sábado, 7 de janeiro de 2012

Faz tempo que foi dito, mas vale a pena ler - Educar é contar histórias - Claudio de Moura Castro


segunda-feira, 8 de junho de 2009


"Bons professores eletrizam seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar"


De que servem todos os conhecimentos do mundo, se não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino, constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos nossos gurus faz apenas "pedagogia de astronauta". Do espaço sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.

Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de narrativa.

Há alguns anos, professores americanos de inglês se reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter, vendendo 9 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato, educar é contar histórias. Bons professores estão sempre eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso ignorar as teorias intergalácticas dos "pedagogos astronautas" e aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J.K. Row-ling. Eles é que sabem.

Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando apresentadas a sangue-frio: "Seja X a largura de um retângulo...". De fato, não se aprende matemática sem contextualização em exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula e propor a seus alunos: "Vamos construir um novo quadro-negro. De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E de quantos metros lineares de moldura?". Aí está a narrativa para ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas, estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a amperagem, pois em um cano "grosso" flui mais água. Aprendidos esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.

É preciso garimpar as boas narrativas que permitam empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor "construir sua própria aula", em vez de selecionar as ideias que deram certo alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: "O bom artista copia, o grande artista rouba ideias". Se um dos maiores pintores do século XX achava isso, por que os professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e ajustando (é aí que entra a criatividade). Se "colando" dos melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.


Claudio de Moura Castro é economista

Faz Tempo que foi dito, mas vale a pena ler .... Tudo pelo Social - J.R. Guzzo



"Como disse recentemente o escritor João Ubaldo Ribeiro, citando um dos seus personagens da Ilha de Itaparica, "quem tem raça é cachorro". Não poderia ter feito um resumo melhor da coisa toda"


O Brasil está fazendo o possível, nestes últimos tempos, para dar a si próprio algo que até hoje conseguiu não ter: um problema racial. Se tantos outros países importantes têm questões sérias de racismo, por que o Brasil também não poderia ter a sua? Parece um motivo de desapontamento, na visão das pessoas que foram nomeadas pelo governo para defender os interesses da "população negra", ou nomearam a si mesmas para essa tarefa, que o Brasil seja possivelmente o país menos racista do mundo. Que outros poderiam ser citados? Certamente haverá nações que têm um número maior de leis contra a discriminação, são mais sérias na sua aplicação e adotam medidas de proteção especial a minorias raciais. Mas não dá para sustentar, não a sério, que haja mais racismo no Brasil do que em qualquer delas. Como poderia haver, num país onde a grande maioria da população não sabe dizer ao certo qual é a sua cor, nem demonstra maior interesse em saber? "Moreno" é a sugestão de resposta mais frequente, quando a pergunta é feita para a imensa massa de brasileiros que não se identificam claramente como brancos, nem pretos, nem qualquer outra coisa.

Criar um racismo que se preze, num país assim, não é trabalho fácil – mas é possível. Uma das ferramentas mais utilizadas para isso é distribuir aos "brancos" uma espécie de culpa geral por tudo o que ocorre de errado aqui dentro. Não se citam nomes; só se cita a cor da pele. Tornou-se comum, por exemplo, o uso da expressão "elite branca" como símbolo de coisa do mal – com a agravante, em certos casos, de que essa elite, além de branca, pode ser "do sul". A mesma gente, de "pele clara e olhos azuis", é culpada também pelo que ocorre de errado lá fora, como a crise financeira internacional; por essa maneira de ver a vida, os desastres que produziram foram provocados por seu tipo físico, e não pelo seu comportamento individual. Outro esforço é criar repartições públicas para cuidar da questão racial – o que tem a tripla vantagem de dar uma cara oficial à existência do problema, passar a impressão de que o governo está cuidando dele e arrumar empregos para amigos. A mais notável delas é um órgão com nove palavras no título e status de ministério – a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Seu grande feito, em seis anos de existência, foi a demissão da secretária-ministra Matilde Ribeiro, em 2008, quando se descobriu que ela usava o cartão de crédito destinado ao exercício de sua função para pagar despesas de free shop ou contas no Bar Amarelinho, no Rio de Janeiro.

Nada parece pior, porém, do que a tentativa de estabelecer por lei que cidadãos devem ter direitos diferentes de acordo com a cor de sua pele, como preveem os projetos de "cotas raciais" ora em debate no Congresso Nacional – pelos quais os brasileiros negros, ou definidos como tal, deveriam ter mais direitos que os brasileiros brancos, ou de outras origens, no mercado de trabalho, nas vagas universitárias ou nos concursos para cargos públicos. É o contrário, exatamente, do que deveria ser. A grande vitória da humanidade contra a discriminação racial foi excluir das leis a palavra "raça"; o objetivo era estabelecer que todos têm direitos idênticos, sejam quais forem as suas origens, dentro da ideia de que todos os homens pertencem a uma "raça" apenas – a raça humana. No Brasil de hoje, em vez de proibir o uso da noção de raça para dar ou negar direitos, tenta-se ressuscitar a tese de que os indivíduos são diferentes uns dos outros, em termos de cidadania, segundo a cor que têm.

"Os defensores de leis raciais ludibriam a boa-fé alegando que cota racial é ação afirmativa", escreveu, num artigo para O Estado de S. Paulo, o advogado negro José Roberto Militão, um especialista em antidiscriminação na OAB de São Paulo. "Ação afirmativa", de fato, é outra coisa: é a efetiva atuação da autoridade para coibir a discriminação contra minorias e multiplicar oportunidades, sem criar cotas, exigir reparações pelo passado ou estabelecer diferenças de direitos. "Ao estado cabe atuar para destruir a crença em raças", diz Militão. "Leis raciais não servem para a redução das desigualdades entre brancos e pretos, pois atacam os efeitos, mas aprofundam as causas." São, além disso, o oposto da harmonia: como se sabe, nada é mais fácil do que passar da distinção à divisão.



