domingo, 6 de setembro de 2015
Artigo de Opinião - Sem mapas - Cristovam Buarque
As nações precisam de dois mapas de voo: para enfrentar as dificuldades de curto prazo e para orientar os rumos históricos em direção ao futuro. Nós estamos sem qualquer destes dois mapas, e com os pilotos sem credibilidade, pelos equívocos na condução da economia e pelas falsas promessas na campanha, além de incompetência na formulação dos ajustes necessários para corrigir os próprios erros.
No p
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Crônica do Dia - Alunos - leitores, alunos - escritores: o relato de uma experiência - Palmyra Baroni Nunes
Aprender a ler e a escrever, para uma criança, não quer dizer apenas aprender a codificar ou decodificar o código linguístico. A leitura e a escrita vão além, e sua aquisição não se conclui em apenas um ano. Acreditamos que tais atividades fazem parte de um processo que nos acompanha a vida inteira, e quanto mais prazerosas e significativas forem as experiências iniciais dos alunos com a leitura e a escrita melhores leitores e escritores eles se tornarão.
Pensando no processo contínuo da leitura e da escrita e de sua aquisição estar ligada também ao envolvimento do aluno em atividades que tenham significado para ele é que decidimos realizar um trabalho com a intenção de tornar os alunos agentes do processo de aprendizagem e que suas ideias e criatividade fossem valorizadas. O projeto foi realizado com alunos de uma escola pública do segundo ano do Ensino Fundamental, com o título “Alunos-leitores, alunos-escritores”. As experiências anteriores à leitura de palavras e textos foram aproveitadas, pois, de acordo com Paulo Freire, antes da leitura das letras há a leitura de mundo; portanto, a experiência de cada aluno, o relacionamento de cada um com o mundo da leitura e da escrita foi levado em consideração, fato que contribuiu sobremaneira para o aprimoramento dessas práticas.
Para transformar os alunos em alunos-leitores e alunos-escritores, tornei-me professora-autora de pequenas histórias, com o objetivo de que, pelo meu exemplo, eles acreditassem que poderiam ler e escrever suas próprias histórias. A família teve papel fundamental nesse trabalho, pois eram os pais, irmãos, avós, tios que, em casa, ouviam as histórias criadas e contadas pelos alunos na escola e faziam comentários por escrito a respeito delas, pois acreditamos que professores e pais, adultos mais próximos e que participam diretamente do processo de desenvolvimento intelectual e social da criança, devem estar de mãos dadas, formando uma parceria que, de acordo com a nossa experiência nesse trabalho, colheu os primeiros frutos de muitos que viriam a seguir.
Com o projeto, esperávamos que os alunos tivessem maior consciência do processo de leitura e escrita, sentindo-se capazes de ler histórias e de produzir as suas próprias. Além disso, pretendíamos que o foco da aprendizagem fosse o próprio aluno que cria histórias e compartilha suas ideias com outros da turma e com sua família. O trabalho também propiciou maior interação entre leitores e texto e o desenvolvimento de estratégias, promovendo mais consciência e preocupação na construção do sentido dos textos, já que seriam lidos e compartilhados por uma audiência maior, e não apenas o professor.
A valorização do processo de leitura oral esteve presente no trabalho, pois esse tipo de leitura tem por objetivo tornar os alunos contadores de suas histórias, e não meros decodificadores do código linguístico, além de tirar o foco do professor, o que sempre acontece durante a hora do conto nas escolas.
Ao ouvir as histórias dos outros e contar as suas próprias, os alunos se sentiam mais motivados a produzir, pois sabiam que outros estavam interessados em ouvir o que escreveram e não só em corrigir os possíveis erros que cometiam ao ler e escrever. Daí a importância de essas produções chegarem até a família do aluno e de serem comentadas por seus familiares, para que a criança soubesse que não escrevia ou lia só para o professor, mas para se comunicar, expressar suas ideias e compartilhá-las com outras pessoas.
A intervenção do professor durante o processo se deu de forma que os alunos compreendessem que existe um código linguístico padrão, que deve ser respeitado e aprendido; entretanto, a interlíngua do aluno e suas hipóteses com relação à escrita das palavras foram valorizadas, pois não há aprendizagem sem erro e o erro – seja durante a leitura oral ou durante a escrita – pode fornecer ao professor informações imprescindíveis que deverão nortear o seu trabalho, fazendo-o refletir sobre qual o melhor caminho a seguir, o quanto os alunos sabem e quais as dificuldades mais comuns e mais específicas da turma.
Para isso, os desvios ortográficos eram marcados pelo professor e ao aluno era dada a oportunidade de corrigi-los, pela releitura de suas próprias histórias.
