quinta-feira, 10 de julho de 2014

Cr}onica do Dia - O despertar do Brasil - Carlos Nejar

O desastre do Brasil

Gastamos para a glória alheia, gastamos para nada. E o povo chora nas arquibancadas e mais chora pelo desperdício


Este desastre do futebol brasileiro diante da Alemanha, em goleada, começou bem antes da lesão propositada em Neymar, veio bem antes de quando Felipão mostrou-se desatualizado, soberbo, ditador; veio antes pela excessiva propaganda, cuidando dos mínimos gestos e movimentos de nossos jogadores, como se fossem deuses, novos e opulentos, com a supervalorização dos pés, como se pensassem ou criassem a ordem do universo. Não foi apenas a seleção alemã superior, houve negligência, pane, lapso dos atletas nacionais e como de início se viu um time de sopro curto. O preço foi muito caro.

Esse desastre começou com Lula e continuou com Dilma Rousseff com gastos em estádios, criando dinheiro onde não havia, criando inflação, feriados, bolha imobiliária, a ponto de o país parar. Criando, sim, elefantes brancos, faraônicos, até em Manaus, Cuiabá, Fonte Nova, Mané Garrincha, Maracanã, no Beira-Rio, na Arena de São Paulo, em Recife, no Paraná, no Mineirão, em Belo Horizonte, e outras duas cidades, alargando o bolso dos empreiteiros e, quiçá, de alguns governos, quando para uma Copa do Mundo bastava a metade de estádios. Agora nem saberemos o que fazer com alguns deles.

Gastamos para a glória alheia, gastamos para nada. E o povo brasileiro chora nas arquibancadas e mais chora pelo desperdício de nosso dinheiro, que poderia servir para a saúde, a educação, a cultura, a construção de casas populares. Não se entende a cabeça de alguns de nossos políticos, responsáveis por tal desastre e que não cabe nem lamentar, lamentamos a existência deles. Nem entendemos a avidez e a razão de alguns rinocerontes de nossa vida pública rondando os cofres e o bem comum. E tal desastre mostrou que não temos governança criteriosa, gestão sábia, sendo a administração do Erário desmontável e frágil como a queda recente do viaduto em Minas Gerais. O desastre já estava anunciado, com a Fifa poderosa impondo ordenações e leis, com alguns juízes cegos e incompetentes.

A presidente Dilma não é a única responsável por esta hecatombe nacional no esporte mais importante do país, mas dela também partiram esses desmandos, sem falar da Petrobras ou Pasadena. E não pode agora ficar em cima do muro, presa na sua autossuficiência. Não só Neymar que faltou, faltaram o nosso orgulho, a nossa alegria de povo diante do resultado, que foi uma solene goleada, a mais funesta da história, que chegou a ser piada no estrangeiro. Não temos apenas de reformular o nosso futebol, temos que também mudar nosso governo, que desperdiçou a riqueza da nação e não aceitamos que persista em cima do muro.

A nossa seleção se apresentou com sinais visíveis de despreparo. Sem poder de artilharia. E todos sofremos juntos o desastre.

Observou o Padre Antônio Vieira que “as lágrimas são consequência da vista; ajuntou a Providência o chorar com o ver porque o ver é a causa de chorar. Sabeis por que choram os olhos? Porque veem”.

Carlos Nejar é escritor




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