Sexta-feira, Abril 10, 2009 J.R. Guzzo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Te Contei, não ? Declaração Universal dos Direitos Humanos - Versão Popular de Frei Beto





Todos nascemos livres e somos iguais em dignidade e direitos.
Todos temos direitos à vida, à liberdade e à segurança pessoal e social.
Todos temos direito de resguardar a casa, a família e a honra.
Todos temos direito ao trabalho digno e bem remunerado.
Todos temos direito ao descanso, ao lazer e às férias.
Todos temos à saúde e assistência médica e hospitalar.
Todos temos direito à instrução, à escola, à arte e à cultura.
Todos temos direito ao amparo social na infância e na velhice.
Todos temos direito à organização popular, sindical e política.
Todos temos direito de eleger e ser eleito às funções de governo.
Todos temos direito à informação verdadeira e correta.
Todos temos direito de ir e vir, mudar de cidade, de Estado ou país.
Todos temos direito de não sofrer nenhum tipo de discriminação.
Ninguém pode ser torturado ou linchado.
Todos somos iguais perante a lei.
Ninguém pode ser arbitrariamente preso ou privado do direito de defesa.
Toda pessoa é inocente até que a justiça, baseada na lei, prove a contrário.
Todos temos liberdade de pensar, de nos manifestar, de nos reunir e de crer.
Todos temos direito ao amor e aos frutos do amor.
Todos temos o dever de respeitar e proteger os direitos da comunidade.
Todos temos o dever de lutar pela conquista e ampliação destes direitos.


Frei Beto  

A Hora do Poela - Obama nas Alturas - Elisa Lucinda




Obama nas alturas
 Em estado de Obama
 perambulo,não sei por quê,
livre pela casa.
Deu Obama na cabeça Dona Elisa,
explodira eufórico seu Itamar
que é branco mas é nordestino e porteiro, portanto, uma espécie de preto nesse Brasil.
Você viu Itamar(que arrepio) que lavada! Ninguém esperava o voto dos excluídos: Chineses, africanos, indianos,
árabes, japoneses, mexicanos,
brancos envergonhados com a situação indecente,
brasileiros e todos os latinos e seus descendentes! Na família da urna todo mundo virou parente. Não sei porque, meu coração descansa em paz. Parece que o futuro chegou,
parece que o superman mudou de cor,
parece recomeço,
parece agora, que é possível até Papa preto, parece que o tempo de guerra morreu,
parece que Obama é presidente meu.


Elisa Lucinda

Gente que você não conhece, mas vale a pena conhecer .... - Elke Maravilha




Elke Maravilha


Crônica do dia - Ano Novo, velhos desejos - Nelson Motta




Não é preciso ser Paulo Coelho para acreditar no poder das palavras e na força dos desejos. Nem Raul Seixas para cantar que "sonho que se sonha junto é realidade". Que meus desejos expressem os de muitos leitores, ou ao menos os de alguns deles. E que as nossas palavras tenham o poder de realizá-los, pelo menos os mais óbvios.

Que o mensalão do PT e aliados, o do PSDB mineiro e o do DEM de Brasília sejam julgados e condenados. Assim como os juízes ladrões e os administradores e parlamentares corruptos.

Que sejam proibidas contribuições de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais, como propõe o ministro Dias Toffoli, do STF. Empresas não votam, são os cidadãos e os partidos, que já têm o horário eleitoral e os fundos partidários, que devem financiar as campanhas de seus candidatos. Com limite por CPF. Uma ruptura da promiscuidade entre governos e empresas, raiz da corrupção e do atraso.

Que seja abolido o voto obrigatório. Eleitores que só votam para não pagar multa não farão falta: são os que fazem as piores escolhas. Somos um dos últimos países do mundo com essa herança das ditaduras para "legitimá-las" nas urnas.

Que a Lei da Ficha Limpa valha para preenchimento de cargos em todos os níveis da administração federal, estadual e municipal.

Que o Estado desista de ser babá do cidadão, de tentar proteger-nos de nós mesmos. E respeite mais nossa privacidade e nossas escolhas.

Que as ideias do professor Fernando Henrique Cardoso sobre descriminalização da maconha sejam discutidas.

Que Sarney se aposente com suas três aposentadorias. E, roído de culpa, em busca de redenção, doe todos os seus bens aos pobres do Maranhão. Mas aí também já é sonhar demais.

Que parem de telefonar para minha casa oferecendo coisas que não pedi.

Que a nova música de Belém do Pará faça o sucesso que merece.

Um novo disco de João Gilberto. Um show de Jorge Drexler.

Uma nova temporada de Força Tarefa na televisão. E, sem querer abusar, um novo romance de seu roteirista Marçal Aquino. Um novo livro de Reinaldo Morais, se possível, Pornopopéia 2, qualquer coisa".

Desejar menos. Aceitar mais.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Crônica do dia - MAIS GRAVE DO QUE PALMADAS - Lya Luft




Não gosto do politicamente correto: ele muitas vezes tem um ranço de hipocrisia. Não devo dizer que alguém é negro, mas os próprios negros falam em raça negra, cultura negra etc. Não seria muito mais respeitoso usar o termo habitual, assim como dizemos branco, japonês, alemão, turco, polonês? O politicamente correto em muitos casos, como neste, aumenta a discriminação. Será politicamente incorreto, daqui a pouco, dar uma palmada num menino travesso demais? Sou contra qualquer violência, mas me assombra a tal lei da palmada, ainda esperando aprovação no Senado: considero a tal lei uma excrescência a mais na nossa legislação e na nossa cultura. E é perigosa, numa sociedade que vai ficando denuncista e policialesca, cada vez maiores seus olhões de big brother. 

Mil dúvidas me ocorrem. Quem vai avaliar o que é palmada forte, bofetada humilhante no rosto ou aviso carinhoso, leve tapa sobre uma bundinha bem acolchoada de fraldas? Quem vai, sobretudo, denunciar? Penso que haverá filas de acusadores: a vizinha invejosa, a funcionária ofendida, a ex-mulher vingativa, o ex-marido raivoso. Receio que, se aprovada e efetivada, ela não vá ser aplicada, como tantas leis tolas entre nós ( e algumas úteis, que não deveriam ser ignoradas). Ou, se aplicada, vá desencadear uma onda de confusões, inseguranças, injustiças, intromissões indevidas. Aberta a porta para um controle nada democrático, uma ditatorial interferência do estado na vida familiar e nas relações pessoais mais próximas. 

Esse o grande perigo, essa a cara feia de tal novidade. Parece que se criou no país até mesmo um “plano nacional de convivência familiar”, no mínimo bizarro. Para nos ensinar a ser mais gente, seria preciso, em lugar de intervir em nossas casas e se intrometer em nossa vida, dar condições de sermos menos agressivos por ignorantes ou estressados. Isso significa, em lugar de um olho intrometido e humilhante, mais segurança, saúde, moradia e educação – ah, a educação, esse botão que aperto mil vezes ao dia e tanto comento. “Considero um desperdício de energia política essa lei da palmada, quase impossível de aplicar sem que ocorram aberrações, quase impossível de encarar com respeito e seriedade.” 

