Antes de montar o Frenetic Dancin’ Days, minha casa noturna, eu havia produzido dois festivais de rock: o primeiro Hollywood Rock, no Rio de Janeiro, em 1975, e o Som, Sol e Surf, em Saquarema, em 1976, com diversos artistas nacionais. Saquarema me trouxe um prejuízo enorme. O jogo virou quando a direção do Shopping da Gávea, na zona sul carioca, me encomendou um projeto de uma casa noturna.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Opine - Líderes religiosos devem ser proibidos de atuar na política ?
* O primeiro parágrafo do artigo 19 da Constituição Federal garante que o Estado é laico - ou seja, não pode ter ligação com nenhuma religião. Entre outros detalhes, o texto define que é proibido à União ou aos estados manter relações de "dependência ou aliança" com cultos ou igrejas ou seus representantes.
* Já existem classes profissionais proibidas de atuar na política. "Há restrições à candidatura de certas categorias de agentes do Estado, como militares, porque haveria incompatibilidade entre a atividade política e o exercício de suas funções", diz o jornalista Claudio Abramo da ONG Transparência Brasil.
* A presença de pastores, padres e outros líderes religiosos no Legislativo pode restringir ou direcionar o debate sobre questões polêmicas, como aborto e casamento gay. São assuntos que afetam pessoas de todas as religiões, ateus e agnósticos, mas que passam a ser regulados pelo viés específico de alguma fé.
* Líderes religiosos podem ocupar cargos no governo com o intuito de defender os interesses de seu grupo. Como servidor público, o compromisso maior de um político deveria ser com todos os cidadãos, não com Deus ou alguma igreja.
* A Constituição afirma que o Brasil é um país laico - mas ela própria evoca Deus logo no início do texto. Nossas cédulas de real também trazem a frase - "Deus seja louvado". E, seja como for, a laicidade do Estado não teria nenhuma ligação com o direito de qualquer pessoa à candidatura política.
* Apesar da forte bancada evangélica e católica no Legislativo, os limites entre Estado e religião no Brasil são mais claros do que em outros países. Na Argentina, padres católicos têm remuneração e aposentadoria garantidas pelo poder público. Os luteranos, na Alemanha, contam com imensa proteção do Estado.
* É possível, sim, conciliar fé e obrigações públicas. "Basta que o político saiba que temos direitos civis. Se ele é contra o casamento gay, que ao menos entenda o direito de quem deseja oficializar uma relação homossexual", diz o professor Eduardo Refkalewski, da UFRJ, autor de uma tese sobre comunicação religiosa.
* Mesmo em um Estado laico, todo cidadão deve ter o direito de atuação e, também, de representação na esfera política. Se há deputados ou senadores de origem religiosa, é porque houve eleitores que se identificaram e votaram neles.
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Fontes: Sites Terra e O Globo e portal do Superior Tribunal Federal
Consultoria - Everaldo Pereira, vice - presidente nacional do Partido Social Cristão
Revista Mundo Estranho Edição 139
*
Artigo de Opinião - Plebiscito sim
Opositores não admitem a participação popular na condução dos destinos da nação
Artigo de Opinião - Recado das ruas
Frei Betto
As manifestações de rua no Brasil fundem a cuca de analistas e cientistas políticos. Dirigentes partidários e lideranças políticas se perguntam perplexos: quem lidera, se não estamos lá?
Recordo quando deixei a prisão, em fins de 1973. Ao entrar, quatro anos antes, predominava o movimento estudantil na contestação à ditadura. Ao sair, encontrei um movimento social – Comunidades Eclesiais de Base, oposição sindical, grupos de mães, luta contra a carestia – que me surpreendeu. Do alto de meu vanguardismo elitista fiz a pergunta: como é possível se nós, os líderes, estávamos na cadeia?
Como essa mesma perplexidade Marx encarou a Comuna de Paris, em 1871; a esquerda francesa, o Maio de 1968; e a esquerda mundial, a queda do Muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética, em 1989.