Por se tratar de uma turma heterogênea, com alunos em diferentes fases de desenvolvimento de leitura e escrita, houve grande preocupação em promover a interação entre os alunos e seus diferentes saberes. Aqueles que estavam começando a ler e a escrever também eram incentivados a escrever e ler suas histórias, da mesma forma que os outros que já estavam mais adiantados nesse processo. Também tínhamos por objetivo que os alunos escrevessem e lessem histórias por livre e espontânea vontade, tarefas essas que não deveriam ser desenvolvidas somente na escola.
O aumento da consciência dos alunos com relação à leitura e à escrita revelou-se pelas perguntas feitas por eles sobre a escrita correta das palavras, principalmente quando o som era comum a mais de uma letra. Com a leitura oral das histórias, além do desenvolvimento da fluência e precisão, os alunos iam preenchendo as lacunas deixadas com relação à escrita correta das palavras e da formação de ideias coerentes.
Cada aluno possuía um portfólio com todos os textos produzidos desde o início do projeto, para que pudessem perceber seu próprio desenvolvimento e crescimento durante o ano, além de ser o local onde outras pessoas (familiares, por exemplo), faziam anotações de sua impressão sobre os textos.
Para concluir: dentre os objetivos citados, o principal era formar alunos que buscassem recursos para desenvolver suas ideias da melhor forma possível, pela interação com outros alunos, com seus textos, com seus familiares ou com o professor, mostrando aos alunos que escrever de forma coerente e coesa é importante não só para a escola como também para a vida.
Crônica do Dia - A elegância do comportamento - Dráuzio Varella
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
Sobrenome, jóias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
Educação enferruja por falta de uso.
"LEMBRE-SE de que colheremos, infalivelmente aquilo que houvermos semeado.
Se estamos sofrendo, é porque estamos colhendo os frutos amargos das sementeiras errôneas. Fique alerta quanto ao momento presente. Plante apenas sementes de sinceridade e de amor, para colher amanhã os frutos doces da alegria e da felicidade. Cada um colhe, exatamente, aquilo que plantou."
domingo, 30 de agosto de 2015
Artigo de Opinião - O peso do preconceito -
Flávio Fernandes
Há uma minoria no país que é altamente discriminada e que sequer é reconhecida e organizada como uma minoria. Estou falando dos obesos mórbidos.
sábado, 29 de agosto de 2015
Artigo de Opinião - A morte de Eduardo e a maioridade penal
A morte brutal do menino Eduardo de Jesus Ferreira, de apenas 10 anos de idade, no Complexo do Alemão na semana passada, está diretamente relacionada ao debate sobre a redução da maioridade penal. Não há como discutir este assunto sem olhar de perto as condições de vida dos jovens das periferias do Brasil.
Aos 16 anos, Kiko já “puxa um bonde” e assalta diariamente no Centro da cidade.
"Se mudar a lei, tu não tens medo de ser preso, Kiko?"
"Não."
"Tu não tens medo de morrer?"
"Não."
O Kiko não nasceu bandido, tampouco destemido. Ele era um guri bastante amedrontado até… Mas foi ficando esperto com o passar dos anos. Quando ele fez 14 anos, pediu um tênis de 300 reais para o pai, que não pode dar. A mãe ofereceu comprar um de 180, mas ele achou ruim. Saiu de casa à noite, indignado por passar de ano e não ganhar o que queria. Ele nunca mais voltou, e hoje tem uma coleção de calçados, perfumes e roupas. Mas do que isso, ele hoje tem poder. Pouco importa, para Kiko, ser preso aos 16 ou aos 18. Muitos meninos desse mundo não vivem muito. Ele prefere o risco e ter uma vida empoderada. Mulheres e marcas de luxo são exibidas nos bailes funk. Eu acho que ele vai mudar de opinião sobre a morte se um dia estiver sofrendo de dor por conta de um tiro ou uma facada que levar. Ele tem raiva e orgulho. "Pela primeira vez eu tenho poder e sou respeitado. As pessoas sabem meu nome", dizia ele.
Eu tenho certeza que qualquer leitor que conhecer o beco onde Kiko se criou entenderá que ele fez uma escolha moralmente errada, mas não irracional. O lugar é a síntese do conceito de multidimensional da pobreza: falta tudo, absolutamente tudo. E toda essa falta sistêmica está interconectada com o tráfico, a polícia que extorque todos os dias, e o Estado que só se faz aparecer em época de eleição ou por meio da repressão violenta. Kiko tinha nove anos quando viu sua vizinha ser atropelada e ficar agonizando como aqueles animais de estrada que o carro passa e vai embora. Ele tinha as pernas finas, jogava uma pelada e brincava de carrinho quando viu a filha recém-nascida de seu outro vizinho ficar paralisada porque não teve atendimento médico. A menina respira por sondas, mas isso nem sempre funciona bem porque não há energia no local para fazer funcionar o aparelho. O pai da criança deveria receber dinheiro do Estado para a compra de leite especial, mas não recebe e nenhum burocrata dá satisfação alguma.
