sábado, 15 de fevereiro de 2014

Te Contei, não ? - A ponte da Ditadura

A construção de concreto e aço que liga o Rio a Niterói há quatro décadas personificou a imagem de milagre desenvolvimentista que o regime militar queria passar ao país

REVISÃO HISTÓRICA Batizada de ‘Presidente Costa e Silva', a via agora pode deixar para trás este último vestígio do período da repressão, a partir de uma ação do MPF que pretende renomeá-la

A Ponte Rio-Niterói nasceu verde-oliva.  Ao inaugurá-la em 1974, décimo aniversário do golpe militar, o presidente Emílio Garrastazu Médici orgulhou-se de estar escrevendo em concreto e aço os compromissos do regime com a pátria.  Quarenta anos depois, a Ponte continua firme sobre as águas da Baía de Guanabara.  Porém, do passado cívico que a ergueu como uma das obras-símbolo do Brasil Grande, pouco restou além da placa com o nome de batismo, "Ponte Presidente Costa e Silva".  E este último vestígio, o Ministério Público Federal também quer remover.  Uma ação judicial vai propor a mudança do nome, num movimento de cidadania que tem se repetido pelo Brasil afora — retrato do momento do país, que instalou uma Comissão da Verdade para investigar os crimes da ditadura.  Ao mesmo tempo, escolas, praças e ruas que homenageiam generais do regime começaram a ser rebatizadas.

BARCAÇAS LEVAVAM ATÉ 54 VEÍCULOS

Cruzaram pela Ponte, só no ano passado, 56 milhões de veículos.  Fenômeno que parece estar a anos-luz do início dos anos 1970, quando a ligação era por barcaças que levavam até 54 veículos.  Mas a história que segue é de outra travessia: a da própria Rio-Niterói, que se despojou da patente e ingressou na vida civil sem perder a imponência e a vocação para a polêmica.  Nasceu sob críticas de gigantismo e hoje se revela menor do que as necessidades.

A Rio-Niterói atravessou estes 40 anos carregando o nome do marechal Artur da Costa e Silva, segundo presidente do ciclo militar (1967-1969) e autor tanto do Ato Institucional 5 (AI-5) quanto da montagem do aparelho de repressão que responderia pelo desaparecimento ou morte de cerca de 500 pessoas até o fim do regime.  Por considerá-lo responsável por um "legado de autoritarismo e truculência", o grupo Justiça de Transição, montado pelo Ministério Público Federal (MPF) para investigar os crimes da ditadura, aproveita os 50 anos do golpe para tentar apagá-lo da História da Ponte.  No entendimento dos procuradores, dar à Ponte o nome "de um dos maiores violadores de direitos do povo brasileiro" é por si uma violação da memória de quem morreu, desapareceu ou foi torturado no governo Costa e Silva.  Para o MPF, é preciso devolver à sociedade o direito de escolher quem a Ponte deve homenagear.  A família de Mario Andreazza, ministro dos Transportes de Médici e idealizador da Ponte, reage à iniciativa:

— A esses revisores da História, tapados pela mistificação, obstruídos pela doutrina do justiçamento da memória, cegos aos fatos, não ocorre examinar que, sem Costa e Silva, não haveria a Ponte.  Ali, não se homenageia a ditadura, o arbítrio, a tortura, mas um indivíduo que, apesar de tantos erros, acertou, não fossem várias vezes, ao menos uma — lamentou o jornalista Carlos Andreazza, neto do ex-ministro.  A Ponte começou a ser construída em dezembro de 1968, nove dias antes do AI-5, e deveria ficar pronta em março de 1971.  Porém, só foi concluída em 4 de março de 1974, com um atraso de três anos.  E apenas 11 dias antes de o general Emílio Garrastazu Médici passar a faixa presidencial a Ernesto Geisel.  As obras, cujo avanço revelou os traços do arbítrio militar, aconteceram nos anos mais sangrentos do regime.

— Foi um dos principais símbolos do regime, ao lado de Itaipu e da Transamazônica.  O Brasil potência.  Mas foi vista também como uma obra faraônica, que enfrentou suspeitas de superfaturamento — diz o professor de História Carlos Fico, da UFRJ.  No começo, a Ponte era uma via de 13,2 quilômetros construída pelos militares para ligar dois pedaços da BR-101 (Rio Grande do Norte-Rio Grande do Sul) e consolidar o Plano Nacional de Rodovias.  No primeiro ano, atingiu a marca de 20 mil veículos por dia.  Hoje, quando o movimento já ultrapassa os 150 mil veículos por dia, seus operadores preferem vê-la como uma grande rua unindo duas cidades.  Talvez seja esta a mesma impressão dos usuários, que padecem diariamente, nos horários de pico, levando para atravessá-la quase o mesmo tempo gasto pelos antepassados do tempo das barcaças.  Para os generais do regime, a Rio-Niterói personificou o milagre desenvolvimentista.  Para os engenheiros, o desafio vencido mar adentro.  Mas, desde o começo, a euforia sempre conviveu com o drama, a começar pelos marítimos da Viação Atlântica Ltda.  (Valda) e do Serviço de Transportes Baía da Guanabara, antiga Cantareira, que perderam seus empregos com a desativação das sete embarcações que faziam a travessia.  Até então, a viagem de barcaça demorava até duas horas.

ATRASOS E GASTOS ADICIONAIS

O contrato de construção foi assinado em 4 de dezembro de 1968 entre o governo e o Consórcio Construtor Rio-Niterói S.A. (Ferraz Cavalcanti, Companhia Construtora Brasileira de Estradas, Servix de Engenharia e Empresa de Melhoramentos e Construção), que levou a concorrência por oferecer o menor preço no menor prazo — Cr$ 238 milhões em 28 meses, hoje cerca de R$ 366 milhões, segundo o IPC-SP (FIPE).

Dois anos depois, o consórcio já havia consumido 70% do preço cobrado, embora tivesse concluído só 20% do projeto.  Em 1970, Médici, percebendo o enorme atraso, adiou a entrega e retirou parte dela das mãos do consórcio vencedor, entregando- a ao 2º colocado, o Construtor Guanabara Ltda.  (CCGL), formado por Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Construtora Rabello e Sérgio Marques de Souza.