“A vida extrapola o conceito”, já dizia meu confrade Santo Tomás de Aquino, no século 13. Agora, aqui no Brasil, todas as lideranças políticas encaram confusas e despeitadas as recentes manifestações de rua. Com a mesma interrogação invejosa que a esquerda histórica do Brasil mirou o surgimento do PT em 1980: que história é essa de, agora, os proletários quererem ser a vanguarda do proletariado?
Historicamente eram os líderes da esquerda brasileira homens oriundos da classe média (Astrogildo Pereira, Mário Alves e João Amazonas), dos círculos militares (Prestes, Gregório Bezerra, Apolônio de Carvalho) e da intelectualidade (Gorender e Caio Prado Júnior). Marighella foi das raras lideranças provenientes das classes populares.
O recado das ruas é simples: nossos governos se descolaram da base social. Para usar uma categoria marxista, a sociedade política se divorciou da sociedade civil, risco que previ e analisei no livro “A mosca azul – reflexão sobre o poder” (Rocco, 2005).
A sociedade política – executivo, legislativo e judiciário – se convenceu de que representava de fato o povo brasileiro, e mantinha sob seu controle os movimentos de representação da sociedade civil, como ocorre, hoje, com a UNE e a CUT.
Nem só de pão vive o homem, alertou Jesus. Embora 10 anos de governo petista tenham melhorado as condições sociais e econômicas do Brasil, o povo não viu saciada sua fome de beleza – educação, cultura e participação política.
O governo petista optou por uma governabilidade assegurada pelo Congresso Nacional – onde ainda perduram os “300 picaretas” denunciados por Lula. Desprezou a governabilidade apoiada nos movimentos sociais, como fez Evo Morales, com êxito, na Bolívia.
Assim, nosso governo aos poucos perdeu os anéis para conservar os dedos. Acreditou que tudo permaneceria como dantes no quartel de Abrantes. Seja porque a oposição anda enfraquecida por suas próprias disputas internas, seja porque considera Eduardo Campos e Marina Silva meros balões de ensaio.
O que nem a Abin (olhos e ouvidos secretos do governo) previu foi o súbito tsunami popular invadindo as ruas do Brasil em pleno período da Copa das Confederações – quando se esperava que todos estivessem com a atenção concentrada nos jogos.
Agora o governo inventa o discurso de que sem partidos não há política nem democracia. Ora, basta uma aula de história de ensino médio para aprender que a democracia nasceu na Grécia muitos séculos antes da era cristã, e mais ainda do aparecimento de partidos políticos.
Hoje, a maioria dos partidos nega a democracia ao impedir um governo do povo com o povo. Não basta pretender governar para o povo e, assim, considerar-se democrata. O povo nas ruas exige novos mecanismos de participação democrática, enquanto manifesta sua descrença nos partidos. Estes são intimados a renovar seus métodos políticos ou serão atropelados pela sociedade civil.
Eis o recado das ruas: democracia participativa, não apenas delegativa, ou seja, governo do povo, com o povo e para o povo. Isso não é utopia, desde que não se considere modelo perpétuo o pluripartidarismo e se admita que o regime democrático pode e deve ganhar novos desenhos de participação popular nas esferas de poder.
Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.
http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
Recordo quando deixei a prisão, em fins de 1973. Ao entrar, quatro anos antes, predominava o movimento estudantil na contestação à ditadura. Ao sair, encontrei um movimento social – Comunidades Eclesiais de Base, oposição sindical, grupos de mães, luta contra a carestia – que me surpreendeu. Do alto de meu vanguardismo elitista fiz a pergunta: como é possível se nós, os líderes, estávamos na cadeia?
Como essa mesma perplexidade Marx encarou a Comuna de Paris, em 1871; a esquerda francesa, o Maio de 1968; e a esquerda mundial, a queda do Muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética, em 1989.
“A vida extrapola o conceito”, já dizia meu confrade Santo Tomás de Aquino, no século 13. Agora, aqui no Brasil, todas as lideranças políticas encaram confusas e despeitadas as recentes manifestações de rua. Com a mesma interrogação invejosa que a esquerda histórica do Brasil mirou o surgimento do PT em 1980: que história é essa de, agora, os proletários quererem ser a vanguarda do proletariado?
