sábado, 13 de setembro de 2014

Artigo de Opinião - Itinerário Literário

Rio - Entrei neste mês de agosto com dois novos livros na praça: ‘Reinventar a vida’, pela editora Vozes, e o infantil ‘Começo, meio e fim’, pela Rocco.


O primeiro, uma coletânea de textos, aborda temas como a sabedoria de vida, o mundo em que vivemos, consumismo, meio ambiente e amizade. O infantil toca em assunto delicado, sobre o qual muitas vezes os adultos não sabem responder à natural curiosidade das crianças: a morte.

Tenho amigos que, antes de completarem 10 anos, perderam os pais em acidente aéreo. A família cometeu o equívoco de não levá-los ao velório e ao enterro. Cresceram com a sensação de que os pais foram abduzidos. Ficou o vazio aberto pela falta de vivenciar o rito de passagem.

Chego aos 70 anos de vida com 60 títulos produzidos, dos quais 58 publicados e dois no prelo: ‘Oito vias para ser feliz’, pela editora Planeta, que trata das bem-aventuranças do Evangelho. Deve chegar às livrarias no fim do ano. Já ‘Um Deus muito humano’ contém textos que expressam meu caso de amor com Jesus.

O jornalista Ricardo Kotscho, amigo do coração, já me perguntou: “Você leu todos os livros que escreveu?” Brinca ele com os amigos comuns: “Não é o Betto quem escreve. São os 40 fradinhos que habitam os porões do convento.”

É verdade, tenho compulsão por escrever. E em se tratando de livros, não o faço em horas vagas. Reservo 120 dias do ano para trabalhar em meus livros. Já os artigos são produzidos em meio à turbulência de minha agenda maluca, dedicada a assessorar movimentos pastorais e sociais.

Apesar de tantos livros publicados, traduzidos em 24 idiomas e em 35 países, não vivo de direitos autorais. Ainda lê-se pouco no Brasil. E no exterior só virei best-seller com ‘Fidel e a religião’. Nem me sustento com ‘o maná que cai do Céu’, ou seja, da Igreja. Como o apóstolo Paulo, faço questão de viver do trabalho “de minhas mãos”. E acrescento: da minha mente. Meu ganha-pão são as palestras, aqui e lá fora.

Transito entre vários gêneros: memórias, como ‘Batismo de sangue’ e ‘Diário de Fernando’ (ambos da Rocco), que virou filme sob a direção de Helvécio Ratton; meia dúzia de infantis; biografias, como ‘Um homem chamado Jesus’ (Rocco); pastoral, como ‘Fome de Deus’ (Paralela); livros em coautoria, como ‘Conversa sobre a fé e a ciência’ (Agir), em parceria com o físico Marcelo Gleiser; e romances, como o policial ‘Hotel Brasil’, ‘Minas do ouro’ e ‘Aldeia do silêncio’, todos editados pela Rocco.

Frei Betto é autor de ‘A arte de semear estrelas’ (Rocco)

2 comentários:

  1. Eu simplesmente amo ler, sou apaixonada por livros, mas já passei da fase de livros com ilustrações. A leitura é uma das formas que se pode compreender tudo o que está acontecendo agora, leituras de contos de várias religiões ou culturas. Podemos aprender uma coisa num piscar de olhos com uma folha na mão, você pode escrever um livro se tiver vontade, com a leitura ao seu favor, tudo é possível para você. Acho que todos devem por dia ou ouvir a letra de uma música, ler uma revista, ler qualquer coisa que aumente sua sabedoria. Ler é simplesmente minha vida e devia ser de todos pra variar.

    Ana Carolina Gomes -802

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  2. A literatura é algo indescritível, quando temos um livro nas mãos, temos também o mundo. Conseguimos ver o que está a nossa volta de uma maneira mais clara, entender outros pontos de vista e também as pessoas.
    Encontrar alguém que seja tão apaixonado por escrever é realmente impressionante, conseguir colocar no papel o que está na mente é algo muito especial.
    A leitura está presente em todas as áreas de nossas vidas, tudo a nossa volta a envolve.
    A literatura é fonte de sabedoria e conhecimento, no entanto, nossa cultura não estimula essa prática desde cedo. Por essa razão, muitos encontram dificuldade de exercer a leitura com facilidade.
    Para muitos, ler um livro com poucas páginas passa ser um desafio. Entender o que é dito nas entrelinhas parece ser algo impossível.
    Além dos benefícios acima citados pela leitura, a mesma também desenvolve o espírito crítico do leitor, quesito imprescindível em nosso viver diário.
    A leitura deve ser parte de nossa vida cotidiana !
    - " A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede. "
    ( Carlos Drummond de Andrade )

    Amanda Monteiro, 801 - Ativo

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