O Kiko também viu o seu pai chegar ao posto médico de jejum às sete da manhã para um exame, depois de um ano esperando por este dia, e ter sido atendido apenas às nove da noite. Desmaiou de fome. Ninguém levou comida, porque ninguém tinha dinheiro para pegar ônibus e ir até lá. O menino soube que ninguém se importou quando seu pai desmaiou na sala de espera e as atendentes do posto trataram-no como um rato imundo. Ele viu de perto a casa do vizinho pegando fogo, o mesmo vizinho que tem câncer e é também é tratado como um ser de menos valor nos hospitais. Ele viu o tráfico local pagar semanalmente 3500 reais para a polícia. Kiko não teme ser preso porque a prisão, na verdade, é um lugar bem conhecido em sua comunidade.
Preconceito e humilhação de todas as ordens marcaram sua socialização. Hoje, ele diz não ser mais um fracassado e, assim, mostrou sua música preferida, Sem Limites, um funk do MC Duduzinho
Axé, Erê, Senhor, sempre o meu pastor, Nada me faltará e sempre me guardar. Por onde eu andar, não me deixa cair. E se o dia for triste, faça ele sorrir. (…) Eu sei, que a vida não é fácil não. Me desculpe mãe, por essa contra mão. Pedi perdão ao pai, mas ainda estou bem, Pois nessa escola da vida sempre sonhei em ser alguém. Dificuldade pra mim nunca me diminuiu.(…) O covarde vive muito nesse mundo louco. Mas, eu prefiro morrer, pra nascer de novo. Sem limites, eu sempre fui um moleque sem limites. Acostumado a viver no crime, e sem ter hora pra voltar. São Jorge protetor, tem sempre meu valor. Eu tatuei em mim, pra nunca sentir dor. Pai de revoluções, quem crê diga amém. E se ele lutou, eu vou lutar também. Vou fazer rico beijar o pé de quem é pobre. E quem é pobre subir, mas nunca ser esnobe. Eu imagino um vendedor de picolé de praia, Tendo de tudo que há de luxo dentro da sua casa. Quem crê diga amém sempre pro nosso bem, O mundo que nós vivemos é o mesmo do além Não desisti não tu sabe como é que é essas palavras É do grande Chico Xavier.
Eu não estou aqui para dizer que Kiko é uma vítima. Kiko já foi vítima, mas hoje é ele quem faz suas vítimas. Ele conta que a primeira vez que rendeu uma pessoa, tremia dos pés á cabeça, suava frio, sentia pena. Hoje, “age pelo psicológico, botando medo”.
A violência das grandes cidades é um problema gravíssimo. A banalização dos assaltos inibe o direito fundamental de ir e vir de milhões de brasileiros que são rendidos covardemente. Meu ponto nesta discussão é, simplesmente, argumentar que esse quadro não vai mudar com a redução da maioridade penal. Ao contrário: vai piorar.
Encarcerar um menino como Kiko numa penitenciária só vai torná-lo uma pessoa ainda mais fria e destemida. Ele jura nunca ter matado ninguém, mas após uma experiência como a prisão no Brasil, é bem provável que fará isso com certa facilidade. Desde o século 19, é provado que as prisões não diminuem a violência. A redução da maioridade penal só piora um quadro que já é crítico, superlotando celas com milhares de meninos assaltantes que vivem o auge de uma fase da vida em que se descobrem homens, viris, machos. É na juventude que armas e produtos de marca fazem mais sentido do que qualquer outra fase da vida. É um momento de autoafirmação da trajetória. Nega-se a pobreza e a humilhação vivida. Inverte-se o jogo.
Como pesquisadoras de bondes e rolezinhos, eu e minha colega Lúcia Scalco temos observado que, para a maioria dos jovens, essa vida de assaltos, pichação, consumo ostentação e baile funk é uma fase da vida, que passa quando se tornam pais. Muitos meninos podem mudar seu destino. Colocar esses adolescentes junto a infratores mais experientes significa produzir bandidos, e não contê-los. Não acredite que o problema da violência urbana é a impunidade. Os jovens infratores da aprenderam a ser destemidos e sem limites.