O fatiamento não foi suficiente.  Por não ter informações adequadas sobre o fundo da baía, o Consórcio Rio-Niterói constatou que teria de gastar bem mais do que o cobrado na compra de perfuratrizes sofisticadas que garantissem fundações seguras no mar. Não aceitava o fatiamento e se recusava a desembolsar sem o aporte de novos recursos públicos, razão pela qual entrou em conflito com o projetista, o engenheiro Antônio Alves Noronha, que insistia em apontar falhas técnicas na obra.

Contribuiu para a crise o grave acidente de 24 de março de 1970, quando engenheiros e operários faziam um teste de carga em plataforma flutuante.  Depois que 34 tubulões foram enchidos com água, a plataforma não resistiu e afundou, matando oito pessoas, três delas engenheiros.


Na pressa, muitos ficaram pelo caminho
SEPULTURA DE CONCRETO Mortos durante a obra teriam chegado a 400

Bruno Góes e Chico Otavio

Entre a assinatura do primeiro contrato de construção da Ponte Rio-Niterói, em dezembro de 1968 (governo Costa e Silva), e a inauguração, em março de 1974, passaram-se 1.890 dias.  Porém, 80% das obras foram executados nos 720 dias finais, depois que o primeiro consórcio foi destituído e o novo assumiu, encerrando seis meses de batalha judicial.  A pressa ditou o ritmo neste esforço final e deixou pelo caminho um número até hoje impreciso de operários mortos em acidentes de trabalho.

Oficialmente, o regime militar contabilizou 33 mortes durante a obra.  Mas há quem faça uma conta de 400 baixas, tornando os pilares uma sepultura de concreto quando não havia tempo a perder com resgates.  Pelos registros jornalísticos da época, é possível concluir que, de dezembro de 1968 a novembro de 1972, foram registrados oito acidentes fatais, com um total de 18 mortos e mais de 30 feridos.  A lista começa em 5 de novembro de 1969, quando uma explosão em uma das instalações de ar comprimido matou o operário Domício Barbosa Lima.

— A ideia de que os operários eram concretados é um mito.  No acidente mais sério, ainda no primeiro consórcio, quando uma base virou no teste de carga e morreram oito pessoas, não havia nem concreto.  Se alguns corpos não foram resgatados, é porque desapareceram na baía, mas não concretados — afirma o engenheiro Bruno Contarini, responsável técnico da obra.  Os perigos não eram poucos.  Trabalho nas alturas e sobre águas com 20 metros de profundidade, canteiros de obra em ritmo frenético, onde os cuidados com a segurança do trabalho eram detalhe dispensável, e operários sem qualquer instrução faziam parte da rotina do canteiro de obras.  Fotos da construção exibem trabalhadores com sandálias de borracha, bermudas, sem camisa, fumando enquanto martelavam ou carregavam objetos.  Capacetes e botas eram raridade.

Terceira maior ponte do planeta quando inaugurada, com quase 14 quilômetros, a Rio-Niterói enfrentou desafios de engenharia — o maior deles, assegurar 300 metros de canal navegável no vão central (canal principal) — e de gestão de dez mil funcionários, mais de oito vezes o número de trabalhadores mobilizados na reconstrução do Maracanã.

Para fazer a Ponte, foi erguida uma verdadeira cidade no Fundão, administrada por uma prefeitura com plenos poderes.  Oferecia-se alojamento para 2.500 pessoas, cem casas destinadas a feitores, mestres de obra, encarregados.  Todas com dois ou três quartos.  Na vila, havia ainda 25 casas destinadas a engenheiros.

Os trabalhadores contavam ainda com ambulatório, pronto-socorro, supermercado, agência bancária, dentista, barbeiro, guarnição do Corpo de Bombeiros, posto de assistência social, restaurante, destacamento policial, áreas de recreação, uma escola com cinco salas e 13 linhas de ônibus gratuitas, com destinos de Copacabana a São João de Meriti.

— Se alguém morria, a gente esquecia logo e continuava a obra.  O pessoal vinha rápido para retirar (os corpos).  Aí, a gente seguia em frente — relata o aposentado Raimundo Miranda.  Raimundo foi um dos operários que ajudaram a fazer a Ponte.  Homem de confiança dos engenheiros, ele conta que passava quase 15 horas por dia no trabalho.  Os operários não podiam ficar parados.  A pressa e os incentivos para a rápida conclusão da obra eram o cotidiano.

Artigo de Opinião - Retorno à bárbarie

Wadih Damous

Uma imagem vale mais que mil palavras, diz um provérbio chinês que tem muito de verdadeiro. A foto de um jovem morador de rua nu e preso a um poste pelo pescoço por uma tranca de bicicleta, numa rua do Flamengo, chocou muita gente. E com razão. Até pela cor da pele do adolescente, foi impossível não associá-la a imagens de escravos negros supliciados por feitores.
 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Te Contei, não? - Palvras de origem árabe

Fulano - veio do árabe fulan, alguém.
 
Beltrano - veio de Beltrão que mudou o final para rimar com
Fulano ( em espanhol, Beltrão é Beltrano )
 
Sicrano tem origem desconhecida.

Crônica do Dia - Shakespeare e a corrupção

 

  • Vivesse em nossa época, escritor teria à sua disposição vasto material, menos nobre, é verdade, descoroado, pois não convém comparar Eduardo III com senadores
Frei Betto
 
Não se sabe ao certo se Shakespeare é autor de “Eduardo III”. A peça aborda um tema perene: governantes governam governos e, no entanto, quase nunca sabem se governar. O que fazem os políticos corruptos, todos sabemos. Mudam os tempos e diferem os costumes. Eles abusam da imunidade e da impunidade, praticam o mais descarado nepotismo, usam os serviços públicos como se fossem direitos privados.