Historicamente eram os líderes da esquerda brasileira homens oriundos da classe média (Astrogildo Pereira, Mário Alves e João Amazonas), dos círculos militares (Prestes, Gregório Bezerra, Apolônio de Carvalho) e da intelectualidade (Gorender e Caio Prado Júnior). Marighella foi das raras lideranças provenientes das classes populares.
O recado das ruas é simples: nossos governos se descolaram da base social. Para usar uma categoria marxista, a sociedade política se divorciou da sociedade civil, risco que previ e analisei no livro “A mosca azul – reflexão sobre o poder” (Rocco, 2005).
A sociedade política – executivo, legislativo e judiciário – se convenceu de que representava de fato o povo brasileiro, e mantinha sob seu controle os movimentos de representação da sociedade civil, como ocorre, hoje, com a UNE e a CUT.
Nem só de pão vive o homem, alertou Jesus. Embora 10 anos de governo petista tenham melhorado as condições sociais e econômicas do Brasil, o povo não viu saciada sua fome de beleza – educação, cultura e participação política.
O governo petista optou por uma governabilidade assegurada pelo Congresso Nacional – onde ainda perduram os “300 picaretas” denunciados por Lula. Desprezou a governabilidade apoiada nos movimentos sociais, como fez Evo Morales, com êxito, na Bolívia.
Assim, nosso governo aos poucos perdeu os anéis para conservar os dedos. Acreditou que tudo permaneceria como dantes no quartel de Abrantes. Seja porque a oposição anda enfraquecida por suas próprias disputas internas, seja porque considera Eduardo Campos e Marina Silva meros balões de ensaio.
O que nem a Abin (olhos e ouvidos secretos do governo) previu foi o súbito tsunami popular invadindo as ruas do Brasil em pleno período da Copa das Confederações – quando se esperava que todos estivessem com a atenção concentrada nos jogos.
Agora o governo inventa o discurso de que sem partidos não há política nem democracia. Ora, basta uma aula de história de ensino médio para aprender que a democracia nasceu na Grécia muitos séculos antes da era cristã, e mais ainda do aparecimento de partidos políticos.
Hoje, a maioria dos partidos nega a democracia ao impedir um governo do povo com o povo. Não basta pretender governar para o povo e, assim, considerar-se democrata. O povo nas ruas exige novos mecanismos de participação democrática, enquanto manifesta sua descrença nos partidos. Estes são intimados a renovar seus métodos políticos ou serão atropelados pela sociedade civil.
Eis o recado das ruas: democracia participativa, não apenas delegativa, ou seja, governo do povo, com o povo e para o povo. Isso não é utopia, desde que não se considere modelo perpétuo o pluripartidarismo e se admita que o regime democrático pode e deve ganhar novos desenhos de participação popular nas esferas de poder.
Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.
http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
Crônica do Dia - A mobilidade de todos nós
A pesquisa foi divulgada em Genebra, uma cidade pacífica. Foi feita pela
Transparência Internacional e atesta que mais da metade da população mundial
acredita que a corrupção piorou nos últimos dois anos. Quando chega ao Brasil, a
pesquisa revela que 81% da população acredita que os partidos políticos são a
instituição mais afetada pela corrupção. São 20 pontos percentuais acima do
resultado de dois anos atrás. E quase 20 pontos percentuais também acima da
média mundial. Nos107 países pesquisados, “só” 65% da população atribui o mesmo
problema aos partidos políticos. Ninguém precisa ir a Genebra para saber isso. O
recente movimento que levou milhões de pessoas às ruas do Brasil para protestar
já anunciava a questão. Houve — e ainda há — quem criticasse as manifestações
por elas não terem um alvo específico. Não é verdade. O alvo era — e ainda é — a
corrupção. Quando o povo pede um padrão Fifa para a Saúde e a Educação, está
denunciando os constantes desvios de verbas que prejudicam essas áreas.