 Será que os políticos não têm coisa mais importante a fazer além de inventar uma lei tão antidemocrática, antipedagógica e anti-qualquer-bom senso, como, por exemplo, votar leis que têm a ver com o bem-estar do cidadão comum? Desengavetar e fazer funcionar tantos projetos trancados por incompetência ou desinteresse, exercer a verdadeira política, resgatar tanto dinheiro empregado em outras coisas ou desparecido em frestas de mesas-de-não-trabalho de muita gente por aí? 

Não é uma lei invasiva que vai nos tornar melhores pais, melhores educadores, melhores pessoas. É a cultura, são as condições sociais, econômicas e culturais, é a educação que informa direito, é a construção de nossa identidade pessoal, nossa bagagem de valores, os elementos básicos que os governos nos oferecem para que a gente possa evoluir. Em resumo, é a arquitetura de nós mesmos enquanto povo e indivíduos decentes – incluindo como tratamos, criamos, amamos, educamos quem depende de nós. 

Considero um desperdício de energia política essa lei da palmada, quase impossível de aplicar sem que ocorram aberrações, quase impossível de encarar com respeito e seriedade. Além de querermos infantilizar eternamente nossos jovens dando-lhes privilégios como a meia-entrada até quase 30 anos, quando deveriam estar estabelecidos, com família formada, crescendo na profissão, vida em pleno funcionamento, ainda queremos nos meter nas casas, nos quartos, na vida pessoal doa adultos, vigiando-os como se fossem crianças arteiras. Bem mais graves do que uma ocasional palmada (não falo em surra, bofetada, sofrimento físico) são, de parte dos pais, a frieza, a futilidade, o desinteresse, a falta de uma autoridade amorosa, de vigilância e cuidado. A humilhação verbal, a crítica constante, a ironia. A lista é longa. Que o novo ano nos traga um pouco mais de bom-senso e de bom humor, e verdadeiro interesse por coisas que verdadeiramente precisam dele.


Revista Veja 

É BOM SABER .............

Alunos do Nono Ano / Ativo / 2012 >>> Leitura de férias para a primeira semana de aulas, no retorno em fevereiro >>>>>


É BOM SABER ......

Alunos do Oitavo Ano / Ativo / 2012 >>> Leitura de férias para a primeira semana de aulas, no retorno em fevereiro >>>>>



É BOM SABER !!!!!!

Alunos do Sétimo Ano / Ativo / 2012 >>> Leitura de férias para a primeira semana de aulas, no retorno em fevereiro >>>>>


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Crônica do dia - Feliz 2012 ! - Paulo Guedes


 A magia alimenta nossa vontade de viver. O encantamento do mundo foi uma exigência de vidas conscientes primitivas, assombradas ante a grandiosidade do existir. Qual seria o sentido de vidas biologicamente acidentais, tão frágeis e sobretudo curtas? Demos significado e fôlego a existências precárias elaborando nossas primeiras crenças e religiões. Filósofos e teólogos imaginaram mundos ideais e vidas eternas. Foram sopros de esperança em nossa tentativa milenar de escape às despretensiosas origens e possibilidades do ser humano. 
 Os homens são uma extraordinária espécie que ousou rejeitar sua modesta natureza. Atrevemo-nos a esboçar rotas de fuga a uma incontornável realidade física e às forças cegas de um universo cuja compreensão transcende nossos limites cognitivos. Mesmo às mais avançadas hipóteses científicas, ainda se aplicam versos de Xenófanes (500 a.C.): "Quanto à verdade, com certeza, nenhum homem a conhece, pois tudo é apenas uma intrincada teia de suposições." 
 Como dar significado a vidas efêmeras se o conhecimento nada pode assegurar quanto a sua transcendência? Como construir um mundo melhor após a morte de Deus para intelectuais que abandonaram a fé pela ciência? "A transitoriedade de nossa existência de forma alguma retira seu significado. Ao contrário, torna-se um incentivo para nos dedicarmos a realizar nossas possibilidades com toda intensidade", aconselha Viktor Frankl, em "A busca humana por significado" (1959). 
 Compreender é um milagre ainda maior do que existir. A consciência é a oportunidade de experimentar possibilidades que transcendem as dimensões materiais de um mundo físico. A espiritualidade, a estética, a moral, a música, a imaginação e a própria consciência da razão são dimensões inacessíveis a outras espécies. Diferentes coordenadas tornando único cada ser humano neste universo multidimensional. 
 "O real sentido da vida é justamente criar significados próprios para nossa existência. Esculpir nosso futuro. Aperfeiçoar nossos talentos. O trabalho significa responsabilidade e cooperação com os demais, em busca de sonhos comuns. E sem amor estamos perdidos, somos vazios, andarilhos sem raízes, insensíveis aos semelhantes", alerta Michio Kaku, em "Universos paralelos" (2005). Que possamos dar mais significado a nossas vidas a cada dia em 2012, com saúde, inteligência, imaginação, trabalho e, acima de tudo, muito amor. 

 Publicado no Globo de hoje.