A violência urbana é fruto da desigualdade social, o que se soma a um modelo ideológico perverso em que ter é poder. Kiko é apenas um, entre milhares de brasileiros, que sobreviveu e que cansou de ser um ninguém. Hoje, ele reproduz a mesma violência que rodeou a sua vida, a de seus familiares e vizinhos. A violência que ele recebeu na infância na periferia é retribuída à sociedade na transição à vida adulta. É esse ciclo de violência praticada tanto pelo Estado quanto pelo tráfico que precisa ser cortado. E todos nós sabemos disso, então, por que levar adiante essa ideia absurda?
A única metáfora que nos descreve é a do Alienista. Não há mais lugar para aprisionamento. Somos todos parte de uma sociedade violenta, da qual sofremos e reproduzimos todos os dias. Violência urbana só se resolve com política e justiça social.
Rosana Pinheiro - Machado
Te Contei, não ? - Racismo no Brasil: tentativas de disfarce de uma violência explícita
O Brasil foi o último país a abolir a escravidão. Esse fato histórico, aparentemente longínquo, deixou, na verdade, profundas marcas na sociedade brasileira. Para entendê-las, é preciso não esquecer os navios negreiros e os objetos de tortura. É preciso lembrar que a abolição foi lenta. Mas é preciso também pensar o lugar que a ciência ocupou na consolidação do preconceito contra os negros. Para que se lute contra o racismo é preciso primeiramente reconhecer que ele existe. Sem essa “confissão” tira-se do foco o alvo que se quer atingir.
A partir de meados do século XVI e, oficialmente, até 1850 &– data da lei que aboliu o tráfico de escravos negros &–, chegaram ao Brasil milhões de pessoas vindas de diferentes partes do continente africano. Nesse período, a forma de relação com o escravo é muito clara, pois ele é visto como “peça”, tratado como coisa que tem um proprietário: é alugado, vendido, comprado, entra na contabilidade das fazendas ao lado das cabeças de gado, das ferramentas e outros bens materiais.
O panorama geral da escravidão no Brasil, recomposto por vários historiadores, mostra que o regime escravista não foi menos violento do que em outros países. Ao contrário, podemos perceber uma violência cotidiana, multiforme e naturalizada, que nos dá pistas para o entendimento do racismo brasileiro atual.
A esperada cidadania após a abolição não aconteceu e, até hoje, é uma luta constante em uma sociedade em que a desigualdade racial é arraigada e as tentativas de apagar a memória da barbárie contra os escravos são permanentes, quer pela eliminação de documentos, quer pela disseminação do mito da democracia racial.
Pouco depois da Lei Áurea, e já na vigência do regime republicano, mais exatamente em 14 de dezembro de 1890, Ruy Barbosa, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e Presidente do Tribunal do Tesouro Nacional, queimou documentos oficiais que eram prova da escravidão, sob a justificativa de apagar da história do Brasil um período vergonhoso (ver Costa, 1996). No mesmo ano, o Hino à República diz: “Nós nem cremos que escravos outrora/ tenha havido em tão nobre país”. A este respeito, Costa (1996) afirma:
... o Estado apropria-se da História, controla e manipula o entendimento do processo histórico, confunde a noção de temporalidade e impinge o esquecimento. Garante, assim, a continuidade do mesmo sistema sob nova e atual roupagem: sem escravos e, logo depois, sem rei. Para dominar, há que se tornar senhor da memória e do esquecimento. (p. 84)
Mudaram as aparências, mas a essência das relações sociais não mudou. A atitude do Estado para a situação do negro “liberto” sempre foi omissa: a miséria material, a discriminação e a humilhação vividas pelos afrodescendentes são reduzidas à culpa deles mesmos, por meio de uma manobra ideológica que transforma o que é da esfera das relações de poder em algo natural, inerente à raça.2 A ideologia republicana pedia um projeto de nação que, por sua vez, requeria que se repensasse o homem brasileiro. Coube aos cientistas da época fazer esta reflexão.
Raimundo Nina Rodrigues, médico baiano renomado, estudioso do negro e da criminalidade e grande adepto das idéias do antropólogo criminal italiano Cesare Lombroso, foi representante importante das teorias raciais no Brasil. Lutou pela implantação da Medicina Legal nos currículos das Faculdades de Medicina e defendeu a criação de dois códigos penais brasileiros: um para os brancos e outro para os negros, pois pressupunha que as diferenças raciais levavam a diferenças comportamentais e morais tão grandes que não se podiam fazer as mesmas exigências para ambas as raças. Para ele, como para outros cientistas de sua época, a igualdade de direitos e deveres era uma ilusão.
Em Africanos no Brasil, publicado em 1935, destaco um capítulo: “Valor social das raças e povos negros que colonisaram o Brazil, e dos seus descendentes”. O objetivo é pensar a influência do negro na constituição do povo brasileiro, tendo em vista contribuir para a grande questão política daquele momento: a natureza desse povo e suas possibilidades de evolução.
