator, detido na Rua Amaro Cavalcante, no Méier, no Rio, foi acusado de assaltar uma copeira do Hospital Pasteur. Ele foi obrigado a se deitar de bruços no chão e foi levado à 25ª DP, onde foi reconhecido pela vítima.

Segundo o advogado de Vinícius, Rubens Nogueira de Abreu, vídeos de segurança do hospital e de prédios vizinhos mostram que o verdadeiro ladrão, que também era negro, vestia apenas uma bermuda, enquanto Vinícius estava com uma calça e uma camisa pretas. Ele informou que já entrou com um pedido de liberdade provisória, que ainda não foi apreciado pela Justiça. O ator permanece detido na Casa de Detenção Patrícia Acioli, em São Gonçalo, para onde foi levado no dia 11 de fevereiro.
A prisão de Vinícius ganhou grande exposição na internet, já que amigos do ator fazem campanha para que ele seja solto e dizem que ele foi vítima de preconceito.
Na terça-feira, 25, o delegado Niandro Lima, titular da 25ª DP (Engenho Novo), disse ao jornal "Extra" que a mulher que acusava o ator Vinícius Romão de Souza, de 26 anos, prestou depoimento por mais de uma hora e admitiu ter se enganado no reconhecimento. O policial contou que informará o Tribunal de Justiça sobre o ocorrido.

Luisa Girão do EGO, no Rio

 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Te Contei, não ? - Maconha faz bem ou faz mal ?

Médicos alertam para malefícios do fumo, mas ressaltam os benefícios do uso medicinal

Beatriz Salomão

Crônica do Dia - A nossa liberdade

Há uma semana, a liberdade de expressão e de manifestação foi violentamente agredida quando o corpo do cinegrafista Santiago Andrade tombou no chão da Central do Brasil. Um atentado contra um trabalhador da comunicação brasileira e contra um direito fundamental de nossa democracia.

Por Jandira Feghali*


Crônicas do Dia - Educação e consciência crítica - Frei Betto

Rio - O bloco socialista se desintegrou antes de completar um século. A União Soviética se esfacelou, e os países que a compunham adotaram o capitalismo como sistema econômico e sinônimo de democracia.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Crônica do Dia - Black bloc na sombra

Pablo Ortellado
 
 
Por duas vezes Demétrio Magnoli se referiu a mim no GLOBO. Uma vez, acusando-me de ter “responsabilidade política e moral” pelas ações do Black Bloc; na outra, de ser uma das “fontes de inspiração do assassinato” do cinegrafista Santiago Andrade (“Nas franjas do Black Bloc”, 15/08/2013, e “Causa mortis”, 13/02/2014). Nas duas ocasiões o argumento foi o mesmo: eu teria responsabilidade sobre as ações do Black Bloc porque, ao esclarecer, em declarações e artigos na imprensa, a origem, o sentido e a motivação, eu estaria colaborando com eles e incentivando-os.

Crônica do Dia - O alarme - Veríssimo

Quem viu o filme de Stanley Kubrick “2001 — Uma odisseia no espaço” se lembra do monólito, aquela pedra lisa encontrada por um astronauta na órbita de Júpiter, que se revela estar ali há milhões de anos como uma espécie de alarme.

Vale a pena assistir - 15 filmes para ver e refletir ...........




Raça Brasil selecionou grandes filmes estrangeiros que trazem o negro como tema central e que marcaram a história do cinema. Eles foram resenhados e avaliados por uma dupla especializada: Alexandre Koball e Andy Malafaya, do site Cineplayers, um dos maiores e mais respeitados portais de cinema do País.

por anderson Fernandes

Te Contei,não ? - O herói negro ocultado pela ditadura


por Daniel Keny | Fotos imagens do longa-metragem
        
 

Te Contei, não ? - O "Griot" santista e o Dia Nacional do Samba

Todos os anos, o dia 2 de dezembro é lembrado – e cada vez menos comemorado – como o Dia do Samba, muitos chegando até a denominá-lo erroneamente como o Dia Nacional do Samba. Mas afinal, quem criou ou sugeriu esta data? Como tudo começou? Para responder a essas questões, fomos consultar uma testemunha ocular dessa história. Um jornalista negro que, apesar dos avanços tecnológicos dos meios de comunicação, foi esquecido e amarga a solidão provocada pela ignorância e desinteresse dos órgãos oficiais e de seus próprios pares. Estamos falando de J. Muniz Jr., pseudônimo de José Muniz Junior. Segundo ele, existe uma versão de que a data que consagra o samba teria surgido na Bahia, relacionada a uma visita do compositor Ary Barroso, mas até hoje não foi divulgado nenhum documento concreto a respeito. Oficialmente, a data foi reconhecida por um decreto no Rio de Janeiro.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Te Contei,não ? - Vai falta água

