sábado, 1 de junho de 2013

Você já ouviu ? - Geni e o Zepelim

 
 
 
 
GENI E O ZEPELIN
 
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto 
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes 
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada 
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos 
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde 
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade 
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante 
Entre as nuvens, flutuante 
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios 
Abriu dois mil orifícios 
Com dois mil canhões assim 
A cidade apavorada
Se quedou paralisada 
Pronta pra virar geléia 
Mas do zepelim gigante 
Desceu o seu comandante 
Dizendo - Mudei de idéia

- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir
 
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um 
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela 
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso 
Tão temido e poderoso

Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela 
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre 
Tão cheirando a brilho e a cobre 
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão 
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um 
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos 
Que ela dominou seu asco 
Nessa noite lancinante 
Entregou-se a tal amante 
Como quem dá-se ao carrasco 
Ele fez tanta sujeira 
Lambuzou-se a noite inteira 
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia 
Partiu numa nuvem fria 
Com seu zepelim prateado 
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria 
Não deixou ela dormir 
Joga pedra na Geni 
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar 
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um 
Maldita Geni

     “Geni e o Zepelim” foi uma das canções mais divulgadas e de maior sucesso da peça Ópera do Malandro, um musical de 1977/1978 de Chico Buarque. Estourada nas rádios na época, ela foi e é uma das canções mais populares do álbum lançado um ano após a estréia da peça.
      Crítica à hipocrisia e ao poder, ela reinou nos, conhecidos como, “anos de ferro”, em plena ditadura militar no Brasil. Todas as rádios tocavam e a população cantava em coro os refrões da canção, nem sempre com a compreensão da unidade estética crítica da mesma, uma vez que a crítica se revela ao considerar toda a narrativa da canção e não apenas o refrão, que parece acusar a sua protagonista, Geni, uma travesti que, na verdade, é a heroína injustiçada do enredo.
        É o refrão que revela o preconceito e a hipocrisia de toda a cidade com a heroína prostituída, apedrejada como Maria Madalena. Pode ser que por parecer ir ao encontro da ideologia hegemônica discriminatória e falso- moralista pre-dominante no período militar (mas não só) que a canção tenha sido aceita e passado pelo crivo da censura da época, mesmo indo de encontro a essa ideologia.
      A primeira questão a ser considerada é a do gênero que, com exceção das teorias linguísticas e literárias, refere-se ao masculino/feminino ou homem/mulher. Embora Geni pertença, biologicamente, ao gênero masculino, a sua opção, aparência e expressão discursiva é feminina: todos os elementos discursivos que a ela se referem encontram-se marcados pelo feminino (ela, donzela, namorada, rainha, menina, na, feita, boa, maldita, “aquela formosa dama”, “essa dama”, coitada, singela, dela, bendita e, inclusive, o seu nome próprio).
      Não há marca linguística que prove, pela letra da canção, que Geni é uma travesti (no sentido de um homem “travestido” de mulher) – o que é completamente compreensível se considerarmos o contexto de escrita da canção, bem como a concepção de feminino/masculino de maneira mais complexa. Acreditamos que a opção de apagamento dessa importante marca na letra da canção tenha ocorrido para driblar a censura e também para tratar a heroína com respeito à sua escolha: uma mulher, como outras, ainda que “diferente” (no sentido de especial, dado o seu poder na canção – é ela a escolhida: “logo ela”, pelo co-mandante da canção).
        Talvez, se houvesse marcas, a crítica não passaria despercebida – até hoje há quem pense que Geni é uma prostituta. Claro que a indeterminação também deixa no mesmo plano prostitutas, travestis, homossexuais e “tudo que é nego torto”.
         O que nos leva à asserção de que Geni é uma travesti é considerar a obra em que a canção se encontra: na Ópera do Malandro, Geni é uma travesti que, como outras mulheres, vive de prestar seus serviços sexuais num bordel barato, freqüentado por “tudo que é nego torto / Do mangue e do cais do porto”: “O seu corpo é dos errantes / Dos cegos, dos retirantes / É de quem não tem mais nada”. Além disso, ela não pertence como objeto ao bordel onde trabalha e frequenta.
           Ela é dona de seu próprio nariz e vive e faz de seu corpo o que quer, com quem e como quer. Afinal, na descrição que segue sua apresentação, na primeira estrofe da canção: “Dá-se assim desde menina / Na garagem, na cantina / Atrás do tanque, no mato / É a rainha dos detentos / Das loucas, dos lazarentos / Dos moleques do internato / E também vai amiúde / Com os velhinhos sem saúde / E as viúvas sem porvir”. Não há, pela descrição feita, preconceito com gênero e faixa etária, mas há uma escolha implícita: ela se identifica e se relaciona com os excluídos sociais, por ser um deles.     
           Tanto é que, ao ser escolhida pelo comandante, a primeira reação é dizer não porque “prefere amar com os bichos”. Em sua apresentação, o narrador revela o “segredo” (“e isso era segredo dela”) de Geni: “também tinha seus caprichos” – o lexema “caprichos”, usado com ironia, revela o pensamento non sense da cidade, uma vez que os “caprichos” se referem à escolha de se dar a quem, quando, como e onde quiser, enfim, de ser dona de seu próprio corpo e vontade. 
         Essa apresentação que parece valorar negativamente a “escória” social se inverte com a presença do comandante, da cidade (como se os sujeitos citados acima não pertencessem à mesma), do prefeito, do bispo e do banqueiro. Há uma diferença entre Geni e as prostitutas que vai além da anatomia: Geni “dá-se” e não “vende-se”.
 