Ao fazer esta discussão, ele contribuiu para a instituição da Antropologia no país, detendo-se no estudo dos povos africanos trazidos para o Brasil: os chamitas, os bantus e os sudanezes. Por considerá-los mais inteligentes e capazes de organização, ele defende a tese de que boa parte dos negros que chegaram ao país tinha razoável nível evolutivo. É assim que Rodrigues, nesse capítulo, consegue conciliar a questão da degeneração e inferioridade do negro - tão divulgada por diferentes autores e reafirmada por ele mesmo - com a possibilidade de pensar sem tanto pessimismo o futuro do país.
Para ele, a inferioridade social do negro é um fato incontestável: “De facto, não é a inferioridade social dos negros que está em discussão. Ninguém se lembrou ainda de contestá-la. E tanto importaria contestar a própria evidência” (Rodrigues, 1935, p. 388). Sua discussão da questão da inferioridade do negro gira em torno da capacidade de civilizar-se desta raça. O ideal de civilização é o de povos da Europa: será que o negro é capaz de civilizar-se como o europeu? Entre as duas versões dominantes &– a que concebe a inferioridade como “transitória e remediável” e a que a vê como inerente à constituição orgânica e, por isso, não há como remediá-la &–, Rodrigues toma o que interessa das duas, de modo a ver saídas para o país, sem negar a hierarquia entre as raças.
Diante de autores que justificam a inferioridade do negro pela “ossificação precoce das suturas craneanas” (Rodrigues, 1935, p. 389) e a tomam como causa da incapacidade dos negros de “assimilar a civilisação dos diversos povos com que estiveram em contacto” e tampouco de “crear cultura própria”, Rodrigues argumenta que a ossificação precoce não é causa da inferioridade, mas é conseqüência desta: “A ossificação será precoce mas não prematura, pois ocorre em tempo e em harmonia com o reduzido desenvolvimento mental de que os povos negros são dotados” (p. 389).
Em relação à impossibilidade de civilização do negro, Rodrigues (1935) afirma que a ciência ainda não tem elementos para respondê-la. No entanto, é categórico na crítica às concepções otimistas de desenvolvimento do negro:
A allegação de que por largo praso viveu a raça branca, a mais culta das secções do genero humano, em condições não menos precarias de atraso e barbaria; o facto de que muitos povos negros já andam bem proximos do que foram os brancos no limiar do periodo historico; mais ainda a crença de que os povos negros mais cultos repetem na Africa a phase da organisação politica medieval das modernas nações européas (Beranger Feraud), não justificam as esperanças de que os negros possam herdar a civilisação europea e, menos ainda, possam attingir a maioridade social no convivio dos povos cultos. (p. 390)
Rodrigues toma existência de níveis de desenvolvimento diferenciados entre os povos negros como prova de que são capazes de civilizar-se. No entanto, por ser muito morosa, o grau de civilização alcançado pelos negros não será o da raça branca. É assim que ele justifica a hierarquia entre raças e se opõe a argumentos igualitários: “A geral desaparição do índio em toda a América, a lenta e gradual sujeição dos povos negros á administração intelligente e exploradora dos povos brancos, tem sido a resposta pratica a essas divagações sentimentaes” (p. 391). Tanto a escravidão do negro quanto a diminuição dos povos indígenas são entendidas como sinais de inferioridade dessas duas raças.
O problema da mestiçagem e de suas conseqüências sobre o atraso do país também é objeto de sua atenção: “quanto de inferioridade lhe advem da difficuldade de civilisar-se por parte da população negra que possue e se de todo fica essa inferioridade compensada pelo mestiçamento” (pp. 391-392).
Para falar da diferença de capacidade de evolução do negro e do branco, Rodrigues (1935) vale-se de autores favoráveis aos grupos negros. Para um deles, o povo negro é degenerado devido a influências desfavoráveis externas, sendo necessários séculos de desenvolvimento para superar a degeneração resultante. A conversão dos negros ao cristianismo não faria com que as características morais (que são transmitidas geneticamente) mudem, pois “o negro convertido rebaixa invariável e necessariamente a nova religião ao nível de sua própria cultura mental” (p. 394). A capacidade de evolução do negro, embora admitida, só ocorre de forma gradual: “pois só quando um passo avante está dado com segurança é que o caráter de raça torna-se firme e capaz de sofrer novo impulso” (p. 394). Assim, não adianta tentar impor a civilização ao negro, porque é importante que ele passe por todas as fases de evolução a fim de que a raça sofra as transformações necessárias para chegar ao estágio de civilização do branco.
