quarta-feira, 26 de março de 2014

Te Contei, não ? - Centenário - Uma crônica da favela

MAURÍCIO MEIRELES (EMAIL)
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Da esquerda para a direita: Carolina Maria de Jesus, Audálio Dantas e Ruth de Souza na Favela do Canindé
Foto: Terceiro / Divulgação/Acervo IMS
Da esquerda para a direita: Carolina Maria de Jesus, Audálio Dantas e Ruth de Souza na Favela do Canindé Terceiro / Divulgação/Acervo IMS
RIO - Uma catadora de papel que virou best-seller, vendendo 80 mil livros no Brasil e sendo traduzida para 15 idiomas. É essa a história da escritora Carolina Maria de Jesus, que publicou, em 1960, “Quarto de despejo — Diário de uma favelada”, relato de seu dia a dia na favela do Canindé, em São Paulo. Colocada por décadas no meio de um debate sobre se teria valor literário ou de mero documento sociológico, Carolina completaria 100 anos hoje — a data de seu nascimento é incerta, mas ela foi registrada como tendo vindo ao mundo no dia 14 de março de 1914. Para comemorar, o Instituto Moreira Salles (IMS) promove, a partir das 20h, o evento “Carolina é 100”, com exibição do documentário alemão “Favela — A vida na pobreza” (1971), seguida de um debate com o jornalista Audálio Dantas e a pesquisadora do departamento de Letras da Unicamp Marisa Lajolo.
— Carolina tinha uma personalidade muito forte. A obra dela tem tanto interesse como documento quanto do ponto de vista da criação. Ela descrevia seu dia a dia com muita força, com interpretações inteligentes — afirma Audálio Dantas.O filme de 16 minutos é inédito no Brasil. Dirigido por Christa Gottman-Elter, ele foi localizado pelo IMS em uma cinemateca do interior da Alemanha e precisou ser restaurado e legendado. A especulação dos pesquisadores que o localizaram é que tenha havido uma articulação diplomática nos anos 1970 para impedir sua exibição, porque mostrava a pobreza do Canindé — justo em um período em que a ditadura militar procurava esconder os problemas sociais do país. Nele, é possível ver Carolina catando papel e contando de seu hábito, já automático, de olhar qualquer lata de lixo. Entre outros relatos, ela fala da dificuldade para alimentar os filhos e confessa sentir inveja ao ver uma vizinha catando feijão.
Foi ele quem descobriu Carolina, em 1958, quando trabalhava na “Folha da Noite”. O jornalista fazia uma reportagem sobre a vida na favela quando se surpreendeu com uma mulher ameaçando os vizinhos de incluí-los em um livro. Ele se aproximou e pediu para ver o tal livro. Ao chegar no barraco de Carolina, pôde ver as anotações feitas pela mulher em cadernos — vários deles catados no lixo. Mais tarde, Audálio descreveu o cotidiano dela: “Se tem pão, come e dá aos filhos. Se não tem, elas choram, e ela chora também. O pranto é breve, porque ela sabe que ninguém ouve, não adianta nada”.
Carolina Maria de Jesus nasceu no interior de Minas Gerais. Como tantos moradores do campo, ela foi para São Paulo tentar a vida. Chegou a trabalhar como doméstica, mas acabou tirando uma parte de seu sustento do livro. Além da necessidade de expressar os fatos de sua vida, Carolina pensava em escrever um livro para vender. E deu certo. “Quarto de despejo” conquistou escritores como Clarice Lispector e Jorge Amado, entre outros. A obra chegou a ser adaptada para o teatro, com Ruth de Souza no papel da escritora.
— Carolina virou uma celebridade, meio uma Cinderela. Ela era consumida como uma fruta estranha pelas classes média e alta. Muita gente das altas rodas a convidava para jantar, a fim de exibi-la. E acho que ela não tinha consciência disso. Depois, ela foi abandonada — recorda Audálio Dantas.
Fracasso editorial no fim da vida
Dois anos depois de “Quarto de despejo”, Carolina publicaria “Casa de alvenaria — Diário de uma ex-favelada”, com relatos sobre sua vida depois da fama. Dela, ainda sairiam livros de poesia e um livro de provérbios — mas todos foram um fracasso editorial. E ela morreu, em 1977, pobre como no começo de sua carreira literária, num sítio que havia comprado com o dinheiro da primeira obra. Ela havia deixado de ser novidade.
O fato de circular nas altas rodas causava um quê de admiração, mas também de preconceito. Em março de 1961, por exemplo, a “Tribuna da Imprensa” ironizava os sapatos de bico fino e as roupas elegantes da escritora. “Fazendo o papel de ‘vedete’, a ex-humilde cronista da miséria urbana tratou com superioridade o próprio governador”, reclamava o jornal.
— Acho que nos anos 1960 a literatura deixou de ser uma coisa de gabinete e passou a ser de mídia. Mas a mídia vai por ondas. Acredito que Carolina jamais tenha aceitado cumprir o papel que queriam dar a ela — afirma Marisa Lajolo. — Hoje há uma aceitação maior na universidade de obras como a dela. É uma corrente que vai contra uma perspectiva mais monolítica do que é literatura.
Não à toa, hoje a antologia poética de Carolina Maria de Jesus é publicada pela editora da UFRJ. Seus dois primeiros livros, por sua vez, são publicados pela editora Ática. Dois dos 37 cadernos manuscritos da autora estão no IMS, e o resto, na Biblioteca Nacional

Artigo de Opinião - A dura dita de hoje

“A democracia só serviu para aposentar os meus heróis.” Essa afirmação é ofensiva para aqueles que sobreviveram aos tempos de chumbo

O Dia

Artigo de Opinião - Política de extermínio

Prisões arbitrárias, antissemitismo, cerceamento das liberdades e torturas maculam a Era Vargas

O Dia

Editorial - Guerra dos rios deve ter outro foco

Cuidassem melhor de todos os cursos d’água, estariam os governos de Rio e São Paulo no desespero por causa de uma estiagem?