Te Contei,não ? - Casa da flor - Mosaico de caquinhos e sonhos
Casa da Flor, tombada pelo Inepac em 1986 e considerada exemplar raro da arquitetura espontânea, foi restaurada em 2001
Entrevista - Michel Maffesoli - " Vejo esses movimentos como Maios de 68 pós - modernos "
Fernando Eichenberg
Publicado:

Te Contei, não ? - Entre dois tiros
Carlos Helí de Almeida
Publicado:

Te Contei, não ? - Sabonete é esperança na luta contra a malária na África
Desenvolvido por estudantes do continente, produto tem substâncias que repelem mosquitos.
Tá na Hora do Poeta - Revide - José Henrique da Silva

Revide
Tu
que nem me conheces,
Por
piedade,
Já
vou logo te alertando
Não,
não sou desses que cegamente obedece.
Sou
de buscar para o saber alimento, sustento.
Sou,
sim, de crer em mitos.
Enquanto
profissional busquei conhecimentos,
Estudei
e muito para na arte da pedagogia mentes tirar da ignorância, o adormecimento
E ainda vou mais te dizer
Obedeço,
sim, aos ritos.
E
tu? És formado, graduado em quê?
Se
for preciso ideologicamente vencer
Não
o faço no grito.
Diferencio
fé de razão.
O
que minha sensibilidade entristece,
O
que em minha privacidade aborrece
Minha
alma, sim, enrijece.
Quem
te deu tanto poder?
Tu
– que pelo que parece –
De
muito, muito desconhece?
Tu
- que és do muito do meu trabalho, inábil.
Vá
, vá, ainda há tempo hábil
Para
aprender que do mundo
Se
faz necessário ter o estudo, saberes
Para
as mais diversas concepções.
Questionar,
Julgar
E
condenar
E
depois reverter-se de arrependimento.
Não,
não é o mais correto comportamento.
E
cá pra nós,
Questionar
sem o mínimo de cultura,
Sem
amadurecimento,
Não
se sustenta,
Não
tem o mínimo de cabimento.
Procure
um livro,
Abra
a mente,
Dispa-se
da escuridão que te faz decadente
E
siga em frente...
18 de julho de 2013
Te Contei, não ? - Poesia intranquila
Guilherme Freitas
Publicado:

quinta-feira, 18 de julho de 2013
Crônica do Dia - Manuel e Cecília - Adriana Calcanhoto
'A dificuldade para incluir versos de dois dos maiores poetas do país numa antologia para criancas'
Artigo de Opinião - Abismo entre a realidade e a lei - Carlos Nicodemos
Que legado construímos para nossas crianças e adolescentes?
Artigo de Opinião - Protesto! Que proponho ? - Frei Betto
Em todo o mundo, uma insatisfação paira no coração dos jovens. Ela não se reflete apenas na irreverência do corte de cabelo, no jeans esfarrapado, nas tatuagens e nos piercings. Emerge principalmente nas manifestações de rua que se propagam mundo afora: Seattle 1999 (contra a Organização Mundial do Comércio); Davos 2000 (contra os donos do dinheiro); Inglaterra 2010 (contra os cortes no orçamento da Educação); Tunísia 2010-2011 (derrubada do presidente); Egito 2011 (derrubada do presidente); Nova York 2011 (Occupy Wall Street); Istambul 2013 (por mais democracia); Brasil 2013.