Crônicas do Dia - Fevereiro e o poeta - Adriana Calcanhoto

Adriana Calcanhoto
A colunista escreve quinzenalmente aos domingos

 

Manco como um Ricardo III, lá vai o mês, fritando tudo o que pode

O poeta desce do táxi, os cabelos longos, brancos, esvoaçam revoltos. Ele bate a porta do carro e olha para cima, na direção das escadarias, que terá de subir para chegar até a capela 3. Está sendo velado o corpo do amigo, morto a facadas pelo filho, que, parece, sofre de esquizofrenia. O filho esfaqueou também um dos seios e o fígado da mãe, que conseguiu sobreviver. O pai está, ou não está mais, logo ali acima, entre pétalas, perplexidade, calor, suor, lágrimas, canções, “personagens”, flashes, óculos escuros, lenços de papel e sobrancelhas descontroladas.
O poeta parece ainda mais poeta com seus cabelos rodando para cima, encobrindo-lhe os olhos de vez em quando, de vez em quando deixando-lhe revelar o olhar. O ritmo de suas passadas é lento, parecendo que levou um choque elétrico e que aquilo tudo está acontecendo pela primeira vez. Ao mesmo tempo, na maneira de mexer o corpo, deixa transparecer certa intimidade com aquele caminho, o da perda. Está zonzo, mas é com cálculo que se esgueira por trás das colunas da entrada principal do cemitério, por trás dos homens que levam as câmeras de TV nos ombros e as hastes com as luzes. Para não precisar parar, para não precisar ser solicitado a dizer o indizível. Esgueira-se porque é da sua natureza a atração pelo contrafluxo, um dos seus lugares prediletos. Esgueira-se porque mantém um moleque maranhense dentro dele, tão livre quanto um gato, tão vivo quanto uma banana no pé. Esgueira-se andando meio de banda, como quem cuja camiseta diz “meu lance é outro”. Sem pressa alguma ele sobe, degrau por degrau, com semblante sisífico, as velhas escadas.
A inclemência do maçarico de um dos verões mais quentes dos últimos tempos no Rio de Janeiro parece endurecer ainda mais aquilo que o poeta não finge, e que não escancara. Mês de fevereiro, quando as flores não aguentam de calor e as coroas sempre chegam murchas aos velórios, cheirando um pouco demais, constrangendo a todos, fazendo-nos sempre lembrar que sim, são flores, mas estão mortas. As sombras no chão e a floração em torno não deixam dúvidas, é fevereiro quando o poeta surge sozinho de dentro do táxi. Fevereiro, mês que tem o mesmo destino das cigarras. Fevereiro sobre o qual o poeta que tem agora os cabelos ao vento escreveu o poema definitivo, “Verão”.
Em fevereiro de 1965, mais exatamente no dia 13, Maria Bethânia estreou no “Opinião” dividindo o palco com Zé Kéti e João do Vale, no lugar de Susana Moraes, pois Nara Leão já havia se afastado algumas semanas antes. Tempos depois, em 1989, no mesmo 13 de fevereiro, chegou ao Rio de Janeiro uma compositora nascida em 1965, vinda de Porto Alegre para fazer um primeiro, único, show na cidade, e daqui nunca mais quis voltar. Chegou à Zona Sul no 13 de fevereiro, que enfrentava uma frente frita, em um táxi, com uma mala azul e um violão. Já havia estado no Rio duas vezes antes, em férias com a família e uns anos depois em um carnaval onde as pessoas se locomoviam de caiaque pela cidade alagada, de modo que ficou trancafiada em um apartamento a temporada toda, escapando apenas uma noite para singrar as ruas de São Conrado até o Humaitá, onde Fernanda Montenegro se apresentava com um monólogo. A chegada mesmo, para (mesmo sem saber) ficar, no 13 de fevereiro de 1989, no táxi, no calor escaldante que faz com que as flores murchem combalidas e que as peras e as bananas estejam podres muito mais rápido, a compositora nunca conseguiu esquecer. À medida que ia naquele táxi, adentrando a cidade, pelo trânsito, de ônibus ferozes, em um tempo em que ninguém parava no sinal nem usava cinto de segurança, maior era o estranhamento com tantos contrastes, de todos os tipos.
Estranhamento e fascínio e susto e comoção e coragem e medo. Seu endereço de chegada era a Rua São João Batista, em Botafogo, em frente ao cemitério onde chega agora o poeta, saltando atônito de um carro amarelo com seus cabelos dançantes, enquanto resiste fevereiro, “mordendo o chão”. Provavelmente não vai conseguir escapar de ter que dizer algo, de “falar” da tragédia, de “falar” de seus sentimentos, sendo ele próprio pai de dois filhos com esquizofrenia. Os cabelos em desalinho são a única pista do que ele possa estar sentindo enquanto lança o olhar para a escada e segue em frente. As cigarras ao fundo entregam-se em seu canto a fevereiro, para a perpetuação desse mesmo canto. Gritam que é fevereiro “que vai morrer/ não quer morrer”. Manco como um Ricardo III, lá vai fevereiro, fritando tudo o que pode, enquanto é tempo, seu curto tempo, para enferrujar, para corroer, para queimar em memórias filmes que não desbotam jamais, tórrido, ávido, marcado para morrer. O poeta depara-se por trás de uma das colunas da entrada com a compositora, que também prefere os itinerários a contrapelo. Eles se abraçam. Ele vai em direção às escadas. Ela entra em um táxi com as narinas impregnadas da sua cheirosa camisa. Inebriada, diz ao motorista: “Fevereiro, por favor.” O motorista diz “senhora, oi?”. O motorista liga o ar-condicionado no talo. A compositora pensa: será que tendo o carro assim gelado ilude-se o motorista de que fevereiro está apavorando só lá fora? Ou só no presente? O poeta passa a mão pela cabeça em gesto característico e ajeita os cabelos antes de chegar à capela 3. O motorista liga o taxímetro.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/fevereiro-o-poeta-11547964#ixzz2tLIOOmE0

Artigo de Opinião - O desfecho trágico do radicalismo nas ruas

 

  • A morte de Santiago Andrade precisa levar todos a uma reflexão sobre os rumos que a atual mobilização de rua toma. Grupos radicais têm uma atuação fascista 
 
 
 
A morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, atingido por um rojão no protesto de sexta-feira, no Rio, contra o aumento da tarifa de ônibus, precisa ser entendida em toda a sua grave dimensão.