O Dia

terça-feira, 18 de março de 2014

Artigo de Opinião - Os anos de Chumbo - Carlos Alberto Rabaça

O DIA
Rio - No início de março de 1964, já se falava que João Goulart queria aproveitar-se do Comício da Central para se lançar à permanência do poder através de um possível golpe. Mas a intenção não era levada a sério. Otto Lara Resende comentava no JB: “A revolução está nas ruas, mas os revolucionários estão em casa”. O momento exigia uma política social avançada, mas ninguém queria continuísmo ou reforma da Constituição que permitisse a reeleição.
A situação se agravou numa sexta-feira, 27 de março, com a passagem da crise do plano civil para o militar numa sublevação de marinheiros em um sindicato de metalúrgicos. A rebeldia provocou decisiva guinada, à esquerda, do governo. Como reação, foi organizada a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, passeata de mulheres da Zona Sul. O movimento foi apoiado, na época, pela imprensa e pela Igreja. 
A atmosfera política ficou tensa, com ameaças de supressão total dos meios de comunicação, fechamento do Congresso e um triunvirato militar no comando do país. Entramos num beco sem saída que durou 21 anos. As hesitações de Jango o levariam a perder o apoio do Exército para se opor ao movimento hostil da Marinha. Rompeu-se a continuidade civil do governo, e a solução foi transferida para a área militar.
O golpe, em defesa da “legalidade”, procurou justificar os meios pelos fins. As guarnições do Exército de Minas, São Paulo, Rio e Pernambuco aderiram ao legalismo a pretexto de restaurar a ordem. O dispositivo militar de que Jango se gabava desmantelou-se ao primeiro sopro de uma luta pra valer. Com o retrocesso, cavou-se o abismo entre as elites e as massas que voltaram ao sufoco e ao descontentamento. A mordaça calou os movimentos estudantis e a UNE. 
Logo no início as estações de rádio silenciaram e só se ouvia a “cadeia da legalidade”, incluindo as rádios Nacional, Ministério da Educação, Mayrink Veiga e Mauá, depois silenciadas com programações oficiais. O ‘Estadão’, a ‘Folha’, o ‘JB’, ‘O Globo’ e o ‘Correio da Manhã’, no início, aderiram à “verdadeira legalidade”. Mas, depois, tiveram censores de plantão em suas redações, e a liberdade de expressão terminou. 
Foram marcantes o musical ‘Opinião’ e o espetáculo ‘Liberdade, Liberdade’, sufocados por censores despreparados. Na sucessão de presidentes militares, houve perseguições, vinganças e torturas, violências que mancharam a história da democracia, ainda nascente. E a liberdade foi adiada e, finalmente, suprimida com o AI-5. Com o fim da ditadura, em 1985, o Brasil enxergou com clareza seu atraso civilizatório.
Ficaram visíveis os valores esquecidos da nação. Intelectuais adormeceram no histórico do povo: Anísio Teixeira, Josué de Castro, Álvaro Vieira e Guerreiro Ramos, apagados na memória por denunciar o coronelismo e o mandonismo em que viveu o país. O Brasil rebelde e criativo ficou bem menor.


Carlos Alberto Rabaça é sociólogo e professor

Artigo de Opinião - O golpe no povo brasileiro - João Batista Damasceno

A participação dos EUA no golpe empresarial-militar de 1964 começou muito antes daquele 1º de abril, conforme comprova a abertura dos arquivos daquele país

O DIA

Artigo de Opinião - Meu 1º de abril de 1964

A ditadura me atingira na pele, pela primeira vez, para mais tarde me prender por quatro anos (1969-1973) e cassar por dez meus direitos políticos

O DIA
Rio - Na data do golpe militar, eu participava em Belém (PA) do congresso latino-americano de estudantes. As notícias chegavam confusas. Pelas ruas, viaturas militares. Lideranças estudantis de outros países do continente preferiram dissolver o congresso. 
Como membro da direção nacional da Ação Católica, eu estava hospedado na residência do arcebispo D. Alberto Ramos, a convite de seu auxiliar, D. Milton Pereira. Na noite do 1º de abril, vi na TV o arcebispo agradecer à Virgem de Nazaré por livrar o Brasil do comunismo e sugerir que entre o clero havia influência marxista. D. Milton aconselhou-me buscar refúgio fora dali. 
Jango fora deposto e se exilara no Uruguai. Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, assumira a Presidência da República sob tutela dos militares, que impunham eleição presidencial a 11 de abril, pelo voto apenas de membros do Congresso Nacional que ainda não haviam sido cassados. 
Após nove dias, decidi retornar ao Rio, onde morava. Minha passagem aérea tinha sido cedida por Betinho, então chefe de gabinete do ministro da Educação, Paulo de Tarso dos Santos. Na Varig, fui informado de que haviam sido canceladas todas as passagens de cortesia emitidas pelo “governo anterior”. Na capa havia o carimbo de “Cancelado”. Rasguei-a e estendi-a ao funcionário, que avisava não ter mais assento vago em voos diretos para o Rio, só com escala no Recife. 