 

Após seis meses de chuvas abaixo da média e com os reservatórios quase secos, governo de São Paulo pede para população economizar água, mas racionamento é inevitável e já atinge mais de 20 cidades

Ana Carolina Nunes (acarol@istoe.com.br)
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Os moradores de São Paulo e de cerca de 10 cidades da Região Metropolitana da capital paulista aguardam apreensivos os desígnios da mãe natureza nesta próxima semana. Caso a estiagem, que já dura pelo menos seis meses na região, não dê trégua nos próximos dias, cerca de 8 milhões de pessoas terão que conviver, por tempo indeterminado, com a incômoda experiência de enfrentar um racionamento de água. Apesar de estar chovendo abaixo das médias históricas desde agosto, os paulistas foram pegos de surpresa pelo anúncio de que era crítica a situação dos reservatórios do Sistema Cantareira, uma complexa rede de túneis e reservatórios que captam água de vários rios da região e que abastecem não só a capital paulista, como mais de 10 cidades da Região Metropolitana de São Paulo.
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As barragens que abastecem quase 10 milhões de pessoas
em São Paulo estão no menor nível em uma década
No sábado 1º, a Sabesp, companhia de Águas e Esgoto, tirou da gaveta um plano de emergência para tentar convencer a população a reduzir o consumo de água. De acordo com a empresa, quem conseguir baixar o consumo em pelo menos 20% terá um desconto de 30% na conta. O problema, segundo especialista, é que a medida pode ter vindo tarde demais. “No dia 19 de dezembro nós já estávamos recomendando o racionamento parcial em todo o sistema e a situação já estava crítica ali”, diz Francisco Lahóz, secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que abastece o sistema. A Sabesp, no entanto, preferiu acreditar que janeiro seria mais chuvoso do que apontavam as previsões. Procurada, a a estatal paulista não quis se pronunciar sobre a questão.
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Desde setembro, os serviços de meteorologia já apontavam que o verão seria bem mais seco que o habitual. Naquele mês, por exemplo, chovera apenas um terço dos habituais 91,5 milímetros. Outubro e novembro também registraram volumes abaixo da média histórica, comprometendo os reservatórios. Quando dezembro chegou, os volumes no Sistema Cantareira já estavam próximos a 30%. Foi no último mês do ano que a situação ficou ainda mais crítica. Em geral, chove 226 milímetros ao longo dos 31 dias do mês. Em 2013, esse volume ficou abaixo de 63 milímetros. “A empresa poderia ter iniciado uma campanha ou até mesmo um racionamento, para poupar os reservatórios”, diz Rene Vicente, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema).
A Sabesp não é monopolista no Estado de São Paulo. Em muitas cidades da região em que o tratamento e a distribuição de água não ficam por sua conta, os programas de racionamento já começaram. Em Jundiaí, por exemplo, o alerta para redução de consumo e racionamento temporário começou no início de janeiro. Outras seguiram o mesmo exemplo. Ao todo, quase 20 cidades no Estado já decretaram ou estão em vias de decretar o corte no abastecimento por algumas horas do dia. O consenso entre essas cidades é de que a situação pode ficar ainda mais crítica após o verão, período natural de estiagem nessa região do Estado de São Paulo.
O governador Geraldo Alckmin, por sua vez, procurou acalmar a população. “Há uma expectativa de chuva a partir do dia 15 de fevereiro. O estímulo à economia de água com desconto, se tivermos chuvas a partir do dia 15, acredito que será suficiente para não termos racionamento”, disse.
Diante dessa perspectiva, cabe agora aos paulistas abrir mão, ainda que por uns dias, da proteção de São Paulo, o padroeiro da cidade, e apelar para a ajuda de São Pedro, o padroeiro – ironias à parte – dos pescadores.

Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress

Te Contei,não ? - Os justiceiros da Zona Sul

Os justiceiros da Zona Sul

Como agem os grupos de jovens da classe média carioca que destilam ódio na internet e resolvem fazer Justiça com as próprias mãos contra menores infratores e assaltantes

Michel Alecrim (michel.alecrim@istoe.com.br)
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No dia 9 de janeiro, um jovem carioca anunciou no Twitter: “Novo esporte dos amigos, caçar vagabundo roubando pra meter a porrada!”. Quase um mês depois, o autor da frase, o estudante Lucas Corrêa Pinto Felício, de 20 anos, estava detido na 9ª Delegacia de Polícia (Catete) junto com outros 13 amigos que teriam tentado espancar dois moradores de rua no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Eles fazem parte de um novo fenômeno carioca: a formação de grupos de jovens que se armam para fazer o que consideram justiça com as próprias mãos. O perfil dessas turmas, que se organizam também em outras localidades da zona sul, como Copacabana, Laranjeiras e Botafogo, é similar. Todos são de classe média, estudantes, têm idade, majoritariamente, entre 18 e 22 anos, são brancos, praticam artes marciais ou frequentam academias e a maioria usa motocicleta. Eles armam-se com paus, barras de ferro e ferramentas de carro, combinam as ações através de redes sociais e saem às ruas entre 21h e 23h. São jovens que destilam ódio, na internet, contra menores infratores e assaltantes, embora haja relatos de agressão contra mendigos também.
JUSTICEIRO-Y-IE-2307.jpgVINGANÇA
Na semana passada, jovens de classe média do Flamengo
com bastão de madeira para agredir assaltantes
 

Entrevista - Wagner Moura - A polícia tem de ser pacificada

Wagner Moura

"A polícia tem de ser pacificada"
Maior astro do cinema nacional, o intérprete do Capitão Nascimento, de "Tropa de Elite", afirma que os policiais desrespeitam os pobres e critica a truculência da corporação
por Michel Alecrim (michel.alecrim@istoe.com.br)
VERM-01-IE-2307.jpgSEQUÊNCIA
Ele descarta fazer um “Tropa de Elite 3”:
“Já deu o que tinha que dar”, afirma

Crônica do Dia - Que jovens são esses ? - Zuenir Ventura

 

  • É difícil descobrir o que são e o que querem hoje, até porque são grupos segmentados, que não formam uma geração uniforme, como em 1968
 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Crônica do Dia - O incrível e o inacreditável

“Incrível” e “inacreditável” querem dizer a mesma coisa — e não querem. “Incrível” é elogio. Você acha incrível o que é difícil de acreditar de tão bom. Já inacreditável é o que você se recusa a acreditar de tão nefasto, nefário e nefando — a linha média do Execrável Futebol Clube.

Artigo de Opinião - Beneficiários da violência


Ricardo Noblat granderio@oglobo.com.br


‘A ação dos vândalos naturalmente interessa também a eles próprios’

Artigo de Opinião - O perigo White Bloc


José Murilo de Carvalho granderio@oglobo.com.br





‘Baixou o espírito de George Bush sobre os proponentes de leis que classificam como terrorismo os atos de violência nas passeatas’


Te Contei,não ? - Ameaça que vem à tona

Símbolos da cidade, a ponto de estamparem nossa bandeira, os golfinhos correm o risco de sumir da Baía de Guanabara


Ernesto Neves


Crônicas do Dia - Decepção virtual

Cora Rónai
A colunista escreve às quintas-feiras e aos sábados

Conhecer melhor as pessoas é uma das grandes vantagens e desvantagens das redes sociais


Charge


Te Contei,não ? - Ato racista contra Tinga causa indignação entre jogadores


Também via Twitter, o presidente do Peru condenou a atitude da torcida do Real Garcilaso


Herbem Gramacho


Há 50 anos, Brigitte Bardot revelava Búzios para o mundo

  • Atriz fugiu da perseguição da imprensa no Rio e encontrou tranquilidade em passeios de barco e nas praias da cidade



Romance. Brigitte Bardot caminha de biquini na praia
Foto: Walter Firmo
Romance. Brigitte Bardot caminha de biquini na praia Walter Firmo
BÚZIOS - O sonho do homem que se dizia mais popular do que Jesus Cristo era conhecê-la. Em janeiro de 1964, quando fazia turnê em Paris com a maior banda de rock de todos os tempos, ele pediu que fosse agendado um encontro entre os dois. Ela, no entanto, passava férias numa pequena vila de pescadores, muito distante dali. Assim, há 50 anos, Búzios provocou o desencontro entre Brigitte Bardot e Jonh Lennon e ficou conhecida como o paraíso secreto de BB, as inicias da musa.

