terça-feira, 11 de outubro de 2011

Te contei, não ???!!!! - Pirataria - o barato que coloca a saúde em risco



Polícia intensifica combate à falsificação que faz mal ao consumidor. Cerca de 30% dos remédios em circulação no País são falsos. Comércio ilegal atinge até autopeças

POR VANIA CUNHA
Rio - Com apenas R$ 10, o ator e produtor Éverton Mesquita, 36 anos, andou pelas ruas da cidade ostentando o charme de uma marca famosa de óculos de sol. Mas a ‘onda’ que tirou durou pouco: o produto pirateado provocou irritação e derramamento de sangue nos olhos. Falsificações que causam riscos à saúde  estão na mira da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIm), que está concentrando esforços no combate à venda de uma série de produtos de qualidade duvidosa e que podem até provocar a morte.

Só em 2010, a Receita Federal (RF) apreendeu mais de R$ 1 bilhão em mercadorias irregulares. Grande parte representa risco para a saúde do consumidor. De acordo com a RF, cerca de 20 milhões de empregos formais deixam de ser criados, anualmente, por causa da pirataria no Brasil. Outro dado da RF que assusta é que cerca de 30% dos remédios em circulação no País são fasificados. Os principais alvos dos bandidos são medicamentos contra câncer, problemas cardíacos e psiquiátricos.

“Sabia que estava comprando óculos pirata, mas nunca imaginei o prejuízo que teria. Causou um dano sério, tive que ficar dias sem trabalhar e mal enxergava”, afirmou Éverton, que trocou os óculos pirateados por originais com garantia. 

A lista de produtos que provocam danos à saúde é grande: medicamentos, maquiagem, perfumes, brinquedos, isqueiros, tênis e até bebidas alcoólicas. Segundo o delegado Alessandro Thiers, os falsificadores não têm limites quando o assunto é lucro fácil. “Tudo o que pode gerar lucro para eles é pirateado. Estamos checando informações de falsificações de seringas, cateteres e até preservativos”, disse o delegado.

Movimentação de R$ 1,1 trilhão por ano

A Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública apreendeu, até 2008, uma tonelada de remédios sem registro para comercialização. Segundo o delegado Marcos Cipriano, os principais produtos falsificados são anabolizantes, abortivos, anticoncepcionais, estimulantes sexuais e de uso controlado. “O risco de morte é grande”. 

Pesquisa do Instituto Dannemann Siemsen revela que a pirataria movimenta R$ 1,1 trilhão por ano no País. O Brasil recebe 88% de mercadorias do Paraguai. De 2004 a 2010, a Receita apreendeu R$ 6,3 bilhões em produtos e a PRF, R$ 3,2 milhões em remédios.

No início de setembro, a DRCPIm apreendeu peças de carro falsificadas. Alessandro Thiers participou de reunião da CPI da Pirataria da Alerj e sugeriu a inclusão de palestras preventivas na grade curricular das escolas. Denúncias sobre falsificações podem ser feitas através do telefone 2333-4068 ou pelo email: alessandrothiers@pcivil.rj.gov.br.

Classes altas consomem mais produtos falsificados

Conforme O DIA mostrou em 20 de setembro, as classes D e E apresentam menor índice de consumo de produtos piratas, em comparação com as classes A, B e C, segundo pesquisa divulgada pela Fecomércio-RJ em parceria com a Ipsos. 

Apenas 44% dos entrevistados de mais baixa renda admitiram ter comprado algum produto pirata neste ano, enquanto a porcentagem da classe C ficou em 52%. As classes A e B tiveram o maior índice, com 57%.

Esta é a primeira vez desde 2006, quando a pesquisa começou, que mais da metade da população admitiu ter comprado algum produto pirata no ano — no total 52%, ante 48% em 2010.

Segundo a polícia, a melhor forma de identificar produtos de qualidade, como brinquedos, peças de fogão ou aquecedores a gás, isqueiros e camisinhas é procurar o selo do Inmetro. No caso de skates, patins, capacetes e demais equipamentos de proteção, desconfiar do preço baixo de marcas originais. Para remédios, a dica é procurar informações na Anvisa.

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