Cheguei à capital pernambucana a 10 de abril, dia da posse de D. Helder Câmara como arcebispo de Olinda e Recife. Ele fora o responsável pela minha transferência de Minas para o Rio e cuidava da manutenção do apartamento das direções da JEC e da JUC (Juventude Universitária Católica). 
D. Helder ouviu o relato do que eu presenciara em Belém. Na volta ao Rio, viajei ao lado de D. Cândido Padin, bispo auxiliar do Rio e assessor nacional da Ação Católica. 

Ao aterrissar, o piloto avisou que a Polícia Federal entraria para conferir a identidade de cada passageiro. Passei a D. Padin os documentos do congresso de estudantes. Ele os escondeu dentro do hábito. Ao entrar no avião, os policiais viram D. Padim: “O bispo pode desembarcar”, disseram. Todos os demais fomos identificados e revistados. 
Na madrugada de 5 para 6 de junho de 1964, o apartamento da direção da Ação Católica foi invadido por agentes do Cenimar. Fomos levados presos para o Comando Naval e depois para o quartel dos fuzileiros navais, na Ilha das Cobras. A ditadura me atingira na pele, pela primeira vez, para mais tarde me prender por quatro anos (1969-1973) e cassar por dez meus direitos políticos.


Frei Betto é autor de ‘Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira’ (Rocco)

domingo, 16 de março de 2014

Prefiro nem comentar !!!!!!!!!!!!!!!!


Te Contei, não ? - Ranking de leitura -- Estrangeiros no topo

CRISTINA TARDÁGUILA 


Livia Barros aluga livros de Sparks na Maré: “Jorge Amado? É uma linguagem antiga”
Foto: Paula Giolito / Agência O Globo

Livia Barros aluga livros de Sparks na Maré: “Jorge Amado? É uma linguagem antiga”Paula Giolito / Agência O Globo
RIO - Nas bibliotecas públicas cariocas e do estado do Rio, os autores estrangeiros dão um banho de popularidade nos brasileiros. Em levantamento oficial solicitado pelo GLOBO à Secretaria Municipal de Cultura, o destaque é o americano Nicholas Sparks, que está na lista dos mais lidos em sete dos dez espaços mantidos pela prefeitura. No ano passado, seus livros foram emprestados 116 vezes, enquanto os de Zibia Gasparetto, autora de textos sobre espiritismo e brasileira mais bem colocada na lista, saiu apenas 29 vezes. Já nas bibliotecas estaduais, quem lidera o ranking dos mais emprestados em 2013 é a britânica J.K. Rowling, segundo relatório da Secretaria Estadual de Cultura, também pedido pelo GLOBO.
Na Biblioteca Popular da Maré, construída perto da Avenida Brasil, a oferta de livros de Jorge Amado faz jus à homenagem ao escritor baiano, que dá nome ao espaço: 38 títulos ocupam uma estante quase completa, num lugar nobre, bem ao lado da bibliotecária. Mas é Sparks o autor de maior sucesso entre os leitores, que organizaram até um clube do livro dedicado a ele.
“Parece que a gente está na história”
Capitaneado pela baiana Lívia Santos Barros, que tem 28 anos e trabalha como cozinheira da lona cultural aberta ao lado, o clube composto por quatro jovens mulheres que se dizem “encantadas pela forma como ele escreve” foi o responsável por colocar “Querido John”, de Sparks, entre as obras mais emprestadas da biblioteca em 2013. No ano passado, o romance saiu das estantes quatro vezes — uma para cada participante do clube, dedicado à troca de informações sobre o autor.
— Gosto demais do estilo dele. Parece que a gente está na história, que está vendo a coisa acontecer de verdade — explica Lívia, antes de confessar que chorou com “A última música”, do mesmo autor. — Jorge Amado? É meu conterrâneo! Já tentei ler! Mas larguei “Gabriela, cravo e canela” na metade. É uma linguagem antiga. Coisa chata. Não me identifiquei.
Na Biblioteca Popular de Irajá, que homenageia João do Rio, também na Zona Norte, os livros de Sparks ocupam os três primeiros lugares do ranking de obras mais emprestadas em 2013. “Um amor para recordar” saiu 18 vezes; “Um homem de sorte”, 15; e “A escolha”, 12. Em janeiro deste ano, o espaço oferecia ao público 19 exemplares de Sparks e 24 de João do Rio. Mas Claudia Carvalho, bibliotecária responsável pelo espaço, nem se lembra da última vez em que o escritor brasileiro foi procurado.
— Acho que nossos leitores gostam do que está na mídia, do que aparece nas listas dos mais vendidos. Eles vêm aqui procurando isso — diz ela. — João do Rio só atrai historiadores, gente que está escrevendo sobre ele ou estudando seus textos. Mas vou dizer uma coisa: às vezes acho que as pessoas têm preconceito com a literatura brasileira, viu? O governo deveria estimular mais o interesse pela literatura nacional.
Nas três bibliotecas estaduais, em Manguinhos, Niterói e Rocinha, entre janeiro e dezembro do ano passado, “Harry Potter e a pedra filosofal”, de J.K. Rowling, foi emprestado 121 vezes, e “Harry Potter e a câmara secreta”, 89. No mesmo período, a brasileira mais bem colocada nos três espaços foi Thalita Rebouças. “Fala sério, professor” teve 60 empréstimos, e “Fala sério, amor”, 30.
— Ao que tudo indica, os clássicos brasileiros estão caindo no esquecimento — lamenta Rodrigo Soares, bibliotecário de Botafogo. — Temos que pensar em formas de divulgar e promover esses autores clássicos, porque os leitores jovens não vão mais atrás deles. Parecem preferir os mais lidos, as trilogias e tudo o que é comercial. Esse levantamento de dados mostra que é hora de repensarmos isso para evitar o total esquecimento.
 em http://oglobo.globo.com/cultura/autores-estrangeiros-superam-classicos-brasileiros-no-ranking-das-bibliotecas-do-rio-11762085#ixzz2wA5gZ9yG 