Te Contei, não ? - Tropço na leitra leva cegeira matemática

 

Compreensão de texto é essencial para disciplina. Olimpíada chega à 10ª edição

Fonte: O Globo (RJ)
    

Te Contei,não ? - Rios podem salvar a Baía de Guanabara

Meta de despoluição até as Olimpíadas terá reforço de unidades de tratamento fluviais

Paloma Savedra
Rio - É uma espécie de prova olímpica. O governo estadual fechou um compromisso com o Comitê Olímpico Internacional (COI) de entregar a Baía de Guanabara com 80% das suas águas despoluídas até as Olimpíadas do Rio, em 2016. Mas é preciso respirar fundo e acelerar. Um dos principais projetos criados para atingir a meta, a implantação das seis Unidades de Tratamento de Rios (UTRs), com orçamento estimado em R$ 354 milhões, só teve uma estação que saiu do papel: a do Rio Irajá, que está praticamente pronta.

Artigo de Opinião - Maconha, porta de entrada - Rodrigo Bethlem

Liberação do uso da substância pode prejudicar toda uma geração

O Dia

Te Contei,não ? - Site prega "livrar o Aterro de gays, cracudos e mendingos"

Site prega ‘livrar o Aterro de gays, cracudos e mendigos’

  • Outras páginas que incitam o ódio contra minorias proliferam nas redes de sociais
Sérgio Ramalho

A página do Reage Flamengo com a imagem de Charles Bronson
Foto: Reprodução do Facebook
A página do Reage Flamengo com a imagem de Charles Bronson Reprodução do Facebook

Te Contei, não ? - Jovens detidos no Aterro perseguindo supostos ladrões admitem que faziam ronda noturna

 

  • Motivo para início da ‘patrulha’ foi o esfaqueamento do pai de um amigo por ter apenas R$ 10 no bolso
Elenilce Bottari

Jovens de classe média do Flamengo agridem cracudos com bastão de madeira. Foto feita em 02/02/2014, dia em que o grupo foi detido
Foto: O Globo / Carlos Ivan
Jovens de classe média do Flamengo agridem cracudos com bastão de madeira. Foto feita em 02/02/2014, dia em que o grupo foi detido O Globo / Carlos Ivan

Te Contei, não ? - Militar da reserva admite ter montado farsa no caso Rubens Paiva

 

  • Depoimento do general Raimundo Ronaldo Campos revela manobra do Exército ao mentir que ex-deputado havia sido resgatado por “terroristas”

O Fusca incendiado fez parte do cenário montado pelos órgãos de repressão para encenar a falsa fuga de Rubens Paiva
Foto: Álbum de família
O Fusca incendiado fez parte do cenário montado pelos órgãos de repressão para encenar a falsa fuga de Rubens Paiva Álbum de família

Crônica do Dia - O judeu da macumba

Arnaldo Bloch
O colunista escreve aos sábados

 

A estranha saga em busca de um orixá

Faz tempo que venho tentando descobrir qual é o meu orixá. Se acredito? Isso é o que menos importa. Como dizem os epicuristas, nada de errado com os ritos, desde que não se espere deles a salvação ou o castigo, e que sirvam para, através de uma tradição, de um tambor, de uma vela acesa sexta-feira, de uma canção, trazer bem-estar e aplacar o medo em vez de intensificá-lo.

Crônica do Dia - Um judeu e um pato na macumba

Por Arnaldo Bloch

   Ler o romance “Mandingas da mulata velha  na cidade nova”, de Nei Lopes (Editora Língua Real), tem sido, ao mesmo tempo,  uma aula sobre o nascedouro do samba  aqui pertinho de onde hoje fica O GLOBO; sobre a cena carioca sob os sopros milenares da África através da baianada que plantava novas raízes na cultura da cidade que ainda tomava sua feição; sobre o ofício do (bom) jornalismo (o protagonista é um repórter que, em 1924, é encarregado de fazer um perfil da falecida Tia Amina, inspirada na lendária Tia Ciata, e se mete em terreiros, chácaras, círculos, mesas, ranchos...); e, acima de tudo, sobre como descobrir um texto que, nas mãos de um lexicógrafo, enciclopedista, pesquisador e guardião da herança africana, se revela, apesar disso tudo e pour cause, a expressão própria da fruição literária, do prazer e da alegria de ler, do suspense recheado de humor, da cultura temperada com magia, da linguagem reveladora de mundos submersos, massacrados por um certo senso comum. 

Crônicas do Dia - Dramas da vida privada - Zuenir Ventura

O GLOBO - 08/02
Acusação a Woody Allen e separação de Grazi e Cauã saltaram do âmbito particular para o espaço público da mídia


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Crônica do Dia - Zuenir Ventura - O atentado

Zuenir Ventura, O Globo
 
Não foi um acidente, uma fatalidade, um acaso. Foi um atentado. Com tanta gente àquela hora por ali durante uma manifestação, o rojão aceso disparado do chão teria que atingir alguém — alguém que estivesse passando, parado ou trabalhando, como o cinegrafista Santiago Andrade. O acaso foi a forte carga explosiva estourar “apenas” uma cabeça e não muitas.

Te Contei, não ? - A S. A. dos escravos de branco

Veja - 10/02/2014
 
 
O relato as cubana que abandonou o programa Mais Médicos não deixa dúvida: 7000 trabalhadores são mantidos pelo governo brasileiro em condições análogas às da escravidão.

Charge - Prefiro não comentar !!!!!


