quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Crônica do Dia - A mulher troféu - Walcyr Carrasco

Tenho amigos que gostam de exibir a mulher. São homens maduros que entram em crise no casamento de muitos anos. E apaixonam-se por outra mais jovem. Conheço um empresário que teve um caso com a secretária. Pagou novos seios de silicone para a nova paixão. Plástica total no rosto. Transformada em sex symbol, a secretária foi promovida a diretora. Ganhou carro e apartamento. Orgulhoso, ele a exibia diante dos funcionários. A mulher, elegante e refinada, descobriu tudo. Separaram-se. Mas a secretária já era casada. Na loucura da paixão, o empresário teve problemas financeiros. Hoje vive sozinho numa casa alugada. A secretária continua com o marido. Mesmo assim, ele não se arrepende. Mostra fotos dela, de peito inchado:
–Vejam só que mulher!
Sempre acreditei que um relacionamento vive de afinidades. Hoje vejo que alguns são alicerçados no exibicionismo masculino. Um grande empresário paulistano, apesar da idade, cerca-se de garotinhas. Suponho que a maior parte delas recebe um “presente” a cada encontro. Durante certa época, ele oferecia um carro a cada namorada do momento. Eram tantas que, dizia-se, tinha conta corrente na concessionária. A vida é dele. Se é feliz assim, não é problema meu. Eu me admirava com o prazer que esse senhor tinha em ser fotografado ao lado das moçoilas. Bem, pelo menos uma prova de sanidade ele deu: não se casou com nenhuma. Há casos em que o madurão não só se apaixona como se casa com a bonitona. Nada contra. O amor é possível em qualquer situação, e a diferença de idade não quer dizer coisa alguma. Mas é surpreendente. Boa parte dessas relações, assim que nasce uma criança, termina no tribunal, com a moça exigindo pensão e boa parte do patrimônio. Na verdade, nesses casos, tenho pena é da criança.
Uma vez fui visitar um casal. Ele, advogado. Ela, precocemente aposentada da carreira de sexy simbol. Às tantas, ele puxou o assunto:
– Sabe que ela já posou nua?
Claro que eu sabia. Mas fiz expressão de surpresa.
– Não diga!
Ele foi até o quarto. Voltou com a revista, já bastante manuseada.
– Olhe aqui.
Mostrou as fotos orgulhoso.
– Quando nos casamos, ela havia acabado de posar.
O que dizer para um marido que exibe as fotos da esposa nua? Nenhum livro de etiqueta explica! Exclamei:
– Que corpo perfeito!
Como sou autor de novelas, ambos viram, na minha admiração, uma oportunidade.
– Leve a revista, disse ele. Tenho outras.
– Mas... mas...
– Eu autografo!, ela se ofereceu, animadíssima, cruzando as pernas no shortinho minúsculo.
E me deu a revista orgulhosa.
Quando me despedi, o marido ainda deu a ideia:
– Quem sabe você bota minha mulher nua numa novela, hein?
Quando conto essas histórias, muita gente acha que só acontecem no meio artístico. Coisa nenhuma. Acredito que seja mais frequente no mundo empresarial e entre altos executivos. Afinal, é onde rola mais dinheiro. Nem acho que as maiores culpadas sejam as garotas. Muitas delas, vindo da classe média baixa, são criadas para encontrar um príncipe encantado. Para elas, um príncipe barrigudo e grisalho não é tão ruim assim. Estão acostumadas com a ideia desde a adolescência. Além disso, muitos homens também mantêm a boa forma. Algumas até devem sentir-se surpresas quando o marido gosta que saiam vestidas de piriguetes. Outras, mais espertas, acham que faz parte do acordo. Já vi isso acontecer em todo lugar. Até mesmo há alguns anos no Hotel Ritz, em Paris, numa ceia de Natal. Um senhor maduro degustava a refeição ao lado de uma jovem quase nua, de tão curta a saia e grande o decote. De vez em quando, ele olhava para as outras mesas, com ar vitorioso.
Atualmente, há uma tendência entre algumas mulheres de se comportar de maneira semelhante. São profissionais de sucesso que se relacionam com um garotão. O musculoso faz o mesmo papel da piriguete. Ou também não trabalha ou tem um emprego mais leve, distante da concorrência selvagem das grandes empresas. Elas também se exibem para as amigas:
–Viu meu gato?
É um risco abandonar a companhia de anos, com quem se divide a vida. Principalmente em troca de um troféu que parece ridículo para quem tem bom-senso. O que mais me espanta é ouvir esses homens e mulheres narrando fatos para provar que a bonitona ou o rapagão estão realmente apaixonados. Já dizia Nelson Rodrigues que dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro. Mas, certamente, é outra qualidade de amor. 

Revista Época

Gente que transforma - Uma fortaleza contra o crack

PROPÓSITO Maria Eulina Hilsenbeck e uma das assistidas pelo Clube de Mães. A ONG oferece alimentação e oficinas técnicas a moradores de rua (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)