sábado, 15 de março de 2014

Te Contei, não ? - A História da África do Sul

Historia da África do Sul
 
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Os primeiros navegadores europeus, portugueses principalmente, chegaram à África do Sul no século XV. Diogo Cão alcançou a costa sul-africana em 1485 e em 1488 foi a vez de Bartolomeu Dias.

A História do país, propriamente dita, começa no século XVII com a ocupação permanente da região do Cabo da Boa Esperança pelos holandeses. Em 1909, a união das colónias britânicas de Cabo, Natal, Transval e Orange River origina a nação da África do Sul.
 
Pintura da chegada de Jan van Riebeeck na Baía da Mesa (por Charles Bell).

De 1948 a 1993/1994, a estrutura política e social é baseada no Apartheid, o sistema legalizado de discriminação racial que manteve o domínio da minoria branca nos campos político, económico e social.

Em 1983, é adotada uma nova Constituição que garante uma política de direitos limitados às minorias asiáticas, mas continua a excluir os negros do exercício dos direitos políticos e civis. A maioria negra, portanto, não tem direito de voto nem representação parlamentar. O partido branco dominante, durante a era do Apartheid, é o Partido Nacional, enquanto a principal organização política negra é o Congresso Nacional Africano (ANC), que durante quase cinquenta anos foi considerado ilegal.

Mais tarde, em 1990, sob a liderança do presidente F. W. de Klerk, o Governo sul-africano começa a desmantelar o sistema do Apartheid, libertando Nelson Mandela, líder do ANC, e aceitando legalizar esta organização, bem como outras anti-Apartheid.

Os passos seguintes no sentido da união nacional são dados em 1991. A abertura das negociações entre os representantes de todas as comunidades, com o objetivo de elaborar uma Constituição democrática, marca o fim de uma época na África do Sul.

Em 1993, o Governo e a oposição negra acordam nos mecanismos que garantam a transição para um sistema político não discriminatório. É criado um comité executivo intermediário, com maioria negra, para supervisionar as primeiras eleições multipartidárias e multirraciais, e é criado, também, um organismo que fica encarregado de elaborar uma Constituição que garanta o fim do Apartheid.

Em Abril de 1994 fazem-se eleições multirraciais para o novo Parlamento. O ANC ganha as eleições e Nelson Mandela, formando um Governo de unidade nacional, torna-se o primeiro Presidente sul-africano negro. Em 2004, ano em que Thabo Mbeki completou cinco anos como sucessor de Nelson Mandela, o Presidente da República da África do Sul prometeu acabar com toda a violência de carácter político que ainda possa existir no país.
Fatos Históricos
Os europeus chegam à região em 1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias contorna o cabo da Boa Esperança. Ponto estratégico na rota comercial para as Índias e habitada por diversos grupos negros (bosquímanos, khoi, xhosas, zulus), a região é povoada por imigrantes holandeses, franceses e alemães no século XVII. Esses colonos brancos (chamados bôeres ou africânderes) se fixam na região e desenvolvem uma língua própria, o africâner. Em 1806, os ingleses tomam a Cidade do Cabo e lutam contra negros e bôeres. Os choques levam os bôeres a emigrar maciçamente para o nordeste (a Grande Jornada, em 1836), onde fundam duas repúblicas independentes, Transvaal e Estado Livre de Orange. A entrada dos britânicos no Transvaal provoca tensão e resulta na Guerra dos Bôeres, que termina com a vitória britânica.
 
Mais Historia
Os seres humanos modernos habitam a África Austral há mais de 100.000 anos. Na época do contato com os Europeus, os povos indígenas dominantes eram tribos que migraram de outras partes da África há cerca de mil anos antes da colonização europeia. Entre os séculos IV e V, tribos falantes do Bantu vieram para o sul, onde deslocaram, conquistaram e assimilaram os povos originários da África Austral. Na época da colonização europeia, os dois maiores grupos eram os povos Zulu e Xhosa.

Em 1652, um século e meio após a descoberta da Rota Marítima do Cabo, a Companhia Holandesa das Índias Orientais fundou uma estação de abastecimento que mais tarde viria ser a Cidade do Cabo. A Cidade do Cabo tornou-se uma colônia britânica em 1806. A colonização européia expandiu-se na década de 1820 com os Bôeres (colonos de origem Holandesa, Flamenga, Francesa e Alemã) enquanto os colonos Britânicos se assentaram no norte e no leste do país. Nesse período, conflitos surgiram entre os grupos Xhosa, Zulu e Afrikaners que competiam por território.

Mais tarde, a descoberta de minas de diamante e de ouro desencadeou um conflito do século XIX conhecido como Segunda Guerra dos Bôeres, quando os Bôeres e os Britânicos lutaram pelo controle da riqueza mineral do país. Mesmo vencendo os Bôeres, os Britânicos deram independência limitada à África do Sul em 1910, como um domínio britânico. Durante os anos de colonização Holandesa e Britânica, a segregação racial era essencialmente informal, apesar de algumas leis terem sido promulgadas para controlar o estabelecimento e a livre circulação de pessoas nativas.
 