Artigo de Opinião - "Justiceiros" são agentes da tirania

  • A sociedade corre sérios riscos quando permite o surgimento de grupos de aparentes bons propósitos, mas que atuam à margem da lei e do Estado

Te Contei, não ? - A ponte da Ditadura

A construção de concreto e aço que liga o Rio a Niterói há quatro décadas personificou a imagem de milagre desenvolvimentista que o regime militar queria passar ao país

REVISÃO HISTÓRICA Batizada de ‘Presidente Costa e Silva', a via agora pode deixar para trás este último vestígio do período da repressão, a partir de uma ação do MPF que pretende renomeá-la

A Ponte Rio-Niterói nasceu verde-oliva.  Ao inaugurá-la em 1974, décimo aniversário do golpe militar, o presidente Emílio Garrastazu Médici orgulhou-se de estar escrevendo em concreto e aço os compromissos do regime com a pátria.  Quarenta anos depois, a Ponte continua firme sobre as águas da Baía de Guanabara.  Porém, do passado cívico que a ergueu como uma das obras-símbolo do Brasil Grande, pouco restou além da placa com o nome de batismo, "Ponte Presidente Costa e Silva".  E este último vestígio, o Ministério Público Federal também quer remover.  Uma ação judicial vai propor a mudança do nome, num movimento de cidadania que tem se repetido pelo Brasil afora — retrato do momento do país, que instalou uma Comissão da Verdade para investigar os crimes da ditadura.  Ao mesmo tempo, escolas, praças e ruas que homenageiam generais do regime começaram a ser rebatizadas.

BARCAÇAS LEVAVAM ATÉ 54 VEÍCULOS

Cruzaram pela Ponte, só no ano passado, 56 milhões de veículos.  Fenômeno que parece estar a anos-luz do início dos anos 1970, quando a ligação era por barcaças que levavam até 54 veículos.  Mas a história que segue é de outra travessia: a da própria Rio-Niterói, que se despojou da patente e ingressou na vida civil sem perder a imponência e a vocação para a polêmica.  Nasceu sob críticas de gigantismo e hoje se revela menor do que as necessidades.

A Rio-Niterói atravessou estes 40 anos carregando o nome do marechal Artur da Costa e Silva, segundo presidente do ciclo militar (1967-1969) e autor tanto do Ato Institucional 5 (AI-5) quanto da montagem do aparelho de repressão que responderia pelo desaparecimento ou morte de cerca de 500 pessoas até o fim do regime.  Por considerá-lo responsável por um "legado de autoritarismo e truculência", o grupo Justiça de Transição, montado pelo Ministério Público Federal (MPF) para investigar os crimes da ditadura, aproveita os 50 anos do golpe para tentar apagá-lo da História da Ponte.  No entendimento dos procuradores, dar à Ponte o nome "de um dos maiores violadores de direitos do povo brasileiro" é por si uma violação da memória de quem morreu, desapareceu ou foi torturado no governo Costa e Silva.  Para o MPF, é preciso devolver à sociedade o direito de escolher quem a Ponte deve homenagear.  A família de Mario Andreazza, ministro dos Transportes de Médici e idealizador da Ponte, reage à iniciativa:

— A esses revisores da História, tapados pela mistificação, obstruídos pela doutrina do justiçamento da memória, cegos aos fatos, não ocorre examinar que, sem Costa e Silva, não haveria a Ponte.  Ali, não se homenageia a ditadura, o arbítrio, a tortura, mas um indivíduo que, apesar de tantos erros, acertou, não fossem várias vezes, ao menos uma — lamentou o jornalista Carlos Andreazza, neto do ex-ministro.  A Ponte começou a ser construída em dezembro de 1968, nove dias antes do AI-5, e deveria ficar pronta em março de 1971.  Porém, só foi concluída em 4 de março de 1974, com um atraso de três anos.  E apenas 11 dias antes de o general Emílio Garrastazu Médici passar a faixa presidencial a Ernesto Geisel.  As obras, cujo avanço revelou os traços do arbítrio militar, aconteceram nos anos mais sangrentos do regime.

— Foi um dos principais símbolos do regime, ao lado de Itaipu e da Transamazônica.  O Brasil potência.  Mas foi vista também como uma obra faraônica, que enfrentou suspeitas de superfaturamento — diz o professor de História Carlos Fico, da UFRJ.  No começo, a Ponte era uma via de 13,2 quilômetros construída pelos militares para ligar dois pedaços da BR-101 (Rio Grande do Norte-Rio Grande do Sul) e consolidar o Plano Nacional de Rodovias.  No primeiro ano, atingiu a marca de 20 mil veículos por dia.  Hoje, quando o movimento já ultrapassa os 150 mil veículos por dia, seus operadores preferem vê-la como uma grande rua unindo duas cidades.  Talvez seja esta a mesma impressão dos usuários, que padecem diariamente, nos horários de pico, levando para atravessá-la quase o mesmo tempo gasto pelos antepassados do tempo das barcaças.  Para os generais do regime, a Rio-Niterói personificou o milagre desenvolvimentista.  Para os engenheiros, o desafio vencido mar adentro.  Mas, desde o começo, a euforia sempre conviveu com o drama, a começar pelos marítimos da Viação Atlântica Ltda.  (Valda) e do Serviço de Transportes Baía da Guanabara, antiga Cantareira, que perderam seus empregos com a desativação das sete embarcações que faziam a travessia.  Até então, a viagem de barcaça demorava até duas horas.