Boaventura tinha fome. Aos 17 anos, o rapaz saíra da casa dos pais, em Mato Grosso, e fora para São Paulo morar com uma tia. O plano inicial, completar o ensino médio e trabalhar, logo foi abandonado. “Minha família achava que eu estava estudando, mas passava o dia usando droga e me prostituindo”, diz. Viciou-se em crack e morou nas ruas por três anos. Um dia, descobriu que serviam comida num casarão em formato de castelo, na Rua Apa, no centro de São Paulo. O Clube de Mães chega a reunir 100 pessoas nos almoços de sábado. São moradores de rua, a maioria vinda da área próxima apelidada de Cracolândia. Sua fundadora, Maria Eulina Hilsenbeck, recebe quem vem em busca de comida e tenta oferecer algo mais. Conversa com vários dos visitantes e encaminha os interessados a albergues. Alguns passam a participar das oficinas promovidas pela ONG durante a semana.
Faz cinco anos que Boaventura entrou no almoço que, provavelmente, salvou sua vida. “Viciado em crack não quer nada com nada, mas a Maria Eulina me deixou entrar mesmo assim”, diz. Eulina não se imagina agindo de outra forma. Ela criou o Clube em 1993, com a proposta de orientar as mães de áreas pobres e violentas. Logo passou a oferecer refeições grátis e cursos baratos aos interessados. Em 2009, a ONG foi obrigada a se reinventar, diante do avanço devastador do crack.
Eulina percebeu o poder destrutivo da nova droga desde o final dos anos 1990. Em 2005, a Secretaria Nacional de Políticas Contra Drogas calculava que 1,29 milhão de pessoas já a experimentaram. “Vi crianças acendendo um cachimbo de crack na minha esquina”, afirma Eulina. “Não podia deixar de me envolver, nem que fosse para salvar um ou dois.”
O índice de sucesso na recuperação desses dependentes é baixo. O tratamento pede recursos, equipes multidisciplinares e atuação em rede de vários tipos de instituições, diz a psiquiatra Ana Célia Marques, da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead). A síndrome de abstinência, se mal diagnosticada, pode causar demência. Entre os desafios antigos e graves com que já lidava – alcoolismo, abandono, falta de expectativas – e o novo, Eulina escolheu enfrentar o mais difícil. “O dependente de álcool, em alguns momentos, recobra a razão. O crack não dá trégua”, diz.
Há três anos, o Clube passou a se dedicar apenas a moradores de rua. Fechou os demais cursos, pagos, e manteve apenas oficinas gratuitas para esse grupo, como as de costura. Elas resultam em sacolas, bolsas e brindes, feitos com material reciclado e vendido a empresas. McDonald’s e Pão de Açúcar estão entre os parceiros eventuais. A ONG conta com dois funcionários e dois voluntários, além de Eulina. Não tem condições de lidar com casos mais graves. Os que pedem são encaminhados para tratamento. Eulina calcula que, desde 2002, o Clube tenha ajudado 2 mil pessoas a deixar drogas variadas.
Deixar de ministrar cursos pagos teve consequências. O Clube deve R$ 48 mil. Eulina não se arrepende da decisão e considera o trabalho na ONG uma extensão de sua própria história. Ela nasceu no Maranhão e foi para São Paulo aos 20 anos. Viveu dois anos nas ruas. Às vezes, escondia-se no Castelinho. O lugar estava abandonado desde 1937. Um dia, uma desconhecida ofereceu abrigo e emprego de assistente. No trabalho, Eulina conheceu o futuro marido, que a ajudou a reorganizar a vida. Ela decidiu ajudar quem precisava. O governo estadual admitiu a ONG no Castelinho em 1996.
Inquieta, Eulina se prepara para um novo desafio. Desde 1o de agosto, 20 pessoas que participaram das oficinas do Clube assumiram a coleta seletiva do Mercado Municipal Paulistano, o Mercadão. A renda com as vendas será dividida entre os trabalhadores. A administração do Mercado se encantou com o projeto. “Nos sete anos em que trabalho aqui, o Clube foi a única ONG que não me pediu mais nada – só trabalho”, diz o supervisor de abastecimento José Roberto Graziani.
Boaventura, que chegou ao Clube em 2007 atrás de comida, participou das oficinas por sete meses. Foi encaminhado para tratamento. Tornou-se atendente na clínica de reabilitação e se matriculou num curso superior. Ele se mantém em tratamento até hoje. Eulina se lembra dele com orgulho: “Fico muito feliz de ver a vida deles decolando”.  

Meu erro - "Comecei a fumar"


Alexandre  Borges Ator, 46 anos. Atuou em mais de 25 filmes, seis peças de teatro e em mais de 20 novelas. É o Cadinho, da novela Avenida Brasil, da TV Globo  (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)

"Meu maior erro foi ter fumado o primeiro cigarro, aos 24 anos. É um erro do qual me arrependo, mas não consertei. Ainda não consegui parar.
Venho de uma geração que não era completamente informada sobre os perigos do cigarro. Fumar era charmoso, principalmente no meio do teatro e do cinema. Comecei quando fui morar um ano e meio em Portugal, no início dos anos 1990. Fazia parte de um grupo de teatro chamado Boi Voador. O diretor foi convidado para levar a peça Gota d’água, de Chico Buarque, para o país. Fui como assistente de direção e acabei ficando por lá. Morei no Porto. Ao contrário do Brasil, alegre e tropical, Portugal tem um clima de melancolia, uma coisa bem Fernando Pessoa. Fado, bar, café, vinho e cigarro. Naquela época, era um lugar em que se fumava muito. Tinha uma ideia romântica do cigarro. Como se ele estivesse ligado à criação, ao pensamento, à poesia. Essa boemia me fascina tanto que hoje estou fazendo um projeto chamado Poema Bar, em que recito Fernando Pessoa e Vinícius de Moraes, acompanhado por um pianista que toca fado e clássicos.

Não estou enaltecendo o cigarro. Quero parar mesmo. Já consegui ficar sem ele durante um ano. Logo depois, em 1998, fiz uma peça – mais uma vez em Portugal! – e tive de fumar no palco. Comprei um cigarro de ginseng, mais natural. Só que fedia. Comprei um normal e não larguei mais. Hoje fumo um maço por dia. Minha vida de fumante não é escancarada. Nunca fumo dentro de casa. Vou sempre para o terraço ou para a janela. Também não me desespero por ficar sem fumar num avião, durante 12 horas. Aguento bem.

Sou o único fumante de casa. A cobrança para parar vem de todo lugar. Na rua, as pessoas me falam “o cigarro vai te matar” ou “fumei durante 50 anos, não faça isso!”. Ando sempre com um chicletinho. Escovo o dente depois ou bochecho. Não estou em processo de parar de fumar ainda, mas não quero ser um velhinho tossindo o tempo todo. Acho legal assumir esse erro, porque não é saudável e traz consequências terríveis. Para me manter saudável, ando sempre na Lagoa e faço caratê há sete anos. Sou faixa roxa. Minha mulher, Júlia (Lemmertz), se preocupa com a comida aqui de casa. Tem sempre legumes por causa do meu filho Miguel. Comemos castanha e granola, essas coisas saudáveis. Eu me cuido em tudo o que é possível e um dia vou parar com o cigarro.

O melhor é não começar, não fumar o primeiro maço. É muito difícil largar. E sempre tem um gatilho para voltar. Um cigarrinho na hora de ler o texto e decorar. Mais um para espantar um pouco o tédio, a solidão e a carência. Acho ótimo que hoje os jovens tenham consciência sobre os males do cigarro e que seja proibido fumar em lugares fechados. Concordo com tudo. O problema é a facilidade para comprar. Até menores de idade conseguem. Acho importante dar esse depoimento para os jovens e também para os fumantes. Taí um erro que vale superar."