Para falar sobre o negro na América, Rodrigues (1935) recorre a autores que defendem a tese de que aqui o negro teve progressos pelo seu convívio com as raças superiores, embora continue sendo culturalmente inferior, situado no estágio infantil de humanidade e, por isso, “não se pode resolver a tratar de igual para igual com uma gente tão inferior a elles, do mesmo modo que o adulto não trata a creança de igual para igual, nem as classes superiores ás inferiores” (p. 396). Negros e crianças têm em comum “a leviandade, o capricho, a impr evidência, a volubilidade, a intelligencia ao mesmo tempo viva e limitada” (p. 395), concepção que teve forte influência sobre Rodrigues, principalmente em sua defesa de um código penal especial para os negros. Mas esse progresso será sempre limitado e inferior ao do branco, pois, segundo estudiosos citados por Rodrigues, o negro só poderia alcançar o branco se o branco perdesse a capacidade de evoluir, hipótese vista como impossível por eles. Por isso, enquanto o branco dá passos largos evolutivos, o negro só consegue dar pequenos passos quando em contato com os civilizados, o que faz com que o atraso em relação ao branco seja irreversível. Assim Rodrigues conclui sobre as vantagens da vinda dos negros para a América, “onde (...) estão collocados em condições de meio e cultura a todos os respeitos mais favoráveis do que os da Africa” (p. 395). Esses autores pressupõem que a convivência com o branco civilizado &– ainda que seja como escravo &– é melhor para o negro do que viver livre em culturas primitivas.
Os autores citados pelo médico baiano têm em comum a crença no processo gradual de civilização das raças - influência clara do evolucionismo social - e no constante atraso a que o negro está irremediavelmente submetido, seja por características biológicas, seja por atraso evolutivo. Não falta a eles esta ambiguidade. A influência do darwinismo social aparece em citações como esta: “O negro principalmente é inferior ao Branco, a começar da massa encephalica que pesa menos e do apparelho mastigatorio que possue caracteres animalescos, até ás faculdades de abstracção, que nelle é tão pobre e tão fraca” (Rodrigues, 1935, p. 396). A contribuição de Rodrigues a esta discussão foi afirmar que uma nação constituída por maioria negra será tanto mais atrasada quanto “mais inferior e degradado tiver sido o elemento africano introduzido pelo trafico” (p. 397). No caso brasileiro, diz ele, não vieram apenas povos africanos degradados, mas também “poucos negros dos mais adiantados e mais do que isso mestiços chamitas convertidos ao Islamismo e provenientes de estados africanos bárbaros sim, porém dos mais adiantados” (p. 398).
Foi assim que esse antropólogo e médico da Bahia fez parte do contigente de “homens de sciencia” que se valeram do que o darwinismo social e o evolucionismo tinham de mais relevante para administrar as questões sociais e políticas do primeiro período da República brasileira.
A partir daí, outros momentos políticos, outras ideologias nas ciências humanas e movimentos sociais em defesa da cidadania levaram à tendência crescente de negar a existência de preconceito racial no Brasil. Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (1933/2003), é uma obra que deu força à crença na democracia racial brasileira. Nesta direção, Schwarcz (1996) apresenta uma pesquisa sobre racismo em que 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito e 98% afirmaram conhecer pessoas preconceituosas, como amigos, namorados e parentes próximos. A partir desses resultados, a autora conclui: “Todo brasileiro se sente como em uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados” (p. 155).
Apesar do discurso que nega ou ameniza a presença do preconceito e da discriminação racial no país, não é difícil ver manifestações de racismo no dia-a-dia da vida social brasileira. Ora ele é escancarado, como nos massacres freqüentes, ora é silencioso, como no olhar policial que põe constantemente os negros sob suspeita. Pesquisa recente concluiu que há diferença de tratamento, por parte da justiça, de brancos e negros. Estes são tratados com mais severidade, desde a instância policial até o tribunal, como se a criminalidade e a possibilidade de “perturbar a ordem social” lhes fosse inerente (ver Adorno, 1996).
Em 2003, o cartaz de uma campanha publicitária contra o uso de drogas dá continuidade à relação entre negritude e criminalidade: a mão que empunha a arma é negra; a que sustenta é branca
Sylvia da Silveira Nunes
domingo, 23 de agosto de 2015
Te Contei, não ? - " O dia em que papai não voltou " - Marcelo Rubens Paiva - Revista Época
As memórias do desaparecimento do pai na ditadura militar estão no novo livro de Marcelo Rubens Paiva, 'Ainda estou aqui', da editora Objetiva. Marcelo e duas irmãs relatam a ÉPOCA o feriado mais triste da infância deles
MARCELO, VERA E ELIANA PAIVA EM DEPOIMENTO A ALINE RIBEIRO
Crônica do Dia - Vontade de votar ? - Walcyr Carrasco
A sensação é de que não adianta nada. Não é somente minha. Com as pessoas com quem converso, a ideia de votar parece inútil. Não é nova, mas acentuou-se nos últimos tempos. Muitas vezes, ao votar, em São Paulo, encontrei gente reclamando. Uma prima disse:
– Já que é feriado, eu queria aproveitar uma praia.