Te Contei, não ? - Adolescente preso a poste comandou surra em abrigo

 

Cinco dias antes de ser encontrado com uma tranca no pescoço, menor de idade castigou, com três amigos, um jovem acusado de trair milicianos

Leslie Leitão, do Rio de Janeiro
Adolescente preso a um poste com uma tranca de bicicleta, no Flamengo, Zona Sul do Rio
Adolescente preso a um poste com uma tranca de bicicleta, no Flamengo, Zona Sul do Rio (Reprodução) 

Crônica do Dia - Não podemos ser uma nau sem rumo - Lya Luft

Não podemos ser uma nau sem rumo - LYA LUFT


REVISTA VEJA
 
 
 
 
 
 
Um amigo me telefonou para elogiar um artigo desta coluna porque era "um tom mais otimista do que o habitual". Agradeci, mas na verdade esta não é uma coluna simpática, boazinha: é o meu depoimento sobre o que vejo e sinto no país ou nesta humanidade que somos. Sou sujeita a erros, enganos, cegueiras momentâneas, porque afinal somos todos apenas humanos. Minha preocupação com o que acontece por aqui é intensa, e me esforço para que não sombreie minha vida e meu convívio com as pessoas. Não sou pessimista: tento ser realista. E faço aqui, num jogo não muito bom de palavras, uma breve "lista" de acontecimentos e atitudes que me assustam.

Crônica do Dia - A cubana roda a baiana - Ruth de Aquino


"Rodar a baiana” é uma gíria brasileira. A médica Ramona Matos Rodríguez, que estava em Pacajá, no Pará, não deve conhecer essa expressão. Significa tirar a limpo uma situação, armar um barraco e tomar satisfação com alguém. A gíria nada tem a ver com os baianos, que costumam ser mais de ginga que de briga. A origem é o Carnaval carioca do passado, quando capoeiristas se fantasiavam de baianas, para reagir aos rapazes que beliscavam as moças nos blocos de rua.

Ramona era um dos mais de 7 mil médicos cubanos contratados pelo Brasil para uma missão louvável: atender as populações brasileiras totalmente desassistidas em municípios do interior. Ela desgarrou do bloco e rodou a baiana. Foi parar no barracão de Ronaldo Caiado, deputado federal do DEM. Péssima escolha de Ramona, já que Caiado é um dos símbolos da direita ruralista. Poderia ter-se abrigado no gabinete de Eduardo Suplicy. Ele perceberia como são violados os direitos humanos e trabalhistas de Ramona. Caiado a adotou como trunfo político. Ela pediu asilo porque se sente explorada – e também porque divergir do Estado cubano é crime passível de prisão.

A deserção de Ramona expõe fraturas inadmissíveis do Mais Médicos. Uma coisa é alguém ir como voluntário para um país em guerra, calamidade ou emergência. Você vai sem ganhar nada, movido pela solidariedade. Outra coisa é o profissional se mudar para o exterior num período sabático, com uma bolsa, para uma especialização. Sabe que ganhará menos. O caso do Mais Médicos é diferente. Em contrato de trabalho, o Brasil paga R$ 10 mil mensais a cada médico estrangeiro. Mas os cubanos só embolsam R$ 1.000. Do “resto”, cerca de R$ 1.500 são dados às famílias dos médicos em Cuba. E o “excedente”, R$ 7.500, vai para os donos dos passes: os irmãos Castro, eternizados no poder pela repressão e pela ausência de eleições.


 Não dá para acreditar que Ramona ignorasse as restrições antes de vir para cá. Ela diz que não tinha internet e não sabia que ganharia menos que os outros médicos estrangeiros. Conta outra, Ramona. Mas, ao rodar a baiana, ela teve um mérito: exibiu o contrato entre Brasil e Cuba. Tornou públicas as irregularidades. Você engole? Estamos mal-acostumados com nossa liberdade, após a ditadura militar que produziu crimes horrendos como a morte do deputado Rubens Paiva? Queria ver um brasileiro, de qualquer ideologia, assinar um contrato com as cláusulas impostas pelo Estado cubano aos médicos.

Vamos só imaginar. O Brasil cederá médicos a um país africano que contrata estrangeiros. E aí, meu camarada, o negócio é o seguinte. Você só poderá tirar férias no Brasil, nada de viajar pela África, Europa, Ásia, esquece. Você será obrigado a relatar às autoridades brasileiras se receber visita de amigos ou parentes. Também não poderá se casar com estrangeiros, mesmo que eventualmente se apaixone. O Estado brasileiro ficará com 75% do salário que o país contratante pagar, tudo bem, companheiro? E você ganhará só 25%. Tem de se virar, afinal você é um profissional da Saúde e, por isso, um missionário. Ainda há um detalhe: mulher, marido, filhos não são autorizados a acompanhar você. Ficarão no Brasil. E não reclama lá fora não, porque estamos com sua família aqui, e você sabe que quem diverge do Estado brasileiro é de direita, contrarrevolucionário, reacionário e, por isso, um elemento antissocial, contra os pobres e carentes. Deve ser recolhido aos presídios. Imaginou?

Não faço ideia se Ramona conseguirá asilo no Brasil. Ou se continuará a trabalhar como médica. Conhecemos todos o destino dos boxeadores cubanos que buscaram asilo nos Jogos Pan-Americanos e foram mandados de volta para Havana por Lula, num avião da Venezuela de Chávez. Não sei se Ramona conseguirá asilo em Miami. Se eu precisasse me exilar em Miami, seria infeliz... Asilo, exílio, refúgio e deserção são gestos de desespero de cidadãos de uma ditadura, tolhidos nos direitos mais básicos, como a liberdade de expressão.

O episódio protagonizado por Ramona abriu fissuras num programa útil no sertão e nos confins do Brasil. O Mais Médicos não resolve as deficiências da Saúde, mas ajuda milhões de brasileiros a ter uma primeira avaliação ou diagnóstico. Se o pedido de refúgio de Ramona for imitado por seus colegas, aí Dilma, Lula e os irmãos Castro deverão se reunir, em torno de uma cachaça ou um rum envelhecidos, para reformular o Mais Médicos. E torná-lo justo e profissional.