Visitando José de Alencar - Cinco Minutos




José de Alencar um advogado, jornalista, político, orador, romancista e teatrólogo. Nasceu em Mecejana, Ceará, em 10 de maio de 1829, e faleceu no Rio de Janeiro de tuberculose aos 48 anos de idade, em 12 de dezembro de 1877.
Era filho do padre, depois senador, José Martiniano de Alencar e de sua prima Ana Josefina de Alencar, com quem formara uma união socialmente bem aceita, desligando-se bem cedo de qualquer atividade sacerdotal. E neto, pelo lado paterno, do comerciante português José Gonçalves dos Santos e de D. Bárbara de Alencar, matrona pernambucana que se consagraria heroína da revolução de 1817. Ela e o filho José Martiniano, então seminarista no Crato, passaram quatro anos presos na Bahia, pela adesão ao movimento revolucionário irrompido em Pernambuco.
        Sua obra é da mais alta significação nas letras brasileiras, não só pela seriedade, ciência e consciência técnica e artesanal com que a escreveu, mas também pelas sugestões e soluções que ofereceu, facilitando a tarefa da nacionalização da literatura no Brasil e da consolidação do romance brasileiro, do qual foi o verdadeiro criador. Sendo a primeira figura das nossas letras, foi chamado "o patriarca da literatura brasileira". Algumas das obras de José de Alencar são: Cinco Minutos, Lucíola, O Guarani, A pata da gazela entre muitas outras. Mas só vou falar da obra Cinco Minutos.
        Em 1856, José de Alencar publicou o seu primeiro romance conhecido: Cinco Minutos. Os personagens deste livro são: o Protagonista que também é narrador, pois conta a história em primeira pessoa, não é citado seu nome. A história gira em torno do amor que ele sente por Carlota e a sede que sente em revê-la e estar ao seu lado      , a outra personagem se chama Carlota: antagonista no começo, porque ela mesma impede o personagem principal de encontra-la, pois pensa ter uma doença incurável e não quer faze-lo sofrer, mas logo se rende ao amor dele. E os outros eram personagens secundárias e planas: a prima a quem a carta que contém a história é endereçada, a mãe de Carlota e o velho da canoa.
        A história passa no Rio de Janeiro, em Petrópolis, Minas Gerais onde eles se estabelecem no fim, além de vários países da Europa. O ambiente: Calmo no começo e no fim. Doentio quando ele procura saber a identidade de sua amada e quando ele tenta chegar rápido ao Rio de Janeiro.
Cinco Minutos conta a história do casamento do autor com Carlota. No entanto, para o leitor, parece que está escutando uma história que não é para ele, já que Alencar dirige seu texto a uma prima. O leitor aqui é uma terceira pessoa, que fica entre José de Alencar e sua prima.
Ao mesmo tempo em que tenta levar o leitor a pensar que tudo é imaginário e faz parte das fantasias do autor, José de Alencar faz questão de narrar fatos verídicos da época, acontecimentos reais que marcaram o Rio de Janeiro no início do século. É tão minucioso nesse aspecto que até narra datas e horários entre outras.
Atualmente as histórias do autor romântico passam como que quase infantis e ingênuas para o leitor moderno. São narrações em que o amor sempre vence, decisões passionais de amantes, amor e amor e amor. À época, os folhetins eram lidos pelas senhoras burgueses. Exagerando-se um pouco na dose, poderíamos dizer que Alencar lembra remotamente, os livrinhos que embalam os sonhos de moças solteiras, no entanto não se pode deixar de dizer que sua escrita, linguagem, e modo estilizo são de extrema qualidade. 
O enredo da história se divide assim:
- Situação inicial: O protagonista é um homem fútil que não sabe o que é paixão, e vive uma vida rotineira e melancólica. Carlota, menina adoentada de 16 anos, o ama anonimamente, seguindo-o em festas e nas ruas.
- Motivo desequilibrado: A história muda a partir do momento em que ele se atrasa cinco minutos e perde seu ônibus. Ao ter que tomar outro ônibus acaba encontrando Carlota, que não conhece fisicamente ou socialmente, mas que se torna uma obsessão em sua mente.
- Clímax: O momento culminante é quando ela revela sua identidade, sua doença e seu amor por ele, mas logo em seguida o abandona, deixando-o com a escolha de ir ao seu encontro e presenciar seus últimos dias ou esquece-la e não ver seu sofrimento.
- Desfecho final: A volta do equilíbrio acontece quando ela se cura de sua doença e eles voltam casados da viagem e se estabelecem em “uma linda casa, toda alva e louçã”, que fica fora da cidade e “vivem felizes para sempre”.
                                              


Contribuição da aluna Ana Elisa Lana Marinho Turma 801 / 2012

Editorial - - EDUCAÇÃO EM MARCHA LENTA - Carlos José Marques

Novas e más surpresas marcaram a divulgação do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na semana passada. Pelos dados, o ensino médio brasileiro ficou estagnado. Pior: no universo das escolas particulares os números estão abaixo do estabelecido como meta pelo governo. Diante do quadro desanimador, o MEC planeja lançar uma operação de emergência mudando o currículo exigido. A ideia é reduzir a quantidade de disciplinas para reforçar a qualidade do aprendizado. Na prática é como tapar o sol com a peneira. A educação segue em ritmo lento, precário, no País devido a uma série de fatores, entre os quais o planejamento equivocado de seu desenvolvimento. No campo das universidades, por exemplo, desde 2007 se investiu muito na ampliação do número de vagas, deixando de lado a capacitação de professores e mesmo a infraestrutura necessária para a formação adequada dos alunos, como bibliotecas e laboratórios de ponta. Colocado como um plano de reestruturação universitária, visando à expansão do acesso dos brasileiros ao nível superior, o Reuni pecou em fundamentos básicos e acabou por abrir ainda mais o abismo entre as instituições de ensino de boa e má qualidade. Uma outra medida de caráter discutível começa a ser debatida no âmbito federal. É a que trata da ampliação das cotas universitárias. O objetivo do governo é obrigar todas as faculdades públicas a reservarem ao menos 50% de suas vagas para alunos oriundos de escolas públicas. Essas faculdades são em geral as mais disputadas por todos os candidatos e, devido à diferença na qualidade do ensino, estudantes de colégios particulares normalmente são mais bem-sucedidos nas provas de admissão. Mudar esse panorama requer, em primeiro lugar, um maior preparo dos aspirantes trazidos da rede pública para que não haja descompasso deles com os candidatos das instituições particulares em relação ao conteúdo oferecido no nível superior. O MEC quer, por isso mesmo, adotar o sistema de aulas de reforço para os estudantes cotistas que vão se habilitar às federais. Tais alunos precisam ter um mínimo de conhecimento para atenderem às exigências dos cursos pretendidos. Tudo isso custa dinheiro e a expectativa é de que o Senado vote o quanto antes o projeto de lei, já em tramitação na Câmara, que garante o investimento de 10% do PIB na educação. Lamentavelmente, pela demora nas negociações partidárias até aqui, essa proposta ainda está longe de se tornar realidade. 