Boêres em combate (1881).
Nas repúblicas Bôeres, já a partir do Tratado de Pretória (Capítulo XXVI), os subsequentes governos sul-africanos tornaram o sistema de segregação racial legalmente institucionalizado, o que mais tarde ficou conhecido como apartheid. O governo então estabeleceu três categorias de estratificação racial: brancos, colorados e negros, com direitos e restrições específicos para cada categoria.


A África do Sul conseguiu sua independência política em 1961 e declarou-se uma república. Apesar da oposição dentro e fora do país, o governo manteve o regime do apartheid. No início do século XX alguns países e instituições ocidentais começaram a boicotar os negócios com o país por causa das suas políticas de opressão racial e de direitos civis. Após anos de protestos internos, ativismo e revolta de sul-africanos negros e de seus aliados, finalmente, em 1990, o governo sul-africano iniciou negociações que levaram ao desmantelamento das leis de discriminação e às eleições democráticas de 1994. O país então aderiu à Comunidade das Nações.


"For use by white persons" (em português: "Para uso de pessoas brancas") – placa da era do apartheid.Em 1983, é adotada uma nova constituição que garante uma política de direitos limitados às minorias asiáticas, mas continua a excluir os negros do exercício dos direitos políticos e civis. A maioria negra, portanto, não tinha direito de voto nem representação parlamentar. O partido branco dominante, durante a era do apartheid, é o Partido Nacional, enquanto a principal organização política negra era o Congresso Nacional Africano (ANC), que durante quase 50 anos foi considerado ilegal.
 
"For use by white persons" (em português: "Para uso de pessoas brancas") – placa da era do apartheid.

Mais tarde, em 1990, sob a liderança do presidente F. W. de Klerk, o governo sul-africano começa a desmantelar o sistema do apartheid, libertando Nelson Mandela, líder do ANC, e aceitando legalizar esta organização, bem como outras antiapartheid.

Os passos seguintes no sentido da união nacional são dados em 1991. A abertura das negociações entre os representantes de todas as comunidades, com o objetivo de elaborar uma Constituição democrática, marca o fim de uma época perturbada na África do Sul que iniciou-se em 1948 e teve seu fim em 1990, 42 anos, época está chamada de Apartheid, que numa tradução para o português seria "segregação racial"

No dia 10 de abril de 1993, um dos principais líderes do movimento negro da África do Sul, Chris Hani, tombou vítima de dois tiros, diante da própria residência. O que seus assassinos não previram é que essa morte acabaria por acelerar o fim do apartheid.

Em 1993, o governo e a oposição negra acordam nos mecanismos que garantam a transição para um sistema político não discriminatório. É criado um comité executivo intermediário, com maioria negra, para supervisionar as primeiras eleições multipartidárias e multirraciais, e é criado, também, um organismo que fica encarregado de elaborar uma Constituição que garanta o fim do Apartheid.

Em Abril de 1994 fazem-se eleições multirraciais para o novo Parlamento. O ANC ganha as eleições e Nelson Mandela, formando um Governo de unidade nacional, torna-se o primeiro presidente sul-africano negro. Em 2004, ano em que Thabo Mbeki completou cinco anos como sucessor de Nelson Mandela, o presidente da república da África do Sul prometeu acabar com toda a violência de carácter político que ainda possa existir no país. Mbeki demitiu-se do cargo em 20 de Setembro de 2008 após pressões do seu próprio partido sob acusação de interferência no poder judicial. Dois dias depois o ANC apontou Kgalema Motlanthe para chefe-de-estado.

Em Abril de 2010 foi assassinado o líder de extrema-direita Eugène Ney Terre'Blanche, que defendia a supremacia branca no país. O acontecimento marca o aumento da violência e da tensão racial no país. Terreblanche foi encontrado morto na sua casa, no nordeste do país, com ferimentos na cabeça. O assassinato foi atribuído a dois dos seus empregados.


 
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Te Contei, não ? - História da África do Sul

ÁFRICA DO SUL: UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA


Quando as eleições de 1994 foram realizadas, nascia, naquele momento, uma nova África do Sul. Nelson Mandela, líder negro sul-africano que ficou preso por 27 anos ficou devido ao ideal de acabar com o apartheid, venceu a eleição. Três séculos de soberania dos brancos sobre a maoria negra da população finalmente chegavam ao fim.
Esse novo começo para o país chamado de “Rainbow Nation” - ou, como diz o Arcebispo Desmond Tutu, primeiro arcebispo negro sul-africano, “Rainbow Children of God” - significava, pela primeira vez, que todas as pessoas da África do Sul, independentemente da cor, credo ou sexo, eram iguais. Em 1997, uma constituição inédita garantiu ao povo esses direitos.
Os 300 anos de história sul-africana que precederam essa dramática reviravolta em direção à liberdade e à democracia explicam como tudo deu tão errado em um período de tempo tão longo. Colonizadores europeus brancos de três países lutaram entre si pelo direito de controlar um território vasto que, na opinião de cada um, pertencia a eles. Na mesma época, tribos negras fizeram o mesmo. E os colonizadores ainda travaram batalhas com as tribos que atravessam seu caminho. Foi nessa época que minas de ouro e diamante foram descobertas. Os negros foram trabalhar nas minas, enquanto os brancos ficavam mais ricos.
Para que a história não pareça confusa, é necessário que se fale sobre o papel social e político da África do Sul na História Antiga do mundo.