ATRASOS E GASTOS ADICIONAIS

O contrato de construção foi assinado em 4 de dezembro de 1968 entre o governo e o Consórcio Construtor Rio-Niterói S.A. (Ferraz Cavalcanti, Companhia Construtora Brasileira de Estradas, Servix de Engenharia e Empresa de Melhoramentos e Construção), que levou a concorrência por oferecer o menor preço no menor prazo — Cr$ 238 milhões em 28 meses, hoje cerca de R$ 366 milhões, segundo o IPC-SP (FIPE).

Dois anos depois, o consórcio já havia consumido 70% do preço cobrado, embora tivesse concluído só 20% do projeto.  Em 1970, Médici, percebendo o enorme atraso, adiou a entrega e retirou parte dela das mãos do consórcio vencedor, entregando- a ao 2º colocado, o Construtor Guanabara Ltda.  (CCGL), formado por Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Construtora Rabello e Sérgio Marques de Souza.

O fatiamento não foi suficiente.  Por não ter informações adequadas sobre o fundo da baía, o Consórcio Rio-Niterói constatou que teria de gastar bem mais do que o cobrado na compra de perfuratrizes sofisticadas que garantissem fundações seguras no mar. Não aceitava o fatiamento e se recusava a desembolsar sem o aporte de novos recursos públicos, razão pela qual entrou em conflito com o projetista, o engenheiro Antônio Alves Noronha, que insistia em apontar falhas técnicas na obra.

Contribuiu para a crise o grave acidente de 24 de março de 1970, quando engenheiros e operários faziam um teste de carga em plataforma flutuante.  Depois que 34 tubulões foram enchidos com água, a plataforma não resistiu e afundou, matando oito pessoas, três delas engenheiros.


Na pressa, muitos ficaram pelo caminho
SEPULTURA DE CONCRETO Mortos durante a obra teriam chegado a 400

Bruno Góes e Chico Otavio

Entre a assinatura do primeiro contrato de construção da Ponte Rio-Niterói, em dezembro de 1968 (governo Costa e Silva), e a inauguração, em março de 1974, passaram-se 1.890 dias.  Porém, 80% das obras foram executados nos 720 dias finais, depois que o primeiro consórcio foi destituído e o novo assumiu, encerrando seis meses de batalha judicial.  A pressa ditou o ritmo neste esforço final e deixou pelo caminho um número até hoje impreciso de operários mortos em acidentes de trabalho.

Oficialmente, o regime militar contabilizou 33 mortes durante a obra.  Mas há quem faça uma conta de 400 baixas, tornando os pilares uma sepultura de concreto quando não havia tempo a perder com resgates.  Pelos registros jornalísticos da época, é possível concluir que, de dezembro de 1968 a novembro de 1972, foram registrados oito acidentes fatais, com um total de 18 mortos e mais de 30 feridos.  A lista começa em 5 de novembro de 1969, quando uma explosão em uma das instalações de ar comprimido matou o operário Domício Barbosa Lima.

— A ideia de que os operários eram concretados é um mito.  No acidente mais sério, ainda no primeiro consórcio, quando uma base virou no teste de carga e morreram oito pessoas, não havia nem concreto.  Se alguns corpos não foram resgatados, é porque desapareceram na baía, mas não concretados — afirma o engenheiro Bruno Contarini, responsável técnico da obra.  Os perigos não eram poucos.  Trabalho nas alturas e sobre águas com 20 metros de profundidade, canteiros de obra em ritmo frenético, onde os cuidados com a segurança do trabalho eram detalhe dispensável, e operários sem qualquer instrução faziam parte da rotina do canteiro de obras.  Fotos da construção exibem trabalhadores com sandálias de borracha, bermudas, sem camisa, fumando enquanto martelavam ou carregavam objetos.  Capacetes e botas eram raridade.

Terceira maior ponte do planeta quando inaugurada, com quase 14 quilômetros, a Rio-Niterói enfrentou desafios de engenharia — o maior deles, assegurar 300 metros de canal navegável no vão central (canal principal) — e de gestão de dez mil funcionários, mais de oito vezes o número de trabalhadores mobilizados na reconstrução do Maracanã.