Revista Isto É

Bom saber - Onde a lição de casa foi benfeira


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Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgados na semana passada mostram que a educação no ensino médio é um gargalo que o Brasil precisa enfrentar logo. Principal ferramenta usada pelo governo para avaliar a evolução educacional, o Ideb nesse nível de ensino ficou estagnado entre 2009 e 2011, o que motivou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a anunciar mudanças para breve. Enquanto no governo federal as planilhas geravam preocupação, em dois Estados os dados eram motivo de festa. Em Goiás e no Rio de Janeiro, o Ideb de 2011 revelou melhorias significativas na rede estadual. Na última medição, em 2009, o Rio de Janeiro amargava a penúltima posição do ranking por Estados no ensino médio. Com o segundo maior orçamento nacional, atrás apenas de São Paulo, o Rio não conseguia transformar seus recursos em qualidade na educação. Goiás aparecia um pouco melhor na lista, em 16º lugar, mas também abaixo da média nacional.
Com a eficiência de suas gestões reprovadas, os dois Estados resolveram mudar. A primeira alteração foi no comando das pastas de educação. Novos secretários foram chamados para assumir o posto: Wilson Risolia Rodrigues, no Rio de Janeiro, e Thiago Mello Peixoto da Silveira, em Goiás. “Quando cheguei, encontrei uma grande defasagem entre idade e série e um acúmulo do déficit de aprendizagem dos alunos nas séries de transição, em especial no ensino médio”, conta Rodrigues. Fazer a lição de casa foi o passo seguinte dos Estados após constatar as falhas. Ambos passaram a investir pesado em sistemas próprios de avaliação, por meio de provas bimestrais. “Sei exatamente quais são os alunos que estão com dificuldade e posso encaminhá-los imediatamente para o reforço, evitando a reprovação no fim do ano”, diz Wannessa Cardoso, diretora do Colégio Estadual Professor José dos Reis Mendes. A escola, com 1,6 mil alunos, fica em um bairro pobre de Trindade, na região metropolitana de Goiânia, e é a que mais tem avançado segundo o sistema de avaliação do Estado.

Outra iniciativa comum a Rio e Goiás é a existência de conteúdos mínimos, questão trazida à tona na semana passada pelo ministro Mercadante, que pretende criar um currículo-base nacional. No Rio, isso já funciona e, em Goiás, deve entrar em vigor a partir de 2013 – atualmente, na rede estadual goiana existem cargas horárias mínimas para as disciplinas de português, matemática e ciências. “Muita gente condena a ideia do currículo mínimo dizendo que se perderia a autonomia do professor, mas essa autonomia está no modo como o docente ensina, e não no conteúdo que ele precisa passar para seus alunos”, avalia Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação. Além de estabelecer o que deve ser ensinado, resta o desafio de fazer o jovem se interessar pelo que lhe é passado em sala de aula. Nesse sentido, um bom exemplo vem sendo implantado no Rio com o programa Dupla Escola, no qual instituições mantidas pelo governo em parceria com a iniciativa privada combinam as disciplinas obrigatórias com a formação técnica para profissões em que há demanda reprimida no Estado. “Assim, os alunos conseguem entender para que estão estudando e se interessam mais”, acredita Marta Luna, diretora do Núcleo Avançado em Tecnologia de Alimentos, em São Gonçalo. O colégio é um dos 12 onde o modelo foi implantado e pretende-se que até o próximo ano todas as escolas estaduais fluminenses de ensino médio sigam o formato.
Rio e Goiás também fizeram outra importante alteração em suas redes de ensino: decretaram o fim da indicação política para o cargo de diretor. “Agora, quem quer ser diretor, faz uma prova. Se selecionado, propõe um plano de gestão para a escola e a comunidade escolar irá escolher, por eleição, qual o melhor plano”, explica Thiago Silveira, de Goiás. O resultado prático é um profissional mais bem preparado. “A experiência desses Estados mostra alguns caminhos interessantes”, avalia Lina Kátia Mesquita, coordenadora do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora – uma referência em gestão da educação e com projetos junto aos dois Estados. São exemplos de que não é preciso inventar a roda para avançar. Basta fazer bem a lição de casa.
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Te Contei, não ? - Tesouros ameaçados


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Considerada o berço da democracia, da filosofia ocidental e das artes cênicas, a Grécia possui uma das maiores e mais importantes heranças culturais do mundo. Seus milhares de sítios arqueológicos e monumentos, além dos mais de 200 museus, contemplam criações arquitetônicas e artísticas que representam cinco mil anos de civilização. Esse patrimônio extraordinário, capaz de atrair em média 16 milhões de visitantes ao ano, no entanto, encontra-se ameaçado. Por causa da crise econômica que assola a Europa, e especialmente a Grécia, o governo grego cortou em 35% o orçamento para o Ministério da Cultura e Turismo, órgão responsável pela manutenção do espólio cultural do país. Como reflexo dessa medida, sítios arqueológicos e museus estão sofrendo com roubos, saques e explorações clandestinas, enquanto faltam profissionais para monitorar esses locais.
O alerta para a gravidade da situação foi dado pela Associação de Arqueólogos Gregos. Segundo eles, dois mil funcionários do Ministério da Cultura e do Turismo foram demitidos e os arqueólogos que trabalham para o Estado sofreram cortes salariais que vão de 10% a 40% no último ano. Novas escavações foram suspensas por falta de verbas, enquanto alguns dos principais pontos turísticos do país estão fechando mais cedo, às 15h, porque não há vigilantes noturnos em número suficiente. É o caso da famosa Acrópole e do Museu Arqueológico de Atenas. O déficit de mão de obra acaba por facilitar a ação de ladrões, que estão saqueando sítios arqueológicos em busca de tesouros – um negócio lucrativo em tempos de crise – ou roubando o acervo de consagrados museus. Em fevereiro, o Museu de Olímpia, cidade onde nasceram os Jogos Olímpicos, teve algumas cerâmicas e peças de bronze roubadas. No mês anterior, quadros de Picasso (1881-1973) e Mondrian (1872-1944) foram levados da Galeria Nacional de Atenas, enquanto os funcionários do local faziam greve por melhores salários.
O problema estrutural, que coloca em risco a herança helênica, também prejudica a pesquisa de arqueólogos brasileiros que atuam no país. “Muitos de nós precisam ter acesso a sítios arqueológicos menos conhecidos, mas neste momento de crise eles estão fechados por falta de pessoal que cuide da área”, diz Lilian de Angelo Laky, doutoranda em arqueologia grega pela Universidade de São Paulo (USP). “A saída para essa crise são os investimentos estrangeiros que, ao menos desde o final do século XIX, vêm sendo aplicados em pesquisas sobre o passado grego.”

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Te Contei, não ? - A vida secreta de Michael Jackson