Antropologia
O que se sabe sobre o habitante mais antigo do território que mais tarde seria chamado de África do Sul vem de teorias de antropólogos, que o chamam de hominídeo, precursor de espécies mais evoluídas como o homo habilus, homo erectus e homo sapiens. Em 1947, fósseis de hominídeos de três milhões de anos de idade foram descobertos nas cavernas Sterkenfontein Caves, perto de Krugersdorf, a oeste de Joanesburgo.
O homem moderno apareceu no cenário há três mil anos. O povo africano Khoisan, que vivia na região norte de Botsuana, abriu mão da caça para criar gado, atividade que os outros africanos já estavam aprendendo. Eles chamavam a si mesmos de Khoikhoi, o significa homens dos homens, e se referiam aos que permaneceram caçadores como San. Não havia fronteiras naquela época e os dois grupos, Khoikhoi e San, povoaram as terras.

Colonização da Região do Cabo
Em 1652, quando a Companhia das Índias holandesa se instalou permanentemente na Cidade do Cabo, a colonização não estava em primeiro plano. O navegador português Bartolomeu Dias tinha dado a volta na região do Cabo e chegado a Mossel Bay em 1488, enquanto outro explorador português, Vasco da Gama, tinha descoberto a rota para a Índia, passando pelo Cabo, em 1497. Como a Cidade do Cabo era um porto conveniente para quem vinha e ia para o ocidente, os holandeses enviaram o comandante Jan van Riebeeck para o local, onde ele se desentendeu com os Khoikhois (chamados de Hottentots pelos holandeses). Ele declarou guerra ao povo Khoikhoi e aprisionou seus líderes em Robben Island, dando início ao período histórico de colonização. Mais tarde, van Riebeeck estabeleceu que os brancos eram os colonizadores, criando uma colônia de escravos, cuja maioria era de indonésios.
Os primeiros colonizadores brancos levavam suas vidas em pequenas fazendas na Cidade do Cabo, onde se alimentavam de carne e bebiam vinho. As colônias se espalharam pelas montanhas e chegaram rapidamente aos pastos secos do interior. Com isso, aconteceu uma mudança relacionada à percepção que cada grupo tinha de si mesmo: os colonizadores decidiram se diferenciar de seus irmãos da Holanda e se autodenominaram Boers (palavra que significa fazendeiros) ou Afrikaaners (africanos). As mortes começaram a acontecer quandos os “novos” colonizadores decidiram tomar o que bem entendessem, matando os adultos dos grupos Khoikhoi e fazendo de seus filhos serventes domésticos.
Em 1688, os Hughenots, um grupo de 220 protestantes franceses que tentavam escapar da perseguição religiosa, chegaram ao território e introduziram os conhecimentos para o cultivo da uva.

A chegada dos Britânicos
Quando os holandeses fecharam a Companhia das Índias em 1795, as forças inglesas tomaram o controle da região do Cabo. Os britânicos devolveram o poder aos holandeses no breve período de 1803 a 1806, mas depois resolveram tomá-lo novamente. Uma das primeiras iniciativas do governo foi atacar o povo Xhosa, que estava enraizado dentro das áreas dos colonizadores brancos.
Quando o coronel britânico John Graham seguiu as instruções de incitar “um grau apropriado de terror” no povoado Xhosa e expulsá-lo de lá, ele foi homenageado em 1812 com uma nova cidade, chamada de Grahamstown.

As Guerras do Século 19: Luta pelo Poder
Em 1819, para colocar seu selo na região, os britânicos enviaram 4 mil colonizadores, concedendo a eles terras conhecidas como Zuurveld, às margens do rio Great Fish. A vida era cruel e sem perspectivas. Para piorar a situação, eles tiveram que pagar impostos por seus privilégios, o que causou ressentimento em relação ao regime britânico na Cidade do Cabo - o que já havia acontecido com os Boers.
Os britânicos estavam mais interessados em desafiar o estilo de vida dos Boers. Uma série de ordens foi dada para destruí-los. O Decreto 50 de 1828 aboliu o trabalho forçado e a diferença de cor em relação às leis, abrindo o caminho para a abolição da escravidão em 1834.
Os Boers, como resposta, resolveram partir para as terras além do rio Orange, que ainda estavam fora do controle britânico. Esse êxodo em massa ficou conhecido como o Great Trek.
Enquanto isso, outro tipo de revolução estava acontecendo ao norte do rio Thukela, na área que hoje representa a província de KwaZulu-Natal: a tomada do poder pelo exército do reino de Zulu. O reinado de Shaka Zulu (de 1818 a 1828) foi marcado pelas manias do déspota que até hoje intriga os historiadores. Em 1828, Shaka foi assassinado por seu irmão Dingaan, que na época negociava terras com Piet Retief, líder dos imigrantes Boers, também chamados de Voortrekkers. Dingaan ordenou o assassinato de Retief.

