quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Entrevista - Kátia Valéria Magalhães e seu trabalho com Africanidade

 
Você pode explicar sobre o seu trabalho?

Meu trabalho na verdade é de conscientização na contribuição negra na formação do nosso país, é um trabalho que torna visível uma história negra que não está nos livros didáticos, que não se encontra na mídia, é um trabalho da incrementação da lei 10 639/03 que torna obrigatório o estudo da África nas escolas brasileiras,  é um trabalho de pesquisa de uma história negra macaense, que torna a contribuição negra na política, na economia do país.

 

Qual é a importância da lei 10639/03, em sua opinião?
Durante muito tempo a nossa história, a história negra tem sido contada a partir da escravidão, Acho importante, pois vocês ainda estão em período de construção, para conscientizar sobre a história negra.

Qual é a reação das pessoas em relação a esse tema?
A questão negra é que você vivencia, a religião negra africana ela é diária, a sua maneira de ver o mundo, a sua maneira de cuidar da natureza, por exemplo, Iemanjá é o mar, então você não vai sujar, você tem uma relação com o meio ambiente, é uma maneira de viver completamente diferente.

Qual é a parte mais interessante do seu trabalho?
Apesar de achar tudo interessante, mas adoro ver a empolgação das pessoas, porque às vezes a gente conta uma história e a pessoa desconhece então ser negro é o quê? É a cor da pele? É a conscientização, por isso eu gosto quando  dou palestra, é que tenha mais pergunta que resposta, porque precisa indagar, porque é parte da nossa história, com o tempo, né, quem foi que contou essa história? Tem um provérbio africano que fala assim: “Enquanto os leões não falam, a vitória vai ser sempre do caçador”. Então por muito tempo essa história não pode ser contada, e eu gosto de ver a empolgação nas pessoas.

O que você seria se você não trabalhasse com africanidade?
Eu acho que eu não seria outra coisa, eu não seria a Kátia, porque eu sempre quis ser arqueóloga, eu tenho uma ligação muito forte com o que passou, acho que eu não seria nada.

Você já foi à África?
Não, eu nunca fui à África, é meu projeto de vida, mas vou sozinha mesmo, vou pra África, é como se eu tivesse meu caminho de volta, mas é um chamado, assim, a terra chama, tenho vontade de voltar.

Além da cultura africana que outra cultura, mitologia você se interessa?
Além da africana, a indígena, porque também é um povo riquíssimo, e quando chegaram aqui, eu acho muito parecido a história africana e indígena, esse respeito a terra, esse cuidado com a natureza, só se retira o que for para o seu sustento, um dia eu vi um índio falando assim: “ eu sou um pedaço da natureza, eu sou parte dela”.

Tem alguma outra curiosidade que você gostaria de falar?
Você sabe o que é animia falciforme?  Ela é uma doença que veio no navio negreiro, porque tinha muita malária na África então, como defesa do corpo surgiu essa animia, que é uma deformidade dos glóbulos, e ele traz essa animia falciforme e não sabe disso, é uma herança negra.

Entrevistadores -  Sofia, Ana Carolina Marques, Antônio, Erick.
Turma 801


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