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O barulho no banheiro da suíte do hotel podia ser ouvido de longe. Michael Jackson estava quebrando tudo. Ao invadirem o aposento, seus assessores o encontraram deitado no chão, aos prantos, tentando esconder o rosto: “Eles acham que sou feio. Querem colocar massa plástica no meu nariz.” E passou a repetir: “Eles acham que sou um monstro.” Esse episódio aconteceu em 2001, no lançamento do CD “Invencible”, que marcou a volta do popstar ao mundo artístico, após uma década de constantes adiamentos de um novo trabalho. A pressão da gravadora Sony era grande. Dependente de analgésicos e cercado de aproveitadores, Jackson estava perdendo o controle de sua carreira de recordes e 750 milhões de discos vendidos. Os executivos queriam que o cantor ficasse mais moreno. Desejavam também que o seu nariz se tornasse mais adunco. Tudo isso não é invenção de escritor de biografias não autorizadas. Essa história é verdadeira e foi presenciada por uma pessoa que­ conviveu com Michael Jackson por 25 anos, desde que foi apresentado a ele ainda garoto até ganhar o cargo de confiança de secretário particular. Trata-se de Frank Cascio, que narra sua convivência com o astro no livro “Meu Amigo Michael” (Sextante), reunião de fatos inéditos e surpreendentes que ajudam a compor o perfil de uma das personalidades mais controvertidas de nossa época.
Andrógino, angelical, assexuado? Cascio, 33 anos, avança no terreno da ambígua sexualidade de Jackson e afirma que ele tinha atração por mulheres. “Michael gostava das altas e magras, que eu descreveria como ligeiramente nerds”, escreve o ex-secretário. “Certa vez, em Londres, eu estava em sua suíte quando ele trouxe uma amiga. Eles ficaram cerca de uma hora no quarto e, quando saíram, sua calça estava desabotoada.” Cascio revela, ainda, um romance que passou ao largo das câmeras dos paparazzi e que teria sido o mais calmo e estável de sua vida. O relacionamento durou todo o ano de 2000. Sobre a garota, ele sabe apenas que se chamava Emily. Era morena, tinha entre 30 e 35 anos e se tornou frequentadora de Neverland, o famoso rancho que o “rei do pop” mantinha na Califórnia. Cascio, contudo, acha que não havia sexo entre o casal: “Eles simplesmente gostavam de passar o tempo juntos, conversando, passeando, ficando à toa no quarto dele”. Dormir no mesmo aposento, no entanto, nem pensar: “Michael não queria que ela fosse vista saindo de lá pela manhã”. O autor colecionou outras confidências amorosas. Ao contrário de Emily, a primeira mulher de Jackson, Lisa Marie Presley (filha de Elvis), consumou o casamento com o astro. “Eles tiveram relações sexuais.
Michael me disse”, garante ele, hoje um empresário da área de entretenimento. A união, que terminou em divórcio após um ano e meio, foi marcada por brigas e desavenças que Jackson resolvia à sua maneira peculiar. Era estourar uma discussão e o artista começava a aplaudir a mulher freneticamente até que ela desistisse da última palavra. Um belo dia, Lisa o deixou batendo palmas sozinho. O que agora vem à luz é que tanto essa união como a seguinte, com a enfermeira Debbie Rowe, mãe de Prince e Paris, se deram por “razões profissionais”: “Ele tinha negócios com o príncipe Al-Waleed Bin Talal (magnata saudita), conhecido como o ‘Warren Buffett das Arábias’. Eram sócios numa empresa recém-fundada chamada Kingdom Entertainment. Segundo Michael, o príncipe e seus parceiros gostavam de tratar com homens de família, então queriam que ele fosse casado. Especialmente após as acusações de 1993 (primeira suspeita de pedofilia).”
Jackson achava que o casamento fora dessa visão “empresarial” era arriscado, pois considerava injusto dividir a fortuna em futuras separações: “Não posso namorar qualquer pessoa. Na minha situação, em quem posso confiar?” Na lista das confiáveis, sempre esteve a princesa Diana. Quando Jackson puxava a conversa para esse campo, o ex-secretário fazia piadas. Provocava-o dizendo que o máximo que ele poderia fazer com as mulheres seria convidá-las para jogar videogames ou ver desenhos animados. O conhecido complexo de Peter Pan do cantor é ilustrado com passagens inacreditáveis. Que ele gostava de se comportar como criança é mais do que sabido. O que não se conhecia era a perversidade que movia essa fuga no mundo infantil. Antes de ser pai de Prince, Paris e Blanket, Jackson costumava convidar crianças para compor a sua entourage nas turnês. Cascio e seu irmão Bennie eram os prediletos. Numa dessas viagens, hospedados em um hotel israelense em Tel-Aviv, ele propôs aos meninos: “Vamos detonar o quarto.” Foi como se um furacão tivesse passado no lugar. “Como golpe de misericórdia, Michael tomou impulso e jogou um garfo contra uma pintura”, lembra Cascio. Quando a conta vinha, o cantor ficava caladinho. Quem levava a culpa eram os garotos. Outra história se deu no sul da França, quando encontrou o citado príncipe saudita e proporcionou a Cascio, que havia quatro meses o acompanhava em viagens, uma partida de pingue-pong numa mesa feita totalmente de ouro. Nesse hotel, Jackson aprontou mais uma. Ao ver hóspedes jantando alegres e bem trajados, reuniu a turma mirim e, do alto do mezanino, atirou água em todos, valendo-se de um balde.
Com o poder e a fortuna que tinha, o astro conseguia abrir, em horários absurdos, lojas de brinquedos só para satisfazer a fantasia de seus amiguinhos, chamados “primos”. Nada lhe dava mais prazer, no entanto, que a transgressão inconsequente. Numa temporada em Paris, ele resolveu dar um presente especial a Cascio e outros hóspedes menores. Levou-os de madrugada para visitar a Euro Disney, mas não usou de seu habitual prestígio. Simplesmente invadiu o local. Despistando-se dos funcionários, entrava com os companheiros nos brinquedos, em funcionamento para manutenção. Ao se aventurar no “Piratas do Caribe”, não conseguiu manter-se na canoa e caiu no lago. Os meninos aproveitaram e roubaram alguns tesouros dos piratas. “Nós éramos crianças mas, no que diz respeito aos impulsos dele, às vezes precisávamos ser os adultos”, avalia Cascio.
A chegada dos filhos não amenizou suas traquinagens. Ao contrário, os rebentos passaram a ser vistos como rivais. Cascio conta, por exemplo, como Jackson disputava os brinquedos com Prince, o primogênito. Uma tarde, ao receber convidados em Neverland, o menino apontou para o trenzinho usado para circular no rancho e disse às pessoas: “Olhem a minha locomotiva.” Jackson corrigiu o filho, irritado: “Sua não, minha.” Por um lance do acaso, no entanto, esse mundo cor-de-rosa começou a ruir. Os nervos de Jackson entraram em frangalhos por causa de pressões e cobranças vindas de todos os lados. Mais do que as acusações de pedofilia, o que pesou no crescente quadro de angústia e depressão foi, segundo o ex-secretário, a sua dependência de analgésicos. Até a publicação do livro não se sabia dos detalhes desse vício. Cascio relata a primeira vez que o viu delirar sob efeito de demerol, droga usada após o acidente no comercial da Pepsi, que o ajudava no alívio da dor e no sono. Se não dormisse, falava coisas desconexas. “No meio de uma conversa, disse algo muito estranho: ‘Mamãe, quero ir à Disneylândia ver o Mickey Mouse.’ Eu fiquei espantado, confuso.” Em outra ocasião, quando brincava com Cascio e o seu irmão Eddie na jacuzzi de um hotel em Santiago do Chile, afundou na água e não voltou. Adormeceu submerso e, por pouco, não morreu.
A situação piorou a partir de 1999, em decorrência do acidente em que machucou as costas ao cair de uma altura de 15 metros durante um show em Munique, na Alemanha. Ele começou a usar um medicamento ainda mais forte e perigoso, o propofol, indicado como anestésico em cirurgias. Cascio conta sobre a primeira vez que o viu se submetendo ao procedimento. A aplicação se deu no próprio hotel, após o show: “Somente um anestesista pode administrá-lo, e havia dois médicos presentes porque o medicamento é tão forte que a pessoa que o recebe precisa ser monitorada de perto.” Jackson costumava dizer a Cascio que morreria baleado. Ele lembra ao final do livro: “A diferença entre levar um tiro e morrer por conta de uma injeção é que a segunda envolve uma escolha, uma decisão consciente.”