Te Contei, não ? - Um apagão no país ensolarado

O evento já ameaça entrar para o calendário oficial do brasileiro: entre o feriado de Ano-Novo, em l2 de janeiro, e o Carnaval, chega o dia de verão em que descobrimos estar sob risco de racionamento de energia pior do que gostaríamos. Neste ano, a efeméride caiu no início de fevereiro, quando o risco de racionamento para o ano chegou aos 6%. Não se trata de um limite oficial, mas o setor convencionou que, num sistema saudável, bem dimensionado e bem administrado, tal risco nunca deveria superar 5%. A desconfiança sobre o fornecimento de energia piora com episódios como a falha de transmissão ocorrida na terça-feira da semana passada, entre as regiões Norte e Sudeste. A pane deixou sem luz pelo menos 5 milhões de pessoas. Sob o piscar das luzes, o cidadão e contribuinte tem o direito de se incomodar. Num país com usinas hidrelétricas gigantes, como Itaipu e Tucuruí, com sol e vento fortes, reservas de gás natural e o petróleo do pré-sal, por que vivemos sob o espectro do racionamento?

Crônica do Dia - Delúbio para o Banco Central - Guilherme Fiuza


 

REVISTA ÉPOCA 

Te Contei, não ? - Palavras de origem árabe

Cacareco
 
É mais usado no plural, cacarecos, e significa coisa velha, de pouco valor.
A palavra cacareco foi formada de duas outras, ambas com o sentido de objeto sem valor: cacaréu e tareco.
Cacaréu veio de caco + aréu, terminação que significa aumento, coleção ( como em fogaréu, mundaréu, sinônimo de mundão, grande quantidade de alguma coisa ). Tareco veio do árabe tarayk  ( coisa de pouco valor ) e popularmente virou treco.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Vale a pena assistir - Passeio Literário por Recife


Vale a pena assistir - Manuel Bandeira



Vale a pena assistir - Tomás Antonio Gonzaga






Personalidades - Gregório de Matos

Quem foi 
Gregório de Matos e Guerra foi um importante poeta colonial brasileiro do século XVII. Nasceu em 7 de abril de 1633, na cidade de Salvador (Bahia). 
Vida e obras 
Era de uma família rica, formada por empreiteiros e altos funcionários administrativos. Estudou num colégio Jesuíta da Bahia e depois continuou seus estudos na cidade de Lisboa e depois na Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito. Neste país fez carreira de jurista.

Ao retornar ao Brasil, passa a viver de trabalhos na área jurídica, mas também começa sua dedicação à literatura. Passa a escrever sátiras sobre a sociedade da época. Em função de suas críticas duras aos integrantes da sociedade (políticos, religiosos, empresários) ganhou o apelido de “boca do inferno”. Também escreveu poemas de caráter erótico e amoroso.

As autoridades locais começaram a ficar descontentes com as críticas e passaram a perseguir Gregório de Matos. Preso em 1694, foi deportado para Angola (África).

Depois de um tempo, ganha a autorização para retornar ao Brasil. Porém, vai viver na cidade de Recife. Nesta cidade, faleceu em 26 de novembro de 1696 de febre que havia contraído em Angola.


Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.

Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.

Os círios lá vem aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia?... Simonia.
E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha

Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é
Simonia, inveja e unha.

E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.

O açúcar já acabou?... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,
Baixou, subiu, morreu.

A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.

Crônica do Dia - Manifestante ou criminoso ? - Marcos Espíndola

 

Quando deparamos com a volta do povo às ruas, todos nós, brasileiros, de alguma forma nos enchemos de esperança

O Dia

Te Contei,não ? - A imprensa capitalista pede a cabeça dos Black Blocs

 
A polícia está extraindo confissões. A imprensa burguesa cartelizada, a direita e até a mesmo o governo do PT condenam em uníssono os Black Blocs como "assassinos". O que está por trás da unanimidade?
 
 
 

Te Contei, não ? - A lei é o crime

Via Sergio Domingues

A Lei é o Crime

Lincoln Secco

“O criminoso não produz apenas crimes, mas ainda o Direito Penal (...). O criminoso produz ainda a organização da polícia e da Justiça penal, os agentes, juízes, carrascos, jurados (...). Somente a tortura possibilitou as mais engenhosas invenções mecânicas e ocupa uma multidão de honestos trabalhadores na produção desses instrumentos”. (Karl Marx, Teorias da Mais Valia).

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Crônica do Dia - Falta de educação

Paulo Sardinha
Publicado:



Entre os desafios atuais da gestão com pessoas está o de contribuir para o aumento da produtividade das organizações. Como produzir melhor é uma questão urgente, ainda mais quando pesquisas como a do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) apontam que somente com uma alta média de 3% ao ano na produtividade do trabalho será possível a economia brasileira crescer na casa de 4% ao ano. Para piorar esse cenário, há estudos que colocam o país entre os últimos na América Latina neste quesito.

Te Contei, não ? - O inferno na terra : os presídios da Ilha Grande

 
Em reportagem publicada na edição de 1/2/2014 de "O Globo", Renato Grandelle aborda a crise atual do sistema carcerário à luz da experiência da Ilha Grande, RJ. A entrevistada é a professora Myrian Sepúlveda dos Santos, autora do livro "Os porões da república" que faz um minucioso levantamento do problema e conta a história dos presídios que existiram na região desde o século XIX.

Crônica do Dia - Absurdo do absurdo - Arnaldo Bloch

Arnaldo Bloch
O colunista escreve aos sábados

 

O ilógico encontro entre a caçamba e a passarela poderia estar no teatro de Ionesco, a simbolizar que, no fazer humano, o pior tende, sempre, a acontecer

 

Tá na Hora do Poeta - Boca de forno - Manuel Bandeira

BOCA DE FORNO

Cara de cobra,
Cobra!
Olhos de louco,
Louca!

Testa insensata
Nariz Capeto
Cós do Capeta
Donzela rouca
Porta-estandarte
Jóia boneca
De maracatu!

Pelo teu retrato
Pela tua cinta
Pela tua carta
Ah tôtõ meu santo
Eh Abaluaê
Inhansã boneca
De maracatu!

No fundo do mar
Há tanto tesouro!
No fundo do céu
Há tanto suspiro!
No meu coração
Tanto desespero!

Ah tôtô meu pai
Quero me rasgar
Quero me perder!