Para fazer a Ponte, foi erguida uma verdadeira cidade no Fundão, administrada por uma prefeitura com plenos poderes.  Oferecia-se alojamento para 2.500 pessoas, cem casas destinadas a feitores, mestres de obra, encarregados.  Todas com dois ou três quartos.  Na vila, havia ainda 25 casas destinadas a engenheiros.

Os trabalhadores contavam ainda com ambulatório, pronto-socorro, supermercado, agência bancária, dentista, barbeiro, guarnição do Corpo de Bombeiros, posto de assistência social, restaurante, destacamento policial, áreas de recreação, uma escola com cinco salas e 13 linhas de ônibus gratuitas, com destinos de Copacabana a São João de Meriti.

— Se alguém morria, a gente esquecia logo e continuava a obra.  O pessoal vinha rápido para retirar (os corpos).  Aí, a gente seguia em frente — relata o aposentado Raimundo Miranda.  Raimundo foi um dos operários que ajudaram a fazer a Ponte.  Homem de confiança dos engenheiros, ele conta que passava quase 15 horas por dia no trabalho.  Os operários não podiam ficar parados.  A pressa e os incentivos para a rápida conclusão da obra eram o cotidiano.

Artigo de Opinião - Retorno à bárbarie

Wadih Damous

Uma imagem vale mais que mil palavras, diz um provérbio chinês que tem muito de verdadeiro. A foto de um jovem morador de rua nu e preso a um poste pelo pescoço por uma tranca de bicicleta, numa rua do Flamengo, chocou muita gente. E com razão. Até pela cor da pele do adolescente, foi impossível não associá-la a imagens de escravos negros supliciados por feitores.
 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Te Contei, não? - Palvras de origem árabe

Fulano - veio do árabe fulan, alguém.
 
Beltrano - veio de Beltrão que mudou o final para rimar com
Fulano ( em espanhol, Beltrão é Beltrano )
 
Sicrano tem origem desconhecida.

Crônica do Dia - Shakespeare e a corrupção

 

  • Vivesse em nossa época, escritor teria à sua disposição vasto material, menos nobre, é verdade, descoroado, pois não convém comparar Eduardo III com senadores
Frei Betto
 
Não se sabe ao certo se Shakespeare é autor de “Eduardo III”. A peça aborda um tema perene: governantes governam governos e, no entanto, quase nunca sabem se governar. O que fazem os políticos corruptos, todos sabemos. Mudam os tempos e diferem os costumes. Eles abusam da imunidade e da impunidade, praticam o mais descarado nepotismo, usam os serviços públicos como se fossem direitos privados.

Crônicas do Dia - Fevereiro e o poeta - Adriana Calcanhoto

Adriana Calcanhoto
A colunista escreve quinzenalmente aos domingos

 