Te Contei, não ? - Antologia de uma eterna criança
Na obra, ela apresenta textos de poetas do século 19 ao 21
Rodrigo Cabral
Adriana Calcanhoto reúne poesias em livro para o
público infantil
Foto: Leonardo Aversa
Te Contei, não ? - Jovem ensina que educação é mais forte que terrorismo
Garota baleada por talibãs contrários à presença de meninas nas escolas discursa na ONU
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Aconteceu,
Educação,
Geografia,
NONO ANO 2013 / ATIVO,
OITAVO ANO 2013 / ATIVO,
Pais,
Professores,
SÉTIMO ANO 2013 /ATIVO
Artigo de Opinião - Cadê o Plano Nacional de Educação ? - Marcus Tavares
O PNE encontra-se, agora, no Senado, em análise na Comissão de Constituição e Justiça
Te Contei, não ? - Nós, o povo
Flávio Henrique Lino

“O povo assistiu a tudo bestializado”. A descrição de um observador da época de como a população do Rio de Janeiro testemunhou o golpe de Estado de 15 de novembro de 1889 marcou, de forma profética, o regime instalado pelas baionetas que expulsaram do país o velho imperador Pedro II e sua dinastia. Para muitos observadores da vida nacional, o evento registrado nos livros de História como Proclamação da República deu início a uma longa experiência política que jamais se aproximou de instaurar no país a res publica idealizada pelos romanos — um governo que põe o bem-estar comum no centro de suas ações e preocupações, com a participação ativa dos cidadãos. Sem ter sido convidado para a festa de inauguração, o povo foi mantido a uma distância segura nos 124 anos seguintes, enquanto as elites políticas impunham a sua receita de governo — democrático ou não.
As últimas semanas de protestos diários aqui no Brasil, no entanto, abriram novas perspectivas para essa interpretação. De repente, sem anúncio prévio, as multidões entraram de penetra na celebração do poder. Exatamente como fez, 224 anos atrás — comemorados amanhã — o povo que inventou a moderna noção de cidadania, à qual os brasileiros aspiram e pela qual têm saído às ruas. Naquele longínquo 14 de julho de 1789, os parisienses tomaram a Bastilha — prisão real e símbolo do poder absoluto de Luís XVI — dando início a um movimento que mudou o país e o resto da Humanidade. Coincidentemente, os franceses do século XVIII e os brasileiros do XXI não estranhariam totalmente se trocassem de lugar. Os dois países — cada um em sua época e bem guardadas as devidas proporções — compartilham aspectos históricos semelhantes na situação que, na França, levou à ruptura, e no Brasil, a uma situação inédita de pressão popular espontânea sobre os centros de poder.
— Na História, a cidadania não se democratiza, a longo prazo, pela vontade dos que governam, mas sim pela base da sociedade. Quando a experiência das desigualdades e injustiças se torna insuportável e quando o contexto se presta, então a mobilização dos desprovidos se torna o motor não somente do descontentamento, mas também de um futuro possível — disse ao GLOBO, da França, o historiador Guillaume Mazeau, da Universidade Paris-1 Sorbonne e membro do Instituto de História da Revolução Francesa.
O combustível desse motor de descontentamento é fartamente encontrado no noticiário por aqui: serviços públicos precários, educação e saúde públicas sem qualidade, transporte coletivo caro e ineficaz, corrupção em todos os níveis de governo, privilégios abusivos gozados pela classe política — tudo isso embrulhado numa carga tributária das mais altas do planeta, que faz o brasileiro trabalhar de janeiro a maio só para pagar impostos. Tal desconexão entre governantes e governados ficou mais do que clara na pesquisa Barômetro da Corrupção Global 2013, divulgada dias atrás pela Transparência Internacional: 81% dos entrevistados consideraram os partidos políticos corruptos; 72% tiveram a mesma opinião do Congresso, e 50%, do Judiciário. Além disso, 81% disseram acreditar poder fazer algo contra a corrupção.
— O que é novo nessas manifestações foi o excesso, tornou-se viral e explodiu Brasil afora. Também vejo como novidade a possibilidade de articulação da insatisfação: botar tanta gente na rua por um sentimento difuso de contrariedade — diz a historiadora Isabel Lustosa. — Há uma falta de foco dos protestos, mas claramente há uma crise de representação porque as pessoas não se sentem representadas.