Crônica do dia - Sal a gosto - Joaquim Ferreira dos Santos


Saber que o mundo vai acabar melhora os planos para 2012

 Eu já estive em outros fins de mundo, como esse que mais uma vez se anuncia para 2012, e não quero ser estraga-prazeres. É frustrante. Você fica de olho no céu esperando que uma bola de fogo saia como uma erupção da base da estátua do Redentor, e, lá pelas três da madrugada, percebe morto de sono que não vai acontecer nada. Você está vivo. Eu não compraria ingresso para o show do fim do mundo de 2012. O Senhor dos Raios, responsável em pôr termo à essa nossa civilização chinfrim, sempre dá uma de João Gilberto. O Cara simplesmente não comparece.
 Foi assim nos anos 1970, quando uma multidão de hippies acampou em Saquarema, alertada para mais um fim dos tempos. Eu estava lá. Mais uma vez não vi. 
 Anunciava-se o evento, como se fosse um show do Vímana, o Pink Floyd carioca, pelo jornal “Flor do Mal”. Astrólogos garantiam a aterrissagem de uma esquadrilha de discos voadores. Eles trariam a arma definitiva que nos libertaria desse inútil sofrimento terráqueo. Seriam os novos deuses, fariam a faxina necessária para implantar em seguida uma raça mais viajandona, que não se amarrasse em dinheiro, não, mas na vida em grupo, na paz e no amor, bicho, que eram os mitos de felicidade nos 1970. Era a década do desbunde. Drogas por todos os lados. A comunidade dos Novos Baianos em Jacarepaguá, da mesma maneira que a Apple hoje no Vale do Silício, anunciava aquele modo de vida como o futuro da civilização. Todos os hippies de Rio e São Paulo foram para o descampado em Saquarema, uma pista perfeita para a chegada dos discos. Os tripulantes das naves, continuava a revista “Planeta”, exterminariam os ditadores da época, transformariam em vapor branco os fumadores de maconha e colocariam no poder uma nova ordem mundial. Namorou- se muito na noite de Saquarema, apertouse de tudo, mas o fim do mundo que estava na conclamação deu uma de João — alegou falta de gasolina nos motores dos discos, fumaça demais dificultando a visão do pouso, não me lembro —, e o fim do mundo mais uma vez não aconteceu.
 A ideia de que vai acabar e não ficará Redentor sobre a montanha, tudo tão rápido que não dará tempo sequer de digitar os 140 toques no Twitter com a maior notícia de todos os tempos desde a Criação — a possibilidade de fim do mundo para 2012 — não é necessariamente apavorante. Pode criar uma ânsia especulativa, de saber se com uma praga de gafanhotos ou um tsunami que encheria o Rebouças de polvos famintos. De resto, resolveria os inevitáveis planos do que se fazer com os próximos dias. 
 Eu, mais crédulo fosse com a possibilidade de que desta vez acaba mesmo, descompromissarme- ia com a necessidade da prosa elegante e chafudar- me-ia no pântano, na pocilga dessas delícias vagabundas que a língua oferece ao riso vernacular. Em seguida, dormiria tranquilo, pois antes de ler o jornal, antes de fazer a crítica da edição me esculhambando o estilo, o ombudsman estaria devorado pelas mesmas centopeias incandescentes, todas malignamente polissílabas, que surgiriam das frestas dos terremotos e exterminariam esses pruridos linguísticos e seus xerifes. 
 Todo mundo que brinca o carnaval sabe que o melhor dos dias é a terça-feira, chacoalhado pelo grito de “é hoje só, amanhã não tem mais”. O fim do mundo, previsto para amanhã, desencuca a humanidade para 2012. Todos poderão se dedicar ao que interessa a cada um. Chegar ao futuro com a biografia escorreita está fora do projeto porque, ficou claro agora, os punks estavam certos quando pichavam os muros com o “No future”. 
 O mundo acabou, já sinto a eletricidade dos raios cruzando a camada de ozônio e começando a esquentar os miolos humanos. A energia liberada pelos raios aumentará centenas de vezes o tamanho dos besouros da Floresta da Tijuca, que serão os novos senhores da Terra. Não haverá onde se esconder. Os próximos minutos serão os mais sinceros da vida de todos. A hora da verdade, a vida como deveria ser na receita fundamental que o grande Chef escreveu, mas ninguém praticou. Sal a gosto, minha gente. 
 Andar nu? Colocar os cotovelos sobre a mesa? Dizer umas verdades ao chefe? Pela primeira vez, seus atos não serão medidos pelas consequências sociais, mas pelo que lhe aprouver a deliciosa e nunca priorizada argumentação dos sentidos. Leia na minha camisa: “Relaxa, bebê”. 
 Eu só quero lembrar mais uma vez que o João Gilberto dos raios, tsunamis e pragas de gafanhoto prometeu o mesmo show dezenas de outras vezes e, como de costume, não compareceu. Carmen Miranda cantou um fim do mundo desses, já na década de 1930, e já que não haveria amanhã com sua moralidade careta, ela saiu beijando a boca de quem não devia, dançou o samba em traje de maiô, e o tal do mundo não se acabou. 
 Eu sou um jornalista. Tenho por princípio de solidariedade e sobrevivência acreditar nas coisas publicadas no mesmo papel que divulga meus dribles de letra. Li que o mundo acaba, confirmando previsões seculares dos maias. Acredito. Não há mais com o que se preocupar. A todos o mesmo destino, corra-se os 7km em volta da Lagoa ou enferruje- se o colesterol sentado vendo uma maratona de “The mentalist” na TV. Não imitarei Carmen. Beijarei a mesma boca de sempre, mas tocarei meus dias com desapego e estresse zero. Desde já, perdoem as vírgulas desparagonadas. A obrigação de escrever com estilo a grande crônica do ano está com o Senhor dos condões. 
 Ele mandará bolas de fogo, ele apagará as luzes da árvore da Lagoa com uma ventania de areia do deserto, fará chover gafanhotos, ele escolherá o fecho de ouro. Não há como concorrer com tão terrível Escritor. Desestressado, verbos na contramão da ordem, certo de que os e-mails de crítica não terão tempo de alcançar minha caixa postal, eu espero apenas o apagar das luzes. O ano em que o João Gilberto Divino promete o mais desafinado de seus shows. 
 Que venha 2012 — se é que, nesta primeira segunda-feira, ele já não acabou.