Cara de cobra
Cobra!
Olhos de louco,
Louca!
Cussaruim boneca
de maracatu!
 
Manuel Bandeira

Te Contei, não ? - Palavras de origem árabe

 
 
 
 
 
Algodão -   Veio do árabe al-qutun, que também originou algodón, em espanhol. A palavra árabe se separou do artigo al, e qutun deu no italiano cotone, que foi parar no francês coton, no inglês cotton e no português cotão, aquela bolinha de poeira parecida com um algodãozinho nojento. A Língua Portuguesa tem palavras, referentes ao algodão, formadas ora com algo(d), ora com coton(i). Uma fábrica de tecidos de algodão pode ser chamada de algodoaria ou cotonifício.

Crônica do Dia - Irreversível ? - Toni Garrido

Os erros do passado foram deles, não nossos

O Dia

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Te Contei, não ? - Bill Gates e a camisinha de 1 milhão de dólares

 

O multibilionário e generoso criador da Microsoft adota uma nova meta para sua fundação: revolucionar a maneira como se fabricam e se usam preservativos

Raquel Beer
1 milhão de dólares: É quanto Gates e Melinda darão aos projetos que se mostrarem eficientes
1 milhão de dólares: É quanto Gates e Melinda darão aos projetos que se mostrarem eficientes (Oli Scarff/Getty Images) 
 
    

Crônica do Dia - A violência não é uma fantasia - Lya Luft

 

“Se não tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados. A segurança, como tantas coisas, parece ter fugido ao controle de instituições e autoridades” (Ilustração: Atômica Stúdio)
“Se não tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados. A segurança, como tantas coisas, parece ter fugido ao controle de instituições e autoridades” (Ilustração: Atômica Stúdio)

Entrevista - Manoel Carlos

“NOVELA É O PÃO DE CADA DIA”
 
O autor da próxima atração das 9 da Rede Globo nega a intenção de se aposentar – e conta que o mergulho no trabalho tem sido sua forma de atenuar a dor da perda de um filho

Crônica do Dia - Imagina nas Olimpíadas - Ruth de Aquino

"Eles tratam a gente igual a gado.” Vanessa Rocha, cozinheira, foi uma das 600 mil vítimas do inferno do transporte no Rio de Janeiro. Um trem descarrilou, bateu num poste de energia e interrompeu todo o sistema sobre trilhos. Durante 11 horas! Sem plano alternativo, sem orientação, a multidão que sai de casa com o dinheiro contado para a passagem de ida e volta se sentiu desrespeitada. O caos se instalou sob uma sensação térmica e emocional de 50 graus.

Crônica do Dia - O rolezão do verão - Ruth de Aquino

Que me perdoem a ministra sem-noção, os policiais truculentos, os sem-teto oportunistas, os lojistas apavorados, os esquerdistas e os fascistas, que tal baixar a bola e parar com a histeria? Antes que realmente se dê motivo para vandalismo?

Um rolezão estava programado para este domingo no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, mas foi proibido por uma juíza. Oito mil jovens tinham confirmado pelas redes sociais que iriam a esse centro comercial de luxo, num dos metros quadrados mais caros do Brasil.
Eles curtem grifes, zoação, funk e beijaços. E detestam política (não há como culpá-los, não é, Roseana e Renan, a dupla caipira RR?). Pardos e mestiços, como a maioria dos brasileiros, e não brancos ou negros, eles parecem clones do Neymar sem brincos de brilhante.

Detesto shopping e multidão. Abomino a ânsia do consumo. Prefiro as ruas, mesmo com pedrinhas portuguesas. Entendo quem goste de shopping, e são consumidores de todas as classes sociais – especialmente em tempos de liquidação. Não dou rolezinho em shopping. Não como em shopping. Quando vou a um cinema ou teatro em shopping, subo de elevador para não rolar pelos corredores de vitrines, escadas rolantes e praças de alimentação. Minha praça é outra, tem árvore, vento, flores e banquinhos, seja no Rio, Londres ou Paris. Mais na Europa, admito, porque as praças brasileiras são maltratadas pelos prefeitos e pela população.

 Evitar shoppings não me livra do rolezão do verão. As grandes cidades, especialmente as litorâneas, se tornam palco de um imenso rolezão – festivo ou agressivo – quando as temperaturas alcançam 40 graus e o Carnaval se aproxima. Quem viu as fotos do mar e da areia em Ipanema nos últimos fins de semana, quem testemunhou os arrastões... Quem caminha ou vai à praia no Rio na estação selvagem é personagem do rolezão. Está no calendário. Acontece antes de os blocos carnavalescos assaltarem (no bom sentido) as ruas e avenidas cariocas. Estamos todos misturados. Favelados, periféricos, suburbanos, playboys, peruas, gostosos, gostosas, atletas, atores, artistas, idosos, bebês.

Corre-corre dá medo? Dá, muito. Quando passo por um grupo grande e barulhento de pivetes, guardo meu iPhone. Preconceito ou realismo? Neste verão sem policiamento ostensivo (os policiais estão todos nas UPPs), o que tem de garoto roubando o celular direto do seu ouvido, no meio da conversa, seja você gringo ou local... Recordo um filme colombiano de 2000, La virgen de los sicarios (A virgem dos assassinos), baseado no romance homônimo de Fernando Vallejo. O filme, com roteiro do escritor, retrata sua cidade natal, Medellín, tomada por furtos e assaltos de adolescentes.

 Nos rolezinhos dos shoppings, está cheio de gente mal-educada? Está. Acontece em todo lugar e com todas as classes sociais. Dos riquinhos e fortinhos aos pobrinhos e magrinhos, dos héteros aos gays, dos ambulantes aos quiosqueiros, dos flanelinhas aos motoristas de ônibus e de possantes. Como o brasileiro, em geral, é mal-educado! Socorro. Confunde extroversão com barulho. Espaço público de convívio social significa “espaço onde só se conversa aos gritos” e onde gente fura fila sempre que pode.