“o cidadão finalmente despertou”
A voz difusa das ruas tem mesmo sido alvo de críticas, sobretudo dos que creem que a falta de foco pode fazer o movimento de reivindicações morrer na praia, após as conquistas iniciais. Não é o que pensa, porém, o doutorando de Filosofia Francisco Jozivan Guedes de Lima, da PUC/RS. Mergulhado no estudo de como a opinião pública influencia o Estado, ele vê motivos para otimismo no atual momento do país, após ter afirmado num artigo em 2012 que “a cidadania no Brasil está adormecida”. As manifestações de que participou em Porto Alegre e as discussões no Centro Brasileiro de Pesquisas em Democracia, na universidade gaúcha, ajudaram a delinear uma nova perspectiva:
— Os protestos são um fenômeno novo, que vem de baixo. O futuro está em aberto, e é preciso ser realista porque os políticos vão resistir a mudanças reais. Mas o que importa é que o povo saiu da inércia. O cidadão finalmente despertou.
E, a julgar pela presteza com que o Congresso se apressou a tentar acalmar as ruas, desta vez foram os políticos que a tudo assistiram bestializados
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/historia/nos-povo-na-franca-de-1789-no-brasil-de-2013-sociedades-buscaram-caminhos-da-cidadania-9040382#ixzz2ZRuAzw00
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Crônica do Dia - Antes de Clarice - José Castello
O GLOBO - 13/07/2013
Será o escritor um intelectual? Em que medida a pesquisa meticulosa,o empenho crítico, o planejamento comandam a escrita literária? Não tenho dúvidas de que estes são elementos de arremate, através dos quais as palavras tomam, enfim, uma forma. Algo, porém, os precede. E é neste ponto
anterior, em que outros fatores trabalham
secretamente, que uma escrita (uma autoria) nasce. Em uma crônica sobre a artista plástica
Maria Bonomi, publicada no “Jornal do Brasil”,
enfrentando o argumento de que sua escrita tem uma forte dívida com as imagens, Clarice
Lispector escreve: “Um dos argumentos é que o que eu escrevo é muito visual. Mas se é, é de
um modo inconsciente. No momento em que eu conscientemente tivesse que ter como meta
a visão, atrapalhar-me-ia toda”. A escrita,
Clarice nos diz, surge antes da palavra. Ela se faz
em um momento anterior ao ato deliberado, ou planejado. Ao ato intelectual. Surge antes
do próprio escritor — que se prepara para
escrever muito antes de decidir que fará isso.
Leio o trecho da crônica de Clarice em
“Clarice Lispector/Pinturas”, de Carlos Mendes de Sousa (Rocco). Clarice era apaixonada por
“City in Bloom”, uma xilogravura sobre papel que
Bonomi realizou em 1958. Um trabalho severo e obscuro, em que a cidade se transfigura em
duas flores negras. Sempre teve as artes plásticas
como uma referência, mas este laço só a
arrastou quando, no ano de 1975 — dois anos antes
de morrer — começou obsessivamente a pintar.
Integrando a visão dolorosa que Bonomi teve da cidade, as telas de Clarice são, quase sempre,
incômodas, tensas e despertam, mais que prazer estético, mal-estar. Em um mundo, o da
decoração, no qual a pintura é escolhida para
combinar com o novo conjunto de estofados, elas se
tornam
desinteressantes, ou pelo menos inúteis.
Nelas se guardam, porém, e embora
realizadas em um momento no qual a obra literária já estava praticamente pronta, alguns dos
antecedentes mais preciosos da ficção de Clarice
Lispector. A arte é indiferente ao tempo: o antes vem depois. Só depois de se transformarem em
escrita, esses fatores caóticos — como no borbulhar de um parto — podem, enfim, entrar em cena.
As telas levam, além disso, títulos
desagradáveis: “Cérebro adormecido”, “Medo”, “Raiva e
reindifição”, “Caos, metamorfose, sem sentido”, “Eu te pergunto por quê?”. São apenas dezessete
telas, depositadas nos arquivos da Fundação Casa
de Rui Barbosa, no Rio.
Em 1975, Clarice parecia dominada pela
ideia do medo. Foi em 1975 — se me permitem
relembrar uma história pessoal, na qual não posso
deixar de pensar — que, aos 24 anos de idade, lhe
enviei um pequeno (e precário) conto, em busca da avaliação do “autor consagrado”. Foi nesse
mesmo ano que ouvi, por telefone, e atravancada de
erres, a resposta que até hoje ecoa em meu interior:
“Você é um homem muito medrrroso e com medo
ninguém escrrreve. Boa tarrrde” — e desligou.