Te Contei, não ? - A África clama por solidariedade - Marcelo Barros
Nós, brasileiros, temos uma dívida social com a África que nos ajudou a construir o nosso país. Depois da guerra, por exigência da justiça internacional, os judeus foram "indenizados" por tudo o que perderam na perseguição nazista. A África nunca foi indenizada pelas invasões, pelo colonialismo e pela estrutura escravagista que seqüestrou milhões de seus filhos. Como crentes no Deus da vida, somos chamados a inventar novas formas de solidariedade que seja força de ressurreição para o continente africano.
sábado, 22 de agosto de 2015
Crônica do Dia - Amor em tempos de 'gadgets' - Flávia Oliveira
Na era da informação, a tecnologia tomou de assalto as relações e virou o terceiro vértice de um triângulo que une e separa casais
O fim de
Crônica do Dia - Netflix produz documentário poderoso sobre Nina Simone - Ricardo Cota
Te Contei, não ? - Estado Islâmico institui estupro como parte de sua doutrina religiosa
Vítima de 12 anos contou que agressor disse que não fazia 'nada de errado'. Segundo terroristas, Corão encoraja ato
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O DIA
Síria - Abusar sexualmente de mulheres deixou de ser apenas parte da "cultura" do Estado Islâmico, que agora foi além e instituiu, nesta quinta-feira, o ato como parte de sua doutrina religiosa. Segundo os terroristas fanáticos, o Corão "congratula e encoraja" aqueles que atacarem mulheres que não sejam muçulmanas.
O comunicado do grupo acontece após uma menina de 12 anos, de etnia yazidi, ser estuprada no Iraque. Na ocasião o agressor declarou que não fazia nada de errado pois a criança não praticava a religião islâmica.

Mulheres de minoria étnica yazidi resgatadas de cativeiro do Estado Islâmico em abril deste ano
Foto: Reuters
A menina de 12 anos conseguiu fugir para um campo de refugiados após 11 meses de cativeiro. "Eu falava para ele que estava me machucando e pedia para, por favor, parar. Ele me disse que o Islã permite que estupre uma descrente", contou ela em entrevista ao "New York Times".
"Ele falou que me estuprar estava o levando para mais perto de Deus", completou a vítima.
Outra vítima, de 15 anos, contou que confrontou seu agressor quando passou por uma situação de horror semelhante. "Ele (o estuprador) me disse que me estuprar era sua oração para Deus. Eu declarei que isso não iria aproximá-lo de Deus, mas ele respondeu que 'não, é permitido'", disse a adolescente.
Cerca de 5 mil mulheres e crianças de minorias étnicas foram sequestradas e feitas escravas sexuais pelo grupo em 2014. Eles chegaram a invadir um vilarejo iraquiano e arrastar crianças e mulheres em carros abertos.
Artigo de Opinião - Fala sério ! - Leda Nagle
Fica tudo por isso mesmo. Seguem todos como se nada houvesse de errado no seu erro. Afinal, quem erra é o outro
Te Contei, não ? - O Quinze
Publicado em 1930, o romance O Quinze, de Rachel de Queiroz, renovou a ficção regionalista. Possui cenas e episódios característicos da região, com a procissão de pedir chuva, são traços descritivos da condição do retirante. O sentido reivindicatório, entretanto não traz soluções prontas, preferindo apontar os males da região através de observação narrativa.
Artigo de Opinião - A maldição de Pinóquio e a sociedade da mentira
São muitos os Pinóquios com narizes que tentam furar os olhos da sociedade para cegá-la
Artigo de Opinião - Terceirização de escolas como solução do ensino
Não se trata de uma experiência de transformação de uma escola pública numa unidade de ensino particular simplesmente por causa deste gestor autônomo
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Artigo de Opinião - Conciliação ou Ruptura - Arnaldo Bloch
A atual conjuntura, que tem a ma-fé do endemoninhado Eduardo Cunha no centro do forno da nação, sugere, pede, implora, por moderação
Conciliação e ruptura são duas palavras que marcam a história de qualquer país, e especialmente a do Brasil desde a redemocratização. Na iminência da primeira eleição de Lula, o medo da ruptura (de contratos, de direitos adquiridos, de ordem institucional, de sistema de governo, de laços com o empresariado ou da estabilidade conquistada nos mandatos de FH, com uma possível volta da inflação desenfreada) assombrou a classe dominante, e Regina Duarte foi a porta-voz destes temores.
