segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Te Contei, não ? - Educação sexual : reprovadas

Levantamento do GLOBO nas redes pública e privada do Rio mostra que poucas Escolas têm projetos específicos de Educação sexual. Especialistas dizem que tabu e falta de diálogo em casa expõem jovens a informações errôneas na internet. Sexo não se aprende na Escola. Ou, pelo menos, o debate sobre sexualidade continua um tabu em sala de aula, fazendo com que jovens busquem respostas na internet. Isso, dizem especialistas, frequentemente leva a informações equivocadas. Enquanto Educadores e sexólogos falam em vácuo na Educação sexual, um levantamento do GLOBO em 20 colégios particulares do Rio, entre eles os 10 melhores do ranking fluminense do Enem 2012, mostrou que só quatro apresentaram projetos específicos para discutir o tema. Na rede pública, as iniciativas são pontuais e tampouco correspondem às diretrizes do Ministério da Educação (MEC).

Artigo de Opinião - Justiça injusta - J.R.Guzzo

São duas fotos quase iguais, tiradas em lugares que ficam a pouco mais de 11.000 quilômetros um do outro, a primeira num cafundó do Maranhão e a segunda no cenário de terror do Iraque em guerra civil. Ambas foram publicadas no mesmo dia, no mesmo jornal, retratando fatos ocorridos em momentos diferentes - um no começo de agosto, outro em junho deste ano.

domingo, 28 de setembro de 2014

Crônica do Dia - A xacina do testo

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

Publicado na edição impressa de VEJA

Apezar da xuva, muita jente esteve prezente ao ezersisio de jinastica qe teve lugar no colejio. Omens, mulheres e criansas no fim cantaram o Ino Nasional. Ouve pesoas qe ate xoraram de emosão cuando a festa terminou. Oje qem qiser pode asistir a nova aprezentasão.

sábado, 27 de setembro de 2014

Crônica do Dia - Aranha ! Aranha !

Todos nós conhecemos direitinho como funciona nosso racismo, não somos inocentes

Estive recentemente no Rio Grande do Sul e me surpreendi com comentários de parte da imprensa gaúcha, que, de certa forma, tentavam minimizar a gravidade das ofensas racistas da torcedora gremista Patrícia Moreira ao goleiro Aranha, do Santos. Após a torcedora, em prantos, ter declarado à imprensa que chamar o goleiro de macaco não foi uma ofensa racista, e de ter publicamente invocado seu perdão, vários jornalistas em solidariedade começaram a sugerir que Aranha tivesse a “grandeza” de perdoar Patrícia pelas injúrias.

Se chamar um homem negro de macaco não é uma ofensa racista, é o quê?

Uma demonstração carinhosa de admiração e respeito?

É admissível que alguém numa conversa declare: “Realmente aquele macaco do Joaquim Barbosa fez um trabalho excelente no STF”?

Ou: “O macaco do Obama é de fato um orador notável”?

“Mas como é veloz esse macaco do Usain Bolt!”

“A macaca da minha cozinheira prepara uma feijoada inigualável!”

Façam-me o favor!

Chamar um negro de macaco é das piores ofensas racistas que há, ponto final. Entendo que Patrícia esteja morrendo de medo de ser presa e tope qualquer negócio para evitar uma descida às masmorras medievais brasileiras, que, aliás, estão cheias de negros e negras. Compreendo também que Patrícia sinceramente não se considere racista. Muita gente no Brasil acha que chamar um negro de macaco não é racismo. Assim como, para muitos, ofender um homossexual não constitui preconceito ou homofobia. Homens que espancam mulheres também não se consideram misóginos. Isso prova, claro, que além de racistas, preconceituosas e estúpidas, essas pessoas são ignorantes. E não é porque são ignorantes que não devem responder por seus atos.