Manco como um Ricardo III, lá vai o mês, fritando tudo o que pode

O poeta desce do táxi, os cabelos longos, brancos, esvoaçam revoltos. Ele bate a porta do carro e olha para cima, na direção das escadarias, que terá de subir para chegar até a capela 3. Está sendo velado o corpo do amigo, morto a facadas pelo filho, que, parece, sofre de esquizofrenia. O filho esfaqueou também um dos seios e o fígado da mãe, que conseguiu sobreviver. O pai está, ou não está mais, logo ali acima, entre pétalas, perplexidade, calor, suor, lágrimas, canções, “personagens”, flashes, óculos escuros, lenços de papel e sobrancelhas descontroladas.
O poeta parece ainda mais poeta com seus cabelos rodando para cima, encobrindo-lhe os olhos de vez em quando, de vez em quando deixando-lhe revelar o olhar. O ritmo de suas passadas é lento, parecendo que levou um choque elétrico e que aquilo tudo está acontecendo pela primeira vez. Ao mesmo tempo, na maneira de mexer o corpo, deixa transparecer certa intimidade com aquele caminho, o da perda. Está zonzo, mas é com cálculo que se esgueira por trás das colunas da entrada principal do cemitério, por trás dos homens que levam as câmeras de TV nos ombros e as hastes com as luzes. Para não precisar parar, para não precisar ser solicitado a dizer o indizível. Esgueira-se porque é da sua natureza a atração pelo contrafluxo, um dos seus lugares prediletos. Esgueira-se porque mantém um moleque maranhense dentro dele, tão livre quanto um gato, tão vivo quanto uma banana no pé. Esgueira-se andando meio de banda, como quem cuja camiseta diz “meu lance é outro”. Sem pressa alguma ele sobe, degrau por degrau, com semblante sisífico, as velhas escadas.
A inclemência do maçarico de um dos verões mais quentes dos últimos tempos no Rio de Janeiro parece endurecer ainda mais aquilo que o poeta não finge, e que não escancara. Mês de fevereiro, quando as flores não aguentam de calor e as coroas sempre chegam murchas aos velórios, cheirando um pouco demais, constrangendo a todos, fazendo-nos sempre lembrar que sim, são flores, mas estão mortas. As sombras no chão e a floração em torno não deixam dúvidas, é fevereiro quando o poeta surge sozinho de dentro do táxi. Fevereiro, mês que tem o mesmo destino das cigarras. Fevereiro sobre o qual o poeta que tem agora os cabelos ao vento escreveu o poema definitivo, “Verão”.
Em fevereiro de 1965, mais exatamente no dia 13, Maria Bethânia estreou no “Opinião” dividindo o palco com Zé Kéti e João do Vale, no lugar de Susana Moraes, pois Nara Leão já havia se afastado algumas semanas antes. Tempos depois, em 1989, no mesmo 13 de fevereiro, chegou ao Rio de Janeiro uma compositora nascida em 1965, vinda de Porto Alegre para fazer um primeiro, único, show na cidade, e daqui nunca mais quis voltar. Chegou à Zona Sul no 13 de fevereiro, que enfrentava uma frente frita, em um táxi, com uma mala azul e um violão. Já havia estado no Rio duas vezes antes, em férias com a família e uns anos depois em um carnaval onde as pessoas se locomoviam de caiaque pela cidade alagada, de modo que ficou trancafiada em um apartamento a temporada toda, escapando apenas uma noite para singrar as ruas de São Conrado até o Humaitá, onde Fernanda Montenegro se apresentava com um monólogo. A chegada mesmo, para (mesmo sem saber) ficar, no 13 de fevereiro de 1989, no táxi, no calor escaldante que faz com que as flores murchem combalidas e que as peras e as bananas estejam podres muito mais rápido, a compositora nunca conseguiu esquecer. À medida que ia naquele táxi, adentrando a cidade, pelo trânsito, de ônibus ferozes, em um tempo em que ninguém parava no sinal nem usava cinto de segurança, maior era o estranhamento com tantos contrastes, de todos os tipos.
Estranhamento e fascínio e susto e comoção e coragem e medo. Seu endereço de chegada era a Rua São João Batista, em Botafogo, em frente ao cemitério onde chega agora o poeta, saltando atônito de um carro amarelo com seus cabelos dançantes, enquanto resiste fevereiro, “mordendo o chão”. Provavelmente não vai conseguir escapar de ter que dizer algo, de “falar” da tragédia, de “falar” de seus sentimentos, sendo ele próprio pai de dois filhos com esquizofrenia. Os cabelos em desalinho são a única pista do que ele possa estar sentindo enquanto lança o olhar para a escada e segue em frente. As cigarras ao fundo entregam-se em seu canto a fevereiro, para a perpetuação desse mesmo canto. Gritam que é fevereiro “que vai morrer/ não quer morrer”. Manco como um Ricardo III, lá vai fevereiro, fritando tudo o que pode, enquanto é tempo, seu curto tempo, para enferrujar, para corroer, para queimar em memórias filmes que não desbotam jamais, tórrido, ávido, marcado para morrer. O poeta depara-se por trás de uma das colunas da entrada com a compositora, que também prefere os itinerários a contrapelo. Eles se abraçam. Ele vai em direção às escadas. Ela entra em um táxi com as narinas impregnadas da sua cheirosa camisa. Inebriada, diz ao motorista: “Fevereiro, por favor.” O motorista diz “senhora, oi?”. O motorista liga o ar-condicionado no talo. A compositora pensa: será que tendo o carro assim gelado ilude-se o motorista de que fevereiro está apavorando só lá fora? Ou só no presente? O poeta passa a mão pela cabeça em gesto característico e ajeita os cabelos antes de chegar à capela 3. O motorista liga o taxímetro.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/fevereiro-o-poeta-11547964#ixzz2tLIOOmE0

Artigo de Opinião - O desfecho trágico do radicalismo nas ruas

 

  • A morte de Santiago Andrade precisa levar todos a uma reflexão sobre os rumos que a atual mobilização de rua toma. Grupos radicais têm uma atuação fascista 
 
 
 
A morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, atingido por um rojão no protesto de sexta-feira, no Rio, contra o aumento da tarifa de ônibus, precisa ser entendida em toda a sua grave dimensão.