Jornal O Globo 

Resenha do dia - Diálogo da relativa grandeza



 O título dessa resenha é o mesmo de um conto do escritor José J. Veiga, em que duas crianças discutem se um rego d’água pode ser “um risquinho no chão, da grossura de um fio de linha”, ou se uma pilha de lenha é um monte de palitos de fósforos. Quando o menino pergunta qual a altura da menina, ela responde “um metro e vinte”, e ele afirma: “Em metro de anão. Ou metro invisível”. 
Às vezes nos sentimos gigantes, seres superiores e indestrutíveis. Em outros momentos somos criaturas diminutas, por exemplo, frente a catástrofes como as que aconteceram no Rio de Janeiro. Ser grande ou pequeno é relativo, assim como nosso conhecimento ou nossa racionalidade. É sobre esses traços do ser humano que trata o romanceViagens de Gulliver (Peguin-Companhia das Letras, 446 pág., tradução de Paulo Henriques Britto). 
O autor, Jonathan Swift, nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1667, e morreu em 1745. Foi padre anglicano, mas se notabilizou pelas cartas e panfletos satíricos, que criticavam a burguesia em favor do absolutismo. Em seu romance mais famoso, publicado em 1726, Swift ampliou seu leque de críticas à própria nobreza, aos conflitos religiosos, aos cientistas, aos filósofos, enfim, ao ser humano como um todo. 
Lemuel Gulliver é um médico britânico que decide unir sua profissão ao desejo de viajar. Em sua primeira viagem, acontece um naufrágio do qual se salva, mas, ao despertar na beira da praia, percebe que está preso e rodeado por seres de 15 cm de altura, numa das cenas mais conhecidas da literatura. O lugar se chama Lilipute, uma nação em guerra com a ilha vizinha de Blefuscu, uma alegoria com a Inglaterra e a França, países em conflito na época. Nessa parte da história, Gulliver é criticado pelos liliputianos ao contar como funcionavam as questões políticas, sociais e éticas do povo inglês. Ele ignora a opinião deles, pois sua perspectiva é de quem se sente superior aos demais, representando a arrogância do ser humano. 
Depois de voltar para casa, faz uma segunda viagem. Uma tempestade, no entanto, o leva a Brobningnag, terra de gigantes onde agora ele é minúsculo, sendo exposto como um animal raro. Aqui o personagem, por ser pequeno, nota com mais precisão as imperfeições do corpo humano, como manchas, feridas e os enormes piolhos. O ponto de vista revela a repugnância física pelo corpo, lembrando que Swift vivia em uma sociedade puritana. Denota também o ser humano inferior frente às coisas da natureza, como a enorme águia que, pensando que a caixa onde Gulliver vivia fosse uma tartaruga, a carrega até o mar. A caixa cai e ele acaba sendo salvo. 
Na terceira viagem, piratas dominam o navio e o deixam em Laputa, onde a sede do governo fica em uma ilha flutuante. Aqui o exótico fica por conta dos exageros científicos do povo, que, segundo Gulliver, se esquece das questões práticas. Quando volta para a Europa, passa pela ilha dos magos, onde conversa com os fantasmas de celebridades históricas, como Aristóteles e Alexandre, o Grande. 
A quarta viagem é interrompida, dessa vez por amotinados que o deixam num bote que vai parar no país dos Houyhnhnm, onde os cavalos são os governantes e possuem racionalidade. Já os Yahoos, criaturas semelhantes aos homens, são irracionais e puxam as carroças no lugar dos cavalos. A parte mais pessimista dos relatos, pois há uma crítica muito forte contra o ser humano. Segundo George Orwell, no excelente artigo presente nessa edição, Gulliver “concebe um horror à raça humana” e quando volta para a Inglaterra se torna um ermitão. 
A obra teve muitas adaptações, em sua maioria trazendo a primeira parte apenas, inclusive na recente versão cinematográfica, com o comediante Jack Black como protagonista. Nesses casos, a obra perde seu poder, pois limita o campo das diferentes visões sobre o homem e ameniza as críticas e as passagens mais fortes do texto original para se tornar mais palatável ao público jovem. 
Sátira, relatos de viagens, entretenimento, ficção científica, enfim, não importa o rótulo. O que importa é que a obra-prima de Jonathan Swift é leitura indispensável para entender esse ser às vezes gigante, às vezes inseto, ora racional, ora irracional: o homem.

 Cassionei Niches Petry é professor. Ser insignificante na vida real, no mundo virtual é o gigante que governa o blog cassionei.blogspot.com. 
Também é a traça, inseto que devora livros para resenhá-los quinzenalmente aqui no Traçando Livros do caderno Mix. http://cassionei.blogspot.com/2011/01/viagens-de-gulliver.html

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Te Contei, não ? - A MITOLOGIA AFRICANA



A mitologia, tanto a européia como as de outras tradições, aborda instintos humanos (como o poder do amor, do ciúme, da ansiedade; o conflito de gerações; a violência; a tristeza da doença e dos sinistros; o mistério da morte; o desafio do desconhecido; os tempos de má e boa fortuna e todo o peso do destino). Contos de homens e deuses retratam os reveses e as alegrias da vida. 

 Nietzsche observou que os gregos ofereciam festas a todas as suas paixões e inclinações; eles consideravam como divino tudo que tem algum poder no homem; o cristianismo jamais compreendeu esse mundo pagão e sempre o combateu e o desprezou. 

 A mitologia européia é interpretada hoje sem restrição. Mas há restrição quando falamos em mitologia africana, certamente porque a relacionamos com o culto aos orixás (candomblé e umbanda), ainda vivo na África e no Brasil. 

 Devemos deixar de lado o aspecto religioso e conhecer a beleza e a riqueza da cultura africana, na qual se inclui a sua mitologia e sua arte. Os principais produtos artísticos africanos são as máscaras e as esculturas em madeira, as quais, para os membros da sociedade africana, constituíam objetos sagrados com poderes sobrenaturais: acreditavam que poderiam atrair a destruição ou distribuir bençãos. 

 As máscaras e as esculturas em madeira têm forma angulosa, assimétrica e distorcida; uma forma não-realista, obviamente para expressar, com efeito dramático, que os objetos abrigam espíritos poderosos; nada de aparência real, mas formas verticais e membros do corpo alongados. 

 Pablo Picasso conheceu, por volta de 1905, a arte africana, a qual muito o atraiu, principalmente pela sua independência da tradição européia. Disse Picasso sobre as máscaras africanas: "Senti que eram muito importantes ... As máscaras não eram apenas peças esculpidas ... Eram magia". 

 A arte africana inspirou Picasso a criar o movimento cubista, o qual recebeu a influência das distorções do entalhe africano, destinadas a mostrar simultaneamente aspectos múltiplos de um objeto. As técnicas cubistas expressam intensas emoções e conflitos internos. O quadro Les Demoiselles d'Avignon representa o ponto de transição da fase de influência africana para o puro Cubismo; esse quadro é uma obra de ruptura (encerrou o reinado de quase quinhentos anos da Renascença), uma das poucas obras que, sozinha, alterou o curso da arte; os cinco nus do referido quadro têm anotomia indistinta, olhos tortos, orelhas deformadas e membros deslocados.

 As máscaras não eram apenas peças esculpidas ... Eram magia. Esse sentimento de magia, manifestado por Picasso, nos lembra recente ensinamento de Desmond Morris, autor de "O Macaco Nu", um dos maiores especialistas em comportamento humano e fabricante de amuletos. A revista Superinteressante perguntou-lhe: Não é contraditório que um cientista faça esse tipo de jóias? Você crê no poder desses objetos? 