A Batalha de Blood River
Os Boers uniram suas forças sob o comando de Andrius Pretorius, que mais tarde originou o nome da capital da África do Sul. Os Zulus foram vencidos na Batalha de Blood River, uma questão que até hoje toca o orgulho nacionalista dos Afrikaaners. Na década de 1930, os historiadores Afrikaaners reinterpretaram a batalha como um sinal divino de que os descendentes dos Voortrekkers eram pessoas enviadas por Deus que deveriam dominar a África do Sul.
Nessa mesma época, outra guerra foi travada entre os britânicos e os Xhosas, dessa vez na divisa leste do país. O conflito foi tão longo que ficou conhecido como a Guerra dos Cem Anos. Quatro guerras em fronteiras estouraram entre 1819 e 1853, tirando milhares de vidas e deixando a tribo Xhosa arrasada por muitas gerações.
Na colônia britânica de Natal, a segregação racial foi imposta e “reservas nativas” foram estabelecidas, na mesma época em que plantações enormes de cana-de-açúcar foram feitas. A solução para mão-de-obra foi transformar os indianos em escravos, adicionando mais um grupo étnico à turbulenta mistura que já existia na região.
Em 1867, a África do Sul ainda não era considerada uma nação. Quatro colônias regidas por brancos e vários reinos de negros co-existiam. O poder britânico era dominante, mas muitas colônias grandes conseguiram achar suas fontes de poder.

A Descoberta do Ouro e do Diamante
Dizem que em 1866, o jovem Erasmus Jacobs estava brincando na fazenda de seu pai, perto de Hopetown, quando achou uma linda pedra. Um vizinho quis comprá-la, mas a família não achou que a pedra tivesse valor e acabou dando-a, em vez de vendê-la. A linda pedra de Erasmus era o diamante “Eureka”, de 21,25 quilates, que causou a corrida do diamante em Kimberley. Três anos depois, o mesmo vizinho teve sorte novamente, mas dessa vez ele achou uma pedra maior, com 83,5 quilates, que mais tarde foi chamada de “Estrela da África do Sul”.
Os diamantes foram encontrados em fazendas da região. O processo de escavação deu origem ao Kimberly Big Hole. Mais de 50 mil pessoas vieram do mundo todo em busca da preciosidade. As condições de vida eram horríveis, mas toda vez que a área parecia estéril, alguém encontrava outra mina vulcânica cheia de diamantes.
A propriedade dos diamantes foi motivo de brigas litigiosas. Conhecidas como Grigualand West, as minas foram reivindicadas pelo povo Khoina, que há 70 anos habitava o local. Como as minas estavam nas fronteiras, os governos do estado de Orange Free, da República Sul-Africana e de Cape Colony também queriam uma parte da riqueza. Quando os britânicos chegaram em 1880 e simplesmente anexaram a área, todos discordaram.
Kimberley, considerada o centro da indústria de diamantes, foi dominada por nomes como Cecil Rhodes, Charles Rudd e Barney Barnato, que juntos trabalharam para criar um poderoso cartel, que mais tarde foi consolidado e deu origem à De Beers Consolidated Mines. Hoje, sob o comando do grupo Oppenheimers, a De Beers domina o mercado mundial de diamantes.

Ouro nas Colinas
A corrida do ouro começou em 1886, quando George Harrison descobriu a camada Main Reef, em Witatersrand. As fazendas das redondezas foram declaradas propriedade pública e uma nova cidade, Johanesburgo, foi criada na região.
Nessa época, o norte tinha assumido o controle da África do Sul, e várias guerras marcaram a luta pelo poder. Em 1979, os Zulus derrubaram as forças britânicas em Isandiwana. Os britânicos, para reagir, derrotaram os Zulus em Ulundi, que hoje é chamada de KwaZulu-Natal.
Quando o Transvaal teve sua república proclamada, estourou a guerra Anglo-Boer, de 1880 a 1881. A segunda guerra Anglo-Boer, que resultou na derrota dos Boers, aconteceu entre 1899 e 1902.

O Século 20
O território sul-africano foi completamente dominado e os Boers e os britânicos conseguiram se conciliar. Em 1910, A União da África do Sul foi proclamada. Durante o século 20, os Afrikaaners voltaram a dominar o país por um curto período, mas a história registra uma impressionante dificuldade político-social vivenciada pelos negros.
Os brancos começaram a se preocupar quando se depararam com a mudança demográfica dos negros: de pequena minoria nos centros urbanos na época da União, os negros passaram a ser maioria em todas as cidades principais por 40 anos. Os negros foram completamente privados dos seus direitos quando foram expulsos dos sindicatos políticos e comerciais. As leis chamadas de Pass Laws controlavam seu movimento, garantindo que os negros não saíssem das fazendas dos brancos. Graças ao conjunto de leis Land Acts, de 1913 e 1936, a maioria dos negros, que continuou vivendo em tribos, também foi proibida de comprar terras fora das reservas.
As eleições de 1943 e 1948 colocaram o Partido Nacional, composto de brancos, no poder. O partido controlou o país até as eleições de 1994.

Um Novo Mundo
Com as eleições de 1948, Hendrick Verwoerd e D.F. Malan criaram um mundo novo: o apartheid, ou “separação”. Esta posição política nacional trouxe muitas leis novas. Os negros foram forçados a se sentar em bancos públicos separados, usar entradas de prédios diferentes e ter seus próprios banheiros públicos. No ano seguinte, o decreto Mixed Marriages Act proibiu casamentos entre negros e brancos.
O decreto mais cruel de todos foi o Popular Registration Act, de 1950, que exigia registros de acordo com as classificações raciais. Os negros eram obrigados a carregar um passe permanentemente, impedindo-os de entrar nas cidades. Mais adiante, um grande número de negros foi enviado a áreas chamadas de townships - áreas de segregação racial e grande pobreza, que quanto mais longe dos olhos dos brancos, melhor.
Por 30 anos, o Partido Nacional batalhou para manter o sistema de apartheid, que pregava a censura aos meios de comunicação e a falta de liberdade de expressão. O índice de violência estava aumentando, bem como o número de protestos no país. A África do Sul se transformou em assunto de discussão internacional.