Sabemos muito bem como funciona o dissimulado racismo brasileiro. Quantas vezes não somos obrigados a ouvir contra a vontade as constrangedoras piadas sobre negros, as abjetas expressões como “preto quando não caga na entrada caga na saída” e as deploráveis insinuações de que a ineficiência de algum servidor negro se explica pela cor de sua pele: “também... olha a cor... esperava o quê?”.

E tudo isso dito por pessoas comuns, gente de “bem” que não se considera racista. Até mesmo negros às vezes se referem a outros de forma preconceituosa, demonstrando uma subserviência patológica e deprimente.

Todos nós conhecemos direitinho como funciona nosso racismo, não somos inocentes.

Há os que dizem que não somos racistas, que nosso preconceito é social, que o que existe é o preconceito do rico contra o pobre, que o preconceito racial não tem como subsistir num país como o Brasil, o “caldeirão de raças” em que todos se misturam com sensualidade, amor, alegria, respeito mútuo, muito samba e muita ginga. Ôlelê!

Será?

Isso me soa como mais uma dessas balelas ufanistas com as quais gostamos de nos iludir, como aquela que diz que somos um povo pacífico.

Negros ofendidos, homossexuais agredidos e mulheres espancadas estão aí para provar que as coisas não são bem assim.

Alguns jornalistas chegaram a citar o fato de Mandela ter perdoado seus carcereiros ao sair da prisão para reforçar a necessidade de Aranha perdoar a torcedora que o chamou de “macaco”. Além de despropositada e ridícula, a comparação é capciosa. Parecem estar querendo culpar o Aranha por insensibilidade e acabam reforçando a ideia racista de que, se ele é negro, com certeza deve ter alguma culpa nessa história.

Muitos alegam que é injusto que Patrícia Moreira responda sozinha por um crime que foi cometido também por outros torcedores no estádio do Grêmio e que não puderam ser identificados pelas câmeras de TV. Discordam de que a moça seja a única responsabilizada por um crime que é praticado diariamente por milhares de pessoas em nossas cidades. Nada disso justifica que Patrícia não seja julgada pela Justiça, e que seu ato, e os dos outros torcedores que ofenderam Aranha, seja repudiado com veemência e que isso sirva de alerta e desestímulo às odiosas manifestações de racismo em estádios de futebol e em toda a sociedade.

Mário Lúcio Duarte da Costa, o Aranha — que aliás ganhou o apelido por suas defesas remeterem às de Lev Yashin, o mítico goleiro russo conhecido como Aranha Negra —, tem demonstrado muita personalidade nesse episódio todo. Expresso aqui minha solidariedade ao goleiro do Santos, que foi enfático e corajoso ao interromper o jogo no momento em que era ofendido pelos torcedores e demonstrou depois magnanimidade nas entrevistas que se seguiram ao evento, afirmando que como cristão ele perdoa Patrícia, mas mantém a convicção de que ela deve responder à Justiça por suas ofensas.

Mais que pedir perdão, os torcedores gremistas dariam um grande exemplo de cidadania se, na próxima vez em que o Grêmio enfrentasse o Santos, eles recepcionassem o goleiro adversário não com gritos de “macaco”, mas de “Aranha! Aranha!”



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/aranha-aranha-13929541#ixzz3EZbceSbl

Resenhando - Que país é esse ?

RIO -


"Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz...", cantou a Imperatriz Leopoldinense em 1989, levando o caneco daquele carnaval. Para quem não se lembra, o refrão-libelo dos compositores Niltinho Tristeza, Preto Joia, Vicentinho e Jurandir, um clássico de qualquer roda de samba, celebrava a República, então uma vetusta senhora comemorando cem anos.