 Respondeu Desmond: Claro que não. Mas creio no poder de quem os leva. Está provado que se você acredita que um objeto vai lhe ajudar e proteger, suas defesas crescem e sua energia flui com mais harmonia. Tudo está em nosso interior. Na mitologia africana, há um deus supremo (Olodumaré), o qual criou os orixás (deuses) para governarem e supervisionarem o mundo. O orixá é uma força pura e imaterial, a qual só se torna perceptível aos seres humanos manifestando-se em um deles; o ser escolhido pelo orixá, um de seus descendentes, é chamado seu elégùn, o veículo que permite ao orixá voltar à terra para saudar e receber as provas de respeito de seus descendentes que o evocaram. Ainda inexiste um panteão de orixás bem hierarquizado, único e idêntico. 

 Quais os principais deuses (ou orixás) ou autoridades da mitologia africana ? Exu, Ogum, Oxóssi, Ossain, Orunmilá, Oranian, Xangô, Iansã, Oxum, Obá, Iemanjá, Oxumaé, Obaluaê, Nanã e Oxalá. Africanos e não africanos têm em comum tendências inatas e um comportamento geral que corresponde às características de um orixá (arquétipos). 

 Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas; serve de intermediário entre os homens e os deuses (chamado de mensageiro, compadre ou homem da rua); suas cores são o vermelho e o preto. Os missionários compararam Exu com o Diabo, símbolo da maldade, porque Exu é astucioso, grosseiro, vaidoso e indecente. Mas Exu possui o seu lado bom; revela-se o mais humano dos orixás, justamente porque não é completamente mau, nem completamente bom. Exu é o arquétipo das pessoas com caráter ambivalente (ao mesmo tempo boas e más), porém com inclinação para a maldade, a obscenidade e a corrupção. 

 Ogum é o deus do ferro, senhor da guerra e dono das estradas, patrono das artes manuais; sua cor é o azul escuro. Sincretizado com Santo Antônio de Pádua (Bahia) e São Jorge (Rio de Janeiro), Ogum é o arquétipo das pessoas violentas, briguentas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vítimas.  

Oxóssi é o deus dos caçadores; veste-se de verde na Angola e de azul-claro no Ketu. Oxóssi é o arquétipo das pessoas espertas, rápidas, sempre alerta e em movimento; pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades; pessoas com senso de responsabilidade e dos cuidados para com a família. 

 Ossain é o deus das plantas medicinais e litúrgicas. O arquétipo de Ossain é o das pessoas de caráter equilibrado, capazes de controlar seus sentimentos e emoções; pessoas com extraordinária reserva de energia criadora e resistência. 

Orunmilá não é um orixá; é o senhor das advinhações; é consultado em caso de dúvida, quando as pessoas têm uma decisão importante a tomar a respeito de uma viagem, de um casamento, de uma compra ou venda; é consultado ainda quando as pessoas querem saber a causa de uma doença. Oranian é o orixá famoso pelas suas numerosas conquistas, rei da terra. 

Xangô, viril e atrevido, senhor do fogo, é o deus justiceiro, o qual castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores; sua cor é o vermelho e o branco; esposo de Iansã, Oxum e Obá. Sincretizado com São Jerônimo, Xangô é o arquétipo das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância real ou suposta; pessoas que sabem guardar um profundo e constante sentimento de justiça. 

 Iansã, de temperamento ardente e impetuoso, guerreira, é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger; sua cor é o vermelho e o branco. Sincretizada com Santa Bárbara, Iansã é o arquétipo das mulheres audaciosas, poderosas e autoritárias; mulheres cujo temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e frequentes. Oxum é a divindade do rio do mesmo nome; controla a fecundidade, daí por que as mulheres que desejam ter filho dirigem-se a ela. 

Oxum é chamada de Ialodê, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade; além disso, ela é a rainha de todos os rios e exerce seu poder sobre a água doce. Sincretizada com Nossa Senhora das Candeias (Bahia) e com Nossa Senhora dos Prazeres (Pernambuco), Oxum é o arquétipo das mulheres graciosas e elegantes com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras; mulheres que são símbolos do charme e da beleza; mulheres que têm grande desejo de ascensão social. 

 Obá é a divindade do rio do mesmo nome; sua cor é o vermelho e o branco. Sincretizada com Santa Catarina, Obá é o arquétipo das mulheres valorosas e incompreendidas; mulheres que, em compensação às frustrações, encontram sucessos materiais, em virtude de sua avidez de ganho e do cuidado de nada perder dos seus bens. 

 Iemanjá é a deusa do mar, das ondas turbulentas, símbolo da maternidade fecunda e nutritiva (mulher de Oxalá, também é chamada de Inaê, Oloxum ou Janaína); suas cores são o azul e o branco. Sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Iemanjá é o arquétipo das mulheres voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes; mulheres que se preocupam com os outros; maternais e sérias; mulheres sem a vaidade de Oxum, mas que gostam do luxo, dos tecidos azuis e vistosos. 

 Oxumaré, símbolo da riqueza, da continuidade e da permanência, é a serpente-arco-íris (é ao mesmo tempo macho e fêmea); ele transporta as águas da Terra para o Céu através do arco-íris; suas cores são o verde e o amarelo. Oxumaré é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos. 

 Obaluaê é o deus da varíola e das doenças contagiosas; pune os malfeitores e insolentes enviando-lhes a varíola; cura ou faz ficar doente (também chamado de Omulu); suas cores são o preto e o branco. Sincretizado com São Lázaro e São Roque (Bahia) e com São Sebastião (Pernambuco e Rio de Janeiro), Obaluaê é o arquétipo das pessoas com tendências masoquistas; pessoas que gostam de exibir seus sofrimentos e suas tristezas, das quais tiram uma satisfação íntima; pessoas que, em certos casos, se sentem capazes de se consagrar ao bem-estar dos outros.

 Nanã é deusa das águas paradas dos lagos e lamacentas dos pântanos. Sincretizada com Sant'Ana, Nanã é o arquétipo das pessoas que agem com calma, benevolência, dignidade e gentileza; das pessoas lentas no cumprimento de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade à sua frente para acabar seus afazeres. 

 Oxalá, o Grande Orixá, o primeiro orixá criado por Olodumaré (conhecido também por "O Rei do Pano Branco"); patrono da fecundidade e da procriação; esposo de Yemanjá; sua cor é o branco. É sincretizado na Bahia com o Senhor do Bonfim. Oxalá é o arquétipo das pessoas calmas e dignas de confiança; das pessoas respeitáveis e reservadas, dotadas de força de vontade inquebrantável.