Te Contei, não ? - Tropço na leitra leva cegeira matemática

 

Compreensão de texto é essencial para disciplina. Olimpíada chega à 10ª edição

Fonte: O Globo (RJ)
    

Te Contei,não ? - Rios podem salvar a Baía de Guanabara

Meta de despoluição até as Olimpíadas terá reforço de unidades de tratamento fluviais

Paloma Savedra
Rio - É uma espécie de prova olímpica. O governo estadual fechou um compromisso com o Comitê Olímpico Internacional (COI) de entregar a Baía de Guanabara com 80% das suas águas despoluídas até as Olimpíadas do Rio, em 2016. Mas é preciso respirar fundo e acelerar. Um dos principais projetos criados para atingir a meta, a implantação das seis Unidades de Tratamento de Rios (UTRs), com orçamento estimado em R$ 354 milhões, só teve uma estação que saiu do papel: a do Rio Irajá, que está praticamente pronta.

Artigo de Opinião - Maconha, porta de entrada - Rodrigo Bethlem

Liberação do uso da substância pode prejudicar toda uma geração

O Dia

Te Contei,não ? - Site prega "livrar o Aterro de gays, cracudos e mendingos"

Site prega ‘livrar o Aterro de gays, cracudos e mendigos’

  • Outras páginas que incitam o ódio contra minorias proliferam nas redes de sociais
Sérgio Ramalho

A página do Reage Flamengo com a imagem de Charles Bronson
Foto: Reprodução do Facebook
A página do Reage Flamengo com a imagem de Charles Bronson Reprodução do Facebook

Te Contei, não ? - Jovens detidos no Aterro perseguindo supostos ladrões admitem que faziam ronda noturna

 

  • Motivo para início da ‘patrulha’ foi o esfaqueamento do pai de um amigo por ter apenas R$ 10 no bolso
Elenilce Bottari

Jovens de classe média do Flamengo agridem cracudos com bastão de madeira. Foto feita em 02/02/2014, dia em que o grupo foi detido
Foto: O Globo / Carlos Ivan
Jovens de classe média do Flamengo agridem cracudos com bastão de madeira. Foto feita em 02/02/2014, dia em que o grupo foi detido O Globo / Carlos Ivan

Te Contei, não ? - Militar da reserva admite ter montado farsa no caso Rubens Paiva

 

  • Depoimento do general Raimundo Ronaldo Campos revela manobra do Exército ao mentir que ex-deputado havia sido resgatado por “terroristas”

O Fusca incendiado fez parte do cenário montado pelos órgãos de repressão para encenar a falsa fuga de Rubens Paiva
Foto: Álbum de família
O Fusca incendiado fez parte do cenário montado pelos órgãos de repressão para encenar a falsa fuga de Rubens Paiva Álbum de família

Crônica do Dia - O judeu da macumba

Arnaldo Bloch
O colunista escreve aos sábados

 

A estranha saga em busca de um orixá

Faz tempo que venho tentando descobrir qual é o meu orixá. Se acredito? Isso é o que menos importa. Como dizem os epicuristas, nada de errado com os ritos, desde que não se espere deles a salvação ou o castigo, e que sirvam para, através de uma tradição, de um tambor, de uma vela acesa sexta-feira, de uma canção, trazer bem-estar e aplacar o medo em vez de intensificá-lo.

Crônica do Dia - Um judeu e um pato na macumba

Por Arnaldo Bloch

   Ler o romance “Mandingas da mulata velha  na cidade nova”, de Nei Lopes (Editora Língua Real), tem sido, ao mesmo tempo,  uma aula sobre o nascedouro do samba  aqui pertinho de onde hoje fica O GLOBO; sobre a cena carioca sob os sopros milenares da África através da baianada que plantava novas raízes na cultura da cidade que ainda tomava sua feição; sobre o ofício do (bom) jornalismo (o protagonista é um repórter que, em 1924, é encarregado de fazer um perfil da falecida Tia Amina, inspirada na lendária Tia Ciata, e se mete em terreiros, chácaras, círculos, mesas, ranchos...); e, acima de tudo, sobre como descobrir um texto que, nas mãos de um lexicógrafo, enciclopedista, pesquisador e guardião da herança africana, se revela, apesar disso tudo e pour cause, a expressão própria da fruição literária, do prazer e da alegria de ler, do suspense recheado de humor, da cultura temperada com magia, da linguagem reveladora de mundos submersos, massacrados por um certo senso comum. 

Crônicas do Dia - Dramas da vida privada - Zuenir Ventura

O GLOBO - 08/02
Acusação a Woody Allen e separação de Grazi e Cauã saltaram do âmbito particular para o espaço público da mídia