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Te Contei, não ? - CIDADE DE DEUS - 10 anos depois

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Os meninos continuam jogando futebol pelas ruas e campinhos improvisados, mas, onde antes havia buraco e barro, hoje tem asfalto. O medo, simbolizado na desembestada fuga de uma galinha durante um tiroteio, foi amenizado. Dez anos depois de mostrar ao mundo as violentas entranhas de uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, o filme “Cidade de Deus” – homônimo da comunidade onde a história se desenrola – é reconhecido como um divisor de águas do cinema brasileiro e revisitado através de um documentário e de uma história em quadrinhos. “Ele revelou o outro lado do País para o Exterior e para os brasileiros também. Acusá-lo de violento é se portar como o gordo que culpa o espelho pelo que vê”, diz o diretor Fernando Meirelles. Foi a partir do longa, indicado a quatro Oscar e ganhador de diversos prêmios internacionais, que a comunidade Cidade de Deus ganhou fama e começou a se transformar, com a chegada de ONGs e projetos sociais. Depois, vieram duas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), que ajudaram a espantar as sanguinárias quadrilhas de traficantes. A favela não virou, claro, o avesso do que era, mas melhorou bastante. A vida dos 200 atores que se lançaram na carreira com a produção, no entanto, não teve a mesma sorte. Alguns se deram bem, outros viram a realidade imitar a ficção.
Intérpretes adultos dos personagens Buscapé e Zé Pequeno, Alexandre Rodrigues e Leandro Firmino, respectivamente, continuam na profissão, mas nunca mais fizeram papéis de tanto sucesso. Hoje, com 34 anos e alguns quilos a mais, Firmino continua morando na Cidade de Deus, em casa alugada, com a mulher e um filho de 10 meses. “Já fiz outros personagens, mas Zé Pequeno ficou muito vivo na memória das pessoas”, afirma o ator. Na época, ele usou boa parte do cachê de R$ 10 mil para ajudar os pais. Comprou também um computador. “Não fiquei milionário, mas nunca tinha visto tanto dinheiro”, recorda. Alexandre Rodrigues, 29 anos, recebeu o mesmo salário e também “investiu” na família. Ele morava no morro do Cantagalo e fazia curso de teatro por influência da mãe, Rosângela, para quem comprou uma casa: “Era ela quem administrava meu dinheiro.” Dono de duas casas alugadas na favela do Vidigal, Rodrigues está no segundo casamento, tem um filho de 5 anos e fez uma participação, recentemente, na novela “Amor Eterno Amor”, da Rede Globo. “Ganhei outros papéis muito diferentes, não posso reclamar. Mas também não posso omitir que ainda existe preconceito contra o ator negro”, afirma.

O cineasta Cavi Borges, que coassina com Luciano Vidigal o documentário “Cidade de Deus – 10 Anos Depois”, disse ter se surpreendido com o destino dos envolvidos na produção. “Achava que estavam todos bem, mas a maioria vive com dificuldade. O Jonathan (Haagensen, intérprete de Cabeleira) está sem trabalhar há algum tempo”, diz. Alguns deles vivenciaram episódios tristes. Bernardo Santos Pereira, 25 anos, que integrou na história o bando da Caixa Baixa, foi preso por dois meses. “Fui pego furtando, me deixei levar por falsos amigos”, lembra Pereira, nascido e criado na favela. Finda a pena, arranjou emprego de mecânico em uma oficina de motos. Está casado e tem um filho de 5 anos. Um pouco mais grave é a situação de Rubens Sabino, intérprete de Neguinho. Ele foi preso por roubo e se tornou dependente químico. Em junho, deu entrada em um centro comunitário, mas fugiu antes de concluir o tratamento. “O Fernando Meirelles e o Marcelo Yuka deram chances, mas ele não soube aproveitar”, lamenta o ex-Buscapé Alexandre Rodrigues. Pior foi o destino de Jonas Michel, que no filme participava do bando de Zé Pequeno: ele morreu esfaqueado há seis anos após se envolver em um caso de adultério. 
No extremo oposto, Eduardo BR Dorneles, 36 anos, ex-morador do Complexo do Alemão, considera-se um vitorioso. Quando foi escalado para participar de “Cidade de Deus” como Jorge Piranha, era uma espécie de contador do tráfico, para o qual foi atraído aos 11 anos de idade. “Não tinha o que comer”, diz. A experiência de atuar mudou tudo: “Foi um rito de passagem. Hoje, vivo do audiovisual.” Além da profissão, ganhou uma nova família: “Conheci uma menina do Leblon e acabamos nos casando.” Eles vivem em uma cobertura duplex no Recreio dos Bandeirantes, com os dois filhos. “Não escondo o meu passado. Quero que minha vida lhes sirva de exemplo.”

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Te Contei, não ? - Na trilha da fantasia

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Não existe nada em comum entre vampiros, anjos, dragões e fadas. Esses personagens e seres imaginários, no entanto, são agrupados pelo mercado editorial no filão mais rentável dos dias de hoje: o da literatura fantástica, ou simplesmente “fantasy”, que reúne autores como J.R.R. Tolkien, de “O Senhor dos Anéis”, George R.R. Martin, de “As Crônicas de Gelo e Fogo”, e J.K. Rowling, de “Harry Potter”. No Brasil, o gênero já tem seus seguidores, com três autores na lista dos dez livros nacionais mais vendidos: os cariocas Raphael Draccon, autor de “Dragões de Éter”, e Eduardo Spohr, de “Filhos do Éden” (na segunda e quarta posições, respectivamente), e o paulista André Vianco, com “O Caminho do Poço das Lágrimas” (o sétimo do ranking). Novata na turma, a paulista Carolina Munhóz vendeu em menos de um mês sete mil exemplares de seu romance “O Inverno das Fadas”. “Demorou um pouco para que essa produção literária se desenvolvesse aqui, mas agora deslanchou de vez”, diz Pascoal Soto, diretor da Editora Leya, que lança os livros de Draccon.