 Os colonizadores portugueses reprimiram o culto aos orixás, porque o viam como feitiçaria. Os escravos africanos fizeram então a associação dos orixás com os santos católicos, formando o sincretismo religioso de hoje. 

 Jorge Amado, no capítulo Macumba de seu livro Jubiabá, relata uma festa na casa do pai-de-santo Jubiabá: Na sala estavam todos enlouquecidos e dançavam todos ao som dos atabaques, agogôs, chocalhos, cabaças. E os santos dançavam também ao som da velha música da África, dançavam todos os quatro, entre as feitas, ao redor dos ogãs. E eram Oxóssi, o deus da caça, Xangô, o deus do raio e do trovão, Omulu, o deus da bexiga, e Oxalá, o maior de todos, que se espojava no chão. No altar católico que estava num canto da sala, Oxóssi era São Jorge; Xangô, São Jerônimo; Omulu, São Roque; e Oxalá, o Senhor do Bonfim - que é o mais milagroso dos santos da cidade negra da Bahia de Todos os Santos e do pai-de-santo Jubiabá. É o que tem a festa mais bonita, pois a sua festa é toda como se fosse candomblé ou macumba. Esclarece Jorge Amado: na porta da casa do pai-de-santo Jubiabá, negras vendiam acarajé e abará; antes da festa, fizeram o despacho de Exu, o qual foi perturbar outras festas mais longe.


Crônica do dia - O novo em nós - Chico Alencar


Chico Alencar: Professor e deputado federal pelo PSOL Rio -

Calendário é engenhosa invenção para contar o tempo. Sua serventia maior é nos estimular a fazer o balanço do já vivido e estabelecer metas para o que virá.
O tempo da História não é igual ao nosso. Essa ‘senhora’, elegante e distante, não nos dá muita bola. É velha mestra de alunos desatentos, quando não ‘matadores’ de suas aulas! Mas se nem sempre podemos mudar esse mundo tão desigual, que ao menos consigamos nos transformar, no plano pessoal.
Aprendo com pessoas iluminadas, que encontrei na estrada da vida, a caminhar com calma bovina e leveza de passarinho. É necessário ter determinação de onça na ‘caça’ dos nossos ideais, mas combiná-la com a gratuidade do riacho em que ela vai beber água. Só assim não seremos contaminados pela doença do século, a ansiedade. Ser flor do campo, que se basta com sol e chuva, e não inveja os outros elementos. Viver em harmonia: saber-se pedra, árvore, húmus, nada ter a perder. Fraternizar-se com os que têm patas e asas, pulsar com tudo o que pulsa, enquanto o ‘tambor do peito, amigo cordial’ mantiver o ritmo. Como a ave do caminho, cuidar de ser saudável: espírito e matéria na comunhão que a sociedade compartimentada nega. Malha-se o corpo para a vaidade, não para a saúde, e ‘engorda-se’ a alma com antidepressivos.
Chamar de volta o trapezista dos circos da nossa infância: com equilíbrio, nada em nós exagerar ou excluir. Fazer do necessário o suficiente e viver mais simplesmente, para que simplesmente todos possam viver. Resistir ao consumismo que nos consome.
Pés no chão, firmes e suaves, descalços de preconceitos e maledicências, buscar o que nenhuma tecnologia ultramoderna da comunicação oferece: conectar-se ao todo-poderoso Amor! .

Poesia para quem tá apaixonado .....



Velha Infância

Tribalistas

Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...

Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...

Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...

Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...

Você é assim
Um sonho pra mim
Você é assim...
Você é assim...
Você é assim...

-"Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Penso em você
Desde o amanhecer
Até quando me deito
Eu gosto de você
Eu gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor"

É muito bom você saber ......... JORGE AMADO PARA CRIANÇAS



No ano em que se comemora o  centenário dele é interessante saber  .......



O amor entre seres diferentes e a linguagem coloquial, presentes nas obras para adultos do escritor baiano, estão também no centro de suas surpreendentes narrativas infantis A linguagem fluida e lírica e a defesa de valores como igualdade e liberdade fizeram de Jorge Amado um do mais populares escritores. 

 Jorge Amado (1912-2001) é considerado um dos mais populares escritores brasileiros, se não o maior. Algumas de suas personagens extrapolaram os limites dos textos em que suas histórias são narradas para se instalarem, como se fossem pessoas reais, no imaginário de muitos brasileiros. É o caso de Gabriela e Nacib, protagonistas do romance Gabriela, Cravo e Canela (1958). O turista que chega a Ilhéus, na Bahia, logo é convidado a conhecer lugares como o Bar Vesúvio, nos quais essas e outras personagens teriam “vivido” as aventuras impressas no livro.

É preciso lembrar que novelas de televisão, canções populares e filmes de cinema contribuíram para dar estofo quase mítico a personagens como Gabriela, Tieta e Quincas Berro D’Água. Não se pode esquecer, porém, que, antes das adaptações para telinhas e telonas, palcos e tablados, as personagens dos romances de Jorge Amado já eram assunto de conversa de milhares de leitores.

A fama do escritor começou a crescer ainda na década de 1930, quando ele publicou seus primeiros romances: O País do Carnaval (1931), Cacau (1932), Suor (1934), Jubiabá (1935) e Mar Morto (1936). Jubiabá é um marco em sua carreira: traduzido para o francês, tornou-se um sucesso internacional, elogiado por Albert Camus.

Também é um marco em nossa literatura: o protagonista do romance, Antônio Balduíno, é dos primeiros heróis negros da ficção brasileira. Formação política e intelectual

Na época, Jorge Amado vivia no Rio de Janeiro, onde se formara em Direito e fizera amizade com artistas e intelectuais de esquerda, como Raul Bopp, Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre, José Lins do Rego e Vinicius de Moraes.

 Por intermédio de Rachel de Queiroz, aproximou-se do Partido Comunista, do qual se tornou militante. Sensível a problemas como a desigualdade social, tema recorrente em seus romances, exerceu intensa militância política, o que lhe causou perseguições, censuras e até a prisão, durante o Estado Novo (1937-1945).

 O romance Capitães de Areia (1937), publicado naquele período, tem como personagens principais meninos de rua, vítimas do abandono, da miséria e de uma elite que prefere ignorá-los. Em 1945, Jorge Amado foi eleito deputado federal pelo PCB. Um de seus projetos de lei instituiu no País a liberdade de culto religioso. Naquele mesmo ano, conheceu Zélia Gattai, companheira de toda a vida, com quem teve dois filhos, João Jorge e Paloma.