Te Contei, não ? - "Eu apanhei mesmo"

Documentário baseado no drama de Amarildo tem cenas realistas de tortura
Assistente de pedreiro desapareceu após abordagem policial, no ano passado, na Rocinha

PATRÍCIA TEIXEIRA

Crônica do Dia - A Lapa e a Elza - Luiz Pimental

Rio - Ganhei um disco muito bacana, que estou ouvindo com prazer especial. Chama­se ‘Estação Lapa’, uma antologia em torno de canções sobre o bairro, de compositores que cantaram o bairro ou de artistas que fizeram ali suas carreiras ou parte delas.

Crônicas do Dia - A Independência e o idioma - Deonísio da Silva

Foi de Pombal o discernimento de dotar o Brasil de uma língua comum, uma vez que os padres ensinavam outras, de acordo com a nacionalidade das ordens religiosas

Crônicas do Dia - 'As familia' - Veríssimo

No meu tempo de torcedor de arquibancada, o futebol já não era mais um esporte fino, assistido por moças de chapéu. Tinha se transformado em coisa para homem

Crônica do Dia - Por que só Rafael ? - Thiago Melo e Carlos Eduardo Martins

Judiciário não relativizou o depoimento dos PMs

Rafael Braga Vieira, de 26 anos, morador de rua, catador de latinhas, foi condenado a quatro anos e oito meses de prisão por porte de aparato incendiário ou explosivo. Trazia uma garrafa plástica de desinfetante e outra de água sanitária. Foi preso em flagrante por policiais militares na maior manifestação da história do Rio, em 20 de junho de 2013, denunciado pelo Ministério Público, e condenado em primeira instância. Teve negado o recurso da defesa. Não houve falha no sistema. Pelo contrário, tudo funcionou de forma linear e coerente, com o resultado esperado: mais um preto pobre atrás das grades.

Crônica do Dia - Pelas barbas do profeta - Mario Sergio Conti

A maioria do país pode ser cristã. Mas o Estado não é

Crônica do Dia - Intolerante a intolerância - Karla Rondon Prado

Rio - Eu me preservo por não te dizer o que penso.

Crônicas do Dia - O que é imoral ? - Ruth de Aquino

É imoral trazer ao mundo um filho com síndrome de Down, se você tem a escolha. A mulher deveria abortar e tentar novamente. Quem deu essas declarações incendiárias na semana passada foi o biólogo britânico Richard Dawkins, ateu assumido e um dos maiores estudiosos da evolução das espécies. Produziu um “big bang” de ressentimentos, ódios e mágoas. Compreensível.

Crônica do Dia - Elevador de serviço e banheiro de empregada - Walcyr Carrasco

Todo mundo adora dizer que o Brasil é um país sem preconceito. Enquanto, nos Estados Unidos, a luta contra o preconceito racial tomou proporções épicas, aqui sempre se disse que não existia esse tipo de coisa, ou, talvez, só muito pouco. Seria caso de rir, não fosse sério. Se você for afrodescendente, já deve saber como é. Entrar num prédio de classe média alta é uma aventura. Em geral, indicam a entrada de serviço. Porque, aí, se acumulam dois preconceitos: um contra a cor da pele, o outro contra a pobreza. O preconceito contra os pobres também é tremendo. Ninguém manda um médico subir pelo elevador de serviço, mas o encanador sim. Ambos não prestarão um serviço? Pela lógica, deveriam ser tratados de maneira igual.

Crônica do Dia - O amor é interesseiro - Walcyr Carrasco

Amar é difícil. Principalmente, porque a gente costuma se apaixonar por alguém que não existe e coloca todas as expectativas na primeira pessoa que aparece pela frente. Bastam alguns miados e pronto – já se fala em amor, em compromisso e relação. Você e eu somos românticos, apesar de todos os ossos que tivemos de roer na vida. Acreditamos naquele amor puro, translúcido como um cristal. Ah, meu Deus, será que algum dia existiu? Só se for na imaginação dos escritores românticos. Mesmo um grande autor de livros românticos como Machado de Assis a certa altura mudou de gênero. Tornou-se realista e criou uma suspeita Capitu, que ninguém nunca saberá ao certo se traiu – nem mesmo seu sofrido marido, Bentinho. O que terá feito Machado de Assis tornar-se realista? Talvez tenha descoberto que o amor não é um sentimento único como um vaso de alabastro, mas um conjunto de sensações e, sim, interesses.