Temores aplacados com a famosa “Carta ao povo brasileiro”, que Lula, em linhas gerais, cumpriu, e foi além: com uma popularidade que resvalava nos 90%, podia ter taxado fortunas, por exemplo, entre outras medidas que boa parte do capital estava até admitindo de razoável grado, desde que as regras do jogo básico não fossem feridas.
Pois bem. Do ponto de vista econômico, Lula governou em três faces: a face do continuísmo, mantendo a estabilidade e os alicerces do Real e da política monetária (depois, meio que puxando para o seu lado a sardinha da invenção da nova moeda); a face conciliadora, através da qual mostrou que não apenas não romperia as regras, mas realizaria os sonhos dos bancos e trataria a elite com as melhores benesses, irritando correligionários; e a face distributivista, através do programa Bolsa-Família, que diminuiu a pobreza e trouxe para a faixa do consumo aquela que ficou conhecida como Nova Classe C (depois, foi reivindicada pelo PSDB, cujo programa-protótipo, com outro nome, contudo, não tinha a amplitude que o tornou efetivo sob nova batuta). Por outro lado, Lula promoveu um grave retrocesso político através de outro tipo de conciliação: o PT, partido que nasce sob a égide da ruptura, trocaria a ruptura pela instalação de uma república sindical. Se não é possível mudar o regime, que sejamos pagos por nossas lutas para levar a classe trabalhadora ao paraíso. Se o paraíso não pode de fato ser concedido à classe trabalhadora, que nos seja concedido, e depois veremos o que se pode fazer.
Isso não bastou: nas mãos de uma troika de ideólogos, o aparelhamento do Estado foi usado para aparelhar também o Congresso, através da compra da base aliada e de um outro sistema distributivo que emporcalhou o grande orgulho nacional que representava a Petrobras — que já era a emporcalhadora de nossos mares mas, até então, aparentemente ilibada do ponto de vista de seus usos e costumes, e um colosso do ponto de vista econômico e financeiro.
Dilma, que sucedeu Lula, herdou parte desses malfeitos. Isso, contudo, não exclui o fato de que os anos FH-Lula tiveram algo em comum: neles, o país esteve sob condução de governantes. Cada um, à sua maneira, contribuiu para um ciclo socioeconômico positivo, teve seus percalços, enfrentou crises, fez bobagens, mas atravessou seu período tendo o país sob as rédeas. O quanto foram bons ou ruins os dois governos (penso que ambos foram, essencialmente, bons) fica ao critério de cada um, mais ou menos parcial, de acordo com seu juízo, sua convicção política, sua consciência, seus gostos, seus preconceitos. O que é claro é que Dilma, diferentemente de seus antecessores, é má governante. É inepta. É forte de caráter, forte de biografia, forte de coragem, mas fraca de recursos mentais, de ouvido, de jogo de cintura, de discurso. Por que Lula a escolheu? Dizem que para evitar que um nome petista forte arriscasse seu legado com um grande governo, ameaçando seu retorno adiante. É a tese do poste. Seja como for, deu errado.
A questão que se propõe agora nos remete, de novo, ao binômio “conciliação ou ruptura”. É caso de se empurrar a presidente janela afora? Se pensarmos no impeachment de Collor, que teve, é claro, beneficiários políticos, será impossível esquecer que, por outro lado, ali o imperativo era moral acima de tudo: o país se vestiu e se pintou de preto quando o presidente convocou uma festa verde-amarela. A desfaçatez individual do caçador de marajás (ou de maracujás, como alertara Lula) estava na cara, comprovada. Impeachment era o que mais cabia ali.
Não é o caso de Dilma. Não ainda. E a atual conjuntura político-parlamentar — que tem a ma-fé do endemoninhado Eduardo Cunha no centro do forno da nação — sugere, pede, clama, implora, por moderação, não só por parte da classe política, mas de todos os que, neste momento, opinam e têm o poder, assim, de lançar fagulhas no perigoso caldeirão da ruptura. Aparentemente, vêm os primeiros sinais de fumaça, sejam eles da parte dos honestos, dos investigados, dos fisiologistas, da oposição, de que o caminho deve passar pela conciliação, e que o Brasil deve se unir e apontar para um tipo de evolução que olha para a História e se recorda de que a herança maldita data de 515 anos. Não uma década.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/conciliacao-ou-ruptura-17190316#ixzz3jDXp4yHM
domingo, 16 de agosto de 2015
Te Contei, não ? - A Farsa de Inês Pereira
Tendo como mote um ditado popular, “mais vale asno que me leve que cavalo que me derrube”, Gil Vicente escreveu esta comédia de costumes retratando o comportamento amoral da degradante sociedade da época.
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