Contribuição do aluno Pedro Farah / Turma 902 / 2013

Você já ouviu ? - Meus caros amigos - Chico Buarque






Meu Caro Amigo

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
 
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho Ninguém segura esse rojão
 
Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
 
Aqui na terra ’tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal Adeus 


Meu Caro Amigo

O teatrólogo Augusto Boal, exilado em Portugal, vivia se queixando de que os amigos não mandavam notícias do brasil. Chico estava tentando fazer a letra para uma música romântica, mas não conseguia avançar. Pediu a Francis Hime um chorinho, e a partir da música, Chico atualizou sua correspondência e informou não só o amigo, mas sim todos os brasileiros sobre a situação do país.
 
Meu caro amigo me perdoe, por favor Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador Mando notícias nessa fita
 
Neste trecho Chico Buarque narra a situação que deu origem à música, já que Chico não podia visitar seu amigo exilado, portanto colocou sua música na fita e relatou a situação que o Brasil vivia na época.
 
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate o sol                                                                                Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
 
Este fragmento é o refrão da música, aqui ele cita as coisas que mantinham muitos brasileiros alienados da situação do país, como por exemplo o samba, o futebol e o rock'n'roll.
Ele também fala do choro, que tem sentido ambíguo, representando tanto o ritmo musical (chorinho) quanto o sofrimento da sociedade brasileira. Mostra através do refrão que uns dias são bons, outros são piores, mas que no geral a situação tá difícil.


Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão
 
Aqui Chico deflagra que as pessoas não aceitavam a situação do país, mas tinham "se manter de pé" do jeito que desse. Ele também mostra que uma das maneiras de aliviar a situação era através da bebida alcoólica(representada pela cachaça), e que ninguém mais aguentava a vida dentro deste país.
 
Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar A lhe contar as novidades
 
Neste trecho há uma ironia, pois como alguém sentiria vontade de voltar para um lugar totalmente de cabeça para baixo, cheio de censura e repressão? Chico também diz que não pode deixar de relatar a situação.
 
[Refrão]
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro           
Ninguém segura esse rojão
 
Essa estrofe tem o mesmo significado da terceira, as pessoas estão fazendo o que podem para sobreviver, mesmo com teimosia, e aqui aparece outra forma de aliviar a situação, que é o cigarro. Ninguém mais aguenta este país.
 
 
 
Meu caro amigo eu quis até telefonar Mas a tarifa não tem graça 
Eu ando aflito pra fazer você ficar                                                                                             A par de tudo que se passa
 
 
Aqui Chico fez questão de enfatizar o seu desejo por revelar por o que o país passava na época.
 
[Refrão]
 
Muita careta pra engolir a transação Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão
 
Aqui a música denota a insatisfação de muita gente pela ditadura, e que tem muitas pessoas ainda alienadas, sendo enroladas. E que, novamente, ninguém aguenta este país.
 
Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
 
Nesta estrofe, o eu lírico conta que ele tentou escrever-lhe uma carta, mas o correio estava censurando as cartas "indevidas". Ele ainda diz "se me permitirem" isto é, se passar pela censura, ele enviará as notícias através do disco.
 
[refrão]
A Marieta manda um beijo para os seus(Marieta esposa de Chico)
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças(Cecília mulher do seu amigo)
O Francis aproveita pra também mandar lembranças(Francis compôs com Chico)
A todo o pessoal Adeus


Na última estrofe, Chico fala de personagens reais, no caso Marieta seria a sua esposa na época, Cecília era a esposa de Augusto Boal e Francis foi quem compôs a música em conjunto com Chico. No fim, ele se despede, como se fosse mesmo uma carta.
 
Uma curiosidade é que o artista, ao escolher a canção “Meu caro amigo” para dar nome ao disco, colocou-a no plural. Ou seja, apesar de a ideia original da canção ser mandar notícias a um determinado amigo exilado, ela sai ainda mais do plano particular quando o álbum é batizado de “Meus caros amigos”. Isso porque havia mais “amigos” como Augusto Boal, vítimas da Ditadura



Contribuição do aluno Marcelo Malagutti / Turma 902 / 2013





Fontes:
 http://blogaodojoao.wordpress.com/2011/07/10/musica-meu-caro-amigo-chico-buarque-comentada/
http://www.chicobuarque.com.br/letras/meucaroa_76.htm
http://passeandopelocotidiano.blogspot.com.br/2012/03/historia-por-tras-da-musica-meu-caro.html

Você já ouviu ? - Folhetim - Chico Buarque





Folhetim
 
Chico Buarque
 
 
Se acaso me quiseres,
Sou dessas mulheres
Que só dizem "sim!",
Por uma coisa à toa,
Uma noitada boa,
Um cinema, um botequim.
E, se tiveres renda
Aceito uma prenda,
Qualquer coisa assim,
Como uma pedra falsa,
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim.
E eu te farei as vontades.
Direi meias verdades
Sempre à meia luz.
E te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis.
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte:
Te afasta de mim,
Pois já não vales nada,
És página virada,
Descartada do meu folhetim.