A Resistência Aumenta
A resistência contra o apartheid culminou nos anos 70, quando Steve Biko, um líder popular do Movimento da Consciência Negra, fez um discurso para estudantes negros e brancos, com a intenção de aumentar o orgulho negro e divulgar o movimento. Biko foi espancado até a morte em uma cela de prisão, mas deixou um legado muito maior do que esperava.
Outro momento horrível da história sul-africana aconteceu em 1976, quando crianças de um colégio em Soweto foram às ruas para protestar contra a imposição de que Afrikaans fosse seu idioma oficial. Centenas de crianças foram mortas por policiais que atiraram, e mais de 600 negros morreram por protestarem contra a chacina.
Nelson Mandela, que na época já estava há nove anos na prisão, tornou-se um herói do movimento, e o Arcebispo Desmond Tutu trabalhou incessantemente por uma solução pacífica. Nos anos 80, violência nas townships já havia se tornado comum. Em 1986, sanções internacionais foram impostas, causando grandes dificuldades econômicas ao país.
A estrada para a liberdade foi finalmente aberta em 1990, quando o presidente F.W. de Klerk fez um discurso significativo diante do parlamento, onde repudiou o apartheid e revogou leis que protegiam a discriminação racial.
O sinal mais simbólico de mudança permanente veio com a libertação de Nelson Mandela, em 1990. Mandela trabalhou com o presidente para mudar a cara do governo sul-africano. Em 1994, o Arcebispo Desmond Tutu liderou o processo de “Verdade e Reconciliação”, ajudando a fechar antigas feridas. No mesmo ano, foram realizadas as eleições diretas, um movimento emocionante que gerou quilômetros de filas de pessoas que queriam fazer a diferença. Nelson Mandela foi eleito, e após sua aposentadoria em 1999, seu vice-presidente, Thabo Mbeki, foi eleito para seguir os seus passos.

Terceira Eleição Democrática Em 2004
Em 14 de abril de 2004, o Congresso Nacional Africano (ANC) venceu a eleição com 69,68% dos votos. A data escolhida para a Terceira Eleição Democrática da África do Sul para eleger o presidente foi 27 de abril de 2004, para coincidir com a comemoração dos 10 Anos de Liberdade. Em seu discurso, o Presidente Mbeki prometeu solenemente lutar contra a miséria como a parte central do esforço nacional para construir uma nova África do Sul. Nestes dez anos, muitos progressos já foram feitos para melhorar as condições de vida de muita gente e este compromisso ainda continua.
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Última atualização dessa página: 13/01/2014.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Artigo de Opinião - Trama sem Historia - Joel Rufino dos Santos

Escravidão, para dona Edite, minha primeira professora de História, eram negros no tronco, trabalho de sol a sol, separação de pais e filhos pela ambição desenfreada dos amos, senzala. Esse inferno acabou quando abolicionistas que achavam a escravidão uma vergonha nacional intercederam junto à princesa Isabel para promulgar a Lei Áurea. A boa da dona Edite não podia ver a escravidão como vemos hoje: primeiro capítulo da globalização capitalista, um processo civilizatório cujo motor, paradoxalmente, foi um sistema de tortura sistemática — as três coisas entrelaçadas. Vemos isso hoje porque somos gente de hoje.
O ganhador do Oscar, “12 anos de escravidão”, é muito bom. Só um problema: não escapa ao senso comum sobre o que foi esse fenômeno histórico, no Brasil e nos Estados Unidos. Alguém vai responder que um filme não é uma aula de História. Felizmente, digo eu. Ocorre que filmes, romances, peças, seriados de televisão, discursos de políticos podem fazer pior — podem alimentar, com seu poder de sedução, ideias ilógicas e sentimentos elementares. Filme é filme, mas o de Steve McQueen está no nível das aulas da saudosa dona Edite (com todo o respeito).
Dona Edite teve uma premonição: antes de Isabel (nos Estados Unidos, antes de Lincoln), o negro só se tornava livre com espírito de superação, ajudado por um branco (no caso do filme de McQuen por um canadense). É assim que um cego se torna, na paralimpíada, o melhor jogador do mundo, uma menina favelada entra no balé Bolshoi, um lavrador da Paraíba se torna spala da OSB... A chave é superação.
Bem, o filme é uma “história de superação”. Uma boa história. Qual o problema, então? É que “história de superação” é fórmula vulgar para suprimir a História. No caso do filme, o que ele suprime da história da escravidão americana? Que o avanço do capitalismo no Norte do país criou um embrião de burguesia negra que prosperou, enquanto no Sul, pré-capitalista, sob domínio da grande plantação, o máximo a que o negro chegava era a servidor doméstico (inclusive violinista). Houve no Brasil, também, um embrião de burguesia negra — explorando as sobras humanas da própria escravidão — nos últimos anos da monarquia, estrangulada pelo subcapitalismo liberal da fase seguinte. O Brasil, até a metade do século XX, foi um grande Mississipi.
Dona Edite me lembra que um filme não é uma aula de História. Ela tem razão. Para não perder a discussão, digo que “12 anos de escravidão” é um trompe l’oeil, expressão antiga que se traduz como “engana-olho”, o que está ali para se pensar que o falso é o verdadeiro.
O fato é que Edite adoraria o filme. Só faria uma questão, para me arrasar: “Se a escravidão brasileira foi suave, em razão do caráter do nosso povo, e a americana foi tão cruel, como explica aquelas casinhas tão jeitosas de madeira em que moravam os pretos?”
A professora de História é a senhora. Sai de fininh

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