Poucas semanas depois, Clarice viajou a Bogotá para
participar de um Congresso de Bruxaria. Preparou um texto para ler, “Literatura e magia”, mas na
hora preferiu que fosse lido outro, “O ovo e a
galinha”, um dos mais enigmáticos contos que
escreveu.
Pois “Literatura e magia” tem como base
uma
reflexão a respeito de um dos quadros mais
terríveis que ela pintou, “Medo”, um óleo sobre
madeira datado de 16 de maio de 1975. Carlos
Mendes de Sousa destaca, em seu livro, um trecho crucial do discurso desprezado, no qual
Clarice descreve sua pintura. “A tela era pintada de
preto, quase no centro havia uma terrível mancha amarelo-escuro, dentro dessa mancha algo
vermelho, preto e amarelo vivo”. Conclui sua
apreciação
com a veemência que sempre a caracterizou:
“Olhar esse quadro me faz mal”.
“Medo” reaparece na página 148 do livro de
Sousa. Eu a vi, pela primeira vez, em uma das
visitas que fiz ao Museu de Literatura Brasileira, da
Casa de Rui. Não pude tirar os olhos do título, “Medo”,
e da data, “16 de maio de 1975”, assinada no
canto inferior direito do quadro. Eram os anos 1990 e
eu trabalhava na pesquisa de “O poeta da paixão”,
minha biografia do poeta Vinicius de Moraes,
cujos inéditos se acham arquivados no mesmo
museu. Sem nenhum pudor, e com a necessária dose
de desvario que meus vinte anos permitiriam,
imediatamente pensei: “Clarice pintou meu conto”. Mas a verdade talvez fosse ainda mais incômoda,
e pensei logo em seguida: “Clarice pintou
meu medo”. Não era um quadro, era um espelho.
A que ponto chega a vaidade! Resta
amparar-me na frase de Mário de Andrade: “Todo escritor
escreve por vaidade. Se mostra é por vaidade, se não mostra é por vaidade também”. Ela serve
de epígrafe ao pequeno conto que enviei a
Clarice.
Vejam o que me aconteceu: inspirado pela
leitura do livro de Sousa, me pus a falar da
pintura de Clarice — e acabei falando de mim. Vejam
como, também na leitura, são estranhos e tortos
os caminhos que percorremos. Há coisas que
grudam, nos pesam e nos empurram: o medo, por exemplo. Clarice sabia o que me dizia e a
verdade é que, pensando ou não em mim, isso está
em seu quadro. Em 1977, fui a seu velório, no
Cemitério Israelita do Caju. O caixão, seguindo a
tradição religiosa, estava lacrado. Senti medo.
Olhando aquela tampa negra, fui tomado por uma grande vontade de fugir, sentimento que só a
palavra medo pode definir. Mesmo assim, fiquei até o fim e assisti ao sepultamento.
Hoje, o mesmo sentimento me retorna diante
da tela que Sousa reproduz em seu vigoroso
livro. Como ele mesmo nos lembra, a melhor
crítica da pintura de Clarice é uma de suas
personagens, Angela Pralini, protagonista do romance póstumo “Um sopro de vida”. Fala-nos
Angela desse momento anterior — anterior a si
mesma, anterior ao próprio artista — em que a arte se
esboça. “De súbito então vem do subconsciente uma onda de criatividade e a gente se joga
nas nervuras, acompanhando-as um pouco — mas mantendo a liberdade”. Neste ponto anterior
(antes da própria Angela, antes mesmo de Clarice) não pode haver deliberação, só entrega. Sem
liberdade, em consequência, nada acontece. Ali nasce a pintura, Ali nasce a literatura.
Alguma coisa, enfim, se faz. Quem faz? Qualquer
resposta que se possa dar será, sempre, posterior
ao nascimento e à força que o gerou.
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