Não me venham classificar rolezinho como fenômeno político ou social... Ou, pior, como alguma “novidade”, positiva ou negativa. Enxergo como mais um factoide de verão abaixo do Equador, igual a tantos outros. Como o toplessaço que não colou por preconceito. Quanta hipocrisia numa sociedade hipersexualizada de bunda de fora.

A bagunça mudou de cenário porque está quente do lado de fora e, nos shoppings, o ar-condicionado funciona. Eles vão lá se divertir, “catar mulher”, provocar, conseguir seus 15 minutos de fama, fugir de policial, beijar como nos blocos. Não deram a sorte de entrar na casa do BBB. Recusam-se a ser eliminados. Torcem para o circo pegar fogo e, assim, aparecer na televisão, na primeira página dos jornais e na capa das revistas.

Anônimos e invisíveis, ganham aura de black bloc, experimentam o poder de arregimentar multidões nas redes sociais. Causam furor, torcidas pró e contra. Nunca sonharam tão alto. Só mesmo num país em que a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, incita ao racismo, dizendo que os problemas com os rolezinhos são “derivados da reação de pessoas brancas”. Santa ignorância. A escola é do Lula. Ele disse em 2009 que a crise era causada por “gente branca de olhos azuis”.

Os jovens dos rolezões são ajudados pela burrice dos policiais, prefeitos e governadores, que os transformam em mitos e inflam seus egos. Bombas de gás? Multa de R$ 10 mil? Se os policiais fardados são incapazes de evitar furtos de um bando de moleques sem apelar para a brutalidade ou a ignorância, estão eliminados do BBB – deu para entender, brothers?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Crônica do Dia - As muitas caçambas levantadas - Fernando Molica

 

A lista de infrações só não é maior do que a tolerância com as repetidas violações às regras básicas do trânsito

O Dia
Rio - Longe de ser uma exceção, Luiz Fernando Costa, o condutor do caminhão que derrubou a passarela da Linha Amarela, é quase um exemplo do motorista carioca. Não o motorista que deveria servir de exemplo, mas o que representa nosso jeitão de circular pela cidade. Atire o primeiro celular quem nunca falou ao telefone enquanto estava ao volante ou que jamais fechou cruzamento ou avançou sinal ou parou na calçada.

Crônica do Dia - A sociopatia reina ! - Fernando Scarpa

 

Estamos num reinado de insatisfação e descrédito em que só alguns dançam a ciranda da riqueza
O Dia

Te Contei, não ? - A delicada riqueza das fachadas do Centro - O Rio que o Rio não vê

Simone Candida e Paula Autran granderio@oglobo.com.br

 

Ao admirar um monograma com as iniciais MC no alto da fachada de um sobrado na Rua Vinte de Abril, no Centro, o fotógrafo e pesquisador carioca Luiz Eugênio Teixeira Leite decidiu fotografá-lo. Não só pela beleza da peça, mas pela curiosidade sobre o significado das letrinhas de argamassa que aparecem embaixo de uma concha. Após pesquisar e cruzar dados de arquivos públicos com o endereço do imóvel, ele acabou descobrindo, numa multa publicada no Diário Oficial da União, que o prédio pertenceu a Maria Carqueija.

Te Contei, não ? - Cada vez mais viciante

Fonte: O Globo
Notícia publicada em: 02/02/2014
Autor: Flávia Milhorance
 
 
Dois estudos mostram os artifícios usados pela indústria para que os cigarros tenham potencial maior de dependência.

Personalidades - Criador do bordão " Diretas já", Henfil faria 70 anos esta semana

 

  • Conhecido por seu traço contestador, cartunista tem a maior parte de sua obra fora das livrarias
Maurício Meireles
Desenho de Henfil Foto: Reprodução
Desenho de Henfil Reprodução

Te Contei, não ? - Palavras de origem árabe

A presença islâmica no território português ao longo da história originou mais de 600 palavras e expressões, especialmente nas áreas do vestuário, mobiliário, agricultura, instrumentos científicos e utensílios diversos.
 
ALGEMA
 
                       
 
 
Veio do árabe al - jama'a, pulseira. Um bom argumento para quem insiste em permanecer solteiro: em espanhol, esposa é mulher casada; esposas ( no plural ) e esposar significam respectivamente algumas e algemar.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Crônica do Dia - Alivia, chefia ?

O Globo 26/01/2014
Honorável editora deste Segundo Caderno, escrevo para dizer que acho que aquele momento, tão temido, pelo qual qualquer colunista terá sempre que uma hora ou outra passar, me é chegado. Simplesmente não sei o que dizer sobre os últimos 15 dias no Brasil. Desmatamento de madeira nativa para fazer carvão realizado com trabalho infantil escravo dói, parece que essa combinação de palavras machuca a língua portuguesa, só de ser escrita. Para produzir carvão, um veneno para o planeta. Uma praga da qual precisamos nos livrar. A espécie que se vê como a maravilha da criação e que está destruindo o único planeta onde por enquanto pode habitar e o está destruindo. É como se de alguma zona do meu cérebro eu conseguisse ouvir disparar um alarme “não tem registro”.

Te Contei, não ? - Dois lados da maconha

 

  • Efeitos da droga já liberada para uso medicinal em alguns países não garantem um consenso nem da ciência
Flávia Milhorance
 

Flor de cannabis sativa, planta que contém grupo de moléculas canadinoides
Foto: Latinstock
Flor de cannabis sativa, planta que contém grupo de moléculas canadinoides Latinstock

Te Contei, não ? - Ilustre desconhecida

Joana Dale

Isabel Fillardis vai viver a personagem em espetáculo que terá a direção de Lázaro Ramos
Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Isabel Fillardis vai viver a personagem em espetáculo que terá a direção de Lázaro Ramos Ana Branco / Agência O Globo

Crônica do Dia - A "coragem" de João Velho ou falta coragem no Brasil

 
 

Crônica do Dia - Realidade e percepção

 

MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 26/01

Quando se diz que uma imagem vale mais do que mil palavras, logo pensamos em cenas e fotografias que não carecem de explicação: a força de sua mensagem dispensa legendas. Mas imagem não é apenas algo que se enxerga concretamente.