“Essa nova geração tem um desejo forte de contar histórias significativas e não simplesmente exercitar um estilo consagrado.”
O sucesso das histórias fantásticas é favorecido por um hábito dos fãs: eles gostam de se encontrar e discutir os autores favoritos. Draccon, por exemplo, acredita que seu sucesso se deu pelas redes sociais: “O boca a boca começou nas comunidades do Orkut. Sem ter dado uma entrevista sequer eu já estava entre os três autores mais vendidos da minha editora.” No mês que vem, pelo menos cinco novos au­tores do gênero chegarão às livrarias.
O mercado internacional, claro, está de olho neles. Draccon já saiu em Portugal e “Filhos do Éden”, de Spohr, foi traduzido para o holandês e os outros títulos estão na mira dos selos de fora. É a fantasia tipo exportação.

Revista Época

Crônica do Dia - Clarice e o senso comum - Zeca Baleiro


Uma vez me vi numa discussão com um amigo inteligente, bem informado e amante do cinema (sim, pessoas assim existem). Ele comparava os geniais Jacques Tati e Charles Chaplin, tomando descarado partido do francês. Eu argumentava que Chaplin era maior porque mais abrangente etc., etc. Discussão inútil, como se vê. Tanto Tati como o pai de Carlitos foram dois gênios da raça indiscutíveis e incomparáveis, acima do bem, do mal e dos críticos de balcão de bar.

Lembro-me do episódio e reflito sobre o senso comum. Na indústria da música há a expressão “crossover” para designar o feito de uma canção arrebatar o mundo – ouvintes de todas as classes sociais, origens, idades e tribos. E na literatura, há os célebres “best-sellers”, livros que vendem como água e se espalham como gringos por Copacabana no verão carioca.

Antes de tudo, faço uma distinção: nem todo best-seller é um livro de má qualidade, assim como nem todo artista difícil é um gênio. Van Gogh foi maldito e genial. Vendeu um único quadro em toda a vida. Morreu como um louco fracassado. Arthur Bispo do Rosário era louco e internode um hospício. Foi diagnosticado como esquizofrênico e foi um artista brilhante, criando uma arte ultraoriginal a partir de trapos e sucatas que via pela frente.

Desnecessário dizer que nem todo esquizofrênico será um grande artista, assim como um grande artista, para sê-lo, não precisará ter uma patologia mental.

Sei que parecem primários todos esses argumentos, mas nunca é demais tocar nessas teclas. A aceitação de uma obra de arte a faz parecer menor aos olhos dos cultos e eruditos (ou arrogantes apenas). Assim como seu fracasso a faz parecer maiúscula aos olhos das
Farc culturais (geralmente arrogantes também). Isso faz com que alguns artistas, legitimados pelo gosto médio, sejam julgados como menores do que realmente são.

Para não me estender demais, vou passear apenas pela seara dos poetas brasileiros, território que me interessa como poucos. O senso comum (mas não só) sempre alardeou que o maior poeta brasileiro de todos os tempos é Carlos Drummond de Andrade. Mesmo recitado como um parnasiano em festas de fim de ano, banalizado por e-mails com power points e camisetas de feira hippie, também concordo que Drummond é o maior e mais abrangente e mais permanente e mais intenso de todos os poetas desta terra, embora a poesia (e a arte em geral) não seja um esporte, e por isso não necessitaria de um ranking de “melhores”. Mas listas são uma das obsessões humanas e delas nem os poetas escapam. Sim, concordo, Drummond é “o maior”. Nem a secura agreste de João Cabral, nem o lirismo desbragado de Bandeira, nem o imaginário místico de Jorge de Lima, nem a poesia multifacetada de Murilo Mendes, nem a dicção violenta e densa de Gullar conseguem suplantá-lo. Mas nem Drummond em toda sua glória é unânime.

Alguns artistas são relegados a um plano menor só por serem acessíveis. Como se o fato de ser ininteligível fosse sinal de qualidade e grandeza. Cecília Meirelles, por exemplo, é uma poeta enorme, mas por ter ganho uma aura, digamos, “escolar”, por ser aceita, lida e “entendida”, sempre foi posta num patamar inferior pelos “entendidos”. Já Clarice Lispector, outra escritora imensa, tem aura misteriosa, profunda e filosófica, quase maldita, inalcançável. Mas não quero correr o risco de ser raso. Obviamente a escrita de Clarice é mais enigmática e cheia de signos e subtextos que a de Cecília, muito mais simples e despojada, ainda que rica. Mas os lugares que ambas ocupam num suposto ranking literário é emblemático disso que explanei acima. Quanto mais difícil, mais maldito. Quanto mais maldito, mais dotado de verniz estético. Quanto mais inteligível, menor.

Agora, redescoberta (e desvirtuada) pelas redes sociais, campeã de textos fake no “Face”, Clarice passou de hermética a simplória, rainha da autoajuda, emissária do sentimentalismo mais rasteiro, sacerdotisa do óbvio. É, este mundo é mesmo cheio de ironias. 


Te Contei, não ? Dom Quixote de La Mancha


O autor
Dom Quixote é o título de um livro do escritor espanhol Miguel de Cervantes. É uma das histórias literárias mais famosa do mundo. Já foi traduzida para diversas línguas.
Título do livro.
O titulo do livro é o mesmo do herói, Dom Quixote de La Mancha.

Resumo da obra e valor literário:
Influenciado pela leitura de diversos contos sobre a cavalaria medieval, este “anti-herói” Dom Quixote que parte em busca de aventuras. Com uma imaginação extremamente fértil, passa por situações incríveis. Chega até mesmo a lutar contra gigantes (que na verdade eram moinhos de vento), sempre com seu escudeiro Sancho Pança.

O livro é muito divertido, pois mostra algumas partes da região da 
Espanha no período pós Idade Média. Embora passe por situações de privação, muitas vezes ridículas, Dom Quixote desperta um sentimento de simpatia. Sua fé e o seu entusiasmo motivam os leitores, pois os sentimentos deste cavaleiro são nobres e puros (mesmo ele estando à beira da loucura).
Quem foi Miguel de Cervantes? 
Este homem foi um importante escritor. Nasceu em 29 de setembro de 1547 (data não comprovada) na cidade espanhola de Alcalá de Henares (também não comprovada). Cervantes morreu na cidade de Madri, em 22 de abril de 1616. Ele foi considerado um dos maiores escritores da literatura, destacou-se por sua novela, mundialmente conhecida, Dom Quixote de La Mancha.

Principais momentos da vida de Cervantes (biografia):


- No ano de 1566 foi morar em Madri.
- Em 1569 foi morar na cidade de Roma, após ter machucado um homem num acidente em Madri.
- Entre 1575 e 1580 ficou num cativeiro em Argel, após ter sido capturado por piratas.
- Em 1583 casou-se com Catalina de Palacios Salazar.
- Em 1587 foi nomeado comissário real da Armada espanhola.
- Em 1593 publicou o romance La casa de los celos.
- Em 1597 foi preso na cidade de Sevilha
- Em 1605 publicou a primeira parte de Dom Quixote.
- Em 1613 entrou para a Ordem terceira de São Francisco.
- Em 1615 publicou a segunda parte de Dom Quixote.