Estou aqui, com mais de 60, há alguns anos sozinho e me considero, enfim, na roda. Sempre ouço perguntas, se tento um novo relacionamento.

Te Contei, não ? - Machado de Assis - Geografia e obra

RIO — A primeira teoria diz que, quando escreveu seu último livro, o “Memorial de Aires”, Machado de Assis tinha absoluta certeza de que iria morrer em breve. A segunda, sustenta que o protagonista da obra seria uma espécie de alter ego do próprio escritor, nesse caso, um flâneur, cuja principal diversão era andar pelo Rio de Janeiro, experimentando suas ruas e vielas. Pois se as duas hipóteses anteriores forem verdadeiras, o desejo derradeiro de Machado de Assis está próximo de ser realizado. Na primeira semana de outubro, será lançado um aplicativo que cruza pontos da cidade com a biografia e com trechos das obras do escritor, ou seja, será possível levar o romancista, ainda que de maneira figurada, para passear por aí.

domingo, 21 de setembro de 2014

Entrevista - Kabengele Munanga

O antropólogo Kabengele Munanga fala sobre o mito da democracia racial brasileira, a polêmica com Demétrio Magnoli e o papel da mídia e da educação no combate ao preconceito no país

Por Camila Souza Ramos e Glauco Faria

Fórum – O senhor veio do antigo Zaire que, apesar de ter alguns pontos de contato com a cultura brasileira e a cultura do Congo, é um país bem diferente. O senhor sentiu, quando veio pra cá, a questão racial? Como foi essa mudança para o senhor?

Artigo de Opinião - Seja racista e ganhe fama !

Por: Djamila Ribeiro

Costumo dizer que o Brasil é o país da piada pronta sem graça. Com os últimos acontecimentos envolvendo as ofensas racistas que o goleiro Aranha sofreu e a minissérie “Sexo e as nega”, essa constatação só se reafirma. Patrícia Moreira, a moça que ofendeu Aranha ganha um enorme espaço na mídia que a quer transformar em vítima. Quando nesse país programas de TV e jornais deu espaço para alguém se defender e tentar justificar seu crime? Quem ficou com pena e deu espaço para Angélica Aparecida Souza que em 16 de novembro de 2005 foi presa por roubar um pote de margarina? Quem fez moção de apoio a ela, quantas apresentadoras a levaram aos seus programas? Angélica passou 128 dias na cadeia de Pinheiros e por quatro vezes teve o pedido de liberdade provisório negado. Foi condenada a quatro anos de prisão em regime semi-aberto. Por roubar um pote de margarina porque não agüentava mais ver seu filho com então dois anos passar necessidade.

Artigo de Opinião - Não há racismo em terra de brancos

por Pablo Vilhaça em Diario de Bordo


As mãos, todas brancas, empurram os microfones diante do rosto do homem negro, alto e coberto de suor. Durante os últimos 90 minutos, enquanto desempenhava seu trabalho de maneira eficiente em campo, salvando seu time em ao menos duas ocasiões de particular perigo oferecido pelo time adversário, ele fora atormentado por vaias contínuas partindo da torcida rival. Estava acostumado a vaias, que faziam parte do esporte – mas aquelas obviamente atravessavam a fronteira da provocação de partida, já que se mostravam contínuas e endereçadas não aos companheiros, mas a ele.

Crônica do Dia - A força do Mito

Paulo Guedes, O Globo

O novo mito Marina Silva é mais forte do que pensava o establishment. Suas intenções de voto resistem ao desesperado bombardeio dos candidatos ameaçados pelas urnas por sua complacência com as práticas da “velha política”.