 Quando o filho João Jorge completou 1 ano, em 1948, ganhou de presente do pai o texto O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá. Não eram tempos tranquilos: o PCB fora decretado ilegal, Amado tivera o mandato cassado e a família havia se exilado na França.

Os livros mais engajados do escritor, como a trilogia Os Subterrâneos da Liberdade, foram publicados ao longo dos anos 50, quando ele se fixou na então Tchecoslováquia e viajou pelo Leste Europeu, América Latina e Oriente.

 Após o rompimento com o partido, ainda na década de 1950, a produção literária de Jorge Amado mudou de rumo, embora a denúncia de problemas políticos e sociais não tenha desaparecido de seus livros. No entanto, o humor, a sensualidade, o sincretismo religioso e a miscigenação ganharam maior destaque nas páginas de romances como Tenda dos Milagres (1969) e Tieta do Agreste (1977).

Outro aspecto relevante em obras desse período é o modo natural com que elementos sobrenaturais se imiscuem na vida cotidiana, em livros como A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua (1961) e Dona Flor e seus Dois Maridos (1966).

 Histórias para crianças Em 1976, João Jorge encontrou, em seus guardados, o texto O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá. O livro foi publicado quase 30 anos após sua produção. A improvável história de amor entre o gato e a andorinha seria, mais tarde, adaptada para teatro e balé.

Outra história de amor é o tema de A Bola e o Goleiro (1984). O amor entre seres diferentes, tão constante na obra de Jorge Amado, é o centro de suas histórias para crianças. Nelas, encontramos também a linguagem fluida, coloquial e lírica de seus romances para adultos, assim como a defesa de valores – a liberdade, a igualdade, a autoestima, dentre tantos outros – e o diálogo com paixões e tradições populares, como o futebol e a poesia dos trovadores de rua. Ah, sim: mais tarde, quando adultos, seus alunos aprenderão que Jorge Amado foi membro da Academia Brasileira de Letras.

 A melhor maneira de apresentar-lhes o escritor, por enquanto, é provando o tempero das histórias desse narrador. 


HAI - KAI


Acabou a farra,
formigas mascam
restos de cigarra.


Paulo Leminski

domingo, 1 de janeiro de 2012

Os óculos de Pedro Antão - Machado de Assis


Os Óculos de Pedro Antão

"O amanhã já é hoje."

Machado de Assis na telona


O cinema e a literatura são expressões artísticas distintas, porém com profundas ligações entre si. Em ambas há vida, história, sub-histórias, personagens, espaço geográfico, tempo e um pouco mais. A relação entre ambas estreita-se quando a linguagem literária é adaptada para o cinema, e transformada neste outro universo.
E filmes baseados em romances, peças teatrais, contos, poesia ou letra de música, sempre dão o que falar: ou recebem críticas negativas, ou são exaltados aos extremos, um meio termo é quase impossível. O mundo do cinema envolve atores, direção, música, imagens, movimento, edição, produção, transpiração e inspiração, enquanto que o mundo da literatura abrange apenas a imaginação e retórica do escritor. Não se pode esquecer de que o ato de criar requer inspiração e estímulo em qualquer manifestação artística.
 De qualquer modo, é uma via de mão dupla, um acaba contribuindo ou acrescentando à arte do outro; no caso de adaptação livre, pode radicalmente transformar em nova obra.
Há uma extensa lista de autores nacionais e estrangeiros adaptados para o cinema: O Processo, Fahrenheit 451, Vidas Secas, Anna Karenina, Dom Casmurro, Guerra e Paz, A Grande Arte, A Cartomante, são alguns exemplos deles.
Um dos filmes que assisti recentemente é adaptação do conto de *Machado de Assis "Os Óculos de Pedro Antão", um suspense formidável, e confesso que me causou ótima impressão. Cheio de pontos de virada, ótima pedida para aqueles que gostam de uma boa literatura e curtem cinema.

E eis o resumo dessa história: Pedro recebe uma carta do amigo Mendonça, solicitando sua companhia para uma missão, no mínimo curiosa: acompanhá-lo para abrir a casa que recebera de herança de seu tio Antão, falecido dez meses antes de forma misteriosa. À meia noite, os dois amigos entram no casarão de aspecto lúgubre. Pedro, munindo-se dos elementos que encontra no caminho, compõe, tal qual um detetive, a história do final da vida do finado. Aos poucos ele revela sua conclusão: um romance proibido com uma jovem e um final trágico. Uma escrivaninha trancada é a esperança de Pedro de comprovar sua história. * Mas qual não é a surpresa de ambos ao abrirem a tal escrivaninha?!

Trata-se de uma história instigante, um conto investigativo e a adaptação ficou bem contextualizada e arrematada, um suspense de tirar qualquer mortal do sério, prendendo a atenção do início ao fim, principlamente quando lemos a obra e depois vendo personagens ganhando forma, movimento, cores, expressões fisionômicas transmitindo ação e emoção.
 A escolha do elenco e a direção não poderia ser melhor a esse thriller de mistério que só a genialidade e a criatividade de Machado de Assis para presentear seus leitores com muito bom gosto. Perfeitos! Quem não leu, ou não assistiu, não sabe o que está perdendo.
Essa correlação literatura / cinema é uma ótima forma de **incentivo à leitura. Faz surgir comentários do tipo: “Gostei do filme, agora vou ler o livro.” O clima de suspense prende a atenção, e o expectador-leitor ligam-se aos personagens, tornando-se únicos, investigado e investigador tentando decifrar cada objeto, pessoa e situação que compõe o cenário assustador. Às vezes a obra literária ofusca a cinematográfica e / ou vice-versa.
Em Os Óculos de Pedro Antão, elas se complementam. E a imaginação também ajuda, superando a realidade. Ótima pedida! * Sou fã do imortal, o maior nome da literatura brasileira, um artista da palavra completo. * Está neste conto a maior pegadinha da história da literatura brasileira. Tem que assistir para saber.


** Bom material como suporte à disciplina Literatura Brasileira. Karenina Rostov * Direção e Roteiro: Adolfo Rosenthal Elenco: Michel Bercovitch, Bruno Mello, Karen Marinho, Roberto Pirillo e Luiza Tom "Quero conjugar o verbo amar no presente do indicativo." "Eu aprendi a arte de interpretar as coisas insignificantes."