Principais obras de Cervantes:
- Dom Quixote de La Mancha;
- Oito comédias e oito entremezes nunca antes representados;
- A Numancia;
- O trato de Argel;
- Os trabalhos de Persiles e Sigismunda;
- O cerco de Numancia (uma peça de teatro);
- O ciumento de Extremadura.

Te Contei, não ? - O café

O café que o brasileiro bebe é uma mistura de dois tipos:  Conilon e Arábica
O Conilon, adaptação do francês  'kouillou' e a 'robusta', ambos nativos do Congo, região quente da selva africana e plantado no Espírito Santo e Rondônia, que possuem alto teor de cafeína. O arábica é nativo da Etiópia e é largamente produzido no mundo e no Brasil, inclusive no Espirito Santo e é a maior parte na mistura dos cafés que vão á mesa do brasileiro.

Personalidades - Cora Coralina

Cora Coralina é de uma simplicidade e de uma beleza ímpar... E sempre uma lição de bem viver.        ‎                                     
 
CORA CORALINA - Bondade também se aprende   Descrição: Descrição: Descrição: http://vivaemharmonia.com/images/stories/coracoralina2.jpg”Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você: não pense. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha.Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e  isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.Nada de palavra negativa.Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos.Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.Você acha que eu sou? Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de  mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor.Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende."  CORA CORALINA

 
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"Quando a última árvore tiver caído,
  Quando o último rio tiver secado,
  Quando o último peixe for pescado,
  O Homem vai entender que dinheiro não se come."

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Entrevista - Lucy Caldas Simões - Diretora do Colégio Municipal Profª Maria Isabel Damasceno Simão


Lucy Caldas Simões ,diretora do
 Colégio Municipal Profª  Maria Isabel Damasceno Simão .

*  A quanto tempo você esta na direção?
Lucy: Desde 1989,no Maria Isabel desde 2003.
* Qual foi ou esta sendo seu maior desafio?
Lucy: O maior desafio hoje é fazer com q o aluno estude. Hoje o aluno não tem mais vontade de estudar.
* Os alunos gostam da escola? Eles interagem com vocês a respeito disso para melhorar?
Lucy: Eles gostam da escola. Contribuem muito pouco, mesmo a gente reunindo os alunos,a gente se junta mas... eles têm pouca visão. Não querem se comprometer.
 * Você gosta de ser diretora?
Lucy: Gosto.
 * O Bulling é uma questão que tem sido extremamente abordada ultimamente. Já houve várias propostas de como trabalhar esse assunto sem incentivar. Atualmente a escola tem tomado alguma providência para prevenir tal comportamento?
Lucy:  Eu costumo dizer que o bulling faz parte da falta de educação, da falta de respeito. Acho que isso é o principal porque, se você respeita o seu colega não vai sofrer nem fazer com que o outro sofra. E nós sabemos de alunos, que não chega a ser bulling... Mas é quase. Daí, a gente começa a chamar a família, conversar com esse alunos, ou com estes alunos,que estão fazendo buling. Mostrar que eles estão fazendo a coisa errada. Mandando que eles se coloquem no lugar do outro.  E às vezes temos que ser bem enfáticos pra ele entender.
 * Se na escola,hoje, acontecesse algum caso de bulling grave. Que medidas seriam tomadas?
Lucy:  Com certeza já vínhamos conversando com os responsável e trabalhando com o aluno. Colocaríamos o responsável a par da situação. Aqui dentro da escola nos encaminharíamos para o orientador educacional. Se não desse jeito vamos encaminhar ao conselho tutelar. O conselho tutelar  vai tomar medidas de ajuda porque eu acredito que se alguém está cometendo bulling é porque não é uma pessoa bem equilibrada e precisa de ajuda. Mas agente sempre percebe quando começa, sempre o professor avisa “tá todo mundo implicando com fulano...” A gente evita usar o termo bulling. Quando dizem: ”é bulling!” aí eu digo  ” não,é falta de educação,de respeito”
* Segundo o MEC, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do Inep e em taxas de aprovação. Você acha mesmo que o IDEB realmente pode mostrar a qualidade de cada escola,uma vez que não leva em consideração as condições do ambiente escolar e  os métodos de ensino utilizados?
Lucy:  Eu acho que não seve como parâmetro, porque eles avaliam com uma única prova, quem não vem é considerado zero. Se eu tenho 30 alunos e 20 fizeram prova,você pode até tirar uma nota razoavelmente boa, mas 10 faltaram e esses 10 zeram. Aí abaixa meu IDEB. Outra coisa que abaixa o IDEB é, por exemplo: O nível do município em português e matemática foi 6. Nós ficamos em português nível 5 quase chegando a 6 ,e matemática 6 . Poderia dizer que estamos bem. Mas aí, vem a distorção idade série: Quando o aluno está velho na série,isso baixa o IDEB. Evasão escolar conta, por exemplo, no início do ano fizemos a prova e saímos bem. Mas quando chegou lá na frente ,no final do ano de tantos alunos, X evadiram e outros tantos perderam.  Isso abaixa o IDEB. A prova Brasil ajuda, mas ela não é tudo. Até mesmo porque é uma prova de marcar e no dia a dia você não “marca” sem contar que se marcou a errada ,errou. Não tem como se aproveitar algo como numa questão discursiva. Ela serve no caso de, por exemplo: porcentagem, se todo mundo ou grande maioria errar porcentagem eu sei que o professor não trabalhou. Pra isso serve: ver o que o professor trabalhou realmente
* O Maria Isabel está  abaixo do IDEB?
Lucy:  Tem caindo a três anos sucessivos. Não ficamos abaixo do IDEB, já teve um ano que ficamos bem acima.
 * Como é feita  a preparação para a provinha Brasil?
Lucy: Geralmente a gente trabalha com os descritores, que a Secretaria de Educação manda, geralmente são 12. Os professores quando fazem seus planejamentos eles já priorizam nas matérias os conteúdos que caem na provinha.
* Vêm acontecendo várias discussões quanto ao ensino religioso em escolas publicas. Você considera isso algo positivo ou negativo? Poderia ajudar na aceitação da variedade religiosa que presenciamos?
Lucy:  O ensino religioso é obrigatório oferecer, mas não é obrigatório o aluno participar. Isso é lei. Então como é feita essa questão do ensino religioso? A gente trabalha valores, amor ao próximo. Não se fala “religião”. Ninguém coloca um professor para trabalhar religião. Nós dissolvemos em forma de projeto, dissolve em cada professor trabalhando valores, ética.Hoje não se trabalha religião assim. Hoje não se faz culto nem se faz missa. Se passa uma mensagem de paz,de carinho.

Entrevistadores  Aline Ziehe,Bruna Oliveira,Isabele Aguiar,Lucas Abade e Pamela Fiqueiredo / Turma 801 / 2012