Chico Buarque escreveu várias canções com o eu lírico feminino. Costumavam dizer que ele entendia as mulheres, sabia o que passava dentro de cada uma delas, seus desejos, costumes e etc.
 
A música "Folhetim",  foi composta entre 1977/78 para a peça "Ópera do Malandro". Embora seja uma música composta para a peça, Chico explica que o personagem "não era tão claro quanto quem iria cantar. Mas, às vezes, a atriz que iria cantar cantaria só no teatro, porque não era uma cantora profissional. 
 
Essa bela canção, foi mostrada pela primeira vez ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, através de uma ligação que Chico e o cartunista Henfil, irmão de Betinho, fizeram para o Canadá, onde o sociólogo estava exilado.
 
Esta interpretação de "Folhetim", em que Gal Costa canta e até dança com o parceiro Chico Buarque é uma das mais perfeitas. De voz aveludada e timbre irretocável, Gal é a perfeita criação vocal brasileira. Não deve nada a ninguém em talento vocal e interpretativo.
 
Nesta música o autor descreve com enorme sensibilidade como uma garota de "programa" descreve o que pode fazer com seu "homem da vez". Todas as mentiras e sonhos que o homem da vez quer ouvir são descritas pela garota.
 
Chico é considerado o mais sensível conhecedor da alma feminina. Gravada por Gal Costa no LP Água Viva de 1978 e também no mesmo ano por Isaura Garcia, no LP "Eu, Isaura Garcia". Recebeu inúmeras outras gravações inclusive de Chico Buarque.
 
 
 
Contribuição da aluna Gabriela Boechat / Turma 901 / 2013  

Você já ouviu ? - Mulheres de Atenas - Chico Buarque

 
Mulheres de Atenas
 
Chico Buarque
 
 
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas¹ não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas²
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos,
Os novos filhos de Atenas.
Elas não têm gosto ou vontade,
Nem defeito, nem qualidade;
Têm medo apenas.
Não tem sonhos, só tem presságios.
O seu homem, mares, naufrágios...
Lindas sirenas, morenas.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
 
 
 
 
¹ . Chicotear. Bater. Castigar.
² Beleza de mulher . mulher bela


De início a música não foi bem recebida pelo público feminino que não compreendera a ironia presente em cada verso.
A música diz para as mulheres seguirem o exemplo de mulheres submissas,oprimidas e traídas ,conceitos que na época já começavam a mudar.
Foi preciso usar a ironia, pois em plena ditadura (1976) não era permitido qualquer manifestação contra o atual sistema, muito menos mandar as mulheres irem a luta por seus direitos  e liberdade.
“Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas” com isso Chico Buarque quer dizer justamente o contrário das mulheres deveriam ser diferentes das mulheres de Atenas.
“Quando fustigadas não choram Se ajoelham, pedem imploram Mais duras penas; cadenas” Retrata a submissão da mulher que mesmo depois de ser agredida ainda se ajoelha e pede perdão, quadro q podemos ver ainda hoje com as mulheres que mesmo sendo agredidas em casa não procuram por ajuda e continuam a sofrer.
“Mil quarentenas” a grande espera pelos maridos, elas ficavam sozinhas, abandonadas
“Querem arrancar, violentos Carícias plenas, obscenas” o sexo era feito de maneira brutal, sem afeto. As mulheres eram apenas objetos para satisfazer as vontades dos maridos.
“Quando eles se entopem de vinho Costumam buscar um carinho De outras falenas Mas no fim da noite, aos pedaços Quase sempre voltam pros braços De suas pequenas, Helenas” Os homens saiam, bebiam, ficavam com outras mulheres e no final sua amada esposa o recebia de braços abertos 
“Elas não têm gosto ou vontade, Nem defeito, nem qualidade; Têm medo apenas. Não tem sonhos, só tem presságios. O seu homem, mares, naufrágios... Lindas sirenas, morenas.” 
“Secam por seus maridos”
Muitas mulheres ainda vivem sem perspectiva de vida, submissas literalmente aos mandos e desmandos do marido, sendo humilhadas e até mesmo agredidas, deixando de viver ativamente e passando a viver superficialmente, sendo isso retratado na 8ª estrofe da música, onde as mulheres não tem mais vontades própria por estarem sempre em posição inferior ao homem.
 
 
 
Contribuição da aluna Isabele Aguiar Brito / Turma 901 / 2013